As erupções do Vesúvio têm causado enorme perda de vidas humanas ao longo da história, e foram de estudos sobre ele, a partir do final do século XVIII, que surgiu a ciência da vulcanologia.
O Vesúvio é um vulcão ativo, junto da baía de Nápoles, no sul da Itália. Sua altura se modifica a cada erupção e, no fim do século XX, era de 1.280m.
No cume do Vesúvio há uma grande cratera de 600m de diâmetro e 300m de profundidade, proveniente da erupção de 1944. Uma escarpa semicircular, o monte Somma, envolve o cone principal do vulcão pelo lado norte, a partir dos 1.057m de altura. Entre as duas elevações encontra-se o vale do Gigante.

Vesúvio em erupção
O Vesúvio surgiu no pleistoceno, provavelmente há menos de 200.000 anos. Esteve adormecido durante séculos até a violenta erupção do ano 79, que sepultou Pompéia, Herculano e Estábia. Plínio o Moço, que se achava numa localidade a oeste de Nápoles, relatou detalhadamente a catástrofe em duas cartas a Tácito. A partir de então, registraram-se diversas erupções, até 1036. Seguiu-se longo período de latência, quando florestas cresceram na cratera, de solo muito fértil. Três lagos davam de beber aos rebanhos que pastavam por ali. Terremotos precederam uma nova erupção grave, em 1631. A partir de então, a atividade do vulcão tornou-se cíclica, com estágios de repouso durante os quais a boca do vulcão fica obstruída. Os estágios eruptivos variaram, entre 1660 e 1944, de seis meses a quase 31 anos; os períodos de latência, de 18 meses a sete anos e meio.

Mapa do Vesúvio
O primeiro observatório foi construído na montanha em 1845. Ao redor do vulcão vivem mais de dois milhões de pessoas, em cidades industriais na costa na baía de Nápoles e pequenos centros agrícolas nas encostas setentrionais. Dos vinhedos da região procede o vinho Lacrima Christi. Após a erupção de 1906, plantaram-se florestas nas encostas para proteger a população contra a lava. No século XX, inúmeras estações de observação converteram o Vesúvio num dos vulcões mais vigiados do mundo.

No ano 79 da era cristã, as cidades romanas de Pompéia, Herculano e Estábias foram soterradas sob cinzas e pedras vulcânicas arremessadas por uma erupção do monte Vesúvio.
A partir do século XVIII, a escavação das ruínas deu a conhecer aspectos da vida econômica, social e religiosa dos romanos.
Pompéia (em latim, Pompeii), antiga cidade da Campânia, no sul da Itália, situa-se a 23km a sudoeste de Nápoles. Fundada pelos oscos, caiu sob domínio grego no século VIII a.C. e foi ocupada pelos etruscos no século VII. Invadida pelos samnitas no final do século V a.C., aliou-se a Roma no século III. A cidade participou da guerra civil do século I a.C. e converteu-se em colônia romana. O historiador Tácito relata a eclosão de uma revolta popular no ano 59 da era cristã. Três anos depois, um terremoto danificou os edifícios pompeanos e, em 24 de agosto de 79, uma violenta erupção do Vesúvio, próximo à cidade, cobriu-a com uma camada de seis a sete metros de espessura, composta de lapilli (fragmentos de lava) e cinzas vulcânicas.
Dos vinte mil habitantes, morreram dois mil. Herculano (Herculaneum) situa-se a oito quilômetros a sudeste de Nápoles, em parte sob os alicerces da atual localidade de Resina, o que praticamente impossibilitou o acesso às ruínas. Sua história, paralela à de Pompéia, interrompeu-se em conseqüência da mesma erupção. Estábias (Stabiae), situada no extremo oriental do golfo de Nápoles, foi também arrasada pela erupção do Vesúvio. Entre as vítimas fatais estava o naturalista Plínio o Velho, comandante da esquadra romana. As pinturas murais encontradas são comparáveis às de Pompéia e Herculano.
As ruínas de Pompéia foram descobertas no final do século XVI. As escavações, que representaram o começo da arqueologia moderna, iniciaram-se em 1709, em Herculano, e em 1748, em Pompéia. Em 1860, os trabalhos arqueológicos se intensificaram e tornaram-se mais sistemáticos, mas foram interrompidos pela segunda guerra mundial. Em Estábias, as pesquisas se reiniciaram em 1949. Muitos edifícios de Pompéia conservaram-se em perfeito estado, dentre os quais se destacam os do forum ou centro urbano: a basílica (lugar para reuniões públicas), o templo da tríade capitolina (Júpiter, Juno e Minerva), o templo de Apolo, o de Ísis, o mercado e o comitium, edifício onde se realizavam as eleições municipais. Outros conjuntos monumentais são o foro triangular, o anfiteatro, e a palestra ou campo desportivo. Interessantes para os historiadores são as casas particulares, várias delas típicas da classe média provinciana do Império Romano. Costumam ser elegantes, com átrio e pátio interno, mobiliário austero e alegres pinturas murais. A cidade conta também com inúmeras oficinas, lojas, tabernas e banhos públicos. Também são importantes as casas situadas fora do perímetro urbano, como a de Diomedes e a chamada "vila dos mistérios", onde eram celebrados os cultos ao deus Dioniso.

