
Três anos após a morte de Copérnico, nasceu o dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), o último grande astrônomo observacional antes da invenção do telescópio. Usando instrumentos fabricados por ele mesmo, Tycho fez extensivas observações das posições de planetas e estrelas, com uma precisão em muitos casos melhor do que 1 minuto de arco (1/30 do diâmetro aparente do Sol).
O excelente trabalho de Tycho como observador lhe propiciou o patrocínio do rei da Dinamarca, Frederic II (1534-1588), e assim Tycho pode construiu seu próprio observatório, na ilha báltica de Hveen.

Após a morte do rei, entretanto, seu sucessor se desentendeu com Tycho e retirou seus privilégios. Assim, em 1597 Tycho foi forçado a deixar a Dinamarca, e foi trabalhar como astrônomo da corte para o imperador da Bohemia, em Praga.
Tycho Brahe não acreditava na hipótese heliocêntrica de Copérnico, mas foram suas observações dos planetas que levaram às leis de Kepler do movimento planetário.
Em 1600 (um ano antes de sua morte), Tycho contratou para ajudá-lo na análise dos dados sobre os planetas, colhidos durante 20 anos, um jovem e hábil matemático alemão chamado Johannes Kepler.
Em 1252, Afonso X, o Sábio, Rei de Castela (Espanha), que em 1256 foi proclamado rei e no ano seguinte imperador do Sacro Império Romano, convocou 50 astrônomos para revisar as tabelas astronômicas calculadas por Ptolomeu, que incluiam as posições dos planetas no sistema geocêntrico, publicado por Claudio Ptolomeu em 150dC, no Almagesto. Os resultados foram publicados como as Tabelas Alfonsinas.

Tycho Brahe
Tycho Brahe nasceu em 14 de dezembro de 1546, primeiro filho de Otto Brahe e Beatte Bille, uma família nobre da Dinamarca. Antes de seu nascimento, seu pai havia prometido que o daria a um tio, Jorgen, que era vice-almirante. Porém não cumpriu sua promessa. Após o nascimento de um irmão mais novo, Jorgen sequestrou o jovem Tycho, fato que o pai deste acabou aceitando devido à fortuna que o filho herdaria. Seu tio morreu depois, de pneunomia, após resgatar o rei Frederick II de afogamento, quando este caiu de uma ponte retornando de uma batalha naval com os suecos.
Em 1252, Afonso X, o Sábio, Rei de Castela (Espanha), que em 1256 foi proclamado rei e no ano seguinte imperador do Sacro Império Romano, convocou 50 astrônomos para revisar as tabelas astronômicas calculadas por Ptolomeu, que incluiam as posições dos planetas no sistema geocêntrico, publicado por Claudio Ptolomeu em 150dC, no Almagesto. Os resultados foram publicados como as Tabelas Alfonsinas.
Com 13 anos, Tycho foi estudar direito e filosofia na Universidade de Copenhague. Nesta época ocorreu um eclipse parcial do Sol, que havia sido predito com exatidão. Tycho ficou muito impressionado que os homens soubessem o movimento dos astros com exatidão para poder prever suas posições. Aos 16 anos, seu tio o enviou a Leipzig, na Alemanha, para continuar seus estudos de direito. Mas ele estava obcecado com a Astronomia, comprou livros e instrumentos e passava a noite observando as estrelas. Em 17 de agosto de 1563, Júpiter passou muito perto de Saturno; Tycho descobriu que as Tabelas Alfonsinas erraram por um mês ao predizer o evento, e as tabelas de Copérnico erraram por vários dias. Ele decidiu que melhores tabelas poderiam ser calculadas após observações exatas e sistemáticas das posições dos planetas por um longo período de tempo, e que ele as realizaria.
Em 1572, outro evento importante aconteceu. Em 11 de novembro, Tycho notou uma nova estrela na constelação de Cassiopéia, mais brilhante que Vênus. A estrela era tão brilhante que podia ser vista à luz do dia, e durou 18 meses. Era o que hoje em dia se chama de uma supernova, um evento raro. A grande pergunta era se esta estrela estava na alta atmosfera da Terra, mais perto do que a Lua, onde mudanças podiam ocorrer, ou se estava no céu, contradizendo o dogma do grego Aristóteles, incorporados pelos cristãos, de que a esfera celeste era imutável. Tycho tinha recém terminado a construção de um sextante com braços de 1,6 metros, com uma escala calibrada em minutos de arco, muito mais preciso do que qualquer outro já construído até então, e demonstrou que a estrela se movia menos do que a Lua e os planetas em relação às outras estrelas, e portanto estava na esfera das estrelas. Publicou suas observações no De Nova et Nullius Aevi Memoria Prius Visa Stella (Sobre a Nova e Previamente Nunca Vista Estrela), em Copenhague em 1573.
Em 1575 Tycho já era famoso em toda a Europa, e o Rei Frederick II, que seu tio havia salvo, ofereceu-lhe uma ilha inteira, chamada Hveen, perto do castelo de Hamlet em Elsinore. A Dinamarca pagaria a construção de um observatório, e os habitantes da ilha, cerca de 40 famílias, se tornariam seus súditos.
Tycho então construiu seu castelo dos céus, Uraniburg, e vários instrumentos. Vários relógios (clepsidras, baseadas no escorrimento da água, ampulhetas de areia, velas graduadas ou semelhantes) eram usados ao mesmo tempo para medir as observações o mais precisamente possível, e um observador e um marcador de tempo trabalhavam juntos. Com seus assistentes, Tycho conseguiu reduzir a imprecisão das medidas, de 10 minutos de arco deste o tempo de Ptolomeu, para um minuto de arco. Foi o primeiro astrônomo a calibrar e checar a precisão de seus instrumentos periodicamente, e corrigir as observações por refração atmosférica. Também foi o primeiro a instituir observações diárias, e não somente quando os astros estavam em configurações especiais, descobrindo assim anomalias nas órbitas até então desconhecidas.
Em 1588 publicou Mundi Aetherei Recentioribus Phaenomenis (Sobre o Novo Fenômeno no Mundo Etéreo), em Uraniburg, sobre suas observações do cometa que apareceu em 1577, demonstrando que o cometa se movia entre as esferas dos planetas, e, portanto, que o "céu" não era imutável, e as "esferas cristalinas", concebidas na tradição greco-cristã, não eram entes físicos.
Tycho propôs seu próprio modelo, em que todos os planetas giravam em torno do Sol, com excessão da Terra. O Sol e a Lua, em seu modelo, giravam em torno da Terra.

