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Tapete

As matérias-primas

Os materiais necessários para a confecção de um tapete persa são: a lã, a seda e o algodão. A lã e a seda são usadas principalmente para o veludo do tapete, e raramente na urdidura e trama, que normalmente são de algodão. A lã de ovelha é a mais usada, principalmente a de fibra larga (extraída do peito e das costas do animal). A lã de cordeiro é também muito apreciada. Chama-se kurk a lã de boa qualidade, e de tabachi a de qualidade inferior. As lãs mais requisitadas procedem de Khorasan ou das tribos luras e curdas.

O algodão é usado exclusivamente para a urdidura e a trama. Em certos tipos de tapetes, como os de Qom ou de Na'in, o veludo da lã é mesclado com um fio de seda. Nos tapetes mais valiosos o veludo é de seda. Em alguns tapetes antigos são utilizados fios de ouro, de prata ou de seda rodeados de um fio de metal precioso.

Atualmente, a urdidura e a trama são sempre de algodão (exceto para alguns tapetes nômades totalmente de lã), porque é mais sólido e resistente e permite uma melhor manutenção do tapete.

Tapete
Mulheres nômades na tarefa de lavar a lã.

Os corantes

A diversidade tão grande de cores dos tapetes persas é, em grande parte, responsável por seu prestígio.

A lã para ser tingida é colocada primeiro em um banho concentrado de alúmen (pedra-ume), que atua como mordente. Depois, ela é tingida com um corante e finalmente, é colocada para secar ao sol.

Antes do surgimento das tintas sintéticas (a anilina foi descoberta em 1856 e o surgimento dos corantes na Pérsia ocorreu no final do século XIX), os tintureiros utilizavam somente tintas naturais, provenientes de substâncias vegetais.

Algumas das tintas empregadas eram:

O vermelho obtido da raiz da rubia, que cresce silvestre em grande parte do Irã.

As folhas do índigo davam um azul que podia ser muito escuro, quase negro.

As folhas da videira proporcionavam os amarelos, também obtidos a partir do açafrão (cor mais delicada), cultivado em Khorasan.

O verde era obtido misturando o azul e o amarelo com o sulfato de cobre.

As cores naturais da lã proporcionavam os cinzas e o marrom, que podem também serem obtidos da casca da noz.

A lã natural de ovelha ou o pelo de camelo negro é utilizado para a cor preta, para o qual é usado também o óxido de ferro contido nas galhas que atacam os carvalhos.

Hoje em dia, a maioria dos tintureiros usam corantes sintéticos (exceto entre os nômades, que ainda usam as tintas naturais); muitos deles são corantes à base de crômio, que possui mais vantagens que a anilina e tem permitido diminuir os custos.

Em certos tapetes, e em alguns lugares ou no fundo, é possível que a tintura se altere. Esta mudança de cor chama-se abrash, e é a prova de que o tapete foi tingido com tintas vegetais.

A urdidura e a trama

Tapete
Anverso e reverso de um tapete persa. Observa-se os fios brancos da trama entre os nós.

A urdidura é o conjunto de fios verticais tensionados entre os dois extremos do tear. As franjas do tapete são os extremos dos fios da urdidura.

A trama é constituída de um ou mais fios transversais (geralmente dois, um frouxo e outro tenso), dispostos entre duas fileiras de nós. A trama serve para apertar os nós em fileiras paralelas e garantir a solidez do tapete. A trama é apertada com um pente especial (ver imagem mais acima).

Os nós

Há dois tipos de nós: o ghiordes ou turkbâf (também conhecido por "nó turco" ou "simétrico") e o nó senneh, ou farsbâf (também conhecido por "persa" ou "assimétrico"). O turkbâf é usado principalmente na Turquia e no Cáucaso. O farsbâf (fars significa "persa") é utilizado principalmente na Pérsia.

No turkbâf, a fibra de lã se enrola ao redor dos fios da urdidura, de maneira que se forma uma espiral cujas extremidades voltam a aparecer entre os dois fios (ver esquema ao lado).

No farsbâf, a fibra de lã forma uma única espiral ao redor de um dos dois fios da urdidura.

