É uma doença infecto-contagiosa, exclusiva do homem (não é transmitida por outros animais, como a dengue, por exemplo). Classificada como uma das enfermidades mais devastadoras da história da humanidade, a varíola foi considerada erradicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1980.
Orthopoxvírus variolae. Ele é extremamente resistente aos agentes físicos externos, como as variações de temperatura.
A doença é transmitida de pessoa para pessoa por meio do convívio e geralmente pelas vias respiratórias.
O vírus da varíola pode ficar incubado de sete a 17 dias. Depois, ele se estabelece na garganta e nas fossas nasais e provoca febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor nas costas e abatimento, esse estado permanece de dois a cinco dias.
A seguir, a doença assume uma forma mais violenta: a febre baixa e começam a aparecer erupções avermelhadas, primeiro na garganta, boca, rosto e depois se espalham pelo corpo inteiro. Com o tempo, as erupções evoluem e se transformam em pequenas bolhas cheias de pus, que provocam coceira intensa e dor.
No último estágio da doença, quando as bolhas causam coceira, há o risco do enfermo perder a visão, devido à inflamação grave que pode ser provocada se o paciente coçar as feridas e passar as mãos nos olhos.
Não existe tratamento específico contra a varíola. Quando essa doença ainda não estava erradicada, o máximo que se podia fazer era tentar amenizar a coceira e a dor, e esperar que o organismo reagisse para vencer o vírus. A sobrevivência do doente dependia da forma de varíola que ele adquiria, já que a enfermidade se divide em duas formas principais, a varíola major, com 30% de letalidade, e a varíola menor, também conhecida como alastrim, mais comum e com menos de 1% de casos fatais (também existiam manifestações mais raras da doença, como a hemorrágica e a maligna). Quando secam, as bolhas de pus se transformam em feridas, que podem deixar cicatrizes para a vida toda.
O modo de frear a disseminação da varíola foi a vacina desenvolvida em 1796 e depois aperfeiçoada. Com ela, foi possível a erradicação da doença. A OMS realizou no mundo todo um plano de vacinação em massa. O último caso de contaminação pelo vírus Orthopoxvírus variolae foi registrado em 1978.
Fonte: www.unimed.com.br
Doença infecto-contagiosa aguda causada por vírus, com período de incubação de aproximadamente doze dias, seguida de febre cuja característica principal é o surgimento de erupções em forma de pústulas, podendo originar cicatrizes escavadas.
É transmitida por contágio, com muita facilidade, uma vez que o vírus, seu agente, está presente nas secreções nasais e da garganta, nas secreções do corpo e nas pústulas e escamações da pele do doente.
Entre oito e doze dias. O paciente ainda pode ser vacinado, desde que no início deste período.
Durante a manifestação, segue-se febre alta e dor de cabeça muito forte, acompanhadas de dores no corpo. As crianças apresentam, ainda, convulsões e vômitos.
De três a quatro dias aparecem manchas vermelhas, ou erupção macular ou petequial no rosto e nos pulsos e, depois, nos peitos e nos braços.
De um a dois dias depois as manchas transformam-se em bolhas que secam, deixando uma crosta escura depois de oito a nove dias. De três a quatro semanas as crostas começam a sair deixando as cicatrizes características da doença em seu lugar. O doente sofre, sobretudo, da irritação e do inchaço no rosto durante o aparecimento das bolhas.
Broncopneumonia, conjuntivite e outros danos mais sérios podem ocorrer nos olhos e nos ouvidos devido a uma possível infecção bacteriana decorrente.
Não há tratamento específico contra o vírus, mas existe vacina.
Eduard Jenner (1749-1823) foi o pioneiro no processo de criação da vacinação. Logo,a compreensão da imunização e da proteção surgiu no final do século XVIII, bem mesmo antes de se conhecer os microorganismos, quando foi criada por Louis Pasteur a Teoria dos Germes no final d século XIX.
Jenner, o qual foi discípulo de John Hunter, era médico de província e um exímio médico experimental. Na sua época a varíola era uma ameaça constante à população, sendo responsável na Inglaterra por um óbito em cada sete crianças. As crianças que sobreviviam à varíola ficavam com importantes seqüelas.
Curiosamente Jenner observou que em vacas a varíola (cowpox ou vaccínia) também se manifestava, porém de uma forma bem mais branda e atípica em relação a humana.
A característica da cowpox, assim chamada diferentemente da humana (smallpox), manifestava-se por pústulas no úbere, cujas infecções eram passadas para as mãos e braços das pessoas que trabalhavam na ordenha. Entretanto, essas pessoas não adoeciam subseqüentemente com a varíola.
Após alguns anos de convívio com o fato e fazendo observações científicas, Eduard Jenner propôs inocular pus das lesões de cowpox em crianças, inoculando após alguns meses o próprio pus da varíola de indivíduos gravemente doentes na mesma criança. Repetindo em adultos e percebendo que os indivíduos não adoeciam, Jenner submeteu seus resultados a Royal Society.
Esta metodologia de prevenção à doença levou à prática da vacinação, cuja palavra tem origem grega em "vacca", dando origem ao nome vaccínia que levou à palavra vacinação, que é o significado do processo de imunização.
