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Tabagismo

 

O termo tabagismo significa abuso do tabaco, como nos ensina Aurélio Buarque de Holanda.

O tabaco é uma erva da família das solanáceas (Nicotiana tabacum), que possui nicotina e cujas folhas, quando dessecadas, constituem o fumo ou tabaco.

Dele, as pessoas fazem uso de diversas maneiras: inalado (cigarro, cachimbo, charuto, cigarro de palha), aspirado (rapé) ou mascado (fumo-de-rolo).

Embora os produtos derivados do tabaco sejam consumidos há muitos séculos, somente no século XX observou-se acentuado aumento de seu consumo.

Por volta de 1918, por exemplo, o consumo de cigarros já havia suplantado qualquer outra forma de utilização do tabaco, provavelmente por influência da Primeira Grande Guerra. Nos EUA, em 1990, foi estimado o consumo de 2.800 cigarros/ano por adulto.

Hoje, o cigarro é a forma mais importante de utilização do tabaco, tornado-se um sério problema de saúde pública tanto no Brasil como no mundo.

O que se esconde na fumaça do cigarro?

O cigarro contém uma mistura de cerca de 4.700 substâncias tóxicas. Parte delas é gasosa – incluindo o monóxido de carbono, e algumas são partículas, como o alcatrão, a nicotina e a água.

O alcatrão, além dos radioativos urânio, polônio 210 e carbono 14, concentra 43 substâncias comprovadamente carcinogênicas, ou seja, que provocam o câncer, já que alteram o núcleo das células. A fumaça do cigarro contém toxinas que produzem irritação nos olhos, nariz e garganta, bem como diminuem a mobilidade dos cílios pulmonares, ocasionando alergia respiratória em fumantes e não-fumantes.

Estes cílios, semelhantes a cabelos muito finos, são projeções da mucosa que ajudam a remover sujeiras e outros detritos do pulmão. Quando têm seus movimentos paralisados pela exposição à fumaça do cigarro, as secreções acumulam-se, contribuindo para a tosse ou pigarro típico do fumante e para o surgimento de infecções respiratórias, freqüentes em quem tem contato com a fumaça.

A fumaça do cigarro é também constituída por monóxido de carbono (CO), cuja concentração no sangue circulante de quem fuma aumenta rapidamente pela manhã, continua a subir durante o dia e decresce à noite.

Aproximadamente, 3 a 6% da fumaça do cigarro são compostos por monóxido de carbono. Quando inalado, o monóxido de carbono atinge os pulmões e dali segue para o sangue, reduzindo sua capacidade de carregar oxigênio. Em conseqüência, as células deixam de respirar e produzir energia, o que faz com que o fumante tenha o fôlego prejudicado e fique exposto ao risco de doenças cardiovasculares e respiratórias. Além de venenoso em altas concentrações, o CO está implicado em muitas doenças associadas ao fumo, inclusive nos efeitos danosos sobre o desenvolvimento do feto das grávidas tabagistas.

A nicotina, outra das substâncias encontradas no cigarro, diminui a capacidade de circulação sangüínea, aumenta a deposição de gordura nas paredes dos vasos e sobrecarrega o coração, podendo levar ao infarto do miocárdio e ao câncer, mas seu papel mais importante é reforçar e potencializar a vontade de fumar. Ela atua da mesma forma que a cocaína, o álcool e a morfina, causando dependência e obrigando o fumante a usar continuamente o cigarro. Em altas concentrações, é também venenosa.

Por que as pessoas fumam?

As pessoas começam a fumar principalmente por hábito cultural e influência da publicidade do cigarro nos meios de comunicação de massa. Pais, professores, ídolos e amigos também exercem grande influência. A publicidade alia as demandas sociais e as fantasias dos diferentes grupos – adolescentes, mulheres, faixas economicamente mais pobres – ao uso do cigarro, fazendo-os crer que, ao fumar, seus desejos e expectativas sociais serão realizados, aumentando, assim, o consumo do tabaco entre as pessoas mais facilmente influenciáveis. A publicidade direta é feita por anúncios atraentes e extremamente bem produzidos; já a indireta apela aos ídolos e pessoas famosas, tomadas com modelos de comportamento em geral.

Entretanto, faz-se necessário considerar os efeitos excitantes e antidepressivos do cigarro. Certamente, este não seria um hábito tão arraigado se também não tivesse um aspecto "positivo" para o fumante, ao menos aparentemente. Porém, deve-se ponderar que há muitos outros modos de obtenção dos mesmo efeitos sem as seqüelas indesejáveis que o tabagismo necessariamente acarreta.

A quem interessa o tabagismo?

Noventa por cento dos fumantes iniciaram o consumo de tabaco antes dos 21 anos de idade, fase em que o indivíduo ainda está construindo sua personalidade.

O número constante ou mesmo crescente de adesões ao tabagismo contribui para que a indústria do cigarro seja altamente lucrativa, investindo constantemente em publicidade, a fim de atrair mais e mais pessoas.

Fumantes morrem em decorrência das doenças relacionadas ao tabaco; outros, alertados sobre os malefícios do fumo, conseguem abandonar o vício.

No entanto, do ponto de vista da indústria, esses consumidores têm que ser constantemente substituídos por novos, o que estimula o constante investimento publicitário.

Desta forma, configura-se um ciclo onde o aumento do consumo traz lucros tanto à indústria como às empresas de publicidade.

Pesquisas evidenciam as perdas econômicas causadas pelo cigarro em fumantes e não-fumantes, tais como:

faltas ao trabalho.
Queda de produtividade.
Aposentadorias precoces.
Mortes prematuras.
Custos com a manutenção de imóveis, aparelhagens, móveis, tapetes, cortinas, etc. danificados.
Incêndios rurais e urbanos.
Acidentes de trabalho.
Acidentes de trânsito.

Ressalte-se que a totalidade dos gastos sociais decorrentes do tabagismo supera em muito a arrecadação de impostos que ele proporciona: o câncer, segunda causa de morte por doença no país, é responsável por grandes gastos com tratamentos e internações hospitalares, uma vez que 90% dos cânceres de pulmão e 30% de todos os outros tipos de câncer são devidos ao tabagismo.

As doenças cardiovasculares, primeira causa de morte no país, bem como a bronquite crônica e o enfisema, estão diretamente relacionadas ao uso de tabaco e geram importantes gastos na área da saúde. Apenas estes dois exemplos nos dão a dimensão das perdas econômicas geradas pelo tabagismo, aliados à queda na qualidade de vida do trabalhador. Paralelamente, ainda existem os gastos economicamente não mensuráveis, como a dor, o sofrimento pessoal e familiar dos vitimados - nem sempre considerados.

Os não-fumantes acabam fumando

Os fumantes não são os únicos expostos aos males do cigarro. Também os não-fumantes são atingidos, já que passam a ser fumantes passivos. Onde quer que alguém esteja fumando, são encontradas partículas da fumaça do cigarro, principalmente em locais fechados, residenciais ou públicos. Rapidamente, as concentrações das substâncias tóxicas da fumaça excedem os níveis considerados padrões para a qualidade do ar ambiente.

O cigarro é considerado pela Organização Mundial da Saúde – OMS – como o maior agente de poluição doméstica e ambiental, tendo em vista que as pessoas passam 80% de seu tempo diário em locais fechados, tais como os de trabalho, residência e lazer.

Atualmente, por todo o mundo, cada vez mais as autoridades governamentais têm estabelecido regulamentos e leis de proteção aos não-fumantes; além disso, há crescente aumento da conscientização dos indivíduos sobre a qualidade do ar que respiram, não só em casa, como nos ambientes de trabalho e locais públicos.

Também no Brasil, progressivamente, surgem leis em nível estadual e municipal preservando os direitos dos não-fumantes, o que mostra avanço na conscientização das autoridades no que tange à poluição tabágica ambiental.

A qualidade do ar que respiramos é fundamental para nossa saúde, bem como para o bom desempenho de nossas funções cotidianas. A permanência em um ambiente poluído com nicotina faz com que absorvamos substâncias em concentrações semelhantes às de quem fuma. Tal comprovação é realizada através da medição da cotitina, principal produto da decomposição da nicotina - substância que pode ser encontrada no sangue e na urina dos não-fumantes que moram, convivem ou trabalham com fumantes.

Influência do tabagismo em não-fumantes

A curto prazo

Irritação nos olhos
Manifestações nasais
Tosse e cefaléia
Aumento dos problemas alérgicos e cardíacos

A médio e longo prazos

Redução da capacidade respiratória
Infecções respiratórias em crianças
Aumento do risco de aterosclerose
Câncer
Infarto do miocárdio

Os fumantes ativos e passivos sofrem os efeitos imediatos da poluição ambiental, tais como irritação nos olhos, manifestações nasais como entupimentos e coriza, tosse, cefaléia, aumento de problemas alérgicos (principalmente das vias respiratórias) e cardíacos (principalmente elevação da pressão arterial e angina ou dor no peito).

Outros efeitos de médio e longo prazos são a redução da capacidade funcional respiratória (ou seja, o pulmão é cada vez menos capaz de exercer a sua função), o aumento do risco de ter aterosclerose (depósito de gorduras nas artérias) e o aumento do número de infecções respiratórias em crianças. Além disso, os fumantes passivos morrem duas vezes mais por câncer de pulmão do que as pessoas não submetidas à poluição tabágica.

As crianças, principalmente as de baixa idade, são particularmente prejudicadas em sua convivência diária com fumantes. Nas de zero a um ano, em comparação com aquelas cujos familiares não fumam, ocorre maior incidência de problemas respiratórios como bronquites e pneumonia. Observa-se que quanto maior for o número de fumantes no domicílio, maior será o número de infecções respiratórias nos moradores, principalmente nas crianças. Assim, é fundamental que os adultos não fumem em locais onde haja crianças, para que não as tornem fumantes passivos.

Doenças associadas ao uso do cigarro

Doenças coronarianas (25%)

Angina e infarto

Doenças pulmonares obstrutivas crônicas - DPOC (85%)

Bronquite e enfisema

Câncer em geral (30%)

Pulmão (90%)
Boca
Laringe
Faringe
Esôfago
Pâncreas
Rim
Bexiga
Colo de útero

Doenças cerebrovasculares (25%)

Derrame cerebral

Úlceras digestivas

Infecções respiratórias variadas

No Brasil, estima-se, anualmente, a morte precoce de 80 mil pessoas em virtude do tabagismo, número esse que vem aumentando ano a ano.

Em outras palavras, cerca de 10 brasileiros morrem por hora por causa do cigarro, sendo o câncer a principal causa de morte.

Os fumantes têm 10 vezes mais chances de morrer de câncer de pulmão do que os não-fumantes. Em 98% dos tabagistas são encontradas, na mucosa que reveste os brônquios, alterações compatíveis com o câncer de pulmão. A chance de se ter câncer diminui quando se pára de fumar e, após 15 anos sem fazer uso do tabaco, os ex-fumantes voltam a apresentar características semelhantes àquelas dos que nunca fumaram.

Os fumantes têm ainda maior probabilidade de morrer por doença coronariana, especialmente os fumantes jovens.

Provavelmente, o tabagismo é responsável por aproximadamente 45% dos óbitos por doença coronariana nos homens com menos de 65 anos de idade; e por mais de 25% nos de idade superior a 65 anos. Além disso, os fumantes do sexo masculino entre 45 e 54 anos de idade têm quase três vezes maior probabilidade de morrer de infarto do que os não-fumantes da mesma faixa etária.

Fatores de risco para a doença coronariana

O tabagismo
A hipertensão arterial (pressão alta) O colesterol alterado

O tabagismo, isoladamente, duplica a possibilidade de doença cardíaca. Entretanto, associado à alteração do colesterol ou à hipertensão, multiplica esse risco por 4.

O risco torna-se 8 vezes maior quando os três fatores se associam.

Por sua vez, mulheres jovens, que usam anticoncepcionais orais e fumam, têm, em relação as não-fumantes, 10 vezes maior risco de infarto do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite.

A bronquite crônica e o enfizema são tipos de doenças pulmonares obstrutivas crônicas, ou seja, doenças que dificultam a passagem de ar no pulmão.

Caracterizam-se por tosse, expectoração e falta de ar, prejudicando em muito a qualidade de vida. O enfizema ocorre mais freqüentemente em homens, mas sua taxa de mortalidade vem aumentando entre as mulheres, provavelmente devido ao aumento do número de fumantes do sexo feminino.

Os acidentes vasculares cerebrais, mais comumente conhecidos como derrames cerebrais, resultam de um sangramento dentro do cérebro, levando à paralisia do corpo e, muitas vezes, ao estado de coma e à morte. As mulheres apresentam maior probabilidade para o derrame, mas os fumantes, de ambos os sexos, têm um risco duas a três vezes maior que os não-fumantes.

Fumo e gravidez

Fumar durante a gravidez acarreta sérios riscos tanto para o bebê quanto para a mãe. Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e hemorragias ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma. Tais agravos são devidos, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina sobre o feto, após sua absorção pelo organismo materno.

Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, pelo efeito da nicotina em seu aparelho cardiovascular. Portanto, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto em virtude do tabagismo da mãe gestante.

Analiticamente, a relação do poder aquisitivo com o consumo de cigarros mostra que há menor consumo nas classes de maior rendimento familiar.

Contraditoriamente, a população de menor renda - e que costuma ter a saúde mais frágil – é a que mais gasta com cigarro, em detrimento de itens prioritários como, por exemplo, a alimentação.

Em grande parte, essa diferença é causada pela maior desinformação das classes economicamente mais pobres. É importante notar que este maior consumo de tabaco, somado a condições como desnutrição, doenças infecciosas e do trabalho, leva a um adoecimento mais freqüente e agravado. Convém lembrar, ainda, que os ambientes confinados das pequenas moradias favorece sobremaneira a inalação passiva das substâncias tóxicas por crianças, gestantes e doentes.

Fonte: www.fozdoiguacu.pr.gov.br

Tabagismo

Definição e histórico

O tabaco é uma planta cujo nome científico é Nicotiana tabacum, da qual é extraída uma substância chamada nicotina. Seu uso surgiu aproximadamente no ano 1.000 a C., nas sociedades indígenas da América Central, em rituais mágicos-religiosos com objetivo de purificar, contemplar, proteger e fortalecer os ímpetos guerreiros, além de acreditar que a mesma tinha o poder de predizer o futuro.

A planta chegou ao Brasil provavelmente pela migração de tribos tupis-guaranis.

A partir do século XVI, o seu uso foi introduzido na Europa, por Jean Nicot, diplomata francês vindo de Portugal, após ter-lhe cicatrizado uma úlcera de perna, até então incurável.

No início, utilizado com fins curativos, através do cachimbo, difundiu-se rapidamente, atingindo Ásia e África, no século XVII. No século seguinte, surgiu a moda de aspirar rapé, ao qual foram atribuídas qualidades medicinais, pois a rainha da França, Catarina de Médicis, o utilizava para aliviar suas enxaquecas.

No século XIX, iniciou-se o uso do charuto, através da Espanha atingindo toda a Europa, Estados Unidos e demais continentes, sendo utilizado para demonstração de ostentação. Por volta de 1840 a 1850, surgiram as primeiras descrições de homens e mulheres fumando cigarros, porém somente após a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918) seu consumo apresentou uma grande expansão.

Seu uso espalhou-se por todo mundo a partir de meados do século XX, com ajuda de técnicas avançadas de publicidade e marketing, que se desenvolveram nesta época.

A partir da década de 60, surgiram os primeiros relatórios científicos que relacionaram o cigarro ao adoecimento do fumante e hoje existem inúmeros trabalhos comprovando os malefícios do tabagismo à saúde do fumante e do não fumante exposto à fumaça do cigarro.

Hoje o fumo é cultivado em todas as partes do mundo e é responsável por uma atividade econômica que envolve milhões de dólares.

Apesar dos males que o hábito de fumar provoca, a nicotina é uma das drogas mais consumidas no mundo.

Efeitos no cérebro

Os principais efeitos da nicotina no Sistema Nervoso Central são: elevação leve no humor (estimulação) e diminuição do apetite. A nicotina é considerada um estimulante leve, apesar de um grande número de fumantes relatarem que se sentem relaxados quando fumam. Essa sensação de relaxamento é provocada pela diminuição do tônus muscular.

Essa substância, quando usada ao longo do tempo, pode provocar o desenvolvimento de tolerância, ou seja, a pessoa tende a consumir um número cada vez maior de cigarros para sentir os mesmos efeitos que originalmente eram produzidos por doses menores.

Alguns fumantes, quando suspendem repentinamente o consumo de cigarros, podem sentir fissura (desejo incontrolável por cigarro), irritabilidade, agitação, prisão de ventre, dificuldade de concentração, sudorese, tontura, insônia e dor de cabeça. Esses sintomas caracterizam a síndrome de abstinência, desaparecendo dentro de uma ou duas semanas.

A tolerância e a síndrome de abstinência são alguns dos sinais que caracterizam o quadro de dependência provocado pelo uso de tabaco.

Efeitos no resto do corpo

A nicotina produz um pequeno aumento no batimento cardíaco, na pressão arterial, na freqüência respiratória e na atividade motora.

Quando uma pessoa fuma um cigarro, a nicotina é imediatamente distribuída pelos tecidos. No sistema digestivo provoca queda da contração do estômago, dificultando a digestão. Há um aumento da vasoconstricçao e na força das contrações cardíacas.

Efeitos tóxicos

A fumaça do cigarro contém várias substâncias tóxicas ao organismo. Dentre as principais, citamos a nicotina, o monóxido de carbono, e o alcatrão.

O uso intenso e constante de cigarros aumenta a probabilidade de ocorrência de algumas doenças como por exemplo a pneumonia, câncer de pulmão, problemas coronarianos, bronquite crônica, além de câncer em regiões do corpo que entram em contato direto com a fumaça como garganta, língua, laringe e esôfago. O risco de ocorrência de enfarte do miocárdio, angina e derrame cerebral é maior nos fumantes quando comparado aos não fumantes.

Existem evidências de que a nicotina pode provocar úlceras gastro-intestinais. Entre outros efeitos tóxicos provocados pela nicotina, podemos destacar ainda náuseas, dores abdominais, diarréia, vômitos, cefaléia, tontura, bradicardia e fraqueza.

