Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Movimento Curdo  Voltar

Movimento Curdo

Entre as regiões da Ásia central e do oriente médio (enclave territorial que atravessa as fronteiras da Turquia, Iraque, Irã e Síria), espalha-se um povo de origem indo-européia que a mais de um século reivindicam sua autonomia. Trata-se dos Curdos, um numeroso grupo étnico de cultura milenar, modificada apenas pela adoção do islamismo como religião no séc VII. São quase trinta milhões de pessoas.
Por volta do século IV o Kurdistão era parte do império Bizantino, mais tarde, denominado Império Otomano. Quando este entrou em decadência e esfacelou-se após a 1º Guerra Mundial, com a interferência autoritária de grandes potências européias, a região foi repartida em vários estados-clientes.
O Kurdistão foi ignorado e dividido e até hoje os Curdos vivem em cinco nações diferentes: parte da Turquia(majoritária-15 milhões), do Irã, do Iraque(15%), da Síria, do Azerbaijão e Armênia.
Mas os curdos não pretendem ser turcos, iraquianos ou iranianos. Querem ser curdos e para isso, sonham com um Estado próprio baseado na sua língua e cultura.

Desde meados do século 19, quando perderam a sua autonomia. Começou então a sua luta. Mas Todos aqueles países se opõem à criação de um governo curdo autônomo, o que implicariam em cessão de parte de seus territórios e outras implicações de ordem econômica. Como exemplo, podemos citar o Iraque, onde mais da metade do trigo e do petróleo saem do Curdistão.
Diante da impossibilidade de um acordo, os curdos optaram pela guerrilha como forma de pressão. A resistência armada conta com aproximadamente 20 mil guerrilheiros, 200 mil milicianos e quase 5 milhões de simpatizantes. O principal grupo armado que lutam no curdistão é o Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK) baseados principalmente na Turquia.
Muitos de seus dirigentes estão presos ou exilados. A tortura de prisioneiros curdos é amplamente utilizada e as mortes de militantes é coisa comum, principalmente do lado turco, que por ser um país membro da OTAN e aliado dos EUA, nunca sofreram qualquer tipo de sanção internacional.
Não é comum aparecerem notícias sobre esse movimento na mídia internacional e quando aparece, prevalece a versão turca. Essa cumplicidade do mundo ocidental, incentiva o governo turco a continuar massacrando a população curda.

Em 1921, o Tratado de Sèvres, previa a criação de um Estado curdo independente que abrangeria grande parte do antigo Curdistão. Mas a descoberta de grandes jazidas de petróleo na região e o temor da influência da Revolução Russa, provocaram um novo arranjo geopolítico que culminou com o Tratado de Lausanne que descartava por completo a criação de um estado uno.
Outro fator prejudicial foi a Guerra Fria. Os Curdos ocupavam uma zona estratégica de vital importância no xadrez geopolítico mundial. Com apoio da OTAN, foi desencadeada violentas campanhas repressivas. Aldeias inteiras, habitadas por civis, foram arrasadas pelos turcos. No Iraque, terminada a guerra, a repressão não foi menos violenta. O regime iraquiano promoveu novos massacres. Dezenas de milhares de pessoas foram deportadas de suas regiões de origem e mais de mil povoados aniquilados. Milhares de curdos foram mortos pelo uso de armas químicas lançadas pelas tropas de Saddam Hussein. Na região da Armênia, a comunidade curda foi totalmente eliminada e seu território anexado.

Mais uma vez, esse povo foi esquecido e abandonado á própria sorte. Em 1991, a parte do Curdistão do lado iraquiano se tornou independente e lutam agora contra os turcos para conseguiram a libertação daquele setor

Mas a situação política entre os curdos, também é periclitante. Vários grupos lutam entre si visando liderar o movimento. São várias facções que não se entendem: o UPK (União Patriótica do Curdistão), o PDK (Partido Democrático do Curdistão), o LIK (Liga Islâmica do Curdistão) e outras organizações menores.
Esses grupos tendem a receber apoio de países da região como Irã, Iraque e até Estados Unidos, mas na realidade, nem Iraque, Irã e muito menos os EUA estão interessados em defender os curdos sejam lá de que partido forem.
Ao apóia-los, o que eles querem realmente é dividir a resistência curda e impedir o avanço da luta pela autodeterminação.

Fonte: www.eduquenet.net

Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal