Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Tarsila do Amaral - Página 5  Voltar

Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral nasceu rica. O seu avô era chamado de "o milionário", por conta da imensa fortuna que fez abrindo fazendas de café pelo interior de São Paulo. Estudou nos melhores colégios, foi educar-se na Europa e freqüentou, com toda elegância, a sociedade abonada de sua época, tanto no Brasil como na Europa. Poderia ser mais uma mulher da alta sociedade e viver a vida sossegadamente, usufruindo as vantagens de ser rica, mas, não foi só isso que aconteceu. Tarsila nasceu rica e revolucionária. E assim permaneceu até a sua morte: rica e revolucionária.

Aos 16 anos, já estudando em Barcelona, pintou o seu primeiro quadro, "Sagrado Coração de Jesus". Ninguém imaginava ainda, mas, nascia aí, uma das mais importantes figuras das artes plásticas no Brasil, para muitos, a primeiríssima, sem contestação. Muito jovem, Tarsila casa, tem sua única filha e depois se separa do marido. Volta a Europa para continuar estudando e retorna ao Brasil para conhecer os modernistas, na época da semana de 22, da qual não fez parte, mas ligou-se ao grupo imediatamente, formando com Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti del Picchia, o "grupo dos cinco", dentro do movimento dos modernistas. Nesse mesmo ano teve um quadro admitido no Salão Oficial de Artistas Franceses, uma conquista raríssima para estrangeiros. Mas parece que nada disso fazia tranqüilizar o espírito irrequieto de Tarsila.

Nessa época começou a namorar Oswald de Andrade, escritor também importante no mundo artístico brasileiro, com o qual casou e viveu alguns anos. De um quadro, pintado para dar de presente a Oswaldo, nasceu uma das obras mais marcantes já produzidas no Brasil em todos os tempos, "Abaporu". Ao concluir o trabalho, Tarsila ficou olhando aquela imagem e foi buscar no seu dicionário de Tupi-Guarani, o título para o quadro. Abaporu significa "o homem que come".

Oswald ficou tão impressionado quanto Tarsila e escreveu o Manifesto Antropófago que seria o início do movimento antropofágico brasileiro, com a intenção de deglutir e abrasileirar toda a cultura européia. O movimento foi importante na época, como síntese do movimento modernista brasileiro e ficou na história. O quadro Abaporu também. É hoje um símbolo da arte moderna no Brasil e foi vendido por um dos mais altos preços já atingidos por obras brasileiras, cerca de US$ 1.300.000,00.

Não devemos esquecer a importância intelectual de Oswald de Andrade nesse processo. Ele foi um impulsionador do talento de Tarsila, escrevendo e interpretando, multiplicando a força das pinturas da artista com as suas palavras. O manifesto de Oswald foi o agente impulsionador do movimento antropofágico. Eu imagino que sem ele, o movimento não teria existido. Com Oswald, Tarsila viveu anos revolucionários, participou de exposições no Brasil e na Europa e criou fases importantes em sua pintura, como os quadros pintados com o tema "pau Brasil". Para sua filha Dulce, escreveu que estava pintando quadros bem brasileiros, com um tatu, um sapo e um bicho inventado, a Cuca.

Tarsila separou-se de Oswald e passou 20 anos com um outro escritor, Luiz Martins, de quem acabou se separando também. Casou ainda mais duas vezes. Tantos casamentos e separações demonstram um espírito irrequieto e uma mente distante do conformismo e estagnação. Tarsila manteve-se em atividade enquanto pode. Participou da Primeira Bienal de São Paulo, em 1951 e na sétima Bienal já tinha sala especial para as suas telas. Morreria 10 anos depois, no início de 1973.

Casada com Luiz Martins, ele a influenciou para entrar no movimento comunista e conhecer a Rússia. Seus quadros passaram a ter uma conotação social e de protesto e embora, artisticamente falando, essa tenha sido uma fase de menor importância em relação a outras, mudou a sua vida também. Tarsila chegou a ser presa durante um mês, na sua volta da Rússia. Para a filha e neta de um barão do café, era uma coisa surpreendente. Mas ser surpreendente, em Tarsila, não surpreendia.