Tabaco e gravidez

Quando na gravidez a mãe fuma "o feto também fuma", passando a receber as substâncias tóxicas do cigarro através da placenta. A nicotina provoca aumento do batimento cardíaco no feto, redução do peso do recém-nascido, menor estatura, além de alterações neurológicas importantes. O risco de, abortamento espontâneo, entre outras complicações durante a gravidez é maior nas gestantes que fumam.

Durante a amamentação, as substâncias tóxicas do cigarro são transmitidas para o bebê através do leite materno.

Tabagismo passivo

Os poluentes do cigarro dispersam-se pelo ambiente, fazendo com que os não-fumantes próximos ou distantes dos fumantes, inalem também as substâncias tóxicas, tornando-se fumantes passivos.

Estudos comprovam que filhos de pais fumantes apresentam uma incidência 3 vezes maior de infecções respiratórias (bronquite, pneumonia, sinusite) do que filhos de pais não fumantes.

Aspectos Gerais

O hábito de fumar é muito frequente na população. A associação do cigarro com imagens de pessoas bem sucedidas é uma constante nos meios de comunicação. Este tipo de propaganda é um dos principais fatores que estimulam o uso do cigarro. Por outro lado, as campanhas contra o fumo vem recebendo um destaque cada vez maior em diversos países, ganhando apoio de grande parte da população e gerando um movimento popular de intolerância. Neste sentido, o "espaço" dos fumantes vem sofrendo restrições consideráveis ao longo dos últimos anos.

Perguntas Frequentes

O que é tabaco?

O Tabaco é uma planta cujo nome cientifico é Nicotiana tabacum, da qual é extraída uma substância chamada nicotina, seu princípio ativo. Mas no tabaco encontramos ainda um número muito grande de outras substâncias algumas muito tóxicas, como por exemplo terebentina, formol, amônia, naftalina, entre outras.

Quais as formas de uso do tabaco?

As modalidades mais comuns de uso do tabaco são fumar ou inalar através de cigarro, charuto, cachimbo, rapé e mascar o assim chamado tabaco de mascar.

Por que as pessoas usam o tabaco?

Até hoje não há certeza do porque o tabaco, aliás como qualquer outra droga, é utilizado pelas pessoas. Certamente a propaganda na mídia , apontando que fumar está intimamente ligado ao sucesso e à pessoas bonitas deve influenciar muitos, principalmente jovens. Outras alegam que o tabaco tem o poder de tranqüilizar-las e acalma-las. Há ainda aquelas que dizem gostar ou ter prazer de fumar. Mas a maior parte dos fumantes dizem que fumam porque não conseguem mais parar.

Quem são as pessoas que mais usam?

O uso de tabaco não está ligado a uma determinada população, ele é disseminado entre homens e mulheres em qualquer época da vida. Em relação ao Brasil o que pode-se dizer é que, baseado em um estudo feito em 1997 em 10 capitais brasileiras pelo CEBRID, o primeiro contato com o cigarro ocorre muito cedo em aproximadamente 11% dos estudantes com idade entre 10 e 12 anos.

Quantos usam o tabaco?

Não se sabe ao certo o número de pessoas que usam o tabaco no Brasil, mas um estudo realizado em 1999 pelo CEBRID em domicílios do estado de São Paulo, revelou que 9,3% das pessoas entrevistadas são dependentes (ver pergunta nº 15) de tabaco, sendo que um número bem maior faz uso constante.

O que o tabaco faz no corpo após uma dose (efeitos físicos agudos)?

O tabaco produz um pequeno aumento nos batimentos cardíacos, na pressão arterial, na freqüência respiratória e na atividade motora. No sistema digestivo diminue as contrações do estômago, dificultando a digestão. É irritante para os brônquios (pulmões) e provoca insônia (tira o sono).

O que o tabaco faz no corpo (efeitos físicos crônicos) pelo uso continuado?

O uso intenso de cigarros aumenta a probabilidade de ocorrência de algumas doenças como por exemplo infarto do miocárdio, bronquite crônica, infisema pulmonar, derrame cerebral , úlcera digestiva, etc. O cigarro tem um potencial carcinogênico (isto é de provocar câncer) que é certamente, um dos mais importantes aspectos estudados. O fumo contém cerca de 80 substâncias cancerígenas, entre as quais se destacam o benzopireno e nitrosaminas. Há também estudos mostrando que as pessoas que fumam 1 – 2 maços de cigarros por dia vivem cerca de 8 anos menos do que aqueles que não fumam.

O que o tabaco faz com a mente após uma dose (efeitos psíquicos agudos)?

Após uma tragada, a nicotina é absorvida pelos pulmões chegando ao cérebro geralmente em 9 segundos. Quando em jejum e se a tragada for grande, a pessoa pode ficar ligeiramente tonta.

Outros efeitos são: leve estimulação do cérebro e diminuição do apetite. Não há, na realidade nenhum efeito mais intenso ou importante.

O que o tabaco faz com a mente quando uasado continuamente (efeitos psíquicos crônicos)?

Não provoca grandes danos.

O tabaco afeta a escola?

Não diretamente. Mas o estudante para fumar ou atrasa ou mesmo falta às aulas. Isto certamente prejudica o rendimento escolar.

O tabaco leva ao uso de outras drogas?

Não. O que ocorre é que ao fumar a pessoa geralmente se "enturma", e pode alguém do grupo sugerir experimentar outra droga qualquer. Mas não há estudos mostrando que o cigarro por si só é "porta de entrada" para o uso de outras drogas.

Você reconhece quando alguém usa o tabaco?

A fumaça do cigarro tem um cheiro característico que é facilmente reconhecido; o hálito da pessoa também fica com um cheiro diferente. Algumas pessoas que fumam muito podem ficar com manchas amarelas nos dedos que seguram o cigarro. Pode-se também perceber o cheiro da fumaça na roupa. Neste caso as pessoas que estão ao lado de um fumante, mesmo não fumando ficam com as roupas cheirando a fumaça.

É o tabaco usado como medicamento?

Não. O tabaco não tem uso médico.

Pode-se fumar na gravidez?

Quando a mãe fuma durante a gravidez "o feto também fuma", recebendo as substâncias tóxicas do cigarro através da placenta. Há aumento dos batimentos cardíacos no feto, e a criança ao nascer tem redução do peso, menor estatura e alterações neurológicas. O risco de aborto espontâneo e de parto prematuro é maior em gestantes que fumam. Aliás droga nenhuma combina com a gravidez, a não ser aquelas receitadas pelo médico.

As pessoas ficam dependentes?

Sim. Está comprovado que a nicotina é a responsável pela dependência ao Tabaco (a pessoa não consegue mais deixar de usar mesmo querendo). Com o tempo a pessoa vai usando quantidades cada vez maior ou seja há desenvolvimento de tolerância e se deixa de fumar apresenta uma síndrome de abstinência.

As pessoas podem parar de usar o tabaco?

É muito difícil para de fumar.

Um famoso escritor americano Mark Twain chegou mesmo a dizer, brincando: "é facílimo parar de fumar! Eu mesmo já fiz isto mais de 1000 vezes" ou seja, já havia tentado mais de 1000 vezes, sem conseguir.

Mas parar de fumar apesar de uma possível síndrome de abstinência, é possível, mas muitas vezes precisando de auxilio psicológico ou médico.

O que é síndrome de abstinência do tabaco?

A Síndrome de abstinência, que ocorre quando o indivíduo para de fumar, é um conjunto de sintomas como agitação, sudorese (suar muito), irritabilidade, tontura, insônia e dor de cabeça, nervosismo, irritabilidade. Estes sintomas chegam a demorar semanas.

Há tolerância ao tabaco?

Sim. A tolerância é a necessidade de fumar cada vez mais cigarros para se sentir satisfeito.

O que acontece se uma pessoa for surpreendida usando?

Como o tabaco é uma droga legal, nada acontece. Pode ocorrer restrições de uso em alguns lugares como shoppings e restaurantes. Pó outro lado por uma questão de direito dos outros e de educação deve-se evitar fumar em presença de outras pessoas para nos expô-las à fumaça.

O que acontece se uma pessoa for surpreendida levando para usar junto com os amigos?

Não acontece nada, já que o tabaco é uma droga legal.

Sobre a atividade sexual?

O uso crônico do cigarro diminui o calibre dos vasos sangüíneos de todo o organismo inclusive do órgão reprodutor masculino, e isso pode leva à impotência.

Fonte: www.unifesp.br

Tabagismo

A absorção da nicotina pelo pulmão é rápida, quase como se fosse administrada na veia, chegando ao cérebro em 8 segundos após a inalacão.

A probabilidade de apresentar-se qualquer doença ligada ao cigarro aumenta com o número de cigarros fumados por dia ou maços por ano. A diferença de efeitos produzidos entre fumantes de cigarro, cachimbo, charutos está provavelmente relacionada ao hábito de tragar, que é menor no cachimbo e charuto; entretanto, nestes últimos é maior o índice de absorção pela mucosa bucal e nasofaríngea, havendo aumento de doenças provenientes nestas áreas.

Tabagismo

A. SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Os fumantes relatam que o cigarro os desperta quando estão sonolentos e os acalma quando estão tensos, o que é confirmado pelo registros do eletroencefalograma.

A nicotina estimula o SNC. Doses apropriadas causam tremores; entretanto, doses elevadas podem levar a convulsões. A forte estimulação do SNC é seguida de depressão respiratória e, em alguns casos, da morte.

A nicotina induz ao vômito por ação central e periférica. A origem central da resposta do vômito é a estimulação do centro do gatilho do vômito.

B- APARELHO CARDIOVASCULAR

A ação deste sistema é exercida especialmente pela nicotina e o monóxido de carbono. A primeira possui efeito constritor em alguns vasos, quando estimula a liberação de substâncias chamadas catecolaminas, que, por sua vez, aumentam a freqüência cardíaca e a pressão arterial. Já o monóxido de carbono forma a carboxihemoglobina, resultando em deficiência na oxigenação dos tecidos. Em média os fumantes têm cerca de l0% de sua hemoglobina inutilizada, sendo que esta percentagem aumenta para 30% em casos de fumantes que consomem mais de um maço de cigarro por dia. Vale ainda mencionar que o nível de 60% de hemoglobina inutilizada é letal.

A vida média da carboxihemoglobina é de 4 horas. Caso o indivíduo deixe de fumar por 24 horas, o nível de carboxihemoglobina aproximar-se-á de zero. Assim, 24 horas sem fumar correspondem a uma transfusão de cerca de um litro de sangue.

A aceleração do ritmo cardíaco, a elevação da pressào arterial, e a hipóxia continuada obrigam o coração do fumante a exercer maior trabalho, em piores condições. O fumo também aumenta o colesterol total, contribuindo para o desenvolvimento da arterosclerose. Nos EUA o cigarro é a principal causa de doenças coronarianas. Aproximadamente 20% das 500.000 mortes por doenças do coração ocorridas a cada ano são atribuídas ao cigarro. O cigarro ainda é uma importante causa de doenças vasculocerebrais, respondendo por cerca de l8% das l50.000 mortes por derrames cerebrais a cada ano.

C. APARELHO RESPIRATÓRIO

O fumo atua negativamente sobre as 2 funções do pulmão: ventilação pulmonar e troca alvéolo-capilar.

A fumaça do cigarro causa broncoconstrição e esse efeito dura em média uma hora; em asmáticos, tal efeito é ainda maior. Além disso, a irritação da mucosa estimula a produção de muco; o fumo também imobiliza os cílios, diminuindo a sua função defensora, uma vez que há a intoxicação por meio de substânias como a acroleína. Estes efeitos aumentam o risco de infecção – o que explica a grande incidência de casos de bronquite em fumantes. Finalmente, o fumo predispõe à enfisema pulmonar, o que é irreversível.

No Brasil estima-se que 125.000 pessoas morram por ano devido ao fumo. No mundo inteiro, esta estimativa aumenta para 3,5 milhões de pessoas – oito vezes mais que as mortes causadas pelo álcool.

O tabagismo é o fator isolado mais importante para a originação do câncer de pulmão (90% do casos).

As substâncias contidas e liberadas pela queima do cigarro, provocam inflamação continuada da parede brônquica, perda dos cílios, hipertrofia das glândulas, fibrose e estreitamento da luz dos brônquios. Estes processos caracterizam a bronquite crônica. A dilatação dos alvéolos, acompanhada da ruptura dos septos, proporciona a instalação do enfisema pulmonar, bem como dificuldade de expiração do ar, o que virá a acarretar, por sua vez, doença pulmonar obstrutiva, entre outros efeitos.

O fumo contém dezenas de elementos cancerígenos, como os benzopirenos do alcatrão, destruindo as células protetoras contra o câncer. O fumo também contém elementos radioativos que se concentram na bifurcação dos brônquios. Quem fuma 30 cigarros por dia, por exemplo, recebe uma irradiação equivalente a 8.000 REM/ano, ou o equivalente a 300 radiografias. Também há a predisposição à tuberculose e outras infecções pulmonares.

D. GRAVIDEZ

Muitas alterações podem ser observadas durante a gestação em que ocorre o uso de tabaco. As substâncias tóxicas passam para a circulação da mãe e, por meio da placenta, atingem o feto, causando:

Aumento da viscosidade sanguínea
Vasoconstrição
Anoxia quase que continuada
Aumento da freqüência cardíaca
Dificuldade de movimentos respiratórios
"Morte súbita de berço"
Aborto expontâneo e mortalidade perinatal
Diminuição do crescimento fetal
Má formação congênita
Dificuldade no aprendizado de leitura, matemática e habilidades em geral desde a infância até a adolescência
Perturbações neurológicas e psicológicas.

E. NA LACTAÇÃO

Cada cigarro contem 0,5 mg. a 1 mg. de nicotina. Dez cigarros por dia representam dose tóxica de nicotina para os recém nascidos.

A nicotina está contida no leite das fumantes, podendo causar taquicardia no bebê, de acordo com a dose experimentada pelas mães.

F. OUTRAS ALTERAÇÕES

Disposição ao câncer de: laringe (há a probabilidade deste tipo de câncer manifestar-se sete vezes mais que o comum), cavidade oral, esôfago; bem como para o câncer de: bexiga , rim e pâncreas
Disposição à gastrite aguda e a úlceras pépticas
Aumento considerável do risco de cardiopatias, quando associadas ao uso de anticoncepcionais
Irregularidade no ciclo menstrual
Redução da expectativa de vida para os fumantes: entre 35 e 65 anos morrem 40% dos fumantes, contra 15% de não fumantes.

G. RISCOS DO FUMANTE PASSIVO

Estudos descrevem a maior incidência de casos de doenças respiratórias e anormalidade na função pulmonar em crianças menores de dois anos cujas mães são fumantes. Além disso, fortes indícios sugerem que mulheres não fumantes, casadas, por sua vez, com fumantes, têm cerca de 30% de chance a mais de desenvolver câncer de pulmão.

Pessoas expostas à fumaça do cigarro, são consideradas, portanto, fumantes passivos (não importando se a exposição se dá em ambientes fechados ou abertos), as quais sofrem efeitos imediatos como: irritação nos olhos, nariz e garganta; e, a longo prazo, doenças comuns aos fumantes.

A absorção passiva de 90% dos constituintes do cigarro, incluindo substâncias gasosas e partículas sólidas, em decorrência do ar enfumaçado, comprova-se em exames de urina – na qual verifica-se a presença de nicotina em doses elevadas. Este quadro torna-se ainda mais drástico se considerarmos que bebês e crianças também sofrem da exposição à fumaça do cigarro.

H. RISCOS E PERDAS AMBIENTAIS

O cigarro aumenta a probabilidade de haver incêndios, tanto domésticos quanto de trabalho, além de devastar inúmeras áreas próximas a rodovias, sacrificando grande número de espécies vegetais e animais, bem como prejudicando o solo e o ar atmosférico.

Em muitos ambientes de trabalho, a exemplo, os danos por queima têm aumentado: faz-se necessária, assim, a substituição de mobiliários , carpetes , cortinas , como de filtros do sistema de ventilação.

Fonte: www.cenpre.furg.br

Tabagismo

O QUE É O CIGARRO?

O cigarro é um produto industrializado que contém as folhas secas da planta conhecida como tabaco (Nicotina rusticum e Nicotina tabacum).

Outras preparações que contêm o tabaco são: cachimbo, charuto, fumo em corda, palheiro e rapé.

Todas as preparações que são fumadas apresentam substâncias muito parecidas.

Por outro lado, algumas vezes as folhas de tabaco são misturadas com drogas ilícitas, trazendo efeitos adicionais.

SÃO MUITAS AS PESSOAS QUE FUMAM?

Sim. Pesquisas no Brasil e no RS mostram que 30% a 50% da população fuma. Esta variação depende de diferentes graus de instrução e diferenças de idade.

Um quinto das crianças brasileiras, entre 10 e 12 anos, já experimentaram cigarros.

O QUE COMPÕE A FUMAÇA DO CIGARRO?

Os componentes gasosos da fumaça como o monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2), são os responsáveis pela diminuição de oxigênio para os órgãos dos fumantes. Nicotina e alcatrão compõem a porção particulada da fumaça e depositam-se nos pulmões. A nicotina é responsável pelos efeitos prazeirosos do cigarro, pela dependência, pelo cheiro e cor marrom característicos do tabaco. Além da nicotina presente nas folhas de tabaco, cerca de 4.000 compostos são produzidos pela queima do cigarro, sendo o mais importante o alcatrão, que é cancerígeno.

QUAIS SÃO OS EFEITOS AGRADÁVEIS DO CIGARRO?

Os sintomas psicológicos e físicos do cigarro são bastante importantes e responsáveis pela dependência. Há maior clareza de pensamentos, maior atenção e capacidade de concentração, assim como o aumento da memória. Parecem também diminuir a irritabilidade e agressividade., relaxar a musculatura e diminuir o apetite.

QUAIS AS DOENÇAS QUE SÃO OCASIONADAS PELO FUMO?

