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Winston Churchill

Durante 65 anos, Winston Churchill esteve no epicentro das maiores crises mundiais, ora comandando o império britânico, ora derrotando o nazismo. Também homem de letras, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.

24 de janeiro de 1965

Churchill morre pacificamente em Londres, aos 90 anos. Este "Homem do Século" foi, para os povos do mundo ocidental, o herói da democracia e, sem sombra de dúvida, o homem que derrotou o fascismo.

Para milhões de ingleses, ele foi, durante a Segunda Guerra Mundial, o símbolo de uma feroz resistência contra Hitler. Com a França derrotada, em 1940, e os Estados Unidos insistindo em se manter neutros, Churchill e o povo inglês estavam praticamente sós na luta contra Hitler.

Em 30 de maio de 1940, com 66 anos, Churchill torna-se primeiro-ministro inglês pela primeira vez, pronunciando um discurso de apenas uma linha: "Nada posso oferecer além de sangue, cansaço, lágrimas e suor". Mas, disse que Hitler seria derrotado.

Um homem velho, praticamente só, com uma única e terrível missão: enfrentar a formidável máquina de guerra que a Alemanha havia montado.

Em 1941, o Presidente Roosevelt garantiu a Churchill a total colaboração dos americanos. Em dezembro de 41, o ataque japonês a Pearl Harbor obrigou os americanos a entrarem na guerra. Churchill foi o arquiteto da aliança vitoriosa entre a Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a União Soviética. Para derrotar Hitler, todos os aliados são bem-vindos, mesmo os bolcheviques. O otimismo de Churchill e sua espantosa energia animaram e serviram de inspiração aos ingleses.

Mas, à medida em que mais próxima parecia a derrota de Hitler, outra sombra parecia erguer-se sobre a Europa. Churchill, ao contrário de Roosevelt, nunca confiou em Stalin. Na opinião de Churchill, a Conferência de Yalta, em 4 de fevereiro de 1945, foi um fracasso total. Stalin não pretendia restabelecer a democracia nos territórios libertados pelo Exército Vermelho. Em 7 de maio de 1945, os alemães assinavam sua rendição incondicional.

Winston Churchill
Os americanos consagraram um inglês - Winston Churchill - como o Homem do Século

Depois de anunciar a vitória dos Aliados, Churchill foi a Potsdam, na Alemanha, em julho de 1945, para uma conferência com Truman - então presidente dos Estados Unidos - e Stalin. Foi lá que soube de sua derrota eleitoral. Abandonando o herói dos tempos difíceis, o povo inglês havia preferido entregar aos trabalhistas a enorme tarefa da reconstrução nacional. Churchill aceitou o veredito, declarando que esta era a lei da democracia que ele havia defendido durante seis longos anos.

Fiel ao seu destino, tornou-se líder da oposição e foi coerente sempre. Foi o primeiro a perceber que uma cortina de ferro começava a separar a Europa em dois mundos. Reeleito primeiro-ministro em 1951, renunciou ao cargo quatro anos mais tarde, mas conservou o lugar que tinha na Câmara dos Comuns, até completar 90 anos.

Fonte: www.fascismo8.hpg.ig.com.br

Winston Churchill

Winston Churchill
Winston Churchill

O honorável Sir Winston Leonard Spencer Churchill (1874-1965), filho de Lord Randolph Churchill e mãe americana, foi educado em Harrow e Sandhurst. Depois de um breve, mas movimentada carreira no exército, ele se tornou um membro conservador do Parlamento em 1900. Ocupou vários cargos altos nos governos liberais e conservadores durante as três primeiras décadas do século. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, foi nomeado Primeiro Lorde do Almirantado - um cargo que já havia realizado 1911-1915. Em maio de 1940, tornou-se Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa e permaneceu no cargo até 1945. Ele assumiu a Premiership novamente na vitória conservadora de 1951 e renunciou em 1955. No entanto, ele permaneceu como um membro do Parlamento, até a eleição geral de 1964, quando ele não buscar a reeleição. Rainha Elizabeth II conferido Churchill a dignidade da Cavalaria e investiu-o com a comenda da Ordem da Jarreteira em 1953. Entre as outras inúmeras homenagens e condecorações que recebeu, menção especial deve ser feita do título de cidadão honorário dos Estados Unidos que o presidente Kennedy conferiu-lhe, em 1963.

A carreira literária de Churchill começou com relatórios de campanha: a história do Malakand Field Force (1898) e A Guerra do Rio (1899), um relato da campanha no Sudão e na batalha de Omdurman. Em 1900, ele publicou seu único romance, Savrola, e, seis anos mais tarde, sua primeira grande obra, a biografia de seu pai, Lord Randolph Churchill. Sua outra famosa biografia, a vida de seu grande antepassado, o duque de Marlborough, foi publicado em quatro volumes entre 1933 e 1938. História da Primeira Guerra Mundial de Churchill apareceu em quatro volumes sob o título de A Crise Mundial (1923-1929), suas memórias da Segunda Guerra Mundial passou a seis volumes (1948-1953/54). Após sua aposentadoria do cargo, Churchill escreveu uma História dos Povos de língua Inglês (4 vols., 1956-1958). Sua magnífica oratória sobrevive em uma dúzia de volumes de discursos, entre eles A Luta Implacável (1942), The Dawn of Liberation (1945) e Vitória (1946).

Churchill, um pintor amador talentoso, escreveu a pintura como um passatempo (1948). Um relato autobiográfico de sua juventude, minha infância, apareceu em 1930.

Winston Churchill morreu em 24 de janeiro de 1965.

Fonte: www.nobelprize.org

Winston Churchill

Cronologia

1874 (30 de Novembro): Nasce no palácio de Blenheim, residência da família Marlborough.

1894: Escola militar de Sandhurst, cadete de cavalaria.

1895: Oficial dos Hussardos, primeira missão é jornalística na guerra-hispano-americana.

1897-98: Volta a vestir a farda na Índia e no Sudão mas não abandona o jornalismo.

1899: Derrotado nas eleições parlamentares.

1899-1900: Correspondente na Guerra dos Boers, África do Sul; regresso como herói.

1900: Eleito para o Parlamento pelos conservadores.

1904: Deixa o partido, junta-se aos Liberais.

1906: Reeleito, nomeado subsecretário para as Colônias.

1908: Presidente da Câmara do Comércio; casamento com a bela e tranqüila Clementine Hozier.

1910: Ministro do Interior.

1911: Primeiro Lord do Almirantado, preparação da Marinha para a guerra.

1914: Mobiliza a Armada antes do início da guerra.

