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Coral Sol

 O coral-sol (Tubastraea spp.) é um invasor marinho que está ameaçando a biodiversidade da zona costeira brasileira.

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Foi introduzido no Brasil no final da década de 80, através de plataformas de petróleo/gás e invadiu costões rochosos ao longo de 900 km do litoral.

Coral Sol
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No laboratório do Instituto de biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), os pesquisadores confirmaram o que mais temiam: o coral invasor chegou à Baía de Todos os Santos. Biólogos e oceanólogos estão avaliando o tamanho do problema.

A espécie invasora conhecida como coral sol se espalha, sufoca e mata rapidamente. Em uma área próxima a Ilha de Itaparica ele ocupou todos os espaços de um recife. As colônias nativas que ainda não foram atingidas estão ameaçadas. O invasor é uma espécie asiática, veio das águas do Índico e do Pacífico. Entrou no Brasil pelo Rio de Janeiro, mas já chegou a Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo e por último a Baía de Todos os Santos.

A grande ameaça agora, segundo os pesquisadores é a migração do coral sol para o extremo sul da Bahia. Se isso acontecer ele irá alterar uma das regiões mais ricas do oceano atlântico, que fica na região dos Abrolhos, onde fica localizada no 1º Parque Marinho do Brasil concentra corais raros e o maior banco de recife do sul do atlântico. Oito espécies são exclusivas da área.

O biólogo José Amorim confirma que a corrente marítima pode levar a espécie invasora para a região de Abrolhos. “Sem dúvida é uma via de acesso”, diz.

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Onde o coral sol se instala a vida marinha praticamente desaparece. Ele cresce três vezes mais rápido do que os nativos e nem precisa de parceiro para procriar, conseguindo se reproduzir até quando é arrancado do mar.

“Essa é uma estratégia reprodutiva que ele tem de se reproduzir no ambiente”, explicou o biólogo Ricardo Miranda.

Arrancar as colônias invasoras até o momento é a única alternativa. Para os técnicos da Pro – mar, instituição que se dedica a cuidar da Baía de Todos os Santos, os pescadores podem ajudar nessa missão.

“Os pescadores precisam ser treinados, qualificados. Ter acesso à tecnologia que permite ele fazer a retirada do organismo invasor sem criar maiores problemas ao meio ambiente”, explicou o diretor da Pro-mar, Zé Pescador.

Até a produção pesqueira pode ser afetada pelo invasor. Sessenta e cinco por cento das espécies de peixes da costa brasileira se alimentam nos recifes construídos pelos corais nativos.

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Fonte: www.biologia.seed.pr.gov.br

Coral Sol

O coral-sol é um invasor marinho que está ameaçando a biodiversidade da zona costeira brasileira.

O coral-sol (Tubastraea spp.) foi introduzido no Brasil no final da década de 80, através de plataformas de petróleo/gás e invadiu costões rochosos ao longo de 900 km do litoral.

O Projeto Coral-Sol propõem controlar o coral-sol, visando erradicá-lo em 20 anos, agregando valor a sua extração e contribuindo para o desenvolvimento sustentável de comunidades litorâneas.

O Instituto Biodiversidade Marinha selecionou o Projeto Coral-Sol para apoio institucional em 2005. O projeto ainda tem como parceiros a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o Comitê de Defesa da Ilha Grande, a Associação Civil Universidade Solidária / Banco Real, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro.

A região da Baía da Ilha Grande abriga os territórios de três municípios, Parati, Angra dos Reis e Mangaratiba.

O levantamento do IBGE realizado em 2005 registrou 203.000 habitantes na região. Em virtude da beleza paisagística da região, sua principal vocação natural concentra-se no turismo e lazer náutico.

A bioinvasão pelo coral-sol está afetando diretamente seis municípios fluminenses (Arraial do Cabo, Armação dos Búzios, Rio de Janeiro, Mangaratiba, Angra dos Reis e Parati), cuja população humana é de 6,3 milhões. Além disso, toda a costa brasileira está ameaçada devido ao potencial de expansão do coral invasor.

Apesar do coral-sol ainda não ter atingido os recifes de coral brasileiros, esta possibilidade é alarmante porque os recifes de coral do Brasil são especialmente vulneráveis, tendo em vista que são fonte de alimento e renda para milhares de pessoas e que tem baixa riqueza, porém alto endemismo de corais nativos.