Doenças isquêmicas do coração (como angina de peito ou infarto do miocárdio), isquemias ou hemorragias cerebrais, doença pulmonar obstrutiva crônica, e cânceres de pulmão, boca, laringe, esôfago e bexiga são as doenças relacionadas ao uso crônico do fumo e que levam à morte tanto de homens como de mulheres. As crianças que fumam faltam mais à escola do que as que não fumam, e têm mais propensão a doenças pulmonares. Quanto mais cedo o jovem se tornar fumante freqüente, maior a propensão para desenvolver doenças graves como as descritas acima.

O FUMO PRODUZ DEPENDÊNCIA?

Tanto a tolerância aos efeitos adversos agudos do cigarro, como a síndrome de abstinência assinalam a dependência à nicotina e contribuem para manter o hábito de fumar. A síndrome de abstinência ocorre depois das primeiras horas do último cigarro. O aumento de peso e a compulsão ( o desejo irreprimível de fumar) são manifestações tardias da retirada. Um quarto das pessoas relatam desejo de fumar até 5 a 9 anos depois de pararem. Portanto, as manifestações de abstinência são a principal causa para que a pessoa volte a fumar.

O QUE ACONTECE COM AS PESSOAS QUE CONVIVEM COM QUEM FUMA?

Estas pessoas são conhecidas como "fumantes passivos". Dependendo da ventilação do local e da concentração de fumaça de cigarros, em oito horas uma destas pessoas pode aspirar o equivalente a 1 a 4 cigarros fumados. As crianças são as mais atingidas, apresentando maior freqüência de problemas respiratórios agudos.

Também foi demonstrado que filhos de pais que fumam têm risco aumentado de apresentar um câncer quando ficar adulto.

POR QUE OS JOVENS COMEÇAM A FUMAR?

Crianças passam a conhecer o cigarro desde muito precocemente, porque vêem os adultos fumando. Pelas estatísticas brasileiras é comum o experimentar o cigarro desde o 1o grau, o que vai se tornando uso freqüente em um número significativo de estudantes do 2o grau. Hoje em dia, meninas fumam mais que meninos e filhos e filhas de pais fumantes fumam mais do que os de pais não fumantes. Fatores que propiciam o hábito de fumar são a aprovação por parte de adultos e a publicidade sobre cigarros, inclusive sob a forma de patrocínios de eventos esportivos, que mostram a aprovação da sociedade.

QUAIS SÃO AS LEIS SOBRE O USO DE CIGARROS?

É proibido o uso em locais públicos. É proibido fumar nas escolas, cinemas, teatros e em museus , bibliotecas e em locais fechados destinados a esportes
Deve haver advertência sobre os perigos para a saúde nas carteiras de cigarro e nas publicidades
Há regulamentos sobre o uso de cigarro em instituições de saúde, vôos aéreos e transportes públicos
É proibida a venda a menores de 18 anos
Estão proibidas propagandas sobre o cigarro dirigidas a crianças.

COMO É O TRATAMENTO PARA DEPENDENTES DO FUMO?

Os melhores resultados são obtidos pelos pacientes muito motivados a parar de fumar e que fazem acompanhamento em centros de tratamento. As pessoas que se mantêm sem fumar por 5 a 10 anos têm os mesmos riscos de apresentar doenças associadas ao tabaco que não fumantes, ou seja, tornam-se iguais aos não fumantes.

VALE A PENA PARAR DE FUMAR!!!

Fonte: psicoativas.ufcspa.edu.br

Tabagismo

A História do Tabaco

A história mostra os vários fatores responsáveis pela dimensão que a epidemia do cigarro tomou.

O uso do tabaco surgiu aproximadamente no ano 1000 a.C., nas sociedades indígenas da América Central, em rituais mágicos-religiosos.

A planta, cientificamente chamada Nicotiana Tabacum, chegou ao Brasil provavelmente pela migração de tribos tupis-guaranis.

Quando os portugueses aqui desembarcaram, tomaram conhecimento do tabaco pelo contato com os índios.

A partir do século XVI, o seu uso disseminou-se pela Europa, introduzido por Jean Nicot, diplomata francês vindo de Portugal, com utilização até para curar as enxaquecas de Catarina de Médici, rainha da França.

Suas folhas foram comercializadas sob a forma de fumo para cachimbo, rapé, tabaco para mascar e charuto, até que, no final do século XIX, iniciou-se a sua industrialização sob a forma de cigarro.

Seu uso espalhou-se de forma epidêmica por todo o mundo a partir de meados do século XX, ajudado pelo desenvolvimento de técnicas avançadas de publicidade e marketing.

A folha do tabaco, pela importância econômica do produto no Brasil, foi incorporada ao brasão da República.

Substâncias da Fumaça do Cigarro

Quando cigarros industrializados ou de fumo-de-rolo, cachimbos e charutos são acesos, algumas substâncias são inaladas pelo fumante e outras se difundem pelo ambiente. Essas substâncias são nocivas à saúde.

Todas as formas de uso do tabaco, inclusive os cigarros com mentol, filtros especiais, com baixos teores (light, extra-light) etc. têm uma composição semelhante, não havendo, portanto, cigarros "saudáveis" ou cachimbos e charutos que façam menos mal. Isso ocorre porque, mesmo escolhendo produtos com menores teores de alcatrão e nicotina, os fumantes acabam compensando essa redução, fumando mais cigarros por dia e tragando mais freqüente ou profundamente, ou seja, fazendo outras modificações compensatórias em conseqüência da dependência à nicotina.

A fumaça do cigarro é uma mistura de cerca de 5 mil elementos diferentes.

Ela é formada pelos seguintes componentes:

Nicotina

Considerada droga pela OMS. Sua atuação no sistema nervoso central é como a da cocaína, com uma diferença: chega entre 2 e 4 segundos mais rápido ao cérebro que a própria cocaína. É uma droga psicoativa, responsável pela dependência do fumante. É por isto que o tabagismo é classificado no Código Internacional de Doenças (CID-10) como grupo dos transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas. A nicotina aumenta a liberação de catecolaminas, acelerando a freqüência cardíaca, com conseqüente vasoconstricção e hipertensão arterial. Provoca uma maior adesividade plaquetária, e juntamente com o monóxido de carbono leva à arterosclerose. Contribui assim para o surgimento de doenças cardiovasculares. No aparelho gastrointestinal, a nicotina estimula a produção de ácido clorídrico, podendo levar ao aparecimento de úlcera gástrica. Também estimula o sistema parassimpático, o que pode causar diarréia. A nicotina libera substâncias quimiotáxicas, que vão atrair para o pulmão os leucócitos neutrófilos polimorfonucleares, a maior fonte de elastase, que destrói a elastina e provoca o enfisema pulmonar (Orleans e Slade, 1993; Rosemberg, 1996).

Monóxido de Carbono (CO)

Tem afinidade com a hemoglobina (Hb), contida nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam oxigênio para os tecidos de todos os órgãos do corpo. A ligação do monóxido de carbono com a hemoglobina forma o composto chamado carboxihemoglobina, que dificulta a oxigenação do sangue, privando alguns órgãos do oxigênio e causando doenças como a arterosclerose.

Alcatrão

Composto de mais de 40 substâncias comprovadamente carcinogênicas que incluem o arsênio, níquel, benzopireno e cádmio. Carcinogênios são substâncias que provocam câncer como os resíduos de agrotóxicos nos produtos agrícolas, como o DDT, e até substâncias radioativas, como é o caso do polônio 210 e do carbono 14, todos encontrados no tabaco.

Vale ressaltar que as substâncias da fumaça do cigarro têm efeitos sobre a saúde do fumante, mas também sobre a saúde do não-fumante, exposto à poluição do ambiente causada pelo cigarro.

Cigarros de Baixos Teores

O modo de fumar é determinado pela necessidade do fumante em consumir nicotina (que lhe traz a sensação de satisfação). Os fumantes utilizam artifícios para alcançar tal sensação ao fumarem cigarros com baixos teores, dando tragadas mais profundas. Assim, aumentam o número de tragadas por cigarro, aumentam o número de cigarros fumados e bloqueiam os orifícios de ventilação dos filtros para aumentar a concentração de fumaça inalada durante a tragada.

Esses artifícios são conhecidos como compensação e têm sido, extensivamente, documentados na literatura científica, sendo bem conhecidos da indústria do tabaco há mais de 20 anos. Testes demonstram que, em "condições de fumo realísticas", existe uma diferença muito pequena entre os cigarros denominados "light" e os comuns. Na verdade, eles podem até produzir quantidades maiores de alcatrão, nicotina e monóxido que os cigarros tradicionais testados.

Um estudo realizado na Inglaterra por Kozlowski et al.(1999) demonstrou que 58% dos filtros de cigarros examinados, apresentavam sinais de bloqueio significativo e 19%, sinais de bloqueio total. A partir dos resultados de uma pesquisa realizada em 1998, a ASH e The Observer mostraram que os cigarros com baixos teores podem propiciar os mesmos teores que um cigarro tradicional, caso o fumante assim o queira e utilize apenas um dos mecanismos compensatórios antes citados.

Por mais que a indústria do fumo afirme que realiza pesquisas visando ao desenvolvimento de produtos alternativos, na verdade, ela estuda produtos e formas de distribuir a nicotina em dispositivos que contenham menos teor de determinadas substâncias, como o alcatrão, por exemplo, e mantendo a nicotina, que causa a dependência.

Doenças associadas ao Uso do Cigarro

Estima-se que, no Brasil, a cada ano, 80 mil pessoas morram precocemente devido ao tabagismo, número que vem aumentando ano a ano. Em outras palavras, cerca de 10 brasileiros morrem por hora por causa do cigarro.

As doenças associadas ao uso do cigarro revelam a abrangência dos efeitos nocivos do uso do fumo.

Câncer: O fumo é responsável por 30% das mortes por câncer e 90% das mortes por câncer de pulmão. Os outros tipos de câncer relacionados com o uso do cigarro são: câncer de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero.
Doenças Coronarianas:
25% das mortes causadas pelo uso do cigarro provocam doenças coronarianas tais como angina e infarto do miocárdio.
Doenças Cerebrovasculares
: O fumo é responsável por 25% das mortes por doenças cerebrovasculares entre elas derrame cerebral.
Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas:
Nas doenças pulmonares obstrutivas crônicas tais como bronquite e enfisema 85% das mortes são causadas pelo fumo.

Outras doenças que também estão relacionadas ao uso do cigarro e ampliam a gravidade das conseqüências de seu uso são:

Aneurismas arteriais
Úlceras do trato digestivo
Infecções respiratórias

Por que as Pessoas fumam?

As pessoas começam a fumar principalmente influenciadas pela publicidade maciça do cigarro nos meios de comunicação de massa. Pais, professores, ídolos e amigos também exercem uma grande influência.

A publicidade sabe aliar as demandas sociais e as fantasias dos diferentes grupos (adolescentes, mulheres, faixas economicamente mais pobres etc.) ao uso do cigarro, fazendo crer que, ao fumar, esses desejos serão realizados, aumentando o consumo do tabaco entre as pessoas mais facilmente influenciáveis. A publicidade direta é feita por anúncios atraentes e bem produzidos; já publicidade indireta, é feita através dos ídolos e modelos de comportamento em geral.

Noventa por cento dos fumantes iniciaram seu consumo antes dos 19 anos de idade, faixa em que o indivíduo ainda se encontra na fase de construção de sua personalidade. O número constante, ou mesmo crescente, de adesões ao tabagismo contribui para que a indústria do cigarro seja altamente lucrativa, investindo constantemente em publicidade, a fim de atrair mais pessoas.

Existem fumantes que morrem, grande parte em decorrência das doenças relacionadas ao tabaco, e outros que, alertados sobre os malefícios do fumo, abandonam o mesmo. Esses consumidores têm que ser substituídos por novos indivíduos, o que estimula o investimento constante em publicidade. Configura-se desta forma um ciclo onde o aumento do consumo traz lucro para a indústria tabageira e para as empresas de publicidade, que, por sua vez, atraem novos fumantes e, assim, sucessivamente.

Tabagismo Passivo

Absorção da Fumaça do Cigarro por Não-Fumantes

Os não-fumantes expostos à fumaça do cigarro absorvem nicotina, monóxido de carbono e outras substâncias da mesma forma que os fumantes, embora em menor quantidade. A quantidade de tóxicos absorvidos depende da extensão e da intensidade da exposição, além da qualidade da ventilação do ambiente onde se encontra a pessoa.

Considerando-se o monóxido de carbono, sabe-se que o padrão de qualidade do ar bom é de 9ppm (partes por milhão) e que a concentração máxima permitida no ar urbano é de 30ppm. Nas cidades com altos índices de poluição ambiental, ao serem atingidas 40ppm de monóxido de carbono, são acionadas medidas de controle de poluição, a fim de proteger e alertar a população para o problema.

Nos ambientes de trabalho fechados, a Organização Internacional do Trabalho-OIT considera 50ppm como a concentração máxima a ser atingida, uma vez que o homem é um ser biológico capaz de suportar exposições dessa natureza por algum tempo. No entanto, colocando-se 25 fumantes consumindo 4 cigarros por hora em uma sala de 1.000 m³, rapidamente se atingirá 100ppm de monóxido de carbono, sem que haja nenhum controle ou preocupação em desencadear ações para o controle da poluição ambiental.

A permanência em um ambiente poluído faz com que se absorvam quantidades de substâncias tais como a nicotina em concentrações semelhantes às de quem fuma. Tal comprovação é feita através da medição da cotinina, principal produto da decomposição da nicotina. Esta substância pode ser encontrada no sangue e na urina de não-fumantes que moram ou trabalham com fumantes.

Tendo em vista que as pessoas passam 80% de seu tempo em locais fechados tais como trabalho, residência, locais de lazer e hospitais, o cigarro é considerado, pela Organização Mundial de Saúde, como o maior agente de poluição doméstica ambiental.

Cada vez mais autoridades governamentais estabelecem regulamentos que protegem o não-fumante. Além disso, houve um aumento da conscientização dos indivíduos sobre o ar que eles respiram, não só em casa, como nos ambientes de trabalho e locais públicos. No Brasil progressivamente surgem leis em nível estadual e municipal preservando os direitos dos não-fumantes, o que mostra um avanço na conscientização das autoridades no que tange à poluição tabágica ambiental.

Mas pode-se fazer mais, estimulando-se locais de trabalho, escolas, unidades hospitalares e outros setores da sociedade a desenvolverem uma política de proteção ao não-fumante em ambientes fechados.

Efeitos da Fumaça sobre a Saúde do Não-Fumante

Os fumantes passivos sofrem os efeitos imediatos da poluição tabágica ambiental, tais como irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaléia, aumento de seus problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias, e aumento de problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor no peito). Outros efeitos a médio e longo prazos são a redução da capacidade funcional respiratória (o quanto o pulmão é capaz de exercer a sua função), aumento do risco de ter artérioesclerose e aumento do número de infecções respiratórias em crianças. Além disso, os fumantes passivos morrem duas vezes mais por câncer de pulmão do que as pessoas não submetidas à poluição tabágica ambiental.

As crianças, principalmente as de baixa idade, são enormemente prejudicadas em sua convivência involuntária .

O FUMO E AS MULHERES

A relação da mortalidade por doença arterial coronária entre homens e mulheres que em 1970 era de 10 para 1, hoje é 2,45 para 1 no Estado de São Paulo.

Apesar de reconhecermos que parte desta diferença foi ocasionada pelo diagnóstico inadequado da doença arterial coronária nas mulheres, a prevalência do tabagismo em 1970 foi inferior a 10% nas mulheres com idade entre 15 e 64 anos e atualmente é ao redor de 25%, sendo de até 33% nas mulheres na fase fértil.

As mulheres brasileiras têm também um dos mais elevados coeficientes de mortalidade por doença cerebrovascular no mundo, principalmente antes dos 64 anos(3).

Peculiaridades do tabagismo nas mulheres

1. Implicações na fase reprodutiva

A taxa de fertilidade é menor nas mulheres fumantes. Este efeito foi constatado examinando a concentração de nicotina e de cotidina no fluido folicular ovariano e a capacidade do oócito ser fertilizado in vitro. A fertilização foi observada em 75% e 57%, respectivamente, na ausência ou presença dessas substâncias.Ocorrendo fertilização, durante a gravidez, o tabagismo acarreta ações consideravelmente deletérias para a mãe e para o concepto. A nicotina reduz o fluxo placentário, determinando envelhecimento precoce da placenta e favorecendo descolamento prematuro, abortamento, menor crescimento do feto, neonato com baixo peso e, portanto, maior natimortalidade. Fumar de um a quatro cigarros já reduz consideravelmente o fluxo placentário.

Em estudo realizado e no Estado de Missouri (EUA) no período de 1979 a 1983, pela análise de 360 mil certificados de nascimento, foi observado 25% e 50% maior risco de morte fetal ou neonatal em ulheres que fumavam, respectivamente, menos ou mais de 20 cigarros por dia.

Mais preocupante ainda é o uso de anticoncepcionais hormonais em fumantes, pois eles potencializam os efeitos trombogênicos. O risco de doença coronária chega a ser 39 vezes e o risco de acidente vascular cerebral 22 vezes superior em fumantes que usam anticoncepcionais com não fumantes ou com fumantes que deles não fazem uso . Isto torna imperioso o interrogatório sobre o tabagismo, particularmente quando há indicação do uso de anticoncepcionais.

As ações desfavoráveis do tabagismo sobre o perfil de coagulação, lipídico, metabólico (síndrome de resistência a insulina e o dano endotelial por ele causado são responsáveis pelo aparecimento e desencadeamento da doença aterosclerótica coronária e cerebral em ambos os sexos. Acrescenta-se ainda nas mulheres ação antiestrogênica, ocasionada pela nicotina, proporcionando elevação no risco de aparecimento de doença aterosclerótica antes da menopausa. Foi constatado que nas mulheres fumantes maior metabolização hepática de estrógeno, sendo este efeito dose-dependente, ou seja, quanto maior o consumo de cigarros menor a concentração sérica de estrógenos e sua produção ovariana. Esta situação é reversível quando da interrupção do fumo.

Hoje sabemos que a menor incidência de eventos isquêmicos nas mulheres antes da menopausa são determinados pelos efeitos cardioprotetores dos estrógenos, e que nas mulheres fumantes é significativamente maior a ocorrência de menopausa precoce, antecipando o risco do aparecimento da doença cardiovascular.

