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Waltercio Caldas

As obras de Waltercio Caldas provocam um estado de suspensâo naqueles que as contemplam. Desmontam a certeza da experiència, pulverizam a acuidade do olhar, deslocam o espectador para uma posiçâo inquietante, onde a percepçâo visual nâo se dž como rotineiramente. De fato, nâo se oferecem como simples alteridades. Sâo antes o móvel por onde acontece o ataque aos olhos absortos do espectador, o campo de ativaçâo do seu pensamento, de uma relaçâo conflitante deflagrada pelo cžlculo preciso e parcimonioso de meios. A limpidez de suas formas, sua elegéncia, contrasta com o inacabamento ou a virtualidade que tambëm sugerem. O olhar os vai adejando cautelosamente para ao final recolher a impressâo de que só teve acesso a uma fraçâo apenas. Assim ë que essas obras postam-se freqÆentemente como porç§es delicadas, rarefeitas de matëria, rondando e desafiando perigosamente sua própria existència. Nâo sâo corpos inequìvocos, evidentes, que, Ç maneira das tradicionais esculturas constituìdas de matëria e opacidade, abrem clareiras na vacuidade do espaço. Ï como se a substéncia de que sâo feitas, mesmo quando pouca, desejasse e se confundisse com o ar mais próximo. Sâo mais propensos ao estabelecimento de situaç§es tensas do que a mera ocupaçâo de um lugar. Seriam - como quer o próprio artista - instantes escultóricos, talvez o nome mais adequado para pensar-se o modo como invadem sob a forma de reverberaç§es e virtualidades esse território imediatamente vizinho, esse intervalo invisìvel e silencioso que hž entre as coisas, ou que envolve cada uma delas, e que com descuido freqÆente chamamos de vazio.

Ainda segundo as obras elaboradas por Waltercio Caldas, ausència e presença sâo termos intercambižveis do mesmo modo como na mösica o som conjuga-se com o silèncio. Ï certo que possuem interior e superfìcie, mas deles tambëm faz parte o que acontece alëm de suas próprias fronteiras. Mesmo porque, nâo obstante o despojamento desses instantes escultóricos, o fato ë que se servem do pouco para enfeixar o espaço, volumetrizž-lo, modulž-lo, conferir-lhe carne e qualidade.

Ï inevitžvel que algumas indagaç§es brotem desses trabalhos, a prova cabal do sucesso de suas existèncias como hipóteses: quanto de matëria cabe adormecida nos limites de um volume no espaço? Quanto dela, por efeito do atrito com o ar, descola-se desse volume e no ar vai se propagando? Quanto dela se desdobra em imagens que se vâo colando Çs nossas retinas? E quanto desse volume existe pela potència do nosso olho que, engatado no nosso pensamento, na nossa experiència transmutada em memória, persistentemente injeta-lhe significados persistentemente empreende sua paralisia e captura?

Tudo, enfim, concorre para a indefiniçâo dessas obras, ao fim e ao cabo afamiliadas com aquelas que a história da arte convencionou chamar de esculturas. Mas matëria, forma e escala estâo longe de ser foco primordial, todos vèm a reboque da idëia, sâo seu suporte milimëtrico. Do mesmo modo essas obras nâo se prestam a serem trespassadas por significaç§es de natureza afetiva como as que uma certa concepçâo de arte, produtora de cenas, figurativas ou abstratas, nos acostumou a esperar. E, por öltimo, mesmo a reconstruçâo do processo que os gestou nâo os explica. De fato nâo importa, uma vez que nâo foram deixados rastros capazes de conferir um sentido extra, uma escora que facilite a vivència do ato perceptivo. Sem apelos exteriores, essas obras se mantèm incólumes, Ç disténcia do espectador, ensejando tâo somente o contato de olhar realizado com a respiraçâo calma. E de tâo sintëticos parecem abstraç§es efemeramente encarnadas. Sâo, por assim dizer, presenças em estado puro, exaltadas pelo encanto de suas aparèncias sutis e condensadas.

