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Valores Morais

Ética: decidir entre humanos

A ética não se ocupa em saber como se alimentar melhor, qual a maneira mais recomendável de se proteger do frio ou o que fazer para atravessar um rio sem se afogar, todas questões muito importantes, sem dúvida, para a sobrevivência em determinadas circunstâncias; o que interessa a ética é como viver bem a vida humana, a vida que transcorre entre humanos. (SAVATER, Fernando. Ética para meu filho.)

Ultimamente "ética" tem sido uma palavra muito utilizada em nosso cotidiano, mas não há consenso sobre o seu significado. Comecemos, então, lembrando de algumas circunstâncias nas quais ela pode aparecer.

Algumas vezes, ouvimos dizer que Fulano é muito ético, ou que Sicrano não tem ética. Nessas avaliações, a ética é tratada como algo que as pessoas podem ter ou não. Também são comuns os debates sobre a ética relacionados a uma atividade humana específica, tais como ética profissional, ética política, ética esportiva, bioética, ética médica, ética religiosa e tantas outras. Nesses casos, a palavra ética normalmente se refere a um código de condutas que deve orientar as pessoas que exercem essas atividades.

Valores Morais
Deusa Themis

Podemos, também, dizer que uma determinada pessoa agiu bem, que foi corajosa ao enfrentar uma situação difícil ou que foi covarde ao fugir de sua responsabilidade. Nesses casos, também há uma discussão sobre ética. A palavra, aqui, representa um conjunto de parâmetros sobre o que é agir bem que permite a aprovação ou a reprovação dos comportamentos das pessoas. Como se vê, os usos cotidianos do termo "ética" são diversos, nem sempre indicando a mesma coisa. Essa multiplicidade de significados também aparece nas discussões filosóficas, que remontam ao século V aC, nas cidades-estado gregas.

Entretanto, mesmo sendo uma palavra usada com sentidos e intuitos muito diferentes, ética se refere sempre ao que um dado grupo social entende como o que deve ser o bom comportamento humano. Sendo assim, as discussões sobre ética se referem aos modos de valorar os próprios comportamentos e o das outras pessoas e, também, aos parâmetros que servem para orientar essas ações. A origem do termo ética remonta ao termo grego "ethos", que significa costumes e hábitos sociais. Já a palavra moral tem origem no termo "mores", do latim, e tem o mesmo significado. No entanto, historicamente esses conceitos foram adquirindo significados diferentes. Alguns autores definem moral como conjunto de princípios, crenças, regras que orientam o comportamento das pessoas nas diversas sociedades e ética como reflexão crítica sobre a moral e também como a própria realização de um tipo de comportamento. Outros autores, por sua vez, procuram distinguir as duas palavras usando o termo moral para os códigos de valores diferentes e específicos que existem e o termo ética para a busca de valores universais, que seriam válidos no âmbito da humanidade como um todo e não apenas em um grupo específico. Nesse texto não entraremos na minúcia dessas discussões, pois nosso objetivo é, apenas, fazer algumas reflexões gerais sobre os valores morais e algumas de suas relações com as ações humanas.

Valores morais e vida social

Os valores morais são juízos sobre as ações humanas que se baseiam em definições do que é bom/mau ou do que é o bem/o mal. Eles são imprescindíveis para que possamos guiar nossa compreensão do mundo e de nós mesmos e servem de parâmetros pelos quais fazemos escolhas e orientamos nossas ações. Eles estão presentes nos nossos pensamentos, nas coisas que dizemos e escrevemos e, claro, nas nossas ações. Apesar dessa presença em toda a nossa vida, as ocasiões mais propícias para investigarmos sua importância para a compreensão e direcionamento das ações são aquelas em que somos chamados a fazer escolhas importantes. Nesses momentos, sabemos que não podemos agir em função da primeira coisa que passar pela cabeça; precisamos pensar bem, avaliar o que realmente queremos, quais as conseqüências se fizermos isso ou aquilo, o que perdemos e o que ganhamos. Uma das principais dificuldades em tomar decisões significativas é que nunca sabemos exatamente o que vai acontecer se fizermos isso ou aquilo. Não temos controle sobre as ações dos outros; entre o que planejamos e o que acontece realmente existem muitas variáveis. Além disso, as situações que vivemos nunca são puramente boas ou más; ao contrário, na maior parte das vezes são ambíguas. Outra dificuldade é que um mesmo ato pode ser bom em uma ocasião e completamente reprovável em outra. Não faltam exemplos de dilemas nas situações do cotidiano e respostas diferentes para cada questão. Um jovem casal sempre se previne em suas relações sexuais, mas a menina acaba por engravidar; eles não têm condições materiais nem mesmo emocionais de educar o filho. Diante disso, deve-se ou não fazer um aborto? Um parente querido está muito doente e só se mantém vivo por estar ligado a aparelhos; não há possibilidades de que ele volte a viver bem e o sofrimento de todos é muito grande. Devem-se desligar os aparelhos ou não? Um chefe de família desempregado vê seu filho adoecer e não tem dinheiro para comprar os remédios para curá-lo; ao passar por uma farmácia, vê vários deles expostos. Deve se arriscar e furtar uma caixa ou não? No mundo natural, esses dilemas não estão colocados. A natureza é o reino da necessidade, da determinação. Por mais que um animal seja capaz de expressar sentimentos como raiva, afeto, ansiedade e calma; ou vontades como fome, sono ou sede, ele não é capaz de levar esses desejos e essas vontades à consciência, de construir representações verbais sobre elas, de negociar a interpretação delas com outros seres e, a partir daí, planejar sua ação no tempo e no espaço. No reino da natureza, a ação é dada em um constante aqui e agora. A existência de um animal é restrita aos limites impostos pela sua condição natural.