Estudo com 32 mil mulheres de 43 a 50 anos observou maior prevalência da menopausa entre as fumantes.

2. Implicações na menopausa

Ainda em conseqüência da ação antiestrogênica, há maior incidência de osteoporose, principalmente, na fase da menopausa. Evidências dessa alteração foram observadas em estudos com o uso da densitometria óssea, em que foram constatadas maiores perdas ósseas em fumantes. A interrupção do fumo antes da menopausa possibilita redução de 25% na ocorrência da osteoporose.

Existe grande evidência derivada de estudos epidemiológicos que a reposição hormonal possa diminuir o risco cardiovascular das mulheres na menopausa, principalmente na prevenção primária; além de proporcionar alívio de sintomas (ondas de calor, irritabilidade, depressão) e impedir a rápida progressão da desmineralização óssea. Nas mulheres fumantes, existe diminuição da efetividade do tratamento com reposição hormonal. Contudo, a proporção de mulheres fumantes que se beneficiam com o tratamento foi consideravelmente maior que não fumantes.

Evidências epidemiológicas do aumento de risco cardiovascular

O tabagismo é o principal fator de risco para doença arterial coronária nas mulheres. Estudo com 11843 homens e mulheres na faixa etária de 25 a 52 anos, residentes na Noruega, revelou que as mulheres que fumavam mais de 20 cigarros por dia tinham seis vezes mais chances de ter infarto agudo do miocárdio quando comparadas a não fumantes. Nos homens fumantes o risco foi três vezes maior.

Interessante ressaltar que não existe diminuição do risco de infarto do miocárdio nas mulheres que fumam cigarros com menores teores de alcatrão e nicotina .

O tabagismo tem sido também associado a espasmos coronarianos em mulheres na pré-menopausa. Estudo caso-controle comparou 21 mulheres com angina de peito cuja a cineangiocoronariografia revelou somente espasmo coronariano induzido ou não por drogas, com 59 mulheres de mesma faixa etária assintomáticas e sadias. O tabagismo esteve presente em 62% das mulheres com espasmos e somente em 17,5% das mulheres assintomáticas e sadias.

O seguimento por seis anos de mulheres com mais de 55 anos submetidas a cirurgia de revascularização do miocárdio revelou risco 1,6 vez maior de morte nas tabagistas em comparação com as que abandonaram o tabagismo(16). Este comportamento também foi observado entre as mulheres com menos de 55 anos de idade.

Estudo da Saúde das Enfermeiras Americanas mostrou risco 2,58 vezes maior de acidente vascular cerebral nas fumantes. Este risco incluiu o acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico, e foi tanto maior quanto maior o número de cigarros fumados.

Nas mulheres, o tabagismo constituiu fator de risco para aterosclerose de artérias membros inferiores, diminuindo a tolerância a caminhadas inclusive no plano horizontal.

Interrupção do tabagismo

A interrupção do tabagismo esta associada a redução de 50% a 70% do risco para doenças cardiovasculares nas mulheres.

Após dois a três anos de abandono do tabagismo as ex-fumantes têm risco cardiovascular igual as das mulheres que nunca fumaram(20). Entretanto, apesar do grande benefício em parar de fumar, as mulheres apresentam mais dificuldades que os homens. Não é incomum muitas interromperem o tabagismo durante a gestação, motivadas por preocupação com o feto ou por aversão ao cigarro proporcionada pelas alterações hormonais próprias da gravidez. No entanto, a taxa de recaída após a concepção é muito elevada. Fora do período da gravidez, a preocupação com ganho de peso é muitas vezes responsável por recaídas ou mesmo, importante fator desmotivador.

Parar de fumar envolve ganho de peso em ambos os sexos. Estudo que acompanhou 5887 homens e mulheres fumantes com idade entre 35 a 60 anos, residentes no EUA e Canadá (Lung Health Study)(21), no período de 1986 a 1994, observou, nas mulheres que pararam de fumar, uma média de ganho de peso de 5,2 ± 5 quilos no primeiro ano e 3,4 ± 5,5 quilos até o quinto ano. Entre os homens, o ganho de peso foi 4,9 ± 4,9 no primeiro ano e 2,6 ± 5,8 quilos até o quinto ano.

Quando se utilizou produtos farmacológicos que diminuem a abstinência a nicotina o ganho de peso foi menor. No Instituto de Coração realizamos tratamento com nicotina transdérmica em 100 fumantes, sendo 50 homens e 50 mulheres(22). O sucesso em parar de fumar ao final de um ano foi de 50% nos homens e 32% das mulheres. O ganho de peso nas mulheres foi de 3,9 ± 3,4 quilos e nos homens de 3,7 ± 2,5 quilos. Possivelmente este efeito tenha sido decisivo para menor eficácia do tratamento nas mulheres. Entendemos que para otimizarmos os resultados na abordagem do tabagismo nas mulheres, devamos acrescentar orientações dietéticas específicas e valorizar a necessidade de incorporar atividade física durante esta abordagem. Recentemente, temos a possibilidade de prescrever no tratamento da abstinência ao fumo o antidepressivo bupropiona, que parece minimizar o ganho de peso por diminuição do apetite.

O Fumo e a Gravidez

Fumar durante a gravidez traz sérios riscos. Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia (sangramento) ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma. A gestante que fuma apresenta mais complicações durante o parto e têm o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor comprimento, comparando-se com a grávida que não fuma.Tais agravos são devidos, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno.

Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Assim, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante.Os riscos para a gravidez, o parto e a criança não decorrem somente do hábito de fumar da mãe. Quando a gestante é obrigada a viver em ambiente poluído pela fumaça do cigarro ela absorve as substâncias tóxicas da fumaça, que pelo sangue passa para o feto. Quando a mãe fuma durante a amamentação, a nicotina passa pelo leite e é absorvida pela criança.

Efeitos da Fumaça sobre a Saúde da Criança

Se a mãe fuma depois que o bebê nasce, este sofre imediatamente os efeitos do cigarro. Durante o aleitamento, a criança recebe nicotina através do leite materno, havendo registro de intoxicações atribuíveis à nicotina (agitação, vômitos, diarréia e taquicardia) em filhos de mães fumantes de 20 ou mais cigarros por dia.

Em recém-nascidos, filhos de mães fumantes de 40 a 60 cigarros por dia, observou-se acidentes mais graves como palidez, cianose, taquicardia e crises de parada respiratória, logo após a mamada.

Estudos mostram que crianças com sete anos de idade, nascidas de mães que fumaram 10 ou mais cigarros por dia durante a gestação, apresentam atraso no aprendizado quando comparadas a outras crianças: observou-se atraso de três meses para a habilidade geral, de quatro meses para a leitura e cinco meses para a matemática. Há também uma maior prevalência de problemas respiratórios (bronquite, pneumonia, bronquiolite) em crianças de zero a um ano de idade que vivem com fumantes, em relação àquelas cujos familiares não fumam. Observa-se que, quanto maior o número de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias, chegando a 50% nas crianças que vivem com mais de dois fumantes em casa.

É, portanto, fundamental que os adultos não fumem em locais onde haja crianças, para que não as transformem em fumantes passivos.

O CONSUMO DE CIGARRO NO BRASIL

De acordo com o Banco Mundial, o consumo do fumo gera uma perda mundial de 200 bilhões de dólares por ano. Esta perda é causada por diversos fatores, como sobrecarga do sistema de saúde com tratamento das doenças causadas pelo fumo, mortes precoces de cidadãos em idade produtiva, maior índice de aposentadoria precoce, aumento de 33% a 45% no índice de faltas ao trabalho, menor rendimento no trabalho, mais gastos com seguros mais gastos com limpeza, manutenção de equipamentos e reposição de mobiliários, maiores perdas com incêndios e redução da qualidade de vida do fumante e de sua família.

Mesmo assim, a receita proveniente da taxação do tabaco, a geração de empregos e as exportações são argumentos empregados pela indústria fumageira no seu lobby econômico para convencer as instâncias governamentais da importância da indústria do fumo para a economia do país, o que, é claro, acaba por dificultar as ações de controle do tabagismo.

O recolhimento de impostos que incidem sobre o cigarro é muito significativo para a economia do país, mas os prejuízos decorrentes do tabagismo superam qualquer questionamento puramente econômico. O Brasil taxa, atualmente, o maço de cigarro em 74%, enquanto outros países como a Dinamarca o taxam em até 83%.

Outro aspecto importante, que deve ser contabilizado nessas perdas, são as agressões ao meio ambiente e à saúde daqueles que lidam com a cultura do tabaco.

Fonte: www.tabagismoumadoenca.hpg.ig.com.br

Tabagismo

História do tabaco

O uso do tabaco surgiu aproximadamente no ano 1000 a.C., nas sociedades indígenas da América Central, em rituais mágicos-religiosos.

A planta, cientificamente chamada Nicotiana Tabacum, chegou ao Brasil provavelmente pela migração de tribos tupis-guaranis.

Quando os portugueses aqui desembarcaram, tomaram conhecimento do tabaco pelo contato com os índios. A partir do século XVI, o seu uso disseminou-se pela Europa, introduzido por Jean Nicot, diplomata francês vindo de Portugal, após ter-lhe cicatrizado uma úlcera de perna, até então incurável.

DISSIMINAÇÃO DO USO
SÉCULO X ac Uso pelos índios
SÉCULO XVI Entrada na Europa
SÉCULO XVII Cachimbo
SÉCULO XVIII Rapé e tabaco mascado
SÉCULO XIX Charuto
SÉCULO XX Cigarro

Suas folhas foram comercializadas sob a forma de fumo para cachimbo, rapé, tabaco para mascar e charuto, até que, no final do século XIX, iniciou-se a sua industrialização sob a forma de cigarro. Seu uso espalhou-se de forma epidêmica por todo o mundo a partir de meados do século XX, ajudado pelo desenvolvimento de técnicas avançadas de publicidade e marketing.

A folha do tabaco, pela importância econômica do produto no Brasil, foi incorporada ao brasão da República.

A partir da década de 1960, surgiram os primeiros relatórios médicos que relacionavam o cigarro ao adoecimento do fumante e, a seguir, ao do não fumante (fumante passivo). Fumar, a partir de então, passou a ser encarado como uma dependência à nicotina, que precisa ser esclarecida, tratada e acompanhada.

Formas de utilização

O tabaco pode ser usado de diversas maneiras, de acordo com sua forma de apresentação:

Inalado (cigarro, cachimbo, charuto, cigarro de palha)
Aspirado (rapé)
Mascado (fumo-de-rolo), porém sob todas as formas ele é maléfico à saúde.

Embora os produtos derivados do tabaco sejam utilizados há muitos séculos, ultimamente têm-se observado um acentuado aumento no seu consumo. Nos EUA, aproximadamente 3.200g de tabaco foram consumidos por cada adulto no ano de 1900, a maior parte sob a forma de mastigação ou inalação e apenas 500g sob a forma de cigarros ou cigarrilhas (50 cigarros por adulto). Por volta de 1918, porém, o consumo de cigarros suplantou qualquer outra forma de utilização do tabaco, provavelmente, por influência da Primeira Grande Guerra. Em 1990, o consumo estimado foi de 2.800 cigarros por cada adulto americano.

O cigarro, pela extensão de seu uso, é a forma mais importante de utilização do tabaco, tornando-se um sério problema de saúde pública no Brasil. Será tratado, portanto, nos textos que se seguem, como sinônimo de tabaco.

Tabagismo no Mundo

Quando cigarros industrializados e de palha, cachimbos e charutos são acesos, algumas substâncias são inaladas pelo fumante e outras se difundem pelo ambiente. Essas substâncias são nocivas à saúde.

Estimativa de mortes anuais relacionadas ao tabagismo

 

Atual

A partir de 2020

Países desenvolvidos

2 milhões

3 milhões

Países em desenvolvimento

1 milhões

7 milhões

Total

3 milhões

10 milhões

Todas as formas de uso do tabaco, inclusive os cigarros com mentol, filtros especiais, com baixos teores (light, extra-light) etc. têm uma composição semelhante, não havendo, portanto, cigarros “saudáveis” ou cachimbos e charutos que façam menos mal. Isso ocorre porque, mesmo escolhendo produtos com menos teores de alcatrão e nicotina, os fumantes acabam compensando essa redução, fumando mais cigarros por dia e tragando mais freqüente ou profundamente, ou seja, fazendo outras modificações compensatórias em conseqüência da dependência à nicotina.

A Organização Mundial da Saúde considera o tabagismo como uma pandemia, pois mata anualmente 3 milhões de indivíduos no mundo, o que vale dizer, que o tabagismo, hoje, mata mais que a soma das mortes por AIDS, cocaína, heroína, álcool, suicídios e acidentes de trânsito. Se medidas efetivas de controle do tabagismo não forem tomadas, em 2020, esse número chegará a 10 milhões de mortes, sendo 70% delas em países em desenvolvimento.

A ação das substâncias do cigarro ocorre não só sobre o fumante, mas também no não fumante exposto à poluição ambiental causada pelo cigarro, como veremos mais adiante.

Substâncias da fumaça do cigarro

FASES GASOSAS
Monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína
FASE PARTICULADA
Alcatrão  

Arsênio, polônio 210, carbono 14, DDT, níquel, chumbo

Benzopireno, cádmio, dibenzoacridina

 
Nicotina  

A fumaça do cigarro é uma mistura de cerca de 4700 substâncias tóxicas diferentes. Tem uma fase gasosa e uma particulada. A fase gasosa é composta, entre outros, por monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína. A fase particulada contém nicotina e alcatrão que concentra 43 substâncias cancerígenas (causadoras de câncer).

Dentre essas substâncias, podemos citar: arsênico, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, além de resíduos de agrotóxicos nos produtos agrícolas, como por exemplo o DDT, e substâncias radioativas (Polônio 210 e Carbono 14).

Algumas substâncias da fase gasosa, tais como formaldeído, acetaldeído, acroleína e cetonas, são conhecidas como substâncias irritantes, pois produzem irritação nos olhos, nariz, garganta, além de levar à paralisia dos movimentos dos cílios dos brônquios.

Os cílios são projeções semelhantes a cabelos muito finos, que ajudam a remover sujeiras e outros detritos do pulmão. Quando paralisados, as secreções acumulam-se, contribuindo para a “tosse do fumante” (bronquite crônica) e para o surgimento de infecções respiratórias freqüentes naqueles que entram em contato com a fumaça do cigarro.

Nível de Nicotina e monóxido de carbono no sangue de fumantes

A concentração de monóxido de carbono (CO), no sangue circulante aumenta rapidamente pela manhã, continua a subir durante o dia e decresce à noite.

Aproximadamente 3 a 6% da fumaça do cigarro é composta de monóxido de carbono. A concentração dessa substância na fumaça do cano de descarga de um carro é de 30 a 80 mil partes por milhão (ppm); na fumaça do cigarro, é de 20 a 60 mil ppm. Quando inalado, o monóxido de carbono combina-se com a hemoglobina do sangue, formando a carboxihemoglobina, reduzindo a capacidade do sangue em transpor oxigênio para os tecidos do organismo. O monóxido de carbono, além de ser venenoso em altas concentrações, está implicado em muitas doenças associadas ao fumo, principalmente doenças cardiovasculares e respiratórias e também aos efeitos danosos sobre o desenvolvimento do feto. Os fumantes têm níveis de carboxihemoglobina de duas a 15 vezes maiores que os não-fumantes.

A nicotina, outra das substâncias encontradas no cigarro, está relacionada ao infarto do miocárdio, ao câncer e ao enfisema pulmonar, mas seu papel mais importante é reforçar e potencializar a vontade de fumar. Ela atua da mesma forma que a cocaína, o álcool e a morfina, causando dependência química, e obrigando o fumante a usar continuadamente o cigarro. A nicotina também é venenosa em altas concentrações.

Para muitos fumantes, o primeiro cigarro da manhã, afasta a sensação de desconforto causada pela abstinência das horas de sono, quando não há reposição dos níveis sangüíneos de nicotina. Durante o resto do dia, os fumantes mantêm os níveis de nicotina fumando mais ou menos cigarros.

Doenças associadas ao uso de cigarro

Estima-se que, no Brasil, a cada ano, 80 mil pessoas morram precocemente devido ao tabagismo, número que vem aumentando ano a ano. Em outras palavras, cerca de 8 brasileiros morrem por hora por causa do cigarro.

O tabagismo é diretamente responsável por:

30% das mortes por câncer
90% das mortes por câncer de pulmão
25% das mortes por doença coronariana
85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica
25% das mortes por doença cerebrovascular

Outras doenças que também estão relacionadas ao uso do cigarro são:

Aneurismas arteriais
Trombose vascular
Úlcera do trato digestivo
Infecções respiratórias
Impotência sexual no homem.

Fatores de Risco de doenças coronarianas

Os fumantes têm maior probabilidade de morrer por doença coronariana, especialmente os fumantes jovens.

O tabagismo é responsável por aproximadamente 45% das mortes nos homens com menos de 65 anos de idade e por mais de 20% de todos os óbitos por doença coronariana nos homens com idade maior que 65 anos. Além disso, homens fumantes entre 45 e 54 anos de idade, têm quase três vezes mais probabilidade de morrer de infarto do que os não-fumantes da mesma faixa etária.

Há três fatores de risco preveníveis para doença coronariana: tabagismo, hipertensão arterial (pressão alta) e colesterol alterado (elevação do colesterol-LDL e redução do colesterol-HDL).

O tabagismo isolado dobra a possibilidade de doença cardíaca.

O tabagismo, associado à alteração do colesterol ou à hipertensão, multiplica esse risco por quatro. O risco torna-se oito vezes maior quando os três fatores estão juntos. Além disso, o cigarro por si só, através da nicotina, aumenta a pressão arterial e leva a uma maior deposição de colesterol nos vasos sangüíneos.

O risco de infarto do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais e fumam chega a ser dez vezes maior que o das que não fumam e usam este método de controle da natalidade. Calcula-se que o tabagismo seja responsável por 40% dos óbitos nas mulheres por doença coronariana nas mulheres com mais de 65 anos de idade.

