
As varizes, tortuosas e alongadas, não são um obstáculo apenas à beleza, mas significam um perigo à saúde de quem as possui. Procurar um médico e tratar essas veias é essencial, assim como tomar as devidas precauções evitando o aparecimento delas.
Segundo Mario Bruno Lobo Neves, professor adjunto do Departamento de Clínica Médica, do Serviço de Angiologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o surgimento das varizes pode acontecer por uma série de fatores, podendo resumi-los em dois. “Um dos fatores é a fragilidade da parede da veia, e assim a pressão do sangue, que seria uma pressão normal para qualquer veia, naquela torna-se a pressão suficiente para dilatá-la. Essa parede frágil pode ser herdada da mãe ou do pai. O que se diz é que são “varizes hereditárias”, pois as pessoas acreditam que herdaram as varizes, mas na verdade as pessoas herdam um defeito de formação da parede das veias. É o mesmo caso de quem tem pé chato, hemorróidas, hérnia, tudo isso demonstrando fragilidade do tecido conjuntivo, que é o principal elemento de resistência da parede da veia. Essas são as varizes primárias”, explica.
Já o outro fator responsável pelo surgimento dessas veias é alguma doença que faz com que a pressão sanguínea aumente dentro dela. A parede da veia nesse caso é normal, mas está sendo submetida a uma pressão muito mais alta, então dilata, entorta e com o tempo se alonga um pouco. “Se nós tivermos uma trombose venosa, ou seja, o entupimento de uma veia, o sangue não consegue passar por ali e começa a passar por outros caminhos venosos e vai dilatando esses caminhos, especialmente na superfície da pele, na perna. Então a gente começa a vê-las altas, depois dilatadas, depois tortuosas”, fala o médico.
Há também alguns medicamentos que favorecem a dilatação e a fragilidade. “O anticoncepcional é um deles, mas outros fatores não medicamentosos também podem fazer isso. Por exemplo, durante o período gestacional os hormônios femininos estrogênio e progesterona provocam essa maior dilatação das veias, e por isso na gravidez aparecem varizes. As pessoas muito freqüentemente pensam que é o volume do neném dentro da barriga da mãe que faz um peso grande e comprime as veias, dilatando. Isso só acontece no final da gestação, mas as varizes começam a aparecer no primeiro trimestre, quando não há peso e volume nenhum, sendo conseqüências de uma alteração hormonal. No segundo trimestre de gravidez ocorre um aumento do número de varizes porque o útero recebe muito mais sangue, e depois manda esse sangue para o território venoso, formando como se fosse um “engarrafamento”, uma estase, aumentando a pressão”, esclarece o doutor Mário.
As mulheres representam a maioria dos que possuem varizes, o que não significa que não possa aparecer em homens e em crianças. “Em homens não é muito comum, e crianças podem ter varizes excepcionalmente, mas tem que ser bem investigado porque elas podem ter outras causas, como por exemplo, existir uma deformidade congênita, uma alteração do desenvolvimento normal dessas veias, ou haver uma comunicação direta entre artérias e veias, o que não deveria acontecer, pois faz com que o sangue da artéria, que tem muito mais pressão, entre e dilate essas veias. Ou a criança pode ter tido um traumatismo. Portanto, toda vez que aparecem varizes em crianças isso deve ser bem investigado porque pode ter causas mais importantes e sérias”, alerta.
O diagnóstico da doença é feito, muitas vezes pelo próprio paciente, antes de sua ida ao médico. “O paciente já chega falando ‘Olha eu tenho isto, tenho varizes, mas quero tratá-las’. Ele sabe que tem, mas cabe ao médico ver se são do tipo primário ou secundário, se a doença da pessoa é a própria veia que é frágil, ou se tem outra doença por trás que faz essa veia ficar assim. Depois de diagnosticar a etiologia (a causa dessas varizes), o médico inicia o tratamento”, fala o doutor Mário.
– Se a variz for primária e de calibre pequeno utiliza-se o que as pessoas falam popularmente de esclerosante, que é um processo chamado de escleroterapia. Pode ser usado com vários métodos: químicos, físicos, e mais modernamente está se usando o laser. O laser ainda é uma interrogação nessas veias muito pequenas, especialmente em pessoas mais bronzeadas do Rio de Janeiro, pois pode manchar um pouco a pele e deixar uma marca branca, já que às vezes lesa a melanina. Mas isso em um tempo mais ou menos curto será resolvido e o laser vai começar a dar um resultado melhor, já que os aparelhos hoje possuem um sistema de resfriamento de pele que diminui muito a dor que ocorria e as manchas não são mais frequentes. As coisas vão sendo aprimoradas, mas ainda prefiro fazer a escleroterapia química, que são as famosas injeções. – explica – Se as veias forem maiores o tratamento já é cirúrgico, havendo até a retirada da safena que é uma veia muito importante da perna, mas que se estiver doente causa mais doença do que ajuda a perna do paciente – esclarece o doutor.
