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Globalização

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A globalização é a crescente interação das pessoas através do crescimento do fluxo internacional de dinheiro, idéias e cultura.

A globalização é principalmente um processo econômico de integração que também possui aspectos sociais e culturais. Envolve bens e serviços e os recursos econômicos do capital, tecnologia e dados.  Avanços nos meios de transporte (como a locomotiva a vapor, navio a vapor, motor a jato e contentores ) e em infra-estrutura de telecomunicações (incluindo o aumento do telégrafo e sua descendência moderna, a Internet e os telefones celulares ) foram fatores importantes na globalização, gerando uma maior interdependência das atividades econômicas e culturais.

Embora muitos estudiosos coloquem as origens da globalização nos tempos modernos , outros traçam sua história muito antes da Era Européia da Descoberta e viajam para o Novo Mundo , alguns até o terceiro milênio aC.  A globalização em larga escala começou na década de 1820. No final do século 19 e início do século 20, a conectividade das economias e culturas do mundo cresceu muito rapidamente. O termo globalização é recente, apenas estabelecendo seu significado atual na década de 1970.
Em 2000, o Fundo Monetário Internacional (FMI) identificou quatro aspectos básicos da globalização: comércio e transações, movimentos de capital e investimento, migração e movimentos de pessoas e disseminação de conhecimento. Além disso, os desafios ambientais, como o aquecimento global , a poluição do ar e da água nas fronteiras, e a sobrepesca do oceano estão ligados à globalização.  Os processos de globalização afetam e são afetados pelas empresas e pelo trabalho organização, economia, recursos sócio-culturais e ambiente natural. A literatura acadêmica geralmente subdivide a globalização em três grandes áreas: globalização econômica , globalização cultural e globalização política.

Globalização

Desafios da Orientação Profissional

Estamos vivendo um momento histórico, no qual predomina uma economia globalizada que tende a destruir fronteiras nacionais, embaralhando todos os sistemas comerciais, culturais e ideológicos.

Observamos um novo processo social onde predomina a incerteza decorrente da estruturação de sistemas mutantes que nos impossibilitam o apoio em experiências passadas e nas projeções futuras.

O desenvolvimento tecnológico desenfreado, particularmente no setor das comunicações e da informática, e as rápidas tranformações político-econômicas afetam profundamente as relações sociais e conseqüentemente o desenvolvimento psíquico do homem da pós-modernidade. Somos todos afetados pela extraordinária velocidade dessas mudanças. Estando os sistemas político, econômico, sociais e tecnológico em constante mutação, temos pouco espaço para criar mecanismos de defesa e adaptação para as futuras realidades.

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A territorialidade externa e interna já não são definidas através de membranas consistentes que permitem uma evolução progressiva.

Ela é realizada por uma convenção instável: a Nação e o lugar são circunstâncias, permanecendo o homem num “lugar sem lugar”.

Também os conceitos e padrões de tempo estão sofrendo transformações. As bolsas de valores de Tóquio ou de Nova York influenciam o mercado de todo o mundo. Com a rapidez do trânsito das informações, americanos, brasileiros, nicaragüenses, asiáticos podem estar investindo, ao mesmo tempo, em Miami, Londres, Tóquio ou Pequim. Aqui é dia, lá é noite. Aqui é hoje. Lá é ontem. Os viajantes conhecem bem como os fusos horários afetam os organismos humanos.

O campo da ciência e tecnologia não está vinculado aos Estados nacionais. As redes de pesquisa são transnacionais e tão complexas que seus funcionários e mesmo os membros dos quadros dirigentes das várias ramificações de uma grande corporação como a IBM, por exemplo, sabem o que está sendo projetado em seus laboratórios do Japão ou da Suiça. Seus equipamentos são desenhados na Suécia, financiados no Canadá, montados na Dinamarca e vendidos na Europa e América do Sul.

A inteligência não obedece a fronteiras nem a nacionalidades. Também rompem-se os limites territoriais do consumo, mudam-se as leis nacionais – lobbies das grandes companhias intensificaram-se nas câmaras legislativas de todos os países; escândalos de propinas e corrupção espalharam-se pelo mundo -, perde-se o modelo de ética e a competitividade, declina-se à capacidade de gerar empregos.

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globalização , como movimento de transformação social e de produção que promete a melhoria da qualidade de vida, pasteuriza os comportamentos e as aspirações humanas. O cidadão brasileiro comum, embora não tenha conhecimento dos movimentos da produção e dos mercados mundiais, já está consumindo “globalmente”. Come macarrão da Itália, bebe água da França, veste camisetas da China, vê noticiários fabricados nos Estados Unidos, anda com tênis da Indonésia e viaja com carros da Coréia.

Jameson(l996) , considera todos estes fenômenos: divisão internacional do trabalho, as transações bancárias, novas formas de interrelacionamento da mídia são considerados produtos de uma cultura pós-moderna, ou melhor, sintomas desta .

É necessário mapear a lógica desta cultura não apenas de forma descritiva, pois temos:

Teorias explicativas desde l960 quando se inicia um processo de canibalização de modelos econômicos anteriores.

Criação de novos espaços , através da capacidade de um ser humano expressa em sua cognição e percepção.

Transferência de ênfase do objeto para a representação , colocando a realidade e a concretude do objeto de forma secundária.

No Brasil, observamos as consequências da globalização da economia mundial:

Expansão de franquias

Contratação de filhos e netos de imigrantes para preencher a carência de mão de obra nos países mais avançados, como o Japão. A identidade cultural facilitaria o processo de adaptação na sociedade receptora, minimizando os conflitos decorrentes da mudança de cultura e de língua.

Busca de repatriação de descendentes de estrangeiros, permitindo a dupla nacionalidade.

Formação de rede de cooperativas.

A exaltação da globalização na pós-modernidade aglutinou um grande grupo de fenômenos até então independentes. O jogo político, social e econômico é semelhante ao do Lego, à montagem, desmontagem e remontagem de estruturas. O indivíduo, numa escala muito maior e mais complexa torna-se peça de uma corporação. Os novos patrões são anônimos. Podem ser um investidor americano, suiço ou japonês.

As fábricas são dirigidas por executivos, hoje estrelas louvadas pela sua eficiência em aumentar os lucros dos investidores, amanhã, esquecidos no anonimato.

As pequenas empresas usavam e usam mão-de-obra local, matéria-prima nacional e buscam investimentos em bancos nacionais.

O Estado ainda tem peso muito grande nas decisões internas: regula os preços das matérias-primas, oferece subsídios, realiza grandes obras de infra-estrutura, enfim, exerce políticas de proteção e intervenção econômica. Tudo isso está mudando. Fragilizado, os Estados nacionais tendem a ceder às pressões das grandes corporações transnacionais e às ameaças dos capitais flutuantes, que hoje investem no Brasil e Argentina, mas amanhã, num simples piscar de olhos, estarão na China ou no Cazaquistão. Estarão onde houver sinais de lucros vertiginosos.

Os grandes especialistas,através dos meios de comunicação, anunciam o fim de uma estrutura do emprego formal – de fato, por causa dos benefícios trabalhistas, torna-se inviável contratar um trabalhador e busca-se novas soluções para o contrato de trabalho. Com isso, mudam-se as relações capital-trabalho, onde as expectativas sociais e institucionais coincidiam e formavam uma relação linear e evolutiva, com possibilidade de elaboração de projetos pessoais e sociais.

Segundo Otávio Ianni, trata-se de uma drástica ruptura nos modos de ser, sentir, agir, pensar e fabular. A nova realidade abala as convicções e a visão do mundo.

Podemos dizer que estamos num momento de grande transformação no processo de fragmentação do trabalho, provocado pela revolução tecnológica. Um dos grandes tópicos da sociedade industrial estava no contraste entre trabalho artesanal e industrial. Neste, a tarefa era fragmentada e o indivíduo dificilmente se apropriava de sua produção.

Agora, estamos num outro momento muito interessante: a ciência descobre, a indústria põe em prática e o homem adapta. Isso nos coloca num cenário totalmente adverso e incerto, não estamos também certos de que queremos estar nesse processo. As pessoas propõem resgatar a relevância do ser humano que deve passar a ser construtor das diretrizes, evitando influências e aspectos não desejáveis. A racionalidade humana usada em seu limite pode estar imbuída de uma vasta loucura.

É necessário considerar que há uma mudança qualitativa, na qual se contemplam as rupturas e re-orientações. De certo modo, embora se possa pretender o lado funcional, na produção internacional diluem-se as polarizações e a competição. Há uma nova forma de competição que não se fixa no endo-grupo. Ela, a competição, acaba caracterizando-se em estar ou na situação – “you are in” ou “you are off”.

As pessoas buscam conscientizar-se de um novo sistema vivenciando uma ruptura do padrão econômico que vinha sustentando o sistema de troca. As teorias vinculadas aos fenômenos do “off” ou a teoria em torno do ócio e do trabalho têm que ser retomadas. O ócio considerado como doença, preguiça e má vontade deve ser revisto.

Nossas narrativas e estratégias para a orientação vocacional e escolha da profissão devem ser revistas frente a esta nova situação. Embora estejamos cientes destas mudanças e sejamos capazes de diagnosticar estes fenômenos na vida e no trabalho das pessoas,na prática a tendência é de aplicar e executar o que já tradicionalmente sabemos, pois predomina na ideologia que o manteve vinculado à sociedade através do trabalho.

O desemprego estrutural ressalta novas questões de identidade do homem no século XXI. Temos que buscar um novo discurso e estratégias de atuação, sair do modelo anterior e auto-referente. Nesta mudança de vinculo e de nova “cultura” a Orientação Profissional terá que ter um papel ativo. Os jovens que ainda não estão muito conscientes disto, correm o risco (já observado entre nós) de se sentirem exclídos e postos fora do sistema considerando-se vítimas, paralizados e perplexos, sentem-se desorientados e desvitalizados.