Uma vez abandonado o cigarro, o risco de doença cardíaca começa a decair. Após 1 ano, o risco reduz à metade, e após 10 anos é o mesmo que o daqueles que nunca fumaram.

Mortalidade por bronquite crônica e efisema em fumantes

A função pulmonar decai normalmente com o aumento da idade do indivíduo, devido à perda da elasticidade dos tecidos pulmonares (a exemplo da pele, onde ocorre o mesmo processo). A avaliação desse “envelhecimento” pulmonar pode ser medida pelo volume expiratório forçado no primeiro segundo, também chamado de prova do sopro, que piora progressivamente nas faixas etárias mais avançadas. Essa redução é acelerada pelo uso de cigarros. Estudos comprovam que jovens até 30 anos de idade, assintomáticos, fumantes, já apresentam redução da função pulmonar. Assim, fica claro que parar de fumar é benéfico, em qualquer momento. Se o indivíduo parar de fumar, sem sintomas respiratórios, a sua função pulmonar pode retornar ao normal.

Bronquite crônica e enfisema pulmonar são tipos de doenças pulmonares obstrutivas crônicas (doenças que dificultam a passagem de ar no pulmão). São caracterizadas por tosse, expectoração e falta de ar, piorando muito a qualidade de vida do indivíduo. O enfisema, que corresponde a uma destruição da estrutura pulmonar, ocorre mais freqüentemente em homens, mas sua taxa de mortalidade vem aumentando entre as mulheres, provavelmente devido ao aumento do número de fumantes no sexo feminino.

Risco de fumar durante a gravidez

Fumar durante a gravidez traz sérios riscos. Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia (sangramento) ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma. Por exemplo, a grávida que fuma tem o dobro de chances de ter um bebê de baixo peso, comparando-se com a grávida que não fuma. Tais agravos são devidos, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina reduzindo a chegada de sangue e oxigênio ao feto, após a absorção pelo organismo materno.

Estudos também mostram que crianças com sete anos de idade, filhas de gestantes que fumaram 10 ou mais cigarros por dia, apresentam atraso no aprendizado quando comparadas a outras crianças: atraso de três meses para a habilidade geral, de quatro meses para a leitura e de cinco meses para a matemática.

Se, além disso, o bebê respira a fumaça do cigarro, corre o risco maior de desenvolver bronquite, pneumonia e infecções respiratórias em geral do que os bebês de mães que não fumam.

Não-fumantes expostos à fumaça do cigarro

Os fumantes não são os únicos expostos à fumaça do cigarro, pois os não-fumantes também são agredidos por ela, passando a ser fumantes passivos.

A fumaça que sai da ponta acesa do cigarro contém todos os componentes tóxicos que o fumante inala, porém em concentrações maiores: 3 vezes mais nicotina, 3 vezes mais monóxido de carbono, 50 vezes mais substâncias cancerígenas.

Os poluentes do cigarro, dispersam-se homogeneamente pelo ambiente, fazendo com que os não fumantes próximos, ou distantes dos fumantes, inalem a mesma concentração de substâncias tóxicas.

Cada vez mais autoridades governamentais estabelecem regulamentos que protegem o não-fumante.

Além disso, houve um aumento da conscientização dos indivíduos sobre o ar que eles respiram, não só em casa, como nos ambientes de trabalho e locais públicos. Tendo em vista que as pessoas passam 80% de seu tempo em ambientes fechados, o cigarro é considerado, pela Organização Mundial da Saúde, como maior agente de poluição doméstica ambiental

Absorção da fumaça do cigarro por não-fumantes

Durante uma jornada de trabalho, em ambientes fechados onde há fumantes, os não fumantes podem ter concentrações de nicotina no sangue, equivalente a fumar de 1 a 10 cigarros.

Considerando-se o monóxido de carbono, sabe-se que o padrão de qualidade do bom ar é de 9ppm (partes por milhão) e que a concentração máxima permitida no ar urbano é de 30ppm. Nas cidades com altos índices de poluição ambiental, ao serem atingidas 40ppm de monóxido de carbono, são acionadas medidas de controle de poluição, a fim de proteger e alertar a população para o problema. Nos ambientes de trabalho fechados, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), considera 50ppm, como a concentração máxima a ser atingida.

A carboxihemoglobina encontra-se normalmente no sangue nos níveis de 0,4% a 0,6%, podendo chegar a 15% nos tabagistas. Num ambiente fechado, com fumantes, onde a poluição chegue a 38ppm de monóxido de carbono, a concentração de carboxihemoglobina pode atingir 8% no sangue dos fumantes passivos.

Se o monóxido de carbono chega a 30ppm, por 8hs, a carboxihemoglobina no sangue dos fumantes passivos, é equivalente a ter fumado 5 cigarros.

Trabalhos comprovam a absorção da fumaça do cigarro por não fumantes, através da medida da cotinina, que é o principal produto da decomposição da nicotina. Esta substância pode ser encontrada no sangue e urina de não fumantes que moram ou trabalham com fumantes.

Efeitos da poluição tabagística ambiental

Os fumantes passivos sofrem os efeitos imediatos da poluição ambiental, tais como irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaléia (dor de cabeça), aumento de seus problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias, e aumento de problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor no peito).

Outros efeitos a médio e longo prazos são a redução da capacidade funcional respiratória (o quanto o pulmão é capaz de exercer a sua função), aumento do risco de ter aterosclerose e aumento do número de infecções respiratórias em crianças. Além disso, os fumantes passivos morrem duas vezes mais por câncer de pulmão do que as pessoas não submetidas à poluição tabagística ambiental.

Efeitos a curto prazo Efeitos a médio e longo prazo
Irritação nos olhos Redução da capacidade respiratória
Manifestações nasais Infecções respiratórias
Tosse e cefaléia Aumento do risco de aterosclerose
Aumento dos problemas alérgicos e cardíacos Infarto do miocárdio
------ Câncer

Relação das infecções respiratórias em crianças com fumantes no domicílio

As crianças, principalmente as de baixa idade, são grandemente prejudicadas em sua convivência involuntária com fumantes. Há uma maior prevalência de problemas respiratórios (bronquite aguda, pneumonia, bronquiolite) em crianças até um ano de idade que vivem com fumantes, em relação àquelas cujos familiares não fumam. Observa-se que, quanto maior a incidência de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias, chegando a 50% nas crianças que vivem com mais de dois fumantes em casa.

É, portanto, fundamental que os adultos não fumem em locais onde haja crianças, para que não as transformem em fumantes passivos.

Conseqüências do uso do tabaco

O Brasil é, desde 1993, o primeiro maior exportador e o quarto produtor de tabaco do mundo, atrás da China, EUA, e Índia. O recolhimento de impostos que incidem sobre o cigarro é muito significativo para a economia do país, mas os prejuízos decorrentes do tabagismo superam qualquer questionamento puramente econômico.

Nosso país taxa, atualmente, o maço de cigarro em 74%, enquanto países do Primeiro Mundo, como a Dinamarca, o taxam em 83%. Além disso, o cigarro brasileiro é um dos mais baratos do mundo (US$1,07) contra, por exemplo, US$ 5,40 na Dinamarca, estimulando o seu consumo. Pesquisas mostram que os gastos decorrentes do adoecimento causado pelo cigarro em fumantes e não-fumantes; as perdas econômicas ocasionadas pela falta ao trabalho, queda de produtividade, aposentadoria precoce e mortes prematuras; os custos com a manutenção de aparelhagens, móveis, tapetes, cortinas; incêndios rurais e urbanos; acidentes de trabalho e acidentes de trânsito; enfim, todos os gastos sociais decorrentes do tabagismo superam em muito a arrecadação de impostos que ele proporciona.

No entanto, essa arrecadação poderá ser mantida ou até ser maior, elevando-se o valor dos impostos sobre o cigarro consumido no país, que acarretaria em aumento do preço, e conseqüentemente em diminuição no consumo. A retirada dos insumos para o plantio do tabaco e a taxação sobre as folhas secas exportadas também se constitui numa importante medida para o controle do tabagismo, a médio e longo prazo.

Alguns dados que mostram as perdas econômicas causadas pelo fumo merecem ser citados. O câncer, segunda causa de morte por doença no país, é responsável por grandes gastos com tratamento e internações hospitalares, uma vez que 90% dos cânceres de pulmão e 30% de todos os tipos de câncer devem-se ao tabagismo. As doenças cardiovasculares, primeira causa de morte no país, bem como a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, estão diretamente relacionadas ao uso do cigarro, e geram importantes gastos na área de saúde. Esses dados dão-nos a dimensão das perdas econômicas geradas ao país pelo tabagismo, aliando-se a isso a queda na qualidade de vida do trabalhador.

Paralelamente, existem gastos imensuráveis como a dor, o sofrimento pessoal e familiar que não são levados em conta.

Legislação para o controle do tabagismo

SETOR DE PRODUÇÃO

Tendo conhecido dos danos causados pelo fumo ao indivíduo e à sociedade e do papel do tabagismo é que a dependência à nicotina é aceita por nossa sociedade. As crianças crescem num ambiente onde os cigarros são anunciados e vendidos em todo lugar, onde o fumar é inserido como comportamento desejável pelos meios de comunicação, onde pessoas respeitadas e admiradas fumam. Além disso, a criança vê, nesse comportamento dos adultos, uma indicação de que ela poderá também desenvolver outros comportamentos pouco saudáveis.

O uso de cigarros pode ser uma das primeiras manifestações de problemas comportamentais. Freqüentemente a experiência com o uso de cigarros é seguida pelo álcool, maconha ou outras drogas ilícitas. Isto porque, embora uma droga não leve necessariamente à utilização de outra é pouco provável o uso de uma droga sem o envolvimento prévio de outra.

A utilização do tabaco é considerada por muitos como sendo a droga “porta de entrada” para o uso de drogas ilícitas.

Uma sociedade livre de tabaco só será possível se aliarmos o trabalho educativo a uma vontade política para controlar o tabagismo. Os ganhos econômicos têm que ser reavaliados, uma vez que o lucro obtido através da promoção da doença cria uma questão ética.

Um ponto de apoio fundamental para que as ações de controle do tabagismo consolidem-se e tenham êxito é a legislação. É necessária uma legislação adequada, forte e respeitada, que garanta tanto o controle do setor de produção do tabaco como o setor de consumo de seus derivados.

Portanto, surge a necessidade de ser criada uma legislação antitabagística que contemple o setor de produção com leis que controlem a produção e manufatura dos produtos do tabaco tais como:

Proibição da comercialização de categorias específicas de produtos do tabaco
Controle dos aditivos que podem ou devem ser adicionados aos produtos do tabaco
Controle dos níveis permitidos dos ingredientes tóxicos encontrados nos produtos do tabaco
Redução da produção de tabaco e seus derivados, através da substituição da cultura do fumo por culturas alternativas e
Retirada dos subsídios dados para o cultivo do fumo.

SETOR DE CONSUMO

A Organização Mundial da Saúde recomenda também medidas regulamentares que atuem no setor do consumo dos produtos do tabaco, tais como:

 Leis para conscientizar sobre os malefícios do tabagismo:

Proibição da veiculação de mensagens enganosas na publicidade, em materiais promocionais, patrocínios, rótulos e embalagens dos produtos
Informação destacada e detalhada, periodicamente atualizada sobre os malefícios do fumo nas embalagens de produtos (dentro e fora) e nos pontos de venda
Obrigatoriedade de divulgação periódica sobre substâncias tóxicas e aditivos encontrados nos produtos do tabaco

Obrigatoriedade na alocação de recursos provenientes da taxação para programas de saúde, apoio à pesquisa sobre tabagismo e implantação de um sistema de vigilância epidemiológica
Obrigatoriedade na divulgação dos malefícios do fumo através da informação pública e educação para a saúde, inclusive sobre as estratégias da indústria do tabaco na manutenção de seus lucros
Garantia de assistência para aqueles que desejam parar de usar os produtos do tabaco
Garantia de indenização para os usuários que reivindiquem indenização pelos danos resultantes do consumo desses produtos.

Leis para regular a disponibilidade dos produtos do tabaco:

Taxação visando reduzir o consumo
Proibição de venda dos produtos do tabaco em unidades educacionais, de saúde e afins, bem como em locais de prática de esportes
Proibição de venda de tabaco e seus derivados através de máquinas automáticas e de disposições que permitam o self-service
Proibição de venda de tabaco e seus derivados através de máquinas automáticas e de disposições que permitam o self-service
Proibição efetiva de venda de cigarros a menores.

Leis para garantir a proteção à saúde, direito e bem-estar dos não-fumantes

Garantia de ambientes livres de fumaça em locais públicos, de trabalho e transportes coletivos
Indenização dos indivíduos lesados pela poluição tabágica ambiental
Regulamentação de medidas para proteção ou indenização contra incêndios ou outros danos ambientais causados pelos produtos do tabaco.

No Brasil, a pressão econômica e o “lobby” da indústria tabageira tornam difícil a obtenção de legislação específica. No entanto, comparativamente à pobreza de normas jurídicas sobre a matéria, nas últimas legislaturas têm surgido uma grande riqueza de proposições legislativas que não progridem sendo, na sua maioria, arquivadas por não terem sido apreciadas até o final da legislatura, ou consideradas prejudicadas ou por serem recusadas.

Legislação para o controle do tabagismo (Brasil)

Em 15 de julho de 1996, o Congresso Nacional decretou a Lei Federal no 2018 de 01 de outubro de 1996, que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, além de bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, e sancionada pelo Presidente da República.

Em relação ao tabagismo, a lei dispõe:

É proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígero, em recinto coletivo, privado ou público, salvo em áreas destinadas exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e arejada.
Nos hospitais, postos de saúde, bibliotecas, salas de aula, teatro, cinema e nas repartições públicas federais somente será permitido fumar se houver áreas ao ar livre ou recinto destinado unicamente ao uso de produtos fumígeros.
Nas aeronaves e veículos coletivos somente será permitido fumar quando transcorrida, em cada trecho, uma hora de viagem e desde que haja, parte especialmente reservada aos fumantes, devidamente sinalizada.
A propaganda comercial dos produtos de tabaco, somente será permitida nas emissoras de rádio e televisão no horário compreendido entre vinte e uma e seis horas.
A propaganda conterá, nos meios de comunicação e em função de suas características advertência escrita e falada sobre os malefícios do fumo, através das frases a seguir, precedidas da afirmação “O Ministério da Saúde Adverte”.

Fumar pode causar doenças do coração e derrame cerebral:

A) Fumar pode causar câncer de pulmão, bronquite crônica e enfisema pulmonar
B)
Fumar durante a gravidez pode prejudicar o bebê
C)
Quem fuma adoece mais de úlcera do estômago
D)
Evite fumar na presença de crianças
E)
Fumar provoca diversos males à sua saúde.

As embalagens, exceto se destinadas à exportação, os pôsteres, painéis ou cartazes, jornais e revistas que façam difusão ou propaganda dos produtos fumígeros, conterão a advertência mencionada acima.

Sem dúvida, a promulgação dessa Lei Federal, foi um avanço nas ações de controle do tabagismo no Brasil, muito embora, ela não seja ainda o instrumento ideal.

Cabe à nossa sociedade, estar alerta para que ela seja cumprida, e trabalhar para que seja aprovada uma legislação mais abrangente.

Fonte: medjunior.vilabol.uol.com.br

Tabagismo

O consumo de tabaco mata mais do que todas as mortes/ano causadas por HIV, drogas ilegais, consumo de álcool, acidentes de viação, suicídios e homicídios, sendo por isso considerado pela Organização Mundial de Saúde – OMS (site em inglês) a primeira causa de morte evitável no mundo.

A OMS alerta para o fato de que os produtos do tabaco são os únicos produtos que matam cerca de metade dos consumidores quando usados como mandam os fabricantes.

No Brasil, por exigência legal, Resolução da ANVISA nº 46, de 23 de março de 2001, artigo 1º, determinou-se a obrigatoriedade do estabelecimento de teores máximos permitidos de nicotina, alcatrão e monóxido de carbono. Além dessas 3 substâncias conhecidas, existem outras 4.720 que são tóxicas ao organismo.

Nessa mesma resolução ficou proibido de ser usado nos maços de cigarros, definições de classes, ou termos como: ultra baixo(s) teor(es), baixo(s) teor(es), suave, light, soft, leve, teor(es) moderado(s), alto(s) teor(es), e outras que possam induzir o consumidor a uma interpretação equivocada quanto aos teores contidos nos cigarros. Essa medida visou proteger os fumantes, pois induziam à falsa impressão de serem menos prejudiciais à saúde.

Leia a seguir sobre as substâncias que compõem o cigarro para conhecê-las, bem como se orientar sobre os danos que causam à saúde.

Partes do cigarro

Tabagismo

1- Filtro

Atualmente, quase todos os cigarros possuem filtros, supostamente para minimizar a absorção das substâncias tóxicas do cigarro. O fumante tem a falsa sensação de que está protegendo a sua saúde, ao receber dose mais baixa e segura de nicotina e alcatrão.

Os filtros são formados por furos responsáveis pelo sistema de ventilação. O fumante faz um mecanismo de compensação, ou seja, ao aspirar a fumaça durante a tragada, comprime os furos do filtro com os lábios ou dedos, absorvendo as elevadas quantidades de nicotina e alcatrão que o seu corpo necessita.

No filtro encontramos o Butano que serve como combustível para o isqueiro e como gás de cozinha. Ao ser inalado causa falta de ar, problemas na visão e coriza. Esse gás pode causar a morte e é altamente inflamável.

Outra substância encontrada no filtro é o Polônio 210, um componente do lixo nuclear, além da amônia.

2- Papel

O papel é o invólucro do tabaco. Em sua composição existe o óxido de titânio, responsável pela quantidade e densidade de produção de fumaça e também pelo tempo que o cigarro permanece queimando.

O papel contém os chamados “Burn Rings”, que controlam o tempo de queima do cigarro. Durante as tragadas a queimada é mais rápida para liberar uma maior quantidade de nicotina, nos intervalos entre elas a queima é mais lenta para aumentar a vida do cigarro.

O óxido de titânio pode ocasionar tosse, espirros, vermelhidão e inchaço na pele e nos olhos.