Embora ter veias à mostra possa significar a existência de varizes, nem sempre é isso que ocorre. Muitas pessoas de pele clara têm veias que ficam muito visíveis. “As pessoas falam ‘ai, eu detesto essa veia azul’, e recordamos da época dos senhores de terra, em que os camponeses trabalhavam no campo, pegavam muito sol e por conta disso eram bronzeados e não apareciam as veias. Já os senhores das fazendas, os nobres, não iam pra terra e não pegavam sol, e tinham a pele muito mais clara, e conseqüentemente viam as veias. Na verdade o que se via era o sangue dentro das veias, porque o sangue venoso é um pouco menos oxigenado, então ele tem uma cor azul. É por isso que se dizia que os nobres tinham sangue azul, porque se via por transparência da pele o sangue azulado das veias”, fala.
Mas caso haja a existência de varizes e não esteja sendo feito o tratamento correto, a tendência é que elas aumentem de tamanho e de número. “Isso pode proporcionar dor, cansaço, e a pessoa pode eventualmente esbarrar em alguma coisa e romper uma veia que esteja muito dilatada na superfície cutânea. Isso causa um transtorno grande, porque sangra bastante e as pessoas quando têm essa ruptura de veia não fazem o que deve fazer: ficar quietas com a perna para cima. Sempre ficam andando de um lado para o outro, feito baratas tontas, chamando e gritando por alguém que as socorra, o que faz sangrar mais”, explica o doutor Mario.
É possível se prevenir das varizes, é isso deve ser feito principalmente se o paciente já possui na família pessoas com a tendência de desenvolvê-las. “A prevenção é feita utilizando roupas e sapatos adequados, que não sejam muito justos, além de tomar cuidado com atividades físicas de peso e impacto. Alimentação também pode ajudar, já que alimentos que contém vitamina C são indicados por servir como um co-fator para a construção da fibra colágeno fortificando a parede da veia. Assim, pode-se perceber que qualquer um de nós pode fazer uma serie de coisas para evitar o surgimento de varizes”, finaliza o médico.
Mariana Granja
Fonte: www.olharvital.ufrj.br
As varizes são veias dos membros inferiores que se dilatam e causam uma alteração no fluxo do sangue que deve fluir desde os pés até chegar ao coração.
Ao invés do sangue ter um fluxo contínuo, devido à dilatação e insuficiência das válvulas que estão dentro das veias, este possui dificuldade em “subir” até o coração.
Esta dificuldade motiva cada vez mais a dilatação das veias. Há um aumento ainda maior na insuficiência das válvulas levando a um aumento nas causas das varizes, ocorrendo um ciclo vicioso.
Estas veias dilatadas (varizes) estão situadas logo abaixo da pele e algumas vezes podem tornar-se muito volumosas e dilatadas ocasionando sérias complicações.
Anos atrás havia grande temor pelo tratamento de varizes de membros inferiores. Eles eram difíceis de serem seguidos e apresentavam resultados insatisfatórios. Atualmente temos métodos eficazes como a escleroterapia (aplicações de varizes).
Visualiza-se uma melhora efetiva que não deixam manchas e irritações locais utilizando-se medicamentos esclerosantes (injetados nas varizes).
Atualmente utilizam-se agulhas que tornaram as aplicações bem menos dolorosas. Também pode-se utilizar de técnicas de laser, a qual evoluiu muito e apresentam eficácia comprovada. Entretanto o laser não pode ser utilizado em todos os casos; deve-se analisar cada caso individualmente.
As cirurgias de varizes estão cada vez mais estéticas e a técnica evoluiu para microcortes, deste modo não deixando cicatrizes inestéticas. Pode-se também realizar a retirada das varizes com o uso de agulhas, com anestesia local, sem necessidade de realizar grandes incisões.
Para as cirurgias venosas maiores, com retiradas de veias safenas (safenectomia), pode-se utilizar o método laparoscópico. Esta técnica possui bons resultados e está em processo de evolução.
O diagnóstico das varizes pode ser realizado através do Eco Doppler vascular (ultrassonografia vascular). Este exame é indolor e não é invasivo. Através de uma anamnese (avaliação clínica), pode-se diagnosticar com maior facilidade as diversas patologias vasculares.
Também é necessário que se oriente como prevenir precocemente, pois é ainda a melhor solução. Quando a paciente verificar a presença dos primeiros vasos deve procurar informações imediatas e uma avaliação especializada com seu médico. Mantenha uma periodicidade de visitas com ele para um melhor controle e verificação de seu quadro clínico.
Após consulta médica minuciosa somada a um bom exame clínico, o médico pode determinar com uma boa precisão a extensão do problema e as necessidades do paciente.
Cada caso deverá ter sua técnica de tratamento indicada individualmente. Em diversos casos, especialmente quando se verifica a necessidade de cirurgia, solicita-se um Eco Doppler (uma ecografia especializada) o qual demonstrará os segmentos que apresentem alteração importante do fluxo sangüíneo e que irá influir muitas vezes no planejamento do tratamento.
Este exame é feito por profissionais especializados, com experiência e o tempo necessário para realizá-lo varia de 45 min à 1h20min para ser bem executado.
Veias inestéticas, que causem dores ou outros sintomas são
candidatas ao tratamento:
links no final da página.
