Um grupo internacional de geólogos afirma ter encontrado evidências de que os oceanos congelaram-se totalmente até o Equador há 716,5 milhões de anos, dando nova precisão a uma hipótese longamente discutida de que a Terra, nessa época, pode ter-se transformado em uma enorme bola de gelo.
As novas descobertas, baseadas em uma análise de antigas rochas tropicais que são encontradas no noroeste do Canadá, reforçam a teoria de que nosso planeta já foi inteiramente coberto de gelo em todas as latitudes, durante alguns períodos de forte resfriamento no passado.


Há duas hipóteses para as glaciações terrestres entre 716 e 630 milhões
de anos atrás. Novos
dados reforçam a hipótese de uma Terra totalmente congelada.
"Esta é a primeira vez que se demonstrou que a glaciação Sturtiana ocorreu em latitudes tropicais, fornecendo evidências diretas de que essa glaciação particular foi um evento no qual a Terra era uma bola de neve," afirma Francis Macdonald, da Universidade de Harvard.
Os novos dados sugerem ainda que a glaciação Sturtiana durou pelo menos cinco milhões de anos. Juntamente com a glaciação Marinoana, estas foram as maiores eras do gelo que se sabe terem ocorrido sobre a Terra.
Agora os cientistas argumentam que elas foram tão intensas quanto se suspeitava, transformando a Terra em um planeta de gelo.
Mesmo em uma Terra que mais se parecia com uma bola de neve, contudo, haveria gradientes de temperatura, e é provável que o gelo do mar fosse dinâmico, fluindo, desbastando-se e formando manchas locais de mar aberto, proporcionando refúgio para a vida.
"O registro fóssil sugere que todos os grandes grupos eucarióticos, com a possível exceção de animais, existia antes da glaciação Sturtiana", afirma Macdonald.
"As perguntas que surgem são: Se existiu mesmo uma Terra congelada, como é que estes eucariontes sobreviveram? Será que a 'Terra bola de neve' Sturtiana estimulou a evolução e a origem dos animais?"
"De uma perspectiva evolucionária", acrescenta ele, "nem sempre é uma coisa ruim para a vida na Terra enfrentar um forte estresse," acrescenta ele.
As rochas que Macdonald e seus colegas analisaram no território canadense do Yukon mostram depósitos glaciais e outros sinais de glaciação, como clastos estriados, detritos gerados pelo atrito do gelo e deformação de sedimentos moles.
Os cientistas foram capazes de determinar, com base no magnetismo e na composição dessas rochas, que 716,5 milhões de anos atrás as pedras estavam localizadas ao nível do mar nos trópicos, numa latitude de cerca de 10 graus.
Os cientistas não sabem exatamente o que causou essa glaciação e nem o que acabou com ela, mas Macdonald afirma que sua idade de 716,5 milhões de anos se aproxima da idade de uma grande província ígnea - composta por rochas formadas pelo magma que esfriou - que estende por mais de 1.500 km do Alasca até a Ilha Ellesmere, no extremo nordeste do Canadá.
Esta coincidência pode significar também que a glaciação foi iniciada ou seja encerrada por atividade vulcânica.
Bibliografia
Calibrating the Cryogenian - Francis A. Macdonald, Mark D. Schmitz, James L. Crowley, Charles F. Roots, David S. Jones, Adam C. Maloof, Justin V. Strauss, Phoebe A. Cohen, David T. Johnston, Daniel P. Schrag - Science - 5 March 2010 - Vol.: 327. no. 5970, pp. 1241 - 1243 - DOI: 10.1126/science.1183325
Fonte: www.geofisicabrasil.com
Há 600 milhões de anos a Terra passou por um período glacial tão forte que ficou completamente coberta por glaciares. Este período glacial durou cerca de 10 milhões de anos. Muitos pesquisadores pensam que ocorreram não apenas uma, mas quatro glaciações.A vida na Terra sofreu uma extinção maciça e ficou confinada às zonas de águas termais.
Ninguém sabe ao certo como é que se formou a Terra Bola de Neve, nem ninguém percebe por que é que o fenômeno não ocorreu mais vezes ao longo da história da Terra. Mas existe uma boa teoria de como tudo se terá passado.

