Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Vigorexia  Voltar

Vigorexia

Vigorexia - O exercício de dependência física

Nos últimos trinta anos, a palavra tem vindo a desenvolver uma grande cultura sobre a necessidade de exercício físico, não apenas para uma boa aparência, mas também para viver uma vida saudável e harmonioso em todos os sentidos.

Ginásios, métodos de exercícios, vídeos e um treinadores profissionais, estão por toda parte na internet, TV e notícias, para tornar a atividade física um prazer e uma necessidade real.

Mas vamos ver o que acontece quando o exercício ou um cuidado excessivo do corpo, torna-se uma obsessão. A vigorexia prazo, foi introduzido pelo psiquiatra americano Harrison Pope, que a define como um transtorno emocional que distorce a percepção que uma pessoa tem sobre o próprio corpo. Basicamente, as pessoas que sofrem de vigorexia estão realizando continuamente rotinas de exercício, sem cuidar sobre o possível prejuízo que isso pode acarretar. Nesse grupo de pessoas, podemos encontrar aqueles que estão obcecados com os "modelos sugeridos" na televisão e revistas, e alguns atletas que têm o único objetivo de se tornar o melhor na sua disciplina. Eles são reconhecidos entre outras coisas, porque eles não podem pular um único dia no ginásio, e muitas vezes eles realizam esportes ao ar livre em condições extremas. Na maioria dos casos são pessoas com baixa auto-estima e dificuldades de interagir com os outros.

A beleza física em vigorexia está associada com o aumento da massa muscular, e as horas sem fim de ginásio, acrescentam uma dieta rica em proteínas para aumentar o tamanho dos músculos, que são muitas vezes complementadas com um irracional a utilização de esteróides e anabólicos.

Você pode reconhecer uma pessoa com vigorexia pelo seguinte:

1) A obsessão por um corpo tonificado fora de proporção.

2) narcisismo excessiva que leva continuamente olhar no espelho, e pesava várias vezes por dia.

3) A despender de várias horas por dia em academias e esportes, negligenciando as tarefas diárias de uma pessoa normal.

4) O consumo de uma dieta rica em proteínas e carboidratos para aumentar a massa muscular.

5) Auto-medicação.

6) A falta de proporção entre a cabeça eo corpo.

Vigorexia é uma distorção mental, sobre as proporções do corpo, e isso pode causar problemas ósseos e articulares. O auto consumo de anabolizantes e esteróides podem causar problemas hepáticos, doenças cardiovasculares, diminuição do tamanho dos testículos, disfunção erétil e uma maior chance de sofrer de câncer de próstata.

Esta obsessão só pode ser tratada por profissionais médicos, tal como a distorção é mental e tratamentos são muitas vezes longa e complexa.

Fonte: ezinearticles.com

Vigorexia

Estar preocupado com o desenvolvimento muscular pode envolver um distúrbio na imagem corporal semelhante à anorexia.

Bigorexia (dismorfia muscular) está afetando agora centenas de milhares de homens. Para alguns homens o desenvolvimento muscular é uma preocupação tão completa que eles vão perder eventos importantes, continuar a formação por meio de dor ou ossos quebrados, mesmo perder o emprego, em vez de interromper o seu cronograma de desenvolvimento físico. Curiosamente, esses mesmos homens não estão no amor com seus corpos. Apesar de um físico bem desenvolvido, eles não são susceptíveis de apresentá-lo e fugir de situações que expõem seus corpos.

Vigorexia
Bigorexia (anorexia reversa) uma forma de dismorfia muscular

Dismorfia muscular

O termo "dismorfia muscular" foi cunhado em 1997 para descrever esta nova forma de desordem. Outras pessoas referem-se à condição de 'anorexia reversa', e agora mais comumente 'bigorexia. As causas não são conhecidas, mas duas ideias fundamentais giram em torno bigorexia como uma forma de comportamento obsessivo-compulsivo e, por outro, o efeito dos meios de colocar o mesmo tipo de pressão sobre os homens para se conformar a uma forma ideal, como tem sido o caso com as mulheres por ano.

A principal característica de Bigorexia

A principal característica da bigorexia é o pensamento de que não importa o quão duro você tente seu corpo nunca é muscular suficiente. A condição é reconhecida como mais comum com os homens, embora alguns fisiculturistas mulheres também têm sido relatados com sintomas semelhantes. A maioria dos homens com bigorexia são levantadores de peso, mas isso não significa que a maioria dos levantadores de peso são bigorexic. Comparado com levantadores de peso normais que relatam gastar até 40 minutos por dia pensando sobre o desenvolvimento do corpo, os homens com relatório bigorexia estar preocupado 5 ou mais horas por dia pensando seus corpos não estão suficientemente desenvolvidas.

Com o aumento da oferta ginásio e atendimento há alguma especulação de que isso explica por si só para o aumento da consciência da imperfeição física em homens e uma busca para alcançar o corpo perfeito. Estimativas conservadoras colocar bigorexia como afetando centenas de milhares de homens.

Bigorexia e Espelho Verificação

Homens Bigorexic verificar-se até 12 vezes por dia.

Isso se compara a cerca de 3 vezes por dia com outros levantadores de peso. eventos sociais e trabalho: eventos sociais importantes, como aniversários, amigos de reuniões, mantendo compromissos etc são ignorados porque eles interrompem a programação de treinamento. Horário de trabalho pode ser visto como demasiado longo e alguns homens perderam seus empregos, porque eles gastam muito tempo de treinamento durante períodos de descanso.

Dieta e Bigorexia

Dietas muito rigorosas são importantes. Bigorexics raramente vai comer na casa de outra pessoa ou em um restaurante, porque eles são incapazes de controlar o equilíbrio alimentar ou saber exatamente o que tem ido para a preparação de alimentos. Tem sido conhecido por homens desenvolver distúrbios alimentares como a bulimia.

Bigorexia e medição Up

Homens Bigorexic constantemente comparar o seu próprio corpo com o de outros homens. Invariavelmente, suas percepções estão incorretas. Mesmo quando se observa os homens de igual físico eles vão julgar-se como menor.

Bigorexia e Drogas

O uso de esteróides anabolizantes é comum entre bigorexics. Os homens continuam usando esteróides, apesar de sofrer efeitos colaterais como aumento da agressividade, acne, aumento das mamas, impotência, calvície, impotência sexual e atrofia testicular.

Bigorexia e gordura corporal

Homens com bigorexia normalmente se preocupar com o percentual de gordura corporal que eles carregam, em vez de estar acima do peso.

Fatores psicológicos e Bigorexia

Ao contrário de muitos construtores de corpo que apreciam a oportunidade de mostrar seu físico em bigorexics públicos não. Muitos vão se esconder por dias em um tempo por causa do constrangimento sobre o seu corpo. Pesquisa realizada pelo Papa e outros em 2000, descobriu que um homem evitou o sexo com sua esposa em caso usado a energia que ele poderia se aplicar a construção do corpo.

Normalmente, os homens com bigorexia têm uma baixa auto-estima. Muitos relatam ter sido provocado na escola sobre seu físico levando a um foco em "fazer bem". No entanto, a tentativa de recuperar o atraso nunca é alcançada e resulta em um pobre senso de si e sentimentos de vazio. Estudos realizados por Olivardia e outros em 2000 também descobriu que 29 por cento dos homens com bigorexia tinha um histórico de transtorno de ansiedade e 59 por cento apresentaram alguma outra forma de transtorno de humor.

Opções de tratamento para Bigorexia

No momento em que escrevo há estudos sistemáticos foram produzidos para comparar a eficácia de um tratamento sobre o outro, seja individualmente ou em combinação. Um problema particular com a condição é que, um pouco como os anoréxicos, os homens raramente se vêem como tendo um problema e não são susceptíveis de vir para a frente para o tratamento. A própria condição ocorre, em parte, como uma resposta a sentimentos de depressão e falta de auto-estima para vir para a frente para o tratamento é admitir a derrota.

Onde os homens vieram para a frente uma combinação de técnicas de ensino e psicoterapêutico começaram a mostrar resultados promissores. Técnicas cognitivo-comportamentais colocar a ênfase na identificação e mudança de padrões de pensamento em direção às metas mais realistas e realizáveis.

Pacotes de tratamento no futuro pode muito bem ser informado por tais abordagens, mas estudos mais sistemáticos são agora obrigados.

Fonte: menshealth.about.com

Vigorexia

Vigorexia ou Anorexia Reversa?

Vigorexia
Vigorexia

É bastante conhecido o fato de que Transtornos Mentais e sintomas de natureza emocional evoluem e se modificam ao longo dos tempos tomando características diferentes nas diversas culturas, mostrando-se sensíveis às transformações sócio-culturais.