Varicoses: veias quase na superfície da pele e de calibre diminuto, (aproximadamente 2-3 mm ) cujo nome correto é telangectasia;
Varizes: veias de calibre igual ou superior porém um pouco mais profundas, geralmente abaixo da pele, podendo fazer saliência na pele ou serem sinuosas;
Veias reticulares: veias abaixo da pele porém de estrutura preservada porém visíveis devido a sua cor e devido a cor da pele;
Veias perfurantes insuficientes: são vasos de comunicação dos sistema venoso superficial para o profundo, quando insuficientes levam o sangue venoso do sistema profundo (principal) para o superficial com isto dilatando-o e causando varizes e varicoses nos ramos adjacentes, às vezes causando dor localizada.
O tratamento pode ser conservador ou não:
Meias elásticas com compressão a ser determinada pelo exame do médico. Na grande maioria das vezes, pelo fato dos sintomas serem mais importantes abaixo dos joelhos, uma meia 3/4 será bem indicada e mais fácil de usar.
Além de controlar os sintomas, fornece profilaxia para as complicações principais das varizes crônicas tais como úlceras de pele. Usamos venotônicos, que são medicamentos, alguns à base de castanha da Índia ou de rutina com resultados razoáveis no controle da dor e inchaço.
Usamos medicamentos específicos no período pré-menstrual, período em que podem estar agravados os sintomas. Algumas associações de vitaminas (C e E) têm sido utilizadas para alívio dos sintomas. Exercícios diários como caminhadas. Dormir com os pés da cama elevados aproximadamente 20 cm. Duchas frias rápidas nas pernas no decorrer dos dias muito quentes.
Diversas técnicas nos capítulos seguintes ( escleroterapia - laserterapia - cirurgia ).
Para avaliação da circulação venosa são realizados alguns exames específicos que o médico solicitará, se necessário. Alguns são caros e muito direcionados para programar um tratamento e devem ser solicitados somente pelo médico, o qual irá interpretar o exame, uma vez que as informações dadas pelo paciente e o exame físico são imprescindíveis e devem complementar-se.
Avalia fluxo por interpretação de sons produzidos pelos vasos.
Avalia funcionalmente a capacidade de retornar o sangue especialmente pelo sistema venoso profundo.
Avalia o sistema venoso por meio de injeção de contraste.
Combina avaliação por imagem e som, estudo complexo, atualmente de fundamental análise nos casos em que especialmente planejamos uma cirurgia completa e funcional, especialmente para estudo das veias safenas, veias perfurantes e sistema venoso profundo, deve ser realizado por ecografista experiente e em contato constante com o cirurgião.
Método moderno, utilizado em alguns casos selecionados, especialmente como complementação na avaliação de algumas situações de trombose venosa profunda.
É atualmente considerado o mais importante exame laboratorial pré-operatório para o paciente com varizes. Ele indica as áreas de refluxo (onde o sangue ao invés de "subir" pelas veias, ele "desce", causando sobrecarga da circulação).
Para decidirmos retirar uma veia de acordo com o Eco-Doppler, precisaremos levar em conta: o calibre da veia (se safena acima de 6-8 mm de diâmetro); o grau de comprometimento clínico (da pele e sintomas presentes) causado por este refluxo; a avaliação do refluxo volumétrico comparativo (é dado em mililitros/minuto e calculado pelo próprio aparelho de ecografia), já que existem refluxos perfeitamente equilibrados pelo organismo e que nunca irão desenvolver doença.
Isto tudo é importante para que ao analisar-se uma ecografia não retire-se simplesmente tudo que o exame relata como refluxo, sem avaliar o comprometimento causado por este refluxo.
O Eco Doppler vascular (ultra-som vascular) é utilizado para diagnóstico de patologias vasculares e para a avaliação do fluxo sangüíneo dos pacientes. Ele oferece acuracidade diagnóstica (para cerca de 90% dos casos), além de ser indolor e não causar transtorno ao paciente.
O diagnóstico das varizes de membros inferiores é realizado pela distinção dos sons apresentados neste exame. Deverá ter como base a anamnese (avaliação clínica) e exame físico, pois como o nome já diz, o exame é complementar.
Unindo ambos (avaliação clínica e Eco Doppler) o médico poderá realizar um diagnóstico correto.
Quando for necessária uma avaliação mais detalhada, o médico poderá solicitar o Eco Doppler Colorido. Há complementação com fotos coloridas aos registros ultrassonográficos. Deste modo o médico observará o mapeamento dos vasos pesquisados.
Para um procedimento cirúrgico, o Eco Doppler colorido é de fundamental valia, pois o mapeamento realizado identifica com precisão as varizes que devem ser retiradas,
Fonte: www.varizesonline.com.br
Nas veias normais, as válvulas matêm o sangue movendo-se em direção ao coração (A).

Nas varizes, as válvulas não funcionam normalmente nas safenas e ou nas veias perfurantes que conectam as veias profundas com estas, fazendo com que o sangue comece a fluir na direção contrária afastando-se do coração (B).
Este acúmulo de sangue nas safenas, que estão na camada de gordura logo abaixo da pele, faz com que elas se dilatem.
Fonte: www.geocities.com