A existência de cada ser humano, por sua vez, precisa ser inventada. Nascemos biologicamente humanos, mas precisamos transformar nossa natureza biológica e desenvolver todos os saberes que são necessários para vivermos com as pessoas com as quais nos relacionamos. Assim, ao longo de nossas vidas, vamos construindo nosso modo de ser, pensar, vamos revendo nossos planos e nossas maneiras de agir e se relacionar com os outros. A intermediação da consciência é decisiva para a constituição da ação humana. Após nascermos, ao tomarmos parte das atividades da vida social, vamos desenvolvendo uma vida interior marcada por representações das relações que estabelecemos conosco, com os outros e com o meio externo a nós. O desenvolvimento da consciência e da linguagem nos permite trazer à consciência nossas necessidades, vontades e nossos desejos. A partir daí, podemos interpretar o que se passa conosco e com os outros, imaginar o futuro, mobilizar experiências e saberes já realizados e podemos, enfim, orientar nossas ações futuras segundo determinadas finalidades. Todas essas possibilidades, no entanto, podem dar a impressão de que vivemos em grande liberdade, mas isso é relativo. Há uma série de circunstâncias que acontecem conosco e nas quais nos vemos envolvidos sem que as tenhamos escolhido. Por essa razão, podemos afirmar que a vida social instaura a construção histórica e sempre relativa da liberdade. Desse modo, embora nossa liberdade tenha limites, é possível afirmar que nossas condutas não são inteiramente determinadas de fora e jamais temos apenas uma alternativa a seguir. Nossa capacidade de interpretar o mundo e orientar nossas ações no tempo nos dá, a cada instante, um leque de possibilidades para novos aranjos de vida, Sendo assim, não podemos evitar nossa liberdade relativa, nem suas conseqüências. Portanto, nós precisamos, necessariamente, fazer escolhas para inventarmos, dentro de certos limites, e nas possibilidades que nos são dadas, a nossa vida. Diante disso é comum nos depararmos com dúvidas como o que devemos fazer? Como saber o que é mais importante ou urgente? Como escolher? Os valores morais servem justamente para orientar as pessoas no momento de escolhas e de construção de suas existências. Como a ação humana é aberta e não inteiramente determinada, toda comunidade humana precisa criar valores que permitam distinguir os comportamentos desejados e bons dos indesejados e maus. Do mesmo modo, toda sociedade promove uma reflexão crítica sobre seus valores morais e suas práticas reais. Assim, todos nós fazemos apreciações morais e nos colocamos indagações sobre o que é bom e mau. Por essa razão, todo mundo tem valores morais e não há ninguém sem ética. O que acontece, com freqüência, é que os valores variam entre pessoas e grupos são diferentes e, muitas vezes, podem questionar e mesmo agredir nossas convicções do que é certo ou justo.

A historicidade dos valores morais

Criados na vida social para orientar as ações humanas e regular a relação entre as pessoas, os valores morais não têm validade universal. Ao contrário, eles são válidos apenas em um contexto específico, no quadro de uma cultura determinada, e têm existência histórica.

Os valores são válidos apenas em contextos específicos, ou seja, em um determinado aqui/agora, porque um comportamento bom e aprovável em um certo momento pode ser ruim e profundamente reprovável em outro. Mentir é reprovável na maioria das ocasiões, mas quem recriminaria as pessoas que, fugindo da perseguição do exército nazista, mentiram sobre o paradeiro de seus colegas e não os entregaram?

São válidos no quadro de uma cultura, porque os valores não fazem sentido isolados de todas as outras dimensões da vida humana. Assim, é preciso levar em conta o quadro de relações que leva um grupo a definir alguns comportamentos como aprováveis ou reprováveis. Por essa razão, um mesmo ato pode ter sentidos diferentes se tiver acontecido nas classes médias urbanas de metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro ou em uma pequena cidade interiorana; se uma ação ocorre entre um povo indígena ou em um país do oriente.

Esses valores são válidos historicamente porque são criações humanas e, como tais, atendem a necessidades de um determinado grupo e um dado momento.

Por isso, são passíveis de mudanças.

A história das mulheres nas sociedades ocidentais ao longo do século XX pode exemplificar essas mudanças: uma série de comportamentos mal vistos e indesejados há 50 anos hoje são aceitos e até mesmo valorizados.

Como se vê, os valores morais não estão organizados em uma tábua de prescrições de condutas que levam automaticamente a um vida boa. Ao contrário, eles são criações humanas ligadas às condições de vida historicamente criadas. Não podemos ter tudo a todo instante e aprender a decidir é, também, aprender a hierarquizar o que é mais importante do que é menos importante na situação em que a escolha nos é colocada.

Liberdade e Dependência

Como se pode deduzir, a questão da liberdade é um dos grandes temas nas discussões morais. Mais que escolher entre duas alternativas, liberdade é decidir conscientemente por que se está tomando esta atitude e não outra. Assim, a liberdade pressupõe uma pessoa que interiorize as razões pelas quais se age, ou seja, um sujeito que se coloca como a causa última das próprias ações.

Para interiorizar as razões de nossas ações, é preciso:

Analisar a situação

Ter consciência das vontades e necessidades 

Esforço para antever as conseqüências que essa ou aquela ação pode provocar.

O desenvolvimento da consciência e da capacidade de atribuir sentido ao mundo, portanto, aumentam a possibilidade de ação livre das pessoas. Ao contrário, nas situações em que não conseguimos compreender o que está se passando, que não entendemos o que nos acontece, nossa capacidade de tomar decisões é muito mais limitada e restrita.