1915: Responsabilizado pelos fracassos nos Dardanelos e Gallipoli, renuncia, vai servir no frente francesa.

1916: Retorna à vida parlamentar.

1917: Ministro das Munições, incentiva o projeto da nova arma, o tank, que será decisiva.

1919: Ministro da Guerra, quer impedir a vitória bolchevique na Rússia.

1921-1922: Ministro das Colônias, tenta conciliar os interesses árabes e judaicos na Palestina.

1924-1929: Derrotas políticas e eleitorais, volta à literatura com a crônica autobiográfica da 1ª Guerra, Crise Mundial; Ministro das Finanças, segue linha recessiva que se mostra desastrosa.

1929-1939: Afasta-se do governo; aproveita para escrever a biografia do ancestral, Marlborough, Vida e Tempos; não abandona a cena política advertindo com veemência sobre o perigo nazista.

1939 (1 de Setembro): Início da 2ª Guerra Mundial, dois dias depois reassume o Almirantado, começa a amizade com Franklin Delano Roosevelt.

1940: O ano da decisão (10 de Maio) Blitz nazista nos Países Baixos, renuncia Neville Chamberlain; (13 de Maio) volta ao Parlamento, agora como Primeiro Ministro e o discurso sobre "sangue, suor e lágrimas". (22 de Junho) Invasão da Rússia pelos nazistas, o anticomunista converte-se num entusiasta da Grande Aliança com os soviéticos.

1941 (14 de Agosto): Primeiro encontro com Roosevelt, assinada a Carta do Atlântico com o compromisso da ajuda americana. (7 de Dezembro) Ataque-surpresa japonês a Pearl-Harbour; os EUA na guerra. (26 de Dezembro) Empolga o Congresso dos EUA.

1942-1943: Desembarque aliado no Norte da África, depois na Sicília e, finalmente, na Itália continental.

1944 (6 de Junho): Quer acompanhar o Dia-D a bordo de um cruzador inglês, o rei o dissuade.

1945 - (24 de Julho, Potsdam, Alemanha): Encontro com Stalin e Truman para cuidar do após-guerra e da arrancada final contra o Japão; lança a expressão Cortina de Ferro (26 de Julho) Deixa a reunião para participar das eleições parlamentares: surpreendente triunfo trabalhista, deixa o governo, não retorna a Potsdam.

1946-1949: Pronunciamentos a favor dos Estados Unidos da Europa, escreve A 2ª Guerra Mundial, 6 volumes.

1951 (16 de Outubro): Retorna ao número 10 de Downing Street com 51 anos de vida parlamentar.

1955/1964: Renuncia ao cargo, dedica-se exclusivamente à literatura (A História dos Povos de Língua Inglesa, 4 volumes), pintura, conferências, homenagens e lazer no jet-set internacional.

1965 (30 de Janeiro): Morre aos 91 anos, comoção mundial.

Winston Churchill
Winston Churchill

HOMEM-FÊNIX

Natal gélido na capital americana. Não é a temperatura apenas mas a angústia da guerra, agora estendida aos quatro cantos do mundo -- a pior que a humanidade já enfrentou. Nada intimida este inglês de 67 anos, rijo como um carvalho, rosto de buldogue e de bebê. Dono de uma oratória retumbante, sem papel algum na frente, discursa para as duas casas do Congresso.

De Londres, submetida aos bombardeios diários, traz para Washington (na guerra há parcos 19 dias) muito mais do que a esperança. Traz a certeza do triunfo final. Enquanto o plenário aplaude, empolgado, estende a mão com os dois dedos em forma de V. É o V da Vitória que desembainha em seu país para animar soldados e povo. Gesto-sigla, antídoto ao braço estendido da saudação nazi-fascista -- de hoje em diante também aqui torna-se o emblema da confiança.

Breve, terá um acorde para acompanhá-lo: as quatro notas iniciais da 5ª Sinfonia de Beethoven (três curtas e uma longa) que no código Morse, significam V.

Do pai, Lord Randolph Churchill (descendente direto do 1º Duque de Marlborough, o herói da luta contra Luís XIV), herda o gosto pela política e a memória prodigiosa que lhe permite decorar um discurso inteiro para recitá-lo como um improviso.

Da mãe, Jennie Jerome, beldade nova-iorquina, filha de um magnata e criador de cavalos de corrida, recebe a porção de bon-vivant: fuma longos charutos cubanos, bebe generosas doses de whisky (que lhe valem, de Hitler, o epíteto de bêbado e, dos biógrafos "revisionistas", a classificação de irresponsável), o gosto pelo convívio com celebridades e, também, a inclinação artística.

Homem-Fênix: cresce, decai, brilha e, neste constante renascer das cinzas, forja a sua fibra. Jamais poderão classificá-lo como prodígio ou vitorioso nato, caso do amigo, parceiro e alma-gêmea, Franklin Roosevelt. Temperado nos vários ostracismos, enrijecido pelos dissabores políticos que neutraliza com os êxitos literários, a biografia de estadista começa quando outros, resignados, pensariam na reforma. Chega ao pódio mundial aos 65 anos e, quando morre aos 91, salta para a História.

GANGORRA DOS DESAFIOS

Tudo ao contrário: Winston Leonard Spencer Churchill nasce em berço esplêndido mas a infância é triste e enfermiça. Doença principal, carência afetiva. Os pais não têm tempo para oferecer carinho, é a governanta, a Senhora Everest, que também disso se encarrega. Primeira escola, a aristocrática Harrow, notas lamentáveis -- não poderia ser diferente. O pai, pragmático e ocupado, decide que precisa de disciplina e o encaminha para o Real Colégio Militar (hoje Academia de Sandhurst). Só na 3ª tentativa é que Winnie consegue ser aprovado.

Milagre: uma vez aceito, torna-se aplicado, termina em 20º lugar numa classe de 130. Adora cavalos e torna-se exímio cavaleiro.

No mesmo ano em que é incorporado aos prestigiosos Hussardos, morre o pai justamente quando começam a aproximar-se.

Ironia (não será a única): a primeira missão como militar é civil, contratado para acompanhar a guerra hispano-americana como correspondente do Daily Graphic.

Regimento transferido para a Índia, volta a vestir a farda mas não deixa o jornalismo. Seus despachos sobre os conflitos na fronteira causam grande sensação, logo reunidos em livro (The Story of the Malakand Field Force, 1898). Convocado para servir na força expedicionária no Sudão, continua a dupla função militar-jornalística da qual resulta novo sucesso, The River War (1899).

Descobre que a farda não o atrai, o jornalismo sim. A política também, sobretudo porque sente-se no dever de substituir o pai. Candidata-se ao Parlamento pelo distrito de Oldham na chapa conservadora. Derrotado.

