Tráfico de Animais Silvestres significa a captura ilegal de animais na natureza para venda. Eu acredito que somente com esses dois conceitos, qualquer cidadão que preza pela sua conduta moral e ética já se isentaria de qualquer envolvimento com o assunto, porém, e de forma infelizmente bastante frequente, grande parte de nossa população não consegue atentar para esse tipo de análise crítica.
Esse é o grande paradoxo para a questão ambiental em nosso planeta: o ideal seria evitar o dano ambiental, porém quando este ocorre, não deveríamos somente adotar como solução ações reativas, a exemplo das ações policiais, multas, processos etc., pois são onerosas e não demonstram efeito para longo prazo.
O foco principal deveria estar nas ações pró-ativas, que se consolidam com base suficiente para transpor algumas dezenas e quiçá centenas de anos. O nosso mais forte exemplo nesse país, ainda que debilitado de ação pró-ativa, é a educação.
Não quero com isso desmerecer as ações das forças policiais e jurídicas, pois conheço de perto muitos profissionais nessa área que se dedicam com afinco, porém foi em várias experiências em campo (busca e apreensão, de blitz ambientais) com essas mesmas pessoas que chegamos à conclusão de que estamos nadando contra a corrente.
Algo não está fazendo sentido.
Quanto mais animais são apreendidos, mais devastação em áreas protegidas e mais animais desaparecem!? Um contra-senso total.
Estima-se que o comércio ilegal de animais movimente cerca de 10 bilhões de dólares por ano em todo o mundo além de provocar mortes, sofrimento animal e desequilíbrio ambiental. Perde apenas para o tráfico de drogas e de armas.
O comércio ilegal de animais silvestres é um negócio que gera uma expressiva renda e movimenta um alto montante no mercado exterior. Há uma estimativa que essa prática ilegal movimente anualmente em todo o mundo, de 10 a 20 bilhões de dólares (Webst apud Webb 2001). No Brasil, esses animais são negociados em diversas feiras livres espalhadas pelo país, que mostram bastante organização no modo como atuam.
As aves, pela beleza de suas cores e pelos seus cantos suaves e melodiosos são, sem dúvida, o grupo de animais mais procurados. Apreensões do IBAMA em todo o Brasil, durante os anos de 1999 a 2004, mostraram que 85% dos animais comercializados naquela época eram aves (RENCTAS 2005).
Algumas aves chegam a valer verdadeiras fortunas, como certos psitacídeos (família dos papagaios) e alguns Passeriformes (família dos pequenos pássaros), como Curiós Sporophila angolensis e canários-da-terra Sicalis flaveola. Este tipo de comércio já contribuiu para a extinção de algumas de nossas espécies, um exemplo bem recente foi a ararinha-azul, Cyanopsitta spixii (RENCTAS 2001). Outras espécies ainda têm suas populações ameaçadas por tal comércio, como exemplo, temos a Arara-azul-grande Anodorhynchus hyacinthinus, a Arara-azul-de-lear A. leari, a Jandaia-gangarra Aratinga cactorum, o pintor-verdadeiro Tangara fastuosa, o Ferreiro-de-barbela Procnias averano, a Pintassilva Carduelis yarrellii e o Bicudo Sporophila maximiliani (Sick 1997, Guedes 2001, Lima 2004, Nascimento 2000, Silva 2004).
Os traficantes costumam rodar os micos pelo rabo para que eles fiquem tontos, ou embebeda-los com cachaça, tentando passar ao comprador a imagem de que são animais mansos. Muitos cegam os pássaros e cortam as suas asas para que eles não fujam e arrancam os dentes e serram as garras de animais para que eles se tornem menos perigosos.
Compra, venda e captura de animais silvestres, um crime previsto na Lei Federal nº 9605/98. Ela proíbe a utilização, perseguição, destruição e caça de animais silvestres e prevê pena de prisão de seis meses a um ano, além de multa para quem desrespeitá-la.

Nas regiões de preto do mapa (Norte, Centro Oeste e Nordeste), observa-se a maior captura de animais para o tráfico. A principal rota desses animais é do Nordeste para o Sudeste.
Os animais são transportados em caminhões, ônibus interestaduais e carros particulares nas piores condições possíveis.
Existe uma estatística bastante divulgada na mídia, de que somente um em cada dez animais capturados pelo tráfico para serem vendidos chega ao seu destino, e, mesmo assim, sem garantias do seu real estado de saúde física ou mental. Reforço o aspecto psicológico dos animais neste parágrafo, pois é um tema ainda muito pouco difundido.
Desta forma, temos de ter a capacidade de entender que uma pequena ave, presa em uma gaiola, numa feira livre qualquer, não pode passar despercebida, pois de onde ela veio, com certeza está fazendo falta. Seja como componente de um grupo social, ou seja como carga genética de uma população ameaçada. Isso irá gerar seu dano no sistema no qual todos estamos envolvidos.