A vacina contra a varíola proporciona imunidade temporária, obrigando que as dosagens sejam repetidas a cada cinco ou sete anos. A primeira vacina deve ser ministrada de três meses a um ano de vida e repetida depois aos sete e onze anos.
Por outro lado, a pessoa que já sofreu da doença encontra-se imunizada contra novos ataques pelo resto da vida.
A varíola foi a primeira doença oficialmente considerada como erradicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1978. Esta erradicação foi resultado de uma campanha mundial iniciada em 1966.
A erradicação da doença somente foi certificada em todos os países em maio de 1980.
Em 1973 o Brasil recebeu a Certificação Internacional da Erradicação da Varíola, cuja obrigatoriedade da vacinação foi extinta em 30 de janeiro de 1980.

O povo não quis saber de medidas de saneamento e brigou nas ruas contra a vacina obrigatória de Oswaldo Cruz.
No pior motim da História do Rio, 23 pessoas morreram e quase mil foram presas e torturadas. A Revolta da Vacina foi contra o chamado despotismo sanitário do governo, que desalojava os pobres de suas casas e aumentava a repressão policial.
O cientista Oswaldo Cruz queria salvá-los, mesmo à força, da varíola. Nesse triste mal-entendido, a doença fez milhares de vítimas.
Rio de Janeiro, novembro de 1904. A divulgação de projeto de lei que torna obrigatória a vacina contra a varíola transforma a cidade em praça de guerra.
Durante uma semana, em meio a agitações políticas e tentativa de golpe militar, milhares de pessoas saem às ruas e enfrentam a polícia, o Exército, até o corpo de bombeiros e a Marinha.
O saldo da refrega: 23 mortos, dezenas de feridos, quase mil presos, muitos dos quais torturados e enviados para o Acre. Foi o maior motim da História do Rio, e tanto a revolta dos manifestantes quanto a violência da repressão surpreendem.
Por que a população se insurgia contra uma lei destinada a protegê-la de doença tão terrível? Como explicar a determinação das autoridades em impor medidas de saúde pública a golpes de porrete?
O mais curioso é que a vacina antivariólica era coisa antiga no Rio. Fora introduzida no Brasil em 1804, logo depois de sua descoberta por Jenner, médico inglês. Dom João VI, um entusiasta da novidade, mandou organizar um serviço de vacinação. Mas os problemas não demoraram a surgir.
Jenner descobrira a vacina ao estudar a medicina popular de camponeses ingleses. Tais camponeses diziam que pessoas que ordenhavam vacas não pegavam varíola.
O médico investigou a crença popular e conseguiu comprovar que os camponeses contraíam, em geral nas mãos, uma moléstia comum nas tetas dos quadrúpedes. A doença do gado - a vacina - conferia imunidade contra a varíola. A origem da profilaxia causou polêmica desde o início.
Como admitir a transmissão voluntária, para os humanos, de uma moléstia comum em vacas? Os humoristas do período desenhavam vacinados que desenvolviam chifres, rabos, tetas... Para minorar o problema, as autoridades públicas adotaram a vacina humanizada, transmitida braço a braço.
Ou seja, depois da obtenção original do pus vacínico num animal contaminado, o material era aplicado no braço de pessoas; após alguns dias, o líquido da ferida provocada pela vacina era extraído do braço delas e passado adiante.
O serviço dependia de os vacinados retornarem ao posto para a extração do líquido da ferida inflamada. Raramente voltavam, e o governo mandava a polícia atrás dos portadores do precioso pus. A questão ficou ainda mais séria a partir de meados do século XIX, quando pesquisadores europeus constataram que a vacinação propagava a sífilis.
A aplicação da vacina transformara-se em algo mais ou menos problemático em todos os países ocidentais na segunda metade dos 800. No Brasil, para agravar a situação, havia um grande contingente de escravos africanos que suspeitavam da medicina dos brancos e preferiam recorrer às práticas tradicionais de seus curandeiros para enfrentar a varíola e outras doenças comuns tanto na África quanto no continente americano.
O cenário começou a mudar no último quartel do século XIX. A medicina dos tempos de Pasteur foi uma revolução técnica que aumentou a confiança de médicos e governantes na possibilidade de combater eficazmente algumas epidemias.
Em vários países, entre eles o Brasil, tal acúmulo de confiança desembocou em "despotismo sanitário" - ou seja, na idéia de que o governo, através de seu crescente corpo de técnicos, detinha o monopólio do saber e a prerrogativa de "higienizar" a sociedade a qualquer custo.
No Rio de Janeiro, capital da República, a assepsia social desejada por técnicos e autoridades resultou em perseguição aos cortiços e outras moradias populares do centro da cidade, na condenação dos hábitos da população pobre - especialmente dos negros libertos - , no aumento da repressão policial.
Na década de 1890, a vacina havia sido aperfeiçoada e não mais apresentava os riscos de outrora. Mas as autoridades públicas, Oswaldo Cruz à frente, achavam que tinham o direito de impor a profilaxia à força, invadindo domicílios em busca de pessoas para ser vacinadas.
A cidade ferveu.
A conseqüência da falta de comunicação entre autoridades e população foi trágica: em 1908, o Rio sofreu a mais séria epidemia de varíola de sua História, com milhares de mortos.
Fonte: cohabrp.com.br