O xilema é o tecido de transporte de água e sais minerais através do corpo das plantas. Trata-se de um tecido complexo, com origem no procâmbio ou no câmbio vascular, conforme se trate de xilema primário ou secundário.
Nas traqueófitas não angiospérmicas, o xilema apenas apresenta um tipo de célula transportadora (traqueídos), sendo um tecido menos eficiente. O surgimento do xilema com elementos dos vasos foi um dos passos fundamentais para a explosão das angiospérmicas.
Podem ser reconhecidos 4 tipos de células no xilema de uma angiospérmica:
Células relativamente longas e estreitas, com parede secundária lenhificada, o que as torna células mortas. As suas extremidades transversais são estreitas e cobertas por uma fina membrana, enquanto as paredes laterais são espessas e apresentam mumerosas pontuações ou poros, locais onde não existe parede secundária, permitindo a passagem de substâncias. Estas células alinham-se topo a topo, de modo a facilitar o movimento de água no seu interior

Células mais curtas e largas que os traqueídos, apresentam aElemento do vaso do xilema de angiospérmica mesma parede secundária lenhificada. Neste caso, as paredes transversais desaparecem, ficando as células, alinhadas topo a topo, a formar um tubo.
Pontuações aureoladas na parede lateral de células elementos dos vasos laterais apresentam pontuações, simples ou aureoladas.
Este tipo de célula é muito mais eficiente na deslocação de água, mas menos eficiente como estrutura de suporte.
Pode apresentar, ainda, um importante problema: está muito mais sujeito á formação de bolhas de ar, que podem bloquear a passagem de água para as zonas superiores da planta.
Nos traqueídos tal não acontecia, não só porque o diâmetro celular era menor mas também pela presença de membranas transversais, que impedem a passagem das bolhas de ar

Surgem como resultado da pouco capacidade de suporte dos elementos dos vasos. São fibras de esclerênquima que intermeiam as células transportadoras do xilema
Células com função de reserva e controlo do movimento de soluções no tecido vascular
Fonte: curlygirl.naturlink.pt
TRANSPORTE NO XILEMA
O xilema forma um sistema contínuo que, partindo do centro da raiz, atravessa o caule e atinge as folhas, estejam estas a centímetros ou a muitos metros do solo (Fig. 1 A). Há duas teorias para explicar o mecanismo pelo qual a água ascende num vegetal.
São elas: COESÃO - TENSÃO e PRESSÃO RADICULAR.

Figura 1A. Fluxo da água no sistema solo-planta-atmosfera. (Redesenhada
de Devlin, 1976)
De acordo com a Teoria da Coesão-Tensão, a força propulsora para a ascenção da água pelo xilema está exatamente na perda de água pelas folhas ou, simplesmente, transpiração.
A transpiração consiste na perda de água pela planta, sob a forma de vapor dágua, que se dá principalmente pelas folhas (Fig. 1 B)

Figura 1B. A difusão do vapor dágua na folha. (Redesenhada de
Taiz & Zeiger, 1991.
Apesar da grande importância da água para a planta, aproximadamente 98% da quantidade absorvida é perdida durante a transpiração. A eficiência da planta está em utilizar mínimos 1 a 2% para a sua dinâmica metabólica.
A taxa de transpiração depende de fatores relacionados à própria planta e de fatores ambientais, como umidade relativa do ar, temperatura, disponibilidade de água no solo, vento e luz solar. Existe uma relação inversa entre a umidade relativa do ar e a velocidade de difusão do vapor dágua, de modo que quando o ambiente encontra-se úmido reduz-se a taxa de transpiração. Já um aumento de temperatura tende a elevar a taxa de transpiração.
Assim também age um vento leve ou brisa, ao retirar o vapor dágua da superfície da folha, acelerando a evaporação. A luz solar atua aumentando a temperatura da folha, como também estimulando a abertura do estômato (Fig. 2).