Entretanto, a realização da liberdade não depende apenas da capacidade de compreensão do mundo e de planejamento da ação. Para além disso, é preciso reunir as condições objetivas para a ação acontecer. Assim, o acesso aos meios de vida criados socialmente também são condições para a realização da liberdade.

A liberdade permite que o sujeito tome decisões e possa ser o autor, em certa medida, de sua própria existência. Entretanto, para viver a liberdade, precisamos nos responsabilizar por ela, ou seja, a liberdade traz em contrapartida a responsabilidade. Somos livres para tomar uma decisão, mas devemos assumir a autoria daquilo que decidimos fazer.

No campo contrário ao da liberdade, está a dependência. A ação dependente é baseada em uma causa externa e as escolhas não são feitas a partir de uma reflexão e da própria compreensão do mundo.

Podemos concluir, portanto, que a liberdade é uma construção histórica que depende do trabalho dos humanos. No mundo da natureza não há liberdade possível, pois nas condições da ação natural não existe representação consciente do mundo, nem ação planejada e orientada a finalidades. Por ser um mundo restrito aos limites dados previamente e sujeito ao que acontece, a natureza é o mundo da necessidade e da dependência.

Assim, a reflexão sobre os valores morais serve para aprendermos a lidar melhor com a nossa capacidade de escolher e com o uso dessa particularidade humana, que é a liberdade. Ao definirmos o que é bom ou mau, estamos projetando um modo de viver humanamente, em sociedade. Por essa razão, a reflexão sobre liberdade e responsabilidade não pode deixar de ser feita tendo em vista as relações humanas.

Nós nos formamos na interação com os outros. Sem o outro, não poderíamos desenvolver nossos conhecimentos, modos de agir, nem nossa consciência. Assim, é na relação com o outro que podemos exercer a liberdade. Por esse motivo, podemos concluir que reconhecer o outro como humano livre e tratá-lo como tal, fortalecendo sua liberdade, não é uma atitude altruísta pura e simplesmente, não é uma ação que beneficia apenas o outro. Tratar o outro como humano é criar condições para que o outro, fortalecido na sua condição de humano, possa reconhecer e fortalecer a nossa própria condição humana, a nossa liberdade.

Fonte: www.educared.org

Valores Morais

DESENVOLVIMENTO DE VALORES MORAIS, ÉTICOS E CIENTÍFICOS NA EDUCAÇÃO

RESUMO

Neste texto pretende-se discorrer sobre uma proposta de intervenção realizada em uma instituição de ensino estadual no município de Curitiba, envolvendo professores e alunos do Ensino Médio, buscando analisar como se desenvolve a moralidade nas pessoas e como resgatar valores esquecidos como cordialidade, respeito, solidariedade, perseverança e fraternidade. Para tanto, discutir-se-á o que são valores morais ou éticos, e como a escola pode situar-se em relação a eles.

Em seguida, serão relatadas algumas observações a respeito de valores de professores e alunos e práticas daí decorrentes. Finalmente, defender-se-á a idéia de que é necessária uma discussão sobre valores desencadeada pelos diversos membros da escola e uma opção por uma metodologia para ensiná-los, seja para os professores, em sua formação inicial e continuada, seja para os alunos. A teoria de desenvolvimento moral de Jean Piaget e Lawrence Kolhberg, serão apresentadas como uma referência possível para a educação em valores.

INTRODUÇÃO

Na sociedade globalizada, convivem pessoas de culturas diferentes com distintos valores e convicções religiosas. A educação, como uma das instâncias da sociedade, possui uma dimensão moral, que tem a intenção de realizar uma educação na perspectiva do desenvolvimento da capacidade de autonomia das crianças e jovens com que se trabalha. A moral já se encontra presente na prática educativa que se desenvolve nas escolas. No cotidiano escolar, os valores se traduzem no regulamento escolar e nas finalidades do ensino e aprendizagem, tornando-se necessário que se reflita sobre esses princípios e essas regras, para que se instalem no ambiente escolar, ações e relações democráticas. O desafio que se apresenta à escola, é trabalhar com crianças e adolescentes de maneira responsável e comprometida, do ponto de vista ético, proporcionando as aprendizagens de conteúdos e desenvolvendo capacidades que possam transformar a comunidade de que fazem parte, fazendo valer o princípio da dignidade e criando espaços de possibilidade para a construção de uma sociedade na qual a questão da moralidade deva ser uma questão de todos e de cada um.

MORAL E ÉTICA

Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim,que vem de “mores”, significando costumes. Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano.

Já a palavra Ética, Motta (1984) define como : “um conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma como o homem deve se comportar no seu meio social.

A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. A ética investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) diz que a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra, havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são indissociáveis.

É fato que é na polis - espaço organizado de vida e relação entre os indivíduos, que se configuram valores, se estabelecem direitos, se prescrevem normas, regras, leis. É dentro do contexto social, dos grupos de que faz parte, que o indivíduo desenvolve suas potencialidades, inclusive sua moralidade.

Então, podemos conceituar moral como:

sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal.(VASQUEZ 1998, p.84)

DESENVOLVIMENTO DA MORALIDADE SEGUNDO JEAN PIAGET

Na teoria conhecida como Psicologia Genética do psicólogo suíço Jean Piaget, a inteligência não é inata, entretanto a gênese da razão, da afetividade e da moral é feita progressivamente através de estágios sucessivos, onde a criança organiza o pensamento e o julgamento. O saber é construído e não imposto de fora.