Cronologia

Nasceu em 1946 no Rio de Janeiro, Brasil. Estudou com Ivan Serpa em 1965. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Exposições coletivas

1995

Brasil in New York, Galerie Lelong, Nova York, Estados Unidos; Desafios Contemporéneos, Galeria PA Objetos de Arte, Rio de Janeiro, Brasil; Brasil; Dinheiro, Diversâo e Arte, Centro Cultural Banco do Brasil, Brasil; Exposiçâo Internacional de Gravura de Curitiba, Brasil; Drawing on Chance, Museum of Modern Art of New York.

1994

Brasil Sëculo XX, Fundaçâo Bienal de Sâo Paulo, Brasil; A Arte com a Palavra, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Weltanschauung, Goethe Institute, Turin, Itžlia; Entretexto, Universidade Federal Fluminense, Niterói, Brasil; A Fronteira dos Vazios, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil; Precisâo, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil; Global Climate, Ludwig Forum fÆr Internationale Kunst, Aachen, Alemanha; Trincheiras, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Gravura Brasileira, Galeria GB Arte, Rio de Janeiro, Brasil; Arte Cidade, Projeto da Secretaria de Cultura do Estado de Sâo Paulo, Brasil; A Espessura do Signo, Karmeliter Kloster, Frankfurt, Alemanha; Mapping, Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos.

1993

Klima Global, Staatliche Kunsthalle, Col–nia, Alemanha; Latinamerikanische Kunst im 20. Jahrhundert, Josef Hanbrich Kunsthalle, Col–nia Alemanha; Latin American Artists of the Twentieth Century, Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos; Espaço Namour, Gravuras, Sâo Paulo, Brasil; John Gibson Gallery, Nova York, Estados Unidos; Pëtica, Gabinete de Arte Raquel Arnaud, Sâo Paulo; Desenho Moderno no Brasil, Galeria do SESI, Sâo Paulo, Brasil; Segni d'Arte, Fundacione Stanpalia, Veneza, Itžlia; Segni d'Arte, Biblioteca Nazionale, Milâo, Itžlia; Segni d'Arte, Biblioteca Nazionale, Florença, Itžlia; Segni d'Arte, Palasso Pamphili, Roma, Itžlia; Out of Place, Vancouver Art Gallery, Canadž; L'ordre des choses, Domaine de Kerguehennac, França; A Presença do Ready-Made 80 anos, Museu de Arte Contemporénea, Sâo Paulo, Brasil; Arte Erótica, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Um Olhar sobre Joseph Beuys, Museu de Arte de Brasìlia, Brasil; Emblemas do Corpo, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil; Brasil 100 Anos de Arte Moderna, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil (Coleçâo Sërgio Fadel).

1992

Arte Amazonas, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Artistas Latinoamericanos del Siglo Veinte, Sevilha, Espanha; Arte Amazonas, Museu de Arte de Brasìlia, Distrito Federal, Brasil; Quatro Artistas na Documenta, Museu da Repöblica, Rio de Janeiro, Brasil; Art Contemporain de L'Amërique Latine, H–tel des Arts, Paris, França; Artistas na Documenta, Museu de Arte de Sâo Paulo, Brasil; Brazilian Contemporary Art, Galeria do IBAC, Rio de Janeiro, Brasil; Coleçâo Chateaubriand, anos 60 e 70, Galeria de Arte do SESI, Sâo Paulo, Brasil; Exposiçâo Internacional de Gravuras, Curitiba, Paranž, Brasil; Raum fÆr den nächsten Augenblick, Documenta IX, Kassel, Alemanha.

1991

Imagem sobre Imagem, Espaço Cultural Sërgio Porto/RIOARTE, Rio de Janeiro, Brasil; Festival de Inverno, Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil, II Exposiçâo Internacional de Esculturas Efèmeras, Fortaleza, Brasil; Clžssico no Contemporéneo, Paço das Artes, Sâo Paulo, Brasil; Amërica, Koninkjik Museum Voor Shone Kunsten, Antuërpia, Bëlgica.

1990

Transcontinental, Ikon Gallery, Birmingham, Inglaterra; Panorama do Desenho; Museu de Arte Moderna de Sâo Paulo, Brasil; Transcontinental, Cornerhouse Gallery, Manchester, Inglaterra; Cor na Arte Brasileira, Paço das Artes, Sâo Paulo, Brasil; Art L.A. 1990, Los Angeles, Estados Unidos.

