Tricampeão de Roland Garros, campeão da Masters Cup e cinco vezes campeão de torneios Masters Series. Isso tudo bastaria (e como!) para qualquer um - mas os troféus e vitórias de Guga extrapolam as linhas das quadras de tênis. O “manezinho da Ilha”, como é carinhosamente conhecido pelo Brasil inteiro, foi além. Guga preside atualmente o IGK – Instituto Guga Kuerten – que já atendeu mais de 10 mil pessoas em Santa Catarina.
Além dos resultados, o carisma de Guga e a sua integridade fizeram dele um dos atletas mais queridos do Brasil em todos os tempos. Com muito cabelo ou quase careca, ganhando ou perdendo, nas quadras de Roland Garros ou nas ondas da Joaquina, Guga atrai uma legião de fãs.

Crédito: João Pires/FOTOJUMP
Dentro do circuito mundial, é considerado um gênio. O russo Yevgeny Kafelnikov, ex-número 1 do ranking mundial, o definiu como o “Picasso do tênis”, tamanha a sua genialidade dentro das quadras. E, vamos e venhamos, quem diria que o Brasil, um país sem muita tradição no tênis, com exceção de Maria Esther Bueno que destacou-se anos atrás, iria ocupar o mais alto lugar no mundo do tênis. Só mesmo um gênio – o gênio das quadras – Gustavo Kuerten.
No início do ano Guga anunciou que, ainda em 2008, estaria se aposentando. Roland Garros, palco de vários momentos marcantes em sua carreira foi também o palco da despedida. Uma lesão no quadril, que o levou a fazer duas cirurgias, tirou das quadras um dos maiores nomes do tênis mundial. Mas não tirou do coração dos brasileiros. Guga chegou ao seu limite físico. Mas o seu carisma e suas ações sociais não têm limite.
Nesse artigo, conheça a trajetória do campeão, principais títulos, projetos sociais e muito mais.
Gustavo Kuerten nasceu no dia 10 de setembro de 1976, em Florianópolis, Santa Catarina. Filho de Alice e Aldo Kuerten, Guga sempre foi muito motivado por seus familiares para praticar esportes. Seu pai, Aldo, foi um dos maiores jogadores de basquete de Santa Catarina.
Polivalente, Aldo incentivou a criação de escolinhas esportivas em vários clubes de Florianópolis. Nos finais de semana, ele e os filhos, Guga e Rafael, costumavam passar o dia no clube, onde começaram a bater uma bolinha.
Com seis anos de idade Guga já dava as suas primeiras raquetadas e com 10, já era campeão catarinense da categoria. Mas, a vida nunca foi fácil para ele e seus familiares. Guga tem dois irmãos – Rafael, irmão mais velho, e Guilherme, mais novo. Gui sofreu alguns problemas durante o seu nascimento o que lhe causou paralisia cerebral e microcefalia, vindo a falecer no final de 2007. A convivência com Guilherme foi um dos maiores ensinamentos de força e superação que ele teve. A ligação deles era tão forte que Guilherme sempre foi presença constante nas arquibancadas, torcendo pelo irmão.
Aos oito anos de idade seu pai, Aldo, faleceu abruptamente de infarto enquanto arbitrava uma partida de um torneio de tênis em Curitiba, em que acompanhava (como fazia sempre) seus filhos, Rafael e Guga. O choque foi grande, mas a dor reverteu-se em força e tanto Rafael quanto Guga continuaram a jogar, segundo eles, “incentivados pela força extra do pai”.
Com 14 anos Guga iniciou a sua parceria com aquele que viria a ser o seu grande mestre e parceiro – Larri Passos. Na época, uma empresa privada de Santa Catarina patrocinou uma equipe com os melhores jogadores do Estado, porém, os jogadores deveriam todos morar e treinar na cidade de Blumenau. Guga foi um dos convidados e não teve dúvidas - mudou-se sozinho para lá e passou a treinar forte, sem nunca abandonar os estudos. Larri, além de treinador, foi também amigo e um pouco “pai”, auxiliando-o em toda a sua trajetória.

Arquivo pessoal de Guga
Guga em 1992
Guga foi um excelente tenista juvenil. Em 1994, chegou a ser o terceiro melhor jogador do mundo em simples e o segundo em duplas. Venceu o Sunshine Cup (Copa Davis Júnior) e o torneio de duplas juvenil de Roland Garros, ao lado de seu grande amigo, o equatoriano Nicolás Lapentti. Guga foi ainda finalista do Orange Bowl, um dos maiores torneios juvenis do mundo.

Arquivo pessoal de Guga
Guga é finalista do Orange Bowl em 94
Sua carreira profissional teve início em 1995 com a disputa de alguns torneios da série “future”. Em 96 veio a conquista do primeiro grande título profissional – o challenger de Campinas. Neste mesmo ano ele conquistou o seu primeiro troféu em um ATP Tour, vencendo a chave de duplas da etapa de Santiago, no Chile, jogando ao lado de Fernando Meligeni.
Em 1997, mais um título – Guga ganhou o challenger de Curitiba. Isso aconteceu poucas semanas antes dele surpreender o mundo ao levantar o primeiro troféu de Roland Garros.
Leia mais sobre a trajetória de sucesso de Guga na próxima página.
Muita coisa mudou na vida de Guga após a conquista de seu primeiro Roland Garros. Mas muitas, muitas coisas – talvez as mais importantes – permaneceram iguais. Entre elas destacamos a equipe. Como dito anteriormente, Larri Passos sempre foi o treinador de Guga e acompanhou-o em hotéis de baixo escalão no início da carreira, até o Ritz, em Paris. Rafael, seu irmão, sempre foi quem cuidou de seu dinheiro (alguns punhados de dólares no início da carreira e muitos milhões atualmente) e negócios. Sua assessora de imprensa, Diana Gabanyi, que no início da carreira chegou até mesmo a hospedar Guga em sua casa em São Paulo durante alguns torneios, ainda é a mesma. Sua maior fã também ainda é a mesma – sua mãe. Em casa, também nada mudou. Guga ainda mora com a mãe e o irmão e a única exigência do ex-número um do mundo é que a geladeira de casa esteja sempre abastecida com sorvete! |