Nessa perspectiva, o desenvolvimento moral é concomitante ao desenvolvimento lógico, com aspectos paralelos de um mesmo processo geral de adaptação.

Piaget escreveu o texto “Os procedimentos de Educação Moral” em 1930, em que apresenta os resultados de suas pesquisas acerca da construção da moralidade. Nesse texto, o autor defende a necessidade de se educar moralmente e discorre sobre a importância do papel das relações sociais (interação) nessa educação. Piaget diz que tanto as relações de coação como as de cooperação são importantes.

Num primeiro momento, a coação se faz necessária para que a criança conheça as regras e tenha noções sobre o bem e o mal, o certo e o errado.

Estudando a construção da moralidade infantil, descobriu que o desenvolvimento das crianças mostra duas tendências basicamente opostas de moral: “ a moral do dever ”, ou heteronomia, onde uma criança segue as regras fixadas pelas autoridades que a rodeiam (pais, irmãos mais velhos, etc) e as obedece por temor à perda de afeto ou ao castigo; é uma moral fruto de um tipo de relação social em que predomina o respeito unilateral e que Piaget chamou de coação; e a “moral do bem”, ou autonomia, resultado da formação na qual a criança pode se ver cada vez mais livre de autoridades e capaz de construir normas entre iguais. É necessário e inevitável que a criança passe pela fase da heteronomia, de obediência à autoridade, para que, depois, o espírito de cooperação possa ser construído, através do respeito mútuo e da reciprocidade. O objetivo da educação moral, portanto, é a de auxiliar a criança em construir sua autonomia.

A educação moral, para Piaget, não constitui uma matéria especial de ensino, mas um aspecto particular da totalidade do sistema, dessa maneira, as crianças e os jovens não devem ter “aulas” de educação moral, mas vivenciar a moralidade em todos os aspectos e ambientes presentes na escola. Nesse sentido, os trabalhos em grupo são uma atividade facilitadora para a construção da autonomia, pois as crianças, ao trabalharem juntas, podem trocar pontos de vista, discutir, ganhar em algumas idéias e perder em outras, enfim, podem exercer a democracia. Do ponto de vista de Piaget, educar moralmente, é proporcionar à criança situações onde ela possa vivenciar a cooperação, a reciprocidade e o respeito mútuo e assim, construir a sua moralidade.

DESENVOLVIMENTO MORAL SEGUNDO LAWRENCE KOHLBERG

Lawrence Kohlberg dominou os estudos sobre desenvolvimento moral nas últimos tempos. Estudou a moralidade do ponto de vista cognitivista, assim como Piaget. Esse autor iniciou publicamente seus trabalhos sobre julgamento moral com sua defesa de tese de doutorado em 1958, na Universidade de Chicago, intitulada "O desenvolvimento dos modos de pensamento e opção moral entre dez e dezesseis anos", tendo alguns anos depois se fixado na Universidade de Harvard, até sua morte em 1987, aos 59 anos de idade.

Criou a teoria dos estágios morais, pois acreditava que o nível mais alto da moralidade exige estruturas lógicas novas e mais complexas do que as apresentadas por Piaget. Assim, segundo o autor, existem três níveis de moralidade.

O primeiro chamou de nível pré-convencional que se caracteriza pela moralidade heterônoma, onde “as regras morais derivam da autoridade, são aceitas de forma incondicional e a criança obedece a fim de evitar castigo ou para merecer recompensa“ (Aranha e Martins, 2003, p.311). O indivíduo deste estágio, define a justiça em função de diferenças de poder e status, sendo incapaz de diferenciar perspectivas nos dilemas morais. Há neste nível um segundo estágio, o qual Kohlberg, chamou de moralidade de intercâmbio, pois inicia-se o processo de descentração, possibilitando ao indivíduo perceber que outras pessoas também tem seus próprios interesses, porém a moral ainda permanece individualista, fazendo com que estabeleça trocas e acordos.

O segundo nível, foi chamado de nível convencional, o qual valoriza-se o reconhecimento do outro e inclui dois estágios: o da moralidade da normativa interpessoal e o da moralidade do sistema social. No primeiro começa-se a seguir as regras para assim garantir um bom desempenho do papel de "bom menino" e de "boa menina", percebe-se uma preocupação com as outras pessoas e seus sentimentos. Já no segundo estágio, o indivíduo "adota a perspectiva de um membro da sociedade baseada em uma concepção do sistema social como um conjunto consistente de códigos e procedimentos que se aplicam imparcialmente a todos os seus membros" (Diáz-Aguado e Medrano, 1999, p. 31).

O terceiro nível foi chamado de nível pós-convencional, considerado por Kohlberg, como o mais alto da moralidade, pois o indivíduo começa a perceber os conflitos entre as regras e o sistema, o qual foi dividido entre o estágio da moralidade dos direitos humanos e o estágio dos princípios éticos universais.

Neste nível, os comportamentos morais passam a ser regulados por princípios,"os valores independem dos grupos ou das pessoas que os sustentam, porque são princípios universais de justiça: igualdade dos direitos humanos, respeito à dignidade das pessoas, reconhecimento de que elas são fins em si e precisam ser tratadas como tal. Não se trata de recusar leis ou contratos, mas de reconhecer que eles são válidos porque se apoiam em princípios" (Aranha e Martins, 2003, p. 312).

Os alunos podem entender um nível mais alto de julgamento moral desde que alguém os explique.Todo indivíduo é potencialmente capaz de transcender os valores da cultura em que ele foi socializado, ao invés de incorporá-las passivamente. Este é o ponto central na teoria de Kohlberg e que representa a possibilidade de um terreno comum com teorias sociológicas cujo objetivo é a transformação da sociedade. O pensamento pós convencional, enfatizando a democracia e os princípios individuais de consciência, parece essencial à formação da cidadania.

