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Trigo

O que é trigo

Trigo

O trigo é uma gramínea do gênero Triticum, que contém algo como 30 tipos geneticamente diferenciados, entre os quais apenas três são produzidos comercialmente, o Aestivum Vulgaris, o Turgidum Durum e o Compactum.

O Durum é utilizado na produção de macarrão e outras massas, o Compactum é um trigo de baixo teor de glutem, produzido em pequena proporção, utilizado para fabricar biscoitos suaves, enquanto que o Aestivum é responsável por mais de quatro quintos da produção mundial, por ser o adequado a panificação.

Classificação do Trigo

As características do cereal e sua utilização são fatores de qualidade reconhecidos pelos consumidores e passiveis de determinação e tabulação.

No Brasil, de acordo com a Normativa nº 7 do Ministério da agricultura, Pecuária e Abastecimento, os cultivares estão classificados de acordo com a Alveografia ( 1 ) e o Índice de Queda ( 2 ) em cinco classes:

CLASSE ALVEOGRAFIA (10-4 J)
NO MÍNIMO
NÚMERO DE QUEDA
(SEGUNDOS) MÍNIMO
Trigo Brando 50 200
Trigo Pão 180 200
Trigo Melhorador 300 250
Trigo para outros usos Qualquer < 200
Trigo Durum - 250

( 1 ) Alveografia

Teste que analisa as propriedades de tenacidade e de extensibilidade da massa. Considerar-se-á somente o parâmetro W, que indica a força ou trabalho mecânico, necessário para expandir q massa. Esse parâmetro é determinado a partir da curva obtida pelo equipamento alveógrafo, segundo o método padrão indicado pelo fabricante.

( 2 ) Índice de queda (Falling Number)

Medida indireta da concentração da enzima alfa-amilase determinada em 7 gramas de trigo moído, pelo método de Hagberg (Cereal Chemistry, v.58, p. 202, 1961) no aparelho “Falling Number”, sendo o valor expresso em segundos. Quanto menor o tempo, maior o teor de enzima.

Essas diferentes classes de trigo são utilizadas para fins distintos, conforme segue:

Em trigo brando, são enquadrados os grãos de genótipos de trigo aptos para a produção de bolos, bolachas ( biscoitos doces ), produtos de confeitaria, pizzas e massa do tipo caseira fresca.

Na classe trigo pão, estão os grãos de genótipos de trigo com aptidão para a produção do tradicional pãozinho ( do tipo francês ou d’água ) consumido no Brasil. Esse trigo também pode ser utilizado para a produção de massas alimentícias secas, de folhados ou em uso doméstico, dependendo de suas características de força de gluten ( W ).

A classe de trigo melhorador, envolve os grãos de genótipos de trigo aptos para mesclas com grãos de genótipos de trigo brando, para fim de panificação, produção de massas alimentícias, biscoito do tipo crackers e pães industriais ( como pão de forma e pão para hambúrguer ).

Na classe do trigo durum, especificamente os grãos da espécie Triticum Durum L., estão os grãos de genótipos de trigo para a produção de massas alimentícias secas ( do tipo italiana ).

Trigos para outros usos, são os destinados a alimentação animal ou outro uso industrial . Estes envolvem os grãos de genótipos de trigo com qualquer valor de W, mas não enquadrados em nenhuma das outras classes, por apresentarem número de queda ( falling number ) inferior a 200 ( Scheeren e Miranda, 1999 ).

Além da divisão de classes, o trigo também é separado por tipos ( 1, 2, e 3 ), de acordo com as condições físicas do produto entregue pelo produtor, como segue:

Tipificação do Trigo segundo a Instrução Normativa nº 1, de 27 de janeiro de 1999, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Tipo Peso do Hectolitro (Kg/kl) Mínimo Umidade (%) Máxima Matérias Estranhas e Impurezas
(% Máxima)
Grãos Danificados
Por Insetos (% Máxima) Por calor, mofados e ardidos (% máxima) Chochos, triguilhos e quebrados (% máxima)
1 78 13 1,00 0,50 0,50 1,50
2 75 13 1,50 1,00 1,00 2,50
3 70 13 2,00 1,50 2,00 5,00

De acordo com a portaria nº 167, de 29/07/1994 ( Ministério da Agricultura ) os itens considerados durante avaliação do tipo de trigo são:

Peso do hectolitro

É a massa de 100 litros de trigo, expressa em quilogramas.