Ainda em 1588, o rei faleceu e Tycho foi desatencioso com o novo rei, Christian IV, e com a alta corte de justiça. Seus rendimentos foram drasticamente reduzidos, e em 1597 Tycho deixou a Dinamarca com todos seus equipamentos. Em 1598 publicou Astronomiae Instauratae Mechanica (Instrumentos para a Astronomia Restaurada), em Wandsbeck.
Em 1599 ele chegou em Praga, onde o Imperador Rudolph II o nomeou matemático imperial, e pôde continuar suas observações. Em 1600 contratou Johannes Kepler para ajudá-lo, e faleceu em 24 de outubro de 1601. Está enterrado na Igreja Tyn, em Praga.
Fonte: www.if.ufrgs.br
Astrónomo dinamarquês. Filho de uma família da aristocracia sueca, começa a estudar Direito em Copenhaga em 1559. Ao que parece, o eclipse do Sol do 21 de Agosto de 1560 determina uma nova orientação dos seus estudos. Em 1562 a sua família envia-o para estudar Direito em Leipzig, mas Brahe dedica-se ao estudo da Astronomia e, sem mais instrumentos que alguns compassos, detecta erros nas tabelas afonsinas originados pela refracção atmosférica, que também estuda. Em 1569 instala-se em Augsburgo, onde faz construir um quadrante de precisão. Em 1571 volta ao seu país, onde constrói um observatório e se dedica à alquimia. Em 1573 publica a aparição de uma nova estrela (uma supernova). Nesse ano casa-se com uma camponesa, o que lhe causa problemas com a família.
Em 1574, a pedido de Frederico II dá aulas de Astronomia em Copenhaga. Pouco depois, o monarca coloca à sua disposição a ilha de Hveen para que construa um observatório, o melhor dotado da Europa naqueles tempos (1577), que recebe o nome de Uranienborg. Com o grande telescópio e outras ferramentas que manda construir, realiza as suas observações durante vinte anos, e elabora um catálogo de estrelas. Em 1588 morre o seu protector, e Brahe, homem de carácter difícil, vê-se privado de subvenções em 1594, pelo que emigra com os seus instrumentos para Praga, sob a protecção de Rudolfo II (1600). Ali tem Kepler como ajudante. Trabalha até à morte na elaboração das «tabelas rudolfianas».
Opõe-se às teorias copernicanas. O seu sistema é intermédio entre o ptolomaico e o copernicano, pois faz girar os planetas ao redor do Sol, e este ao redor da Terra. O principal mérito de Brahe é a abundância das suas observações e a precisão destas, que permitem ao seu discípulo Kepler enunciar as famosas leis que têm o seu nome.
Fonte: www.vidaslusofonas.pt