Existem diversas lojas que comercializam animais silvestres nascidos em cativeiro. Isso é previsto em Lei Federal (Portaria 118-N/MMA-IBAMA de 15/10/1997), que foi criada como uma forma de estimular a reprodução dos animais mais procurados em criadouros regulamentados, fiscalizados, para que atendessem às demandas do comércio, desvalorizando as ações do tráfico.
Gerson Norberto
Fonte: www.zoo.ba.gov.br
Você sabia que o Brasil é um dos países do mundo que mais exporta animais silvestres ilegalmente? É um negócio que movimenta mais de 1 bilhão de dólares e comercializa cerca de 12 milhões de animais anualmente. Uma das maiores ameaças à natureza.
Para ajudar você a saber mais sobre o assunto, o WWF-Brasil elaborou as questões abaixo. Leia e colabore nessa luta pela salvação da fauna brasileira.
Animal silvestre não é o doméstico. O doméstico já está acostumado a viver perto das pessoas, como os gatos, cachorros, galinhas e porcos, entre outros. Já o animal silvestre foi tirado da natureza e reage à presença do ser humano. Por essa razão, tem dificuldades para crescer e se reproduzir em cativeiro. O papagaio, a arara, o mico e o jabuti, ao contrário do que muitos pensam, são animais silvestres.
Tráfico é o comércio ilegal. Traficar animais significa capturá-los na natureza, prendê-los e vendê-los com o objetivo de ganhar dinheiro. Se participamos disso, estamos contribuindo para o tráfico de animais. Acredita-se que o comércio ilegal de animais movimente cerca de 10 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. Só o tráfico de drogas e armas é maior.
Todos os seres vivos dependem da natureza para sobreviver, pois é dela que obtemos desde alimentos até remédios. Os animais são parte fundamental da cadeia. Se forem extintos ou se tornarem raros, comprometem todo o equilíbrio da natureza.
Há uma relação entre o tráfico nacional e o internacional: o Brasil possui um grande comércio interno de animais, que sustenta os traficantes que agem no país e servem como intermediários para os traficantes internacionais. Se o tráfico interno diminuir, o número de animais brasileiros levados para o exterior também será menor.
A maioria dos animais silvestres é capturada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Mas a principal rota de transporte desses animais está no sentido da região Nordeste para a Sudeste. Há verdadeiras redes organizadas para enganar a fiscalização existente nas principais rodovias do país. Essas redes agem de forma que os animais sejam transportados por até 3.000 quilômetros de distância sem que os traficantes sejam descobertos. A maior parte do público consumidor está no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Os meios de transporte mais usados pelos traficantes são caminhões, ônibus interestaduais e carros particulares. Os animais são transportados nas piores condições possíveis. São escondidos em fundos de malas ou caixotes, sem ventilação, e ficam vários dias sem comer e sem beber. Resultado: de cada 10 animais capturados, nove morrem no caminho e um chega às mãos dos compradores.
Alguns traficantes costumam rodar os micos pelo rabo para que eles fiquem tontos e passem ao comprador a imagem de que são animais mansos. Muitos cegam os pássaros e cortam as suas asas para que eles não fujam e arrancam os dentes e serram as garras dos animais para que eles se tornem menos perigosos.
O papagaio é a ave mais vendida no Brasil e no exterior. Depois dele vêm as araras, os periquitos, micos, tartarugas e tucanos.
Cuidar de animais silvestres em casa pode parecer uma forma de amar a natureza, mas não é. Lugar de bicho é em seu habitat natural, e não nas cidades. Quem realmente gosta dos animais vai querer que eles fiquem onde se sintam mais felizes.
Ter animais silvestres como bichos de estimação é ilegal conforme a Lei de Crimes Ambientais, nº 9.605 / 98. Ela proíbe a utilização, perseguição, destruição e caça de animais silvestres e prevê pena de prisão de seis meses a um ano, além de multa para quem a desrespeitar.
Primeiro, certifique-se de que os animais que estão sendo vendidos são silvestres e pertencem à fauna brasileira.
Ser dono de animal silvestre não é uma atividade muito segura. Entre os principais problemas estão o risco de ataques e a transmissão de doenças como a malária, a febre amarela e várias viroses desconhecidas.
Ele pode perder a sua identidade. Pode sofrer de solidão e ter dificuldades para se reproduzir. Também sofre porque fica em espaço físico reduzido, come alimentos inapropriados e pode pegar doenças que nos seres humanos têm pouca gravidade (gripe, herpes etc), mas que podem ser fatais para os animais.
Fonte: www.wwf.org.br