CONSIDERAÇÕES DE OUTROS AUTORES

É importante citar o trabalho do professor Josep Maria Puig, catedrático em Teoria da Educação pela Universidade de Barcelona e coordenador do Grupo de Pesquisa em Educação Moral (Grem), pois é reconhecido como um dos maiores especialistas em educação moral na Espanha.

Este autor entende a educação moral como construção da personalidade moral; o que introduz um novo conceito às idéias de Piaget que considera a educação moral como desenvolvimento.

Segundo Puig, a educação moral pressupõe uma tarefa construtiva e deve levar em consideração as diferenças e os valores culturais de todos os grupos sociais. É necessário, ainda, atentar para alguns elementos presentes na moralidade, como por exemplo, as emoções e os sentimentos.

Para esse autor, a educação moral como desenvolvimento entende que o domínio progressivo de formas de pensamento moral é um valor desejável em si mesmo e, sem dúvida nenhuma, o seu principal objetivo. No entanto, vale destacar sua capacidade de fundamentar uma idéia de autonomia baseada na reflexão, e não na escolha, assim como sua eficácia para fundamentar a educação moral além das crenças concretas.

A educação moral como desenvolvimento, defendida por Piaget, não esclarece muito quando se trata de considerar problemas morais contextualizados e concretos; não consegue localizar corretamente as aquisições morais das gerações anteriores que parece lógico conservar e transmitir; tem dificuldade para acomodar elementos da personalidade moral tais como os sentimentos e as emoções ou, ainda, a necessidade de explicar a própria conduta moral .

É com base nessas críticas que Puig propõe certas reformulações à teoria piagetiana da construção da autonomia, inserindo a idéia de construção da personalidade moral, o que, obviamente, inclui, também, a autonomia.

Primeiramente, essa construção propõe a adaptação dos indivíduos à sociedade e à si mesmos, ou seja, a aquisição de normas básicas de convivência e o reconhecimento de seus próprios pontos de vista. À esse primeiro passo para a construção da personalidade moral, Puig dá o nome de clarificação de valores.

São propostos exercícios para auxiliar esse auto-conhecimento, que têm como objetivo: iluminar melhor o horizonte valorativo do sujeito, ou conduzir processos de valoração que provoquem a assimilação de novos valores.

Os procedimentos metodológicos incluem: perguntas clarificadoras, frases inacabadas, dinâmicas e exercícios expressivos como folhas de pensamento, folhas de revisão, jogos de entrevista, jogos de seleção e trabalhos com fotografias.

O segundo momento da construção da personalidade moral consiste em adquirir elementos culturais e de valor que se constituem como horizontes normativos desejáveis, tais como a justiça, a igualdade, a liberdade e a solidariedade. É necessário, ainda, formular capacidades pessoais de julgamento, compreensão e auto-regulação, o que permitirá o enfrentamento autônomo do indivíduo com os inevitáveis conflitos de valores.

Nesse sentido, Puig propõe, como procedimentos metodológicos, uma série de recursos, tais como: discussão de dilemas morais (baseados nos procedimentos de investigação de Kohlberg), exercícios de role-playing, compreensão crítica, enfoques socioafetivos, exercícios de auto-regulação, exercícios de role-model, exercícios de construção conceitual, habilidades sociais, resolução de conflitos e atividades informativas .Assim, o último momento da educação moral com vistas à construção da personalidade, seria o de tomar conhecimento de sua própria biografia moral, conhecer seus valores e ter as habilidades necessárias para viver uma vida que valha a pena ser vivida e que produza felicidade a quem a vive.

As análises de Puig aprofundam as reflexões de Piaget, mas deixam a desejar no que se refere às relações sociais estabelecidas dentro da escola e que têm papel central na construção da autonomia. Nesse sentido, outros pesquisadores oferecem contribuições valiosas.

Autores como Maria Rosa Buxarrais (1997) e Miguel Martínez Martín (1998), também membros do Grupo de Investigação em Educação Moral (GREM) da Universidade de Barcelona ( Espanha) são bons exemplos de aprofundamento da questão social (interação), fator importante para a construção da moralidade e face pouco explorada por Puig.

Segundo Buxarrais (1997), um “projeto de educação moral” deve levar em conta a realidade do país, as questões políticas relacionadas à concepção de escola e a preparação do corpo docente, para que possa elaborar um currículo onde estejam presentes: o conceito de educação, as características socioculturais do grupo, as dimensões da personalidade moral, as estratégias de trabalho e os âmbitos temáticos a serem trabalhados.

Dessa forma, toda a escola deve estar engajada em seu programa de educação moral, caso tenha optado por ele de forma democrática. Esse trabalho não pode ser desenvolvido apenas na sala de aula, entre professor e alunos, mas em toda a escola, que deve constituir-se como um ambiente sócio-moral que permita a construção da autonomia moral e intelectual.

Ainda segundo essa autora, a educação moral deve contribuir para a aquisição de critérios que guiem, regulem e proporcionem normas orientadoras para a vida prática das pessoas e da coletividade, tais como a crítica, o princípio de alteridade, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a implicação e o compromisso.