Consolo imediato pela via do jornalismo: é contratado pelo Morning Post, de Londres, para fazer a cobertura da Guerra dos Boers, na África do Sul.

Aqui o militar combina-se ao jornalista e o resultado converte-o num herói graças a uma sucessão de façanhas: alcança a tropa inglesa sitiada, ajuda a resgatar um combóio seqüestrado pelos rebeldes, cai prisioneiro e, semanas depois, escapa espetacularmente. O jornalista converte-se em manchete de todos os jornais --- talento e coragem física dificilmente juntam-se na mesma pessoa. Esta será a sua grife em todas as empreitadas.

Winston Churchill
Winston Churchill

ARTILHARIA PESADA

Célebre, agora consegue eleger-se para o Parlamento.

Problemas: da infância sofrida guarda seqüelas na fala -- embaraça-se nos debates e improvisos. Para Winnie tudo é desafio. Tira partido dos outros atributos combinando os dotes literários com sua extraordinária memória e, assim, faz intervenções brilhantes."

Seus canhões não são móveis, mas poderosos", resume o líder dos conservadores, Lord Balfour.

Politicamente, é mais moderado e mais flexível do que o partido, tanto em questões sociais como coloniais. O choque é inevitável, rompe com os conservadores quando advogam uma política tarifária e protecionista sendo ele devotado à causa do livre-comércio. Muda de lugar no plenário, junta-se aos liberais e desfecha audaciosas diatribes contra os ex-correligionários.

Talvez para aplacar a sensação de está a trair o pai, conservador, escreve a admirável biografia, Lord Randolph Churchill mas segue o caminho liberal. Troca de distrito e nas eleições de 1906 obtém notável vitória em Manchester. Agora é governo, subsecretário para as colônias defendendo a autonomia da África do Sul.

Em seguida, passa a ter assento no novo gabinete liberal como Presidente da Câmara do Comércio.

Hora de arrumar a vida, já tem 34 anos: casa-se com Clementine Hozier, aristocrata e nobre, beldade tranqüila, capaz de sossegar a turbulência desta alma mordida pela audácia. Química perfeita, o enlace se estenderá por 57 anos, sem tropeços, e do qual nascerão um filho e quatro filhas.

Da pasta do Comércio passa para a do Interior e, desta, em 1911, para o comando do Almirantado. Não é homem do mar, em compensação é homem de ação.

Do outro lado do Atlântico, dentro de dois anos, Franklin Roosevelt assumirá o comando virtual da esquadra americana como subsecretário da Marinha.

A Europa ferve, Churchill também. Graças a isso percebe que, sem uma marinha forte e alerta, o Império naufraga. Na véspera da guerra, ordena um exercício de mobilização naval e quando os primeiros tiros são disparados a esquadra inglesa já está em estado de guerra há vários dias. Despacha-se para Antuérpia e comanda pessoalmente a defesa do porto, essencial para a navegação do Canal da Mancha.

Concebe, então, o primeiro de uma série de ataques anfíbios: um desembarque em Gallipoli (Turquia asiática) para assumir o controle dos Dardanelos e assim chegar aos russos. Carnificina, desastre total, assume a responsabilidade e renuncia ao cargo. Na qualidade de tenente-coronel vai comandar um regimento na frente ocidental.

Dura pouco o auto-banimento, Lloyd George convoca-o para assumir o Ministério das Munições e lá Winnie engaja-se em outra empreitada insana: converter o automóvel numa fortaleza móvel. Nasce o tank que deverá acabar com o atoleiro das trincheiras e reviver a guerra móvel. A chegada dos alegres americanos à frente ocidental é crucial para animar os aliados mas a súbita aparição dos tanques ingleses despejando fogo e chumbo contribui decisivamente para a derrota alemã.

Paz assinada, não sossega. Como ministro, da Guerra e do Ar, tem um objetivo neste momento -- neutralizar a vitória bolchevique na Rússia. Doravante, o anti-bolchevismo será uma das tônicas de sua atuação política. Transferido para o Ministério das Colônias, onde, paradoxalmente, a vitória em 1918 só traz problemas para o Império. Nas questões do Oriente Médio ouve, atento, uma estranha e fascinante figura, misto de militar, intelectual e aventureiro, T. E. Lawrence. Promulga o Livro Branco que confirma o reivindicação judaica de um Lar Nacional na Palestina e, ao mesmo tempo, garante os direitos árabes.

VAI-E - VEM NA RIBALTA

De novo os Dardanellos: a pressão turca para reocupar o estratégico estreito provoca crise política na Inglaterra. Ninguém quer uma nova sangueira, atribui-se a Churchill a idéia de uma revanche, cai o governo de coalizão, convocadas eleições gerais. Impossibilitado de participar da campanha por causa de uma operação de apendicite, é derrotado.

Ironiza: "...perdi o cargo, perdi o assento, perdi o partido e até perdi o apêndice..."

Sai da cena política, retoma a pena e experimenta o pincel.

Seus dotes plásticos não ultrapassam os de um aplicado amador mas na literatura a sua estrela brilha: lança The World Crisis, crônica autobiográfica das Primeira Guerra Mundial que rende 20 mil libras, com as quais compra a propriedade rural em Chartwell, Kent.

Tenta o parlamento como independente agitando a bandeira anti-socialista. Perde duas vezes, na terceira, 1924, consegue um assento. Entrementes, o líder conservador, Stanley Baldwin oferece-lhe o cargo de Chanceler do Erário.

Detesta matemática e contas mas os desafios transcendem às pequenas aversões: pode voltar ao campo dos conservadores e no mesmo cargo ocupado pelo pai.

Além disso, a matéria econômica é a arena onde se trava o grande duelo entre o socialismo e o liberalismo econômico.

Coerente com os princípios do laissez-faire determina a volta do padrão-ouro que, junto com outras medidas ortodoxas e recessivas, provocam o caos: deflação, desemprego, greve dos mineiros que despoleta uma prolongada greve geral, a primeira da história inglesa. Resiste teimosamente à negociação porque considera a paralisação como uma situação pré-revolucionária.

Num país onde a imprensa tem tamanha importância e a ausência de jornais é uma calamidade, o Ministro Churchill inventa e comanda a British Gazette, jornal oficial onde escreve bombásticos editoriais diários contra o "inimigo" e alcança fabulosas tiragens. O empedernido anti-socialista acaba de revelar que a luta de classes não é imaginária.