Enquanto na época de Freud predominava a Histeria, cuja manifestação ocorria sob a influência da sociedade repressiva do final do século XIX, onde a ordem geral era a implacável e feroz repressão da sexualidade, conduzida por uma moralidade hipócrita e artificial, implacável e feroz, hoje são comuns as compulsões ou Transtornos Alimentares (Anorexia, Bulimia), os Transtornos de Ansiedade, as Fobias, o Pânico, o Transtorno Bipolar, o Transtorno Obsessivo Compulsivo, sob a influência das sociedades modernas. A escravização que as pessoas das sociedades civilizadas se submetem aos padrões de beleza tem sido um dos fatores sócio-culturais associados ao incremento da incidência dos Transtornos Dismórficos, sejam Corporais (associados à Anorexia e Bulimia) ou Musculares (Vigorexia).

A Anorexia, doença que se caracteriza pela recusa à alimentação por medo de engordar, e a Bulimia, na qual a pessoa provoca o próprio vômito.

Atingem principalmente as mulheres: 90% dos pacientes são meninas entre 12 e 18 anos. A tentativa de controle do corpo da mulher, que antes se dava através da repressão a traços tidos como naturais, a obrigação de ser meiga, doce, delicada, hoje aparece na imposição estética de beleza e magreza. Controlar o corpo da mulher é também moldar seu comportamento. Um dos efeitos mais perverso disto tudo é o rebaixamento do nível de auto-estima e a desvalorização da singularidade, individualidade e identidade da mulher.

A Vigorexia, comportamento que atinge homens e mulheres surge no contexto de uma sociedade consumista, competitiva, na qual o culto à imagem acaba adquirindo, praticamente, a categoria de religião (na conotação fanatismo), é talvez, uma das mais recentes patologias emocionais, ainda não catalogada como doença específica pelos manuais de classificação (CID 10 e DSM. IV).

Os vigoréxicos são praticantes inveterados de esportes e ginásticas que se dedicam ao desempenho corporal, sem levar em conta as condições físicas, chegando mesmo a sentirem-se culpados, quando não podem exercitar de forma ritualística ou compulsivamente tais atividades.

Este distúrbio, comum em homens, às vezes, confundido com simples excesso de vaidade, advém do controle exagerado do crescimento da massa muscular provocada por exercícios constantes e contínuos ou por utilização, muitas vezes inconseqüentes de esteróides anabolizantes, ainda, por obsessão pelo visual fisiculturista, e por uma espécie de narcisismo, mania de admirar-se diante do espelho, esforço para alcançar a perfeição física.

Tanto na Anorexia quanto na Vigorexia as pessoas buscam a imagem perfeita, segundo padrões ditados pela televisão, cinema, revistas, passarelas de moda e pela ambição ou ilusão de galgar prestígio, fama, aceitação, reconhecimento, etc.

Em 1993, o psiquiatra americano Harrison Pope, professor da Faculdade de Medicina de Harvard, Massachusetts denominou a doença como Anorexia Reversa ou Síndrome de Adônis (personalidade mitológico de grande beleza).

Segundo Pope, o Transtorno tem certos aspectos comuns com a Anorexia: autoimagem distorcida, fatores sócio-culturais, automedicação e idade de aparição (entre 18 e 35 anos). Ambas promovem a distorção da imagem que os seus portadores têm sobre si mesmos. A diferença é que enquanto os anoréxicos nunca se acham suficientemente magros, os Vigoréxicos nunca se acham suficientemente fortes e musculosos.

Ter um corpo é ter identidade. Alterá-lo para simplesmente se encaixar no padrão exigido pela moda ou época, para atender expectativas criadas pela indústria da estética é perder em singularidade, uma forma de negligenciar a si mesmo, ser menos dono de si. É, aceitar viver a mercê de ideologias do mundo capitalista.

Edna Paciência Vietta

Fonte: www.ufrgs.br

Vigorexia

Vigorexia: Forma física acima de tudo

A vigorexia é um dos extremos da preocupação exagerada com a forma física. Enquanto a anorexia e a bulimia são mais freqüentes em mulheres, que deixam de se alimentar ou comem para depois vomitar porque acreditam estar gordas, a vigorexia afeta mais os homens que desejam desenvolver seus músculos, já que se vêem fracos e doentes.

A vigorexia associa beleza com músculos definidos e é um transtorno vinculado a problemas de personalidade. Conseguir um corpo perfeito é prioridade para milhões de pessoas ao redor do mundo que querem ficar dentro dos padrões de beleza estabelecidos pelo cinema, moda, televisão, publicidade, amigos, etc., e transformam esse objetivo em escravidão.

A vigorexia não tem relação com a prática regular e saudável de esportes, nem com o culturismo, a prática de exercícios físicos dirigidos ao excessivo desenvolvimento dos músculos. No entanto, entre os seguidores do culturismo costuma haver pessoas com vigorexia.

Homens jovens, sem maturidade e com baixa auto-estima são principais vítimas da vigorexia, mas os casos entre as mulheres têm sido mais freqüentes. Assim como quem sofre de anorexia e bulimia, as pessoas com vigorexia precisam de tratamento médico e psicológico.

Sacrifícios

As pessoas com complexo de Adônis consideram que todos os sacrifícios são pouco para conseguir um corpo perfeito. É uma corrida sem fim, porque a imagem vista no espelho por alguém com vigorexia é sempre a de uma pessoa sem músculos e sem qualquer atrativo físico.

Essa corrida para obter o corpo perfeito começa com dependência doentia da academia e da prática de esportes, com mudança de dieta, baseada em proteínas e carboidratos e, freqüentemente, com o consumo de anabolizantes e esteróides.

A auto-estima diminui, e a necessidade de fazer atividade física o tempo todo afasta a pessoa com vigorexia dos amigos, da família, do trabalho e de qualquer outra atividade. Ela se torna um ser introvertido e fechado. A frustração que acompanha a vigorexia pode explodir em episódios de grande violência. Isso acontece principalmente quando o entorno socio-cultural elogia um homem atlético, forte e temido.

Má saúde física

Ao contrário do que se pensa, uma pessoa com vigorexia não está fisicamente saudável. Ossos, tendões, articulações e músculos sofrem conseqüências do exercício excessivo e lesões são freqüentes.

Diante da dor produzida pela forte intensidade da atividade física, o corpo libera endorfinas para reduzi-la. A quantidade de endorfinas aumenta proporcionalmente ao tempo dedicado aos exercícios, tornando a pessoa “viciada” nesta substância e, com isso, em academia.

A alimentação pobre em gorduras e rica em carboidratos e proteínas causa transtornos metabólicos, que se agravam com o uso de anabolizantes e esteróides.

Problemas cardíacos, renais e hepáticos, retenção de líquidos e atrofia testicular são apenas alguns dos distúrbios associados a vigorexia.

Prevenir e curar

As crises de auto-estima e pânico em fracassar costumam começar na adolescência, por isso é fundamental orientar o jovem sobre a prática saudável de uma série de atividades, entre elas o esporte. Com a atividade física, o jovem aprende a diferença entre procurar boa imagem de si mesmo, o que é bom, e se prender a um determinado modelo sociocultural, que pode levar “a frustração e se transformar em uma doença.

Geralmente, a vigorexia afeta homens entre 18 e 35 anos, mas em muitos casos os problemas que levam à obsessão pelo desenvolvimento dos músculos começam na puberdade.

Resgatar a auto-estima é fundamental para a pessoa com vigorexia. Trata-se de recuperar a imagem e modificar comportamento e hábitos para poder se aceitar de novo.

O tratamento psicológico deve ser acompanhado de orientação médica sobre alimentação e desintoxicação de produtos como anabolizantes e esteróides. A atividade física não deve ser cortada, mas é preciso reduzir gradativamente o tempo e intensidade de exercício.

Fonte: www.kleberpersonal.com.br

Vigorexia

VIGOREXIA - TRANSTORNO DISMÓRFICO CORPORAL

Introdução

A adicção ou dependência ao exercício, também chamada de Vigorexia ou Overtraining, em inglês, é um transtorno no qual as pessoas realizam práticas esportivas de forma continua, com uma valorização praticamente religiosa (fanatismo) ou a tal ponto de exigir constantemente seu corpo sem importar com eventuais conseqüências ou contra-indicações, mesmo medicamente orientadas.

É bastante curioso observar como as patologias mentais ou, no mínimo, os sintomas mentais evoluem e se transformam ao longo do tempo ou entre as diversas culturas, mostrando-se sensíveis às mudanças sócio-culturais. Observa-se que a prevalência das Doenças Mentais está absolutamente associada a uma época determinada e a determinados valores culturais.

A Vigorexia está nascendo no seio de uma sociedade consumista, competitiva, frívola até certo ponto e onde o culto à imagem acaba adquirindo, praticamente, a categoria de religião. A Vigorexia e, em geral os Transtornos Alimentares exemplificam bem a influência sociocultural na incidência de alguns transtornos emocionais.

Com toda certeza, a Vigorexia é uma das mais recentes patologias emocionais estimuladas pela cultura, e nem foi ainda catalogada como doença específica pelos manuais de classificação (CID.10 e DSM.IV).