A crítica é o instrumento que permite ao indivíduo analisar a realidade e entrar no mundo dos valores determinando aquilo que é justo e o que não é. O princípio de alteridade é o que leva à descentração e às trocas efetivas entre pessoas, onde a justiça e a solidariedade devem ocupar lugar central. A Declaração Universal dos Direitos Humanos e outras leis, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, podem se apresentar como instrumentos úteis para se fazer uma análise crítica da realidade cotidiana. A implicação e o compromisso são fatores que tornam os critérios anteriores possíveis, não fazendo deles simples declarações mas princípios que tenham significado em nível pessoal e coletivo.

Martín ( 1998) introduz um novo conceito à educação moral: o de contrato moral dos professores. Segundo esse autor, é necessário haver um clima sóciomoral na instituição educativa e um “estilo” do corpo docente que garantam um bom convívio entre professores e alunos. O que Martín propõe é um compromisso efetivo do corpo docente com a questão dos valores, criando um clima institucional de caráter moral oportuno para o êxito dos objetivos que presidem a proposta de educação moral e em valores desse grupo.

AÇÕES EDUCATIVAS PARA A FORMAÇÃO ÉTICA

Para a realização do trabalho de pesquisa foi feita uma avaliação diagnóstica onde 123 alunos do Ensino Médio responderam as questões: De onde vem as regras e normas? O que são princípios? Qual a diferença entre princípio e regra? O que são direitos? O que são deveres? Como garantir que nossos direitos sejam respeitados? As respostas foram variadas , mas nenhum aluno conseguiu vincular as perguntas com a questão da ética e da moral, tornando impossível a construção do conceito sem falar sobre o assunto a ser tratado.

Constatou-se que de acordo com suas respostas aos questionamentos, em relação a teoria de Jean Piaget 80% dos alunos se encontram na fase da heteronomia, pois as respostas foram as seguintes: as regras vem “de casa“, “do trabalho“, “da escola“, “da sociedade“, “da autoridade imposta pela sociedade“, “do estatuto da criança e do adolescente” , “e em alguns casos de uma junta formada pelos pais e professores e a diretoria do colégio”; “princípio é para ser seguido e regra para ser obedecida”; “direito é o que a gente pode fazer e dever é o que devemos cumprir”; para garantir que os nossos direitos sejam respeitados devemos “exigi-los“, “chamar a polícia”. Segundo a teoria de Lawrence Kohlberg se encontram no estágio convencional, onde o que é certo ou errado depende dos padrões aprovados pela sociedade.

Na avaliação com os professores as perguntas foram mais diretas: Quais os valores que você considera importante para desenvolver nos alunos? Você acha importante o estudo da moral e da ética na escola? Responderam aos questionamentos quinze professores onde todos concordam que o valor mais importante a ser trabalhado é o respeito e que o assunto é de extrema relevância para o desenvolvimento de um bom trabalho na escola.

Um dos professores respondeu: “No mundo de hoje, tudo virou um “oba-oba“, ninguém mais respeita ninguém e é urgente que, já que a família não assume a sua responsabilidade, a escola se posicione em relação ao desenvolvimento dos valores”; outro respondeu: “é muito importante trabalhar valores, porque os alunos não se importam em fazer coisas erradas e achar que “não dá nada””.

Os dados confirmam a hipótese de que todos acham que a educação moral é importante, mas não a assumem como tarefa do processo de escolarização, esperando-se que ela ocorra naturalmente, achando que a família é a principal responsável por esta educação. Apesar da constatação da importância da escola, do processo educativo no desenvolvimento moral e ético dos alunos, ela parece ser, muitas vezes, negligenciada no contexto escolar.

Foi apresentado o filme “A corrente do bem”, que conta a história de um estudante que, estimulado por seu professor, cria um jogo para melhorar o mundo,onde o filme nos leva a entender que a escola deve ser um lugar onde os valores morais são passados, refletidos, e não meramente impostos, pois neste contexto de caos social nada se impõe. A escola deve ser democrática, com espaço de aula reservado aos conhecimentos relacionados também a temas morais. A contribuição da escola, portanto, é a de desenvolver um projeto de educação comprometido com a ação reflexiva de questões relacionadas a valores morais que ajudem o jovem a construir e hierarquizar sua própria escala de valores.

Apresentou-se um texto conceituando ética e moral e uma atividade que propôs a professores e alunos, relatos de experiências sobre os pressupostos da ética e suas implicações na educação, como: histórias de família, da comunidade, um filme, um livro, e outros e uma pesquisa onde os alunos analisaram e debateram sobre situações reais vividas pela comunidade e trazidas pela literatura e pela mídia propiciando o conhecimento da realidade brasileira, onde percebeu-se que a cultura global está clamando pela paz, pela igualdade de direitos, pelo respeito às diversidades, à individualidade, pela preservação do meio ambiente, pela compreensão do outro. A escola deve incorporar esses valores e alimentá-los permanentemente. Todas as atividades educativas devem ser construídas apoiadas nesses valores que, ao mesmo tempo surgem das atividades de toda a comunidade escolar.

Apresentou-se textos para análise e debate: “O desenvolvimento da moralidade na teoria de Jean Piaget”, “Desenvolvimento moral segundo Lawrence Kohlberg” e a análise de alguns dilemas morais, bem como a confecção de outros, percebendo-se que os conflitos morais que aparecem no dia-a-dia das aulas não são discutidos com os alunos. Muitas vezes há uma postura de indiferença perante eles por parte do professor, perdendo-se a oportunidade de se realizar uma reflexão sobre os valores. Parece que os professores têm um certo temor em realizar essas discussões, havendo uma omissão dentro do processo de escolarização.