Grande frisco dos mistérios dionisíacos, na Vila dos
Mistérios, em Pompéia.
Em Herculano, cidade menor que Pompéia, as condições de umidade do solo e a espessura dos sedimentos vulcânicos, de 15 a 18m, permitiram a melhor conservação dos restos de madeira, tecidos e alimentos. Suas construções revelam o caráter mais refinado de seus habitantes, supondo-se que se tratava de um local de veraneio para aristocratas e intelectuais. Conta com um dos mais bem conservados anfiteatros da antiguidade.
Pompéia é um dos maiores centros de estudos arqueológicos na Itália. Nas escavações modernas abandonou-se o hábito de remeter os objetos encontrados para Nápoles. Enquanto possível, continuam no lugar. Só alguns objetos especialmente valiosos ficam no Antiquarium, pequeno museu situado à entrada da cidade. Encontram-se ali alguns cadáveres de pessoas surpreendidas pela catástrofe, e o cadáver de um cão que morreu ao lado do dono, encontrados em 1863. No resto, teve-se o cuidado de conservar -- mas raramente reconstruir -- as casas, templos, edifícios públicos, lojas e oficinas, assim como o calçamento das ruas, de modo que Pompéia parece hoje uma cidade assombrosamente viva, apenas abandonada por seus habitantes.
A maior atração de Pompéia são as casas. Existe uma casa de cômodos, de dois andares, modestamente mobiliada. Em geral, porém, as casas são espaçosas e até de luxo. Seu estudo é uma das fontes principais de conhecimento da casa romana típica da classe média abastada ou rica, a que nunca falta o jardim central. Especialmente bem conservada é a luxuosa casa da família dos Vettii; depois, a de Menandro (assim chamada porque nela se encontrou uma estátua do poeta cômico Menandro); e a casa de Trebio Valens.

Peristilo da casa da família Vettii, na cidade romana de Pompéia.
Nas paredes exteriores dessa última casa encontram-se grafitos de propaganda eleitoral, e outros que anunciam espetáculos teatrais. Pompéia é muito rica em "inscrições" dessa espécie: citam versos de poetas, quase sempre inexatamente, porquanto citados de memória; outros grafitos zombam de avarentos ricos, advertem contra proprietários de tabernas que misturam vinho e água; há um alfabeto, rabiscado por mão de criança; os grafitos que lembram passeios amorosos são em parte sentimentais e em parte pornográficos.
Os afrescos encontrados nas casas de Pompéia e Herculano constituem praticamente o único testemunho dessa arte no mundo greco-latino. Seu descobrimento influiu na configuração da arte neoclássica européia da época napoleônica. Entre os mosaicos, destaca-se o da "Batalha de Alexandre o Grande", da casa pompeana do Fauno. Célebre também é o mosaico, na porta de uma casa, que mostra um cão furioso, com os dizeres: "Cave canem" (Cuidado com o cão).

Afresco romano que representa a cidade portuária de Estábias,
destruída com Herculano e Pompéia, por uma erupção
do Vesúvio no ano 79. ( Museu Nacional, Nápoles .)
Fonte: geocities.yahoo.com.br