1989

Rio Hoje, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil, Caminhos, Rio Design Center, Rio de Janeiro, Brasil; Nossos Anos 80, GB Arte, Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de Janeiro, Brasil; Desenho, Uma Geraçâo, Galeria Graffiti, Bauru, Brasil; 10 Escultores, Gabinete de Arte Raquel Arnaud, Sâo Paulo, Brasil; Arte em Jornal, XX Bienal de Sâo Paulo, Brasil.

1988

Expressâo e Conceito Anos 70, Galeria G. Chateaubriand, Rio de Janeiro, Brasil; Modernidade, Museu de Arte de Sâo Paulo, Brasil; Arte Hoje 88, Ribeirâo Preto, Brasil; Papel no Espaço, Galeria Aktuel, Rio de Janeiro, Brasil.

1987

Arte e Palavra, Fórum de Ciència e Cultura, Rio de Janeiro, Brasil; A Ousadia da Forma, Shopping da Gžvea, Rio de Janeiro, Brasil; Imaginžrios Singulares, XIX Bienal de Sâo Paulo, Brasil; Elementos do Reducionismo no Brasil, XIX Bienal de Sâo Paulo, Brasil; Arte Imžgica, Museu de Arte Contemporénea de Sâo Paulo, Brasil.

1985

Formas Tridimensionais, Museu de Arte Moderna de Sâo Paulo, Brasil; A Nova Dimensâo do Objeto, Museu de Arte Contemporénea de Sâo Paulo, Brasil; Coleçâo Knijnik, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Brasil; Galeria Montessanti, Rio de Janeiro, Brasil; Petite Galerie, Rio de Janeiro, Brasil; 12 Anos, Galeria Luisa Strina, Sâo Paulo, Brasil; Coleçâo Denison, Museu de Arte de Sâo Paulo, Brasil.

1984

Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil; Abstract Attitudes, Center for Inter-American Relations, Nova York, Estados Unidos; Arte Brasileira Atual, Universidade Federal Fluminense, Niterói, Brasil; Abstract Attitudes, Rhode Island Museum of Art, Providence, Estados Unidos; I Bienal de Havana, Cuba; Tradiçâo e Ruptura, Museu de Arte de Sâo Paulo, Brasil.

1981

Do Moderno ao Contemporéneo, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil, (Coleçâo Gilberto Chateaubriand); Artistas Contemporéneos Brasileiros, Galeria Sâo Paulo, Brasil; Artistas Brasileiros, Museu de Arte de Sâo Paulo, Fundaçâo Bienal de Sâo Paulo, Brasil; Fundaçâo Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; International Scuptors Meeting, Punta del Este, Uruguai; 3000 m3, Galpâo RIOARTE, Rio de Janeiro, Brasil; Gabinete de Arte Raquel Arnaud, Sâo Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; XVII Bienal de Sâo Paulo (artista convidado).

1976

Museu de Arte da Bahia, Salvador, Brasil; Casarâo de Joâo Alfredo, Recife, Brasil; Fundaçâo Cultural de Brasìlia, DF, Brasil;, Raìzes e Atualidades, Palžcio da Artes, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

1975

Panorama do Desenho Brasileiro, Campinas, Sâo Paulo, Brasil; Novas Aquisiç§es, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Campinas, Sâo Paulo, Brasil; Art Graphique Brësilien, Musëe Galiera, Paris, França.

1974

Desenhistas Brasileiros, Galeria Maison de France, Rio de Janeiro, Brasil; Galeria Intercontinental, Rio de Janeiro; Arte Grafico Brasile˜o Hoy, Barcelona, Espanha.

1973

Vanguarda Internacional, Galeria IBEU, Rio de Janeiro, Brasil, (Coleçâo Thomas Cohn); O Rosto e a Obra, Galeria Grupo B, Rio de Janeiro, Brasil; Indagaçâo sobre a natureza, significado e funçâo da obra de arte, Galeria IBEU, Rio de Janeiro, Brasil.