Outra substância encontrada no papel do cigarro é o Mentol. Esse tem a propriedade de diminuir o reflexo da tosse e disfarçar a sensação de secura na garganta, geralmente sentida pelos fumantes. Encontramos também um inseticida chamado Metopreno, além do solvente químico Benzeno.

Substâncias tóxicas do cigarro

Tabagismo
Compostos do cigarro

1- Nicotina

O cigarro é uma grande engenharia de veiculação, disponibilização e entrega do alcalóide de nicotina. Essa é a grande responsável pela sensação quase que imediata de prazer, facilitando a instalação da dependência. Quanto mais rápida uma substância psicoativa chega ao cérebro, maior é o seu potencial de criar a dependência. A nicotina consegue em apenas 10 segundos fazer todo o percurso de ser inalada, absorvida pelo pulmão, passar para a corrente sanguínea e desencadear um impacto cerebral, liberando a dopamina, uma substância que propicia uma imensa sensação de prazer. Essa rapidez de impacto cerebral só é comparada com a cocaína.

A maioria dos cigarros contém até 10 miligramas de nicotina, porém em cada tragada o fumante absorve de 1 a 2 miligramas. A quantidade absorvida depende da característica individual da tragada que pode ser suave ou forte, com maior ou menor força de compressão dos lábios sobre o filtro. Assim cada fumante desenvolve sua forma peculiar de tragar, satisfazendo-se com a sua dose necessária de nicotina.

A vida média da nicotina no sangue é inferior a 2 horas, quando esse tempo se esgota, a concentração de nicotina no sangue reduz, surgindo os sintomas desagradáveis de abstinência, desencadeando no fumante o desejo de um novo cigarro.

Em 1997 a nicotina foi considerada pela Organização Mundial de Saúde uma droga psicoativa, responsável por causar dependência física.

Para reduzir o potencial de instalação da dependência, os cigarros teriam que ter uma diminuição em torno de 95% no seu teor de nicotina.

A nicotina é responsável pelo aumento do ritmo cardíaco, infarto agudo do miocárdio, derrame cerebral, angina, elevação da fração ruim do colesterol(LDL), menopausa precoce, gastrite, úlcera gástrica, enfisema pulmonar, bronquite crônica entre outras doenças.

Tabagismo

Gases tóxicos

1- Monóxido de carbono (CO)

Mesmo gás que sai dos escapamentos de automóveis. Considerado tóxico, tem 250 vezes mais afinidade com a hemoglobina (componente do sangue) quando comparado ao oxigênio, ou seja, o CO ao entrar na hemoglobina forma a carboxihemoglobina, que dificulta a oxigenação dos tecidos do corpo.

Em conseqüência há a redução do desempenho do organismo para atividade física, dificulta as trocas de nutrientes e a cicatrização.

O fumante de 20 cigarros/dia pode ter níveis de monóxido de carbono de 5 a 10 vezes mais elevados, quando comparado com os não fumantes.

2- Amônia

A indústria tabaqueira ao observar que grande quantidade de nicotina dos cigarros não era liberada durante a queima do cigarro, desenvolveu a “tecnologia da amônia”, um produto químico geralmente utilizado na limpeza doméstica. Essa substância é corrosiva para o nariz e olhos. Quando adicionada ao tabaco, ajuda tanto na vaporização mais rápida da nicotina durante a queima do cigarro, quanto no seu depósito pulmonar. Todo esse mecanismo tem como objetivo acelerar a chegada da nicotina ao cérebro, ocasionado uma sensação quase que imediata de prazer.

Sendo depositada no pulmão, agrava o enfisema e a bronquite crônica do fumante.

3- Tolueno

Gás tóxico encontrado no escapamento de carros. Utilizado na fabricação de borrachas, óleos, resinas, tintas, colas, detergentes e explosivos.

Ao ser inalado, deposita-se na gordura do corpo e lá permanece durante anos.

Ocasiona a depressão do sistema nervoso central. A longo prazo, mesmo em baixos níveis de exposição, leva a dores de cabeça, perda do apetite, alterações nos ciclos menstruais.

4- Cianeto

Forma-se com a queima do cigarro. É reconhecidamente carcinogênico.

Utilizado nas indústrias para a manufatura de fibras, plásticos, tintas, pesticidas, usado como gás para matar ratos.

Na Segunda Grande Guerra foi utilizado em grandes quantidades, levando a morte dos prisioneiros nos campos de concentração. Inalado em pequenas quantidades pode levar a tonturas, dores de cabeça, náuseas e vômitos.

5- Butano

Gás tóxico, inflamável, podendo ser mortal, Utilizado no isqueiro e também como gás de cozinha.

Sua inalação ocasiona: dificuldade respiratória, alterações visuais e coriza.

6- Cetonas

Produto entorpecente e inflamável, sendo mais conhecido entre as mulheres como removedor de esmaltes, presente na fumaça do cigarro. A inalação em pequenas quantidades irrita a garganta, ocasiona tonturas e dores de cabeça, em grandes quantidades pode levar à morte.

7- Terebentina

Substância tóxica obtida através da extração de resinas de pinheiros. É um diluente de tintas a óleo, usado também para a limpeza de pincéis.

Ao ser inalado provoca irritação nos olhos, vertigem, desmaios e lesões no sistema nervoso.

8- Xileno

Produto inflamável e cancerígeno encontrado em tintas de caneta. Ao ser inalado ocasiona irritação dos olhos, tontura, dor de cabeça e até a perda de consciência. Se ingerido, provoca pneumonia. As indústrias de canetas estão retirando o xileno da composição de seus produtos, devido aos riscos que oferece à saúde.

9- Ácido levulínico

Adicionando esse ácido no cigarro as indústrias de tabaco descobrem que a dureza da nicotina é disfarçada, bem como o teor de alcatrão nas frações de nicotina é reduzido, ajudando-as a manterem-se dentro das exigências legais.

O ácido levulínico torna o sistema respiratório superior menos sensível ao fumo, favorecendo as tragadas mais profundas.

Metais tóxicos

1- Arsênico

Metal empregado na fabricação de venenos contra insetos. Muitos fumicultores utilizam pesticidas à base de arsênico, para se verem livres das pragas em suas lavouras de fumo.

Ocasiona lesões ao ser armazenado no fígado, rins, coração, pulmões, ossos e dentes.

2- Cádmio

Metal pesado, tóxico e cancerígeno que provoca lesões no fígado, rins, pulmões e cérebro. Além de câncer pulmonar, próstata, rins e estômago.

Pode permanecer no corpo por até 30 anos.

3- Acetato de chumbo

Substância que está presente na fórmula das tinturas para cabelo, com potencial cumulativo no corpo humano, podendo ocasionar o aparecimento de câncer de pulmão e rim. Deposita-se nos pulmões, levando a perda da capacidade de ventilação desse órgão, gerando falta de ar, enfisema e câncer de pulmão. Quando inalado ou ingerido altera o crescimento de crianças e adolescentes. Provoca anorexia e dor de cabeça. Pode permanecer no corpo entre 10 a 30 anos.

4- Fósforo P4 P6

Substância encontrada em fertilizantes e produtos de limpeza bem como em produtos raticidas. É venenoso, podendo ser mortal para o homem, de acordo com a dose ingerida.

Substâncias cancerígenas presentes no cigarro

1- Alcatrão

É um termo usado para definir um conjunto de partículas sólidas orgânicas e inorgânicas, que são absorvidas pelo fumante quando o cigarro é aceso.

Entre seus compostos encontram-se 43 substâncias cancerígenas, como por exemplo: Arsênico, Polônio 210, Carbono 14, DDT, Níquel, Chumbo, Benzopireno, Cádmio, Dibenzoacridina.

Grande parte das substâncias tóxicas do cigarro está sob a forma gasosa, não sendo incluída como componente do alcatrão, dando a falsa impressão de que não agride o organismo.

Cigarros com menor teor de alcatrão não são mais seguros para a saúde, pois contêm vários produtos tóxicos e cancerígenos.

O alcatrão no corpo do fumante ocasiona manchas nos dentes, dedos, deposita-se nos pulmões gerando uma coloração castanha escura.

2- Polônio

É um raro elemento radioativo, sendo o Polônio 210 a sua forma mais comum.

O polônio produz um tipo de radiação extremamente prejudicial chamada de alfa-radiação, que geralmente são bloqueadas pelas camadas da pele. Na fumaça do cigarro foram identificados vestígios de polônio, esses são depositados nas vias aéreas emitindo radiação para as células a sua volta. Estima-se que um fumante de 30 cigarros/dia está exposto à radiação equivalente a 300 RX de tórax em 1 ano.

3- Níquel

Usado na produção de aço inoxidável, ligas, moedas, galvanoplastia e pilhas alcalinas.

Armazena-se no fígado, rins, coração, pulmões, ossos e dentes. Sua inalação desencadeia alterações no estômago e intestinos, aumenta as chances de infecções respiratórias e câncer.

4- Benzeno

É produzido durante a queima do cigarro. Utilizado como pesticida, na composição do detergente e da gasolina.

Também considerado cancerígeno. Ao ser inalado é absorvido pelos pulmões onde provoca danos irreversíveis a longo prazo, como o enfisema e a asma em crianças filhas de pais fumantes. Transportado por todo o corpo em especial para o fígado. A exposição ao benzeno pode provocar leucemia entre 2 a 50 anos.

5- N- Nitrosaminas

Responsáveis pelas alterações do DNA, portanto consideradas cancerígenas ambientais, ou seja, o não fumante exposto a fumaça do cigarro em ambientes fechados, ao inalar essas substâncias tem mais chances de desenvolver câncer.

Quando o fumo é associado com o álcool seu efeito carcinogênico amplia-se.

6- Formaldeído

Utilizado na conservação de cadáveres e na fabricação de produtos químicos para matar bactérias, fertilizantes, corantes e desinfetantes.

A fumaça do cigarro em ambientes fechados possui concentrações de formaldeído que podem chegar a níveis 3 vezes maiores, quando comparadas com o ar livre.

Provoca doença respiratória, reações alérgicas como asma, coceira nos olhos, além de tonturas, diminuição da coordenação motora, dores de garganta e alteração do sono. Suspeito de ser cancerígeno para os seres humanos.

7- Acroleína

Gás com um forte cheiro nauseante, sendo o de maior concentração no cigarro.

O cigarro contém 1.000 vezes mais acroleína quando comparado com outros produtos químicos que fazem alteração do DNA, sendo possivelmente o maior responsável pelo câncer de pulmão, bem como o formaldeído e acetaldeído que estão classificados no mesmo grupo.

Essas alterações são bem parecidas com as causadas pelo arsênico e cádmio.

Responsável pela destruição dos cílios pulmonares, fundamentais para a defesa das toxinas inaladas.

Outras substâncias

1- Acetaldeído

É utilizado no combustível, cola, tintas, plásticos, borrachas sintéticas, couro, espelhos.

A indústria do tabaco desenvolveu estudos sobre a ação do acetaldeído conjuntamente com a nicotina em ratos de laboratório. Observou que ação das duas substâncias favorece o potencial de dependência da nicotina.

Em humanos, pequena quantidade de acetaldeído leva à irritação da pele, dos olhos e do sistema respiratório.

2- Naftalina

Usado como veneno para matar barata. O contato com essa substância provoca tosse, irritação na garganta, náuseas, distúrbios gastrointestinais, renais e oculares, além de anemia.

Fonte: www.profpc.com.br

Tabagismo

Tabagismo é a intoxicação provocada por abuso do tabaco (Nicotina tabacum, planta da família das Solanáceas), através do hábito de fumar e da consequente dependência da droga nicotina.

O fumante inala 4.720 substâncias tóxicas numa só tragada e dessas, 80 são cancerígenas.

Riscos

O Brasil é um país no qual o tabaco tem importância cultural e econômica desde o século XVI, pois servia como moeda no comércio de escravos, quando estes eram trocados por rolos de fumo.

A prova disso é o brasão da República, que ostenta um ramo de café com frutos à esquerda e outro de folhas de fumo com flores à direita.

O Brasil é o terceiro maior produtor de tabaco do mundo e o maior exportador. (Fonte: revista Plantão Médico - Drogas, Alcoolismo e Tabagismo, RJ, 1998)

Tabagismo
A planta do tabaco

O tabagismo é considerado a maior causa evitável isolada de morbidade e mortalidade do mundo atual, segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS (Nakagima, 1990).

O uso do tabaco causa a morte de 3 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, gerando uma verdadeira pandemia (OMS, 1991). O Brasil é um grande mercado consumidor, envolvendo 32,6% da população total maior de 15 anos (IBGE, 1989). Na figura acima, uma planta de fumo, criada em estufa.

Principais Riscos

Podemos resumir os principais riscos do cigarro à saúde do agricultor e ao meio ambiente em três grupos:

1. Doenças: bronquite e enfisema; câncer do pulmão, laringe, boca, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo do útero; infarto do coração; derrame cerebral e doenças dos vasos sanguíneos; úlceras do estômago; e outras.
2. Incêndios:
as pontas de cigarro acesas lançadas no chão causam pelo menos 25% de todos os incêndios, destruindo bosques e florestas.
3. Agrotóxicos:
o cultivo do fumo emprega grande quantidade de agrotóxicos e os agricultores que fumam durante sua aplicação, têm mais chances de se intoxicarem.

Outros Riscos à Saúde

Os fumantes tendem a adoecer com mais frequência, a aposentar-se prematuramente e a morrer mais cedo, sendo preciso novo período de treinamento para substituí-los
A nicotina provoca contração das artérias, aumenta a pressão arterial e o rítmo das pulsações do coração, além de favorecer o aparecimento de coágulos, que obstruem ou "entopem" vasos sanguíneos diversos
Para quem fuma 1 maço/dia, o risco de ataque cardíaco só se dissipa depois de 10 anos de abstinência

Efeitos Negativos

As 3 substâncias mais prejudiciais à saúde presentes no tabaco são:

Alcatrão --- cancerígeno e indutor de tumores
Nicotina
--- causa dependência química e má circulação do sangue
Monóxido de carbono
--- diminui a quantidade de oxigênio no sangue.

Os usuários de drogas (em geral) produzem 30% menos e vão dez vezes mais ao Serviço Médico da empresa onde trabalham, além de chegarem atrasados e saírem antes da hora três vezes mais, segundo Luis Ricardo Gomes, presidente da Corplus, uma agência de medicina que desenvolveu o programa "Empresa Livre de Drogas" (citado no caderno Boa Chance de O Globo, no artigo intitulado Empresas entram na briga contra as drogas, de 29/08/04).

O Brasil é o terceiro (3o.) maior produtor e o segundo (2o.) maior exportador de tabaco do mundo (ABIFUMO, 1991).

O consumo nacional de cigarros é de cerca de 164 bilhões por ano.

A curagem das folhas do fumo utiliza, somente no Sul do Brasil, cerca de 96.000 fornos à lenha (através de uma técnica secular), que consome um hectare de lenha para cada hectare plantado com a cultura.

A fumaça do cigarro é o poluidor do ar mais constante e prejudicial à saúde que se conhece, pois as pessoas (principalmente nas cidades) passam 80% do seu tempo em ambientes fechados.

A nicotina desenvolve uma certa dependência física e uma considerável dependência psíquica. A síndrome de abstinência inclui nervosismo, tensão, irritabilidade, dificuldade de concentração e depressão.

Em resumo, o fumo é responsável por:

97% do câncer de laringe
90% das mortes por câncer no pulmão
85% das mortes por bronquite e enfisema
50% dos casos de câncer de pele
30% das mortes por câncer
25% das mortes por doenças do coração e derrame.

Efeitos Positivos (ao parar de fumar)

Felizmente, os efeitos negativos diminuem progressivamente, quando o indivíduo pára de fumar.

EFEITOS NO ORGANISMO AO PARAR DE FUMAR

TEMPO MELHORA SENTIDA NO ORGANISMO
Após 2 horas Não há mais nicotina circulando no sangue
Após 6 horas O coração bate menos depressa e a pressão arterial começa a baixar, normalizando em 30 dias
Após 12 a 24 horas Volta-se a sentir o paladar da comida e o olfato já percebe melhor os cheiros
Após alguns dias Os cílios dos brônquios começam a melhorar, ficando recuperados após 3 mêses
Após 1 mês Os exercícios físicos são mais fáceis de fazer
Após 2 mêses O sangue flui melhor pelo corpo e você sente mais energia
Após 3 mêses Os pulmões funcionam melhor e o esperma se normaliza
Após 1 ano O risco de ataque cardíaco se reduz à metade
Após 5 anos O risco de ataque cardíaco é igual ao dos não-fumantes

Como parar

Só quem fuma ou já fumou (como eu) pode avaliar o quanto é difícil parar. Para se ter uma idéia dessa dificuldade, basta dizer que de cada lote de 1.000 (mil) fumantes típicos, menos de 20% (vinte por cento do total ou 200 fumantes) conseguem parar na 1a. (primeira) tentativa ! E não se envergonhe disso, pois o tabagismo é um dos piores vícios que existem. O importante é você se conscientizar que está gastando parte considerável do seu salário para se matar; um absurdo, não é mesmo ?

Em 1984, o efeito da nicotina foi considerado (por uma das mais conceituadas instituições médicas norte americanas) semelhante ao da morfina, cocaína e do álcool, colocando-a definitivamente no grupo das drogas pesadas.

Dizem que "o que os olhos não vêem o coração não sente" e por isso é tão difícil ao fumante avaliar o mal que o cigarro faz ao seu organismo. Com excessão dos dentes amarelados, o constante pigarro e a ausência de sabor dos alimentos, na maioria das vezes, o fumante pouco se dá conta do lento suicídio a que está se submetendo a cada novo cigarro consumido.

Dados

Segundo o Instituto Nacional do Câncer - INCA a incidência mundial de câncer de pulmão aumenta em cerca de 2% ao ano. Em 90% dos casos, o principal fator para o desenvolvimento da doença é o tabagismo.

Considerado hoje a segunda causa de morte no mundo (perdendo apenas para as doenças cardiovasculares), o câncer de pulmão é o tipo de tumor que mais mata homens no Brasil.

Estima-se que existam cerca de 3 milhões de pessoas no mundo com a doença, segundo a OMS.