A Vigorexia, mais comum em homens, se caracteriza por uma preocupação excessiva em ficar forte a todo custo. Apesar dos portadores desses transtornos serem bastante musculosos, passam horas na academia malhando e ainda assim se consideram fracos, magros e até esqueléticos. Uma das observações psicológicas desses pacientes é que têm vergonha do próprio corpo, recorrendo assim aos exercícios excessivos e à fórmulas mágicas para acelerar o fortalecimento, como por exemplo os esteróides anabolizantes.

As pesquisas sobre dependência (ou adicção) a quaisquer coisas caminham, hoje em dia, através da Psiquiatria, da Psicologia Experimental e da Neurobiologia no sentido de se identificar elementos emocionais e biológicos que contribuem para alterar o equilíbrio do prazer (homeostasia hedonista), levando assim à dependência ou adicção. A palavra "adicção", em português, é um neologismo técnico que quer dizer, de fato, "drogadicção".

O termo Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, foi primeiramente assim denominado pelo psiquiatra americano Harrisom G. Pope, da Faculdade de Medicina de Harvarde, Massachusetts. Os estudos de Pope foram publicados na revista Psychosomatic Medicine com a observação de que cerca de um milhão de norte-americanos entre os nove milhões adeptos à musculação podem estar acometidos pela patologia emocional. As duas rexias, Anorexia e Vigorexia foram consideradas por Pope como doenças ligadas à perda de controle de impulsos narcisistas.

Apesar de todas as características clínicas da Vigorexia, vários autores não a consideram uma nova doença ou uma entidade clínica própria mas sim, uma manifestação clínica de um quadro já amplamente descrito; o Transtorno Dismórfico Corporal. Essa manifestação clínica separada seria o chamado Transtorno Dismórfico Muscular (ou Vigorexia).

1. Vigorexia ou Síndrome de Adônis

A escravização que as pessoas das sociedades civilizadas se submetem aos padrões de beleza tem sido um dos fatores sócio-culturais associados ao incremento da incidência dos Transtornos Dismórficos, sejam Corporais (associados à Anorexia e Bulimia) ou Musculares (Vigorexia).

O habitual desejável ao ser humano moderno é estar moderadamente preocupado com seu corpo, sem que essa preocupação se converta numa obsessão. O ideal desejável e sadio não é o padrão imposto pelas revistas de beleza e pelos modelos publicitários mas sim, estar satisfeito consigo mesmo e aceitar-se como é. Mas quem, na adolescência não se sentiu complexado alguma vez, ao menos pelo tamanho de seu nariz? Quem não sofreu com a acne na puberdade?

Tais complexos acabam gerando insegurança social, podem agravar a introversão e timidez. A atitude mais habitual, apesar de inocente, é acreditar que a timidez e insegurança sociais seriam resolvidas caso a pessoa fosse bela, forte, um modelo de homem perfeito, um corpo escultural. Nasce aí a obsessão de beleza física e perfeição, os quais se convertem em autênticas doenças emocionais, acompanhadas de severa ansiedade, depressão, fobias, atitudes compulsivas e repetitivas (olhadas seguidas no espelho) e que conduzem ao chamado Transtorno Dismórfico Corporal.

O termo Dismorfia Corporal foi proposto em 1886 pelo italiano Morselli. Freud descreveu o caso do "Homem Lobo", uma pessoa que, apesar de ter um excesso de pelos no corpo, centrava sua excessiva preocupação na forma e tamanho de seu nariz. Ele o via horrível, proeminente e cheio de cicatrizes.

Embora exista um grande número de pessoas mais ou menos preocupadas com sua aparência, para ser diagnosticado Dismorfia, deve haver sofrimento significativo e uma reiterada obsessão com alguma parte do corpo que impeça uma vida normal. Quando esse quadro todo se fixa na questão muscular, havendo uma busca obsessiva para uma silhueta perfeita, o transtorno se chamará Vigorexia ou Transtorno Dismórfico Muscular.

A busca de um corpo perfeito e musculoso a qualquer preço começa, então, a ser tratada como uma patologia. A Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, é um transtorno emocional assim denominado pelo psiquiatra americano Harrison G. Pope da Faculdade de Medicina de Harvard, Massachusetts (veja a entrevista com Pope em Notícias PsiqWeb).

Os estudos de Pope foram publicados na revista Psychosomatic Medicine, e constaram da observação de adictos à musculação, e comprovaram que entre mais de 9 milhões de norte-americanos que freqüentam regularmente academias de ginástica, cerca de um milhão poderia estar acometido por este transtorno emocional.

A Vigorexia, como vimos pode ser sinônimo de Dismorfia Muscular (ou Transtorno Dismórfico Muscular) e não é casualidade que o nome Vigorexia rime com Anorexia.

As duas doenças promovem a distorção da imagem que os pacientes têm sobre si mesmos: os anoréxicos nunca se acham suficientemente magros, os Vigoréxicos nunca se acham suficientemente musculosos. Ambas podem ser consideradas como "patologias do narcisismo". Alguns autores já estão atribuindo o aparecimento da Vigorexia à moda e à um estilo de vida tipo "vigilante da praia".

Não se trata, simplesmente, de fazer exercícios para receber o diagnóstico de Vigorexia. Os exercícios orientados, com indicação médica ou terapêutica, recreativos e/ou de condicionamento continuam sendo muito bem vindos na medicina e na psiquiatria.

Entretanto, as pessoas que treinam exaustivamente, não apenas para se sentirem bem, mas para ficarem estupendos e perfeitos, são sérios candidatos ao diagnóstico de Vigorexia. Normalmente essas pessoas estão dispostas a manter uma dieta rigorosa, a tomar fármacos e a treinar duro para conseguir seu objetivo. Elas perdem a noção de sua própria corporeidade e nunca param ou ficam satisfeitos.

Os sintomas da Vigorexia se evidenciam pela obsessão em tornar-se musculosos. Essas pessoas olham-se constantemente no espelho e, apesar de musculosos, podem ver-se enfraquecidos ou distantes de seus ideais. Sentirem-se assim "incompletos", faz com que eles invistam todas as horas possíveis em exercícios e ginásticas para aumentar sua musculatura.

É difícil estabelecer limites entre um exercício saudável e um exercício obsessivo, mas é bom lembrar que os vigoréxicos, além da musculação continuada, comem de forma atípica e exagerada. Esses pacientes se pesam várias vezes por dia e fazem continuadas comparações com outros companheiros de academia. A doença vai derivando num quadro obsessivo-compulsivo, de tal forma que eles se sentem fracassados, abandonam suas atividades e se isolam em academias dia e noite.

Alguns anoréxicos podem chegar a ingerir mais de 4.500 calorias diárias (o normal para uma pessoa é 2.500), e sempre acompanhado por numerosos e perigosos complementos vitamínicos, hormonais e anabolizantes. Tudo isso é feito com o propósito de aumentar a massa muscular, mesmo tendo sido alertados quanto aos graves efeitos colaterais desse estilo de vida.

A Vigorexia deve ser considerada um transtorno da linhagem obsessivo-compulsiva, tanto pela obsessão em musculatura, pela compulsão aos exercícios e ingestão de substâncias que aumentam a massa muscular, quanto pela fragrante distorção do esquema corporal.

Todavia, apesar de ser clinicamente característica, a Vigorexia não está ainda incluída nas classificações tradicionais de transtornos mentais (CID.10 e DSM.IV), embora possa ser considerada uma espécie de Dismorfia Corporal, já que também é conhecida com o nome de Dismorfia Muscular.

1.1. Personalidade da Vigorexia

Podemos encontrar, entre portadores de Vigorexia, pessoas que só buscam a figura perfeita, influenciadas por modelos culturais atuais, ou esportistas que querem obsessivamente chegar a ser os melhores, exigindo insensatamente de seu organismo até sua meta ser alcançada. Recentemente temos visto também, entre os vigoréxicos, pessoas portadoras de personalidade introvertida, cuja timidez ou retraimento social favorecem uma busca do corpo perfeito como compensação aos sentimentos de inferioridade.

Estas pessoas possuem alguns traços característicos de personalidade, costumam ter baixa autoestima e muitas dificuldades para integrar-se socialmente, costumam ser introvertidas e podem, com freqüência, rejeitar ou aceitar com sofrimento a própria imagem corporal. Em alguns casos, a obsessão com o próprio corpo se parece muito com o mesmo fenômeno observado na anorexia nervosa.

O fisiculturismo é um dos esportes que mais comumente se relaciona com este tipo de transtorno, mas isso não significa que todos fisiculturistas tenham Vigorexia.

Os vigoréxicos praticam seus esportes e ginásticas sem levar em conta ou sem se importarem com as condições climáticas, condições físicas limitadoras ou mesmo inadequações circunstanciais do dia-a-dia, chegando a sentirem-se incomodados ou culpados quando não podem realizar essas atividades.

Os critérios de diagnóstico para a Vigorexia ainda não estão claramente estabelecidos por tratar-se de um transtorno tornado freqüente mais recentemente, possivelmente depois da última edição do CID.10 e DSM.IV, portanto, ainda não reconhecido como um uma doença clássica e característica pelas classificações internacionais.