Mantém-se no governo até 1929 e, na política, até 1931. Não há mais lugar para este guerrilheiro individualista, instável e inflamado, pouco dado ao diálogo e compromissos. Recolhe-se a Chartwell para escrever e o faz com a paixão de sempre. A reabilitação biográfica do seu ilustre ancestral, Marlborough, sua Vida e Tempos, além de render um esplêndido retorno financeiro, é uma demonstração de que a História não concerne apenas aos historiadores. Assim como a política não se exerce apenas nos plenários ou gabinetes.

O PEDREIRO CONTUMAZ

Nas horas vagas entrega-se a um hobby-compulsão cujo simbolismo talvez não perceba -- levantar muros de tijolos. É a forma inconsciente de responder à exclusão a que foi condenado, espécie de ioga do homem de ação. O muro é o obstáculo a ser superado, provocação ao salto. Este ostracismo de uma década é a sua preparação para a grande maratona que se segue.

Interrompe-se o capítulo da histeria anti-socialista de um personagem que, ironicamente, começou na trilha do pai, conservador-progressista. E começa um novo, o do estadista em repouso que vislumbra o inimigo escondido. Adolf Hitler, que sempre pensou numa aliança anglo-saxônica para dividir a Europa, faz soar o alarme que desperta Churchill para o perigo do nazi-fascismo.

Em artigos, correspondência e conferências Churchill é um dos primeiros ingleses a advertir para o monstro militar que se gesta na Alemanha. Seu discurso não é propriamente antifascista e libertário, é do estrategista que antevê o adversário no campo de batalha. Sua pregação não é pacifista, é militarista. À xenofobia alemã contrapõe o ideal romântico da Europa multinacional ao lado do leão britânico.

O antigo homem do mar está empenhado no rearmamento da aviação, sabe que na próxima guerra o domínio do ar será decisivo. A pregação tem algum eco, convidam-no para participar de um secretíssimo grupo de trabalho que acompanha o desenvolvimento da Luftwaffe e projeta a resposta britânica. Quando em 1936, Neville Chamberlain (seu ex-companheiro de gabinete) assume o governo, aumenta o distanciamento entre Churchill e o poder.

Temeroso de um novo conflito mundial, Chamberlain engaja-se numa política de apaziguamento. O anticomunismo de Hitler até agrada aos setores mais reacionários da Inglaterra. Churchill, ao contrário, incita o governo a organizar um pacto europeu incluindo a União Soviética, para deter os avanços políticos nazistas. Em 1938, quando é assinado o Pacto de Munich sacrificando a Tchecoslováquia, Churchill apela para o adormecido orgulho nacional considerando-o como "total e indisfarçável derrota".

Já não fala sozinho, tem um grupo à sua volta e declaradas simpatias em todo o espectro político, inclusive na esquerda. É o velho Churchill a cavalgar uma causa generosa. Em Março de 1939 propõe um governo de coalizão nacional, como em 1914 ele advinha o que está por vir. Chamberlain ignora-o, teme o seu protagonismo.

Winston Churchill
Winston Churchill

WINNIE ESTÁ DE VOLTA

A Inglaterra declara guerra à Alemanha, dois dias depois da invasão da Polônia. Chamberlain capitula, convoca Churchill para ocupar o seu velho posto à frente do Almirantado.

A marujada vibra: "Winnie está de volta !". O ânimo do país volta a esquentar, grande repercussão internacional, congratulações da Casa Branca com a assinatura de "um homem do mar" -- Franklin Roosevelt. Ponto de encontro de vidas paralelas, costura-se a parceria decisiva.

O moral elevado da Marinha não afeta a "guerra sentada" que se trava na frente francesa. Abril de 1940, os aliados não conseguem evitar a invasão da Dinamarca e da Noruega que controlam a saída da frota alemã pelo Báltico. Fracassam duas expedições anfíbias inglesas em Narvik e Trondheim, o fantasma de Galllipoli reaparece no Parlamento, desta vez o culpado pelo fiasco é Chamberlain. Maio, nova blitz alemã, caem o Luxemburgo, Holanda, Bélgica e a Wehrmacht está diante da fronteira desguarnecida da França.

Chamberlain renuncia, ainda tenta indicar um sucessor que não seja Churchill. Inútil, o único político que merece a confiança dos trabalhistas -- apesar do seu passado reacionário -- é Churchill, comprometido vitalmente com a causa anti-hitlerista.

Estréia no Parlamento como Primeiro Ministro e inaugura o ciclo dos memoráveis discursos de guerra: "...Não tenho nada a oferecer-vos senão sangue, trabalho, suor e lágrimas...".O gabinete de coalizão (no qual exerce também a pasta da Defesa), inclui três trabalhistas, um deles é o poderoso líder sindical, Ernest Bevin.

Fica garantido o esforço de guerra e a paz social. O estadista-historiador sabe que é preciso sacrificar as questões menores no altar da vitória final. Leva ao Parlamento uma lei de emergência que coloca todas as pessoas, serviços e propriedades a serviço da Coroa. Puro socialismo.

Mais tarde, quando escreverá a história da segunda guerra mundial, enunciará a sua fórmula: "Na guerra, determinação; na derrota, resistência; na vitória, magnanimidade; na paz: boa-vontade."

Dois dias depois da queda de Paris, a 16 de Junho de 1940, faz uma proposta audaciosa ao governo francês: a união política entre os dois países. A 22, os franceses capitulam no mesmo vagão em que os alemães haviam assinado a rendição em 1918.

A máquina de guerra alemã agora está totalmente voltada contra a Inglaterra.

Churchill no Parlamento: "estas são as nossas melhores horas".

Cerco alemão cauteloso e inexorável: primeiro os aviões de Goering atacam as embarcações que cruzam a Mancha, depois as tropas ocupam as pequenas ilhas no meio do Canal, em seguida a Luftwaffe ataca as bases da R.A.F. no sul da Inglaterra. Um ano depois de começada a guerra, os alemães começam os ataques maciços contra Londres.

Churchill no Parlamento: "nunca, no campo das lutas humanas, tantos deveram tanto a tão poucos" - é o seu tributo aos pilotos dos Spitfires e Hurricanes que defendem o país na Batalha da Inglaterra.

Como represália, ordena uma incursão aérea a Berlim. Enfurecido com a audácia, o Führer determina maciços ataques diários a Londres. E dá início à Batalha do Atlântico para cortar todos os suprimentos da Inglaterra e os seus vínculos com o Canadá.

O ataque alemão à União Soviética leva-o a esquecer a velha rixa com o comunismo: "O perigo na Rússia é o nosso perigo". Os isolacionistas americanos, insensíveis com o que se passa na Europa, insistem no slogan America First. "Dêem-nos as ferramentas e faremos o trabalho" pede Churchill.