Só no Brasil, segundo o INCA, surgem 15.000 novos casos por ano nos homens e 7.000 nas mulheres. Em 2003, 16 mil mortes ocorreram, de ambos os sexos, em consequência desse mal. 29 de agosto é considerado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

De todos os casos de câncer do pulmão que são identificados no mundo, segundo o Dr. Drauzio Varella, cerca de 82% estão em estágio avançado ou em fase metastática, isto é, a doença já se espalhou para outros órgãos, o que impede a cirurgia de remoção e, consequentemente, reduz as chances de cura.

A fumante grávida tem bebês com baixo peso e menor tamanho e com maior chance de apresentar defeitos congênitos. São considerados fumantes pesados aqueles que consomem mais de vinte cigarros (um maço) por dia.

Outros dados sobre tabagismo

O Brasil ocupa o 9o. lugar entre os países que mais taxam o cigarro no mundo.
A lesgislação brasileira que trata do assunto é a Portaria 1050 GM/MS de 08/08/1990.
Os países em desenvolvimento respondem por 73% da produção mundial de tabaco.
A nicotina chega rapidamente ao cérebro, atuando sobre o Sistema Nervoso Central quase imediatamente após a tragada ou por outras vias.
Os derivados do tabaco contêm nicotina e outros alcalóides em quantidade significativa e similar entre eles, seja em cigarros com baixos teores ou com altos teores de nicotina.
Os processos farmacológicos e suas consequências no comportamento, causados pela dependência do tabaco, são similares àquelas que determinam a dependência da heroína e da cocaína.
O cigarro e outras formas de uso do tabaco (charuto, cachimbo, etc.) causam dependência.

Fonte: www.ufrrj.br

Tabagismo

Fumo, Cigarro e Suas Conseqüências

1. Introdução

O cigarro é um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo. Comanda legiões de compradores leais e tem um mercado em rápida expansão. Satisfeitíssimos, os fabricantes orgulham-se de ter lucros impressionantes, influência política e prestígio. O único problema é que seus melhores clientes morrem um a um.

A revista The Economist comenta: “Os cigarros estão entre os produtos de consumo mais lucrativos do mundo. São também os únicos produtos (legais) que, usados como manda o figurino, viciam a maioria dos consumidores e muitas vezes o matam.” Isso dá grandes lucros para a indústria do tabaco, mas enormes prejuízos para os clientes.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos, a vida dos fumantes americanos é reduzida, coletivamente, todo ano, em uns cinco milhões de anos ,cerca de um minuto de vida a menos para cada minuto gasto fumando.“ O fumo mata 420.000 americanos por ano”, diz a revista Newsweek. “Isso equivale a 50 vezes mais mortes do que as causadas pelas drogas ilegais”.

2. O Que Vai no Cigarro

Até setecentos aditivos químicos talvez entrem nos ingredientes utilizados na fabricação de cigarros, mas a lei permite que os fabricantes guardem a lista em segredo. No entanto, constam entre os ingredientes matais pesados, pesticidas e inseticidas.

Alguns são tão tóxicos que é ilegal despejá-los em aterros.

Aquela atraente espiral de fumaça está repleta de umas 4.000 substâncias, entre as quais acetona, arsênico, butano, monóxido de carbono e cianido.

Os pulmões dos fumantes e de quem está perto ficam expostos a pelo menos 43 substâncias comprovadamente cancerígenas.

3. O Que Há por Trás do Cigarro

No mundo todo, três milhões de pessoas por ano -seis por minuto- morem por causa do fumo, segundo o livro Mortality From Smoking in Developed Countries 1950-2000, publicado em conjunto pelo Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, da Grã-Bretanha, pela OMS(Organização mundial de Saúde) e pela Sociedade Americana do Câncer. Essa análise das tendências mundiais com relação ao fumo, a mais abrangente até a presente data, engloba 45 países. “Na maioria dos países”, adverte Richard Peto, do Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, “o pior ainda está por vir. Se persistirem os atuais padrões de tabagismo, quando os jovens fumantes de hoje chegarem à meia-idade ou à velhice, haverá cerca de 10 milhões de mortes por ano causadas pelo fumo - uma morte a cada três segundos.

O fumo é diferente de outros perigos”, diz o Dr. Alan Lopez, da OMS. “Termina matando um em cada dois fumantes”. Martin Vessey, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Oxford, diz algo parecido: “Essas constatações no período de 40 anos levam à terrível conclusão de que metade de todos os fumantes terminará morrendo por causa desse hábito – uma idéia muito aterradora.” Desde a década de 50,60 milhões de pessoas morreram por causa do fumo.

Essa idéia é muito aterradora também para a indústria do tabaco. Se todo ano, no mundo todo, três milhões de pessoas morrem por motivos ligados ao fumo, e muitas outras param de fumar, então todo ano é preciso encontrar três milhões de novos fumantes.

Uma fonte de novos fumantes surgiu por causa do que a indústria do tabaco aclama como liberação das mulheres.

O fumo entre as mulheres é fato consumado já por alguns anos nos países ocidentais e agora está ganhando terreno em lugares em que se via nisso um estigma.

Os fabricantes de cigarro pretendem mudar tudo isso. Querem ajudar as mulheres a comemorar a prosperidade e a liberação recém – conquistadas. Marcas especiais de cigarro que alegam ter baixos de nicotina e alcatrão engodam as mulheres que fumam e que acham esse tipo de cigarro menos prejudicial. Outros cigarros são perfumados ou então são longos e finos – o visual que as mulheres talvez sonhem conseguir fumando. Os anúncios de cigarro na Ásia apresentam modelos orientais, jovens e chiques, elegante e sedutoramente vestidas no estilo ocidental.

No entanto, o saldo de mortes relacionadas com o fumo ganha terreno, junto com a “liberação” feminina. O número de vítimas de câncer de pulmão entre as mulheres dobrou nos últimos 20 anos na Grã-Bretanha, no Japão, na Noruega, na Polônia e na Suécia. Nos Estados Unidos e no Canadá, os índices aumentaram 300%. “Você percorreu um longo caminho, garota!”, diz um anúncio de cigarro. Alguns fabricantes de cigarro têm sua própria estratégia. Certa empresa nas Filipinas, país predominantemente católico, distribuiu calendários gratuitos em que logo abaixo da imagem da Virgem Maria aparecia, descaradamente, o logotipo do cigarro.

“Nunca tinha visto nada igual”, disse a Dra.Rosmarie Erban, conselheira de saúde da OMS, na Ásia. “Estavam tentando relacionar o ícone ao fumo, para que as mulheres filipinas não se sentissem culpadas diante da idéia de fumar.” Na China, calcula-se que 61% dos homens adultos fumam, contra apenas 7% das mulheres. Os fabricantes ocidentais de cigarro estão de olho na “liberação” dessas belas orientais, milhões das quais por muito tempo foram privadas dos “prazeres” desfrutados pelas glamorosas ocidentais.

Mas há uma pedra enorme no caminho: o fabricante estatal de cigarro supre o mercado com a maior parte do produto.

As empresas ocidentais, porém, estão gradualmente conseguindo abrir as portas. Com oportunidades limitadas de publicidade, alguns fabricantes de cigarro procuram preparar o terreno para ganhar futuros clientes à surdina. A China importa filmes de Hong Kong, e em muitos deles os autores são pagos para fumar – um marketing sutil! Em vista do aumento das hostilidades em seu próprio país, a próspera indústria norte-americana do tabaco está estendendo seus tentáculos para aliciar novas vítimas. Os fatos mostram que os países em desenvolvimento são seu alvo, não importa o custo em vidas humanas.

No mundo todo as autoridades sanitárias soam o alarme.

Algumas manchetes: “África combate nova praga: o fumo.” “Fumaça vira fogo na Ásia enquanto o mercado tabagista dispara.” “Índices de consumo de cigarro na Ásia causarão epidemia de câncer.” “A nova batalha do Terceiro Mundo é contra o fumo” O continente africano tem sido castigado por secas, por guerras civis e pela epidemia da AIDS. No entanto, diz o Dr.Keith Ball, cardiologista britânico, “com exceção da guerra nuclear ou da fome, o fumo é a maior ameaça para a saúde da África no futuro”.

Gigantes multinacionais contratam lavradores para cultivar tabaco.

Estes derrubam árvores cuja madeira é extremamente necessária para cozinhar, aquecer ambientes e construir casas e a usam como combustível para a cura do tabaco. Cultivam lucrativas plantações de tabaco em vez de produtos alimentícios menos lucrativos. Os africanos pobres geralmente gastam grande parte de sua escassa renda em cigarro. As famílias africanas definham, desnutridas, enquanto os cofres dos fabricantes ocidentais de cigarro engordam com os lucros.

4. A Praga se Espalha Pelo Mundo

A África, a Europa Oriental e a América Latina são o alvo dos fabricantes ocidentais de cigarro, que vêem nos países em desenvolvimento uma gigantesca oportunidade comercial. Mas a populosa Ásia é de longe a maior mina de ouro de todos os continentes. Só a china atualmente tem mas fumantes do que toda a população dos Estados Unidos – 300millhões. Eles fumam o total assombroso de 1,6 trilhão de cigarro por ano, um terço do total consumido no mundo! “Os médicos dizem que as implicações do estouro do fumo na Ásia são nada menores que aterradoras”, diz o jornal New York Times Richard Peto calcula que, dos dez milhões de mortes relacionadas com o fumo que se espera que ocorram todo ano nas próximas ou três décadas, dois milhões se darão na China. Cinqüenta milhões de crianças chinesas hoje vivas podem vir a morrer de doenças ligadas ao fumo, diz Peto.

O Dr.Nigel Gray resumiu isso nas seguintes palavras: “A história do fumo nas últimas cinco décadas na China e na Europa Oriental condena esses países a uma grande epidemia de doenças ligadas ao fumo.

“Como pode um produto que é a causa de 400 mil mortes prematuras por ano nos EUA, um produto que o Governo norte-americano quer a todo custo que seus cidadãos deixem de consumir, de repente tornar-se diferente fora das fronteiras americanas!”, perguntou o Dr.Prakit Vateesatokit, da Campanha Antifumo da Tailândia. “Será que a saúde se torna irrelevante quando o mesmo produto é exportado para outros países?.

A próspera indústria de tabaco tem no governo dos Estados Unidos um aliado poderoso. Juntos lutam para ganhar terreno no exterior, especialmente nos mercados asiáticos. Por anos os cigarros americanos foram impedidos de entrar no mercado do Japão, Taiwan (Formosa), Tailândia e outros países, porque alguns desses governos tinham seus próprios monopólios sobre produto do tabaco.

Grupos antifumo protestam contra as importações, mas a administração norte-americana usou uma arma persuasiva: tarifas punitivas .

A partir de 1985, sobre intensa pressão do Governo dos Estados Unidos, muitos países asiáticos abriram as portas, e os cigarros americanos estão invadindo o mercado. As exportações americanas de cigarro para a Ásia aumentaram 75% em 1988.

Talvez as vítimas mas trágicas da competitividade no mundo do fumo sejam as crianças um estudo divulgado na revista The Journal of the American Medical Association diz que “as crianças e os adolescente constituem 90% de todos os novos fumantes.

Um artigo na revista U.S.News & Would Report calcula em 3,1 milhões a quantidade de fumantes adolescente nos Estados Unidos. Todo dia, 3.000 jovens começam a fumar – 1.000.000 por ano. A publicidade de certo cigarro apresenta a imagem de um personagem de desenhos animados, muitas vezes com um cigarro na boca, um camelo que adora se divertir e vive atrás dos prazeres da vida. Essa publicidade é acusada de engodar crianças e adolescentes, tornando-os escravos da nicotina, antes que compreendam os riscos para a saúde. Em apenas três anos de divulgação dessa publicidade, o fabricante teve um aumento de 64% nas vendas para adolescentes. Um estudo realizado na Faculdade de Medicina da Geórgia (EUA) constatou que 91% das crianças de seis anos de idade que foram avaliadas conheciam esse camelo fumante.

Outro personagem muito conhecido no mundo do cigarro é o cowboy machão, despreocupado, cuja mensagem, nas palavras de um rapaz, é: “quando você está fumando, ninguém o segura”. Consta que o produto de consumo mais vendido no mundo é um cigarro que controla 69% do mercado entre os fumantes adolescentes e que a marca que mais investe em publicidade. Como um incentivo a mais, todo maço traz cupons que podem trocados por jeans, bonés e roupas esportivas do gosto da moçada.

Reconhecendo o tremendo poder da publicidade, grupos antifumo conseguiram que se proibissem em muitos países os anúncios publicitários de cigarro na televisão e no rádio. Mas um jeito que os espertos anunciantes de cigarro acharam de driblar o sistema foi colocar outdoors em pontos estratégicos em eventos esportivos. É por isso que numa partida de futebol televisionada para uma grande audiência de jovens talvez apareça, em primeiro plano, a imagem do jogador favorito desses telespectadores, prestes a fazer uma jogada, e em segundo plano, sorrateiramente, um enorme outdoor.

Aqui no Brasil, a minissérie Presença de Anita , chamou a atenção aos vários cigarros consumidos pela protagonista de apenas 18 anos. A representação foi tamanha, ao ponto da própria atriz tornar-se dependente. A mensagem descarada é que fumar dá prazer, boa forma, virilidade e popularidade. “Onde eu trabalhava”, disse um consultor de publicidade, “tentávamos de tudo para influenciar a garotada de 14 anos a começar a fumar”. Os anúncios na Ásia apresentam ocidentais atléticos, saudáveis e cheios de juventude, divertindo-se a valer em praias e quadras esportivas – fumando, é claro. “Top models e estilos de vida ocidentais criam padrões glamorosos a imitar”, comentou um informe de marketing, “e os fumantes asiáticos nunca se fartam disso”.

5. Não Fumantes em Risco

Você mora, trabalha ou viaja com fumantes inveterados? Então talvez corra o risco ainda maior de contrair câncer de pulmão ou doenças cardíacas. Um estudo realizado em 1993 pela Agência para Proteção do Meio ambiente (EPA, em inglês) concluiu que a fumaça de cigarro no ambiente é um carcinógeno do Grupo A, o mais perigoso. O relatório analisou exaustivamente os resultados de 30 estudos da fumaça produzidas pelo cigarro em repouso e da fumaça expelida depois de tragada.

A EPA diz que a inalação passiva da fumaça de cigarro é responsável pelo câncer de pulmão que mata 3.000 pessoas todo o ano nos Estados Unidos. A Associação Médica Americana confirmou essas conclusões, em junho de 1994, com a publicação de um estudo que revela que as mulheres que nunca fumaram, mas que inalam fumaça de cigarro no ambiente, correm um risco 30% maior de contrair câncer de pulmão do que outras pessoas que também nunca fumaram.

No caso das crianças pequenas, a fumaça de cigarro resulta em 150.000 a 300.000 casos anuais de bronquite e pneumonia. A fumaça agrava os sintomas de asma em 200.000 a 1.000.000 de crianças todo o ano nos Estados Unidos. A Associação Cardíaca Americana calcula que ocorram, todo o ano, 40.000 mortes por doenças cardiovasculares causadas pela fumaça de cigarro no ambiente. Um levantamento feito pela equipe de José Rosember, pneumologista brasileiro, avaliou os efeitos do tabagismo na saúde de 15 mil crianças entre zero e um ano. Nas famílias em que o pai fuma, cerca de 25%das crianças apresentou problemas respiratórios. Quando a mãe é fumante o número passa para 49%, pois ela tem mais contato com Em 2002, o governo brasileiro estampará nos maços de cigarro, imagens e alertas aterradores, como por exemplo uma doente grave aparecendo num leito de hospital com câncer de pulmão. Terá também imagens de crianças prematuras para alertar o fumo durante a gravidez e frases de efeito como “Fumar causa impotência sexual”. Será a maior ofensiva contra os mais de 30 milhões de viciados, que segundo o Ministério da Saúde mata 80 mil brasileiros por ano.

Mas, para quem quer se livrar da dependência, a medicina está trazendo tratamentos desde terapias e antidepressivos até chicletes e adesivos de nicotina. Já existem várias alternativas contra o cigarro, segundo o psiquiatra Montezuma Ferreira, do Ambulatório de Tabagismo do Hospital das Clínicas de São Paulo “Hoje é mais fácil parar de fumar”.

Algumas dessas alternativas se baseiam na reposição de nicotina. O fumante é poupado dos efeitos da interrupção repentina do hábito, como a irritabilidade. Então, se oferece ao corpo a nicotina mas em doses menores até que ele dispense a substância, como é o caso do chiclete e do adesivo de nicotina. Há outros tratamentos que usam antidepressivos, com bupropriona (Zyban, da empresa Glaxowellcome). Mas ainda não se sabe como ele funciona contra a dependência.

Acredita-se que a droga aumente o efeito de substâncias como a seretonina e a dopanina. Assim, o fumante teria as mesmas sensações de bem-estar causadas pela nicotina. Porém, esses tratamentos são recomendados para pacientes que fumam mais de quinze cigarros por dia, ou seja, um alto grau de dependência.

Há até técnicas para quem, durante o tratamento, sente um desejo incontrolável de fumar. Trata-se de um sray de nicotina. Ao bater aquela vontade de tragar, o fumante pode borrifar um pouco do líquido no nariz. Mas esse produto só existe nos Estados Unidos. Já descobriu-se que o cérebro possui receptores de nicotina, espécies de fechadura localizadas nas células nas quais o composto se encaixa. A partir daí começam a ser liberadas no corpo substâncias como a seretonina, catecolamida e dopamina. Elas estão envolvidas no processamento de sensações como bom-humor e relaxamento. Com o tempo, o corpo se acostuma com a nicotina e precisa cada vez mais dela para sentir as mesmas coisas. Está consolidada a dependência.

Sabe-se também que além da nicotina, o outro vilão é o alcatrão. Ele causa alterações nas células que podem levar ao desenvolvimento de vários tipos de câncer como o de pulmão e o de boca.

