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Alterações Climáticas Globais

 

 

Clima é o padrão médio de tempo a longo prazo. Clima da Terra já aqueceu e esfriou durante milhões de anos, desde muito antes de aparecer em cena. Não há dúvida de que o clima está cada vez mais quente atualmente, indícios de que as mudanças estão à nossa volta.

Embora a mudança climática não é nova, o estudo de como a atividade humana afeta o clima da Terra é. A exploração das mudanças climáticas abrange muitas áreas, incluindo a física, química, biologia, geologia, meteorologia, oceanografia, e até sociologia.

Os seres humanos são em grande parte responsáveis pela mudança climática recente

Ao longo do século passado, as atividades humanas têm lançado grandes quantidades de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera.

A maioria dos gases do efeito estufa vêm da queima de combustíveis fósseis para a produção de energia, embora o desmatamento, processos industriais, e algumas práticas agrícolas também emitem gases para a atmosfera.

Gases de efeito estufa agem como um cobertor em torno da Terra, prendendo a energia na atmosfera e fazendo com que ela aqueça. Este fenômeno é chamado de efeito estufa e é natural e necessário para sustentar a vida na Terra. No entanto, o acúmulo de gases de efeito estufa pode alterar o clima da Terra e resultam em efeitos perigosos para a saúde e bem-estar humano e ecossistemas.

As escolhas que fazemos hoje vai afetar a quantidade de gases de efeito estufa que colocamos na atmosfera em um futuro próximo e para os próximos anos.

A mudança climática afeta a todos

Nossas vidas estão ligadas ao clima. Sociedades humanas se adaptaram ao clima relativamente estável que tivemos desde a última era glacial, que terminou há milhares de anos. Um clima mais quente trará mudanças que podem afetar nossas fontes de água, agricultura, energia e sistemas de transporte, o ambiente natural, e até mesmo a nossa própria saúde e segurança.

Algumas mudanças no clima são inevitáveis. Dióxido de carbono pode permanecer na atmosfera durante quase um século, por isso a Terra vai continuar a aquecer nas próximas décadas. Quanto mais quente fica, maior o risco para alterações mais graves para o clima eo sistema da Terra. Embora seja difícil prever o impacto exato da mudança climática, o que está claro é que o clima que estamos acostumados já não é um guia confiável para o que esperar no futuro.

Podemos reduzir os riscos que irão enfrentar a partir de mudanças climáticas. Ao fazer escolhas que reduzam a poluição de gás de efeito estufa, e se preparar para as mudanças que já estão em andamento, podemos reduzir os riscos das mudanças climáticas. As nossas decisões de hoje irão moldar o mundo nossos filhos e netos vão viver dentro

Alterações Climáticas Globais

Fatos e alterações climáticas: respostas a perguntas frequentes

Qual é a evidência que prova que o clima está mudando?

A temperatura média global aumentou em mais de 1,4 ° F durante o último século.Na verdade, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a década 2000-2010 foi a mais quente já registrado, e 2010 foi amarrado com 2005 como o ano mais quente já registrado. O aumento das temperaturas globais também foram acompanhadas por outras mudanças no tempo e do clima. Muitos lugares têm passou por mudanças na precipitação, resultando em chuva mais intensa, assim como as ondas de calor mais frequentes e graves.

Oceanos e geleiras do planeta também sofreram mudanças: os oceanos estão aquecendo e tornando-se mais ácida, calotas polares estão derretendo, eo nível do mar está subindo. Todas essas mudanças são a prova de que o nosso mundo está ficando mais quente.

São as atividades humanas ou variações naturais no clima responsável pela mudança climática que está sendo observado hoje em dia?

A Terra faz passar por ciclos naturais de aquecimento e resfriamento, causado por fatores como mudanças na atividade solar ou vulcânica. Isso tem sido analisada de perto, e que o aquecimento temos visto nos últimos 50 anos não pode ser explicada por fatores naturais sozinho.Esta figura ilustra um pedaço de evidência que mostra que o aquecimento global recente é resultado, principalmente, das emissões de gases de efeito estufa atividades humanas.

A mudança climática mais influenciada pelas atividades humanas e gases de efeito estufa em excesso ou mudanças na energia do sol?

O Sol tem períodos naturais de aquecimento e resfriamento. Com os satélites, os cientistas mediram flutuações na energia do sol e descobriu que essas variações recentes foram pequenos em comparação com influências humanas nos últimos séculos, sem aumento na energia solar nos últimos 50 anos. Assim, as mudanças em a energia do sol não consegue explicar o aquecimento temos visto ao longo das últimas décadas. Em contraste, o aquecimento que estamos observando é consistente com as propriedades de aquecimento de dióxido de carbono e outros gases que aprisionam calor que estamos contribuindo para a atmosfera.

Como pode o dióxido de carbono nos machucar?

O dióxido de carbono é um ingrediente necessário para as plantas de realizar a fotossíntese, e um componente crítico da nossa atmosfera. No entanto, você pode ter muito de uma coisa boa. O excesso de dióxido de carbono, estamos contribuindo para a atmosfera aumenta as temperaturas globais, levando a mudanças climáticas que podem prejudicar as plantas, animais e seres humanos.

Como é possível uma mudança de um ou dois graus nas temperaturas médias globais têm um impacto sobre nossas vidas?