Concebe então o projeto da Grande Aliança com a URSS e os EUA do qual é o infatigável artífice. O primeiro passo é dado em Agosto de 1941 quando encontra-se com Roosevelt nas costas do Canadá para assinar a Carta do Atlântico.

Também aqui a alquimia entre os dois parceiros é perfeita: FDR, águia serena, é o campeão da democracia, Winnie, leão aguerrido, é quem vai implementá-la.

Vai duas vezes a Moscou, quatro a Washington, duas ao Cairo e Quebec, uma ao Marrocos, Grécia, Malta, participa das duas reuniões tripartites com Roosevelt e Stalin (Teerã e Ialta) e da derradeira, com Truman e Stalin em Potsdam (Alemanha) depois da rendição alemã. Em duas destas exaustivas viagens circulares (para evitar surpresas da aviação inimiga) cai doente, sempre com pneumonia.

No meio do conflito, já pensando no pós-guerra, participa ativamente nos projetos para a criação de uma confederação européia. É o precursor não apenas da aliança que vai derrotar o Eixo totalitário mas também da interdependência que marcará a segunda metade do século XX.

No âmbito militar, ainda perseguido pelos fantasmas do fiasco de Gallipoli, age com extrema cautela. Em 1942, Stalin, secundado pelo Estado Maior americano, reclama a imediata criação da 2ª frente na Europa para afrouxar a pressão germânica. Churchill considera o projeto prematuro, arriscado e, nas atuais circunstâncias, custoso. Quando finalmente chega o Dia-D, o Dia da Decisão, em Junho de 1944, o septuagenário quer participar pessoalmente da operação de resgate da França a bordo de um cruzador inglês. Quem o dissuade é o próprio monarca.

PRÊMIO, CASTIGO E PRÊMIO

Roosevelt morre 26 dias antes da rendição alemã. Churchill, privilegiado pelos fados, assiste ao entusiasmo do 8 de Maio, a 15 de Julho vai a Potsdam para as prolongadas negociações com Stalin e Truman sobre o futuro da Europa e do mundo. O Encontro da Vitória torna-se a Reunião da Desconfiança, onde Churchill cunha a alcunha, Cortina de Ferro, para o novo império soviético.

Reunião interrompida pela convocação das eleições inglesas. Todos, inclusive Stalin, estão certo de que se encontrarão novamente no fim do mês.

Engano: quem vai sentar-se para a foto de praxe é o trabalhista Clement Attlee, o grande vitorioso das eleições com o seu programa Vamos Enfrentar o Futuro.

Attlee entra e sai da História com a mesma rapidez.

Winnie permanece (As recompensas de Winnie são outras): vive mais duas décadas, volta a chefiar o gabinete por mais quatro anos (aos 77), ganha os maiores galardões, inclusive um Nobel de literatura por sua História dos Povos de Língua Inglesa, comanda os primeiros movimentos por uma confederação européia e morre durante o sono depois de uma trombose cerebral - tranqüilamente. Sua última audácia foi de saldar todos os compromissos com a vida.

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

Winston Churchill

Churchill, Winston Spencer (1874-1965)

Primeiro ministro britânico, de 1940 a 1945 e de 1951 a 1955, foi quem dirigiu a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Foi eleito Deputado em 1900.

Em 1911 foi nomeado Primeiro Lorde do Almirantado. Com o fracasso da expedição britânica na Turquia, durante a Primeira Guerra Mundial, pediu demissão e ingressou no Exército.

Em 1916 retornou ao Parlamento. Foi Ministro da Guerra (1919-1921); Ministro das Colônias; Ministro das Finanças (1924-1929).

Em 1939 foi novamente nomeado Primeiro Lorde do Almirantado e em 1940 assumiu o cargo de Primeiro Ministro. Em 1945 foi derrotado nas eleições.

Em 1951 voltou ao cargo de Primeiro Ministro e, por problemas de saúde, renunciou em 1955.

Fonte: www.marxists.org

Winston Churchill

Sir Winston Churchill

Os americanos consagraram um inglês - Winston Churchill - como o Homem do Século. Durante 65 anos, Winston Churchill esteve no epicentro das maiores crises mundiais, ora comandando o império britânico, ora derrotando o nazismo. Também homem de letras, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.

24 de janeiro de 1965: Churchill morre pacificamente em Londres, aos 90 anos. Este "Homem do Século" foi, para os povos do mundo ocidental, o herói da democracia e, sem sombra de dúvida, o homem que derrotou o fascismo.

Para milhões de ingleses, ele foi, durante a Segunda Guerra Mundial, o símbolo de uma feroz resistência contra Hitler. Com a França derrotada, em 1940, e os Estados Unidos insistindo em se manter neutros, Churchill e o povo inglês estavam praticamente sós na luta contra Hitler.

Em 30 de maio de 1940, com 66 anos, Churchill torna-se primeiro-ministro inglês pela primeira vez, pronunciando um discurso de apenas uma linha: "Nada posso oferecer além de sangue, cansaço, lágrimas e suor". Mas, disse que Hitler seria derrotado.

Um homem velho, praticamente só, com uma única e terrível missão: enfrentar a formidável máquina de guerra que a Alemanha havia montado.

Em 1941, o Presidente Roosevelt garantiu a Churchill a total colaboração dos americanos. Em dezembro de 41, o ataque japonês a Pearl Harbor obrigou os americanos a entrarem na guerra. Churchill foi o arquiteto da aliança vitoriosa entre a Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a União Soviética. Para derrotar Hitler, todos os aliados são bem-vindos, mesmo os bolcheviques. O otimismo de Churchill e sua espantosa energia animaram e serviram de inspiração aos ingleses.

Mas, à medida em que mais próxima parecia a derrota de Hitler, outra sombra parecia erguer-se sobre a Europa. Churchill, ao contrário de Roosevelt, nunca confiou em Stalin. Na opinião de Churchill, a Conferência de Yalta, em 4 de fevereiro de 1945, foi um fracasso total. Stalin não pretendia restabelecer a democracia nos territórios libertados pelo Exército Vermelho. Em 7 de maio de 1945, os alemães assinavam sua rendição incondicional.

Depois de anunciar a vitória dos Aliados, Churchill foi a Potsdam, na Alemanha, em julho de 1945, para uma conferência com Truman - então presidente dos Estados Unidos - e Stalin. Foi lá que soube de sua derrota eleitoral. Abandonando o herói dos tempos difíceis, o povo inglês havia preferido entregar aos trabalhistas a enorme tarefa da reconstrução nacional. Churchill aceitou o veredito, declarando que esta era a lei da democracia que ele havia defendido durante seis longos anos.