1.2. Conseqüências da Vigorexia

Uma das conseqüências da vigorexia ou overtraining, dizem respeito ao excesso de treinamento e às reações corporais que avisam, por assim dizer, que algo está errado.

São reações semelhantes ao estresse tais como: insônia, falta de apetite, irritabilidade, desinteresse sexual, fraqueza, cansaço constante, dificuldade de concentração entre outras.

Além da obsessão com o corpo perfeito, a Vigorexia também produz uma importante mudança nos hábitos e atitudes dos pacientes, notadamente na questão alimentar. Até a mínima caloria ingerida será contabilizada e medida com máxima atenção, pois a beleza corporal dependerá disso. A vida do anoréxico gira em torno dos cuidados com seu corpo, sua dieta é minuciosamente regulada, eliminando-se totalmente as gorduras e, ao contrário, consumindo-se excessivamente as proteínas. Esse desequilíbrio alimentar acaba por sobrecarregar o fígado, obrigando-o a desempenhar um trabalho extra.

A Vigorexia causa problemas físicos e estéticos, como por exemplo, a desproporção displásica, também entre o corpo e cabeça, problemas ósseos e articulares devido ao peso excessivo, falta de agilidade e encurtamento de músculos e tendões.

A situação se agrava quando surge o consumo de esteróides e anabolizantes com o fim de conseguir "melhores resultados". O consumo destas sustâncias aumenta o risco de doenças cardiovasculares, lesões hepáticas, disfunções sexuais, diminuição do tamanho dos testículos e maior propensão ao câncer da próstata.

Emocionalmente, segundo estudos de Pope, a Vigorexia pode ter como conseqüência um quadro de Transtorno Obsessivo-compulsivo, fazendo com que os pacientes se sintam fracassados e abandonem suas atividades sociais, inclusive de trabalho, com o propósito de treinar e exercitar-se sem descanso.

Costuma haver algum grau significativo de comprometimento social e/ou ocupacional nos pacientes portadores de Vigorexia, e sua qualidade de vida pode ser agravada ainda por procedimentos potencialmente iatrogênicos e onerosos, como tratamentos cirúrgicos e dermatológicos desnecessários.

1.3. Sintomas e Patologia da Vigorexia

Psiquiatricamente o quadro mais diretamente associado à Vigorexia é a chamada Dismorfia Muscular (ou Transtorno Dismórfico Muscular), uma patologia psíquica das pessoas excessivamente preocupadas com a própria aparência, constantemente insatisfeitas com seus músculos e continuadamente em obsessiva busca da perfeição.

O sintoma central parece ser uma distorção na percepção do próprio corpo e deste sintoma decorrem os demais, como por exemplo, a obsessão pelos exercícios e dietas especiais. Esse tipo de sintoma básico (percepção distorcida do próprio corpo) também é o sintoma principal dos transtornos alimentares.

Mangweth e cols, compararam 27 homens com diagnóstico de transtorno alimentar (sendo 17 com anorexia nervosa e 10 com bulimia nervosa), com 21 atletas masculinos e 21 homens normais não-atletas, usando um teste computadorizado da imagem do corpo, o "matrix somatomorphic". Quando era pedido para todos eles escolherem o corpo ideal que gostariam de ter, os homens com transtornos alimentares selecionaram uma imagem com a gordura de corpo muito próxima àquela escolhida pelos homens atletas e do grupo de controle.

Entretanto, havia grande diferença entre esses grupos quanto à percepção da imagem corporal, principalmente no tanto de gordura que a pessoa acredita ter. Os homens com transtornos alimentares se percebiam ser quase duas vezes mais gordos que realmente eram, e as pessoas do grupo controle não mostraram nenhuma tal distorção. Estes resultados foram muito semelhantes aos estudos realizados com mulheres portadoras de anorexia e bulimia, as quais também mostram uma percepção anormal da gordura corporal.

Há, nos vigoréxicos, uma inclinação patológica para o que se considera o protótipo do homem moderno, supostamente (e erroneamente, segundo pesquisa de Pope) desejável pelas mulheres. Há uma busca obsessiva em se tornar o modelo de homem, com um corpo fibroso, definido, musculoso, e devidamente glorificado pela televisão, pelo cinema, pelas revistas e passarelas de moda. A Vigorexia representa bem a sociedade onde "uma imagem vale mais que mil palavras", tornando os homens obcecados por seus corpos perfeitos.

A mesma preocupação e distorção com o esquema corporal constatado na Anorexia observa-se na Vigorexia. Na Anorexia as pacientes - geralmente mulher - acham-se ainda gordas, apensar de notavelmente magras e, na Vigorexia, acham-se fracas, apesar de notavelmente musculosas.

O problema é mais comum ter início na adolescência, período onde, naturalmente, as pessoas tendem a ser insatisfeitas com o próprio corpo e se submetem exageradamente aos ditames da cultura. Na adolescência existe uma pressão para as meninas se manterem magras e uma cobrança para que os meninos fiquem fortes e musculosos. A importância da identificação da Vigorexia precocemente, é no sentido de evitar que os adolescentes façam uso de drogas para obter os resultados desejados (ou fantasiados).

A Dismorfia Muscular é uma espécie de subdivisão de um quadro mais abrangente chamado de Transtorno Dismórfico Corporal, definido como uma preocupação com algum defeito imaginário na aparência física numa pessoa com aparência normal A Dismorfia Muscular seria uma alteração na percepção do esquema corporal, específica da estética muscular do corpo e não um defeito na percepção corporal imaginário qualquer. Os quadros mais comuns no Transtorno Dismórfico envolvem, principalmente, preocupações com defeitos faciais ou outras partes do corpo, cheiro corporal e aspectos da aparência. Quando diz respeito à visão distorcida e irreal da estética muscular falamos em Dismorfia Muscular.

O DSM.IV diz que a característica essencial do Transtorno Dismórfico Corporal (historicamente conhecido como Dismorfofobia) é uma preocupação com um defeito na aparência, sendo este defeito imaginado ou, se uma ligeira anomalia física está realmente presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva e desproporcional.

2. Ortorexia

Seguindo a moda das "exias", como Anorexia, Vigorexia, etc, descreve-se também, dentro das "patologias culturais", o exagero em dietas naturalistas. Essa obsessão dietética pode revelar sintomas de um transtorno recém batizado de Ortorexia Nervosa. A palavra é um neologismo baseado no grego, em que orthós significa "correto" e "verdadeiro", e oréxis quer dizer apetite.

Trata-se de um quadro onde o portador é alguém muito preocupado com os hábitos alimentares e dedica grande parte do tempo a planejar, comprar, preparar e fazer refeições. A diferença entre essa Ortorexia e a Síndrome do Gourmet, é que nesta não há nenhuma preocupação com os alimentos "politicamente corretos".

Além de esse traço obsessivo alimentar, o paciente dispõe de um autocontrole rigoroso para não se render diante das tentações da mesa. Aliás essas pessoas sentem-se superiores a quem se esbalda nos pecados das impurezas de um filé ao ponto ou de uma guloseima em calda de chocolate. Com o tempo esses pacientes acabam adotando comportamentos nutricionais cada vez mais restritivos, com prejuízo da sociabilidade ou, o que é pior, passam a ter uma desagradável iniciativa de convencer todo mundo a entrar para sua turma. Isso gera conflitos e dificuldades de relacionamento, arriscando a pessoa a ficar falando sozinha.

Como provável indício (pródromo) da Ortorexia surge a macrobiótica, com sua exclusividade no consumo de frutas, legumes e folhas. Na base da personalidade desses pacientes está uma forte inclinação obsessiva, tanto quanto se vê na Vigorexia, uma preocupação exagerada e tirânica com a perfeição e uma rigidez cega às normas e regras. Nesse sentido, entraria a alimentação considerada politicamente correta e pretensamente saudável.

Esses excessos de retidão dietética podem colocar a saúde da pessoa em sério risco devido à grande perda de peso e carência de componentes nutritivos. Os autores, de modo geral, acham cedo classificar esses casos como uma doença autônoma, preferindo considerá-los como variantes sintomáticos dos Transtornos Alimentares, da Anorexia ou da Vigorexia (Transtorno Dismórfico Corporal), ambos situados dentro do Espectro Obsessivo-Compulsivo.

Esse quadro não se trata, simplesmente, da pessoa ser vegetariana. Mesmo entre vegetarianos deve primar o bom senso, havendo aqueles que criticam a posturas mais radicais.

Os pacientes acometidos de Vigorexia compartilham com os portadores de Dismorfia Corporal e Anorexia os mesmos pensamentos obsessivos, e todos eles executam alguns rituais repetitivos diante do espelho, o qual sempre lhes mostra sua imagem distorcida.

Harrisom G. Pope descreveu esse quadro pela primeira vez em 1993, chamando-o inicialmente de Anorexia Reversa. Em seus últimos trabalhos Pope preferiu usar o termo "Complexo de Adônis", reconhecendo que os homens eram os principais acometidos e, mais raramente, algumas mulheres.

