Topografia é a ciência que estuda todos os acidentes geográficos definindo a situação e a localização de uma área em geral. Tem a importância de definir as medidas de área, locação, loteamento, variações de nível e cubagem de terra.
O termo só se aplica a áreas relativamente pequenas, sendo utilizado o termo geodésia quando se fala de áreas maiores. Para isso são usadas coordenadas que podem ser duas distâncias e uma elevação, ou uma distância, uma elevação e uma direção.
Os mapas topográficos mostram a elevação do terreno sobre o nível do mar usando linhas que conectam pontos com a mesma cota, denominadas curvas de nível. Nesse caso se diz que o mapa é hipsográfico.
1 hectare = 10 000 m²
1 alqueire (mineiro) = 48 400 m²
1 alqueire (paulista) = 24 200 m²
1 alqueire (norte do Brasil) = 27 255 m²
1 metro quadrado (usado para definir porções pequenas)
Topografia utilizada por Topógrafo, Geomensor, Agrimensor, Cartógrafo.
Fonte: pt.wikipedia.org
Desde o início, a curiosidade humana motivou exploradores a conhecer cada vez mais a terra. Passando pelas navegações de egípcios, gregos, vikings e ibéricos, ou pelas pesquisas científicas do século XIX, sempre houveram relatos de grandes viagens e mapas feitos a partir das informações recolhidas. Hoje, podemos dizer que mapeamos a superfície do planeta de todas as formas. Os satélites terminaram por consumar a história de mapeamento.
Mas na espeleologia ainda resta muito a conhecer, e os mapeamentos ainda dependem de viagens e observações em campo. Como na longínqua época das explorações, ainda é uma atividade puramente exploratória e imprevisível. Daí vem o seu fascínio.A aplicação de um mapa de caverna hoje é fundamental para o progresso e documentação das explorações, servindo de base para estudos de proporções, desenvolvimento, relação com as formas superficiais e mesmo conexões entre diferentes cavernas. Além disso, um mapa é a base para qualquer tipo de estudo científico a ser realizado.
Grutas como a Toca da Boa Vista só podem ser exploradas fazendo-se conjuntamente a topografia, tal é a complexidade de suas galerias. Assim o fio de Ariádne, que guiou Teseu no Labirinto do Minotauro, pode hoje ser feito de outra forma.

Os primeiros mapas espeleológicos que se têm notícia apareceram no séc. XVI. Partindo da simples observação e anotação, nascia a alma do mapeamento de cavernas, o croquis feito "in loco". Este tipo de desenho esquemático consiste na observação das formas, proporções e desenvolvimento da gruta e sua tradução em projeções horizontais, seções e perfis.
Já no séc. XVII aparecem os primeiros mapas contendo orientação geográfica e escala métrica. Destes tempos para hoje, a grande mudança foi somente a busca crescente pela precisão na coleta e processamento de dados.
Hoje o sistema mais aplicado e eficiente é o de bases topográficas interligadas por visadas, seguindo o desenvolvimento da cavidade tanto em galerias, abismos e salões. Sobre esta base são locados pontos de interesse como entradas, clarabóias, cursos de rios, cachoeiras, espeleotemas e outros.
O processo básico é a topografia realizada por uma equipe onde cada espeleólogo desempenha uma função:
A função do croquista inclui a já descrita elaboração do esquema gráfico contendo as bases topográficas e a coordenação do trabalho.
Esta pessoa fica responsável pela leitura dos dados da visada relativos a azimute (orientação da visada na bússola) e inclinação (relação métrica da visada com o plano horizontal, lida no clinômetro).

Esta função consiste em marcar o local exato da base topográfica, auxiliando a leitura da bússola e clinômetro, além de medir a distância da visada com a trena, ou seja, medir a distância entre uma base e a seguinte. Em geral o croquista e o ponta de trena seguem à frente da topografia.
O anotador fica com uma planilha onde são anotados os dados de cada visada, além das chamadas características de cada base, que são as medidas de altura e laterais relativas às paredes da galeria ou salão. Essas medidas podem ser tomadas pelo ponta de trena ou por um "quinto elemento" usado especificamente para tal fim e ainda com possibilidades de colocar fitinhas de identificação nas bases e tudo mais.