1972

Exposiçâo Vergara, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Galeria Veste Sagrada, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Salâo de Verâo. Mençâo Especial do Jöri.

1971

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Salâo de Verâo, Mençâo Especial do Jöri.

1967

Galeria Gead, Prèmio Categoria Desenho, Rio de Janeiro, Brasil.

Esculturas em espaços pöblicos

1994

Omkring, Leirfjord, Noruega; Projeto Sckupturlandskap Nordland.

1992

Formato Cego, Paseo de Las Americas, Punta del Este, Uruguai.

1991

Raum fÆr den nächsten Augenblick, Neue Galerie, Kassel, Alemanha.

1989

Software, escultura luminosa instalada temporariamente no Vale do Anhabagaö, Sâo Paulo, Brasil; O Jardim Instanténeo, jardim/escultura, instalado no Parque do Carmo, Sâo Paulo, Brasil.

Vìdeo

1996

Um Rio, realizado por ocasiâo da exposiçâo Anotaç§es 1969/1996, no Paço Imperial, direçâo: Waltercio Caldas, Brasil.

1989

Software, uma escultura, direçâo: Ronaldo Tapajós.

1986

Apaga-te Sësamo, objetos e esculturas, direçâo: Miguel Rio Branco, Prèmio Especial do Jöri da Jornada de Cinema da Bahia e Prèmio Melhor Vìdeo, Melhor Direçâo do Festival de Cinema e Vìdeo do Maranhâo.

Prèmios

1993

Prèmio Mžrio Pedrosa, Exposiçâo do Ano, Associaçâo Brasileira de Crìticos de Arte.

1990

Prèmio Brasìlia, Museu de Arte de Brasìlia, Brasil.

1973

Prèmio Anual de Viagem, Melhor Exposiçâo, Associaçâo Brasileira de Crìticos de Arte.

Fonte: www1.uol.com.br

Waltercio Caldas

Sua obra caminha na contramão do mundo espetacular e barulhento em que vivemos.

Aliando uma fina inteligência formal e jogos provocativos e por vezes bem humorados para o olhar, Waltercio Caldas gera interrogações sutis para cada espectador, nos ensinando a ver para além do que hábito nos ensina.

O artista estudou no Museu de Arte Moderna com Ivan Serpa, ainda nos anos 1960.

Nos anos 1970, editou a revista Malasartes e lecionou artes e percepção visual no Instituto Villa-Lobos.

Começou a expor em 1973.

Nessa mesma década, fez exposições individuais nos principais museus do Rio de Janeiro e de São Paulo.

É hoje considerado um dos artistas brasileiros de maior renome internacional, tendo exposto em diversos países: Kanaal Art Foundation (Kortrijk, Bélgica, 1991); Stedelijk Museum (Schiedam, Holanda, 1992) e Documenta 9 de Kassel (Alemanha, 1992); Centre d’Art Contemporain (Genebra, Suíça, 1993).

Participou da exposição ‘Latin American artists of the twentieth century’ no Museum of Modern Art (MoMA) em Nova York, 1993.

Foi convidado para as Bienais de São Paulo em 1983, 1987 e 1996.

Representou o Brasil na Bienal de Veneza de 1997.

Seus trabalhos estão nos acervos dos principais museus do mundo como o MoMA ou ainda a Neue Galerie (Kassel) e museus brasileiros como os Museus de Arte Moderna de São Paulo e Rio de Janeiro.

Suas esculturas em espaços públicos podem ser vistas em Leirfjord (Noruega), Paseo de las Américas em Punta del Este (Uruguay) ou ainda na Avenida Beira Mar, no Rio de Janeiro.

Sua produção é analisada em diversos livros como, por exemplo, Aparelhos, com ensaio de Ronaldo Brito (1976) e Waltercio Caldas com texto de Paulo Sergio Duarte editado pela Cosac Naify (2001).

Waltercio é também autor de livros como Manual da Ciência Popular (1982), Velásquez (1996) e Notas, ( ) etc (2006) e dirigiu o vídeo Rio (1996).

Galeria Raquel Arnuad

Fonte: www.cultura.gov.br

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