Alguns tecelões, querendo ganhar tempo (ainda que com a perda da qualidade do tapete), juntam as fibras de lã em dois fios da urdidura. Esses nós são chamados então de turkbâf jofti ou farsbâf jofti (também conhecidos por "nó duplo" ou "falso"). Assim, o tecelão dá apenas metade do número de nós, diminuindo a espessura da felpa e enfraquecendo a estrutura e o desenho do tapete.

O artesão começa sempre tecendo uma ourela debaixo do tapete. A ourela é uma borda apertada feita de muitos fios da trama que impede que o tapete se desfie ou que os nós se soltem. Quando se termina a ourela, pode-se começar o trabalho de atar. Cada fibra de lã se une a dois fios contíguos da urdidura. São estas fibras de lã que formarão o "veludo" do tapete. Quando se termina uma fileira, o tecelão passa um fio da trama, uma vez pela frente, outra por trás, de cada fio da urdidura. Depois de cada nó, o tecelão corta a fibra de lã a uns sete centímetros do nó e a vira para baixo; isto determina o "sentido" do tapete. De fato, uma das características dos tapetes persas é que parecem totalmente diferentes segundo o ângulo de visão e a incidência da luz.

A cada quatro ou seis fileiras, o artesão realiza um primeiro corte do veludo. Somente quando se termina de atar o tapete é que se iguala a superfície do veludo. Se o tapete é de boa qualidade, corta-se bem rente. Ao contrário, corta-se mais longo se a qualidade for menor.

É a qualidade da atadura que determina a qualidade e o preço de um tapete persa. Um tapete de qualidade média contém 2.500 nós por decímetro quadrado, um tapete de baixa qualidade somente 500 nós por decímetro quadrado. Um tapete de excelente qualidade pode conter até 10.000 nós por decímetro quadrado.

Os tamanhos

Ghali (literalmente "tapete")

Designa os tapetes de grandes dimensões, de mais de 190x280 centímetros.

Dozar ou Sedjadeh

Empregados indiferentemente. O nome procede de do, "dois" e zar, uma medida persa correspondente a aproximadamente 105 centímetros. Estes tapetes medem uns 130-140 cm de comprimento por 200-210 cm de largura.

Ghalitcheh

Tapete do mesmo tamanho que os precedentes, mas de melhor qualidade.

Kelleghi ou Kelley

Tapete de formato alongado que mede cerca de 150-200x300-600 cm. Este tapete localiza-se tradicionalmente na cabeça (kalleh significa "cabela" em persa) de um tapete (ghali).

Kenareh

Formato também alongado, porém de tamanho menor; 80-120 cm x 250-600 cm. Tradicionalmente é colocado ao lado (kenar significa "lado" em persa) de um tapete maior.

Zaronim

Corresponde a um zar e meio. Ou seja, estes tapetes medem uns 150 cm de largura.

A diferença entre o tapete turco e o persa

A diferença entre o tapete turco (ou da Anatólia) e o persa é apenas uma questão de técnica de tecelagem e da tradição no emprego dos motivos decorativos.

Tipicamente, um tradicional tapete persa é amarrado com um único nó assimétrico (nó persa ou senneh), enquanto que o tradicional tapete turco é amarrado com um nó duplo simétrico (nó turco ou ghiordes). Isto significa que para cada 'carreira vertical' de fio em um tapete, o turco tem duas voltas em oposição a uma volta dos vários tapetes persas que utilizam o nó 'único' persa. Finalmente, o processo de 'nó simétrico' usado no tapete tradicional turco dá a impressão de que a imagem é construída por módulos em comparação com o tapete persa tradicional de nó simples cujo desenho é muito mais delicado. O estilo tradicional turco reduz também o número de nós por metro quadrado. Estes fatores contribuem para criar a antiga e internacional reputação da qualidade dos tapetes persas.

Hoje, é comum ver tecelagens de tapetes, tanto na Turquia quanto no Irã, usarem qualquer um dos dois estilos de nó. Quando se comparam os tapetes, a única maneira de definitivamente identificar o tipo de nó usado é dobrar o tapete horizontalmente e olhar a base do nó.

Referências

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Fonte: pt.wikipedia.org

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