Esse autor observou existirem muitos elementos em comum entre a Vigorexia e outros transtornos alimentares, notadamente com a Anorexia Nervosa.

Apontou algumas das características em comum:

Características Comuns da Anorexia e da Vigorexia

1. Preocupação exagerada com o próprio corpo

2. Distorção da Imagem Corporal

3. Baixa autoestima

4. Personalidade Introvertida

5. Fatores sócio-culturais comuns

6. Tendência a automedicação

7. Idade de aparecimento igual (adolescência)

8. Modificações da dieta

Diferenças Básicas entre a Vigorexia e a Anorexia
Anorexia

Autoimagem Obeso

Automedicação laxantes, diuréticos

Sexo Feminino

Vigorexia

Autoimagem de fraco

Automedicação anabolizantes

Sexo Masculino

3. Transtorno dismórfico corporal e transtorno dismórfico muscular

Pacientes com Transtorno Dismórfico Corporal sofrem de idéias persistentes sobre o modo como percebem a própria aparência corporal, portanto, todo paciente com Vigorexia tem também Transtorno Dismórfico Corporal. Esses pensamentos persistentes, intrusivos, difíceis de resistir, invadindo a consciência e em geral acompanhados por compulsões rituais de olhar-se no espelho constantemente seriam muito semelhantes aos pensamentos obsessivos dos pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Essas idéias obsessivas sobre defeitos no próprio corpo são, em geral, egodistônicas, ou seja, estão em desacordo com o gosto da pessoa, portanto, fazem a pessoa sofrer.

No Transtorno Dismórfico Corporal são mais comuns as queixas que envolvem defeitos faciais, como por exemplo a forma ou tamanho do nariz, do queixo, a calvície, etc. mas, não obstante podem envolver outros órgãos ou funções, como a preocupação com o cheiro corporal que exalam, mau hálito, odor dos pés, etc.

Choi1, Pope e Olivardia definem o Transtorno Dismórfico Muscular como uma nova síndrome onde as pessoas, geralmente homens, independentemente de sua musculatura (embora normalmente sejam bem desenvolvidos), têm uma opinião patológica a respeito do próprio corpo, acreditando terem uma musculatura muito pequena.

A co-morbidade do Transtorno Dismórfico Corporal ou de sua variante, o Transtorno Dismórfico Muscular (Dismorfia Muscular), com outros quadros psiquiátricos, tais como a Fobia Social, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, a Depressão e outros quadros delirantes é bastante freqüente.

Com Depressão e Ansiedade essa co-morbidade chega a 50% dos casos, especialmente com quadros de ansiedade tipo Pânico.

Com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo clássico, Fobia Social e Anorexia Nervosa a comorbidade também é alta, em torno de 40%. Pacientes com Transtorno Dismórfico Corporal em geral são perfeccionistas e podem ter traços de personalidade obsessivos ou esquizóides.

Critérios Diagnósticos para F45.2 (CID.10) ou 300.7 (DSM.IV) do Transtorno Dismórfico Corporal:

A. Preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira anomalia física está presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva.

B. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

C. A preocupação não é melhor explicada por outro transtorno mental (por ex., insatisfação com a forma e o tamanho do corpo na Anorexia Nervosa).

4. Causas

Ainda que não se tenham dúvidas sobre o forte elemento sociocultural no desenvolvimento e na incidência da Vigorexia, também parece que a patologia esteja relacionada com desequilíbrios de diversos neurotransmissores do sistema nervoso central, mais precisamente da serotonina.

Também a causa do Transtorno Dismórfico Corporal é desconhecida, embora existam relatos de algum envolvimento orgânico em casos que tiveram início pós-encefalite ou meningite. Isso reforça a hipótese de envolvimento ou disfunção dos gânglios da base nestes quadros. Essa mesma hipótese tem sido emprestada ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo e outros transtornos do espectro obsessivo-compulsivo.

Para Pope, pode-se recorrer a fármacos que atuem sobre esses neurotransmissores para o tratamento dessa doença. A própria resposta positiva dos medicamentos bloqueadores seletivos da recaptação de serotonina tem sugerido que os sintomas de Transtorno Dismórfico Corporal estejam relacionados à função da serotonina. Existem relatos de exacerbação dos sintomas do quadro com o uso de maconha, a qual também tem ação serotoninérgica. Veja Transtorno Dismórfico Corporal no DSM.IV. Entretanto, a psicoterapia é fundamental e deve ser, preferencialmente, comportamental e cognitiva. O objetivo é modificar a conduta da pessoa, recuperando sua autoestima e superando o medo do fracasso social.

5. Incidência

Os transtornos derivados da excessiva preocupação com o corpo estão se convertendo numa verdadeira epidemia. Desejar com ardor uma imagem perfeita não implica sofrer de uma doença mental, mas aumenta as possibilidades de que esta apareça. Ainda que haja hipóteses biológicas para estes transtornos, como por exemplo, eventuais alterações nos desequilíbrios nos níveis de serotonina e outros neurotransmissores cerebrais, não cabem dúvidas de que os fatores sócio-culturais e educativos têm uma grande influência em sua incidência.

Os portadores de Vigorexia são, em sua maioria, homens entre 18 e 35 anos, os quais começam a dedicar demasiado tempo (entre 3 e 4 horas diárias) a atividade de modelação física, resultando em algum tipo de prejuízo sócio-ocupacional. A idade de início mais comum do Transtorno Dismórfico Corporal também é no final da adolescência ou início da idade adulta. A média de idade está em torno dos 20 anos, não sendo raro que o diagnóstico seja feito mais tardiamente. Por causa dessas coincidências é que a Vigorexia (ou Transtorno Dismórfico Muscular) pode ser incluída dentro do Transtorno Dismórfico Corporal.

Segundo dados de Pope, entre 9 milhões de norte-americanos que freqüentam academias de ginástica, existe perto de um milhão de pessoas afetadas por um transtorno de ordem emocional que os impede ver-se como são na realidade. Por mais treinamento que essas pessoas realizem, por mais musculatura que desenvolvam, elas sempre se acharão fracas, débeis, raquíticas e sem nenhum atrativo físico. Esses seriam os vigoréxicos.

Referências Bibliográficas

Choi PY, Pope HG Jr, Olivardia R. - Muscle dysmorphia: a new syndrome in weightlifters - Br J Sports Med. 2002 Oct;36(5):375-6; discussion 377.
Kanayama G, Cohane GH, Weiss RD, Pope HG. - Past anabolic-androgenic steroid use among men admitted for substance abuse treatment: an underrecognized problem? - J Clin Psychiatry. 2003 Feb;64(2):156-60.
Kanayama G, Pope HG, Cohane G, Hudson JI. - Risk factors for anabolic-androgenic steroid use among weightlifters: a case-control study - Drug Alcohol Depend. 2003 Jul 20;71(1):77-86.
Mangweth B, Hausmann A, Walch T, Hotter A, Rupp CI, Biebl W, Hudson JI,
Pope HG Jr. - Body fat perception in eating-disordered men - Int J Eat Disord. 2004 Jan;35(1):102-8.
Mangweth B, Hudson JI, Pope HG, Hausmann A, De Col C, Laird NM, Beibl W, Tsuang MT. - Family study of the aggregation of eating disorders and mood disorders - Psychol Med. 2003 Oct;33(7):1319-23.

Fonte: www.geocities.com

Vigorexia

Resumo

A sociedade exerce pressão sobre como deve ser a estrutura corporal dos indivíduos. Aauto-percepção do peso pode estar relacionada com a distorção da imagem corporal.

Nos homens, a preocupação excessiva com o corpo pode desencadear TranstornosAlimentares, além de um novo transtorno comportamental denominado Vigorexia. O objetivodeste estudo foi realizar revisão bibliográfica da literatura atual sobre Vigorexia,caracterizada pela prática excessiva de exercícios físicos, obsessiva preocupação com ocorpo e adoção de práticas alimentares não convencionais. Indivíduos acometidos sedescrevem com fracos e pequenos, quando apresentam musculatura desenvolvida emníveis acima da média.

Introdução

Atualmente, observa-se grande interesse pela nutrição aplicada ao esporte e abusca pelo sucesso leva muitos atletas a experimentarem qualquer regime dietético ousuplemento nutricional na esperança de atingir um melhor nível de bem-estar oudesempenho esportivo (Maham e Escott-Stump, 2005).

Concomitantemente, a sociedade exerce forte pressão sobre qual deve ser aestrutura corporal de indivíduos de ambos os sexos. Enquanto para mulheres o corpomagro é considerado ideal e representa sua aceitação na sociedade, para homens estepadrão corresponde a músculos cada vez mais desenvolvidos, muitas vezes alcançadossomente com o uso de substâncias como os esteróides anabolizantes (Damasceno, Lima,Vianna, Vianna e Novaes, 2005).