O campo da orientação se amplia e passa a:

Tratar de conscientizar-se deste novo modelo de relação indivíduo- trabalho atuando na transição do vinculo antigo para o novo e as suas conseqüências psíquica;

Pesquisar e ressaltar diferenças neste processo para o indivíduo que está em processo de escolha e aquele mais velho que já está no mercado e que tem que viver esta mudança;

Acompanhar fenômenos de migraçaõ cujo o único fator para a mudança é o trabalho;

Acompanhar a volta destes individuos e as conseqüências na sua reintrodução social;

Reflexão e elaboração de Modelos de orientação para novos vínculos e relação de trabalho;

Acompanhar a criação de cooperativas de trabalho.

O nosso trabalho tem que atuar diretamente nestes pontos, buscando uma atuação e estratégias novas que possam nos fornercer uma narrativa consistente. Uma nova narrtaiva que possa orientar o indivíduo em relação ao seu projeto futuro dentro desta nova realidade. O orientador profissional deverá ter a sagacidade de usar esse momento de incertezas como primeira pista ou diagnóstico para ampliar seu campo de atuação na trajetória do indivíduo. Hoje, pela fragmentação internacional do trabalho, a sociedade pode requerer a presença muito mais ativa do orientador profissional.

Esta mudança deve ser considerada uma mudança qualitativa na qual se contempla uma ruptura que força uma re-orientação.

Nossas necessidades básicas vitais serão as mesmas: alimentação, vestimento, habitação e lazer.

Saber distingüir o que é vital e não confundir as necessidades com os modos de satisfaÇão das demandas é importante. Saber distingüir a realidade da ficção poderá ser o principal alicerce de quem irá construir e se comprometer com o seu desenvolvimento profissional.

Do mesmo modo que a tecnologia nos dá uma dimensão da amplitude social, nos torna potentes para quebrar os espaços e nos relacionar de forma infinita com o mundo, ela, ao se transformar com a mesma velocidade com que nos inclui nesses novos sistemas pode, com a mesma rapidez, excluir-nos deles. Nesse sentido, a globalização irá trazer sentimentos muito extremos e maciços de inclusão ou de exclusão, com fortes conseqüências psíquicas.

Com as grandes tranformações da economia e ideologia em escala mundial, devemos estar acompanhando as novas síndromes sociais, novos sintomas de saúde e alteração no antigo conceito de alienação. Na America do Sul, ou mais especificamente em S.Paulo, percebemos uma situação ainda sem defesa psíquica e conjunturais, ao tentar definir a sua influência vemos que está conjugado com um fenômento muito mais amplo.

Exige-se uma nova relação que determina um novo perfil de íinculo com o trabalho, não havendo definições da função a ser exercida, o perfil é de flexibilidade e adaptação rápida. As pessoas terão que ser independentes, com contratos temporários entrando num setor de prestação de serviçoes. Várias funções irão se aglutinar, e as pessoas irão se auto gerenciar nas suas tarefas nos seus horários e nos seus espaços.

Esvaziam-se as rebeliões e os protestos, pois a rebelião só tem sentido quando existe uma autoridade central, a força do Estado, para ser contestada, podemos constatar isso através de um decréscimo da importância do movimento sindical no mundo.

Observamos um processo fóbico e paralisante nos jovens profissionais que não discriminam estas novas situações, atribuem a si próprios as causas da incapacidade e se sentem impotentes e inúteis porque não se obedece mais ao mesmo modelo de integração à sociedade para a qual foram educados.

Yvette Piha Lehman

 

Globalização

Globalização

NEOLIBERALISMO E GLOBALIZAÇÃO

Evolução do capitalismo

Durante o período final da Guerra Fria o capitalismo passou por um de seus períodos econômicos de maior crescimento. Esse processo já havia começado nos últimos lustros do século XIX e, desde a I Guerra Mundial, já se pode observar que os Estados Unidos da América estavam se transformando numa grande potência, graças ao seu crescente poderio econômico-militar.

Diversas mudanças, em escala mundial, permitiram que a hegemonia norte-americana fosse se consolidando após a II Guerra Mundial, senão vejamos:

Conferência de Bretton Woods em 1944, na qual ficou estabelecido que o dólar passaria a ser a principal moeda de reserva mundial, abandonando-se o padrão-ouro.

Crescente participação das transnacionais norte-americanas no exterior, em especial na Europa e em alguns países subdesenvolvidos como o Brasil, o México, etc.

Expansão dos bancos norte-americanos e sua transnacionalização.

Descolonização da África e da Ásia que, criando dificuldades econômicas aos países europeus, abriu oportunidades para os Estados Unidos da América.

Bretton Woods

Durante três semanas de julho de 1944, do dia 1º ao dia 22, 730 delegados de 44 países do mundo então em guerra, reuniram-se no Hotel Mount Washington, em Bretton Woods, New Hampshire, nos Estados Unidos, para definirem uma Nova Ordem Econômica Mundial. Foi uma espécie de antecipação da ONU (fundada em São Francisco no ano seguinte, em 1945) para tratar das coisas do dinheiro.

A reunião centrou-se ao redor de duas figuras chaves: Harry Dexter White, Secretário-Assistente do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e de Lord Keynes, o mais famoso dos economistas, representando os interesses da Grã-Bretanha, que juntos formavam o eixo do poder econômico da terra inteira.

Acertou-se que dali em diante, em documento firmado em 22 de julho de 1944, na era que surgiria das cinzas da Segunda Guerra Mundial, haveria um fundo encarregado de dar estabilidade ao sistema financeiro internacional bem como um banco responsável pelo financiamento da reconstrução dos países atingidos pela destruição e pela ocupação:o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento, ou simplesmente World Bank, Banco Mundial, apelidados então de os Pilares da Paz.

Os investimentos internacionais cresceram em volume, pois, além dos Estados Unidos, as antigas potências européias, que estavam se recuperando da crise criada pelos desastres da guerra, também começavam a se expandir.

O domínio mundial estadunidense é evidenciado pelo seu controle de mais da metade dos investimentos internacionais e pelo elevado número de filiais das transnacionais, a tendência de monopolização do capitalismo foi acelerada, fato que também pode ser observado nos programas de privatização que se intensificaram na década de 1980, envolvendo mais de 100 países do mundo e movimentando trilhões de dólares.

Ao produzir em locais onde a mão-de-obra é mais barata (tanto seu preço por hora quanto os encargos sociais) ou onde os custos de proteção ambientais são nulos ou muito baixos, as transnacionais reduzem os seus custos de produção, barateando as mercadorias. Dessa forma, podem vender seus produtos mais barato (quebrando a concorrência), aumentar suas taxas de lucro ou obter uma combinação de ambos.

Após a II Guerra Mundial, iniciou-se o mais longo período de crescimento contínuo do capitalismo, abalado apenas pela crise do petróleo, em fins de 1973.

Durante os últimos 30 anos, o valor da produção econômica quadruplicou e as exportações quase sextuplicaram nos países desenvolvidos. Uma das principais causas desse crescimento do capitalismo foi a expansão de um grupo bem definido de grandes empresas, das quais cerca de 500 atingem dimensões gigantescas.

Essas empresas, passaram a ser denominadas multinacionais, a partir de 1960, mas essa expressão se popularizou após 1973, quando a revista Business Week publicou artigos e relatórios sobre elas. Segundo as Nações Unidas, as empresas multinacionais “são sociedade que possuem ou controlam meios de produção ou serviço fora do país onde estão estabelecidas”. Hoje, no entanto, toma-se consciência de que a palavra transnacional expressa melhor a idéia de que essas empresas não pertencem a várias nações (multinacionais), mas sim que atuam além das fronteiras de seus países de origem.

No fim da Ordem da Guerra Fria (1989), segundo relatório da ONU, existiam mais de 30 mil empresas transnacionais, que tinham espalhadas pelo mundo cerca de 150 mil filiais. Em 1970 elas eram apenas 7.125 empresas e tinham pouco mais de 20 mil subsidiárias.

As transnacionais foram, durante o período da Guerra Fria, a maior fonte de capital externo para os países subdesenvolvidos pois controlavam a maior parte do fluxo de capitais no mundo (exceto nos anos do Plano Marshall). No fim dessa ordem internacional, empresários estadunidenses controlavam mais de 35% das empresas transnacionais do mundo.

Nas últimas décadas, a globalização da economia tornou cada vez mais importante o sistema financeiro internacional. Ele é formado por um conjunto de normas, práticas e instituições (que fazem ou recebem pagamentos das transações realizadas fora das fronteiras nacionais). Dessa forma, o sistema envolve as relações de dezenas de moedas do mundo, sendo vital para o fechamento das balanças comerciais e de pagamento dos países do mundo.

Em síntese, são três as funções do sistema monetário internacional: provisão de moeda internacional, as chamadas reservas; financiamento dos desequilíbrios formados pelo fechamento dos desequilíbrios formados pelo fechamento dos pagamentos entre os países; e ajuste das taxas cambiais.

Sua organização moderna teve início em julho de 1944, em um hotel chamado Bretton Woods, localizado na cidade norte-americana de Littleton (New Hampshire), onde 44 países assinaram um acordo para organizar o sistema monetário internacional.

Procurava-se também resolver os problemas mais imediatos do pós-guerra, para permitir a reconstrução das economias européias e japonesa, mas o acordo acabou se transformando em um reflexo do poder político e financeiro dos Estados Unidos. Nessa reunião também foram criados o Fundo Monetário Internacional (FMI), e o Banco Internacional para Reconstrução do Desenvolvimento (Bird), hoje conhecido como Banco Mundial.

A conferência estabeleceu uma paridade fixa entre as moedas do mundo e o dólar, que poderia ser convertido em ouro pelo Banco Central estadunidense a qualquer instante. Todos os países participantes fixaram o valor de sua moeda em relação ao ouro, criando uma paridade internacional fixa. Todas as grandes nações da época, exceto a União Soviética, evidentemente, concordaram em criar um “Banco Mundial”, com a função de realizar empréstimos de longo prazo para a reconstrução e o desenvolvimento dos países membros; e o FMI, para realizar créditos de curto prazo e estabilizar moedas em casos de emergência. Isso garantiu uma estabilidade monetária razoável durante 25 anos.