Em relação a teoria de Piaget, percebe-se que há dentro do contexto escolar relações tanto de cooperação como de coerção, relações de respeito unilateral e mútuo, noção de justiça, sanções, punições e responsabilidade, nota-se um favorecimento da escola para o desenvolvimento dos alunos em direção a autonomia moral de acordo com os procedimentos utilizados por alguns professores como: exposição dos objetivos das disciplinas e atividades para o seu desenvolvimento cognitivo e aquisição dos conteúdos utilizando muitas vezes metodologias como: trabalhos em grupo, diálogo, reflexão com os alunos sobre os assuntos abordados. E por outro lado, professores que são autoritários, prevalecendo na relação a repressão e a indiferença, gerando um ambiente tenso, indisciplinado e improdutivo, servindo como obstáculo ao desenvolvimento moral, pois reforça o respeito unilateral,a coerção e a heteronomia.

Ao final de cada tópico, foi trabalhada uma atividade de reflexão com os quadrinhos da Mafalda. Na conclusão, reflexões para a busca de alternativas sobre os problemas enfrentados na escola e confecção de um quadro envolvendo regras de convivência.

As práticas iniciadas na escola estão num processo de construção, sendo portanto, necessário se pensar de forma profissional na inclusão de um trabalho efetivo com relação à educação moral, pois esta deve ser tratada de forma concreta dentro do processo de escolarização por todo educador que almeja um mundo melhor para todas as pessoas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A discussão sobre a moralidade é complexa e seu caráter não é apenas teórico, pois envolve de forma direta ou indireta quase todas as ações humanas cotidianas. Seu estudo é um dos aspectos mais importantes na compreensão do processo de socialização humano. Portanto, a vida exige uma orientação moral, uma postura em que as ações passem por uma reflexão, uma decisão e um julgamento .

O desenvolvimento moral do homem é condição essencial no processo de socialização. Assim, a educação moral deve acontecer em todos os espaços em que as pessoas estão em relação e, em decorrência dessa convivência, possam experimentar as vantagens da cooperação, da solidariedade, da igualdade, da justiça.

Entendemos que, de acordo com a perspectiva de Puig (1998) precisamos desenvolver uma educação moral para ser capaz de detectar e criticar injustiças, estar comprometido com a construção de uma vida mais justa para todos, comportar-se de acordo com princípios auto-escolhidos, adquirir as normas e valores considerados justos em sociedade, pois a educação moral pode se dar em momentos distintos que vão da adaptação às normas da sociedade ao conhecimento e reconstrução dos próprios valores.

Todos os autores citados concordam que a educação moral deve abarcar toda a escola e ir além de seus muros, e que a realidade de um país pode retratar e contextualizar as possibilidades de educação moral e que questões políticas podem se relacionar à escola determinando suas possibilidades de realmente educar moralmente. Além disso, insistem em que deve haver uma preparação do corpo docente para a educação moral a ser levada por toda a escola e é essencial um compromisso dos professores nesse sentido.

Assim, considerando a escola como um amplo espaço de relações humanas onde decisões e julgamentos são feitos a todo tempo, para analisarmos a Moral na escola, é preciso considerar o que se faz na escola, de forma refletida ou irrefletida, consciente ou não, em busca da defesa de finalidades ou bens maiores inscritos em nossos valores morais.

A moralidade de professores, alunos e demais membros da escola é importante demais para acontecer de modo implícito e irrefletido. Por todas essas questões acreditamos que a Ética deva ser pensada como um dos componentes mais importantes da Educação sendo, portanto, alvo de debates, de reflexão e de formação de educadores tanto quanto o são os aspectos pedagógicos.

Adla Mehanna

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, U. F. Moralidade e indisciplina: uma leitura possível a partir do referencial piagetiano. In. AQUINO, J. (Org.) Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.
BARROS, Célia Silva Guimarães – Pontos de Psicologia do Desenvolvimento – 8ª edição – Ática – 1995 BUXARRAIS, M. R. La formación del profesorado en educación en valores: propuesta y materiais. Bilbao: Desclée de Brouwer, 1997.
FREITAG, Bárbara. Sociedade e consciência. São Paulo: Cortez, 1984 LEPRE, R. M. Desenvolvimento moral e indisciplina na escola. Revista Nuances, v.5, p.64-68, 1999.
____________A Indisciplina na escola e os estágios de desenvolvimento moral na teoria de Jean Piaget – Marília, 2001: Dissertação (Mestrado) – Unesp/Marília
____________Educação Moral e Construção da autonomia - www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=791
MARTÍN, M. M. El contrato moral del profesorado: condiciones para una nueva escuela. Bilbao: Desclée De Brouwer, 1998.
MENIN, M. S. S. Desenvolvimento Moral. In. MACEDO, L. (Org.). Cinco estudos de 14 Educação Moral. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996. _________.Valores na Escola- Revista Educ. Pesqui. v.28.n.1.São Paulo jan./jun.2002 MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural, 1984. PIAGET, J. O juízo moral na criança (1932). São Paulo: Summus, 1994.
PIAGET, J. Os procedimentos de Educação Moral. (1930) In. MACEDO, L. Cinco estudos de educação moral. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.
PUIG, J. M. A construção da personalidade moral. São Paulo: Ática, 1998. RESENDE, Maria do Rosário - Educação Moral e práticas escolares construtivistas -www.educacaoonline.pro.br- o site da educação VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998 Biaggio A 1998. Introdução à teoria de julgamento moral de Kohlberg. In Nunes MLT (org.). Moral & TV. Porto Alegre: Evangraf.