A imagem corporal está relacionada com a auto-estima, que significa amor próprio,satisfação pessoal e, acima de tudo, estar bem consigo mesmo. Se existe uma insatisfação,esta se refletirá na auto-imagem. A primeira manifestação da perda da autoconfiança é percebida quando o corpo que se tem não está de acordo com o estereótipo idealizadopela sociedade (Bucaretchi, 2003).

A auto-percepção do peso corporal é um aspecto importante quando se refere àimagem corporal, podendo ser influenciada por diversos fatores, incluindo a cultura e ospadrões sociais (Veggi, Lopes, Faerstein e Sichieri, 2004).

A auto-avaliação da imagem corporal pode ocorrer de três formas: o indivíduo pensaem extremos relacionados à sua aparência ou é muito crítico em relação a ela; o indivíduocompara a aparência com padrões extremos da sociedade; o indivíduo se concentra emum aspecto de sua aparência (Saikali, Soubhia, Scalfaro e Cordás, 2004; Choi, Pope eOlivardia, 2002).

Um dos principais fatores causais de alterações da percepção da imagem corporalé a imposição, pela mídia, sociedade e meio esportivo, de um padrão corporal consideradoo ideal, ao qual associam o sucesso e a felicidade (Conti, Frutuoso e Gambardella, 2005).

É bem descrito na literatura que atletas apresentam maior prevalência de TranstornosAlimentares (TA’s) do que não atletas (Okano, Holmes, Mu, Yang, Lin e Nakai, 2005).Nestes casos, observa-se que a estética é supervalorizada em alguns esportes e servemesmo como critério para a obtenção de resultados satisfatórios nas competições (Viebig,Takara, Lopes e Francisco, 2006).

No caso dos homens, a preocupação excessiva com o corpo se manifesta demaneira diferente em relação às mulheres. Apesar de indivíduos do sexo masculino tambémsofrerem de TA ´s, chama atenção um novo quadro denominado Vigorexia ou DismorfiaMuscular (Assunção, 2002; Melin e Araújo, 2002).

Vigorexia

Também conhecida como Dismorfia Muscular e Anorexia Nervosa Reversa, aVigorexia foi recentemente descrita como uma variação da desordem dismórfica corporale enquadra-se entre os transtornos dismórficos corporais (TDC) (Chung, 2001; Mayville,Williamson, White, Netemeyes e Drab, 2002; Hitzeroth, Wessels, Zungu-Dirwayi,Oosthuizen e Stein, 2001).

A Dismorfia Muscular envolve uma preocupação de não ser suficientemente forte emusculoso em todas as partes do corpo, ao contrário dos TDC ´s típicos, que a principalpreocupação é com áreas específicas (Assunção, 2002).

Assim como a Ortorexia, quadro no qual o indivíduo se preocupa excessivamentecom a pureza dos alimentos consumidos, a Vigorexia ainda não foi reconhecida comodoença, e este ainda é um quadro não validado nem presente nos manuais diagnósticosem psiquiatria (CID-10 e DSM-IV) (Assunção, 2002; Zamora, Bonaechea, Sánchez eRial, 2005).

Os indivíduos acometidos pela Vigorexia freqüentemente se descrevem como“fracos e pequenos”, quando na verdade apresentam musculatura desenvolvida em níveisacima da média da população masculina, caracterizando uma distorção da imagemcorporal. Estes se preocupam de maneira anormal com sua massa muscular, o que podelevar ao excesso de levantamento de peso, prática de dietas hiperprotéicas, hiperglicídicase hipolipídicas, e uso indiscriminado de suplementos protéicos, além do consumo deesteróides anabolizantes (Guarin, 2002; Cafri, Van Den Berg e Thompson, 2006; Grieve,2007, Hildebrand, Schlundt, Langenbucher e Chungt, 2006).

Além disto, em relação aos exercícios físicos, observa-se que indivíduos comVigorexia não praticam atividades aeróbicas, pois temem perder massa muscular.

Estaspessoas evitam exposição de seus corpos em público, pois sentem vergonha, e utilizamdiversas camadas de roupa, mesmo no calor, com intuito de evitar esta exposição(Assunção, 2002; Choi, Pope e Olivardia, 2002; Chung, 2001; Olivardia, Pope e Hudson,2000).

Segundo Grieve (2007) são nove as variáveis identificadas na literatura da dismorfiamuscular, classificadas como: massa corporal, influência da mídia, internalização do idealde forma corporal, baixa auto-estima, insatisfação pelo corpo, falta de controle da própriasaúde, efeito negativo, perfeccionismo e distorção corporal.

Influência

A sociedade atual vem produzindo a manifestação do que é estético e,principalmente, do que deve ser almejado, exibindo um padrão extremamente rígido quantoao corpo ideal e não se dá conta da produção de um sintoma coletivo que circula portodos os ambientes.

Assuntos relacionados à dietas, aparência física, cirurgias plásticase a prática de exercícios físicos estão em toda parte: no trabalho, na escola e em festas(Bucaretchi, 2003).

Na atualidade, observa-se que o indivíduo só é aceito em sociedade ao estar deacordo com os padrões do grupo (Melin e Araújo, 2002). Logo, pessoas não atraentes são discriminadas e não recebem tanto suporte em seu desenvolvimento quanto os sujeitosreconhecidos como atraentes, chegando mesmo a ser rejeitada. Isto pode dificultar odesenvolvimento de habilidades sociais e da auto-estima (Saikali, Soubhia, Scalfaro eCordás, 2004).

Grupos de Risco

A prevalência da Vigorexia afeta com maior freqüência homens entre 18 e 35 anos,mas pode também ser observada em mulheres, sendo expressa por fatoressocioeconômicos, emocionais, fisiológicos, cognitivos e comportamentais. O nível sócio-econômico destes pacientes é variado, mas geralmente é mais freqüente na classe médiabaixa (Alonso, 2006; Grieve, 2007).

A prática de atividade física contínua característica desta desordem pode sercomparada a um fanatismo religioso, colocando à prova constantemente a forma física doindivíduo, que não se importa com as conseqüências que podem ocorrer em seu organismo(Alonso, 2006).

Falhas nos corpos destes indivíduos que, normalmente, passariam despercebidaspara outros, são reais para estes pacientes, conduzindo os mesmos à depressão ouansiedade, problemas no trabalho e relações sociais. Como resultado, correm o risco deperder o emprego e apresentar problemas de relacionamento (Alonso, 2006; Chung, 2001;Leone, Sedory e Gray, 2005; Olivardia, Pope e Hudson, 2000; Pope, Gruber, Choi, Olivardiae Phillips, 1997).

Fatores cognitivos, comportamentais, o ambiente que o indivíduo se encontra, oestado emocional e psicológico, podem determinar o surgimento do quadro de Vigorexia(Grieve, 2007).

Segundo Baptista (2005), freqüentadores assíduos de academia que realizamexercício físico em excesso na busca de um corpo perfeito, fazem parte do grupo depessoas que sofrem de Vigorexia. Essas pessoas se tornam perfeccionistas consigomesmas e obsessivas pelo exercício, passando horas dentro das academias.

Estescomplexos podem ser agravados pela busca inconstante da beleza física, acompanhadasde ansiedade, depressão, fobias, atitudes compulsivas e repetitivas - como olhadasseguidas no espelho (Assunção, 2002).

Ung, Fones e Ang (2000) descreveram o caso de um homem chinês de 24 anosque apresentava medo mórbido de perder peso e massa muscular associado a treinoscompulsivos com utilização de pesos, comportamento alimentar alterado, distúrbio de imagem corporal e depressão. Foi realizado tratamento com antidepressivos e psicoterapiacognitivo-comportamental, o que causou uma redução da preocupação com os músculos.

Estudo realizado por Kanayama, Barry, Hudson e Pope Jr (2006), mostrou queindivíduos que utilizam esteróides anabolizantes diferem pouco dos que não utilizam emrelação à auto-estima, imagem corporal e comportamentos alimentares, porém apresentammais sintomas relacionados à Dismorfia Muscular. Os autores também constataram queos que usam anabolizantes há um longo período apresentam significativas diferenças emrelação aos não usuários em se tratando de sintomas da Vigorexia.

Os treinadores normalmente expressam preocupações sobre alguns de seus atletas,principalmente em relação àqueles que necessitam de baixo peso corporal comocorredoras, ginastas, lutadores e atletas do peso leve (Baptista, 2005).

No fisiculturismo as categorias são divididas por peso corporal, levando estes atletasa utilizar diversos recursos para a manutenção ou redução de seu peso. Além disto,participantes desta modalidade esportiva são julgados por sua aparência e não por suaperformance (Rogatto, 2003; Lambert, Frank e Evans, 2004).