Mudando a temperatura média global até mesmo um ou dois graus pode levar a sérias conseqüências ao redor do globo.

Para quase todos os 2 º F do aquecimento, podemos esperar para ver:

5-15% de redução no rendimento das culturas como atualmente crescido

3-10% de aumento na quantidade de chuva que cai durante os eventos de precipitação mais pesadas, o que pode aumentar os riscos de inundação

5-10% diminui de vazão em algumas bacias hidrográficas, incluindo o Arkansas eo Rio Grande

200% -400% de aumento na área queimada por um incêndio em partes do oeste dos Estados Unidos

Temperaturas médias globais aumentaram mais de 1,4 graus Celsius nos últimos 100 anos. Muitos dos eventos extremos de precipitação e de calor que temos visto nos últimos anos são consistentes com o que seria de esperar dado essa quantidade de aquecimento. Os cientistas do projeto que a temperatura média da Terra subirá entre 2 e 12 graus centígrados até 2100.

Como é que o vapor de água na atmosfera contribui para o aquecimento global?

Maiores concentrações de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera causa Terra para aquecer. Temperaturas mais quentes aumentam a quantidade de vapor de água na atmosfera. Porque o vapor de água é um gás de efeito estufa que leva a ainda mais aquecimento. Desta forma, o vapor de água realmente aumenta o aquecimento causado pelo excesso de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa.

As emissões de dióxido de carbono das atividades humanas têm um grande impacto sobre o clima da Terra?

Plantas, oceanos e solos liberar e absorver grandes quantidades de dióxido de carbono como parte do ciclo natural do carbono da Terra. Essas emissões naturais e absorção de dióxido de carbono no saldo médio com o tempo. No entanto, o dióxido de carbono a partir de atividades humanas não é parte da presente equilíbrio natural. Medidas de núcleos de gelo revelam que os níveis de dióxido de carbono na atmosfera são maiores do que têm sido, pelo menos, 800 mil anos.

O aquecimento global, que tem sido observado nas últimas décadas foi causada por níveis elevados de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente devido às atividades humanas.

No passado, a Terra teria sido mais quente do que é hoje? Se assim for, isso significa que não devemos nos preocupar com o aquecimento global?

Houve momentos no passado distante, quando a Terra era mais quente do que é agora. No entanto, as sociedades humanas desenvolveram e prosperaram durante o clima relativamente estável que existe desde a última era glacial. Devido ao excesso de poluição por dióxido de carbono, o clima não é mais estável e em vez disso é projetado para mudar mais rápido do que em qualquer outro momento da história humana. Esta rápida mudança climática irá expor as pessoas a riscos graves. Elevação do nível do mar, aumentando as secas e incêndios florestais em algumas regiões e aumentando inundações em outras, mais ondas de calor e outros efeitos da mudança climática tudo representar riscos para a saúde humana, infra-estrutura fundamental para as nossas casas, estradas e cidades, e os ecossistemas que suportam nós.

É o buraco na camada de ozônio o responsável pela mudança climática que estamos vendo hoje?

O buraco de ozônio e as mudanças climáticas são, essencialmente, duas questões separadas. O "buraco de ozônio" refere-se à destruição de uma camada de moléculas de ozônio encontrados no alto da atmosfera da Terra. Quando saudável, esta camada de ozônio ajuda a proteger a Terra dos raios ultravioleta do sol.

A camada de ozônio tem se tornado mais fino por causa de produtos químicos chamados clorofluorcarbonos que eram usados ??em produtos que vão de latas de spray para mobiliário almofadas de espuma. A camada de ozônio mais fina permite que mais raios ultravioleta para chegar à Terra, aumentando o risco para os seres humanos de câncer de pele, catarata e outros impactos na saúde. Isso, no entanto, tem apenas efeitos mínimos sobre a mudança climática.

Fonte: www.epa.gov

Alterações Climáticas Globais

O clima, a biosfera e o ciclo do carbono

De acordo com Salati et al. (2001) a distribuição e estrutura básicas dos ecossistemas têm uma história antiga onde as variáveis abióticas se associam a variáveis bióticas para produzir o padrão natural de distribuição da biodiversidade. A composição da biosfera resulta de um longo processo co-evoluído entre a parte viva do planeta e seu suporte físico, sendo que, segundo Sigman e Boyle. (2000), o clima surge como a principal variável na distribuição da vegetação e o seu papel seja reconhecido desde o início do século XVII.

No século XIX o físico Arrhenius (1859 – 1927) demonstrou que o gás carbônico (CO2) possui a propriedade de capturar e armazenar calor. A concentração atmosférica dos gases de efeito estufa, dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), associados ao vapor de água, condicionam o balanço de energia planetária. Este efeito estufa natural atua como um cobertor térmico, impedindo o arrefecimento da terra. O aumento das concentrações antrópicas desses gases provoca o efeito estufa antrópico, objeto das preocupações ambientais mundiais.

Várias mudanças climáticas globais ocorreram ao longo da história evolutiva da Terra, induzindo novas organizações nos ecossistemas. As mudanças climáticas estão intimamente associadas ao ciclo do carbono. Atualmente, os gases de efeito estufa estão presentes na atmosfera aos maiores níveis registrados nos últimos 42.000 anos, de acordo com o IPCC (IPPC, 2006). Segundo Salati et al. (2001) e Nobre et al. (2001), vários estudos demonstram a relação entre o aquecimento atmosférico, as mudanças climáticas globais e seus efeitos na distribuição dos ecossistemas, conduzindo a profundas alterações na atual composição da biodiversidade. Este assunto já tinha sido anteriormente levantado por Malcon et al. (2000), em seu estudo sobre os ecossistemas e as mudanças globais doClima. Não restam dúvidas quanto ao aquecimento global causado pela acumulação de gases de efeito estufa provenientes de emissões antrópicas, nos últimos 150 anos. Os resultados aceites pelo IPCC no seu relatório sobre as bases cientificas do grupo de trabalho I (IPCC, 2001), desmentem qualquer afirmativa que as mudanças globais do clima seriam uma concepção teórica, de interesse acadêmico, superdimensionada por pressões políticas de grupos ambientalistas.

Este, conclui definitivamente que:

O aquecimento global é devido sobretudo às atividades humanas que aumentam a concentração de Gases de Efeito Estufa e de aerossóis na atmosfera

A composição química da atmosfera continuará se alterando, ao longo do século XXI, de forma acentuada, gerando efeitos persistentes por vários séculos, alterando a temperatura média do planeta (medidas obtidas na superfície terrestre e marítima) que, desde 1861 e ao longo do século XX, aumentou 0,6ºC

Os modelos climáticos estimam que a temperatura global irá aumentar de 1,4 a 5,8ºC neste século (até 2100), dependendo do esforço das nações para implementar políticas de mitigação de gases de efeito estufa

A década de 90 foi a mais quente do século XX, talvez do milênio, sendo o ano de 1988 o que apresentou o maior pico de temperaturas globais

A média do nível de todo o mar aumentou entre 0,1 a 0,2 m durante o século XX, com continuada tendência de aumento

Os glaciares, as calotas polares e a neve das montanhas continuam a derreter e diminuir suas áreas de cobertura.

Vários episódios relacionam as Mudanças Climáticas Globais com alterações na Biodiversidade. No Ártico, a temperatura subiu 5ºC nos últimos 100 anos e desde 1978 seus glaciares diminuem a uma taxa de 3% por década (WWF, 2002). Os modelos climáticos prevêem que, em 2080, não haverá mais gelo durante os meses de verão, levando à extinção os ursos polares por fome, de acordo com relatório do World Wildlife Fund (WWF, 2002). Ainda segundo este relatório, os glaciares alpinos perderam metade de seu volume desde 1850 e espécies características das baixas montanhas suíças migraram para alta montanha. Os estoques do salmão do Atlântico Norte serão destruídos quando a temperatura regional do oceano aumentar de 6ºC da média histórica. A diminuição no estoque de peixes levou à morte centenas de milhares de aves marinhas nas costas da Califórnia. O branqueamento dos recifes de corais, que ocasionam a sua morte, está ampliando a cada ano e os estudos mostram uma correlação entre o aumento da temperatura local dos oceanos e o branqueamento dos corais. (O'Neill e Oppenheimer, 2002).

Daszak et al. (2002), num estudo referente às doenças infecciosas dos anfíbios, indica que o declínio de populações de anfíbios por todo o globo surge como um dos mais dramáticos eventos de destruição maciça da fauna. Respostas da biologia destes animais relacionadas com a respiração cutânea e a fase aquática do seu ciclo reprodutivo, fazem dos anfíbios um bom indicador de mudanças climáticas. O pequeno sapo dourado (Bufo periglenes), exclusivo das montanhas da Costa Rica, foi declarado extinto (Daszak et AL, 2002). De fato, esta espécie reproduz-se somente numa janela climática especifica, pelo que se constatou que 30.000 indivíduos não se reproduziram devido à ausência de poças ocasionada pela estação muito seca de 1987, e tendo sobrevivido somente 29 indivíduos. Desde 1991 nenhum indivíduo foi encontrado em estado selvagem.

O aumento das temperaturas do planeta previsto pelos cientistas para os próximos dois séculos representará uma ameaça para várias espécies (Nobre et al, 2003). As temperaturas previstas correspondem aproximadamente a outras fases características do efeito estufa, nas quais 95% das plantas e animais que povoavam o planeta foram extintos. Estudando a relação entre o clima e a diversidade da flora e da fauna ao longo de 520 milhões de anos, concluí-se que os cinco períodos da história do planeta, nos quais foram registrados os maiores níveis de extinção de espécies, estavam associados a mudanças climáticas. O aumento das temperaturas associado a quatro das extinções em massa, conhecidas através do estudo dos fósseis, corresponde aos níveis que se prevêem que a Terra deve alcançar nos próximos 100 ou 200 anos (Mayhew et al, 2008). A biodiversidade global é alta durante os períodos de arrefecimento do clima do planeta e muito baixa nas de temperaturas altas e com maior umidade. A maior extinção de espécies foi registrada há 251 milhões de anos, quando aproximadamente 95% de todas as espécies desapareceram. Segundo o mesmo estudo, os cálculos sobre o efeito que o aquecimento global pode ter na flora e na fauna indicam que entre 20% e 30% das espécies desaparecerão se as temperaturas subirem entre 1,5 e 2,5ºC. Este aumento de temperatura pode ocorrer até meados do presente século, e o ritmo de extinção das espécies aumentará com o aquecimento do planeta. Até ao final do século XXI, os cientistas prevêem que a temperatura média subirá até 6,4ºC, a não ser que os países diminuam as emissões de dióxido de carbono, consideradas um dos maiores responsáveis pela mudança climática (Mayhew et al, 2008) Os pesquisadores que analisaram os fósseis do planeta descobriram que variações de temperatura semelhantes foram observadas em todas as extinções pré- históricas em massa. Das cinco registradas, a mais recente é a do Cretáceo-Terciário, ocorrida há 65 milhões de anos, quando as temperaturas do planeta eram 4ºC superiores às atuais (Mayhew et al, (2008).

Acredita-se que um clima quente, provavelmente aliado ao impacto de um meteoro, teria contribuído para a extinção dos dinossauros (Mayehw, Jenkins e Benton, 2008).

Quatro das cinco extinções em massa foram causadas durante climas quentes e úmidos, enquanto só a primeira teve relação com temperaturas mais baixas: naquela época formaram-se vários glaciares e o nível do mar diminuiu. Segundo Mayehw (2008), o que ocorre atualmente com o clima esboça um futuro negro para muitas espécies, mas é possível que novas apareçam. Desta forma, as borboletas podem desenvolver músculos mais fortes que permitam bater as asas e alcançar lugares onde não tenham concorrentes, e talvez o processo torne estes insetos tão diferentes que seja preciso classificá-los como um novo grupo taxonômico.

Mercado de Carbono: Conceito, Formação e Funcionamento

O Protocolo de Quioto surgiu na COP3 (3.ª Conferência das Partes, Órgão Supremo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima - CQNUMC, ocorrida em Quioto, Japão, em 1997. Este Protocolo estabelece metas às Partes, que compõem os países industrializados da Convenção, para que as suas emissões totais de gases de efeito estufa sejam reduzidas em pelo menos 5% abaixo dos níveis de 1990. Essas metas são diferenciadas entre as Partes (países), de acordo com o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, adotado pela CQNUMC para o período de 2008 a 2012.

A partir de Quioto, ficou evidente que o mercado poderia ajudar no processo de redução dos Gases do Efeito Estufa (GEE) e que para se efetivar essa ideia seria necessária a criação de um mercado transacionável para essas reduções.

A fim de atingir os objetivos de redução da forma mais eficiente, do ponto de vista econômico de cada país, sem no entanto prejudicar o objetivo ambiental em questão, foram adotados três mecanismos de mercado, também chamados “mecanismos de flexibilização”, a saber: Comércio de Emissões (CE); Art. 17.º do Protocolo., Implementação Conjunta (IC); Art. 6.º do Protocolo; e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), Art. 12.º do Protocolo, sendo este último, o único aplicável para países em desenvolvimento. Estabeleceu-se, desde então, o mercado de carbono que prevê a criação de um valor financeiro para a redução de emissões de gases (pelo princípio, cada tonelada de gás carbônico que deixar de ser emitida ou que for removida da atmosfera por um país, poderá ser negociada no mercado mundial), semelhante a mecanismos já existentes na Europa e nos Estados Unidos para alguns gases poluidores (Rocha, 2005).

A criação de mecanismos de mercado que valorizam os recursos naturais teve seu início nos Estados Unidos, com a emenda de 1990 ao Clean Air Act de 1970.

Nesta emenda foram criadas cotas comercializáveis de poluição nas bacias aéreas regionais norte-americanas, diminuindo cerca de 40% a poluição de enxofre do ar entre 1991 e 1998.

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) fruto de uma proposta brasileira, está definido no Art. 12.º do Protocolo de Quioto, cujo objetivo é assistir às partes do Não Anexo-1 da Convenção (basicamente, países em desenvolvimento) mediante fornecimento de capital para financiamento de projetos que visem à redução de Gases do Efeito Estufa (GEE). Nessa modalidade, países desenvolvidos que não atinjam as metas de redução consentidas entre as partes, podem financiar projetos em países em desenvolvimento como forma de cumprir parte de seus compromissos. Assim, os países do Anexo-1 (países industrializados) podem utilizar as Reduções Certificadas de Emissão (RCE), ou créditos de carbono de projetos aprovados, como contribuição à conformidade com a parcela do compromisso que lhe compete.

Segundo o Relatório do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS, 2005) o Protocolo estimula os países a cooperarem entre si através de duas linhas de ação:

Reformar os setores de energia e transportes; promover o uso de fontes energéticas renováveis, eliminando ou reduzindo drasticamente a utilização de combustíveis fósseis; eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da Convenção; limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos

Proteger florestas; promover o resgate de emissões (sequestro de carbono) através de sumidouros e da estocagem dos gases de Efeito-Estufa retirados da atmosfera, injeção de CO2 em reservatórios geológicos ou atividades relacionadas ao uso da terra, como o aflorestamento e reflorestamento.

Essa segunda modalidade de MDL, o sequestro de carbono, normalmente envolve a ideia de conservação de estoques de carbono nos solos, florestas e outros tipos de coberto vegetal, onde ocorre um perigo iminente de perda dos ecossistemas; o fortalecimento de “sumidouros” de carbono, preservando áreas florestais e estabelecendo novas plantações florestais e sistemas agro florestais; e a recuperação de florestas degradadas, conservando a biodiversidade existente.

