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CLASSIFICAÇÃO ANIMAL

Definindo Critérios de Classificação

A nossa vida se torna muito mais fácil se for organizada. Imagine-se entrando em uma livraria, em busca de um dicionário francês-português. A procura será muito rápida se os livros à venda estiverem classificados de alguma forma. Uma possibilidade seria existir, nessa livraria, uma estante dedicada apenas aos dicionários. Nessa estante, uma das prateleiras poderia ser ocupada apenas pelos dicionários de língua portuguesa, outra prateleira, com dicionários inglês-português, e assim por diante. Com agilidade, você encontraria o grupo de dicionários desejados e, dentre eles, poderia escolher o seu autor e a edição mais adequados.

Os proprietários da livraria tiveram o cuidado prévio de organizar todos os livros disponíveis de acordo com algumas semelhanças entre eles. Eles empregaram critérios de classificação.

Diante de diversos cães de uma exposição, você poderia se perguntar: quais são as semelhanças que existem entre eles, para que todos pertençam a uma mesma espécie? Há várias respostas para essa pergunta: todos têm quatro patas; todos são capazes de manter constante a temperatura corporal; todos possuem pêlos, etc.

Entretanto, muitos outros animais possuem essas mesmas características, e não estariam bem nessa exposição! Ursos, porcos, macacos e muitos outros animais guardam algumas semelhanças entre si e com os cães.

Podemos perceber que, ao compararmos dois ou mais animais, eles podem ser muito semelhantes ou nada semelhantes. De acordo com essas semelhanças, e de acordo com a sua história ao longo da evolução da vida na Terra, podemos agrupar os seres vivos em conjuntos mais ou menos homogêneos. A dificuldade inicial de qualquer classificação é qual critério adotar! Se o critério adotado for animais que voam e animais que não voam, poderíamos reunir em um mesmo conjunto exemplares tão distintos como uma mosca, um morcego e um urubu. Os biólogos normalmente optam por critérios anatômicos, fisiológicos, ecológicos ou evolutivos para classificarem qualquer animal.

Há mais de 10 milhões de espécies de seres vivos na Terra, e dessas, mais de 2 milhões são de animais. Desde muito tempo, os cientistas vêm tentando uma forma de classificação que seja universal, ou seja, que possa ser usada para qualquer animal, por pesquisadores do mundo todo. As primeiras tentativas de classificação datam de Aristóteles, e remontam a 3 séculos antes de Cristo. Ele dividia os animais em animais de sangue vermelho e animais sem sangue vermelho. Sem dúvida, é uma classificação muito simples e imperfeita.

No século XVII, o cientista britânico John Ray empregou pela primeira vez o conceito de espécie, que será discutido a seguir. A partir do século XVIII, passaram-se a empregar critérios associados ao desenvolvimento embriológico e à história evolutiva dos animais. Esses critérios permitiram estabelecer um "parentesco" entre as várias espécies. Essa visão evolutiva e embriológica dos animais é conhecida como filogenia.

Lineu (1707 - 1778) foi o primeiro cientista a propor um sistema único de classificação. Em sua primeira classificação, ele agrupou todos os animais da seguinte maneira: mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, insetos e vermes (todos os demais invertebrados). Lineu dividiu cada um desses grupos em espécies, e estabeleceu algumas regras de nomenclatura que até hoje são empregadas.

A Classificação Atual

O ramo da Biologia que estuda a classificação animal é a Taxonomia. Essa área do conhecimento biológico tem duas divisões: a sistemática, que lida com a divisão dos animais em grupos assemelhados; e a nomenclatura, que define normas universais de se nomear todas as espécies conhecidas.

A grande vantagem de um bom sistema de classificação e de nomenclatura é a sua universalidade. Ao se falar Homo sapiens, estamos nos referindo a uma mesma espécie ( a espécie humana) em qualquer local do mundo.

Nem sempre há concordância entre os taxonomistas quanto à classificação e à nomenclatura. Não raramente vemos espécies animais classificadas em grupos diferentes por diferentes autores, como também uma mesma espécie com dois nomes científicos distintos.

A unidade taxonômica fundamental é a espécie. Entende-se por espécie um conjunto de organismos semelhantes que se cruzam habitualmente na natureza, originando descendentes férteis.

Um jumento e uma égua são animais bastante semelhantes. Podem se cruzar e habitualmente esses cruzamentos originam descendentes, os burros. Todavia, os burros são animais estéreis (inférteis). Portanto, a égua e o jumento não podem ser considerados animais da mesma espécie. Da mesma forma o cão e o lobo, o tigre e a onça e o cavalo e a zebra não são da mesma espécie.

Indivíduos de uma mesma espécie apresentam um número elevado de semelhanças. Suas células possuem as mesmas quantidades de cromossomos, e eles são iguais quanto à forma; há semelhanças bioquímicas entre eles; a fisiologia dos seus órgãos internos e o seu desenvolvimento embriológico são idênticos. Entre os vegetais, há casos de plantas de espécies diferentes que podem se cruzar, originando descendentes férteis. Ainda assim, não podemos dizer que pertencem a uma mesma espécie devido às diferenças morfológicas e fisiológicas existentes entre elas.

Eventualmente, uma espécie pode abrigar uma tal diversidade de organismos, que podemos dividi-la em subespécies. Se os componentes de duas subespécies permanecerem afastados e impedidos de se cruzar, é possível que venham a acumular, ao longo do tempo, tal quantidade de divergências que passem a formar duas espécies distintas. Podemos imaginar, por exemplo, populações de uma certa espécie de ave que habitam ilhas afastadas, separadas por grandes extensões de oceano. Com o passar do tempo, não havendo encontro dos membros das várias populações, a partir de um certo momento o cruzamento entre os seus membros se torna inviável. Passaram, então, a constituir espécies diferentes.