Umidade

É o percentual de água encontrado na amostra.

Grãos danificados

São os que se apresentam danificados pelo calor, por insetos e/ou outras pragas , ardidos, mofados , germinados, esverdeados, chochos, bem como os quebrados ( fragmentados ) e o triguilho.

Grãos danificados pelo calor ( queimados )

São grãos inteiros ou quebrados que apresentam a coloração do endosperma diferente da original, no todo ou em parte, devido a ação da temperaturas;

Grãos ardidos

São os grãos inteiros ou quebrados que apresentam a coloração do endosperma diferente da original, no todo ou em partes, pela ação de processos fermentativos;

Grãos mofados

São os grãos inteiros ou quebrados que apresentam fungos ( bolor ) visível a olho nú;

Grãos chochos

São os grãos que se apresentam desprovidos parcial ou totalmente do endosperma, devido ao incompleto desenvolvimento fisiológico, e que vazam através da peneira de crivo oblongo de 1,75 mm x 20,00 mm ( espessura da chapa: 0,72 mm );

Triguilhos

São os grãos que vazam através da peneira de crivo oblongo de 1,75 mm x 20,00 mm ( espessura da chapa: 0,72 mm )

Grãos quebrados ( fragmentados )

São fragmentos de grãos que vazam através da peneira de crivo oblongo de 1,75 mm x 20,00 mm ( espessura da chapa: 0,72 mm );

Grãos germinados

São os grãos que apresentam germinação visível

Grãos esverdeados

São os grãos que não atingiram a maturação completa e apresentam coloração esverdeada

Grãos danificados por insetos e/ou outras pragas

São os grãos ou pedaços que apresentam danos no germe ou endosperma, resultantes da ação de insetos e/ou outras pragas

Matérias estranhas

São todas as partículas não oriundas da planta de trigo, taís como fragmentos vegetais, sementes de outras espécies, pedra, terra, entre outras;

Impurezas

São todas as partículas oriundas da planta de trigo, taís como: casca, fragmentos do colmo, folhas, entre outras.

Estrutura do Grão de Trigo

Os grãos de trigo têm tamanho e cor variáveis, e o formato oval, com as extremidades arredondadas. Numa das extremidades, encontra-se o germe e na outra, cabelos finos. Ao longo do lado ventral nota-se uma reentrância, conhecida como "crease".

A presença deste sulco é um fator que dificulta e particulariza o processo de moagem do trigo, uma vez que um processo simples de abrasão para a retirada da casca não seria possível.

O grão se divide praticamente em duas partes: o pericarpo e a semente.

A parte mais externa é o pericarpo, que recobre toda a semente e é composto por 6 camadas (epiderme, hipoderme, remanescentes da parede celular ou células finas, células intermediárias, células cruzadas e células tubulares).

A semente é formada pelo endoesperma e o germe, que são recobertos por 3 camadas: testa (onde estão os pigmentos que dão cor ao grão), camada hialina e aleurona. Do ponto de vista botânico, a aleurona é parte do endosperma, mas no processo de moagem ela faz a parte do farelo. A figura abaixo mostra o grão de trigo e suas partes.

Os constituintes químicos não se distribuem uniformemente pelo grão.

O pericarpo (cerca de 5% do peso do grão) é rico em pentosanas, celulose, cinzas e proteína.

A aleurona (7%) é uma camada rica em cinza (fósforo, fitato), proteína, lipídios, vitaminas (niacina, tiamina, riboflavina) e enzimas.

O endosperma (82%) é composto basicamente de amido, mas sua parte mais externa (subaleurona) contém mais proteína que a porção interna.

O germe (3%) tem alto conteúdo de proteína, lipídios, açucares redutores e cinzas.

