Pode definir-se o vidro como sendo um corpo sólido, brilhante, transparente e frágil.
Obtém-se pela fusão a altas temperaturas da areia com soda ou potassa.
Em tempos muitos antigos, era um material fascinante e estranho, que deslumbrou o Mundo. Hoje, é ignorado. Por se ter tornado habitual aos nossos olhos é banalizado pela nossa sociedade.
Através de testemunhos encontrados pelos arqueólogos, pensa-se que terá surgido na Mesopotâmia, atual território do Iraque, no 4º milénio.
Os Egípcios conheciam já o vidro transparente, produzindo, com ele, objetos que vendiam a outros povos.
Os Romanos introduziram a produção vidreira em diferentes territórios do seu império, tornando-o um material quotidiano, a par da cerâmica e dos metais.
Séculos mais tarde, Veneza desenvolve e expande a produção vidreira. Os objetos em vidro veneziano ficam famosos pela sua quantidade e transparência. Inventam-se novos processos de fabrico, fazem-se novos projetos de peças. A produção Veneziana assume cada vez mais, um lugar de destaque, o que a torna ainda mais famosa.
Entretanto, outros vidros de grande qualidade tornaram-se igualmente conhecidos. É o caso dos vidros da Boémia e da Inglaterra.
Os achados arqueológicos mais antigos, encontrados em Portugal, são contas de vidro, que se julga serem egípcias e remontam ao 2º milénio a.C. Surgiram, também, outros objetos de adorno, de culto, caixas para cosméticos e unguentos.
Segundo investigadores, só a partir do século V se inicia, no nosso país, o fabrico do vidro, com os fornos de Palmela.
Seguiram-se os fornos de Alcochete, Alcácer do Sal, Pombal, Santarém e Lisboa. Lisboa foi um centro vidreiro importante, existindo em 1551 quatro oculistas, quatro vidreiros e oito fabricantes de espelhos.
No entanto, a nossa produção de vidro era baixa e de fraca qualidade, pelo que se importavam vidros de Veneza, Alemanha e França.
Em 1719, D. João V funda a Real Fábrica de Vidros de Coina, que funciona até 1745. Nessa altura, a fábrica é transferida para a Marinha Grande.
Em 1769, D. José I com o apoio do Marquês de Pombal, passou a licença de produção de vidros aos irmãos Stephens e a Real Fábrica da Marinha Grande, que ainda hoje continua em funcionamento, dinamizou a produção vidreira, chegando a satisfazer as necessidades nacionais.
A Marinha Grande tornou-se o mais importante centro vidreiro do país. Mas as unidades fabris multiplicaram-se a partir do século XIX.
É a partir da Revolução Industrial que o vidro passa a ser usado por toda a gente. Até aí só as classes sociais mais poderosas o utilizavam.
A evolução da produção de vidro pode dividir-se em quatro fases:
Artesanal
Manufaturado
Industrial
Automatizado
Em meadas do século XX generaliza-se, no país, a mecanização e a utilização de combustíveis líquidos no fabrico do vidro. A automatização da produção vidreira surge, também, com grande atraso em relação à Europa e aos E.U.A. Mesmo assim, só viria a ser introduzida em setores como o da garrafaria e do vidro plano.

As características do vidro resultam dos diferentes componentes, introduzidos no seu fabrico, bem como das percentagens destes.
Nos diferentes objetos de vidro que utilizamos no dia-a-dia, somos capazes de verificar a relação entre os tipos de vidro escolhido e a função dos mesmos.
Embalagem
Chapa de vidro
Copos
Vidros de ir ao forno
Vidros de cor
Vidro de segurança
Este tipo de vidro é obtido por dois processos: têmpera e laminação.
O vidro de segurança é composto por duas placas de vidro, unidas por uma folha de plástico. É muito resistente, suporta altas temperaturas externas, etc.
É utilizado, habitualmente, em janelas de automóvel, edifícios, etc.
É produzida a partir de diversos processos. É um material muito usado, colado a uma base de papel ou tela metálica, para fins isolantes, em terraços, cobertas, paredes, condutas de água, etc. Apresenta pouco peso , é resistente à acção dos agentes atmosféricos, ao fogo não se decompõe e não observe a água.
O vidro comum é incolor mas, no entanto, pode aparecer colorido se no seu processo de fabrico forem incorporados óxidos metálicos estáveis.
As superfícies, geralmente, são lisas, podendo ser modificadas de acordo com a sua utilização posterior:
Vidro polido
Superfície lisa
Vidro martelado
Superfície rugosa
Os vidros podem ser mais resistentes ás diferenças de temperatura, se se adicionar aos seus componentes ácido bórico. Podem, ainda, apresentar maior resistência ao choque se na sua fabricação forem introduzidas folhas de plástico endurecido ou malha de aço, como acontece no caso dos vidros de segurança.
Os vidros podem ser sujeitos a processos de fabrico que lhe proporcionem características de isolamento térmico. Este também pode ser conseguido utilizando duas placas de vidro unidas por folhas de plástico. Resistem a altas temperaturas externas e proporcionam boa visibilidade.
Vidro em chapa:
Vidro comum
Liso
Transparente
Pode considerar-se incolor .As duas faces do vidro não são totalmente planas, podendo provocar distorção ou deformação da visão. Aplica-se, vulgarmente, em janelas e portas.
Estes vidros são translúcidos, deixando passar a luz com difusão variável.
A visão pode ser parcial e, por vezes, totalmente esbatida. Podem ser coloridos. Vulgarmente , aplica-se em janelas, portas, varandas, etc.
Aquando do fabrico, o movimento de um rolo sujeita esse tipo de vidro a um processo de impressão numa das faces ou mesmo nas duas.
De acordo com o desenho impresso adquire um nome diferenciado.
Como qualquer vidro, pode ser colorido pela adição de óxidos metálicos estáveis.
Transparente
Proporciona uma visão clara sem qualquer deformação.
Pode ser colorido. Vulgarmente, é utilizado em montras, janelas, mobiliário, etc.
Este vidro tem como característica partir-se em pequenas partículas, não apresentando, no entanto, ângulos cortantes.
Assim, é classificado de não estilhaçável e como tal é considerado um vidro de segurança.
Devido às suas características substitui, muitas vezes, materiais como madeira, aço, tijolos, e ainda, para cobrir vãos em forma de tabique, cortes e para automóveis.
Estes vidros são, também, considerados de segurança, pois, no caso de partirem, os pedaços ficam agarrados à malha de aço.
Aplica-se em locais que necessitem de segurança como postigos de caves, janelas baixas, etc.
Proporciona uma visão perfeita e grande isolamento, à temperatura,
à luz e ao som.
Aplica-se a janelas em janelas e portas de edifícios com ar condicionado
e em recintos que necessitam, simultaneamente, de luz e isolamento térmico
ou acústico.
Para a fabricação do vidro são necessárias várias fases de trabalho, que vão desde a fusão das matérias-primas, passando pela extracção e afinação da massa de vidro, até à construção das peças projetadas. Vamos abordar essas fases de produção, baseando-nos numa recolha de imagens e informação feita numa fábrica de vidro, no norte do país. Esta fábrica labora ainda sobre processos muito artesanais, proporcionando, por isso mesmo, uma imagem mais correta do material e da sua manipulação.
O vidro é um composto químico, geralmente obtido pela fusão de uma mistura de areia siliciosa (sílica), soda e calcário.
Utilizam-se, como fundentes, a potassa, a barita, o boro e o chumbo.
Por vezes e para poupar energia, misturam-se restos de vidro à composição. Assim, a temperatura de fusão consegue baixar para 1450 ºC a 1500 ºC.
Fonte: espr.ccems.pt