À medida que as economias da Europa e do Japão foram se recuperando dos desastrosos efeitos da II Guerra Mundial e que os países subdesenvolvidos se emanciparam de suas potências imperialistas, passando a agir como entidades econômicas independentes, uma série de deficiências do acordo de Bretton Woods foram ficando claras, gerando crises que se ampliaram desde o fim da década de 1960. O acordo deixou de vigorar a partir de 1971, quando o presidente norte-americano, Richard Nixon, abandonou o padrão-ouro, ou seja, não permitiu mais a conversão de dólares em ouro automaticamente. Com isso o sistema de câmbio desmoronou.

O que define a economia dominante é que a sua moeda se torna uma moeda internacional, servindo de parâmetro ou de reserva financeira para outros países.

Quando, em 1971, os Estados Unidos quebraram a conversão automática do dólar em ouro, eles obrigaram os países que tinham dólares acumulados a guardá-los (já que não poderiam mais ser convertidos em ouro) ou vendê-los no mercado livre (em geral com prejuízo). Em março de 1973 praticamente todos os países tinham desistido de fixar o valor de suas moedas em ouro e a flutuação cambial tinha se firmado como padrão mundial.

A crise do petróleo em 1973 gerou condições definitivamente diferentes das existentes anteriormente e obrigou o conjunto de nações a tomar uma série de medidas a respeito do papel do ouro nas relações monetárias internacionais. Após 1973, as taxas de câmbio de cada país passaram a flutuar e seu valor passou a ser determinado dia a dia.

A aceleração do crescimento das transações comerciais e o impressionante aumento do fluxo de turistas no mundo determinaram uma intensificação das trocas de uma moeda por outra (câmbio), criando uma maior interdependência entre os países. Dessa forma, a recessão econômica ou a crise financeira de um país pode afetar muito rapidamente outras nações o que explica a necessidade de um sistema monetário internacional, para servir como um amortecedor dos impactos dessas transformações, melhorando e facilitando as relações entre nações tão interdependentes na atualidade.

O Neoliberalismo e A Nova Ordem Mundial

Neoliberalismo

O que se convencionou chamar de Neoliberalismo é uma prática político-econômica baseada nas idéias dos pensadores monetaristas (representados principalmente por Milton Friedman, dos EUA, e Friedrich August Von Hayek, da Grã Bretanha). Após a crise do petróleo de 1973, eles começaram a defender a idéia de que o governo já não podia mais manter os pesados investimentos que haviam realizado após a II Guerra Mundial, pois agora tinham déficits públicos, balanças comerciais negativas e inflação. Defendiam, portanto, uma redução da ação do Estado na economia. Essas teorias ganharam força depois que os conservadores foram vitoriosos nas eleições de 1979 no Reino Unido (ungindo Margareth Thatcher como primeira ministra) e, de 19880, nos Estados Unidos (eleição de Ronald Reagan para a presidência daquele país). Desde então o Estado passou apenas a preservar a ordem política e econômica, deixando as empresas privadas livres para investirem como quisessem. Além disso, os Estados passaram a desreguzamentar e a privatizar inúmeras atividades econômicas antes controladas por eles.

A Nova Ordem Mundial

O que é uma ordem (geopolítica) mundial? Existe atualmente uma nova ordem ou, como sugerem alguns, uma desordem? Quais são os traços marcantes nesta nova (des)ordem internacional?

Utilizamos como marco inicial para a assim chamada “Nova Ordem Mundial” (ou “Nova Ordem Internacional”) a queda do Muro de Berlim, com tudo o que simbolizou em termos políticos, econômicos e ideológicos. Evidentemente, muitos aspectos anteriores já indicavam uma nova era econômica em formação.

O Muro de Berlim não apenas separava uma cidade e um povo. Ele simbolizava o mundo dividido pelos sistemas capitalista e socialista.

A sua destruição, iniciada pelo povo de Berlim, na noite de 9 de novembro de 1989, pôs abaixo não apenas o muro material; mais do que isso, rompeu com o mais significativo símbolo da Guerra Fria: a bipolaridade.

Como foi possível a queda do Muro de Berlim, em plena Guerra Fria, num país sob forte hegemonia da União Soviética?

Estas coisas não acontecem, por assim dizer, “como um raio em céu azul”. Uma série de fatores a tanto conduzem, liderados pela Corrida Armamentista.

Paralelamente ao abandono do Estado capitalista com gastos sociais, seguindo a orientação “neoliberal”, este passou a investir cada vez mais pesadamente em armamentos de ponta, mandando a conta da “defesa do mundo livre” para os países subdesenvolvidos. A União Soviética e seus aliados, sem terem “satélites” ou países a utilizar como fonte de recursos para esta finalidade – que contraria o princípio básico do socialismo, a Paz – passou a defender-se como pode.

De todo o modo, se o bloco capitalista, dispondo de seu potencial de exploração de praticamente todo o mundo subdesenvolvido e do aparato de propaganda que a isto se segue, criou armas cada vez mais sofisticadas e inacreditáveis. Em fins da década de 80 falava-se no desenvolvimento, por conglomerados anglo-estadunidenses, de um projeto de “Guerra Nas Estrelas”, uma espécie de malha de satélites voltada a destruir armamento inimigo em terra com canhões laser! Especulava-se ainda acerca de uma arma (que, se efetivada jamais foi utilizada na prática, que se saiba, até os dias de hoje) chamada de “Bomba de Nêutrons”, capaz de destruir completamente a vida sem afetar o patrimônio, um verdadeiro emblema do ideal capitalista… Deslocando recursos da produção de alimentos, medicamentos, educação e salários para a Defesa, as nações socialistas foram levadas a um crise econômica sem precedentes históricos, este o cerne do problema.

Em 1985, a eleição de Mikhail Gorbatchov para a liderança da União Soviética tinha por finalidade encontrar formas pacíficas de sobrevivência democrática entre regimes econômicos antagônicos.

Se os socialistas reafirmavam a necessidade da intervenção estatal na economia, encontravam, na outra ponta a competitividade mercantil daqueles que se nutriam da morte e da destruição, numa palavra: da competitividade.

Abandonaram-se as metas cooperativistas e passou-se a pautar-se pela mais rapinante competitividade.

Reconhecendo que falta de transparência e democracia na revelação dos fatos constituía um entrave ao desenvolvimento do socialismo, Gorbatchov publicou seu clássico Perestroika, novas idéias para o meu país e o mundo que, contudo, foi mais utilizado pelos adversários do que pelos amigos do social. Era sem dúvida a expressão de uma crise.

Gorbatchov tentou ainda acordos com o ultradireitista Ronald Reagan, administrando mesmo o final do Tratado de Varsóvia e assinando com o presidente estadunidense o famoso acordo START (Strategic Arms Reduction Treaty), através do qual a OTAN e outras organizações filo-fascistóides dos Estados Unidos e aliados comprometiam-se a diminuir seus arsenais e interromper a corrida armamentista. Na prática, pouco foi feito a este respeito e é correto afirmar que as nações do Oeste (Estados Unidos e Inglaterra à frente) venceram a Guerra Fria contra o socialismo.

Naturalmente, a última palavra a este respeito ainda não está dada.

Outrora um dos maiores problemas de distribuição na URSS era representado pela filas: todos tinham dinheiro para comprar os bens necessários, particularmente numa nação que foi capaz de manter o preço do pão em três copeques durante mais de setenta anos! Mas formavam-se filas imensas para esperar que produtos raros do ocidente chegassem às prateleiras dos supermercados, delas desaparecendo rapidamente. Hoje, em Moscou, o que se vê é, além do retorno da prostituição, da miséria, da mendicância e da violência, levando uma nação que já foi uma superpotência a rivalizar com países subdesenvolvidos neste quesito, supermercados e lojas de conveniência abarrotadas de bens para os quais ninguém mais tem dinheiro para comprar… O russo médio se pergunta se teria feito um bom negócio ao sair do socialismo para o capetalismo…

O que é Globalização?

“Haverá muitos chapéus e poucas cabeças” Antônio Conselheiro

“Haverá muitos globalizados e poucos globalizadores” – Vamireh Chacon

Do ponto de vista do globalizador pode ser definida como o processo de internacionalização das práticas capitalistas, com forte tendência à diminuição – ou mesmo desaparecimento – das barreiras alfandegárias; liberdade total para o fluxo de Capital no mundo.

Os primeiros povos – de quem se tem notícia – a dividir o mundo entre “nós = civilizados” e “outros = bárbaros” foram os gregos e hebreus. Também os romanos assim dividiam os povos do mundo.

Sim, o planeta Terra, particularmente na região de hegemonia ocidental, ou seja, dos povos oriundos das cercanias do Mar Mediterrâneo, já sofreu a globalização egípcia, a globalização greco-macedônica, a globalização romana, a globalização muçulmana, a globalização ibérica, a globalização britânica, a globalização nazi-fascista e, desde o término da Primeira Guerra Mundial, agudizando-se ainda mais após o término da segunda, estamos sofrendo a globalização estadunidense.

Aprofundemos o paralelo. A seita judaica (que assim era vista) chamada de “cristã” era vista como bárbara e contrária aos deuses romanos. Os judeus foram globalizados à força, assim como os cartagineses e outros povos mais. Àquele tempo, somente os latinos e macedônicos foram globalizados pacificamente.

Mais recentemente, pelos nazistas, em função de uma série de peculiaridades, poucas regiões foram globalizadas pacificamente, como os Sudetos e a Áustria.

Na atual globalização estadunidense, a Argentina, o México e o Brasil constituem as principais demonstrações de “globalização pacífica”. Aqueles que não concordam com o processo de globalização, são globalizados à força, constituindo os principais exemplos os países islâmicos, particularmente devido ao poderoso lobbie judaico no governo da única superpotência do planeta nos dias autais.

