De tempos em tempos a humanidade passa por determinadas ocorrências e provações que trazem de roldão mudanças tais que subvertem a ordem vigente nos seus aspectos políticos, econômicos, sociais. Foi o que ocorreu com a expansão marítima do século XVI, a revolução francesa e Industrial e a I e II guerras mundiais. Esses acontecimentos foram capazes de determinar uma transformação profunda na conjuntura mundial, estabelecendo uma nova ordem global.
O ataque terrorista em Nova Iorque está parecendo um desses momentos, prestes a acarretar um turbilhão de mudanças destrambelhadas que produzindo o caos, cria a necessidade de um nova estruturação nas relações da humanidade.
A cultura ocidental cultivou, desde o séc XIX, com os movimentos de
expansão colonialista, uma certa presunção de superioridade
em relação ao oriente.
Para nos ocidentais, em particular o europeu, e mais em particular ainda,
o cristão anglo-saxão, a nossa civilização é
racional, desenvolvida, equilibrada e não dada a arroubos sentimentais.
Uma civilização onde impera o dinamismo, o otimismo, a diversidade,
a capacidade criativa de progredir e transformar. O ocidente além dessas
nobres virtudes, teria a bondade e o altruísmo cristão de, não
competir, mas partilhar as "dádivas divinas da riqueza" com
os povos orientais subdesenvolvidos, inferiores, estáticos no tempo.
O oriente seria bárbaro e temível, miserável e primitivo
e "nós ocidentais fomos a eles, de "braços abertos"
levar-lhes os benefícios da civilização, mitigar seu
sofrimento milenar e resgatar o sentimento de humanidade latente que pudesse
existir em seus corações".
Retórica excelente que traduzida queria dizer: o ocidente deve ocupar,
subjugar, pacificar, explorar....e cultivar através de guerras cruéis
uma imagem de poder e controle que permitisse a exploração dessas
riquezas mal aproveitadas...em benefício do ocidente. É claro!
Mas, como dizia Churchill: "pode se enganar todo o povo por um certo tempo mas não pelo tempo todo". É chegada a hora de cobrar a fatura.
O "inimigo" é novo. Não mais os soviéticos,
mas o terrorismo. Armas nucleares pouco adianta. Não é uma luta
de classes. É uma luta de tudo: religiosa, política, geográfica,
ideológica(sic).De classes também.
Não mais Marx, Bakunin, Stálin, mas as regras do mercado, impostas
pela OMC (Organização Mundial de Comércio) que procura
descaradamente beneficiar os criadores das regras, o G-7.
Que critérios, regras, medidas podemos utilizar para mensurar e abordar os problemas de agora? Que remédio ou placebo indicamos para a emergência dessa nova configuração cultural? Configuração esta que se reproduz e se desfaz incessantemente (como toda a sociedade) no contexto das disputas e das aspirações divididas por atores sociais esclarecidos, conscientizados, determinados, crentes de seus objetivos.
A única coisa que sabemos é que terrorismo é ruim. mas precisamos primeiro definir o que é isto.
Para combater alguma coisa você precisa defini-la, baliza-la, criteria-la,
ou seja caracteriza-la como tal.
O que é terrorismo? Quem é Terrorista? Precisamos antes, responder
a essas indagações.
No momento, o problema(qual?)se "resume" em saber(como e quando?)que armas usar para atacar(onde?) o inimigo(quem?).
A própria ONU, não sabe o que é terrorismo. Tanto que o secretário- Geral, Kofi Annan, tem apelado para os vários Estados-membros a chegarem a um consenso sobre a conceituação do "fenômeno".
Lembro do meu primeiro encontro, do meu primeira beijo, da primeira injeção(mordia uma "Seleções de Readers Digest"). Aquele frio na barriga ou na espinha, sei lá(a consciência do espaço geo-bio-corporal fica meio desarvorado); aquela expectativa que mistura medo, apreensão, prazer e angustia....;
Deve ser esse o estado dos Estados-membros quando se trata de discutir a questão. Afinal, o que para uma nação é terrorismo, para outras é luta pela liberdade. Existe um princípio universal?
Os Bascos, o IRA, os Curdos, os Palestinos,Os Chechenos são terroristas
ou estão lutando pela sua autodeterminação? Quem arrisca
a responder?
E os tupis-Guaranis não teriam direito de pedir que nos evacuássemos
as nossas casas pois a apenas 500 anos eles eram os verdadeiros donos.
Mais direito que os israelenses que voltaram 2000 anos depois. E os árabes
que explodem civis, impõem leis islâmicas radicais e se consideram
os donos da verdade moral?
A gente não consegue nem se posicionar. Talvez, o melhor, é
se omitir e deixar ver no que vai dar.