Duas ou mais espécies que apresentam características comuns são agrupadas em gêneros. A quantidade de semelhanças entre dois componentes de uma mesma espécie é, logicamente, maior que as semelhanças entre dois membros de um mesmo gênero.

Gêneros correlacionados são colocados em uma mesma família. Uma família é um grupamento no qual podemos notar uma maior diversidade do que dentro de um gênero.

Diversas famílias constituem uma ordem. Comparando os membros de diversas ordens, podemos encontrar semelhanças que permitam reuni-las em uma classe. Citando um exemplo conhecido, vejamos esses animais:

A mosca, a barata e a abelha possuem 3 pares de patas, um par de antenas, respiram através de tubos muito finos chamados traquéias e excretam por intermédio de tubos de Malpighi. Em função dessas e de outras semelhanças, todas pertencem a uma mesma classe, a dos insetos.

Insetos (como as baratas), crustáceos (lagosta, por exemplo) e aracnídeos (escorpiões e aranhas) têm uma carapaça externa formada por quitina, um polissacarídeo. Pertencem a classes diferentes, que se unem em um mesmo filo. No caso citado, pertencem ao filo dos artrópodos.

Filos semelhantes constituem os reinos. São os mais genéricos e abrangentes de todos os agrupamentos de seres vivos.

Vejamos a tabela abaixo:

O homem a barata têm algo em comum? Pertencem a filos diferentes (Chordata e Arthropoda, respectivamente). O milho pertence a um outro reino. Com base nessa classificação, poderemos encontrar maior quantidade de semelhanças entre quais desses seres vivos? Obviamente, entre o homem e a barata, pois pertencem ao mesmo reino!

Veja, agora, esse outro diagrama, que mostra a classificação do cão doméstico.

Dentro da espécie Canis familiaris, podemos encontrar animais tão diferentes quanto o cão São Bernardo, o chiuaua e o doberman. Entretanto, todos são da mesma espécie. Cães, lobos e coiotes pertencem ao gênero Canis, mas são de espécies distintas.

Todos guardam algumas semelhanças com as raposas, que são incluídas na mesma família (Canidae). Hábitos alimentares, semelhanças fisiológicas e embriológicas permitem reunir esses animais anteriormente citados com os ursos, os leões e os leopardos, na ordem Carnivora. Assim como esses animais, os cavalos, os cangurus, as baleias e o homem possuem coração com 4 cavidades, temperatura corporal constante, glândulas mamárias e outras características em comum. Pertencem à classe Mammalia.

Mesmo comparando-se esses animais com peixes, sapos, jacarés e galinhas, poderemos encontrar algumas coisas em comum. Todos possuem o sistema nervoso central na região dorsal do corpo, e todos desenvolvem, durante o período embrionário, um eixo de sustentação chamado notocorda. Por isso, são do filo Chordata. Juntem-se, agora, minhocas, estrelas-do-mar, baratas e todos os outros animais, que teremos o reino Metazoa.

A Nomenclatura Binomial

No período inicial da Taxonomia, cada cientista ou grupo de cientistas empregava regras peculiares de nomenclatura. Sem dúvida, isso deve ter trazido uma grande polêmica, inviabilizando a troca de informações e de conhecimentos entre os cientistas de vários países, quando não, dentro de um mesmo país. Em cada idioma e em cada dialeto, um mesmo animal pode receber vários nomes distintos.

Os trabalhos de Lineu, que datam do século XVIII, foram a base escolhida para a moderna nomenclatura científica, adotada universalmente em 1901. Suas principais regras são as seguintes:

a) Todos os nomes científicos devem ser escritos em latim ou serem "latinizados". O latim é uma língua morta, ou seja, não é falada em nenhum país. Por isso, não é sujeita a mudanças que freqüentemente acontecem nas línguas "vivas". Um nome estabelecido em 1910 deverá permanecer imutável por todo o tempo. Exemplo: Canis familiaris (cão doméstico).

b) A nomenclatura é binomial, isto é, cada espécie deve ser conhecida por um nome formado por pelo menos duas palavras. A primeira palavra indica o gênero, e a segunda designa a espécie. A cascavel é conhecida cientificamente por Crotalus terrificus. Seu gênero é Crotalus e a espécie é Crotalus terrificus. Observe que a espécie não é terrificus. Nunca se usa a última palavra isoladamente.

c) Etmologicamente, o nome do gênero é um substantivo, e é sempre escrito com a inicial maiúscula. A designação da espécie é um adjetivo, e é iniciada por minúscula. Por exemplo, a lombriga do homem, cujo nome científico é Ascaris lumbricoides.

d) Quando, em uma espécie, houver subespécies, essas são indicadas por um terceiro nome que se segue à designação da espécie, e é escrito com inicial em letra minúscula. Por exemplo: Rhea americana alba (o nome da ema branca sul-americana).

e) Se houver subgênero, esse será indicado com a inicial em maiúscula, entre parênteses, depois do nome do gênero. O mosquito transmissor da malária, por exemplo, é mosquito-prego, cuja notação científica é Anopheles (Nyssorhincus) darlingii.

f) Todo nome científico é escrito de forma a ter destaque em relação ao restante do texto. Para isso, se usa letra em itálico, em negrito ou grifado. Exemplos: Mus musculus, Macaca mulata e Homo sapiens.

Fonte: www.biomania.com.br

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