Fiel ao seu destino, tornou-se líder da oposição e foi coerente sempre. Foi o primeiro a perceber que uma cortina de ferro começava a separar a Europa em dois mundos. Reeleito primeiro-ministro em 1951, renunciou ao cargo quatro anos mais tarde, mas conservou o lugar que tinha na Câmara dos Comuns, até completar 90 anos.

Fonte: www.tvcultura.com.br

Winston Churchill

Primeiro ministro britânico, de 1940 a 1945 e de 1951 a 1955, foi quem dirigiu a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Nasceu no Palácio de Blenheim, em Woodstock, no Oxfordshire, em 30 de Novembro de 1874; morreu em Londres em 24 de Janeiro de 1965.

Era filho de Lord Randolph Churchill e da sua mulher americana Jennie Jerome. Após ter acabado o curso na Academia Militar de Sandhurst e ter servido como oficial subalterno, de 1895 a 1899, no regimento de Hussardos n.º 4, foi correspondente de guerra em Cuba, na Índia e na África do Sul. Durante a guerra dos Boers, de quem foi prisioneiro, protagonizou uma fuga que o tornou mundialmente conhecido, e de que relatou as peripécias no seu livro De Londres a Ladysmith. Churchill entrou para a política como Conservador, tendo sido eleito deputado em 1900, mas em 1904 rompeu com o Partido devido à política social dos Conservadores.

Aderiu ao Partido Liberal e em 1906, tendo sido eleito deputado, foi convidado para o Governo, ocupando primeiro o cargo de Sub-Secretário de Estado para as Colônias, mais tarde, em 1908, a pasta de Presidente da Junta de Comércio (Board of Trade).Após as eleições de 1910 foi transferido para o Ministério do Interior, e finalmente foi nomeado, em Outubro de 1911, Primeiro Lorde do Almirantado, onde impôs uma política de reforço e modernização da Marinha de Guerra britânica.

Pediu a demissão em plena Primeira Guerra Mundial, devido ao falhanço da expedição britânica aos Dardanelos, na Turquia, de que tinha sido o principal promotor. Alistou-se no exército, e comandou um batalhão do regimento «Royal Scots Fusiliers» na frente ocidental. Regressou ao Parlamento em 1916, regressando a funções governamentais no último ano de guerra, como ministro das munições.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, Churchill foi-se tornando cada vez mais conservador, continuando a participar ativamente na política, como Ministro da Guerra (1919-1921) e Ministro das Colônias (1921-1922) em governos liberais. Em 1924 regressou ao Partido Conservador, sendo nomeado Ministro das Finanças (1924-1929) no governo conservador de Stanley Baldwin. Não participou em nenhum governo, de 1929 a 1939, mas continuou a ser eleito para o Parlamento, onde advertiu incessantemente do perigo que Hitler representava para a Paz.

Em 1939 foi nomeado novamente Primeiro Lorde do Almirantado, e em 1940, no dia em que a Alemanha começou a ofensiva a Ocidente, invadindo a Holanda, a Bélgica, o Luxemburgo e a França, foi nomeado Primeiro Ministro. Fez com que o seu país resistisse às derrotas dessa Primavera de 1940, e ao desaparecimento de todos os seus aliados ocidentais, da Noruega à França, e dirigiu-o durante a Batalha de Inglaterra. Finalmente, aliado à União Soviética, desde o primeiro momento da invasão alemã, em Junho de 1941, e com o apoio e depois a participação ativa dos Estados Unidos na guerra, acabou por vencer Hitler.

Mesmo antes do fim da guerra, sofreu uma derrota espetacular nas eleições de 1945, sendo o seu governo substituído pelos trabalhistas de Atlee. Voltou ao poder em 1951, sendo primeiro-ministro até 1955, ano em que pediu a demissão, devido a problemas de saúde.

Foi nomeado Prémio Nobel da Literatura em 1953, pelas sua obra mas sobretudo devido aos 6 volumes da sua obra mais famosa: A Segunda Guerra Mundial.

Fonte: www.arqnet.pt

Winston Churchill

Winston Churchill
Estadista inglês (1874-1965).
Modernizou a frota naval britânica e liderou os britânicos durante a Segunda Guerra Mundial

Como primeiro-ministro da Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Winston Leonard Spencer Churchill personificou a determinação do povo britânico em resistir à agressão germânica. Nascido em 30 de novembro de 1874 no Palácio de Blenheim, nas redondezas de Woodstock, Churchill era filho de um descendente direto do duque de Marlborough e de uma americana chamada Jennie Jerome. Quando menino, ele adorava história, estudou em Harrow e no Colégio Militat Real em Sandhurst. Churchil serviu no exército britânico por seis anos e se destacou em 1899, durante a Guerra dos Bôeres (1899-1902), na África do Sul.

Eleito para o Parlamento em 1900, Winston Churchill posteriormente atuou no gabinete como primeiro lorde do Almirantado, em 1911, quando desempenhou um papel importante no plano de modernização da frota britânica, um dos fatores vitais para o sucesso naval da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Durante a guerra, por algum tempo, ele chegou a vestir o uniforme e depois ocupou o cargo de ministro dos Armamentos sob o primeiro-ministro David Lloyd George (1863-1945).

Quando o governo de George foi derrotado, em 1922, Churchill saiu do gabinete, retornando apenas em 1924 como ministro das Fazenda. Enquanto esteve fora do governo nos anos 30, Churchill insistia que a Inglaterra deveria se preparar para a guerra contra a Alemanha nazista. Quando Adolf Hitler desencadeou a Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polônia em 1 de setembro de 1939, Inglaterra e França lhe declararam guerra, e o primeiro-ministro inglês Neville Chamberlain (1869-1940) restituiu a Churchill seu antigo posto no Almirantado. Em maio de 1940, depois de uma sucessão de vitórias alemãs e fracassos dos aliados, Chamberlain renunciou, e Churchill assumiu seu lugar como primeiro-ministro.

A França se rendeu em 22 de junho, deixando a Inglaterra sozinha para enfrentar o massacre da Blitzkrieg (guerra-relâmpago) alemã. Enquanto as forças alemãs se preparavam para invadir a Inglaterra cruzando o Canal da Mancha, o povo inglês concordava com Churchill, depois de ele ter dito que "não tinha nada a oferecer a não ser sangue, esforço, suor e lágrimas". Ele desafiou Hitler ao avisá-lo que as tropas alemãs encontrariam uma ferrenha oposição nas praias, nas ruas e em cada cidade da Inglaterra. De fato, os pilotos da Força Aérea Britânica (RAF) que enfrentaram os alemães conseguiram destruir doze bombardeiros para cada um que perderam. A essa reação, Churchill chamou de "o melhor momento" da RAF.