São recursos importantes na exploração e estudo detalhado de áreas com potencial espeleológico possibilitando identificação geográfica da gruta. A ortofotocarta é um tipo de foto aérea que fornece uma projeção em escala precisa, já a carta topográfica é uma representação gráfica da morfologia externa, contendo curvas de nível, hidrografia, estradas, etc.
É um aparelho ligado a um sistema mundial de posicionamento geográfico
operado através de satélites (Global Positioning System). Com
ele é possível localizar, por exemplo, a entrada de uma gruta
relacionando-a com o ambiente externo através das coordenadas.
Bússola
Fornece o azimute das visadas em graus, relacionando esta com o Norte magnético.
Fornece a inclinação, em graus positivos ou negativos, entre a visada e o plano horizontal.
Com ela se determina o comprimento, em metros e centímetros, de cada visada.
É onde são anotados à lápis os dados da topografia e croquis. Em algumas situações são utilizadas planilhas à prova d'água, feitas de poliéster.
Depois de todo esse trabalho, os dados das visadas são lançados em programas de computador específicos, como o Smaps e On Station, que produzem um gráfico vetorial tridimensional com a locação de cada base e visadas. Deste gráfico é tirada uma projeção horizontal, ou em perfil. Isto já é a base representativa do desenvolvimento da gruta em escala. Para finalizar entram os dados de forma das galerias e salões vindos do croquis, marcação de pontos de interesse, junto com as características de cada base. Esta parte geralmente é feita em um programa informático de desenho.
Ao final temos um mapa em escala, contendo a forma e proporções da cavidade e todas as suas particularidades, tudo isto representado de acordo com normas de representação gráfica definidas. Além disso é feita uma locação da entrada da gruta em coordenadas geográficas, dado obtido hoje com um GPS (Global Positioning System), permitindo a relação com a morfologia externa e a identificação da cavidade em um cadastro específico (Nacional ou Internacional).
Tudo isto possibilita hoje conhecer mais as grutas e inclusive auxiliar na sua documentação precisa e proteção. Mas a intenção de explorar e traduzir uma forma natural em algo palpável existe desde tempos imemoriais.
Existem alguns sistemas que permitem estabelecer parâmetros para comparar a precisão e o detalhamento de um mapa espeleológico. O mais difundido mundialmente é o estabelecido pela British Cave Research Association (B.C.R.A.). Segundo esse critério, os mapas devem ser analisados segundo duas variáveis: o alinhamento das poligonais e o detalhamento dos condutos. A cada um desses itens deve ser dado uma atributo conforme estabelecido a seguir.
1 - Esboço de baixa precisão, sem medições.
2 - Esboço intermediário, precisão entre graus 1 e 3.
3 - Levantamento magnético aproximado. Ângulos horizontais e verticais medidos com precisão de 2 graus e meio; distâncias com precisão de meio metro. Erro no posicionamento das bases inferior a meio metro.
4 - Levantamento que não atinge os requisitos do grau 5, porém é mais preciso que o anterior.
5 - Levantamento magnético onde os ângulos horizontais e verticais
medidos têm precisão de 1 grau; distâncias com precisão
de 10 centímetros. Erro no posicionamento das bases inferior a 10 centímetros.
6 - Levantamento magnético com precisão superior aos anteriores.
X - Levantamento com uso de teodolito.
A - Detalhes baseados na memória.
B - Detalhes anotados na caverna por estimativa.
C - Medidas de detalhes feitas nas bases topográficas.
D - Detalhes medidos nas bases topográficas e onde se fizer necessário
para melhor representação da cavidade.
Segundo normas da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE)
Projeção horizontal x desenvolvimento linear
Projeção horizontal - extensão medida sobre a planta da topografia. As rampas inclinadas são projetadas no plano horizontal e os abismos não são computados na somatória.
Desenvolvimento linear - extensão medida pela soma das galerias percorridas na gruta. Rampas inclinadas e abismos entram diretamente na somatória.
Princípio da continuidade - extensões dos segmentos de desenvolvimento são medidas segundo a somatória de eixos que se interceptam.
Princípio da descontinuidade - não considera a medição correspondente ao segmento de interpenetração de um eixo em área morfologicamente dominada por outro eixo. É o mais adotado atualmente.
O desnível é calculado pela diferença entre a cota do ponto mais alto e a do ponto mais baixo topografado.
Fonte: www.bambui.org.br