Trigo
Grão de Trigo

1- CREASE
2- ENDOSPERMA
3- FARELO
4- GERME
5- ENDOSPERMA
6- ALEURONA
7- HIALINA
8- TESTA
9- CÉLULAS TUBULARES
10- CÉLULAS CRUZADAS
11- HIPODERME
12- EPIDERME
13- GERME

Fonte: www.abitrigo.com.br

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Trigo

História do trigo no Brasil

No Brasil, há relatos que o cultivo do trigo tenha se iniciado em 1534, na antiga Capitania de São Vicente. A partir de 1940, a cultura começa a se expandir comercialmente no Rio Grande do Sul. Nessa época, colonos do Sul do Paraná plantavam sementes de trigo trazidas da Europa em solos relativamente pobres, onde as cultivares de porte alto, tolerantes ao alumínio tóxico, apresentavam melhor adaptação.

A partir de 1969/70, o trigo expandiu- se para as áreas de solos mais férteis do norte/oeste do Paraná e, em 1979, o Estado assumiu a liderança na produção de trigo no Brasil. A maior área semeada e a maior produção foram registradas em 1986/87 quando, em uma área de 3.456 mil ha, o Brasil produziu 6 milhões de toneladas de trigo. Naquela safra, o Paraná produziu 3. Milhões de toneladas de trigo e a produtividade alcançou 1.894 kg/ha.

A expansão da área de trigo no Paraná ocorreu numa época em que também se destinavam maiores recursos para a pesquisa agrícola no Brasil. Como resultado, se observou um aumento simultâneo da área e da produtividade do trigo.

Enquanto que a produtividade média do trigo no Brasil, no período de 1970 a 1984, foi de 1.139 kg/ha, no período de 1995 a 2003, ela se situou acima dos 1.500 kg/ha. Atualmente, algumas cooperativas têm obtido, em anos sucessivos, médias superiores a 2.500 kg/ha.

Produtividades de trigo superiores a 5.000 kg/ha, são relatadas com frequência, em lavouras bem cuidadas.

A contribuição da pesquisa no Paraná

No Norte do Paraná, as primeiras lavouras implantadas com cultivares de porte alto, desenvolvidas no RS, apresentavam elevados níveis de perdas por acamamento. Este problema foi contornado com a introdução de cultivares desenvolvidas pelo CIMMYT- no México.

No entanto, estas cultivares apresentavam também alguns defeitos, principalmente suscetibilidade às doenças que causam necrose parcial ou total das folhas e denominadas de manchas foliares, bem como, à giberela e ao alumínio tóxico no solo.

A adaptação do trigo para as condições de clima e solo do Paraná está sendo realizada, pela soma de fatores genéticos e culturais.

Ao se combinar as características de resistência às ferrugens, porte baixo, palha forte, elevado potencial de rendimento, insensibilidade ao fotoperíodo e qualidade panificativa das cultivares mexicanas com a resistência às doenças de espiga e tolerância ao alumínio das cultivares nacionais, foi possível desenvolver novos genótipos cuja adaptação às condições do Paraná é superior à dos progenitores brasileiros ou mexicanos.

Ao longo das duas últimas décadas, a pesquisa tem aprimorado outras tecnologias, tais como, como rotação de culturas, manejo adequado do solo, controle integrado de pragas, controle químico de doenças e zoneamento agroclimático que dão suporte à produção de trigo, minimizando os riscos de perdas.

Ironicamente, o aumento do potencial produtivo e a diminuição dos riscos de perdas, proporcionados pelas cultivares melhor adaptadas e pelo controle de doenças e pragas, via manejo da cultura e utilização de fungicidas eficientes, não têm sido suficientes para sustentar o aumento da produção.

Nos últimos anos, tem-se observado um contínuo declínio da área cultivada, devido, principalmente, aos maiores custos de produção, quando comparados aos da Argentina. Sabe-se que a Argentina, devido às privilegiadas condições de solo e clima, consegue produzir trigo com custos extremamente baixos. Amparada pelos acordos do Mercosul, consegue exportar o cereal a preços inferiores aos custos de produção do trigo brasileiro.

Para fazer frente a esses desafios, há necessidade de buscar sempre maior eficiência, visando o aumento da produtividade sem acréscimos significativos nos custos de produção.

Fonte: www.cnpso.embrapa.br

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