Na verdade, era o melhor momento de Churchill. Pois ele havia desafiado Hitler abertamente, e Hitler vacilou, pois a Alemanha teve de abandonar a planejada invasão da Inglaterra. Embora as forças de Hitler só fossem derrotadas cinco anos depois, a Inglaterra havia sobrevivido, em grande parte, graças ao fato de o povo ter um líder firme para inspirá-lo. Churchill encontrou-se com o presidente americano Franklin Delano Roosevelt diversas vezes, tanto antes como depois de os Estados Unidos entrarem na guerra em 1941, formando o que Churchill chamou de Grande Aliança, que, no final, foi vitoriosa.

Em 1945, o Partido Conservador de Churchill deixou o governo, mas ele retornou como primeiro-ministro em 1951, ficando no cargo até 1955.

Pouco depois de ter sido feito cavalheiro em 1953, ele sofreu uma hemorragia cerebral que o prejudicou para o resto de sua vida. Winston Churchil morreu em 24 de janeiro de 1965, deixando sua marca na história, além de vários livros importantes. Sua História dos Países de Língua Inglesa publicado em 1958), «m quatro volumes, e A Segunda Guerra Mundial (de 1954), em seis, são considerados clássicos.

Referências bibliográficas

YENNE, Bill. 100 homens que mudaram a história do mundo. São Paulo, Ediouro, 2002. (bibliografia completa)

Fonte: www.meusestudos.com

Winston Churchill

Churchill, o herói do Império

Winston Churchill, primeiro-ministro britânico, estadista, escritor e pintor amador, falecido em 1965, foi um dos personagens marcantes do século 20. Atingiu a celebridade como aquele que, nos maus momentos em que a Grã-Bretanha passou nos começos da Segunda Guerra Mundial, jurou jamais se render frente as forças do nazismo em ascensão, tornando-se o campeão da resistência contra a opressão de Hitler. Biografado de maneira alentada pelo filho, sir Randolph Churchill, agora sua vida foi novamente retratada, desta vez por Lord Roy Jenkys, reitor de Oxford, num livro de quase mil páginas que pretende ser uma síntese das inúmeras atividades e também uma história política de voa parte do século passado.

O herdeiro dos Malborough

Winston Churchill
W.Churchill (1874-1965)

“Eu jogo com os grandes perigos”

W.Churchill

Numa das suas raras folgas das atividades políticas, ainda nos anos de 1920, Winston Churchill decidiu percorrer a trajetória das vitoriosas marchas do seu antepassado Lord Malborough. Tratava-se de um capitão–de-guerra inglês que, entre 1704 e 1710, época da Guerra da Secessão Espanhola, aplicara sucessivas derrotas nos exércitos de Luís XIV e de seus aliados. O resultado disso, dessa viagem dele da Holanda à Alemanha, viu-se quando Winston, escritor de mão cheia, publicou , entre 1933-38, uma alentada história em quatro volumes sobre os feitos do lorde guerreiro. Pode-se entender tal desvelo como um agradecimento tardio dele, pois Winston Spencer Churchill nascera em 1874, de mãe americana, no Castelo de Blenheim, a propriedade que John Churchill (o nome de batismo do general, fundador da linhagem, e a quem ele procurava emular) havia ganho da rainha Ana em agradecimento por ele ter aparado as ambições do rei francês. Blenheim, um lugarejo a beira do rio Danúbio, fora uma daquelas tantas vitórias.

Winston, assim, veio ao mundo sob o signo de um destino militar associado aos interesses da corte, foi um daqueles tantos cavalheiros guerreiros, o último deles, que o império britânico fora tão pródigo em projetar desde os tempos de sir Walter Raleight, morto em 1618. Todavia, pode-se também entender o livro de Churchill resultado de uma outra motivação, esta de ordem premonitória. John Churchill atuou nos quadros da estratégia perene da Grã-Bretanha que a obrigava sempre a opor-se a quem, rei, imperador ou ditador, tentasse tornar ser o poder dominante na Europa. Enquanto Lord Malborough enfrentou Luís XIV (classificado pela pena passional de Winston como “a maldição e a peste da Europa”), o seu descendente, mais de dois séculos depois, guerreou contra Hitler (aliás, foi durante a estada dele em Munique que tentaram infrutiferamente, acertar uma entrevista dele com o chefe dos nazistas).

Fé no império anglo-saxão

Churchill, ainda jovem, entrou no cenário da vida politica inglesa de maneira espetacular. Cobrindo como correspondente a dura Guerra Bôer, travada pelo império contra os brancos da África do Sul, entre 1899-1902, ele caíra prisioneiro quando seu trem blindado fora emboscado. Todavia, ele conseguiu escapar dos guerrilheiros boers, realizando uma fuga espetacular de Pretória, com direito a ter a cabeça a prêmio e tudo (anos depois, em 1922, quando tratava com Michael Collins, o fundador do IRA, o tratado que acertou a emancipação da Irlanda, ele referiu-se ao fato dele, naquela aventura africana, ter valido bem menos, só 25 libras, do que a cabeça de Collins , posta a prêmio pelos ingleses por 5.000 libras!). Voltou como herói para casa, abrindo desta maneira as portas para um intensa e portentosa vida política e parlamentar que se estendeu por mais de meio século.

Churchilll, como todos da sua classe, era abertamente racista. Se tomou posições condescendentes para com a autonomia dos irlandeses (que afinal eram brancos), mandou o governador britânico da Mesopotâmia gazear os árabes quando da revolta iraquiana de 1920, como igualmente manteve-se oposto às reivindicações dos indianos em obterem a independência (considerava Gandhi “um faquir sedicioso”).E até o fim, quando era evidente que o império não poderia mais ser mantido, ele bateu o pé contra a emancipação da Índia, entendendo-a habitada por um povo miserável, selvagem e supersticioso, que só poderia ser contido da desordem crônica pelo relho do homem branco. Churchill sempre depositou uma espécie de fé religiosa na superioridade raça anglo-saxã, acreditando-a a única habilitada a governar o mundo (situação hoje consagrada pela aliança de ferro entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, hegemônica no planeta). Crença que ele não estendia aos germanos em geral, pois via-os desprovidos da sofisticação necessária para conduzir ao bom caminho os milhões de nativos que povoavam a terra.