Tendo em vista que o coral-sol é bem estabelecido e mais abundante na região da Baía da Ilha Grande (na Ilha Grande, litoral e em ilhas ao redor), é proposto o controle destes invasores através de agregação de valor à exploração racional deste recurso vivo como “souvenir” (lembrança) primeiramente nesta localidade. O coral-sol é encontrado a venda esporadicamente em alguns locais das regiões alvo. Atualmente, devido a uma demanda pela utilização como peças decorativas, existe um mercado nacional e internacional de esqueletos dos corais. Esta demanda é suprimida pela coleta e comercialização ilegal de espécies nativas e, muitas vezes, endêmicas, no país.

O público alvo do projeto são as comunidades litorâneas tradicionais da Ilha Grande, RJ, que incluem os caiçaras, e cuja vocação é o extrativismo de recursos do mar aliado ao artesanato produzido com materiais locais. Como os recursos pesqueiros estão em declínio, há uma demanda de inserção de propostas como o Projeto Coral-Sol na região, que contribuirá para a fixação e desenvolvimento sustentável destas comunidades através da oferta de fonte alternativa de renda.

Na Ilha Grande 21% de população tem renda de apenas até um salário mínimo. Como a comunidade tem vocação para o extrativismo do mar e necessidade de renda alternativa, há grande potencial na comunidade que justifica o continuado desenvolvimento desta proposta.

Estão sendo capacitadas para catar e preparar os corais para venda como artesanato, 40 famílias das comunidades litorâneas da Ilha Grande, gerando renda alternativa, combatendo a expansão dos corais invasores e substituindo o comércio ilegal de corais nativos. Estima-se que, inicialmente, será gerada uma renda familiar suplementar mensal mínima de R$240,00. Conforme os catadores atinjam sua independência produtiva gerando sua própria renda, é prevista a transferência do ônus de custo de produção (coleta e processamento do coral) cabendo ao Projeto receber a produção e inserir um selo-verde de qualidade.

Isso é altamente desejável para efetivamente transferir a responsabilidade do manejo do recurso ao coletivo, assim gerando responsabilidade social.

O Projeto representa, no Brasil, a primeira iniciativa auto-sustentável de erradicação de organismos exóticos marinhos e o mecanismo de controle e erradicação do coral-sol, que agrega valor a sua extração, contribuirá para o desenvolvimento sustentável das comunidades litorâneas, especialmente na área de influência direta do projeto.

Fonte: www.biodiversidademarinha.org.br

Coral Sol

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A equipe da Reserva Biológica (Rebio) Marinha do Arvoredo, em conjunto com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Projeto Coral Sol, realizaram nos dias 16 e 17 de fevereiro, operação para o manejo do coral-sol (Tubastraea coccinea), espécie exótica e invasora recentemente encontrada no entorno da unidade de conservação (UC) localizada no litoral de Santa Catarina. A ação teve como objetivo investigar a extensão e as características das colônias no local encontrado, e, se possível, proceder com a remoção.

É a primeira vez que o coral-sol é observado em costão rochoso no sul do Brasil. A espécie foi encontrada no início de janeiro, no costão oeste da Ilha do Arvoredo durante uma operação de mergulho recreativo organizada pela Bertuol Escola de Mergulho, em Bombinhas. A identificação da espécie foi confirmada na UFSC pelo Dr. Alberto Lindner e sua aluna de mestrado Kátia Capel, membros da equipe do projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina.

O Protocolo DAFOR que já vem sendo utilizado pela equipe do Projeto Coral Sol, foi realizado em todo costão oeste da Ilha do Arvoredo, para identificação e quantificação dos organismos. Os resultados mostraram que a colonização pela espécie invasora estava ocorrendo em dois locais próximos, em porções negativas de pedras, em torno de 3m de profundidade, sendo enquadrada nas categorias frequente e ocasional. Todos os organismos encontrados foram removidos com auxílio de espátula e marreta, ensacados e imediatamente levados para superfície.

Para tentar evitar o estabelecimento da espécie na área da UC e seu entorno, um projeto de monitoramento está em fase de elaboração. O projeto vai contar com o apoio do Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Sudeste e Sul (CEPSUL), que disponibilizará a embarcação NPq Soloncy Moura, viabilizando um tempo maior de permanência da equipe no mar.