Fonte: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br

Valores Morais

Os valores éticos e morais

A vida impõe decisões às pessoas o tempo todo, e as pessoas as tomam de acordo com seus valores considerando as particularidades de cada situação. Valores são quaisquer aspectos da decisão que sejam considerados desejáveis, indesejáveis, relevantes e importantes como: ser preferido, desejável, agradável, promissor, seguro, emocionante, justo, bom, correto, fácil, incerto, etc.

Nossos sistemas de cognição moral e de valores evoluíram ao longo de milhões de anos para nos proporcionar uma maior aptidão de sobrevivência, sucesso reprodutivo e social, nos permitindo adquirir critérios para avaliar opções e comportamentos próprios e alheios, considerando seu valor provável, sua aprovação e reprovação social, suas vantagens, custos e riscos potenciais.

As pessoas adquirem e mudam estes valores ao longo da vida, em parte por sua constituição biológica (como a evitação da dor e a motivação sexual), em parte por experiência pessoal (como certos medos e preferências), em parte por educação, imitação e outras influências sociais (pais, professores, religião, amigos, propagandas, mídia, autoridades, leis, códigos de conduta, etc). Valores sociais surgiram ao longo da história da sociedade e se difundiram devido a movimentos sociais, intelectuais, econômicos, políticos, religiosos, artísticos, etc. As culturas contêm assim uma grande mistura de valores de fontes diversas, que são de alguma forma compatibilizados pelo juízo de cada um (ou mantêm-se em conflito).

A conduta espontânea, orientada por sentimentos, impulsos e intuições, é por vezes insatisfatória por ser incoerente, impulsiva ou muito sensível ao meio, de maneira que geralmente é complementada por um sistema mais estruturado de valores.

Isto constitui a moral individual, o sistema de avaliação, julgamento e tomada de decisões, que determina sua conduta no mundo fazendo opções que influenciarão o futuro do indivíduo e das pessoas a sua volta. As pessoas muitas vezes dão muita importância para alguns de seus valores e acreditam firmemente que são corretos, enquanto outras vezes os questionam ou tem dúvidas sobre o que é mais importante e melhor.

Enquanto esta moral mista e a conduta espontânea sejam suficientes para lidar com a maior parte das situações, as pessoas ocasionalmente se deparam com situações difíceis em que tem de escolher entre várias coisas com que se importam e não sabem como priorizá-las, ou ainda, se sentem desorientadas sem saber decidir que valores são mais importantes em suas vidas e como agir em relação a eles.

A Ética

Ao longo dos séculos muitos filósofos e pensadores se propuseram a pensar o que é melhor, como devemos tomar nossas decisões morais, que critérios são válidos e inválidos, etc. e chegaram a diversas propostas diferentes, ou teorias éticas, sobre qual é o comportamento moral correto e seu porquê.

Contemporaneamente, além das teorias éticas de origem religiosa e de culturas tradicionais como a cristã, budista, confucionista, etc., há dois grandes grupos de teorias éticas na filosofia: as éticas deontológicas e as éticas consequencialistas.

As éticas deontológicas definem deveres, direitos e proibições morais, assim determinando as maneiras permissíveis e obrigatórias de se conduzir. Já as éticas consequencialistas propõem que as pessoas se conduzam baseadas nas consequências de suas ações, procurando e evitando certos tipos de resultados.

Valores Morais

O critério e a escolha que for feita para os valores de cada pessoa tem a importância de determinar o rumo individual e sua influência no da sociedade. Desde o nascimento nos é ensinado o que é certo e errado e a partir disso reproduzimos os valores impostos pela sociedade. Antes de mais nada, valor moral pode ser definido como "respeito à vida", não apenas a vida individual mas sim a vida coletiva, já que vivemos coletivamente, dependendo uns dos outros.

A última pesquisa de IVH (Índice de Valor Humano) mostrou que na opinião dos brasileiros, de forma geral, o que é necessário mudar no Brasil para a qualidade de vida melhorar de verdade é em primeiro lugar, a educação, seguida de política pública, violência, valores morais e emprego. Já no Estado de São Paulo houve uma variação em relação à opinião nacional, ficando valores morais em primeiro lugar.

De qualquer modo, a discussão sobre os valores morais se mantém em posição de destaque, visto que a sua compreensão é deveras importante para o bom funcionamento da sociedade como um todo. Mas como e quando ficou definido o que é correto e o que é considerado errado do ponto de vista social? Tanto religião quanto o livre arbítrio do homem se relacionam com a construção dos ideais de ética e moral, sendo que estes são passados de geração para geração, numa linha perpétua de integração em nossa sociedade. A religião oferece ao homem os pilares necessários para a interpretação sobre a distinção entre o certo e o errado, e ao homem cabe o livre-arbítrio e bom senso para "moldar" estes pilares de acordo com as necessidades coletivas.

Mas por que os valores morais são tão importantes na sociedade? Ora, eles são os responsáveis pela manutenção da ordem entre as pessoas, sendo inclusive ensinados desde o berço. É fácil imaginar em que situação o mundo se encontraria atualmente caso o homem ignorasse as leis formuladas a partir dos conceitos de ética e moralidade. É certo que o homem possui o direito de ter sua liberdade de expressão e escolha, porém tudo é passivo de limites. Caso contrário, diante de quaisquer adversidades que surgissem em nosso caminho, retornaríamos ao nosso estado primitivo e resolveríamos todos os problemas de maneira antiquada, desprovida de ética e moral, como fazem os criminosos, notadamente não seguidores dos valores morais.

Em síntese, valor moral além de ser um instrumento indispensável para o bom funcionamento da sociedade e integração dos indivíduos nela, também significa respeito à vida. À nossa vida e à vida das pessoas ao nosso redor.

Fonte: pt-br.utilitarismoetico.wikia.com

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