Outra pergunta é quem são os terroristas?....os árabes que implodiram as torres gêmeas; os homens-bombas palestinos; os protestantes da Irlanda que atacam criancinhas católicas ou IRA que ataca populações civis? Não seria terroristas, os governantes balcânicos que matavam e estupravam mulheres na sua assanhada limpeza étnica? Ou quem sabe os terroristas seriam as milícias de pol pot saneando o Camboja em nome de uma luta contra a democracia burguesa e a implantação de um Estado essencialmente agrícola? Poderia também serem estes terrorista, os governos das potências ocidentais encabeçados pelos americanos que interviu em Porto Rico, influenciou na queda dos sandistas da Guatemala, que se omite diante das desgraças do povo africano; que nega o acesso a tecnologia farmacêutica aos aidéticos pobres dos países periféricos. que inventou, armou e treinou Sadam Husseim para trucidar curdos e iranianos; armou e financiou Bin Laden e os fundamentalistas do Talibã para que fizessem atos de terror contra os soviéticos. O próprio Fidel, treinado pelos EUA para derrubar Fulgêncio Batista, é exemplo. A lista e imensa, variada, sofisticada: Pinochet(Chile), Videla (Argentina), Noriega (Panamá), Papa Doc (Haiti), Sukarno (Indonésia), Ferdinand Marcos (Filipinas).......
Se você prestou bem atenção no texto acima pode perceber que a maior parte da insatisfação que gera ameaças estão situadas no oriente e na África. Sementes do século XIX e germinadas no XX devido sobretudo ás fronteiras políticas instituídas com a colonização e, posteriormente, com a independência que não obedeceram às divisões étnicas, religiosas e lingüísticas da população.
Existem atualmente incontáveis conflitos armados no mundo. Esses movimentos
são principalmente de caráter étnico, religiosos e alguns
poucos de origem política. A maioria na Ásia e na África.
Na Ásia podemos citar o Iraque, a Turquia, A chechênia, Afeganistão,
Caxemira, Sri Lanka, Mianmar, Filipinas,etc; Na África, a República
do congo, Somália, Quênia, Uganda, Angola, Libéria, Serra
Leoa, Argélia, Sudão e outros;
Podemos lembrar ainda a guerra em Kosovo e conflitos, no Peru, na Colômbia,
na Indonésia e mais, que não me lembro no momento
Hoje se luta por comida, religião, ideologia, espaço territorial. Dentro de um mesmo grupo cultural ou nação dita civilizada existem facções com objetivos diversos e que inviabilizam qualquer esforço pela paz.
Na antiguidade e na idade media, quando os povos eram considerados bárbaros,
não era tão importante ter uma fronteira política definida.
Os limites territoriais eram plásticos. Os povos de certa forma nômades.
De quando em quando eram dominados por outros povos que se organizavam em
grandes impérios multi-étnicos com populações
de várias nacionalidades, sem provocar muitos problemas de ordem política.
O espaço geográfico era importante, mas os meios de sobrevivência
ali presentes, era fundamental e defendido com sacrifício da própria
vida. O que o dominador queria é que esses povos sob sua tutela pagassem
seus tributos. No mais, preservavam sua autonomia, continuavam com seus governos
locais, livres para falar sua língua, cultivar seus hábitos
e costumes e manter sua cultura em geral. podiam, em certos casos, até
acender na hierarquia e participar das decisões políticas e
administrativas dos dominadores. Exemplo disso foi o sultão Saladino,
líder dos mulçumanos que derrotaram os cruzados no século
XII, era um Curdo.
Essa situação passa a se modificar á partir de finais
da Idade média, quando os territórios europeus começam
a se centralizarem e organizarem-se em Estados Nacionais, com fronteiras definidas,
língua, moeda, exercito e nesse processo minorias de culturas diversas
tendem a ser expurgadas.
Este Estado-nação possibilitou aos europeus concentrar condições
tais, como a coesão social e a disciplina para o trabalho, imprescindíveis
para promover o desenvolvimento econômico.
Os países orientais, para não ficarem atrasados, tecnológica
e militarmente, em relação aos grandes países ocidentais,
passam a adotar o modelo de Estado-Nação europeu, contaminando
o oriente com novas demandas.
Em 1999, um relatório do Instituto Internacional de Pesquisas sobre
a Paz, de Estocolmo, na Suécia, identificava 27 confrontos armados
no mundo, fruto de rivalidades étnico-político-geograficas manipuladas
por lideranças populistas locais
Quais seriam atualmente os principais movimentos causadores de tensões
religiosas, geográficas e sociais existentes no mundo. Vamos tentar
enumera-las.
Fonte: www.eduquenet.net