Com o objetivo de atingir a forma física adequada ao esporte, fisiculturistasmanipulam a ingestão calórica, a quantidade de sal da dieta e em alguns casos, utilizammedicamentos diuréticos ou até mesmo suspendem a ingestão hídrica pré-competição.O uso de suplementos alimentares e agentes ergogênicos, incluindo esteróidesanabolizantes, é comum no treinamento tanto de fisiculturistas quanto de levantadores depeso. Porém, é importante salientar que tais recursos devem ser utilizados com cautela erecomendados por um profissional especializado, já que podem acarretar diversos danosà saúde do atleta (Rogatto, 2003; Perry, Lund, Deninger, Kutscher e Schneider, 2005).

Um estudo realizado por Hildebrand, Schlundt, Langenbucher e Chung (2006),com 237 levantadores de peso do sexo masculino mostrou que indivíduos que apresentamDismorfia Muscular apresentam altos índices de distúrbios de imagem corporal, de sintomasrelacionados a psicopatologias associadas, de uso de esteróides anabolizantes ecomportamento controlador em relação à aparência.

Um outro estudo realizado por Lantz, Rhea e Cornelius (2002), com 100 fisiculturistase 68 levantadores de peso, sendo todos atletas de elite competitivos, mostrou que ospertencentes ao primeiro grupo apresentaram maiores porcentagens de indicadores deVigorexia, como preocupação com tamanho o corpo e simetria, proteção psíquica, comportamento alimentar típico e uso de medicamentos, do que levantadores de peso.Isto indica que fisiculturistas podem ser um grupo de risco para a desordem.

Já o estudo realizado na África do Sul por Hitzeroth, Wessels, Zungu-Dirwayi,Oosthuizen e Stein (2001), com 28 fisiculturistas competitivos amadores encontrou aprevalência de 53,6% de Vigorexia. Foi também descrito neste estudo que 33% dos atletascom Vigorexia tinham maior tendência a apresentar desordem dismórfica corporalrelacionada a outros aspectos que não a musculatura.

Vigorexia e uso de esteróides anabolizantes

Olivardia, Pope e Hudson (2000) compararam 24 homens com Vigorexia e 30 levantadores de peso normais. Os indivíduos com Vigorexia se mostraram muito diferentese com maior incidência do que a outra amostra em diversas medidas, como insatisfaçãocorporal, comportamento alimentar diferenciado, uso de esteróides anabolizantes eprevalência de desordens de humor, ansiedade e distúrbios alimentares ao longo da vida.

De acordo com Dickerman, Schaller, Prather e McConathy (1995), o primeiro registrodo uso de esteróides anabolizantes foi durante a Segunda Guerra Mundial, por tropasalemãs, para aumentar sua agressividade e força. Em 1954, iniciou-se a utilização destassubstâncias em atletas russos de ambos os sexos. O risco de abuso de esteróidesanabolizantes, utilizados na tentativa de melhorar o rendimento físico e incrementar ovolume dos músculos, por indivíduos portadores de Vigorexia é alto (Cafri, Van Den Berge Thompson, 2006; Guarin, 2002).

Esteróides anabolizantes são derivados sintéticos do hormônio masculinotestosterona que podem exercer forte influência sobre o corpo humano e melhorar aperformance de atletas. Seu uso está associado a uma série de problemas tanto físicosquanto psiquiátricos. Dentre as alterações físicas estão maiores riscos para odesenvolvimento de doenças coronarianas, hipertensão arterial, tumores hepáticos,hipertrofia prostática, hipogonadismo, problemas de ereção, atrofia testicular, atrofiamamária, alteração da voz, hipertrofia do clitóris e amenorréia em mulheres, aumento daforça, produção de eritropoietina e glóbulos vermelhos, formação óssea e a quantidadede massa magra, aumento do desejo sexual, ocorrência de acne, aumento na incidênciade aterosclerose e aumento da quantidade de pêlos corporais. Em relação às alteraçõespsiquiátricas, envolvem sintomas depressivos quando de sua abstinência, comportamentoagressivo, hipomania e quadros psicóticos (Assunção, 2002; Hartgens e Kuipers, 2004).

Apesar do uso de esteróides anabolizantes ser relatado na sua maioria, em atletasdo sexo masculino, Gruber e Pope (2000) afirmam que cerca de 145 mil mulheresamericanas, faziam uso excessivo da substância na época da pesquisa. Estes autoresrealizaram estudo comparativo com 25 mulheres que já usaram esteróides anabolizantese 50 mulheres que nunca fizeram uso desta substância, em Boston, Houston e Los Angeles.Notou-se que as usuárias de esteróides apresentavam maior prevalência de uso de outrassubstâncias ergogênicas, comparadas ao outro grupo de mulheres, além de serem maismusculosas, dado que foi notado pela medida do Fat Free Mass Index (FFMI – Índice deMassa Magra Livre).

Ainda no estudo de Gruber e Pope (2000), as usuárias de anabolizantes relataramuma alta taxa de efeitos adversos, tanto físicos quanto psicológicos. Em particular, 14usuárias disseram ter sintomas hipomaníacos durante o uso e 10 relataram apresentarsintomas depressivos ao abandonar o medicamento em questão.

O uso destas substâncias é associado a diversos efeitos deletérios, como, porexemplo, o caso de um fisiculturista de 20 anos de idade, relatado por Dickerman, Schaller,Prather e McConathy (1995), que morreu de súbita parada cardiorrespiratória. Apesar denão haver registros de queixas médicas deste indivíduo, havia o abuso de esteróidesanabolizantes e seu coração estava hipertrofiado, como verificado pela autópsia,apresentando massa de 515g.

Esta ingestão abusiva de anabolizantes pode trazer prejuízos à massa muscularem longo prazo e os estimulantes utilizados incluem vários tipos de drogas que aumentama atividade orgânica principalmente por seus efeitos no sistema nervoso central, músculoliso e esquelético. A liberação do hormônio endorfina pode inibir a sensação de dor, cansaçoextremo causado pelo exercício intenso e prolongado, podendo levar a uma dependência,pois quanto mais exercícios esses indivíduos realizam, maior a quantidade de endorfinaliberada na corrente sanguínea aumentando a sensação de prazer. A conseqüência é quecada vez realizam mais exercício para busca do bem estar (Alonso, 2006).

Além do uso de esteróides, outras conseqüências podem ser vistas neste transtorno.A utilização excessiva de pesos durante os exercícios sobrecarrega os ossos, tendões,músculos e articulações, principalmente dos membros inferiores.

Alterações no consumo alimentar

Desde os primeiros Jogos Olímpicos na Grécia Antiga, os quais representaram oberço da busca de relações entre nutrição e desempenho físico, os treinadores e atletasbuscam estratégias alimentares capazes de melhorar o desempenho e aumentar orendimento físico (Bacurau, 2005; Mcardle, Katch, F. e Katch, V., 2003).

Apesar do crescente interesse na área nutrição esportiva, ainda existe um extremograu de desinformação, tanto dos desportistas e atletas quanto de seus treinadores, quenormalmente prescrevem e assumem responsabilidades dietéticas (Bacurau, 2005;Mcardle, Katch, F. e Katch, V., 2003; Tirapegui, 2002).

Devido ao desconhecimento em relação à dieta e às especificidades que a práticaesportiva impõe, alguns atletas comprometem a própria saúde e esforçam-se para alcançarou manter uma meta inadequada de peso corpóreo, com o mínimo de percentual degordura corporal (Mcardle, Katch, F. e Katch, V., 2003; Tirapegui, 2002).

A dieta inadequada (rica em carboidratos e proteínas) e o consumo exacerbado desuplementos protéicos podem ocasionar muitos transtornos metabólicos aos indivíduoscom Vigorexia, afetando especialmente os rins, a taxa de glicemia e o colesterol do indivíduo(Alonso, 2006).

Tratamento

Não há descrição do tratamento para a Vigorexia, em sua maior parte, práticas são“emprestadas” do tratamento de quadro correlatos e não devem ser entendidas comodefinitivas. Da mesma forma que indivíduos com TA ´s, os indivíduos com Vigorexiadificilmente procuram tratamento, pois através dos métodos propostos geralmenteacarretarão perda da massa muscular. Caso o indivíduo faça uso de esteróidesanabolizantes, sua interrupção deve ser sugerida imediatamente (Assunção, 2002).

No tratamento psicológico incluem a identificação de padrões distorcidos depercepção da imagem corporal, identificação de aspectos positivos da aparência física,deve-se abordar e encorajar atitudes mais sadias, e enfrentar a aversão de expor o corpo(Assunção, 2002, Baptista, 2005).

Considerações Finais

A influência da mídia, sociedade e meio esportivo de que corpos perfeitos sãosinônimos de beleza e sucesso, vem acometendo homens e mulheres para odesenvolvimento de transtornos alimentares.

Essa preocupação excessiva com o corpo, a prática de dieta inadequada e usoindiscriminado de esteróides anabolizantes, estão sendo cada vez mais adotadas porhomens e mulheres que apresentam distorção da imagem corporal.

É de extrema importância identificar e orientar o grupo de risco para odesenvolvimento de distúrbios alimentares, através de profissionais especializados comonutricionistas, psicólogos, médicos e treinadores para o sucesso do tratamento, visando obem estar físico e mental destes indivíduos.