A espécie

Originário da região do oceano Indo-Pacífico, o coral-sol Tubastraea coccinea foi observado na década de 50, no Caribe. Na década de 80 chegou a plataformas de petróleo na Bacia de Campos, na costa norte do estado do Rio de Janeiro. Atualmente cobre grandes extensões de costão na Ilha Grande (RJ) e da Ilhabela (SP).

A espécie é considerada exótica e invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Sua presença pode interferir na dinâmica do bentos, impactando populações de organismos que vivem no substrato marinho, como esponjas e algas e, principalmente, competindo diretamente com corais nativos, como é o caso do coral-cérebro (Mussimilia hispida), no Rio de Janeiro. Em casos extremos pode também interferir na macrofauna e gerar impactos na cadeia alimentar de alguns peixes.

Sobre o Protocolo DAFOR

O Protocolo DAFOR consiste na aplicação da escala DAFOR (Dominante, Abundante, Frequente, Ocasional e Raro), para cada espécie de Tubastraea, em cinco mergulhos de apnéia de um  minuto cada, paralelo ao costão.

São consideradas:

Dominante: Populações de coral-sol extremamente evidentes. Formação de numerosas manchas, em pelo menos uma faixa de profundidade, compostas exclusivamente de coral-sol, chegando a ocupar áreas de =1m2;
Abundante:
Freqüentes agrupamentos de coral-sol ocupando exclusivamente o substrato em manchas de 50-100 cm;
Frequente:
Colônias encontradas constantemente durante o mergulho, isoladamente ou em pequenos agrupamentos, com ocasionais agrupamentos de até 10-50 cm de diâmetro;
Ocasional:
Menos que 10 indivíduos ou pequenos grupos e mais que 5 indivíduos encontrados em 1 minuto;
Raro:
Entre 1 e 5 indivíduos encontrados durante o mergulho de 1 minuto;
Ausente:
A espécie não foi vista durante o mergulho de 1 minuto de duração.

Fonte: www.icmbio.gov.br

Coral Sol

Coral Sol
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O que é

O Coral Sol  (Tubastraea sp.) é um animal que forma colônias coloridas parecendo um jardim bem cultivado em nosso mar.

Ele tem origem no Oceano Pacífico talvez no  Índico também, é trazido por navios. Não necessitamos de formação específica para entender sua capacidade de destruição na nossa biodiversidade marinha, basta mergulhar, como nós fazemos, e acompanhar a rapidez com que é dominante.

Nossa baía está tomada por ele e acredito pela sua rapidez invasora que será um trabalho árduo para combatê-lo, talvez inglório. Mas, só alcança quem tenta.

O Projeto Coral Sol, desenvolvido por iniciativa do Instituto de Biodiversidade Marinha e patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental, impõe ao Coral Sol uma luta sem trégua, na tentativa de erradicá-lo.

Fonte: oecoilhagrande.com.br

Coral Sol

Belo e assassino, coral-sol invade costões em Ilhabela

Coral Sol
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Aos olhos do mergulhador visitante, a beleza do coral-sol, com seus tentáculos amarelos que parecem iluminados, some antes mesmo da segunda sugada de ar no regulador.

Basta lembrar o que os cientistas haviam dito sobre o animal antes de a exploração submarina começar: “Vamos observar uma espécie invasora, que mata os corais que só vivem na costa do Brasil”.

Membros da ONG Terra e Mar -Gilberto Mourão foi quem encontrou o invasor em São Paulo- e pesquisadores do Centro de Biologia Marinha da USP estão desde janeiro convivendo com essa espécie assassina, que pela primeira vez é detectada no país fora do Estado do Rio de Janeiro.

Agora é oficial: os invasores estão migrando rumo ao sul.

O coral-sol não é o único estrangeiro em ação em águas nacionais. Levantamento inédito feito pela USP, que será divulgado em outubro, mostra a invasão de pelo menos outras 35 espécies marinhas.

Para ver o belo e assassino coral-sol, a reportagem da Folha, a bordo do barquinho Shark –com o professor aposentado da USP José Carlos de Freitas no comando–, mergulhou no litoral norte (o local exato é segredo para que curiosos não atrapalhem as pesquisas) na quinta-feira.

O inimigo estava lá, no costão rochoso, a profundidades que variam de 50 centímetros a 15 metros. O maior tapete coralino estava sob uma rocha grande, em uma zona que costuma ficar boa parte do tempo na sombra. Sem luz, os tentáculos dos pólipos (os indivíduos das colônias) ficam mais abertos.

O diagnóstico inicial confirma que, só em águas paulistas, essa espécie de coral originária do Indo-Pacífico ocorre em um triângulo de aproximadamente 25 mil metros quadrados.

No Rio, no canal de Ilha Grande, onde o coral é mais abundante, a invasão ocorre ao longo de 25 quilômetros.

Segundo Alberto Lindner, pesquisador do Cebimar e organizador da expedição, o coral-sol (gênero Tubastrea) é uma ameaça “porque ele mata o coral-cérebro” (Mussismilia hispida), uma das espécie que só existe no Brasil.

Registros dessa agressão, que ocorre porque o coral invasor cresce sobre o endêmico e promove a necrose dos indivíduos, foram feitos pela equipe de Joel Creed, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). O grupo estuda a invasão do coral-sol desde 2000.

Outro risco potencial que pode ocorrer, segundo os cientistas, é também altamente impactante para a biodiversidade marinha brasileira. O coral-sol, segundo Lindner, ao ocupar o seu espaço de forma agressiva –ele se reproduz entre 12 e 18 meses, o que é bem rápido para um coral– afugenta os invertebrados marinhos e peixes que já viviam naquele local. ‘Isso pode ter até conseqüências econômicas, dependendo dos animais que são deslocados’, disse o pesquisador da USP.

A chegada do coral-sol, primeiro ao litoral do Rio de Janeiro, provavelmente há quase 20 anos, e agora há menos tempo em São Paulo, não é fruto de uma distribuição aleatória causada pelas correntes marinhas. A culpa, aqui, é dos navios que carregam petróleo.

“É praticamente certo que o transporte desses corais [ao longo do Sudeste] ocorra tanto por plataformas quanto pelos cascos dos petroleiros, que trazem óleo da bacia de Campos para os terminais de Ilha Grande e para o Terminal Marítimo Almirante Barroso, em São Sebastião”, diz Linder.

Relatos científicos, também feitos pela Uerj, mostram que as plataformas “off-shore” da Bacia de Campos, no final dos anos 1980, foram os primeiros pontos de desembarque do coral-sol no Brasil. Essa espécie emigrou do Caribe, onde chegou desde o Oriente nos anos 1940, e se alastrou pela região.

Pela raiz

Migração confirmada, o levantamento científico que teve início no mês passado vai aumentar. Segundo Lindner, expedições serão feitas nas próximas semanas desde a região da ilha Anchieta (Ubatuba) até a Laje de Santos, ao sul.

Lindner defende a criação de uma estratégia de erradicação dos invasores tão logo o mapeamento esteja concluído, para evitar que o coral-sol continue a se espalhar pelo país. No Rio, a Uerj já se prepara para executar um plano radical de extermínio: com o apoio de pescadores de Ilha Grande, os pesquisadores tentarão raspar as colônias das rochas.

EDUARDO GERAQUE

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Coral Sol

O ATAQUE DOS CORAIS-SOL

Coral Sol
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A Ilha Grande é mesmo um lugar tentador. Já atraiu colonizadores, piratas, fazendeiros e, mais recentemente, turistas. E agora há invasores até debaixo d’água!

De carona na água de lastro dos navios cargueiros, vindos do Oceano Pacífico, seres minúsculos encontraram boas condições de sobrevivência na costa brasileira.

Chegaram, espalharam-se e se instalaram.

Os corais do gênero Tubastraea, conhecidos também como corais-sol ou corais-invasores, justificam os nomes populares.

De cor amarela ou laranja, brilham e chamam a atenção, além de ocupar cada vez mais espaço nos lugares que conseguem colonizar.

Um desses locais é o fundo do mar de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Não é de hoje que invasores se sentem à vontade por ali. Antes eram apenas os índios tupinambás.

Dominavam a ilha de Ipauguassu, que em tupi significa Ilha Grande. Mas logo os 193 quilômetros quadrados de Mata Atlântica, com 106 praias paradisíacas, foram descobertos pelos portugueses. E teve início o histórico de invasões e alterações da natureza. Os índios e muitas espécies vegetais e animais perderam as terras, o lar, as vidas.

Vieram então os piratas ingleses e espanhóis, que encontraram águas calmas e bons esconderijos, locais perfeitos para tocaia e ataque.

Saqueavam as embarcações de transporte de riquezas para a Europa. E foram sucedidos por milhares de escravos. Oito mil chegaram a trabalhar simultaneamente nas lavouras da ilha. A vegetação nativa perdeu espaço para as grandes plantações de cana-de-açúcar e café.

No século passado, enquanto a mata se regenerava e não mais existiam escravos, novos habitantes chegaram.

Presidiários mandados para duas cadeias: o lazareto e a colônia penal Cândido Mendes, desativada há apenas dez anos.

Aos poucos, apesar dos presídios, consolidou-se mais uma invasão: a dos turistas de todo o País e do exterior, atraídos, sobretudo, pelas belezas subaquáticas.

E a Ilha Grande logo se tornou um dos principais pontos de mergulho do Brasil. A vida submarina é diversa e não faltam animais para observar. Mas, nos últimos anos, os corais invasores chamam mais atenção do que muitas espécies nativas.

O primeiro registro do coral-sol na região foi em 1998 e de lá pra cá ele se espalhou rapidamente. O instrutor de mergulho Fernando Gouvêa trabalha na ilha há dez anos e se lembra de quando os primeiros foram vistos. “Surgiram aos poucos e rapidamente fomos encontrando pequenas colônias em vários pontos de mergulho”, conta. “São como pequenas flores e muito bonitos”.

Sem controle, as colônias ganham força e se espalham cada vez mais. Ainda não se sabe exatamente de que forma podem afetar os ecossistemas locais, mas especialistas temem esse crescimento desenfreado. O biólogo e mergulhador João Paulo Krajewski vê a chegada dos corais com preocupação. “É certo que os corais Tubastraea são, para os apaixonados por mergulho, um atrativo a mais. Só que eles ocupam o espaço de espécies nativas e é preciso estar atento a isso, embora, se não for impossível, já é muito difícil conseguir eliminar a presença total do gênero por aqui”.

Os corais encontraram na baía de Ilha Grande ambiente propício para se estabelecer e procriar, o que fazem rapidamente, de forma assexuada. As cavernas e encostas de águas rasas são os locais preferidos e as refeições estão garantidas em um ambiente rico em plâncton, seu principal alimento. Aliás, a disputa por comida é um dos fatores que atrapalham os ecossistemas locais. Segundo Joel Creed, biólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, “os corais-sol reduzem a quantidade de plâncton na água, e, portanto, disputam o alimento disponível com os organismos nativos. Além disso, tem a questão do espaço. Esses corais não pedem licença, simplesmente dominam o hábitat de outros animais”, afirma o pesquisador, que estuda os Tubastraea há cinco anos.

Resolver o problema não é tarefa simples. Na opinião de Creed é preciso envolver órgãos ligados aos governos estadual e federal. “É possível controlar a invasão, erradicar os corais em alguns locais e detectar novas introduções”, opina. E lembra que a implantação de programas para controle ou erradicação de espécies invasoras é um compromisso assumido pelos países participantes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), assinada pelo governo brasileiro em 1992 durante a Rio-92, no Rio de Janeiro. Além disso, desde 2004, existe um tratado internacional sobre o uso de água de lastro, regulando o transporte de espécies aquáticas em escala mundial, mas o documento ainda não entrou em vigor. O tratado estabelece que a troca de água de lastro dos navios deve ser realizada preferencialmente em alto mar, a 200 milhas da costa ou a 200 metros de profundidade, no mínimo. Seguir essas normas seria como implantar um sistema de ‘alfândega’, um controle em todas as zonas costeiras para entrada dessas espécies invasoras.

Alheios aos acordos diplomáticos, os corais de Ilha Grande tendem a se tornar um problema muito maior, causando sérios desequilíbrios em santuários ecológicos. O litoral brasileiro é extenso, e é grande a movimentação de navios cargueiros pelos portos do País, o que facilita o deslocamento dos seres marinhos.

“Existem recifes de coral importantíssimos no sul da Bahia, como Abrolhos, e no Nordeste de maneira geral, ambientes ainda mais propícios para o desenvolvimento das colônias do Tubastrea“, avisa Joel Creed.

O equilíbrio desses ecossistemas está em risco e as conseqüências podem ser ainda mais graves se medidas eficazes de controle e de erradicação não forem tomadas. O aviso está dado. Os invasores chegaram. E agora?

Fonte: www.premioreportagem.org.br

Coral Sol

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O coral-sol é uma espécie invasora, pois onde se fixa domina o ambiente

Uma equipe que inclui representantes da UFSC, UFRJ, UERJ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vai a campo quinta e sexta-feira (16 e 17/02) para documentar a extensão e as características de colônias de coral-sol em área próxima à Reserva Marinha Biológica do Arvoredo, litoral de Santa Catarina.

A espécie exótica e invasora foi encontrada no início de janeiro, durante uma operação organizada pela Bertuol Escola de Mergulho, localizada em Bombinhas. É a primeira vez que o coral-sol Tubastraea coccinea é observado em costão rochoso no Sul do Brasil. Em plataformas de petróleo já havia sido documentado.

“Foi durante uma operação de mergulho recreativo, na Ilha do Arvoredo, em uma profundidade de quatro metros”, conta a bióloga Cecília Pascelli, que se formou no Curso de Biologia da UFSC e agora faz seu mestrado na UFRJ, com estudos de campo na Reserva Marinha Biológica do Arvoredo.

Ainda que o foco de suas pesquisas agora sejam as esponjas marinhas, Cecília já conhecia a beleza e a ameaça do coral invasor, que chamou sua atenção. Em uma saída de campo seguinte uma amostra foi removida e a identificação confirmada na UFSC, pela equipe do projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina.

O grupo fez contato com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e também com o Projeto Coral-Sol, criado em 2005 pela UERJ e pelo Instituto de Biodiversidade Marinha com a proposta de controlar o coral exótico invasor atuando em pesquisas, monitoramentos e remoção no litoral brasileiro.

A volta ao local de ocorrência em Santa Catarina esta semana tem como objetivo investigar a distribuição e as características das colônias, como estão instaladas, entre outras características. De acordo com o professor Alberto Lindner, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o mapeamento ajudará a equipe a definir que ação pode ser adotada com a espécie que já invadiu diversas áreas do litoral do Rio de Janeiro e São Paulo. “O tamanho da colônia que recebemos para identificação nos indica que ela tem mais de um ano, portanto sobrevive no litoral de Santa Catarina tanto no inverno como no verão”, explica Lindner.

A equipe vai também aproveitar a ocorrência para divulgar informações sobre o coral-sol no Estado, especialmente entre operadoras de mergulho, para que a possibilidade de avistar o invasor seja multiplicada. “O mergulho recreativo é uma atividade, em minha opinião, de baixo impacto, e que pode ajudar no monitoramento dos ambientes. A grande ressalva é que no caso de encontrar o coral, as pessoas não devem coletar, pois partes fragmentadas podem levar à reprodução em outros locais. As pessoas devem somente comunicar o Projeto Coral-Sol”, alerta Lindner.

“A expedição dessa semana vai nos mostrar se é viável fazer a remoção, pois há pesquisas que indicam situações em que a localização de uma espécie considerada exótica e invasora já não permite mais o seu controle, do ponto de vista de custo de remoção”, explica o professor que trabalha com a professora Bárbara Segal Ramos, também do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, para iniciar um projeto de monitoramento do coral-sol em Santa Catarina.

Originário da região do oceano Indo-Pacífico, o coral-sol foi observado na década de 1950 no Caribe. Em 1990 chegou a plataformas de petróleo na Bacia de Campos, na costa norte do Rio de Janeiro, e depois a costões rochosos do Rio. Atualmente cobre grandes extensões de costão na Ilha Grande (RJ) e da Ilhabela (SP).

A espécie é considerada exótica e invasora, pois onde se fixa domina o ambiente. Sua presença pode interferir na dinâmica do bentos, que incluem esponjas e algas, entre outros organismos que vivem no substrato marinho. Em casos extremos pode também interferir na macrofauna e gerar impactos na cadeia alimentar de alguns peixes.

Fonte: divemag.org

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