Entre as regiões da Ásia central e do oriente médio
(enclave territorial que atravessa as fronteiras da Turquia, Iraque, Irã
e Síria), espalha-se um povo de origem indo-européia que a mais
de um século reivindicam sua autonomia. Trata-se dos Curdos, um numeroso
grupo étnico de cultura milenar, modificada apenas pela adoção
do islamismo como religião no séc VII. São quase trinta
milhões de pessoas.
Por volta do século IV o Kurdistão era parte do império
Bizantino, mais tarde, denominado Império Otomano. Quando este entrou
em decadência e esfacelou-se após a 1º Guerra Mundial, com
a interferência autoritária de grandes potências européias,
a região foi repartida em vários estados-clientes.
O Kurdistão foi ignorado e dividido e até hoje os Curdos vivem
em cinco nações diferentes: parte da Turquia(majoritária-15
milhões), do Irã, do Iraque(15%), da Síria, do Azerbaijão
e Armênia.
Mas os curdos não pretendem ser turcos, iraquianos ou iranianos. Querem
ser curdos e para isso, sonham com um Estado próprio baseado na sua
língua e cultura.
Desde meados do século 19, quando perderam a sua autonomia. Começou
então a sua luta. Mas Todos aqueles países se opõem à
criação de um governo curdo autônomo, o que implicariam
em cessão de parte de seus territórios e outras implicações
de ordem econômica. Como exemplo, podemos citar o Iraque, onde mais
da metade do trigo e do petróleo saem do Curdistão.
Diante da impossibilidade de um acordo, os curdos optaram pela guerrilha como
forma de pressão. A resistência armada conta com aproximadamente
20 mil guerrilheiros, 200 mil milicianos e quase 5 milhões de simpatizantes.
O principal grupo armado que lutam no curdistão é o Partido
dos Trabalhadores Curdos (PKK) baseados principalmente na Turquia.
Muitos de seus dirigentes estão presos ou exilados. A tortura de prisioneiros
curdos é amplamente utilizada e as mortes de militantes é coisa
comum, principalmente do lado turco, que por ser um país membro da
OTAN e aliado dos EUA, nunca sofreram qualquer tipo de sanção
internacional.
Não é comum aparecerem notícias sobre esse movimento
na mídia internacional e quando aparece, prevalece a versão
turca. Essa cumplicidade do mundo ocidental, incentiva o governo turco a continuar
massacrando a população curda.
Em 1921, o Tratado de Sèvres, previa a criação de um
Estado curdo independente que abrangeria grande parte do antigo Curdistão.
Mas a descoberta de grandes jazidas de petróleo na região e
o temor da influência da Revolução Russa, provocaram um
novo arranjo geopolítico que culminou com o Tratado de Lausanne que
descartava por completo a criação de um estado uno.
Outro fator prejudicial foi a Guerra Fria. Os Curdos ocupavam uma zona estratégica
de vital importância no xadrez geopolítico mundial. Com apoio
da OTAN, foi desencadeada violentas campanhas repressivas. Aldeias inteiras,
habitadas por civis, foram arrasadas pelos turcos. No Iraque, terminada a
guerra, a repressão não foi menos violenta. O regime iraquiano
promoveu novos massacres. Dezenas de milhares de pessoas foram deportadas
de suas regiões de origem e mais de mil povoados aniquilados. Milhares
de curdos foram mortos pelo uso de armas químicas lançadas pelas
tropas de Saddam Hussein. Na região da Armênia, a comunidade
curda foi totalmente eliminada e seu território anexado.
Mais uma vez, esse povo foi esquecido e abandonado á própria sorte. Em 1991, a parte do Curdistão do lado iraquiano se tornou independente e lutam agora contra os turcos para conseguiram a libertação daquele setor
Mas a situação política entre os curdos, também
é periclitante. Vários grupos lutam entre si visando liderar
o movimento. São várias facções que não
se entendem: o UPK (União Patriótica do Curdistão), o
PDK (Partido Democrático do Curdistão), o LIK (Liga Islâmica
do Curdistão) e outras organizações menores.
Esses grupos tendem a receber apoio de países da região como
Irã, Iraque e até Estados Unidos, mas na realidade, nem Iraque,
Irã e muito menos os EUA estão interessados em defender os curdos
sejam lá de que partido forem.
Ao apóia-los, o que eles querem realmente é dividir a resistência
curda e impedir o avanço da luta pela autodeterminação.
Fonte: www.eduquenet.net