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A Retirada da Laguna

Visconde de Taunay

XIX

Renasce a confiança. Restabelece-se a disciplina. Passagem do Miranda. Os canhões. Ainda o inimigo. Tomamos-lhe alguns bois que oferecem ótimo recurso. Marcha forçada. Vencemos sete léguas! Canindé.

Apenas assumiu o comando, publicou o major José Tomás Gonçalves uma ordem do dia em que, apelando para a coragem e os sentimentos de honra individuais para conjurar o perigo geral, assinalava, como única tábua de talvação, a marcha rápida sobre Nioac, a todo o transe. Imprimiu o tom vivaz desta proclamação um frêmito de excitação moral útil para a restauraçao de um estado sanitário que, dia a dia. melhorava, e fazer seguir ao abatimento dos espíritos as felizes disposições ardorosas do novo chefe. Recomeçando os clarins a dar os toques de ordem, às horas fixas tocaram a recolher. Já havia alguns dias que não os ouvíamos mais; e um único corneta do quartel-general, tristemente, indicava a sucessso das horas. Mas o que, sobretudo, causou viva e agradável surpresa foi, da outra margem do rio, escutarmos as cornetas do nosso corpo de caçadores, que nos davam o troco. Velava, pois, ainda, sobre nós, a regra militar; cessara o isolamento. A distribuição de nossas forças parecia tê-las dobrado, por toda a parte, restabelecendo a confiança e o prestígio da disciplina.

Desperta sempre uma mudança de chefe a atençao geral e poderosamente a agita, à espera da primeira manifestação sensível. O que não dissera a ordem do dia do novo comandante exprimiram-no os atos. Tornara-se José Tomás Gonçalves a personificação da ordem e era o seu órgão. Fez sentir-lhe a força a alguns recalcitrantes que ousavam tentar desobedecer-lhe. Foi a repressão rápida, o que para as turbas constitui o sinal da legitimidade do poder.

Estávamos a 30; fora dada a ordem de se transpor o rio e tudo se determinara previamente. Regularizou-se o vaivem a colocado. Soldados que, isoladamente, haviam passado sem autorização foram chamados da outra margem e reincorporados às unidades a que pertenciam após severa admoestação por esta falta que, em campanha, e diante do inimigo, facilmente se transmuta em crime contra a segurança geral. Um sargento que, nesta ocasião, faltara ao dever foi imediatamente rebaixado.

Bastou este ato de firmeza para reparar os males que os quatro dias de moléstia do comandante haviam causado a disciplina. Fizera o coronel Camisão o máximo empenho em a manter; mas ele não dispunha, como o sucessor, nosso novo chefe, do dom de tornar fácil e agradável o cumprimento do dever, graças aos modos afaveis; e embora estimado e respeitado pelas tropas que nele viam um militar leal, vigilante, dedicado aos interesses da justiça e da humanidade, como o gênio concentrado lhe desse um aspecto habitualmente sofredor acabara como por incutir que, com efeito, a desgraça sobre ele adejava, coisa que ele próprio parecia recear Nada há mais funesto ao crédito da autoridade: seja este o nosso último conceito sobre tão atribulada existência.

Quando, ao sinal convencionado, começou a passagem que, como Já dissemos, fora determinada, tivemos sob os olhos um espetáculo que nada tinha de desinteressante.

Já se verificara, por meio de bons nadadores, a força de resistência do cabo, sob pesos assaz consideráveis. Agora, homens, em número sempre crescente, mas calculado, dele se suspendiam mudando as mãos, enquanto os corpos, completamente estirados pela velocidade da água à superfície, avançavam de empuxão em empuxão acabando, nao sem esforço nem perigo, por atingir a margem oposta. Assim passou todo o 20.° batalhão.

Depois dele vimos coléricos tentar vencer o passo, e consegui-lo nao somente, como até ainda da prova se sairem alguns completamente curados.

Alguns houve também que se afogaram; procurávamos no começo, por meio de boas palavras, convencê-los a que esperassem; mas como tivessem presenciado o abandono dos enfermos, ainda tão recente, não lhes saia da mente a previsão de igual destino. Não houve consideraçao que os levasse a aceitar manterem-se à retaguarda. Teria sido preciso empregar a força para os conter; fora prudente e justo deixá-los correr os riscos de um acaso cujos perigos queriam afrontar como se alguma mercê implorassem.

Neste ínterim haviam armas e cartuchame sido transportados, em pelota, com alguns enfermos quase agonizantes, a quem este favor não pudera ser recusado, no estado de agitação convulsiva em que os punha a rapidez dos nossos preparativos e, principalmente, a partida de outros coléricos que tinham tido forças para passar pelo cabo.

Achando o comandante que já havia bastante gente do outro lado do rio, resolveu que, no dia seguinte, se transportassem as nossas quatro peças de artilharia. No meio de todas as nossas calamidades haviam-se elas constituído em motivo de viva inquietação. Abandoná-las como troféus ao inimigo era inadmissível. Já outrora, em conselho de guerra, deliberara o coronel Camisão a seu respeito, daí resultando uma ata autorizando o comandante a fazê-las, em caso de premente necessidade, desaparecer no leito de algum caudal, à maior profundidade possível, de modo que se pudesse sempre, mais tarde, ir buscá-las, acaso por elas se interessasse o sentimento nacional. Conhecíamos os paraguaios, porém; que precauções poderiam ocultar-lhes tal depósito- De sobra sabiam o que teis armas lhes haviam custado para que elas pudessem escapar às pesquisas provaveis que não deixariam de fazer.

Fosse como fosse, ainda não nos havia sido imposto tal sacrifício, era, sobretudo, para salvar os canhoes que o major José Tomás Gonçalves tivera a idéla da instalação do cabo, e, tomado de legítimo entusiasmo, assistira ao seu feliz ensaio.

A 31, com a mais viva animação, puseram todos mãos à obra; não houve quem se não prestasse, quer para trazer à ribanceira a primeira peça, quer para multiplicar os nós da amarração em torno dos troncos de árvores da margem e os consolidar, quer ainda para a fixação das polias que deviam facilitar o transporte.

Moveu-se, afinal, a boca de fogo e quando puxada, de modo a escorregar ao longo do cabo, por diversas Juntas de bois colocadas na ribanceira oposta, pareceu seguir regularmente, estrepitosas aclamações ergueram-se, em ambas as margens, acompanhando-a até que saisse d'água No meio da corrente tanto fizera o cabo bojar que lhe receáramos o desaparecimento completo. Menos feliz foi a segunda peça: escapou de uma das alças, arrancou as demais e caiu no fundo do rio. Ponco faltou para que o cabo se não rompesse. Resistindo a tão forte tensão e, de repente, liberto do peso que o sobrecarregava, fustigou a água com enormes jactos de espuma, deixando, contudo, o canhão no fundo d'água. Felizmente, a nenhuma vida comprometeu o incidente que, em ambas as margens, provocou intensa agitação.

Um soldado, cujo nome merece ser recordado, Damásio, ofereceu-se imediatamente para mergulhar no ponto da imersão, e, tendo conseguido reconhecer o fundo, pôde, após duas ou três emersões, para tomar fôlego, passar em torno da peça uma corda de que se provera e serviu para a puxar. Foi a lição aproveitada quanto aos cuidados tomados com a amarração das demais bocas de fogo e apressou o resto da operação, permitindo completar a passagem à tarde daquele dia e na manhã seguinte.

A primeiro de junho, à tarde, achamo-nos todos, afinal, reunidos em torno da casa de Lopes, no seu pomar por nós despojado dos frutos, e logo, sem mais repouso ou alimento, recomeçamos a caminhar. O inimigo, que passara para a margem direita, lançou então os seus atiradores contra a nossa retaguarda. Comandava-o o bizarro Pisaflores, que, com a costumada galhardia, não tardou em repelir este novo assalto; o único inconveniente daí resultante foi obrigar-nos a uma parada que nos deteve até a vinda da noIte, que nesta estação chega cedo. Embora não tivesse havido contramandado algum, e apenas se interromposse a marcha, não foi sem alguma surpresa que, logo após o toque de recolher costumeiro, ouvimos as cornetas dar o sinal da partida imediata. Tornou-se a impressão tanto mais viva e penosa quanto a escutidão se tornara mais profunda, prenunciando-se próximo temporal e mais violento ainda Cada qual, no entanto, compreendeu a necessidade urgente de transpor, custasse o que custasse, o espaço que nos separava da vila de Nioac, quando o menor atraso de nossa parte podia causar-nos o aniquilamento total.

Recomeçamos, pois, a marcha, indo à vanguarda o capitão José Rufino, que conhecia bem o caminho. Por mais sombria e tempestuosa que estivesse a noite não nos ocultava a estrada que diante de nós se abria, larga e plana. Caminhávamos a passo dobrado. Restavam-nos poncos doentes, havendo vários falecido nos dias antecedentes, e entre eles o alferes Muniz. No entanto os soldados que se revezavam em carregar as padiolas começavam a murmurar ameaçando desvencilhar-se da carga

Este princípio de insubordinação que tudo poderia arruinar, não teve, contudo, tempo para progredir. Avisado, caiu o comandante, a todo galope e de espada desembsinhada, sobre os rebeldes, encontrando-os a implorar perdão.

Desde este momento reinou o silêncio na coluna, em obediencia às ordens dadas. Subitamente, no meio da estrada, surgiu uma patrulha paraguaia, a quem o zunir do vento e o ribombo do trovão haviam encoberto qualquer suspeita de nossa aproximação; e, ainda, sem que os seus cães, a ladrar, ou o gado, a mugir, houvessem dado o alarma. Caminhando à frente da coluna, mandou nosso comandante que estacássemos e deu ordem que nos preparássemos a carregar à baioneta sobre o acampamento inimigo.

Mas já este a toda a pressa se retirava, deixando-nos o passo livre, nem tempo teve de reunir todo o gado que tangia; estremalharam-se alguns bois que apresamos; circunstancia para nós de inestimável valor; era a própria vida. Apesar da urgência que nos impelia a avançar, não foi possível recusar aos soldados o tempo necessário para carnear algumas das reses apanhadas e comer um pouco da carne, às pressas assada.

Carregou-se o resto para as necessidades futuras. Atravessando o posto abandonado, tomaram os soldados o que ainda ali havia de víveres e até couros, que a penúria de dias precedentes lhes fazia considerar como último e precioso recurso contra a inanição.

Recomeçando a caminhar acompanhou-nos a chuva ainda, sem que a nossa marcha por isto se atrasasse, embora, de tempos a tempos, nos víssemos forçados a estacar à espera da artilharia. Nos lugares piores retardava-se e, com ela, o batalhão da retaguarda, encarregado de a escoltar. Daí, freqüentemente, resultava, para a nossa marcha, perturbação tanto maior quando as ordens eram transmitidas ao longo da coluna, por meio de agudos gritos, sujeitos a interpretações diversas. Avançamos, apesar de tudo, até às quatro da madrugada Dado, então, o sinal de alto, estrompados, e quase sonambulos deixamo-nos cair no chão enrolados nos ponchos encharcados como o capim e que nos servia de colchão.

Duas horas mais tarde, às seis, estávamos de pé e graças ao que havíamos ingerido, sentindo-nos mais fortes prosseguimos, sob um céu sereno e uma atmosfera tépida, a nossa intérmina caminhada para Nioac, por toda a parte percebendo, sobre a estrada, onde os paraguaios nos precediam, o rasto de seus cavalos.

Desde a última parada atravessávamos cerrado matagal, onde os soldados, já nso mais temendo o ataque da cavalaria, marchavam com segurança, mais atastados uns dos outros. Sabíamos que o campo raso só o veríamos depois de Canindé. Foi às duas da tarde que avistamos a mata desse nome, que é o do rio que a corta. A ele chegamos às três, tendo vencido sete léguas, motivo de espanto geral, dada a fraqueza em que nos achivamos.

Ao atravessarmos o rio deparou-se-nos o cadáver de um capataz de carretas, chamado Apolinário, a quem os paraguaios acabavam de matar. Pertencia ao comboio daqueles mascates parados na Machorra, à espera de notícias e que, com os boatos dos combates de 8 e 9 de maio, segundo os quais passáramos como perdidos, cuidaram de retroceder. Vinte dias tinham gasto para atingir o Canindé, onde encontraram os boiadeiros que ali nos deviam entregar uma boiada, mas, antes de nossa chegada, haviam uns e outros caído às mãos do inimigo.
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(1) Apollnario Perelta de Sampaio chamava-se o carreteiro a que se o autor.


XX

Marcha sobre Nioac, que apenas dista duas léguas. O inimigo rodeia continuamente a coluna. O mascate italiano Saraco.

À vista do cadáver estendido à margem do Canindé, não tivemos mais dúvida a respeito da perda do comboio todo, da morte dos mascates e o saque das provisões que traziam, além dos objetos que se propunham mercar por conta própria. O que houvera sido necessário fazer, fora chegar dois dias mais cedo ao Canindé. Teríamos, então, encontrado e protegido estes viajantes desarmados, que regulavam sua marcha pela nossa e de quem dependera sempre grande parte do nosso abastecimento; enfim, e sobretudo, preservaríamos de triste fado a vila de Nioac que, evidentemente, ia ser completamente arrasada. Tudo isto compensaria, bastante, um pouco de diligência, se para tanto fôssemos capazes.

A observação maligna que daí decorreu, formulada a modo de acusação, como sói sempre acontecer na adversidade, provocou entre os oficiais, naquele mesmo local, discussão bastante azeda. Não foi, porém, difícil daí deduzir-se uma justificação completa dos movimentos da coluna, desde que se soubera da chegada à Machorra do desastrado comboio.

Para apenas falar dos últimos dias: acaso fora exeqüível mais rápida marcha- Não estava de sobra provada a fadiga excessiva que ela nos valera- Não devêramos à obrigação de salvar os canhões, o atraso de dois dias, decorridos entre a morte do coronel Camisão e a partida da estância do Jardim- E se quiséssemos ir além, até o momento em que preferíramos o atalho proposto por Lopes, convinha não esquecer que, para tal escala, entre diversas vantagens, preponderara a consideração do interesse dos mercadores que era deles desviar o inimigo, atraindo-o sobre nós. Tomássemos a estrada batida para ir ao seu encontro, e protegê-los, como parecia plausível, era mais que provável houvéssemos todos sucumbido, nós e eles, até o último. Apanhando-os conosco não os teria a cólera poupado menos do que a nós no itinerário então escolhido, fosse porque já lhes transportássemos o germe ou os paraguaios nos houvessem contaminado. Quanto aos contínuos ataques com que nos haviam atormentado, muito maior número de ensejos lhes teríamos proporcionado se precisássemos atravessar tantos rios: o Feio, o Santo Antônio, o Desbarrancado. Aí o comboio mais nos estorvaria, pois não estaríamos em condições de o defender.

Se algum erro se cometera, devia ser atribuído aos próprios mascates, quando ao passarem pela colônia de Miranda, tinham recusado ouvir os conselhos de Vieira de Resende, um deles, o mesmo que víramos figurar na tomada de Bela Vista. Propusera-lhes este homem, tenente da guarda nacional de Goiás, nortear a marcha do combolo para a estância do Jardim, a cinco léguas, apenas, da colônia. Ali tratariam de se emboscar na mata do rio, àespera de nossa coluna, que não podia deixar de lá chegar. E com efeito sua marcha para o norte assinalava-a no horizonte a fumaça dos incêndios que diante dela se renovavam sem conseguir detê-la. Mesmo que se aventasse alguma hipótese funesta, as vinte e duas carretas de mercadorias teriam formado excelente entrincheiramento contra o embate, quando muito momentaneo, de um troço de cavalaria, pois que, aliás, não podíamos, de modo algum, tardar em vir libertá-los. Debalde tentara Vieira Resende fazer ainda valer uma consideração decisiva, em relação a mercadores; acenara-lhes com o ensejo de venderem as mercadorias com belo lucro, exatamente no momento em que famintos iríamos sair daquelas planícies devastadas pelo fogo. Nada pudera persuadi-los. O lado militar de tal projeto, muito de acordo com as tendências aventurosas de quem o advogava - era esta a opinião geral - assustou aquela gente cujos sobressaltos cresciam na razão direta dos boatos de catástrofe que por toda a parte propalavam os nossos desertores. Persistiram na marcha para Nioac, pelo Canindé. Ali os alcançaram os paraguaios e os dispersaram, à primeira descarga; depois, saqueadas as carretas, empenharam-se em lhes prender os retardatários donos, atrapalhados como muitos deles estavam pelos objetos mais preciosos de suas cargas, que se não haviam disposto a abandonar. Inexoravelmente perseguidos fácil lhes fora, no entanto, graças a um pouco de firmeza, colocar-se sob a nossa salvaguarda.

Ao chegarmos ao Canindé nada mais ali havia do que destroços de toda a espécie, juncando os dois lados da estrada alguns montes nauseosos de farinha e arroz, amalgamados pelas bátegas de chuva, no meio das poças d'água do solo.

Ninguém jamais imaginara que este terrível amontoado de gêneros, quase irreconhecíveis, pudesse ser a causa de séria colisão, quase de um motim. Tal, porém, o império do organismo debilitado, tais os reclamos dos estômagos desde muito privados de alimento, que os soldados nele procuravam repasto com a avidez das feras que devoram uma presa. Todos para ali quiseram precipitar-se; romperam-se as fileiras, num tumulto inexprimível, no meio de um misto ensurdecedor de queixas, ameaças, vociferações e risadas idiotas, à vista daquele pasto imundo onde cada qual pretendia saciar-se. Quiseram a principio os oficiais interpor a sua autoridade, vendo-se, porém, desrespeitados. Então um deles, o tenente Benfica, injuriado por estes alucinados, atracou-se com um deles, derrubou-o e o dominou com o revólver.

A surpresa causada por este ato de energia começou por conter a multidão. Passado este primeiro momento apaziguara-se geralmente, quando súbito irrompeu o grito: o inimigo! Quer houvesse este sido realmente divisado, quer se tratasse de expediente empregado, graças a feliz inspiração, para que surgisse uma diversão, ficou o ascoroso repasto esquecido.

Não teve esta desordem conseqüências. Fingiu o comandante ignorá-la como provindo do excesso de nossas misérias e ativando, para um pouco mais longe, esta marcha, para a qual já se não tornavam suficientes as nossas forças, ordenou logo que fizéssemos alto e tratássemos de acampar.

Foram as disposições tomadas pelo novo ajudante do Quartel-Mestre, tenente Catão Roxo, nomeado substituto do tenente-coronel Juvêncio. Passara o capitão Lago a exercer o cargo de assistente do ajudante general, o tenente Escragnolle Taunay o de secretário-geral adido ao comando. Ficara o tenente Barbosa o único representante da comissão de engenheiros recém-dissolvida.

Duas léguas, apenas, nos separavam de Nioac e o comandante, para avisar a nossa chegada, fez disparar, ao mesmo tempo, as nossas quatro peças, acompanhadas de um fogo rolante de todos os batalhões.

Nesta ocasião percebeu nossa gente a irregularidade do tiro pelo fato de que mnito haviam as últimas chuvas deteriorado o armamento. Assim, pôs-se logo, e por si, a repará-lo e experimentá-lo várias vezes, a apostar quem atiraria melhor e mais depressa: luta improvisada que desvaneceu qualquer vestigio de torpor, chegando, aos últimos clarões do dia, a tomar festivo aspecto. A esperança de melhores dias está sempre pronta a renascer no coração dos homens.

Nova fase de existência, realmente, como despontara; despertara a vida e o nosso horrível passado da véspera a fome, a morte, sob todos os aspectos já não nos apareciam mais senão como as alucinações dum pesadelo.

Não é que os pensamentos tristes não nos assaltassem mais, após as realidades que presenciáramos. Contássemos quantos agora éramos! Quantos faltavam! Soavam os clarins e folgávamos em ouvi-los; mas que era feito das músicas de nossos batalhões- Companheiras das primeiras provações da expedição nos pantanais de Miranda, ainda luzidas, ao invadirmos o solo paraguaio, não demorara que as dizimasse o fogo inimigo. Logo depois, à medida que as nossas fileiras rareavam, fora necessário dentre elas recrutar soldados. Viera a cólera acabar a obra destruidora, prostrando quatorze músicos dos que haviam pertencido ao batalhão de voluntários de Minas.

Rapidamente percorremos no dia seguinte a distancia até Nioac, observando com rigor a formatura adotada para atravessar os campos; e o inimigo que nos perseguia a retaguarda não ousou empreender nenhum ataque. Mostrou-se, pelo contrário, muito afoito em bater em retirada, sempre que lhe aconteceu ficar ao nosso alcance.

Costeávamos a margem esquerda do Nioac, e como estivessem a pastar uns bois de tiro, que os carreiros do comboio de mascates haviam abandonado, puseram-se alguns cavaleiros paraguaios a persegui-los. Uma companhia do nosso 21.° e uma peça foram então mandadas contra eles. Voltaram rédeas incontinenti e com tanta precipitação que provocaram o riso geral e as vaias de nossa gente.

Era o vau bom; e sem mais demora o atravessamos. A margem direita encontramos o rasto ainda fresco da passagem de muita cavalaria e grande quantidade de papéis rasgados, livros, talões oficiais, sujos e dilacerados que evidentemente provinham do saque de alguma carreta brasileira, aprisionada naquele ponto pelo inimigo e destruída, ou por ele levada.

Algumas fumaças no horizonte ainda nos revelavam a presença do adversário e, pelo conhecimento que da permanência naquelas localidades obtivéramos, supusemos que os paraguaios acabavam de incendiar uma espécie de aldeia, de palhoças, que ali havíamos construído. Fez-nos isto apressar o passo e ao primeiro relance reconhecemos que não nos enganáramos.

As três da tarde estávamos no meio dessas ruínas abrasadas que habitáramos e a que deitamos último e melancólico olhar; o soldado e o viajante interessam-se sempre pelos lugares onde repousaram.

Muito a propósito velo um incidente de ópera-bufa distrair-nos desta impressão tristonha: a reaparição daquele italiano que, já no acampamento da Laguna, nos divertira com as suas jogralidades. Contara-se, mas inexatamente, que morrera, com os outros mascates que, por assim dizer, haviam desertado das nossas fileiras ao atravessarmos o rio Miranda. Deles, habilmente se separara, vagara entre Canindé e Nioac, sem nocão do ponto para onde devia rumar, indo de moita em moita, a tremer de medo, não encontrando uma só que lhe inspirasse confiança. Acabara, no entanto, fazendo uma escolha e com tanta felicidade que, naquele mesmo dia. pudera do seu refúgio ver o avanço da nossa coluna. Fora-lhe a alegria tão viva que, por pouco, lhe ia sendo funesta.

O vestuário estrambótico e a precipitação dos movimentos fizeram-no passar por paraguaio. Nossos atiradores da vanguarda sobre ele atiraram. Deixou-se, então, cair como morto, na macega. Após um lapso de prudente imobilidade começou a levantar devagarinho, no ar, na ponta de uma varinha, o cachenê; e depois, vendo que as balas não vinham, um braço, a cabeça; e, afinal, o corpo todo, que não era senão o do nosso amigo e velho conhecido Saraco.

Reconhecendo-o imediatamente, encheram-no os soldados de abraços, cumprimentos e perguntas. Estava num estado de inexprimível êxtase, vendo-se escapo aos perigos onde crera deixar a vida, e de que se via salvo, e ainda barato, à custa da trouxa e de tantos momentos de pavor.

Quanto ao inimigo haveríamos de nos avistar com ele apenas uma última vez, embora lhe tivéssemos ainda que sofrer o efeito da pérfida e cruel animosidade.

XXI

Nioac. Decepção; encontramos a vila saqueada, incendiada e quase destruída pelos paraguaios. Infernal ardil de guerra. Desaparece o inimigo, definitivamente. Regresso pacífico do corpo de exército. Ordem do dia sobre esta campanha de trinta e cinco dias.

O oficial encarregado da defesa de Nioac, durante a nossa incursão em território paraguaio, ausentara-se da vila, a 1.° de junho, sem que ali se tivesse notícia da aproximação do inimigo, procedendo assim contra as ordens terminantes de 22 de maio que lhe impunham a defesa, a todo o transe, de um ponto que era a nossa base de operações.

Não é que os víveres lhe faltassem, longe disto, deixara-lhos abundantes o chefe da Intendência. Dar-se-ia o caso que os seus comandados, seduzidos pela vizinhança do rio, e suas matas, houvessem desertado, um após outro, até o largarem inteiramente só- Mas aí estavam todos os oficiais do nosso corpo de exército concordes em atestar o espírito de submissão de nossos soldados aos chefes. Acaso se houvesse dado um "salve-se quem puder" geral não teria podido aquele comandante manter-se em observação pela vizinhança, onde tantos acidentes de um terreno florestado lhe podiam servir de abrigo, à espera de nossa chegada- Afastaria, assim, de si, a responsabilidade, não somente da enorme perda de material como do novo sacrifício de vítimas humanas fruto de tão funesto abandono. Faltou-lhe o animo desapareceu deixando ligado ao nome a reminiscência de uma deserção em frente ao inimigo...

Tanto mais sensível e mais notada esta infidelidade quanto as demais providências do coronel Camisão, no mesmo ofício, haviam com exação sido observadas. As provisões de guerra e de boca, o arquivo, o dinheiro da pagadoria, esperavam-nos nos Morros, para onde os transportara o Coronel Lima e Silva; enquanto ele próprio, de acordo com as instruções, estacado à margem do Aquidauana, providenciava no sentido de encaminhar em primeiro lugar tudo o que poderia preceder-nos, enfermos, mulheres, crianças, soldados desgarrados ou inválidos. Cuidadosamente ordenara, aliás, aos condutores das carretas, que serviam para estes diversos transportes, voltassem sem demora, apenas desocupados, retendo ao mesmo tempo, ao seu lado, a maioria das viaturas carregadas de víveres, de que fizera um depósito volante, tendo em vista a nossa próxima chegada.

Assim abandonada passara Nioac a ser a presa dos paraguaios. Tudo haviam saqueado e queimado, salvo a igreja, poupada não por espírito religioso, mas, pelo contrário, com o fito de a utilizarem num ardil infernal. Retirara-se a sua infantaria ante a nossa aproximação, entrincheirando-se no cemitério. Seguira, então, pela mata em direção a um vau do Orumbeva que a cavalaria reconhecera.

Sem preocupações quanto ao inimigo, fomos a toda a pressa ver o que haveria ainda a salvar.

Esta bonita povoação, abandonada, ocupada e pela segunda vez, desde o início da guerra, devastada, convertera-se num montão de destroços fumegantes. O grande galpão que, outrora, nos servira de armazém de mantimentos e ainda achamos de pé, sobre os estelos incendiados, mostrava renques de sacos que nossa gente, sem dúvida, não tivera tempo de carregar e já serviam de pasto ao incêndio. O arroz e a farinha carbonizados, exteriormente; o sal, gênero este tão escasso e precioso no interior do país, negrejara e fundia sob as nossas vistas. Não pouparam esforços os nossos soldados em salvar o que puderam.

Aqui e acolá jaziam muitos cadáveres, todos de brasileiros. Constatamos que muitos dentre estes infelizes mortos haviam servido em nossas fileiras. Desertando por ocasião do exacerbamento de nossas misérias, e morrendo de fome pelas matas, haviam se apressado, embora correndo o perigo de serem reconhecidos, em tomar parte no saque.

Fora um deles, de pés e mãos amarrados, sangrando como um porco. Jazia outro, crivado de feridas, e uma velha, estirada a seu lado, de goela aberta e seios decepados, nadava no próprio sangue.

Foi quase toda a coluna acampar por esta noite atras da igreja, sobre o grande terrapleno que descrevemos e onde, escalonados com os canhões nos angulos, para maior segurança contra o inimigo, nos apoiávamos àmata do rio. Ali gozamos, enfim, um pouco de verdadeiro descanso. Dupla e tripla ração se distribuiu; permitiam-no as circunstancias; sentia-se o comandante feliz por contentar os soldados, quanto possível. Pela primeira vez, e desde muito, podíamos contar com o dia de amanhã. Restavam-nos, apenas, para nos pôr fora de qualquer perigo eventual, fazer quinze léguas, a caminhar por excelente estrada, de Nioac ao Aquidauana onde éramos esperados. E para tal marcha tínhamos víveres sobejos.

Foi a noite calma, como tudo prenunciava dever suceder. Apenas amanheceu fizeram os soldados uma visita às ruínas da aldeia. Acabaram tomando tudo o que aos paraguaios escapara. Graças a esta sucessão de roubos desaparecera, em alguns meses, destas terras novas o pouco que o incipiente comércio ali introduzira, como mecanismos e ferramenta, tudo, enfim, o que o trabalho conseguira juntar de frutos e poupança.

Durante a última estada em Nioac depositáramos na igreja muitos e diversos objetos, o instrumental das bandas de música, munições de guerra etc. Consta que os paraguaios encontraram ainda muita coisa deste apetrechamento, não lhes havendo chegado o tempo para tudo carregar. Existia ali grande reserva de cartuchos e foi, talvez, o que Ihes sugeriu a primeira idéia da horrivel maquinação que tanto lhes condizia à feição cruel.

Depois de carregarem o que mais poderiam aproveitar, deixaram o resto por destruir, para nos engodar e nos reter o maior lapso de tempo possível em torno de um amontoado de objetos, sob o qual colocaram um barril de pólvora com rastilhos. Não podíamos ter a menor suspeita de semelhante cilada; e, à vista dos cartuchos que devíamos transportar, tomamos as precauções costumeiras contra as eventualidades de uma explosão. Enquanto na igreja trabalhava o nosso pessoal sentinelas vigiavam, a fim de que nenhum fogo se acendesse pela vizinhança.

Ocorreu, contudo, que um infeliz soldado encontrasse pelo chão um isqueiro, dentro do edifício, e lhe viesse a estapafúrdia idéia de o utilizar. Saltou logo uma faísca sobre alguns grãos de pólvora dos que coalhavam a nave. Sem a umidade do solo, então muito grande ou acaso fossem os rastilhos contínuos, instantanea ocorreria a explosão. Para melhor nos enganarem haviam os paraguaios espalhado a pólvora sóbria e desigualmente com o minucioso cuidado, e os cálculos ardilosos do selvagem que preparara os seus malefícios Só se viu, a princípio brilharem pequenas chamas e aqui e acolá se levantarem sucessivamente ligeiras espirais de fumaça. Já os soldados se precipitavam para conter o fogo, no momento em que ele tomava corpo, quando os oficiais presentes, compreendendo melhor o perigo, ordenaram que imediatamente fosse a igreja evacuada. A esta voz correram todos, em massa, para as portas; como o atropelo perturbasse a saída, deu-se a explosão antes que toda a gente se achasse do lado de fora. Pouco faltou para que todo o edificio voasse aos ares; foram as paredes sacudidas, mas o conjunto resistiu; assim não sucedera e teriam todos os nossos, que ali se achavam, infalivelmente perecido esmagados sob os escombros.

Terríveis de se ouvir e sentir, até no ponto distante em que nos achávamos com o comandante, foram o estampido e o abalo. Grande grito acompanhou a explosão seguida de silêncio, depois novo e horrivel clamor e ainda pausa. Soaram os clarins; julgando todos que era o inimigo, os corpos entraram em formatura. Já nos precipitáramos para a igreja; dela saíam, dentre turbilhões de fumo, irreconhecíveis formas, fantasmas enegrecidos e avermelhados pelo fogo. Ardiam uns com as roupas em chamas, outros completamente nus e cuja pele pendia em frangalhos, soltavam urros; alguns ainda rodopiando como alucinados já se debatiam nas angústias da agonia. Perdera um soldado negro toda a epiderme do rosto, arrancada como uma máscara. Era-lhe o corpo sangrenta chaga. Um sargento, cujas carnes se achavam inteiramente desnudadas, implorava, por misericórdia, que o acabassem com uma bala ou um pontaço. Morreram ali mesmo, no local, uns quinze desventurados.

Todos aqueles a quem podia a arte valer, ou para lhes diminuir o sofrimento ou para os salvar, passaram a ser o objeto do desvelo dos médicos e das nossas preocupações. A nossa compaixão para com eles acrescia a indignação contra os autores deste cruel atentado; não houve depots dentre as vítimas arrebatadas à morte nenhuma cuja cura não saudássemos como verdadeira felicidade geral.

Foi o adeus dos paraguaios, a última demonstração de seu ódio contra nós. Sem nos abandonar de todo, porfiavam, contudo, em só se deixar entrever fora de alcance.

A 5, entretanto, ao radar do dia, saímos da infeliz e bela Nioac, afinal, aniquilada com a sue igreja. Seguíamos a estrada do Aquidauna e marchávamos penalizados sob a impressão do funesto sucesso da véspera.

A sodas as vicissitudes atravessadas viera ajuntar-se a angústia da véspera. Já era muito porém, era legítimo triunfo estarmos de pé e ter dominado um inimigo tão perfidamente encarniçado em nos arruinar.

Foi o Orumbeva facilmente transposto. À margem direita paraguaios acabavam de queimar, muitos víveres e objetos de apretrechamento espalhados e todos sujos de terra como já na barranca do Canindé encontráramos; cadernos dilacerados, folhas soltas ao vento, notas, entre as quais o autor desta narrativa reconheceu a própria letra, e agora truncadas e inúteis.

A alguma distancia deste caudal aguardava-nos, tal a primeira impressão, nova cilada, cujos efeitos foram, contudo, muito diversos de um desfecho trágico. Duas pipas, daquelas em que se conserva a aguardente de cana, ocupavam o meio da estrada. Lembrando-se da explosão da igreja e temendo algum novo estratagema, da parte de um inimigo que nenhum escrúpulo Darecia poder conter, apressou-se o capitão Pedro José Rufino e precipitando-se sobre os tonéis arrombou-os com os copos da espada.

A vista do liquido, que a jorros corria, alguns soldados não podendo conter-se, ajoelharam-se ou deitaram-se de brucos, para alcançar o seu quinhão, espetáculo acolhido pelas gargalhadas, que se generalizaram em toda a linha.

Não teve o incidente outras conseqüências: pacificamente continuamos a marcha até o ribeirão da Formiga, perto do qual acampamos, ainda contemplados nesta nova fase de abundancia pelo encontro de bom número de bois, em ótimas condições.

A 6 rumamos para nordeste, seguindo grande caminho a que numerosas moitas de taquaruçus dão o nome e aberto através da mata cerrada, que tanto se presta a surpresas. Nada, porém, ali, nos sobressaltou a marcha.

A medida que percorríamos estes terrenos a nós familiares e aos paraguaios menos conhecidos, cada vez mais frouxa e inofensiva se tornava a perseguição, embora não houvesse inteiramente cessado. Fizemos neste dia ponto, junto a um lindo ribeirão chamado das Areias. No dia seguinte, 7, quase vencemos as quatro léguas que medeiam deste ponto ao rio Taquaruçu. Atingimo-lo a 8 e, como a altura das águas não nos permitisse vadeá-lo, acampamos à sua margem.

Noite para nós memorável, esta! Foi ai que os paraguaios, avistados a alguma distancia, se decidiram, enfim, a desaparecer. Deles próprios partiu o aviso da retirada, com uma fanfarra prolongada de clarins que tal sinal deu, mais lisonjeiro a nós outros de que a eles. Não se fizeram nossas cornetas rogadas, aliás, em associar-se àqueles toques com um estrépito a cujos ecos estremeceram longamente aquelas solidões. Soubemos, alguns dias mais tarde, que se haviam dirigido para Nioac, e, depois de recolhidas todas as suas patrulhas, pelo Apa regressado ao território de sua república.

Quanto a nós, cada vez mais bem providos de víveres, graças a um rebanho enviado das margens do Aquidauana, depois de um ofício do nosso chefe, ao coronel Lima e Silva, transpusemos, a 9, o Taquaruçu e, a 10, duas léguas adiante, um rio chamado Dois Córregos. A 11 (1) chegamos ao porto do Canuto à margem esquerda do Aquidauana. Tal o último trecho de nossa penosa retirada. Ali findou o doloroso itinerário que, como expiação de nossas temeridades, nos fizera curtir tantas misérias quantas pode o homem suportar sem sucumbir. No Canuto nos despojamos dos miseráveis andrajos que nos cobriam, libertando-nos, afinal, da maís horrível sevandiia e dos parasitos do campo, que, perfurando a pele, nela produzem dolorosas úlceras. Oferecia-nos o magnífico ensejo para as nossas todas estas paragens podem ser chamadas: a terra das águas belas.

A 12 de junho baixou uma ordem do dia do nosso valente chefe José Tomás Gonçalves, em poucas palavras resumindo os acontecimentos desta terrível campanha de cinco dias: "A retirada, soldados, que acabais de efetuar, fez-se em boa ordem, ainda que no meio das circunstâncias as mais dificeis. Sem cavalaria contra o inimigo audaz que a possuia formidável, em campos onde o incêndio da macega, continuamente aceso, ameaçava devorar-vos e vos disputava o ar respirável, extenuados pela fome, dizimados pela cólera que vos roubou em dois dias o vosso comandante, o seu substituto e ambos os vossos guias, todos estes males, todos estes desastre vós os suportastes numa inversão de estações sem exemplo, debaixo de chuvas torrenciais, no meio de tormentas de imensas inundações, em tal desorganizaçao da natureza que parecia contra vós conspirar. Soldados! honra à vossa constancia, que conservou ao Império os nossos canhões e as nossas bandeiras!" (2),

(1') No dla da invasao do terrltório paragualo, Isto 6, em abril de 1867, era efetivo da coluna de 1680 soldados. A 11 de junho reduzira-se a 700 combatentes . Perdêramos pois 908 soldados pela cólera e o fogo. Morrera além disto grande número de índios, mulheres e homens negociantes ou camaradas que haviam acompanhado a marcha agressiva do nosso corpo.

FIM

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

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