Churchill: depressão nacional

Churchill cometeu desastres ao longo da sua trajetória política e como líder militar, como na ocasião em que assumira como Lord do Almirantado ter planejado a desastrada invasão do estreito dos Dardanelos em 1915, na época da guerra contra a Turquia Otomana, durante a Primeira Guerra Mundial, operação que tornou-se o maior fiasco da sua carreira e quase sepultou sua legenda. Era dado a sofrer de perigosas depressões (chamava-a de black dog ), ocasião em que isolava-se de todos e, sentado numa cadeira de balanço, tendo uma garrafa de uísque ou brandi como companhia, ficava por dias olhando a parede em frente.

Certamente foi por isso, para atenuar-lhe os efeitos negativos, que ele tornou-se pintor amador, Os pincéis foram a sua terapia. De certo modo, muitos interpretam a ascensão dele ao poder em 1940, num governo de coalizão nacional, como uma sutil sintonia entre a depressão coletiva em que a Grã-Bretanha se encontrava - assustada pela rapidez com que aos forças nazistas ocuparam a Dinamarca, a Noruega, a Holanda, a Bélgica, levando a França a uma espetacular e espantosa rendição - , com as periódicas crises de desânimo que abatiam o herdeiro dos Malborough.

Não nos renderemos

Ele, entretanto, que se criara no meio do rumor das alabardas e de vistosas dragonas, era dos que crescem na hora do perigo. Os maus momentos do império eram energéticos para ele. Não houve maneira dele deixar-se seduzir por uma paz com Hitler. Desde 1933, prevenira os ingleses contra a tirania nazista, acusando o despreparo das forças militares britânicas em fazerem-lhe frente. Um dos seus momentos de glória oratório deu-se em 4 de junho de 1940, ao discursar no parlamento logo após a débâcle da França imposta pela Wehrmacht, conclamando aos concidadãos a “lutar nos mares e oceanos...no ar. Lutaremos nas praias e nas pistas de pouso...nos campos e nas cidades. Lutaremos nos montes”... , até que a Grã-Bretanha, com o “auxilio do Novo Mundo”, derrotasse Hitler: we shall never surrender! (nós jamais nos renderemos), concluiu ele. Quando o Führer mandou Rudolf Hess , seu lugar-tenente e homem de confiança, num vôo aventureiro na noite de 10 de maio de 1941, negociar uma trégua, Churchill mandou encarcerá-lo. Para ele, um aristocrata da mais fina cepa, seria constrangedor ter que trocar apertos de mão com um ex-cabo de um regimento bávaro como Hitler.

Promovido a herói exclusivo

No período da Guerra Fria, com a morte de F.D.Roosevelt, e Stalin sendo escalado como o novo inimigo do Ocidente, não só deram-lhe o Prêmio Nobel da Literatura de 1953, como fizeram de Winston Churchill o único estadista herói da Segunda Guerra Mundial. Quase que o exclusivo vencedor de Hitler. Papel que o deliciou. Mesmo o fato de ele ter sido vencido pelo ditador nazistas em Narvik, no Flandres, nos Balcãs, na Grécia, em Creta e em Tobruk, e só ter conseguido vitórias na África, na Sicília e na Normandia, com o auxilio dos norte-americanos, foi promovido à posição de solitário deus Marte, de cuja espada erguida contra o fascismo a democracia de hoje tudo deve.

Biografar Winston Churchill, falecido em 1965, como fez Lord Roy Jenkins, reitor de Oxford (um respeitado autor dedicado à crônica da vida dos estadistas da história britânica), obra lançada em Londres em 2001, é, de certo modo, relatar, em muito boa prosa, parte considerável do ocorrido no século XX, pelo menos dos seus momentos mais interessantes. É a história, na ótica do establishment anglo-saxão, do apogeu e queda do império britânico que tanto Churchill, travando batalhas defensivas, tentou preservar, negando-se, inutilmente diga-se, a aceitar o papel de ser “o coveiro do império”.

Fonte: educaterra.terra.com.br

Winston Churchill

Winston Leonard Spencer Churchill nasceu em 30 de novembro de 1874 no Palácio de Blenheim, em Oxfordshire.

Seu pai era um político conservador proeminente, Lord Randolph Churchill. Churchill participou do Real Colégio Militar, Sandhurst, antes de embarcar em uma carreira militar. Ele viu a ação na Fronteira Noroeste da Índia e no Sudão. Enquanto trabalhava como jornalista durante a Guerra dos Bôeres, ele foi capturado e feito prisioneiro de guerra antes de fugir.

Em 1900, Churchill tornou-se membro conservador do parlamento para Oldham. Mas ele tornou-se descontente com seu partido e em 1904 ingressou no Partido Liberal. Quando os liberais ganharam a eleição de 1905, Churchill estava no Escritório Colonial nomeado subsecretário.

Em 1908 ele entrou para o gabinete de presidente da Junta Comercial, tornando-se ministro do Interior em 1910. No ano seguinte, ele se tornou o primeiro lorde do Almirantado. Ficou no cargo nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial, mas após o Dardanelos desastrosa expedição, para o qual ele foi acusado, renunciou. Ele se juntou ao exército, servindo por um tempo na Frente Ocidental. Em 1917, ele estava de volta no governo como ministro das munições. De 1919 a 1921, ele foi secretário de estado para a guerra e do ar, e 1924-1929 foi ministro das Finanças.

A próxima década eram seus 'anos selvagens ", em que sua oposição ao auto-governo indiano e seu apoio para Edward VIII durante a" Crise de Abdicação "tornou-o impopular, enquanto seus avisos sobre a ascensão da Alemanha nazista e da necessidade de rearmamento britânico foram ignorados. Quando a guerra eclodiu em 1939, Churchill se tornou primeiro lorde do Almirantado. Em maio de 1940, Neville Chamberlain renunciou ao cargo de primeiro-ministro e Churchill tomou o seu lugar. Sua recusa em render-se a Alemanha nazista inspirou o país. Ele trabalhou incansavelmente durante toda a guerra, a construção de relações fortes com o presidente dos EUA Roosevelt, mantendo uma aliança, às vezes difícil, com a União Soviética.

Churchill perdeu o poder em 1945 a eleição pós-guerra, mas manteve-se líder da oposição, expressando receios sobre a Guerra Fria (que popularizou o termo "Cortina de Ferro") e incentivar a unidade europeia e transatlântica. Em 1951, tornou-se primeiro-ministro novamente. Demitiu-se em 1955, mas manteve-se uma MP até pouco antes de sua morte. Bem como suas muitas conquistas políticas, ele deixou um legado de um número impressionante de publicações e em 1953 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.

Churchill morreu em 24 de Janeiro de 1965 e foi dado um funeral de Estado.

Fonte: www.bbc.co.uk

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