Precioso e raro na colônia, o vidro plano popularizou-se no século 20 e hoje empresta luxo e modernidade às mais belas construções arquitetônicas.
Entre os presentes e mimos oferecidos por Cabral aos Tupinambás do sul da Bahia em abril de 1500 não havia nada feito de vidro, segundo Pero Vaz de Caminha, testemunha ocular e relator oficial do encontro inaugural da nossa história. Mas com a exploração intensiva do pau-brasil nas décadas seguintes, a troca de árvores cortadas pelos nativos por variados artigos europeus virou prática usual, e a lista de produtos oferecidos aumentou. Em 1549, na construção da cidadela que deu origem a Salvador, a primeira capital do Brasil, o governador Tomé de Souza pagou a madeira fornecida pelos índios com um lote de mercadorias que incluía 14 dúzias de facas, 320 tesouras, 9 200 anzóis – e 70 espelhos.
O escambo e o comércio regular da colônia com a metrópole cresceram, mas não impediram que por um bom período o vidro fosse um personagem furtivo, quase oculto, mais refletindo do que intervindo na paisagem brasileira. Nos primeiros tempos da sociedade colonial, de vida modesta e construções rústicas, a presença do vidro limitou-se a alguns raros utensílios domésticos, como frascos e copos – tão raros que, quando existiam, eram arrolados nos inventários familiares –, e algumas janelas envidraçadas, privilégio de umas poucas edificações. O vidro, no Brasil, era um personagem ainda à procura de uma história.
Não há fartura de registros escritos e iconográficos sobre a utilização do vidro na arquitetura dos tempos coloniais, o que dificulta a pesquisa e o conhecimento. Porém, juntando as escassas imagens disponíveis – entre elas, as dos pintores flamengos da primeira metade do século 17 – às descrições de cronistas e viajantes dos séculos 18 e 19 e à permanência de edificações e cidades mais antigas, pode-se reconstituir alguma coisa do cenário da arquitetura na colônia.
Esse trabalho começou a ser feito, e brilhantemente, diga-se, nos anos 1930 e 1940 pelo artista e pesquisador José Wasth Rodrigues no seu Documentário Arquitetônico. E a julgar por seus desenhos e aquarelas, produzidos a partir de cuidadosos e pacientes levantamentos em vários estados brasileiros, o cenário colonial, em relação à qualidade estética e técnica das construções, não devia ser muito estimulante. Casas de taipa de pilão de um só pavimento, com dois cômodos e cobertas por folhas de palma protegiam os pobres. Casas de pedra e cal, térreas ou sobrados, com mais espaço interno e cobertas por telhas abrigavam os ricos.
Aquelas incorporaram muito dos materiais e técnicas de construção das ocas indígenas. Essas reproduziram mais de perto o padrão e a técnica da arquitetura portuguesa e as suas influências mediterrâneas e árabes.
Umas e outras variavam mais no tamanho do que na estrutura. Em todas, as marcas do despojamento, da rusticidade e da pobreza, expostas no chão batido, na extrema simplicidade do mobiliário, nas alcovas sem janelas, na ausência de refinamento no projeto e no uso dos recursos de circulação, arejamento e iluminação, como portas e janelas, por exemplo. Nas moradas pobres das vilas e povoados, uma porta e uma janela compunham a fachada. Nas casas abastadas dos senhores de terras, dos comerciantes ricos ou das altas autoridades civis e religiosas, fachadas mais largas, com varandas, sacadas e janelas. Em todas, quase sempre, janelas cegas, com folhas de madeira, sem vidros.

Janelas com vidraças só aparecem entre os séculos 17
e 18 e apenas em construções como igrejas e palácios.