6. Constatações de 50.000 Estudos

A seguir temos uma pequena amostra do que preocupa os pesquisadores com relação ao fumo e à saúde:

Câncer de Pulmão: 87% das mortes por câncer de pulmão ocorrem entre os fumantes.
Doenças Cardíacas:
os fumantes correm um risco de 70% maior de apresentar doenças cardíacas
Câncer de Mama:
as mulheres que fumam 40 ou mais cigarros por dia têm uma probabilidade 74% maior de morrer de câncer de mama.
Deficiências Auditivas:
os bebês de mulheres fumantes têm maiores dificuldades em processar sons.
Complicações da Diabetes:
os diabéticos que fumam ou que mascam tabaco correm maior risco de ter graves complicações renais e apresentam retinopatia (distúrbios da retina) de evoluções mais rápidas.
Câncer de Cólon:
dois estudos com mais de 150.000 pessoas mostram uma relação clara entre o fumo e o câncer de cólon.
Asma:
a fumaça pode piorar a asma em crianças
Predisposição ao Fumo:
as filhas de mulheres que fumavam durante a gravidez têm quatro vezes mais probabilidade de fumar também.
Leucemia:
suspeita-se que o fumo cause leucemia mielóide.
Contusões em Atividades Físicas:
segundo um estudo do Exército dos Estados Unidos, os fumantes têm mais probabilidades de sofrer contusões em atividades físicas.
Memória:
doses altas de nicotina podem reduzir a destreza mental em tarefas complexas.
Depressão:
psiquiatras estão investigando evidências de que há uma relação entre o fumo e a depressão profunda, além da esquizofrenia.
Suicídio:
um estudo feito entre enfermeiras mostrou que a probabilidade de cometer suicídio era duas vezes maior entre as enfermeiras que fumavam.
Outros perigos a acrescentar à lista
: câncer da boca, laringe, gargantas, esôfago, pâncreas, estômago, intestino delgado, bexiga, rins e colo do útero; derrame cerebral, ataque cardíaco, doenças pulmonares crônicas, distúrbios circulares, úlceras pépticas, diabetes, infertilidade, bebês abaixo do peso, osteoporose e infecções dos ouvidos. Pode-se acrescentar ainda o perigo de incêndios, já que o fumo é a principal causa de incêndios em residências, hotéis e hospitais.

7. O Pulmão e o Coração

O pulmão humano é composto de pequenos glóbulos chamados alvéolos. O fluxo de sangue e a irrigação sanguinia entre o coração e o pulmão são intensos. A fumaça do cigarro prejudica diretamente o funcionamento do sistema coração-pulmão. Com o passar do tempo os alvéolos pulmonares vão sendo cimentados pelos componentes da fumaça do cigarro, deixando de fazer sua função. O organismo então passa a ter menor oxigenação dos tecidos, resultando em maior facilidade de cansaço para o fumante. O cigarro também causa inúmeros danos ao coração, tal como infarto.

8. É Possível Libertar-se

Milhões de pessoas conseguiram se libertar do vício da nicotina. Se você fuma, você também poderá largar esse hábito prejudicial.

Aqui vão algumas dicas:

Saiba de antemão o que esperar. Os sintomas de abstinência podem incluir ansiedade, irritabilidade, tontura, dor de cabeça, insônia, distúrbios estomacais, fome, fortes desejos de fumar, talvez por causa de um momento estressante (lembre-se de que o impulso em geral passa dentro de cinco minutos), dificuldade de concentração e tremores. Isso não é nada confortável, mas os sintomas mais intensos duram apenas alguns dias e vão desaparecendo à medida que o corpo vai se livrando da nicotina.
Analise sua rotina para ver quando você procurava um cigarro e altere esse padrão, pois a mente estava condicionada por comportamentos associados ao fumo. Por exemplo, se fumava logo após as refeições, crie a determinação de levantar-se logo em seguida e caminhar ou lavar os pratos. Se estiver desanimado por causa de recaídas, não desista.
O importante é continuar tentando.
Parar de fumar é uma coisa. Largar de uma vez por todas o fumo é outra coisa. Estabeleça alvos de abstinência: um dia, uma semana, três meses, para daí então parar de fumar para sempre.
Se a idéia de engordar o incomoda, lembre-se de que os benefícios de parar de fumar superam esses quilinhos a mais. É bom ter frutas e hortaliças à disposição. E beba muita água.

E falando em benefícios ao parar de fumar saiba mais sobre isso:

Vinte minutos depois de deixar o cigarro, a pressão arterial e os batimentos cardíacos retornam ao normal Um dia depois de largar o vício, as chances de infarto começam a se reduzir Após três dias, há um aumento da capacidade respiratória De duas a 12 semanas a circulação sangüínea melhora No intervalo de 1 a 9 meses a tosse e as infecções das vias aéreas vão cessando. A capacidade física melhora Em um ano diminui o risco de doença coronariana em 50% Em dez anos caem as chances do aparecimento de câncer No período de dez a 15 anos o perigo de desenvolver problemas cardíacos se iguala ao de uma pessoa que nunca fumou.

9. Conclusão

O fumo e seus derivados fazem parte do grupo de drogas consideradas de alta periculosidade a saúde humana. Vidas são tragadas pelos malefícios do fumo a cada minuto. Entretanto o lucro gerado pelo fumo movimenta bilhões de dólares todos os anos.

Milhares de horas de propaganda a favor do fumo são veiculadas nos meios de comunicação de massa toda semana buscando novos mercados consumidores. Se o fumo é um mal para uns, faz muito bem a outros tantos que usufruem do lucro gerado pelo fumo e seus derivados. A grande maioria entretanto, morre e adoece todos os dias. O fumo traz inúmeras despesas à nossa sociedade.

Fonte: www.areaseg.com

Tabagismo

O tabaco vem da planta Nicotiana Tabacum e é uma substância estimulante. Pode ser encontrado em forma de charuto, cigarro (com ou sem filtro), cachimbo, rapé e tabaco de mascar.

O tabaco é principalmente fumado, mas pode também ser inalado ou mastigado. Tem uma ação estimulante.

A combustão do tabaco produz inúmeras substâncias como gases e vapores, que passam para os pulmões através do fumo, sendo algumas absorvidas pela corrente sanguínea.

Estes substâncias são:

Nicotina: A nicotina é o alcalóide da planta do tabaco. Quando chega ao Sistema Nervoso Central, atua como um agonista do receptor nicotínico da acetilcolina. Possui propriedades de reforço positivo e viciantes devido à ativação da via dopaminérgica mesolímbica. Aumenta também as concentrações da adrenalina, noradrenalina, vasopresina, beta endorfinas, ACTH e cortisol, que parecem influir nos seus efeitos estimulantes.
Substâncias irritantes (como a acroleína, os fenóis, o peróxido de nitrogénio, o ácido cianídrico, o amoníaco, etc):
provocam a contração bronquial, a estimulação das glândulas secretoras da mucosa e da tosse e a alteração dos mecanismos de defesa do pulmão.
Alcatrão e outros agentes cancerígenos (como o alfabenzopireno):
contribuem para as neoplasias associadas ao tabaco.
Monóxido de carbono:
provocam a diminuição da capacidade de transporte de oxigénio por parte dos glóbulos vermelhos.

Origem

A planta Nicotina tabacum deve o seu nome ao médico Jean Nicot que popularizou o seu uso na Europa. Esta planta, juntamente com cerca de mais de cinquenta outras espécies, faz parte do grupo nicotínico.

É originária da América onde era usada, antes da descoberta deste continente, pelos seus efeitos alucinogéneos.

É difundida na Europa, após a viagem de Colombo, em parte devido à crença no seu valor terapêutico.

A procura do tabaco fez com que a coroa espanhola se apropriasse do monopólio do seu comércio. Mais tarde, os franceses e ingleses juntam-se aos espanhóis, contribuindo para a expansão desta substância, o que origina fortes repressões por muitas autoridades. A título de exemplo, refira-se que Fedorovich dava ordens de tortura a qualquer consumidor até que este confessasse quem tinha sido o seu fornecedor, para depois mandar cortar o nariz a ambos. Também o sultão Murad IV castigava com decapitação, desmembramento ou mutilação quem encontrasse a fumar.

A partir do século XVIII, o levantamento das proibições permite um crescimento gradual do consumo de tabaco.

Este consumo era principalmente feito por aspiração nasal, apresentando-se o produto em forma de pó fino ou resíduos (neste último caso, era-lhe atribuído o nome de rapé).

O tabaco era também enrolado ou recheado de triturado.

Crê-se que o cigarro surgiu das navegações transatlânticas, durante as quais eram apanhados os restos de tabaco, que estavam a ser transportados para a Europa, e enrolados em papel (dado que as folhas inteiras da planta pertenciam à coroa).

Começando por ser um consumo de marinheiros, pensa-se que em 1800 já se tinha alargado a outros estratos sociais na Península Ibérica e no Meditarrâneo.

Para a sua expansão pelo resto da Europa, em muito contribuíram as guerras napoleónicas.

Na segunda metade do século XIX, o monopólio da fabricação dos cigarros passa a ser dos anglo-saxões.

A partir desta altura, o tabagismo passa a afetar quase metade da população mundial.

Efeitos

O consumidor pode experimentar sensações reconfortantes, favorecimento da memória, redução da agressividade, diminuição do aumento do peso e do apetite em relação aos doces ou relaxamento. Geralmente, ocorre um aumento do ritmo cardíaco, da respiração e da tensão arterial.

Nas pessoas não dependentes pode provocar náuseas e vómitos.

Riscos

O consumo pode provocar hipotonia muscular, diminuição dos reflexos tendinosos, aumento do ritmo cardíaco, da frequência respiratória e da tensão arterial, aumento do tónus do organismo, irritação das vias respiratórias, aumento da mucosidade e dificuldade em eliminá-la, inflamação dos brônquios (bronquite crônica), obstrução crônica do pulmão e graves complicações (enfisema pulmonar), arteriosclerose, transtornos vasculares (exemplo: trombose e enfarte do miocárdio).

Em fumadores crônicos podem surgir úlceras digestivas, faringite e laringite, afonia e alterações do olfato, pigmentação da língua e dos dentes, disfunção das papilas gustativas, problemas cardíacos, má circulação (que pode levar à amputação) e cancro do pulmão, de estômago e da cavidade oral.

O tabagismo materno influi no crescimento do feto, especialmente no peso do recém nascido, aumento dos índices de aborto espontâneo, complicações na gravidez e no parto e nascimentos prematuros A vitamina C é destruída pelo tabaco, daí que se aconselhe os fumadores a tomar doses extra de antioxidantes (vitaminas A, C e E), para ajudar a prevenir certos tipos de cancro.

Tolerância e Dependência

Existe tolerância, assim como dependência.

A nicotina do tabaco é das drogas que mais dependência provocam.

Síndrome de Abstinência

Traduz-se por intranquilidade ou excitação, aumento da tosse e da expectoração, impaciência, irritabilidade, depressão, ansiedade e agressividade, má disposição, dificuldade de concentração que pode diminuir a atenção na condução de veículos, aumento do apetite e do peso corporal e diminuição da frequência cardíaca.

Fonte: www.psicologia.com.pt

Tabagismo

Por que produtos como cigarros, charutos e cachimbo fazem mal à saúde?

No período de consumo destes produtos são introduzidas no organismo mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo nicotina (responsável pela dependência química), monóxido de carbono (o mesmo gás venenoso que sai do escapamento de automóveis) e alcatrão, que é constituído por aproximadamente 50 substâncias pré-cancerígenas.

Quais são as doenças causadas pelo uso do cigarro?

São mais de 50 doenças relacionadas ao consumo de cigarro. Estatísticas revelam que os fumantes, comparados aos não fumantes, apresentam um risco 10 vezes maior de adoecer de câncer de pulmão, 5 vezes maior de sofrer infarto, 5 vezes maior de sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar e 2 vezes maior de sofrer derrame cerebral.

E os não fumantes, como ficam nessa história?

Basta manter um cigarro aceso para poluir um ambiente com as substâncias tóxicas da fumaça do cigarro. As pessoas passam 80% do seu tempo em ambientes fechados. Ao fim do dia, em um ambiente poluído, os não fumantes podem ter respirado o equivalente a 10 cigarros. Ao respirar a fumaça do cigarro, os não fumantes correm o risco de ter as mesmas doenças que o fumante.

Quais são os riscos para as crianças que convivem com fumantes em ambientes fechados?

As crianças, especialmente as mais novas, são as mais prejudicadas, já que respiram mais rapidamente. Em crianças que vivem com fumantes em casa (cerca de metade das crianças do mundo), há um aumento de incidência de pneumonia, bronquite, agravamento de asma, além de uma maior probabilidade de desenvolvimento de doença cardiovascular na idade adulta.

Quais são os benefícios imediatos de se parar de fumar?

Após 20 minutos a pressão sangüínea e a pulsação voltam ao normal. Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue do fumante. Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza. De 12 a 24 horas após o último cigarro, os pulmões já funcionam melhor.

E depois disso?

Após 2 dias, o olfato já percebe melhor o cheiro e o paladar já está mais sensível. Após 3 semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora. Após 1 ano, o risco de morte por infarto já foi reduzido pela metade. De 5 a 10 anos depois de parar de fumar, o risco de infarto será igual ao de pessoas que nunca fumaram.

Portanto, se você é fumante, pare de fumar, se convive com alguém que fume, ajude-o a vencer essa batalha!

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Tabagismo

O fumo é um importante fator de adoecimento, sendo uma das principais causas de morte evitável no mundo.

O Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional do Câncer/INCA, tem diversas estratégias para reduzir o tabagismo em nosso país.

Uma delas é estimular, através dos profissionais de saúde e da formação de agentes multiplicadores, a conscientização da população em geral sobre os danos causados pelo tabaco.

A proporção de fumantes em nosso país é de aproximadamente 24%, sendo que os indivíduos de nível sócio-econômico mais baixo fumam mais. Paralelamente ao aumento no consumo de cigarros observado nos últimos anos, detecta-se também uma elevação da mortalidade por doenças crônico-degenerativas (câncer, hipertensão e diabetes). Torna-se, portanto, fundamental o trabalho de educação em saúde junto à população, para que haja uma mudança de comportamento no sentido de uma vida mais saudável.

O tabagismo é uma doença.

Assim sendo, perguntas como: quanto se fuma no Brasil, quem fuma, qual o tipo de cigarro mais fumado pelos brasileiros são fundamentais para se dimensionar nosso problema, dando informações aos programas de saúde pública no país.

Grande parte dos brasileiros fuma, principalmente os homens. Cerca de 32,6% da população adulta fuma, sendo 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. Cerca de 90% dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre os cinco e os 19 anos de idade. Atualmente, temos 2,4 milhões de fumantes nessa faixa etária.

A grande concentração de fumantes encontra-se entre 20 e 49 anos de idade. Em todas as faixas etárias, os homens fumam em maior proporção que as mulheres. No entanto, nas faixas etárias mais jovens, a mulher vem fumando mais, diminuindo-se a relação homem/mulher. Esta tendência é grave, pois as mulheres, além da responsabilidade biológica de gerar filhos, convivem com eles intensamente até a adolescência, transformando-os em fumantes passivos e levando-os a encarar o ato de fumar como um comportamento social normal. Sabe-se que nos adolescentes e adultos jovens filhos de pais fumantes há maior prevalência de tabagistas.

O início do tabagismo, nesses casos, seria conseqüência do exemplo apresentado pelos pais ou da necessidade orgânica criada por anos de inalação involuntária da nicotina?

Por outro lado, a mulher vem ocupando espaço crescente no mercado de trabalho, o que a torna, em alguns casos, modelo de comportamento almejado por crianças, adolescentes e adultos do mesmo sexo. Uma área dominada pelas mulheres há muito tempo é a da educação, principalmente primária e secundária. A professora, de maneira geral, abre as portas do mundo para crianças e adolescentes. É fundamental, portanto, que transmita um modelo de vida saudável, livre do uso de drogas.

SUBSTÂNCIAS DA FUMAÇA DO CIGARRO

Quando cigarros industrializados e de fumo-de-rolo, cachimbos e charutos são acesos, algumas substâncias são inaladas pelo fumante e outras se difundem pelo ambiente. Essas substâncias são nocivas à saúde.

Todas as formas de uso do tabaco, inclusive os cigarros com mentol, filtros especiais, com baixos teores (light, extra-light) etc., têm uma composição semelhante, não havendo, portanto, cigarros “saudáveis” ou cachimbos e charutos que façam menos mal. Isso ocorre porque, mesmo escolhendo produtos com menores teores de alcatrão e nicotina, os fumantes acabam compensando essa redução, fumando mais cigarros por dia e tragando mais freqüente ou profundamente, ou seja, fazendo outras modificações compensatórias em conseqüência da dependência à nicotina

Vale ressaltar que a ação das substâncias do cigarro ocorrem não só sobre o fumante, mas também no não-fumante exposto à poluição ambiental causada pelo cigarro.

DOENÇAS ASSOCIADAS AO USO DO CIGARRO

Doença coronariana (25%) - Angina e infarto do miocárdio
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica -
D.P.O.C. (85%) - Bronquite e enfisema
Câncer (30%) -
Pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero, estômago e fígado
Doença cerebrovascular (25%) -
Derrame cerebral - AVC

Outras doenças associadas ao tabagismo

Aterosclerose
Tromboangeíte obliterante
Hipertensão arterial
Infecções respiratórias
Leucemia
Catarata
Menopausa precoce
Disfunção erétil (impotência sexual)
Úlcera péptica.

UM MUNDO LIVRE DE TABACO

É necessário que todos os grupos sociais mobilizem-se, de forma esclarecida, contra o tabagismo, para que as gerações futuras possam desfrutar de um mundo menos poluído pelo tabaco. Muito importante nessa luta, são as crianças e os adolescentes, que atuam como fortes agentes de mudança comportamental e social.

Para isto é fundamental que todos participem, informando, protegendo crianças e gestantes da fumaça do cigarro, criando ambientes livres do fumo, incentivando e apoiando o trabalho dos órgãos de saúde e de lideranças do governo na busca de soluções para o plantio alternativo de tabaco, na elaboração de legislações específicas, no desenvolvimento de atividades nas escolas que abordem o tema, etc.

Enfim, todos devem contribuir para que se alcance uma sociedade livre de tabaco.

Fonte: www.sespa.pa.gov.br

Tabagismo

Ação da nicotina no organismo

 

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