Nós, “chicanos”, “cucarachas”, globalizados pacificamente, estamos falidos, endividados, desempregados, famintos e governados por gente subserviente aos estadunidenses. É de se pensar se nossos governantes aceitam essa globalização pacífica para evitar derramamento de sangue pois, como vimos, quem os estadunidenses não conseguem globalizar “por bem”, são globalizados à mão armada, à revelia da ONU, que vai, aos poucos, deixando de ter o significado e o poder que tinha.

Basta lembrar que a ONU nasceu ainda durante os julgamentos de Nuremberg, com o fito principal de evitar que povos do mundo, em nome de uma pretensa superioridade (racial, cultural ou qualquer outra), destruíssem civilizações por eles consideradas “bárbaras” ou “incivilizadas”. Em 1991 George Bush (o pai) bateu o primeiro prego no caixão da ONU quando conseguiu forçar a aprovação de uma intervenção militar sobre o Iraque (aliás, fracassada). Dali para cá, uma série de ocorrências vêm em sucessivas vagas e ainda há quem se surpreenda ao ver representações da ONU ser percebida pelas vítimas da globalização como representação dos EUA. Desde 1991 – praticamente desde o final da polarização “capitalismo versus socialismo” a ONU deixou de ser um organismo representativo da autonomia dos povos do mundo e passou a ser, na prática, um organismo homologador das decisões estadunidenses. O escândalo em torno desta subserviência foi tamanho que, recentemente, os estadunidenses não obtiveram o aval da ONU enquanto não produzissem provas de que o Iraque constituía uma ameaça à estabilidade das civilizações judaico-cristãs ocidentais. Desprezando solenemente a ONU, estadunidenses e seus cúmplices britânicos massacraram uma das nações mais miseráveis do mundo que, para sua desgraça, constituem-se no segundo maior produtor de petróleo do mundo.

Enfim, “globalização” tem um significado para os globalizadores e outro para os globalizados, desde sempre, aliás. E desde sempre, parodiando o Conselheiro, “há poucos globalizadores e muitos globalizados”.

Pior: reiterando: quem não se deixa globalizar por bem como o Brasil, a Argentina e o México (que estão na miséria que estão) é globalizado a bala, como o Afeganistão e o Iraque…

 

Impacto

O processo globalizador afeta todas as áreas da sociedade, principalmente comunicação, comércio internacional e liberdade de movimentação, com diferente intensidade dependendo do nível de desenvolvimento e integração das nações ao redor do planeta.

Comunicação

A globalização das comunicações tem sua face mais visível na internet, a rede mundial de computadores, possível graças a acordos e protocolos entre diferentes entidades privadas da área de telecomunicações e governos no mundo. Isto permitiu um fluxo de troca de ideias e informações sem critérios na história da humanidade. Se antes uma pessoa estava limitada a imprensa local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as tendências do mundo inteiro, tendo apenas como fator de limitação a barreira linguística.

Outra característica da globalização das comunicações é o aumento da universalização do acesso a meios de comunicação, graças ao barateamento dos aparelhos, principalmente celulares e os de infraestrutura para as operadoras, com aumento da cobertura e incremento geral da qualidade graças a inovação tecnológica. Hoje uma inovação criada no Japão pode aparecer no mercado português ou brasileiro em poucos dias e virar sucesso de mercado. Um exemplo da universalização do acesso a informação pode ser o próprio Brasil, hoje com 42 milhões de telefones instalados, e um aumento ainda maior de número de telefone celular em relação a década de 1980, ultrapassando a barreira de 100 milhões de aparelhos em 2002.

Redes de televisão e imprensa multimédia em geral também sofreram um grande impacto da globalização. Um país com imprensa livre hoje em dia pode ter acesso, alguma vezes por televisão por assinatura ou satélite, a emissoras do mundo inteiro, desde NHK do Japão até Cartoon Network americana.

Pode-se dizer que este incremento no acesso à comunicação em massa acionado pela globalização tem impactado até mesmo nas estruturas de poder estabelecidas, com forte conotação a democracia, ajudando pessoas antes alienadas a um pequeno grupo de radiodifusão de informação a terem acesso a informação de todo o mundo, mostrando a elas como o mundo é e se comporta.

Mas infelizmente este mesmo livre fluxo de informações é tido como uma ameaça para determinados governos ou entidades religiosas com poderes na sociedade, que tem gasto enorme quantidade de recursos para limitar o tipo de informação que seus cidadãos tem acesso.Na China, onde a internet tem registrado crescimento espetacular, já contando com 136 milhões de usuários graças à evolução, iniciada em 1978, de uma economia centralmente planejada para uma nova economia socialista de mercado, é outro exemplo de nação notória por tentar limitar a visualização de certos conteúdos considerados “sensíveis” pelo governo, como do Protesto na Praça Tiananmem em 1989, além disso em torno de 923 sites de noticias ao redor do mundo estão bloqueados, incluindo CNN e BBC, sites de governos como Taiwan também são proibidos o acesso e sites de defesa da independência do Tibete. O número de pessoas presas na China por “ação subversiva” por ter publicado conteúdos críticos ao governo é estimado em mais de 40 ao ano. A própria Wikipédia já sofreu diversos bloqueios por parte do governo chinês.

No Irã, Arábia Saudita e outros países islâmicos com grande influência da religião nas esferas governamentais, a internet sofre uma enorme pressão do estado, que tenta implementar diversas vezes barreiras e dificuldades para o acesso a rede mundial, como bloqueio de sites de redes de relacionamentos sociais como Orkut e MySpace, bloqueio de sites de noticias como CNN e BBC. Acesso a conteúdo erótico também é proibido.

Qualidade de vida

O acesso instantâneo de tecnologias, principalmente novos medicamentos, novos equipamentos cirúrgicos e técnicas, aumento na produção de alimentos e barateamento no custo dos mesmos, tem causado nas últimas décadas um aumento generalizado da longevidade dos países emergentes e desenvolvidos. De 1981 a 2001, o número de pessoas vivendo com menos de US$1 por dia caiu de 1,5 bilhão de pessoas para 1,1 bilhão, sendo a maior queda da pobreza registrada exatamente nos países mais liberais e abertos a globalização.

Na China, após a flexibilização de sua economia comunista centralmente planejada para uma nova economia socialista de mercado, e uma relativa abertura de alguns de seus mercados, a porcentagem de pessoas vivendo com menos de US$2 caiu 50,1%, contra um aumento de 2,2% na África sub-saariana. Na América Latina, houve redução de 22% das pessoas vivendo em pobreza extrema de 1981 até 2002.

Embora alguns estudos sugiram que atualmente a distribuição de renda ou está estável ou está melhorando, sendo que as nações com maior melhora são as que possuem alta liberdade econômica pelo Índice de Liberdade Econômica, outros estudos mais recentes da ONU indicam que “a ‘globalização’ e ‘liberalização’, como motores do crescimento econômico e o desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas”.

Para o prêmio nobel em economia Stiglitz, a globalização, que poderia ser uma força propulsora de desenvolvimento e da redução das desigualdades internacionais, está sendo corrompida por um comportamento hipócrita que não contribui para a construção de uma ordem econômica mais justa e para um mundo com menos conflitos. Esta é, em síntese, a tese defendida em seu livro A globalização e seus malefícios: a promessa não-cumprida de benefícios globais.

Críticos argumentam que a globalização fracassou em alguns países, exatamente por motivos opostos aos defendidos por Stiglitz: Porque foi refreada por uma influência indesejada dos governos nas taxas de juros e na reforma tributária.

Efeitos na indústria e serviços

Os efeitos da globalização no mercado de trabalho são evidentes, como a criação da modalidade de outsourcing de empregos para países com mão-de-obra mais baratas para execução de serviços que não é necessário alta qualificação, e como a produção distribuída entre vários países, seja para criação de um único produto, onde cada empresa cria uma parte, seja para criação do mesmo produto em vários países para redução de custos e ganhar vantagem competitivas no acesso de mercados regionais.

O ponto mais evidente é o que o colunista David Brooks definiu como “Era Cognitiva”, onde a capacidade de uma pessoa em processar informações ficou mais importante que sua capacidade de trabalhar como operário em uma empresa graças a automação, também conhecida como Era da Informação, uma transição da exausta era industrial para a era pós-industrial.

Nicholas A. Ashford, acadêmico do MIT, conclui que a globalização aumenta o ritmo das mudanças disruptivas nos meios de produção, tendendo a um aumento de tecnologias limpas e sustentáveis, apesar que isto irá requerer uma mudança de atitude por parte dos governos se este quiser continuar relevante mundialmente, com aumento da qualidade da educação, agir como evangelista do uso de novas tecnologias e investir em pesquisa e desenvolvimento de ciências revolucionárias ou novas como nanotecnologia ou fusão nuclear. O acadêmico, nota porém, que a globalização por si só não traz estes benefícios sem um governo pró-ativo nestes questões, exemplificando o cada vez mais globalizado mercados EUA, com aumento das disparidades de salários cada vez maior, e os Países Baixos, integrante da UE, que se foca no comércio dentro da própria UE em vez de mundialmente, e as disparidades estão em redução.

 

Globalização econômica

Conceito e avaliação:

Apesar das contradições há um certo consenso a respeito das características da globalização que envolve o aumento dos riscos globais de transações financeiras, perda de parte da soberania dos Estados com a ênfase das organizações supra-governamentais, aumento do volume e velocidade como os recursos vêm sendo transacionados pelo mundo, através do desenvolvimento tecnológico etc.

Além das discussões que envolvem a definição do conceito, há controvérsias em relação aos resultados da globalização. Tanto podemos encontrar pessoas que se posicionam a favor como contra (movimentos anti-globalização).