Os trabalhos de Tarsila nos mostram uma grande preocupação com temas brasileiros. Influenciada pelo cubismo na Europa, traz essa corrente para paisagens brasileiras. Inovou ao tratar de temas sociais retratando figuras de operários. Isso aconteceu depois da viagem à Rússia, mas as imagens são sempre abrasileiradas. Na série pau-brasil, essa brasilidade fica evidenciada até nas cores. Tarsila inovou, mesmo dentro do grupo de inovadores e revolucionou, mesmo freqüentando a estabelecida sociedade. Em Paris, Tarsila participou de um jantar oferecido em homenagem a Santos Dumont. Vestiu um elegante casaco vermelho. Tarsila era uma mulher muito bonita e vestia-se elegantemente e com certo exotismo. Chamava a atenção de todos quando chegava nos cantos. Na saída desse jantar, ao voltar para casa, pintou um auto-retrato que intitulou de Manteau Rouge, que pode ser traduzido por manto ou casaco vermelho.

Em "O Pescador", Tarsila mostra um colorido cheio de vida para mostrar um pescador no meio de um lago com vegetação e casinhas típicas. Em 1932, quando esse quadro foi a uma exposição em Moscou, acabou comprado pelo próprio governo da Rússia. Em 1924, quando veio de Paris para passar o carnaval no Brasil, Tarsila pintou um quadro onde coloca a torre Eifel em pleno carnaval brasileiro. Curioso? Eu também acho.

A artista encantava-se com as coisas simples. Chegando de Paris para mais uma viagem pelo Brasil, entrou em um barracão para comprar algo. Viu um altar com santinhos arrumados. Eternizou a sua impressão e sentimento em um quadro de cores e formas simples, retratando a religiosidade brasileira.

Fonte: www.cyberartes.com.br

Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral(Capivari SP 1886 - São Paulo SP 1973). Pintora e desenhista. Faz escultura com William Zadig (1884-1952) e Mantovani em 1916 na capital paulista. No ano seguinte estuda pintura e desenho com Pedro Alexandrino (1856-1942). Tem aulas com o pintor Georg Elpons (1865-1939). Viaja em 1920 para Paris, estuda na Académie Julien e com Emile Renard (1850-1930). Em 1922, em São Paulo, forma o Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti (1889-1964), Mário de Andrade (1893-1945), Menotti del Picchia (1892-1988) e Oswald de Andrade (1890-1954). Em 1923, em Paris, estuda com André Lhote (1885-1962), Fernand Léger (1881-1955) e Albert Gleizes (1881-1953).

No ano seguinte acompanha o poeta Blaise Cendrars (1887-1961), com Oswald de Andrade, Olívia Penteado, Mário de Andrade e outros, em viagem às cidades históricas de Minas Gerais. Realiza uma série de trabalhos baseados em esboços feitos durante a viagem. Nesse período, inicia a chamada fase pau-brasil. Em 1925 ilustra o livro de poemas Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, publicado em Paris. Em 1928, pinta Abaporu, tela que inspira o movimento antropofágico, desencadeado por Oswald de Andrade e Raul Bopp (1898-1984). Em 1933, após viagem à União Soviética, inicia uma fase voltada para temas sociais com as obras Operários e 2ª Classe. Em 1936 colabora no Diário de S. Paulo. Entre 1940 e 1944 cria ilustrações para a série Os Mestres do Pensamento, dirigida por José Perez. Realiza, em 1945, uma série de gravuras para o livro Poesias Reunidas de O. Andrade, a pedido do autor. A convite da Comissão do 4º Centenário de São Paulo, faz em 1954 o painel Procissão do Santíssimo.

Fonte: www.escritoriodearte.com

 

1234567
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal