
Antonio Lucio Vivaldi nasceu no dia 4 de março de 1678, primogênito dos sete filhos do violinista Giovanni Battista Vivaldi e de Camilla Calicchio. Ele demonstrava vocação musical desde pequeno. Aos dez anos preparava-se para a vida religiosa e tocava violino sob a orientação do pai. Ordenado padre, aos 25 anos, Vivaldi não exerceu o sacerdócio por muito tempo, sob a alegação de um mal que o acometera desde pequeno - um mal, aliás, nunca bem definido, que se supõe ser asma. Exatamente no mesmo ano, o já Prete Rosso - Padre Ruivo - assumia o cargo de professor de violino no Ospedale della Pietà, instituição religiosa que fornecia abrigo e formação musical a meninas carentes.
Vivaldi tornou-se diretor do Ospedale em 1705. Era um grande posto, apesar de mal pago. Tinha à sua disposição uma boa orquestra, coro e solistas, que, permanentemente e sem limitações de espécie alguma, lhe permitiam a execução de suas obras e toda a sorte de experiências musicais.
Existiam quatro ospedali semelhantes em Veneza, todos famosos por sua música - segundo Jean-Jacques Rousseau, "muito superior à das óperas, sem paralelo na Itália". A Pietà era a mais respeitada delas, e seus concertos eram freqüentados pelas pessoas mais influentes da época, inclusive reis e rainhas. Vivaldi, portanto, começou a entrar em contato constante com a nobreza. E iniciou sua fama internacional, fazendo viagens e publicando suas obras.
Além do Ospedale, Vivaldi se dedicou à ópera. Começou no teatro não apenas como compositor, mas como empresário, em 1713, quando sua primeira ópera, Ottone in Villa, foi encenada em Vicenza. Mas seu nome ficaria ligado ao Teatro Santo Ângelo, de Veneza, onde seria o principal organizador - mais modernamente, diríamos "agitador cultural".
Como empresário de ópera, Vivaldi teria uma vida das mais atribuladas. O Padre Ruivo não parava: contratava e dispensava, resolvia atritos entre cantores, solucionava problemas financeiros, ensaiava, montava turnês... e sua stretezza di petto? Parece que a doença não era empecilho.
Não bastasse o afastamento das funções da igreja e a atividade no teatro, nosso estranho padre ainda vivia cercado de um séquito bastante curioso: cinco mulheres - Annina, sua cantora predileta, Paolina, a irmã, a mãe das duas e mais um par de outras moças. Obviamente, Vivaldi tornou-se vítima de toda uma série de ataques e comentários. O mais célebre foi um livro do compositor Benedetto Marcello, denominado Il Teatro alla Moda. O texto é destinado a quem quiser fazer sucesso na ópera, e dá conselhos a compositores, libretistas, cantores, músicos, cenógrafos e até às mães das cantoras! De maneira sarcástica, Marcello faz inúmeras alusões a Vivaldi, denominado ironicamente "compositor moderno".
Entre os sucessos e ataques, Vivaldi se consolidou como compositor e empresário, levando sua companhia teatral a apresentações em inúmeras cidades. Uma dessas viagens, no entanto, foi frustrada pelo Cardeal Tommaso Ruffo, que proibiu a ida de Vivaldi a Ferrara, em 1737, onde iria fixar a maior parte de sua atividade empresarial. O cardeal considerava Vivaldi uma pessoa indigna, "um padre que não reza missa e que mantém uma amizade suspeita com uma cantora". A empreitada consumiu boa parte dos bens do Padre Ruivo, e sua proibição, como definiu ele próprio, representou a "ruína total".
Vivaldi, quase falido e mal visto em sua cidade, resolve partir para o norte da Europa, em 1740. Os motivos e o destino desse exílio ainda são misteriosos, como boa parte da vida do compositor. Alguns historiadores defendem que Vivaldi teria, na verdade, sido expulso pelo governo da República de Veneza. Mas não há certezas.
De qualquer modo, a fuga de Vivaldi foi interrompida em Viena. Todos os indícios mostram que a capital austríaca era apenas um ponto de passagem. Ele se hospeda, ao lado da inseparável Annina, na casa de um desconhecido, de nome Satler. Passa algum tempo lá e, de maneira inesperada, no dia 28 de julho de 1741, falece.
Seu funeral foi a exata antítese dos sucessos fulgurantes que obteve tanto como diretor da Ospedale quanto como empresário de ópera: simples, pobre, sem rituais nem protocolos, na mais completa obscuridade. A contradição final para uma biografia marcada por elas.
Desde o começo, os contundentes acordes que abrem o "Glória in excelsis Deo" e as brilhantes figuras dos violinos nos submergem no inconfundível universo vivaldiano: um universo repleto de sentimentos, alegria e luminosidade. O "Et in terra pax" interpretado também pelo coro, transporta-nos a um cenário completamente diferente; o tom e a doce atmosfera, delicadamente melancólica, sugerem uma paz mais desejada que verdadeira e assombrará àqules que estão acpostumados a um vivaldi mais radiante e despreocupado. Talvez seja esta a página mais bela do Glória.
O "Laudamus te", dueto de sopranos, é outro sublime exemplo da genialidade e fertilidade de Vivaldi. No entanto, onde a sua originalidade realmente impressiona é no "Gratias agimus tibi" e no "Propter magnam gloriam tuam", os quais quase funcionam como introdução e fuga.
No "Domine Deus", a segundo soprano, acompanhada por um belíssimo oboé obligato, entoa com devoção e pureza uma melodia inesquecível e que permanece na memoria. O abrupto contraste do "Domine Fili unigenite" devolve-nos brevemente a um estilo despreocupado, coral e luminoso, que culmina no desolado diálogo que se estabelece entre a contralto e o coro nos três atos seguintes.
O ímpeto violento do "Quoniam tu solus sanctus" parece voltar ao príncipio do Glória, sendo que a repetição textual dos primeiros compassos é apenas um modo de evitar que a obra desmorone pela reiterada quebra de tonalidades, instrumentação e estilo.
A vigorosa e controvertida entrada do "Cum Sancto Spiritu" é um exemplo perfeito da despreocupação com que os maestros utilizavam as composições de outros colegas em benefício próprio. No caso de Vivaldi, tal procedimento é realizado com tanta meastria que se deve render-lhe a homenagem: o Glória foi adaptado de seu colega, o maestro Giovanni Maria Ruggieri.
Fonte: www.unb.br

Nasceu em Veneza, Itália, em 4 de março de 1678. Morreu em Viena em 1741, no dia 28 de julho.
Famoso como violinista em toda a Europa, foi o grande gênio do concerto grosso.
Obedecendo, geralmente, ao esquema "tutti-soli-tutti", soube evitar a monotonia fazendo alternância entre os solistas e diversificando as formas.
O violino tem sempre um papel dominante, é o instrumento que canta em todas as suas obras.
Seus concertos foram tomados como modelos formais por vários compositores do barroco tardio, inclusive Bach, que transcreveu dez deles para teclados.
12 Concerti Grossi, Opus 3;
Concerti Grossi, Opus 8, nº 1 a 4 (As Quatro Estações) (1725)
Fonte: www.geocities.com