A Globalização é um fenômeno moderno que surgiu com a evolução dos novos meios de comunicação cada vez mais rápidos e mais eficazes. Há, no entanto, aspectos tanto positivos quanto negativos na Globalização. No que concerne aos aspectos negativos há a referir a facilidade com que tudo circula não havendo grande controle como se pode facilmente depreender pelos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos da América. Esta globalização serve para os mais fracos se equipararem aos mais fortes pois tudo se consegue adquirir através desta grande autoestrada informacional do mundo que é a Internet. Outro dos aspectos negativos é a grande instabilidade econômica que se cria no mundo, pois qualquer fenômeno que acontece num determinado país atinge rapidamente outros países criando-se contágios que tal como as epidemias se alastram a todos os pontos do globo como se de um único ponto se tratasse. Os países cada vez estão mais dependentes uns dos outros e já não há possibilidade de se isolarem ou remeterem-se no seu ninho pois ninguém é imune a estes contágios positivos ou negativos. Como aspectos positivos, temos sem sombra de dúvida, a facilidade com que as inovações se propagam entre países e continentes, o acesso fácil e rápido à informação e aos bens. Com a ressalva de que para as classes menos favorecidas economicamente, especialmente nos países em desenvolvimento, esse acesso não é “fácil” (porque seu custo é elevado) e não será rápido.

Busca do lucro no desprezo da qualidade humana e ambiental:

O processo de globalização tem sido questionado e tem-se associado a aspectos negativos, muitas vezes por seguir a manada, outras vezes como instrumento politico, mas em relação aos que refletem porque criticam racionalmente, fazem-no para elevar a ponderação de direitos sociais dos trabalhadores. Umas vezes para evitar uma deslocalização de uma empresa ou fábrica para países onde as regras de trabalho não são tão rigorosas.

Os estados capitalistas têm estado de alguma forma de mãos atadas nestes campos, mas tem surgido a óptica de poder bloquear a entrada de produtos de uma dada empresa de um outro pais quando esta não cumpra com certos critérios que são obrigatórios no mesmo, como os critérios laboriais, condições de trabalho, critérios ambientais. O outro lado da medalha é que quando as grandes empresas se deslocalizam para esses paises em vias de desenvolvimento e as regras de conduta das empresas ainda não está totalmente apurada, o que se passa é que essas empresas pagam e regem a sua conduta de excepcionalmente para os critérios desse pais, sendo empresas com grande fator atrativo para as pessoas desse pais. Em última análise, essa transferência de capitais para os em vias de desenvolvimento irá conduzir a um desenvolvimento do pais e eventualmente a uma uniformização de critérios em termos mundiais. O que realmente os críticos da globalização apontam é que até se atingir esses critérios uniformes mundiais, iria-se demorar muito tempo.

Não confundir com a liberalização da economia onde permite a entrada de produtos mundiais num pais, onde têm preços muito baixos, destronando a produção e desemprego local. O que se coloca em causa é a forma como eles são produzidos, em condições subumanas, exploração, violação de direitos humanos, ambientais e muitas vezes como uma qualidade questionável, isto sob os critérios ditos estabelecidos pelas sociedades desenvolvidas.

Referências

GARDELS, Nathan.Globalização produz países ricos com pessoas pobres: Para Stiglitz, a receita para fazer esse processo funcionar é usar o chamado “modelo escandinavo” . Economia & Negócios, O Estado de S. Paulo, 27/09/2006
STIGLITZ, J.E. A Globalização e seus malefícios. A promessa não cumprida de benefícios globais. São Paulo, Editora Futura, 2002.

 

GLOBALIZAÇÃO E ECONOMIA BRASILEIRA

Panorama da economia brasileira

Apesar da industrialização no Brasil ter se iniciado na primeira metade do século XIX, foi a partir de 1930 e após a Segunda Guerra Mundial que a expansão do PIB do País se apóia no setor industrial, pois até então, o setor agrícola desempenhava essa função. Vale lembrar que a principal fonte de capitais que financiou a indústria nascente foi o café, sobretudo através de suas exportações e por dinamizar o mercado interno desde o início do século XX. Durante os anos 30 até início dos anos 60, a agricultura foi a principal fonte de crescimento econômico no Brasil. A partir de então, a indústria passou a ditar o ritmo da economia (SANTOS, 2001).

A partir de meados dos anos 50, com JK, foi criado o Plano de Metas (1956/61) que tinha objetivo industrializante e slogan “50 anos em 5”. O Plano voltou-se para intensificar o processo de substituição de importações (LOUREIRO, 1995).

Em 1958/59, nova tentativa de conter a inflação foi implantada com o Programa de Estabilização Monetária (PEM) em que houve a contratação de empréstimos com o FMI, devido ao elevado déficit no Balanço de Pagamentos ocorrido em 1957/58. O déficit público, a crise cambial e a elevação das taxas de inflação foram o saldo final do Governo JK. Os anos 60 começam em crise. Segundo BRUM (1991), com a urbanização e industrialização resultante do Governo JK, no fim da década de 50 o País sofreu um declínio nas suas possibilidades de crescimento. A dívida externa estava extremamente alta em função dos empréstimos feitos para a modernização do Brasil, houve queda na produção interna, uma vez que a indústria nacional era limitada e sem poder competitivo, acarretando uma baixa real dos salários, desemprego e inflação.

Em meados de 1967, de acordo com LOUREIRO (1995), recomeça a recuperação da economia brasileira, com o governo do general Costa e Silva. O período de 1967/73 é conhecido no Brasil como sendo a época do “Milagre Econômico Brasileiro”. Naquele período, a liderança do crescimento do setor de bens de consumo durável foi mantida, ficando o crescimento industrial entre 13% ao ano, e o do PIB, de 11% ao ano. Para o período 1975/79 foram adotadas várias medidas para promover o desenvolvimento do País e dentre elas foi criado o Programa Nacional do Álcool, Proálcool. O período de 1981 a 1983 caracterizou-se como recessivo, com taxas de crescimento do PIB brasileiro de, respectivamente, de -1,6%, 0,9% e 3,2% ao ano, mas os investimentos nos setores prioritários do programa de substituição de importações mantiveram-se elevados, acima de 20% do PIB, em 1979/82. Tais níveis de investimento caíram para 16% a 17% a partir de 1983/84. Por fim, em 1983 a inflação atingiu 200%.

Em 1986 é implementado o Plano Cruzado, choque heterodoxo, que visava estabilizar os preços e criar condições para a introdução de Reformas Econômicas de maior profundidade, onde o controle de preços foi utilizado como principal instrumento de estabilidade (premissa de que as políticas fiscal e monetária foram incapazes de promover a estabilidade de preços e crescimento econômico). Naquela época, a inflação girava em torno de 450% ao ano, ampliando o grau de incerteza na economia e desestimulando os investimentos. Prevalecia o mecanismo inercial da inflação. Vale observar que, a crescente dispersão dos preços vigente no período imediatamente anterior a esse choque introduziu um elemento de desequilíbrio potencial acentuado no programa de estabilização que foi o desalinhamento de preços relativos. Como o aumento do consumo foi bem maior do que o aumento da oferta, logo houve um esgotamento da capacidade da indústria, que associada ao estancamento dos investimentos, contribuiu para uma crise. Dado que a política cambial provocou aumento nos custos e o aumento da taxa de juros implicou numa elevação dos encargos das empresas, logo, para não inviabilizar a produção, o Governo autorizou o repasse aos preços (CARNEIRO, 1987).

Depois do Plano Cruzado, vários outros sucederam com a intenção de combater o fantasma da inflação e tentar promover o crescimento econômico, mas sem muito sucesso duradouro. Até que em 1990, com o Governo Collor e suas atitudes polêmicas, o mesmo deu um passo decisivo de quebra das barreiras tarifárias.

Com a redução das alíquotas de importação, o Brasil foi escancarado à economia mundial. Muitos setores sofreram inicialmente, sobretudo àqueles que sempre sobreviveram às custas do paternalismo estatal. Em geral, durante a década de 90, a economia brasileira inseriu-se fortemente na economia mundial. Enfim, Collor foi afastado e Itamar Franco assumiu a presidência da República, onde seu governo culminou no Plano Real, com destaque para a projeção presidencial do seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique, que foi eleito presidente nas eleições de 1994 e reeleito em 1998.

Teoricamente, uma das preocupações do Governo era vencer o fantasma da inflação, que chegou à casa dos 50% ao mês, em junho de 1994. Com a implementação do Real em primeiro de julho do referido ano, a consequência visível, nos meses subsequentes, foi a brusca queda no nível de preços na economia. Com isso, o imposto inflacionário declinou sensivelmente, aumentando, principalmente, os rendimentos das classes mais pobres.

Com o desenvolvimento do processo de globalização econômica, o volume de transações no comércio internacional tem se ampliado cada vez mais e a facilidade encontrada no que tange à elevação das importações levou o Governo a adotar a “Âncora Cambial” como o mais importante instrumento de controle da inflação no início do Plano Real. Caso a inflação internamente ameaçasse se elevar, as importações eram favorecidas (através do câmbio sobrevalorizado), com isso a oferta interna era ampliada e os preços eram controlados. E assim foi até janeiro de 1999, após sua reeleição, quando da eclosão da crise econômica brasileira, em que os ataques especulativos (que já vinham ganhando força desde as crises da Ásia e da Rússia) levaram o Governo a substituir o câmbio pela “Âncora Monetária” como base dessa nova fase do Plano Real, ou seja, o principal instrumento de controle da inflação passou a ser a regulação da oferta e demanda monetária, consequentemente as taxas de juros mantiveram-se cada vez mais elevadas (SANTOS, 1999).

Um fato marcante no processo de globalização que despontou nos anos 90 foi o crescente fluxo de capital financeiro volátil que passou a circular com mais rapidez ao redor de todo o planeta. No caso do sistema financeiro, o fluxo de capitais que gira pelo mundo tem ascendido enormemente, em que simples toques em teclas de computadores integrados transferem milhões de dólares de um país para outro, em tempo real. Com isso, tem-se verificado o desenvolvimento de um mercado financeiro integrado mundialmente.

globalização do sistema financeiro é caracterizada basicamente pela criação de um sistema global de intermediação financeira, fundamentada em padrões tecnológicos e gerenciais integrados. Tal sistema tem se mostrado bastante fluído, chegando a escapar do controle por parte dos Estados e de suas autoridades monetárias, devido aos recursos da teleinformática e das novas tecnologias. Os fundos de pensão e fundos mútuos de ações, bem como as seguradoras compõem a base em que se fundamenta o processo deglobalização financeira, que por sua vez dividem com o sistema bancário o papel de gerenciadores das poupanças da sociedade, onde o mercado para especulação desses recursos estende-se aos quatro cantos do planeta.