Figura 2
Vista frontal da epiderme abaxial da folha de Byrsonima sericea ocorrente no Parque de Pituaçu, Salvador - BA, evidenciando os estômatos (A) com as células guardas (1) e região de abertura (2).
Dentre os fatores da planta que controlam a transpiração, o mais importante é o movimento estomático de abertura e fechamento.
A transpiração ocorre preferencialmente pelos estômatos, presentes em maior quantidade nas folhas (transpiração estomática). Também através da cutícula, camada lipídica, que recobre as células epidérmicas (transpiração cuticular) ou em menor proporção pelas lenticelas dos caules (transpiração lenticelar). Os estômatos são responsáveis por 95 - 97% da água transpirada, enquanto a participação da cutícula fica, em torno, de 5%.
Ainda que os estômatos predominem nas folhas, também podem existir em caules jovens, flores e alguns frutos. Quando nas folhas podem ocorrer em uma das faces (abaxial ou adaxial) ou em ambas.
Os estômatos são formados por duas células especiais denominadas células guardas ou oclusivas, que apresentam paredes diferentemente espessadas. Por conta disso, a capacidade de distenção ou de aumentar o volume das mesmas é bem maior do que a das outras células. E assim com a entrada de água e conseqüente distenção, essas células se afastam, criando um orifício ou poro, por onde se difunde o vapor dágua. Com a saída de água, as células-guarda reduzem o seu tamanho, se aproximam e desaparece o ostíolo e o estômato se fecha (Fig. 2).
Vários fatores como água, luz, CO2 e temperatura influenciam o mecanismo estomático de abertura e fechamento. Normalmente, quando o solo está bem suprido de água, os estômatos se abrem ao amanhecer, podem fechar temporariamente nas proximidades de meio-dia e se abrem de novo, à tarde. É certo porém que para a maioria das plantas, bem antes do por-do-sol, os estômatos já se acham parcialmente fechados.
O fator que leva à abertura do estômato é a entrada de água na célula-guarda, ou o seu turgor. Uma das características dessas células é a capacidade de acumular íons k+ . A tal fato tem-se atribuído, recentemente, a redução do y de água dessas células, imprescindível ao movimento, levando a abertura do estômato.
A passagem de K+ para o interior da célula-guarda se dá por absorção ativa. A energia necessária para esse transporte vem da hidrólise do amido em acúcar.
As células-guardas também acumulam amido que é então degradado a um composto, chamado PEP (Fosfoenolpiruvato), pela glicólise. O PEP então se combina com o CO2 que penetrou pelo estômato, resultando em ácido oxalo-acético que se reduz a ácido málico. É desse ácido que são liberados os prótons H+. Com gasto de ATP, esses prótons são expulsos do interior da célula-guarda em troca de íons K+, que se acumulam. Esse acúmulo de K+ leva à redução do y de água da célula e a um subseqüente movimento de água das células vizinhas para as células-guarda, que se incham , distendendo-se e ao se afastarem uma da outra permitem a abertura do estômato.
Há alguns anos atrás pensava-se que a redução do y das células-guarda era causada pela presença de glicose, produto da hidrólise do amido e que o CO2 presente no interior do estômato, era fixado pela fotossíntese realizada pelos cloroplastos das células-guarda. Hoje sabe-se que esses cloroplastos não convertem CO2 em açúcar.
Numa situação inversa, quando a água transpirada pela planta supera aquela absorvida, os estômatos se fecham, para proteger o vegetal contra a desidratação.
O fechamento do estômato ocorre porque as células-guarda perdem água para as vizinhas, numa condição oposta a da abertura. Ao perderem água, reduzem os seus volumes e em conseqüência disso, desaparece o ostíolo, e o vapor dágua não passa.
E agora podemos voltar a falar sobre a condução da água no xilema, pois ao perderem água por transpiração, as células das folhas reduzem os valores do seu potencial de água. Essa redução de y de água cria uma pressão negativa ou tensão, que se propaga ao longo da coluna do xilema. Quando as células foliares retiram água do xilema do caule, esse retira das raízes que retiram do solo. Forma-se, com isso, uma coluna líquida da raiz a folha, que ascende puxada de cima para baixo, uma sucção causada pela transpiração.
Opera também no xilema um outro mecanismo, bem diferente do mencionado acima, e que permite a ascenção da coluna de água a pequenas alturas. A sua causa está numa pressão desenvolvida pelas raízes, daí a denominação Pressão de raiz ou Pressão radicular. A magnitude (0,1 Q a a 3 MPa) da pressão gerada não é suficiente para ascender a água em vegetais de grande porte, por isso a sua ação se restringe a espécies herbáceas.
A pressão de raiz desenvolve-se quando a transpiração é baixa ou ausente, o que faz acumular soluto no xilema, reduzindo o seu potencial de água (y de água) e causando o movimento da água a partir da raiz.
Um fenômeno comum da pressão de raiz é a GUTAÇÃO, através do qual o excesso de água é eliminado pelos hidatódios (estruturas similares aos estômatos) sob a forma líquida. Esse fenômeno é mais freqüente à noite, quando a umidade é alta, o solo está bem suprido de água e a transpiração está suspensa.
Corresponde a gotículas de água que surgem nas margens das folhas de espécies herbáceas.
Hermínia Maria Bastos Freitas
Fonte: www.qualibio.ufba.br