O CO2 (dióxido de carbono) é eliminado da atmosfera porque se dissolve na água das chuvas e reage com rochas de silicatos formando rochas de carbonatos. Há 600 milhões de anos, o grande continente equatorial, onde se concentrava toda a terra emersa, dividiu-se em vários fragmentos. A fragmentação aumentou a linha da costa e, conseqüentemente, a circulação de água, formando-se inúmeros rios que antes não existiam.
Esta situação causou um abaixamento do CO2 na atmosfera, diminuiu o efeito de estufa e causou um arrefecimento global. Numa época em que o Sol irradiava 6% menos energia do que agora, isso foi o suficiente para transformar uma idade do gelo numa super-idade do gelo.
A partir do momento em que o gelo atingiu os 30 graus de latitude, o processo entrou em realimentação positiva, porque o impacto do gelo no albebo terrestre é maior para latitudes menores.
Como os continentes não estavam localizados próximos dos pólos, eles não foram cobertos de gelo na fase inicial do processo e continuaram a retirar o CO2 da atmosfera. Normalmente, a glaciação dos continentes inibe o processo de formação de carbonatos e a concentração de CO2 mantém-se elevada.
Uma Terra Bola de Neve é, à primeira vista, um sistema estável, porque reflete os raios solares e nunca se aquece, mesmo que, por exemplo, a órbita da Terra se torne mais favorável. Por isso, se a Terra Bola de Neve existiu mesmo, como é que nós estamos aqui no quentinho?
Enquanto a Terra passou por esta fase, os vulcões continuaram ativos e continuaram a libertar grandes quantidades de CO2. No entanto, o CO2 não estava a ser absorvido porque as maior parte das algas fotossintéticas tinha desaparecido e porque os continentes estavam cobertos de gelo e não existiam rios.

À medida que o CO2 aumentava, também aumentou o efeito de estufa e a Terra começou a aquecer. Calcula-se que ao fim de 10 milhões de anos o CO2 passou a ser 10% da atmosfera terrestre. Neste ponto, o efeito estufa atingiu uma intensidade tal que o gelo no equador começou a derreter. Este fenômeno gerou um processo de realimentação positiva. Como a água do mar é mais escura que o gelo, a Terra passou a absorve mais calor na região dos pólos.
Para além disso, quando o oceano descongelou libertaram-se todas as forças meteorológicas, o que terá contribuído para a circulação atmosférica e para a transferência de calor do equador para as zonas frias. Quando grande parte dos continentes ficou livre do gelo, o ciclo do carbono reiniciou-se e grande parte do CO2 foi transformado em carbonatos. Neste período, formaram-se grandes depósitos de carbonato.
Não é claro como a vida pode ter sobrevivido a um ambiente tão extremo. Sabe-se hoje que existem organismos que vivem nas fontes termais no fundo dos oceanos, e esses ecossistemas não dependem da luz do Sol para sobreviver. No entanto, de entre os organismos que sobreviveram à catástrofe encontram-se as algas e as cianobactérias. Estes organismos só sobrevivem na presença da luz solar. Assim, devem ter existido durante o período da Terra Bola de Neve ecossistemas em contato com a luz solar. Isto pode ter ocorrido na vizinhança de fontes termais ou por debaixo de camadas de gelo relativamente finas e transparentes.
Depois do período Terra Bola de Neve deu-se a maior explosão de vida no planeta Terra, conhecida como Explosão Cambriana. Este período caracterizou-se pelo aparecimento em curto espaço de tempo de um número muito grande de novas espécies.
A teoria da Bola de Neve explica esta explosão de vida. O período Bola de Neve selecionou os seres vivos que sobrevivem às condições mais extremas e que têm grande capacidade de adaptação e tendência para evoluir.
Durante 10 milhões de anos, os seres vivos estiveram isolados uns dos outros em ilhas de vida. Se estes seres vivos foram submetidos a 4 períodos de arrefecimento e aquecimento súbitos, eles adquiriram características extremamente inovadoras. Quando finalmente as condições se estabilizaram, a maior parte dos nichos ecológicos estava livre e foi ocupada pelos sobreviventes com grande capacidade de evolução e adaptação.
Fonte: pt.wikipedia.org