Vista toda essa volatilidade financeira supracitada, os países em desenvolvimento, sobretudo aqueles que não possuem um sistema fiscal equilibrado, têm encontrado facilidades nessa fonte de recursos externos para fechar suas contas. Dado o risco envolvido em tais países, os mesmo têm que praticar juros altos para atrair tais capitais. Como o clima de incerteza tem pairado em todo o planeta, nestes últimos anos, sobretudo após as crises internacionais, qualquer turbulência num país emergente, causa uma crise de desconfiança generalizada nos demais países. Então para evitar ou simplesmente atenuar uma fuga em massa desses capitais, tais países têm que elevar estratosfericamente suas taxas de juros, com isso a dívida pública aumenta bastante e gigantescos volumes com os juros dessas dívidas são pagos anualmente aos grandes especuladores do sistema financeiro. Logo, os programas desses governos são pautados de acordo com as regras do mercado financeiro globalizado. Vale observar que as políticas monetárias e cambiais acabam se tornando reféns dos mercados especulativos globais, enfrentando problemas face à globalização financeira. Em que as elevadas taxas de juros e a sobrevalorização na taxa de câmbio tendem a inibir os investimentos (RIGUEIRA & SANTOS, 2000).

Por fim, se por um lado muitos benefícios são trazidos com a liberalização comercial, deve-se ater aos problemas que vêm juntos, como alguns setores da economia que não estavam preparados para competir a nível internacional e têm suas empresas sendo fechadas, aumentando ainda mais o desemprego no País.

Uma outra questão em que a economia brasileira ainda sofre muito nos dias atuais é com relação às exportações agrícolas, sobretudo para os Estados Unidos e para a Comunidade Européia. Esses países pregam o livre comércio para seus produtos, contudo impõem sérias barreiras às exportações agrícolas brasileiras para tais, através de elevadíssimas tarifas de importação, bem como protegem demais seus produtores, com elevadíssimos subsídios diretos à exportação e à produção européia e norte-americana.

Considerações finais

É por demais visível o crescente processo de globalização que a humanidade vem observando. Parece que as distâncias geográficas, entre os países, foram atenuadas, bem como os fluxos comerciais e financeiros têm girado pelo planeta com relativa facilidade e rapidez, proporcionadas pelo progresso tecnológico.

Em geral, vale reafirmar que a globalização é um processo inevitável, onde cabe às autoridades brasileiras, o papel de estarem bem atentas aos acordos internacionais, a fim que o Brasil não seja pego de surpresa com esse processo de integração que, às vezes, traz somente benefícios aos países desenvolvidos, bem como é de fundamental relevância a participação do Estado no que tange a criação de uma infra-estrutura que dê condições às empresas nacionais para produzirem de modo competitivo internacionalmente. Para tal, faz-se necessário a criação de um cenário sócio-politico-econômico estável (SANTOS & GURGEL, 2000).

Enfim, a partir do momento em que se entende, de um modo geral, o comportamento da economia brasileira nos últimos 50 anos, a assimilação das idéias, que permeiam a conjuntura atual na qual o Brasil está inserido, passa a ter uma melhor compreensão. Principalmente nesses últimos dez anos, a dependência e a vulnerabilidade externa somente têm-se ampliado, sobretudo no campo financeiro, onde a crescente dívida pública, que tem crescido exponencialmente, tem encilhado o País, tornando-o cada vez menos capaz de investir numa infraestrutura digna, que o capacite a se tornar competitivo internacionalmente. O Brasil precisa seriamente de políticas corajosas para reverter esse déficit tanto no campo financeiro quanto na área social, para que então sobre recursos para serem aplicados na área sócio-econômica, ou do contrário, o País continuará sempre subserviente aos interesses externos, sobretudo em relação aos norte- americanos.

Flávia Maria Mafia Rigueira Agra

Fernando Antônio Agra Santos

Referências bibliográficas

BRUM, A. A crise do Nacional Populismo: 1961-1964. In: O Desenvolvimento Econômico Brasileiro. Ed. Petrópolis. 1991. p. 122-148 CARNEIRO, R. A política econômica do Plano Cruzado. Campinas: Bienal, 1987.
LOUREIRO, A. L. J. Guia Prático de Economia Brasileira. Maceió. UFAL. 1995. 120p.
RIGUEIRA, F.M.M., SANTOS, F.A.A. Globalização financeira. Gazeta Mercantil, Caderno Regional do Espírito Santo, Vitória, 17 mar. 2000. Opinião. p. 2.
SANTOS, F.A.A. Cinco anos de Real. Tribuna de Alagoas, Maceió, 10 jul. 1999. Opinião. p. 4.

 

 

Apresentação

Nosso projeto de pesquisa versa sobre o fenômeno da globalização, que hoje assumiu uma proporção imaginável, de tamanha importância, e que estudamos sob o prisma da teoria e da prática. Observamos mais detalhadamente o fenômeno globalizador em relação às empresas, e como o mesmo afeta a vida da população.

Destacamos que o mundo está cada vez mais interligado, pois a tecnologia reduziu as barreiras naturais do tempo e do espaço. A intensidade e a rapidez com que se processa a globalização é muito maior. As economias internacionais estão muito abertas, o que favorece o crescimento do fluxo de comércio, investimentos e capital financeiro entre os países. As grandes corporações industriais e financeiras se estendem por todo o mundo. Bens de consumo e dinheiro circulam com velocidade nunca vista antes. Além disso, os investidores podem acompanhar on-line, ou em tempo real, através da tela de um computador, o que acontece nos quatro cantos do planeta.

Isso tudo faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.

Definição do Problema

Falar em globalização é estar na moda. Porém, atribuir-lhe a culpa exclusiva dos mais incautos acontecimentos é, antes de mais nada, canalizar os erros e equívocos sociais, políticos e econômicos para uma palavra que, muitas vezes, vê-se usada por pessoas que nem mesmo sabem seu verdadeiro alcance. Definir com precisão o que seja a globalização é tarefa das mais árduas, pois, é um fenômeno antigo que somente nos últimos anos vem sendo sentido e absorvido por nós, brasileiros. Podemos explicá-la como sendo um misto de interligação acelerada de mercados nacionais e internacionais, ou a possibilidade de movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos (como ocorre nas Bolsas de todo o mundo), ainda, como a “terceira revolução tecnológica” (processamento, difusão e transmissão de informações). Há, até mesmo, os que a denominam de “nova era da história humana”.

No entanto, definições não são o ensejo perseguido por estas linhas.

O que se pretende, sim, é trazer à luz do questionamento como podemos (e devemos) nos beneficiar da globalização. O que fazer para nos tornarmos “usufrutuários” desse sistema globalizado que nos é imposto, sem a opção (por fatalidade) de voltar no tempo ou de direcionarmos nossos interesses simplesmente ao nível de mercado interno.

Justificativa

O fenômeno da globalização procede de algumas evoluções tecnológicas importantes: a da informática e a da comunicação. Com a disponibilização de informações em suas diversas formas, os mercados que antes guardavam distâncias e características distintamente insuperáveis, passaram a intercomunicar-se e a buscar produtos e serviços com fundamentos semelhantes, apesar de terem informações que os introduzam às necessidades das culturas locais.

As empresas que estão percebendo esse fenômeno e agindo de forma a se beneficiar dele estão conseguindo enfrentar melhor a competição, atualizar-se tecnologicamente de forma rápida e aproveitando-se mais cedo do surgimento de novas oportunidades de mercado.

O Brasil, que por muitos anos manteve seu mercado fechado aos produtos estrangeiros, acabou ficando um pouco alheio a esse movimento das grandes corporações que buscam visualizar os mercados de forma globalizante.

Agora, com os novos ventos de desenvolvimento e as recentes ações de abertura de mercado, urge que as grandes empresas brasileiras se mobilizem para entrar nessa nova onda.

Esta pesquisa se faz necessária para clarear as idéias e explicar através de exemplos práticos como as mudanças vêem acontecendo. Com isso temos vários tópicos a serem abordados e apresentados mostrando o que é a globalização que provoca tanto medo, e o que se pode esperar dela.

O que é globalização

Globalização é o conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa “aldeia-global”, explorada pelas grandes corporações internacionais. Os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação – telefones, computadores e televisão. As fontes de informação também se uniformizam devido ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.

globalização é marcada pela expansão mundial das grandes corporações internacionais. A cadeia de fast-food McDonald’s, por exemplo, possui 18 mil restaurantes em 91 países. Essas corporações exercem um papel decisivo na economia mundial. Outros pontos importantes desse processo são as mudanças significativas no modelo de produção das mercadorias. Auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, as transnacionais instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existam as melhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. Essa tendência leva a uma transferência de empregos dos países ricos – que possuem altos salários e inúmeros benefícios – para as nações industriais emergentes, como os Tigres Asiáticos. O resultado desse processo é que, atualmente, grande parte dos produtos não tem mais uma nacionalidade definida. Um automóvel de marca norte-americana pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na Alemanha, montado no Brasil e vendido no Canadá.

A rápida evolução e a popularização das tecnologias da informação (computadores, telefone e televisão) têm sido fundamental para agilizar o comércio e as transações financeiras entre os países. O número de usuários da Internet, rede mundial de computadores, é de cerca de 50 milhões e tende a duplicar a cada ano, o que faz dela o meio de comunicação que mais cresce no mundo. E o maior uso dos satélites de comunicação permite que alguns canais de televisão sejam transmitidas instantaneamente para diversos países. Tudo isso permite uma integração mundial sem precedentes.

Os blocos econômicos são associações de países, em geral de uma mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos aspectos mais importantes na formação desses blocos é a redução ou na eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zonas de livre comércio. Os blocos aumentam a interdependência das economias dos países membros. A organização vem promovendo o aumento no volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias. Esse movimento, no entanto, é acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos, que buscam manter maiores privilégios aos países membros.

Atualmente as empresas estão decidindo basicamente o que, como, quando e onde produzir os bens e serviços utilizados pelos seres humanos.

Para conseguir preços melhores e qualidade de mais alta tecnologia em sua guerra contra os concorrentes, as empresas cortaram custos, isto é, empregos, e ainda aumentaram muito os seus índices de automação, liquidando mais postos de trabalho. Nos estudos economistas, deu-se o nome de desemprego estrutural a essa tendência. O desemprego estrutural é um processo cruel porque significa que as fábricas robotizadas não precisam mais de tantos operários e os escritórios podem dispensar a maioria de seus datilógrafos, contadores e gerentes. Ele é diferente do desemprego que se conhecia até agora, motivado por recessões, que mais cedo ou mais tarde passavam. Os economistas apontam no desemprego estrutural um paradoxo do sistema de Globalização. Ele se ergueu para produzir coisas boas e baratas, vendidas numa escala planetária, fabricadas em grande parte por robôs, que são orientados por computadores. Com a globalização estão desaparecendo as fronteiras nacionais. Os governos não conseguem mais deter os movimentos do capital internacional, por isso, seu controle sobre a política econômica interna este se esgarçando.

O processo econômico sempre sofreu suas criticas de adaptação, mas as próprias crises sempre produziram as soluções.

Estratégias em um mundo sem fronteiras

A essência da estratégia é oferecer aos clientes um valor superior ao fornecido pelos concorrentes, da maneira mais econômica e sustentável. Hoje em dia, porém, milhares de concorrentes do mundo inteiro podem atender bem aos clientes. Para desenvolver uma estratégia eficaz, as pessoas que estão no papel de liderança devem entender o que está acontecendo no restante do mundo e reformular nossa organização para reagir de maneira adequada. Nenhum líder pode esperar conduzir uma empresa ao futuro sem entender o impacto comercial, político e social da economia global.

Logicamente, as barreiras existentes entre os mercados, as organizações e as nações estão caindo. Empresas e clientes estão entrando e saindo mais livremente dos países. A prestação de serviços e informações, atravessando o planeta, suplantou a manufatura como fonte primária de riqueza. E seja lá qual for seu negócio ou missão, o nome do jogo é inteligência.

Entretanto, o que chamamos de economia global é na verdade a conjunção de pelo menos cinco forças:

1. Progresso das economias regionais.

2. Tecnologia da informação e a nova mídia.

3. Culturas de consumo universais.

4. Padrões globais emergentes.

5. Custo empresarial compartilhado.

Progresso das economias regionais

Uma excursão econômica pelo planeta mostra a você uma vasta cadeia de zonas pulsantes, como Hong Kong, Kaohsiung (Taiwan), Penang (Malásia), Subic Bay (Filipinas) e Bangalore (Índia), todas pouco dependentes de um governo central. A excursão o leva a uma economia desigual nos Estados Unidos, onde a maioria das áreas metropolitanas ainda é relativamente fraca enquanto o Vale do Silício, a orla noroeste do Pacifico, parte do Texas e os estados montanhosos estão prosperando – as economias de algumas cidades nessas regiões crescem 20% ao ano. A excursão pára em países pequenos como Cingapura, Nova Zelândia e Irlanda, que estão crescendo de seis a sete por cento ao ano – muito mais rápido do que as maiores economias de seus respectivos vizinhos.

Além do mais, o surgimento de alianças globais, como a União Européia (UE), o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e o Mercosul, marcam o declínio da soberania nacional. As linhas sólidas que delimitavam as fronteiras nacionais estão dando lugar a linhas pontilhadas, o que resulta na migração de capital, informação, produtos e serviços. E as regiões mais prósperas do mundo inverteram o papel tradicional do governo – de proteger as fracas indústrias nacionais para convidar corporações globais fortes que possam atender o mercado global a partir dessas localidades anfitriãs.

A ascensão de poderes regionais, dentro e além das fronteiras nacionais, está modificando as regras das negociações. Por exemplo, como uma empresa decide fazer negócios na China? Será que o risco é o mesmo em toda parte da grande massa de terra chinesa? Provavelmente não. Há chances de que Dalian e Cantão sejam hospitaleiras apesar do que se acontece em Pequim. Da mesma maneira, à medida que as fronteiras desaparecem na União Européia, é mais fácil investir em regiões menos desenvolvidas, cidades pequenas, em vez de grandes capitais.

Tecnologia da informação e a nova mídia

Segundo reportagem da Revista Veja de 03 de Abril de 1996, meios de comunicação digitais, tecnologia da informação e telecomunicações estão comandando a mudança econômica e social no mundo. Tão poderosa é essa força que uma nação inteira – a Malásia – fundamentou sua estratégia de desenvolvimento econômico no crescimento da alta tecnologia. A Malásia está criando, com efeito, um país dentro de outro país – o Multimedia Super Corridor (MSC), um trecho de cerca de 15 por 45 quilometros de antigas plantações ao sul de Kuala Lupur. O MSC fornecerá uma infra-estrutura de século XXI projetada segundo as especificações das principais empresas de alta tecnologia no mundo, e será a vitrine de oito ‘aplicações principais’, incluindo treinamento à distância, telemedicina e governo eletrônico.

Criar uma economia de tecnologia da informação requer não só linhas telefônicas de alta velocidade e instalações sofisticadas como também novas leis, políticas e relações comerciais, governamentais, individuais e comunitárias. A maioria dos países industrializados ainda não percebeu essa realidade. No Japão, por exemplo, o código educacional prescreve que professores e alunos devem estar no mesmo local – o que dificulta o ensino à distância. As leis médicas hoje exigem que o médico esteja no mesmo quarto que o paciente ou não se pode cobrar honorários. E o direito comercial proíbe a diretoria de qualquer empresa de se reunir por meio de teleconferência.

Naturalmente, a tecnologia da informação está desafiando não só as convenções legais como também as práticas empresariais. A Amazon tornou-se a maior livraria do mundo em um ano, sem existir fisicamente. Ela manipula três milhões de títulos e estabelece uma relação interativa com os clientes. Da mesma forma, softwares e CDs são agora distribuídos eletronicamente. Organizações de serviços também estão evitando os sistemas tradicionais de distribuição.

…possível que algumas profissões – como especialistas em declaração de imposto de renda, agentes de viagens e até mesmo, advogados – sucumbam ante a tecnologia da informação.

Culturas de consumo universais

A mídia globalizada está causando uma revolução cultural bem diferente da visualizada por Mao Tse-tung: o surgimento de uma classe mundial de consumidores formada principalmente por jovens. Com centenas de canais disponíveis pela CNN, pela Fox, pela Sky e pela MTV, consumidores de todas as partes sabem agora exatamente que produtos querem comprar – e as marcas desses produtos em geral são Nike, Sony, Disney, Toyota, Coca-Cola e McDonald’s. Esses usuários universais – que se parecem com os adolescentes da Califórnia em termos de gostos, interesses e renda disponível – criam oportunidade de volume de vendas para os comerciantes globais. Poucos mercados domésticos podem alcançar o potencial de crescimento das economias em desenvolvimento no mundo todo.

Padrões globais emergentes

Com a homogeneização das preferências do consumidor vem o surgimento de padrões técnicos globais. Os órgãos oficiais mundiais já não ditam procedimentos formais para estabelecer padrões de transmissão de fax, por exemplo. Mais exatamente, algumas empresas globais capturam um mercado. O Windows da Microsoft e os microprocessadores da Intel criaram o Wintel, o padrão de fato da computação pessoal. A linguagem Java está se tornando universal na World Wide Web. Os códigos de habilitação estão cada vez mais convergindo para que as casas fabricadas nos Estados Unidos ou no Canadá possam ser exportadas para o Japão, reduzindo o custo de construção de moradia quase a metade. Empresas como MasterCard, Visa e American Express fixaram padrões de fato para o dinheiro eletrônico e as assinaturas digitais. O processo de instituição de padrões globais quase sempre é causal e não planejado, mas estabelece a base para uma enorme geração de riqueza.

Custo empresarial compartilhado

A maioria dos estrategistas empresariais preocupa-se com a questão de minimizar o custo e maximizar a receita, portanto não é de se espantar que esteja voltando sua atenção para o restante do mundo. A economia global oferece às empresas imensas oportunidades em ambos os lados da equação custo/receita. Elas podem aumentar a receita atendendo às expectativas de um bilhão de novos consumidores e, ao mesmo tempo, podem reduzir os custos fixos (manufatura, capital, P&D e fixação da marca) e variáveis (mão-de-obra e materiais). Elas não precisam necessariamente fazer as malas e transferir suas operações para o exterior. Todas as formas de aliança estratégicas, fusões e aquisições, franquias globais e terceirizações podem se traduzir em notáveis economias de custo. Enquanto as ofertas econômicas globais melhorarem a contribuição financeira para os custos fixos, empresas de todos os portes irão explora-las.

A guinada da estratégia empresarial convencional é dupla: a competitividade global é definitivamente uma corrida de inteligência e conhecimento, não de mão-de-obra barata, e a economia sem fronteiras gera oportunidades para empresas astutas de qualquer porte. A General Electric pode insistir em ser a número um ou dois em seu mercado, mas há vantagens em ser a número sete ou oito. A ‘pequenez’ nesse momento da história é uma virtude. Não há muito a perder reinventando-se. Você tem a chance de se tornar dez ou cem vezes maior, em vez de atingir um crescimento, na melhor das hipóteses, de 20 por cento. Usando a tecnologia de multimídia e de redes globais, ganha-se acesso à mesma tecnologia de comunicações e redes de comércio que as grandes empresas. Por meio de alianças, divisão de custos e elaboração criativa, as pequenas empresas podem ter grandes ambições. Podem explorar a deficiência comum em todas as grandes empresas: investir capital para fazer as coisas sempre do mesmo modo. Em outras palavras, uma empresa de grande porte terá menos flexibilidade para ‘fazer bem’ no século XXI.

Desemprego estrutural e os novos empregos

Segundo reportagem da Revista Veja de 03 de Abril de 1996, a crescente concorrência internacional tem obrigado as empresas a cortar custos, com o objetivo de obter preços menores e qualidade alta para os produtos. Nessa reestruturação estão sendo eliminados vários postos de trabalho, tendência que é chamada de desemprego estrutural. Uma das causas desse desemprego é a automação de vários setores, em substituição à mão de obra humana. Caixas automáticos tomam o lugar dos caixas de banco, fábricas robotizadas dispensam operários, escritórios informatizados prescindem datilógrafos e contadores. Nos países ricos, o desemprego também é causado pelo deslocamento de fábricas para os países com custo de produção mais baixos.

O fim de milhares de empregos, no entanto, é acompanhado pela criação de outros pontos de trabalho. Novas oportunidades surgem, por exemplo, na área de informática, com o surgimento de um novo tipo de empresa, as de “inteligência intensiva”, que se diferenciam das industrias de capital ou mão de obra intensiva. A IBM, por exemplo, empregava 400 mil pessoas em 1990, mas, desse total, somente 20 mil produziam máquinas. O restante estava envolvido em áreas de desenvolvimento de outros computadores – tanto em hardware como em software – gerenciamento e marketing. Mas a previsão é de que esse novo mercado de trabalho dificilmente absorverá os excluídos, uma vez que os empregos emergentes exigem um alto grau de qualificação profissional. Dessa forma, o desemprego tende a se concentrar nas camadas menos favorecidas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação.

Blocos econômicos

São associações de países, em geral de uma mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado internacional. Um dos aspectos mais importantes na formação dos blocos econômicos é a redução ou a eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zona de livre comércio. Os blocos aumentam a interdependência das economias dos países membros.

O primeiro bloco econômico aparece na Europa, com a criação , em 1957, da Comunidade Econômica Européia. Mas a tendência de regionalização da economia só é fortalecida nos anos 90: o desaparecimento dos dois grandes blocos da Guerra Fria, liderados pelos EUA e URSS, estimula a formação de zonas independentes de livre-comércio, um dos processos de globalização. Atualmente, os mais importantes são: o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), a União Européia (EU), o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Cooperação Econômica da ¡sia e do Pacifico (Apec) e em menor grau o Pacto Andino, a Comunidade do Caribe e Mercado Comum (Caricom), a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), a Comunidade da ¡frica Meridional para o desenvolvimento (SADC).

No plano mundial, as relações comerciais são reguladas pela Organização Mundial do Comércio (MC), que substitui o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), criado em 1947. A organização vem promovendo o aumento no volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias. Esse movimento, no entanto, é acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos, que buscam manter maiores privilégios aos países- membros.

Discussão Bibliográfica

“A globalização está multiplicando a riqueza e desencadeando forças produtivas numa escala sem precedentes. Tornou universais valores como a democracia e a liberdade. Envolve diversos simultâneos: a difusão internacional da notícia, redes como a Internet, o tratamento internacional de temas como meio ambiente e direitos humanos e a integração econômica global.” FERNANDO HENRIQUE CARDOSO – Veja, 3 de Abril, 1996 – página 82

“A globalização é a revolução do fim do século. Com ela, a conjuntura social e política das nações passam a ser desimportante na definição de investimentos. O individuo torna-se uma peça na engrenagem da corporação. Os países precisam-se ajustar para permanecer competitivos numa economia global – e aí não podem ter mais impostos, mais encargos ou mais inflação que os outros.” ANTÓNIO DELFIM NETO – Veja, 3 de Abril, 1996 – página 83

“A globalização é tão velha como Matusalém. O Brasil é produto da expansão do capitalismo europeu do final do século XV. O que está havendo agora é uma aceleração. Isso pode ser destrutivo para o Brasil, se o país na administrar sua participação no processo. A globalização é boa para as classes mais favorecidas. As menos favorecidas ficam sujeitas a perder o emprego.” PAULO NOGUEIRA BATISTA JUNIOR – Veja, 3 de Abril, 1996 – página 84

“A globalização começou na década de 70, a partir do aumento da produção das empresas, e foi acelerada porque as empresas precisam estar em vários países para se aproveitar das variações cambiais. Além disso, a globalização é uma bolha especulativa, que se expressa no mercado de derivativos. … a jogatina da moeda diária. Isso afeta empregos. Há uma recessão também globalizada.” MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES – Veja, 3 de Abril, 1996 – página 86

“As políticas internacionais uniformizaram mecanismos de produção para obter maior produtividade. Quando a globalização é usada para melhorar a vida das pessoas descobrindo um remédio, por exemplo, ela é positiva. Mas a tendência é de que se desconsidere o ser humano, aumentando o desemprego. Os que estão empregados tem que estar integrados com os avanços tecnológicos.” VICENTE PAULO DA SILVA – Veja, 3 de Abril, 1996 – página 87

“A globalização é um fenômeno tão importante quanto a Revolução Industrial ou a reorganização capitalista da década de 30. … a integração econômica e tecnológica dos países. A globalização da economia não é um processo ideológico. … um movimento de transformação social e de produção que vai permitir melhoria da qualidade de vida do cidadão e domínio das potencialidades naturais.” PAULO PAIVA – Veja, 3 de Abril, 1996 – página 88

“Com a globalização, a vantagem de localização que um país tinha na produção de algum bem passa a ser ameaçada pela competição internacional. Se o brasileiro não tem preço competitivo, perde mercado para empresas da índia. Mas, ao mesmo tempo em que traz risco, a globalização cria oportunidades. A única barreira que fica entre países e empresas é a da competência.” SERGIO ABRANCHES – Veja, 3 de Abril, 1996 – página 89

Hipóteses

Pode-se iniciar dizendo que, para sobreviver em um processo crescente de globalização é necessário qualificar mão-de-obra. Nesse raciocínio, certamente os países mais pobres irão perder com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico. Sem pretensões, ciente da atual conjuntura social em que estamos inseridos, já é passada a hora de nós, brasileiros, priorizarmos a educação, buscando um aprimoramento constante e evolutivo, não nos contentando apenas com a graduação oferecida pelos bancos universitários. Há que se buscar mais, bem mais. Cursos, pós-graduações e outras maneiras capazes de nos ampliar os horizontes e nos transformar em visionários do mundo, do mundo real que nos é posto.

Para tanto, devemos estar cientes que a época do lucro fácil, do pouco esforço com muito retorno é passado. Ingressamos em um processo que se caracteriza como a antítese da era de prosperidade vivida nas primeiras décadas do pós-guerra. Caminhamos a passos de ganso para o embate da luta cotidiana, em que serão vencedores os que verdadeiramente lutarem para isso. Como bem disse o cientista Victor Bulmer-Thomas (professor emérito de Economia da Universidade de Londres) “é irreal achar que os resultados do final da década de 60 e da primeira metade dos anos 70 irão se repetir. Milagres são chamados dessa forma porque são raros”. … hora de pensarmos no Brasil de hoje, abandonando a vetusta frase “o Brasil é o país do futuro”

Nos defrontamos como uma tendência nada virtual que são as dificuldades no setor financeiro experimentadas por todos. Óbices estes que, se por um lado nos desgastam física e intelectualmente, pelo corre-corre de conciliar inúmeras tarefas (muitas vezes antagônicas), por outra ótica, são capazes de nos tornar seres mais criativos, entusiastas, apaixonados pela possibilidade de vencer as barreiras e alcançar objetivos gloriosos. E, é justamente esse sentimento de capacidade, aliado à segurança e cidadania perenes, que deve estar presente na vida do ano 2000 e doravante, de todos os brasileiros. Historicamente, tem sido essa fé inabalável na capacidade de gerar sucesso o ponto comum entre todos os grandes empreendedores. Destarte, sejamos todos usufrutuários dos benefícios (e malefícios) advindos da globalização e, através de uma percepção correta acerca do que é interessante para o mercado e muito trabalho, façamos do fracasso apenas mais uma etapa até o sucesso.

Conclusão

Uma das características da globalização é a competição feroz entre as empresas para conseguir baixar preços e oferecer produtos melhores. Isso implica corte de custos, que na maioria das vezes quer dizer corte de empregos. A globalização obriga as empresas a enfrentar uma brutal transformação. Elas precisam ser mais competitivas para enfrentar a concorrência estrangeira.

Para conseguir preços melhores e qualidade da mais alta tecnologia na guerra contra os concorrentes, as empresas cortaram custos. Esse corte se torna mais visível no emprego, devido à automação e à tecnologia que está cada vez mais presente.

Devemos estar conscientes de que a globalização em tempos de calmaria provoca mudanças positivas e em seus tempos de crise, arrasa economias frágeis.

Precisamos ainda aprender a controlar as forças desencadeadas pela globalização para que esta não provoque efeitos negativos para a maioria da população.

Enfatizamos que a globalização não é uma coisa boa ou má, ela ocorre desde o principio das civilizações, mas ficou evidente somente nessas últimas décadas com o desenvolvimento tecnológico e as grandes mudanças que vem ocorrendo.

Caroline Tamara de Stefano Lígia de Oliveira

Bibliografia

Daniels, John L. & Daniels, Caroline. Visão Global: Criando novos modelos para as empresas do futuro. São Paulo: Makron Books, 1996.
Kanter, Rosabeth Moss. De líder para líder: Como os locais podem vencer competições globais.
Revista Veja. São Paulo: Abril, 03 abr 1996. p.80-89
Revista Veja. São Paulo: Abril, edição 1582, 27 jan 1999. p.46-53
Internet. O que é globalização.

Fonte:en.wikipedia.org/ www.espacoacademico.com.br/ www.usp.br/www.culturabrasil.pro.br/www.institutoprovider-it.com.br/www.institutoprovider-it.com.br/www.globalizacao.xpg.com.br/www.viannajr.edu.br/www.maurolaruccia.adm.br

 

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