Os resultados do efeito do Sequestro de Carbono podem ser quantificados através da estimativa da biomassa da planta acima e abaixo do solo, e do cálculo de carbono estocado nos produtos madeireiros. É conhecido que as florestas tropicais úmidas são caracterizadas por uma alta taxa de produtividade primária, retendo um considerável estoque de carbono, principalmente na sua fase de crescimento, quando as árvores removem quantidades significativas de carbono da atmosfera, que é reduzido gradativamente a taxas quase insignificantes quando já formadas.

O Protocolo de Quioto foi ratificado pela Rússia em 05/11/2004. Desde 1997 esperava-se por isso, pois o protocolo só poderia entrar em vigor com a ratificação de um número de países que correspondesse a 55% das emissões das Partes incluídas no Anexo I.

Com a ratificação da Rússia, o Protocolo entrou em vigor no dia 16 de Fevereiro de 2005 (CIMGC, 2005).

O Brasil, que possui uma matriz energética considerada limpa (90% da energia elétrica é gerada por hidrelétricas), pode desenvolver projetos de MDL baseados no aumento do uso de fontes renováveis, em eficiência energética, na substituição dos combustíveis por outros com menor taxa de emissão de gases de efeito estufa, também considerados “mais limpos”. Durante as negociações do Protocolo de Quioto, o Brasil desempenhou um papel de destaque, liderando várias negociações importantes, sempre buscando em sua estratégia de negociação garantir a integridade ambiental do Protocolo e o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada. O país mostrou que deseja reduzir suas emissões, seja através do MDL, seja através de programas de combate ao desmatamento (Rocha, 2005). Foi registrado um saldo positivo para o país, particularmente para o setor empresarial, representando um marco para assegurar a posição de liderança internacional no promissor mercado de carbono, que entra em operação com excelentes perspectivas de gerar negócios sustentáveis. Estima-se que até 2012, quando termina a primeira fase de compromisso com metas de redução de emissões de GEE para os países desenvolvidos, previstas pelo Protocolo de Quioto, segundo Banco Mundial haverá um investimento na ordem de US$ 100 bilhões nos países em desenvolvimento. Foram destacadas também, ações e iniciativas do governo brasileiro, visando fomentar e apoiar os projetos MDL (CEBDS, 2005).

Os benefícios econômicos auferidos com os chamados Projetos de Carbono são extremamente necessários para o cumprimento de seus objetivos e o desenvolvimento dos países mais pobres, bem como para garantir o comprometimento de todas as Partes. Mas faz-se necessário também o cumprimento dos princípios declarados e o alcance de todos os objetivos definidos na Convenção e regulamentações subsequentes, em especial o Protocolo de Quioto.

Para que o Projeto MDL contribua para o desenvolvimento sustentável, deve atender diversos critérios, entre eles o envolvimento de todas as Partes Interessadas, critério obrigatório para aprovação do Projeto. No Brasil, as orientações são definidas pela Entidade Nacional Designada (END), representada pela Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMGC).

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo tem como objetivos: reduzir emissões de GEE; propiciar a transferência de tecnologia e contribuir para o desenvolvimento sustentável em países subdesenvolvidos. Entre seus princípios está a permissão para que países desenvolvidos invistam em projetos de “redução de emissão” em países subdesenvolvidos e utilizem os créditos para reduzir suas obrigações, que são os CERs (Redução de emissões certificadas). Esta prática acontece através de projetos de redução de emissão de GEE e de projetos de Sequestro de Carbono. Os critérios de elegibilidade envolvem a participação voluntária, a redução das emissões de GEE de forma adicional ao que ocorreria na ausência da atividade do projeto de MDL. É necessário que também proporcionem benefícios reais e mensuráveis - de longo prazo, relacionados com a mitigação da mudança do clima, que levem em consideração a opinião de todos os atores que venham a sofrer os impactos das atividades de projeto e atinjam os objetivos de desenvolvimento sustentável do país onde são implementados (CIMGC, 2005).

O Mercado Voluntário surgiu paralelo ao Protocolo de Quioto e outras iniciativas como o sistema europeu, trazendo como características diferenciais o fato de seus participantes geralmente não possuírem metas de redução. A decisão em participar do mercado se configura numa iniciativa voluntária. Sem regulamentação e com regras menos rigorosas que o Protocolo de Quioto, o mercado voluntário apresenta mais alternativas em termos de metodologias, com uma demanda promissora, um mercado competitivo, com possibilidade de conscientização ambiental e de neutralização de emissões, o chamado carbono neutro.

Dentre as premissas do carbono neutro está a redução de emissões para compensar corporações como um todo, produtos, serviços ou eventos. No Mercado Voluntário, os compradores procuram recursos locais ou em países em desenvolvimento, mais voltados para a comercialização, com fortes atributos sustentáveis e sociais e na maioria das vezes querendo projetos para que possam se desdobrar em outros negócios. Ajudar projetos pequenos é muito atraente para muitos no Mercado Voluntário, ajudando a atrair ações de desenvolvimento sustentável que antes não seriam viáveis. Trata-se de uma oportunidade para corporações e indivíduos contribuírem para o desenvolvimento sustentável.

No Mercado Voluntário, os indivíduos podem reduzir seus próprios impactos ambientais, usando menos energias renováveis. Esta é uma demanda que está crescendo exponencialmente com a atenção mundial para o aquecimento global e a aceitação de que a necessidade para ação com relação ao clima cresceu. O Mercado Voluntário atua em importantes segmentos, com maiores porcentagens de compradores no setor privado.

Carbono Social, Origem e conceito

Segundo Rezende e Merlin (2003), Carbono Social é o carbono absorvido/reduzido através de ações que viabilizem e melhorem as condições de vida das comunidades envolvidas nos projetos de redução de emissões/mudanças climáticas, visando a salvaguarda do bem-estar e da cidadania, sem degradar a base de recursos.

O conceito de Carbono Social surgiu da necessidade de garantir que os projetos de redução e mitigação de emissões dos gases causadores do efeito estufa pudessem realmente inserir não só as questões de desenvolvimento sustentável, como também garantir um meio transparente de se medir e dimensionar os ganhos sociais e a sustentabilidade das comunidades envolvidas nos projetos, bem como assegurar uma valorização dos serviços ambientais prestados pela comunidade.

O envolvimento da comunidade através da participação e dos benefícios é a única garantia de sucesso de um projeto de longo prazo.

Os projetos de sequestro de carbono e/ou de mudanças climáticas possuem um horizonte de longo prazo, variando entre sete (projetos não florestais) e 30 anos.(projetos florestais). Esse conceito foi construído inicialmente durante a experiência na implantação do primeiro projeto de sequestro de carbono do Brasil, que foi o Projeto de Sequestro de Carbono da Ilha do Bananal e do seu entorno (PSCIB), fases 1 e 2, sendo que a segunda fase envolveu todo um trabalho de articulação com as comunidades indígenas da Ilha do Bananal.

Hoje em dia, o conceito de Carbono Social está sendo utilizado como um standard do mercado voluntário em projetos de diferentes âmbitos, tais como a troca de combustíveis, a energia renovável, os aterros sanitários, entre outros. O conceito do Carbono Social foi desenvolvido diretamente com as comunidades na análise de seus problemas, proporcionando alternativas concretas associadas a projetos que envolvam desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas.

Outra característica deste conceito é que mantém ou aumenta as capacidades e os benefícios das comunidades, sem degradar a base de recursos sociais, ambientais, etc.

A abordagem do Carbono Social vem sendo monitorada, avaliada e aperfeiçoada nos últimos 10 anos. Durante esse período, uma série de projetos socioambientais e de geração de renda foram definidos e desenvolvidos junto com a comunidade, tentando se criar um padrão de participação/projeto/redução de emissões que pudesse ser passível de crédito dentro do MDL e que no mercado voluntário pudesse servir de referência para projetos futuros elegíveis, dentro de indicadores padrões definidos e aceitáveis internacionalmente.

Definidos os projetos, o mais difícil era encontrar uma metodologia capaz de garantir e monitorar as mudanças ocorridas em uma comunidade de forma transparente e participativa. Tentaram-se diversas metodologias, mas nenhuma era adequada aos objetivos pretendidos. Neste sentido, surgiu a metodologia do Carbono Social como uma ferramenta adequada para enfrentar esse desafio, pois é a forma de analisar a realidade e orientar iniciativas de desenvolvimento sustentável associadas às questões de mudança climática e os recursos necessários para o meio de vida sustentável, dos quais de destaca a biodiversidade. Outro fator importante é que esta metodologia assegura a participação da comunidade nos diferentes níveis e, ao mesmo tempo, proporciona a visualização das mudanças ao longo do tempo.

O conceito e a metodologia do Carbono Social usou como estrutura básica a abordagem do meio de vida sustentável (sustainable livelihood), segundo a qual "meio de vida sustentável é um sistema metodológico, que funciona como uma forma de pensar sobre objetivos, oportunidades e prioridades para o desenvolvimento, tendo como meta a eliminação da pobreza" (Ashley & Carney, 1999). Estando esta abordagem diretamente ligada aos conceitos de desenvolvimento e pobreza, pode ser usada no entendimento da complexa realidade dos menos favorecidos, especialmente por possuir um sistema conceitual holístico, que fornece uma estrutura de trabalho que auxilia a conjugação de qualquer ajuda externa com as prioridades do grupo indagado e atendido.

Foram incorporados junto à abordagem do meio de vida, dois novos desafios:

1) encontrar uma alternativa para associar benefícios sociais para as comunidades e serviços ambientais e

2) inserir o manejo de carbono através da conservação, substituição e sequestro, proporcionando uma visão holística do conceito do Carbono Social, através do fortalecimento de ações que promovam um meio de vida sustentável.

O primeiro projeto de sequestro de carbono implementado no Brasil, no entorno da Ilha do Bananal, no estado do Tocantins, gerou uma contribuição inesperada para o mercado de carbono mundial. O projeto criou uma ferramenta metodológica capaz de monitorar e avaliar os recursos necessários para sustentabilidade no longo e médio prazo; denominada de Carbono Social.

Como visto anteriormente, a influência das mudanças climáticas está fortemente relacionada com as alterações na biodiversidade (Mayhew et al 2008). Contudo, apesar de todos os estudos e resultados já obtidos , que mostram claramente estas relações, ainda há muitas incertezas, tais como as relativas ao acompanhamento destas mudanças de forma a manter a biodiversidade. Dentro de um cenário macro isto é extremamente difícil de demonstrar, considerando as diferentes variáveis e cenários existentes. Uma alternativa poderá ser acompanhar e monitorar a biodiversidade junto aos projetos de redução de emissões, que possam impactar a biodiversidade, através da metodologia do carbono social, e monitorar a dinâmica da biodiversidade local e a sua utilização a nível micro e pontual a nível de projeto. Esta abordagem pode assegurar a manutenção e auxiliar a preservação de espécies regionais durante o tempo de vida do projeto.

Nos últimos anos, o Carbono Social passou de uma metodologia de monitoramento de sustentabilidade para um standard do crescente mercado voluntario de créditos de carbono, reconhecido pela capacidade de agregar benefícios sociais e, ao mesmo tempo, monitorar e avaliar os recursos necessários para um meio de vida sustentável. A biodiversidade, apesar de não ter sido beneficiada por um mecanismo de mercado dentro das convenções, acaba por ser indiretamente beneficiada através da metodologia do carbono social e do mercado de credito, pois o recurso de biodiversidade monitora as mudanças e utilizações da biodiversidade local, sendo um interessante mecanismo de análise das dimensões locais.

Neste trio “Biodiversidade, Mercado de créditos de carbono e Metodologia do Carbono Social”, pode estar a oportunidade de transportar benefícios mensuráveis para o desenvolvimento sustentável de diferentes regiões, com forte enfoque no uso racional da biodiversidade e da sua preservação, levando-se em conta diferentes recursos necessários para o meio de vida sustentável.

Fonte: www.socialcarbon.org

Alterações Climáticas Globais

A alteração do clima é um problema ambiental que a humanidade tem de enfrentar neste milênio.

Terão as alterações climáticas causa humana?

Pela primeira vez na história da humanidade estamos a alterar o clima terrestre através da emissão dos chamados gases de efeito de estufa.

A principal causa destas emissões prende-se com a rápida intensificação da utilização dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e seus derivados, gás natural) desde o início da Revolução Industrial.

Alterações climáticas globais

A emissão de gases de efeito de estufa em grandes quantidades leva a um aumento da sua concentração atmosférica, o que conduz a um efeito de estufa adicional, com mais calor a ser retido pela atmosfera. Este efeito adicional leva a um incremento da temperatura do ar e a alterações no clima da Terra.

Alterações Climáticas Globais

A radiação (luz) solar entra livremente na atmosfera terrestre (setas amarelas do lado esquerdo da figura). Alguma dessa radiação direta é imediatamente refletida pelas nuvens, poeiras e superfícies refletoras (setas amarelas a meio da figura). A restante radiação é absorvida e aquece a Terra. Os gases de efeito de estufa reduzem significativamente a fuga das radiações para o espaço exterior (setas a vermelho na figura).

O que está a acontecendo com o clima?

Os registos de temperatura realizados numa rede de estações sobre todo o globo mostram que a temperatura média à superfície aumentou 0.6ºC nos últimos 100 anos.

Alterações observadas no clima da Terra

A década de 90 parece ter sido a mais quente desde 1860 e, neste período, o Hemisfério Norte registou o maior crescimento de temperatura dos últimos 1000 anos.

A temperatura média global na superfície dos continentes e dos oceanos aumentou 0.6°C. A temperatura aumentou mais sobre os continentes do que sobre os oceanos.

A diferença entre as temperaturas diurnas e nocturnas diminuiu porque as últimas cresceram mais rapidamente que as primeiras.

O número de dias quentes e vagas de calor aumentaram.

O número de dias de neve e de geada diminuíram.

A precipitação média no Hemisfério Norte aumentou 5–10% durante o século XX. No entanto, regiões como a Bacia do Mediterrâneo e a África Ocidental sofreram um decréscimo na precipitação.

O número de episódios de precipitação extrema nas latitudes médias e altas (latitudes altas significa que estamos próximos dos pólos) aumentou.

Algumas áreas na Ásia e em África experimentaram secas mais frequentes e intensas durante os meses de verão.

O nível médio do mar subiu 1–2 mm por ano durante o século XX.

Os glaciares fora das calotes polares têm recuado.

O Permafrost (solos permanentemente congelados) nas regiões polares e montanhosas tem derretido.

O que podemos fazer?

Queimar menos combustíveis fósseis.

Fazer mudanças no nosso estilo de vida

Utilizar energias alternativas que não sejam poluentes.

Reduzir as emissões de gases de efeito de estufa

Parar com a desflorestação.

Diminuir a quantidade de lixo que produzimos.

Fazer práticas agrícolas mais ecológicas.

Criar novas tecnologias de produção.

Fonte: www.quadroegiz.com

Alterações Climáticas Globais

Causas das alterações climáticas: Alterações climáticas são resultado de causas humanas

Até um pouco depois de meados do século XX, a natureza foi considerada como uma fonte inesgotável de vida e de recursos, totalmente controlável e manipulável pela Humanidade. Foi tomada como um simples fator de produção submetida aos desígnios da produção económica, assumindo uma dimensão utilitarista. As alterações climáticas a que vimos assistindo têm causas humanas, que põem em questão o modo de produção.

As alterações no clima são acontecimentos naturais que têm vindo a decorrer desde sempre. Contudo, durante o último século as alterações registadas têm sido mais pronunciadas do que em qualquer período registado até ao momento. Estas alterações são resultado de intensas intervenções humanas sobre o meio natural com repercussões no clima e que se refletem a uma escala regional e global.

A presença natural de gases de efeito de estufa (GEE) na atmosfera (menos de 1%), ao controlar os fluxos de energia na atmosfera através da retenção da radiação infravermelha irradiada a partir da superfície terrestre (o chamado efeito de estufa, que impede que parte desta se perca para o espaço), permite que a temperatura se mantenha nos níveis atuais. A inexistência destes gases faria com que a temperatura na terra fosse de -15ºC, ou seja, 30ºC abaixo do valor médio atual.

As atividades humanas têm modificado o balanço destes gases na atmosfera, através do aumento das emissões de GEE e de interferências na sua remoção natural (e.g. desflorestação). O aumento da sua concentração na atmosfera tem como consequência mais imediata o aumento da retenção das radiações e, consequentemente, o aumento de temperatura da terra.

A Revolução Industrial marca o início do aumento acelerado da emissão de GEE, sobretudo do CO2, para a atmosfera. A queima dos combustíveis fósseis (primeiro do carvão, depois do petróleo e agora a crescer do gás natural) é o principal responsável por este aumento. O consumo crescente de energia primária e de energia final por parte da economia mundial (estando ambos os crescimentos associados), bem como a produção artificial de novos GEE, levaram à situação insustentável em que nos encontramos hoje. Por outro lado, a intensa desflorestação mundial tem levado a que o importante sumidouro de carbono que é a floresta não tenha contribuído mais para aliviar o Planeta das intensas emissões de CO2 que se têm verificado.

EE Aumento da concentração desde 1750 Contribuição para o aquecimento global (%) Principais fontes de emissão
CO2

31%

60%

Uso de combustíveis fósseis, deflorestação e alteração dos usos do solo
CH4

151%

20%

Produção e consumo de energia (incluindo biomassa), atividades agrícolas, aterros sanitários e águas residuais
N2O

17%

6%

Uso de fertilizantes, produção de ácidos e queima de biomassa e combustíveis fósseis
Halogenados (HFC, PFC e SF6)

-

14%

Indústria, refrigeração, aerossóis, propulsores, espumas expandidas e solventes

Os primeiros gases identificados como responsáveis pelo aumento do efeito de estufa foram o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), e óxido nitroso (N2O), que são gases os quais ocorrem naturalmente na atmosfera. As atividades de produção e uso de combustíveis fósseis são responsáveis por 3/4 das emissões antropogénicas de CO2, 1/5 do CH4 e uma quantidade significativa de N2O.

Mais recentemente adicionaram-se outros GEE, os compostos halogenados (os HFC ou hidrofluorcarbonetos, os PFC ou perfluorcarbonetos perfluorados e o SF6 ou hexafluoreto de enxofre), gases de origem industrial, que vêm contribuindo para o agravamento desta situação. Refira-se a ironia de os HFCs e PFCs terem sido adoptados no Protocolo de Montreal (1990) como substâncias alternativas aos clorofluorcarbonetos (CFCs), por se ter comprovado a sua ação destrutiva sobre a camada de ozono. O SF6, o gás com maior potencial de aquecimento global que integra o Protocolo de Quioto, é muito usado nos sistemas de transmissão e distribuição de eletricidade.

Ao longo dos últimos séculos, as concentrações de GEE na atmosfera aumentaram significativamente: as concentrações de CO2 passaram de 280 para 360 ppmv (partes por milhão em volume), as de CH4 de 700 para 1720 ppbv (partes por bilião em volume), as de N2O de 275 para 310 ppbv.

O ozono (O3), presente tanto na estratosfera como na troposfera, é também considerado como um importante GEE. No entanto, o seu contributo para o efeito de estufa é difícil de estimar dadas as variações da sua distribuição espacial e temporal. A concentração de ozono troposférico é estimada ter subido 36% desde 1750 devido ao aumento das emissões de gases precursores de ozono associadas às atividades humanas.

Além disso, existem outros gases, como os óxidos de azoto (NOx), o dióxido de enxofre (SO2), os hidrocarbonetos (HC) e o monóxido de carbono (CO), que, não sendo GEE, influenciam os ciclos químicos na atmosfera com consequências positivas ou negativas no efeito de estufa.

Quem são os responsáveis?

Quando se coloca o problema das alterações climáticas, com toda a sua magnitude, o que aparece em causa é o velho problema, colocado agora em novos termos, da relação harmoniosa do ser humano com a natureza e das pessoas entre si no seio da sociedade, que são pressupostos do desenvolvimento sustentável. De novo se questionam a organização da sociedade, a propriedade dos meios (recursos e instrumentos concretos) e o modo de produção, no seu quadro ambiental concreto.

Com o surgimento das preocupações recentes da vulnerabilidade e finitude da natureza, e com a constatação de que a degradação ambiental resulta de se ter sistematicamente tomado o ambiente como uma preocupação económica secundária e de se terem sistematicamente tomado os recursos naturais meramente supletivos no processo produtivo, põe-se em cheque esta visão utilitarista e evidencia-se a contradição subjacente ao projeto de sociedade da abundância.

Confrontamo-nos hoje com um problema de limite de capacidade de regeneração do próprio planeta Terra, análogo ao de limite de recursos naturais não renováveis já encontrado noutras circunstância, mas com consequências bem mais graves.

Fonte: www.esquerda.net

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