5- "Fine Guidance Sensors" (FGS), Sensores de Guiagem Fina. São
dispositivos que utilizam estrelas guias para manter o telescópio apontado
na direção correta. Eles podem ser usados também para medir a distância entre
as estrelas e o seu movimento relativo.
Os astrônomos de todo o mundo precisam apresentar propostas de projetos observacionais
para o HST, os quais são analisados por um comitê científico. Os projetos
aprovados, segundo critérios de relevância científica e uso apropriado do
telescópio, recebem o tempo de observação solicitado. A competição por tempo
no HST é bastante grande. A cada ano, cerca de 1.000 propostas são recebidas,
das quais cerca de 200 são selecionadas.

Telescópio Espacial Hubble tendo ao fundo a Terra. Cada painél solar mede 2,4 por 12,1 metros e o HST possui 15,9 metros de comprimento. O conjunto tem aproximadamente 11 toneladas
O HST está em operação e deve continuar assim até 2013 ou pouco
antes. A espaçonave recebeu várias visitas de manutenção -- troca de baterias,
consertos e substituições de instrumentos, manutenção dos sistemas de isolamento
térmico, etc. A última missão de reparos -- a quarta -- está programada para
2008, e deverá estender a vida útil do telescópio por mais ou menos 5 anos.
Estas missões são todas realizadas por astronautas que abordam a espaçonave
a partir de um dos ônibus espaciais da NASA.
Provavelmente, a mais importante missão de reparos e manutenção foi a primeira,
realizada em dezembro de 1993. Logo após o lançamento, as primeiras imagens
astronômicas obtidas, apesar de muito boas quando comparadas com imagens semelhantes
tomadas da superfície, apresentavam-se ligeiramente "borradas"!
O espelho primário do telescópio, a despeito de todos os cuidados, apresentava um defeito óptico bastante conhecido: aberração esférica.
A superfície do espelho não possuia a forma adequada fazendo
com que a luz refletida da região central do espelho focalizasse num lugar
diferente da luz refletida da região periférica. Isto causava uma imagem fora
do foco perfeito, isto é, borrada. A solução do problema seria a colocação
de "óculos" corretivos no telescópio. Os óculos desenvolvidos pela
equipe técnica do HST, denominado COSTAR, sigla para "Corrective Optics
Space Telescope Axial Replacement", é, portanto, um sistema óptico de
correção para a focalização do telescópio. Este sistema foi instalado na primeira
missão de reparos, que partiu num ônibus espacial lançado no dia 2 de dezembro
de 1993. Os astronautas, durante os cinco dias da missão, removeram o "High
Speed Photometer" e substituram-no pelo COSTAR. Além disso, trocaram
a câmera de campo amplo, WFPC, por uma outra, a WFPC2. Estas medidas corrigiram
com enorme sucesso os defeitos de focalização do espelho primário e as imagens
tornaram-se perfeitas!
As realizaçoes científicas do HST são inúmeras e continuam a aparecer, à medida
que novas observações são realizadas.
Podem ser destacadas, de maneira geral, as seguintes: determinação precisa das distâncias até as galáxias, demonstração de que os quasares, na sua maioria, residem em galáxias, a prova de que as energéticas explosões de raios gama estão localizadas em galáxias e as observações de longa duração denominadas "Campos Profundos Hubble", que mostraram que o universo contém, pelo menos, 125 bilhões de galáxias. Vários outros estudos relacionados à astrofísica estelar, planetária e do sistema solar foram também realizados.

Par de galáxias interagentes, NGC 3808, à direita, e NGC 3808A.
Este par é chamado de Arp 87, e foi catalogado pelo astrônomo norte-americano
Halton Arp em meados dos anos 1960.
NGC 3808 é uma galáxia espiral vista quase de topo, e NGC 3808A é também uma espiral, mas vista de perfil. As observações foram realizadas em fevereiro de 2007, com o instrumento "Wide Field Planetary Camera 2". Foram feitas imagens separadas nas cores azul, verde, vermelho e infravermelho, as quais foram compostas para a formação desta imagem colorida.
Domingos Sávio de Lima Soares
Fonte: www.fisica.ufmg.br