Poucos estudos têm sido realizados para caracterizar adequadamente as alteraçõesno consumo alimentar de indivíduos com Vigorexia, o que dificulta a abordagem e otratamento nutricionais.

Treinadores, técnicos e a equipe interprofissional devem ser sensibilizados emrelação aos problemas que podem ser desenvolvidos em relação à saúde física epsicológica de atletas e desportistas, buscando identificar possíveis distorçõescomportamentais, a fim de evitar ou minimizar a ocorrência da Vigorexia.

Tatiana Pimentel Pires de Camargo

Sarah Passos Vieira da Costa

Laura Giron Uzunian

Renata Furlan Viebig

Referências

Alonso C. A. M. (2005) Vigorexia: enfermedad o adaptación. Revista Digital Buenos Aires.V. 11, n. 99.
American Psychiatric Association (1994) Diagnostic and statistical manual of mentaldisorders. 4th edition.
Assunção, S. S. M.; Cordás, T. A.; Araújo, L. A. S. B.(2002) Atividade física e transtornosalimentares. Revista de Psiquiatria Clínica: São Paulo. V. 29, p.4-13. 2002.
Assunção, S. S. M. Dismorfia Muscular (2002) Revista Brasileira Psiquiatria: São Paulo.V. 24, supl. III, p. 80-84.
Baptista A. N. (2005) Distúrbios alimentares em freqüentadores de academia. RevistaDigital Buenos Aires. V. 10, n. 82.
Bucaretchi, H. A. (2003) Anorexia e Bulimia Nervosa uma visão multidisciplinar. São Paulo:Casa do psicólogo, 183p.
Cafri, G., Van Den Berg, P., Thompson, J. K. (2006) Pursuit of muscularity in adolescentboys: relations among biopsychosocial variables and clinical outcomes. J Clin ChildAdolesc Psychol. V. 35, n. 2, p. 283-291.
Choi, P. Y. L., Pope, H. G., Olivardia,R. (2002) Muscle Dysmorphia: a new syndrome inweightlifters. Br J Sports Med. V. 36, p.375-376
Chung, B. (2001) Muscle dysmorphia: a critical review of the proposed criteria. PerspectBiol Med. V.44, n. 4, p. 565-574.
Conti, M. A., Frutuoso, M. F. P., Gambardella, A. M. D. (2005) Excesso de peso e ainsatisfação corporal em adolescentes. Revista de Nutrição: Campinas. V. 18, n. 4.
Cordás, T. A. (2004) Transtornos Alimentares: classificação e diagnóstico. Revista dePsiquiatria Clínica: São Paulo. V. 31, n. 4, p. 154-157.
Damasceno, V. O. , Lima, J. R. P. , Vianna, J. M. , Vianna, V. R. A. , Novaes, J. S. (2005)Tipo físico ideal e satisfação com a imagem corporal de praticantes de caminhada. RevBras Med Esporte: Niterói. V. 11, n. 3.
Dickerman, R. D., Schaller, F. , Prather, I. , McConathy W. J. (1995) Sudden cardiac deathin a 20-year-old bodybuilder using anabolic steroids. Cardiology. V. 86, n. 2, p. 172-173.
Grieve, F. G. A. (2007) Conceptual model of factors contributing to the development ofmuscle dysmorphia. Eat Disord,USA. V. 15, n. 1, p. 63-80.
Gruber, A. , Pope, J. H. G. (2006) Psychiatric and medical effects of anabolic-androgenicsteroid use in women. Psychotherapy and Psychosomatics : Basiléia. V. 69, p. 19-26.
Guarin, H. P. (2002) Cómo problematizar la Educación Física desde la transición delconcepto del cuerpo al de corporeidad. Revista de Buenos Aires: Buenos Aires. N. 48.
Hartgens, F., Kuipers, H. (2004) Effects of androgenic-anabolic steroids in athletes. SportsMed. V. 34, n. 8, p. 513-554.
Hildebrand, T., Schlundt, D., Langenbucher, J., Chung, T. (2006) Presence of muscledysmorphia symptomatology among male weightlifters. Compr Psychiatry. V. 47, n. 2, p.127-135.
Hitzeroth, V., Wessels, C., Zungu-Dirwayi, N., Oosthuizen, P., Stein, D. J. (2001) Muscledysmorphia: a South African sample. Psychiatry Clin Neurosci. V. 55, n. 5, p. 521-523.
Kanayama, G. , Barry, S., Hudson, J. I., Pope Jr., H. G. (2006) Body image and attitudestoward male roles in anabolic-androgenic steroid users. American Journal of Psychiatry.V. 163, n. 4, p. 697-703.
Lambert, C. P., Frank, L. L., Evans, W. J. (2004) Macronutrient considerations for the sportof bodybuilding. Sports Med. V. 34, n. 5, p. 317-327.
Lantz, C. D., Rhea, D. J., Cornelius, A. (2002) Muscle dysmorphia in elite-level powerlifters and bodybuilders: a test of differences within a conceptual model. J Strength CondRes. V. 16, n. 4, p. 649-655.
Leone, J. E., Sedory, E. J., Gray, K. A. (2005) Recognition and treatment of muscledysmorphia and related body image disorders. Journal of Athletic Training. V.40, 4, p353-359.
Mahan, L. K., Escott-Stump, S. (2005) Alimentos, nutrição e dietoterapia. 11ª ed. SãoPaulo: Roca, 2005
Mayville, S. B. , Williamson, D. A. , White, M. A. , Netemeyer, R. G. , Drab, D. L. (2002)Development of the Muscle Appearence Satisfaction Scale: a self-report measure forthe assesment of muscle dysmorphia symptoms. Assesment. V. 9, n. 4, p. 351-360
Mcardle, W.D., Katch, F.I., Katch, V.L. (2003) Fisiologia do Exercício Energia, Nutrição eDesempenho Humano. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1113pMelin, P., Araújo, A. M. (2002) Transtornos alimentares em homens: um desafio diagnóstico.Revista Brasileira de Psiquiatria. Vol. 24, supl. III, p. 73-76
Okano, G., Holmes, R. A. , Mu, Z. , Yang, P. , Lin, Z. , Nakai, Y. (2005) Disordered eating inJapanese and Chinese female runners, rhythmic gymnasts and gymnasts. InternationalJournal Sports Medicine. V. 26, p. 486-491
Olivardia, R., Pope, H. G., Hudson, J. I. (2000) Muscle dysmorphia in male weightlifters: acase-control study. Am J Psychiatry. V. 157, n. 8, p. 1291-1296.
Perry, P. J. , Lund, B. C. , Deninger, M. J. , Kutscher, E. C. , Schneider, J.(2005) Anabolicsteroid use in weightlifters and bodybuilders: an internet survey of drug utilization. Clin JSport Méd. V. 15, n. 5, p. 326-330.
Pope, H. G. Jr, Gruber, A. J. , Choi, P., Olivardia, R. , Phillips, K. A. (1997) Muscle dysmorphia:an underrecognized form of body dysmorphic disorder. Psychosomatics. V. 38, n. 6, p.548-557.
Pope, Jr. , H. G., Gruber, A. J. , Mangweth, B. , Bureau, B. , deCol, C. , Jouvent, R. ,Hudson, J. I. (2000) Body image perception among men in three countries. AmericanJournal of Psychiatry. Vol. 157, p 1297-1301.
Rogatto, G. P. (2003) Composição corporal e perfil antropométrico de ginastas masculinos.Revista Digital de Buenos Aires. N. 62
Saikali, C.J. , Soubhia, C. S. , Scalfaro, B. M. , Cordás, T. A. (2004) Imagem corporal nosTranstornos Alimentares. Revista de Psiquiatria Clínica. V. 31, n. 4.Ung, E. K., Fones, C. S., Ang, A. W. (2000) Muscle dysmorphia in a young Chinese male.Ann Acad Med Singapore. V. 29, n. 1, p. 135-137.
Veggi, A. B. , Lopes, C. S. , Faerstein, E., Sichieri R. (2004) Índice de massa corporal,percepção do peso corporal e transtornos mentais comuns entre funcionários de umauniversidade no Rio de Janeiro. Rev Bras de Psiquiatria. V. 26, n. 4
Viebig, R. F. , Takara, C. H. , Lopes, D. A. , Francisco, T. F. (2006) Estudo antropométricode ginastas rítmicas adolescentes. Revista Digital de Buenos Aires. N. 99.
Viebig, R. F., Polpo, A. N., Côrrea, P. H. (2006) Ginástica Rítmica na infância e adolescência:características e necessidades nutricionais. Revista Digital de Buenos Aires. N. 94
Zamora, C. M. L. , Bonaechea, B. B. , Sánchez, G. F. , Rial, R. B. (2005) Ortorexia nervosa.A new eating behaviour disorder? Actas Esp Psiquiatr. V. 33, n. 1, p. 66-68
World Health Association (1992) The ICD-10 Classification for mental and behaviouraldisorders.

Fonte: pepsic.bvsalud.org

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal