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Coluna Prestes

 

A Coluna Prestes foi um movimento político-militar de origem tenentista que, entre 1925 e 1927, se desloca pelo Brasil pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do presidente Artur Bernardes.

Após a derrota do movimento tenentista paulista, em 1924, um grupo de combatentes recua para o interior sob o comando de Miguel Costa.

No início de 1925, eles se reúnem no oeste do Paraná com a coluna do capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul. Sempre com as forças federais em seu encalço, a coluna, de 1,5 mil homens, entra pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste e em seguida retorna a partir de Minas Gerais. Refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia em fevereiro de 1927. Sem jamais ser vencida, a coluna combate as tropas do Exército ao lado de forças policiais dos estados e de jagunços e cangaceiros, recrutados pelos coronéis e estimulados por promessas oficiais de anistia.

A coluna poucas vezes enfrenta grande efetivo do governo. Em geral eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas.

Nas cidades e nos vilarejos do sertão, os rebeldes promovem comícios e divulgam manifestos contra o regime da República Velha e o autoritarismo do governo de Washington Luís, que mantém o país sob estado de sítio desde sua posse, em novembro de 1926.

Os homens liderados por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa não conseguem derrubar o governo de Washington Luís. Mas, com a reputação de invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de 25 mil quilômetros, aumentam o prestígio político do tenentismo e reforçam suas críticas às oligarquias.

Com o sucesso da marcha, a coluna ajuda a abalar ainda mais os alicerces da República Velha e a preparar a Revolução de 1930.

Projeta também Luís Carlos Prestes, que, desde a entrada no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a participação na Intentona Comunista de 1935, se torna uma das figuras centrais do cenário político do país nas três décadas seguintes.

Fonte: EncBrasil

Coluna Prestes

Foi um movimento político-militar de origem tenentista, que entre 1925 e 1927 se deslocou pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Arthur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís.

O Tenentismo

O movimento tenentista não é facilmente definível. Possui um programa extremamente difuso, mas algumas linhas gerais podem ser delineadas. Sua insatisfação com a República Velha leva-os a requerem voto secreto e um maior centralismo político. Ademais, exigem ensino público para facilitar o acesso às informações por parte da população carente. São idealistas, porém elitistas. Golpistas, mas reformistas. Prova inconteste da falta de clareza dos ideais tenentistas é que a inúmeras tendências aderiram os líderes do movimento. Alguns tornaram-se comunistas, outros nazi-fascistas, outros ainda conservadores. Cumpre realçar que a maior parte do movimento era composto por capitães e tenentes da classe média, donde originou-se o ideal de "Soldado Cidadão".

Após a derrota do movimento paulista, em 1924, um grupo de combatentes recuou para o interior sob o comando de Miguel Costa. No início de 1925 reúne-se no oeste do Paraná com a coluna do capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul. Sempre com as forças federais no seu encalço, a coluna de 1 500 homens entra pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste, em seguida retorna a partir de Minas Gerais. Refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia, em fevereiro de 1927. Sem jamais ser vencida (venceu todas as batalhas), a coluna Prestes enfrenta as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais dos Estados e tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia. Acredita-se que até o cangaceiro Lampião foi convocado para derrotar a Coluna Prestes.

A coluna poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas. Ataques de cangaceiros à Coluna também reforçam o caráter lendário da marcha, mas não há registros desses embates. Nas cidades e nos vilarejos do sertão, os rebeldes promovem comícios e divulgam manifestos contra o regime oligárquico da República Velha e contra o autoritarismo do governo de Washington Luís, o qual mantém o país sob estado de sítio desde sua posse, em novembro de 1926.

Os homens liderados por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa não conseguem derrubar o governo de Washington Luís. Entretanto, com a reputação de invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de 25 mil quilômetros, aumentam o prestígio político do tenentismo e reforçam suas críticas às oligarquias. Com o sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais os alicerces da República Velha e preparar a Revolução de 30. Projeta também a liderança de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro. Após liderar a Intentona Comunista de 1935, torna-se uma das figuras centrais do cenário político do país nas décadas seguintes.

Fonte: elogica.br.inter.net

Coluna Prestes

Diante do avanço das forças legais que reprimiram o levantes de 1924 em São Paulo, os revoltosos decidiram deixar a capital paulista no dia 28 de julho, iniciando sua marcha pelo interior do estado na direção sudoeste. Ingressando no Paraná, em setembro conquistaram Guaíra, Foz do Iguaçu (onde estabeleceram seu quartel-general) e depois Catanduvas. Nessa região, permaneceram até abril de 1925, enfrentando as forças federais comandadas pelo general Cândido Rondon em uma série de combates, principalmente na serra de Medeiros, em Formigas e em Catanduvas, recuperada pelos legalistas no mês de março.

Ainda no início da campanha paranaense, alguns líderes como Juarez Távora e João Alberto partiram para o Rio Grande do Sul, a fim de colaborar com oficiais que lá serviam na preparação da revolta militar que abriria nesse estado uma nova frente de combate ao governo. Em outubro de 1924, a insurreição foi finalmente deflagrada no Rio Grande, com o levante, comandado pelo capitão Luís Carlos Prestes, do 1º Batalhão Ferroviário, sediado em Santo Ângelo.

Ao mesmo tempo, sublevaram-se tropas nas cidades gaúchas de São Luís, São Borja e Uruguaiana, chefiadas respectivamente por Pedro Gay, Rui Zubaran e Juarez Távora. Em São Borja, o capitão Zubaran contou com a colaboração de Siqueira Campos, que retornara clandestinamente do exílio em Buenos Aires. O movimento atingiu ainda várias outras cidades. Em Alegrete, o levante foi chefiado por João Alberto e, em Guaçuboi, as forças comandadas pelo caudilho libertador Honório Lemes foram derrotadas pelas tropas legalistas de Flores da Cunha.

Obedecendo às instruções do general Isidoro Dias Lopes, as forças rebeladas no Rio Grande do Sul marcharam em seguida para o norte do estado, visando a alcançar Foz do Iguaçu e unir-se aos revoltosos paulistas. Em abril de 1925, após atravessarem Santa Catarina e parte do Paraná, travando com as tropas legalistas seguidos combates em que perderam quase metade de seu contingente, as forças gaúchas chegaram a seu destino.

No dia 12 de abril, em reunião que contou com a presença de Isidoro Dias Lopes, Miguel Costa, Luís Carlos Prestes e do general Bernardo Padilha, foi tomada a decisão de prosseguir a marcha e invadir Mato Grosso, contrariando a opinião do general Isidoro, favorável à cessação da luta. Formada a 1ª Divisão Revolucionária, assumiu seu comando o general comissionado Miguel Costa, tendo como chefe de estado-maior o coronel comissionado Luís Carlos Prestes. Estava formada aquela que ficaria conhecida como Coluna Miguel Costa-Prestes ou simplesmente Coluna Prestes.

A coluna era composta de quatro destacamentos, comandados por Cordeiro de Farias, João Alberto, Siqueira Campos e Djalma Dutra, que foi promovido a coronel pelo comando revolucionário. Decidiu-se também na reunião que o general Isidoro partiria para a Argentina, onde deveria coordenar a ação dos revolucionários exilados ou inativos no sul do país.

Iniciando a marcha, a coluna concluiu a travessia do rio Paraná em fins de abril de 1925 e penetrou no Paraguai rumo a Mato Grosso. Em seguida, percorreu Goiás, entrou em Minas Gerais e retornou a Goiás. Seguiu em direção ao Nordeste e em novembro atingiu o Maranhão, onde o tenente-coronel Paulo Krüger foi preso e enviado a São Luís. Em dezembro, penetrou no Piauí e travou em Teresina sério combate com as forças do governo.

Rumando então para o Ceará, a coluna teve outra baixa importante: na serra de Ibiapina, Juarez Távora foi capturado.

Em janeiro de 1926, a coluna atravessou o Ceará, chegou ao Rio Grande do Norte e, em fevereiro, invadiu a Paraíba, enfrentando na vila de Piancó séria resistência comandada pelo padre Aristides Ferreira da Cruz, líder político local. Após ferrenhos combates, a vila acabou ocupada pelos revolucionários.

Prosseguindo a marcha rumo ao sul, a coluna atravessou Pernambuco e Bahia e dirigiu-se para o norte de Minas Gerais. Encontrando vigorosa reação legalista e precisando remuniciar-se, o comando da coluna decidiu interromper a marcha para o sul e, em manobra conhecida como "laço húngaro", retornar ao Nordeste através da Bahia. Cruzou o Piauí, alcançou Goiás e finalmente chegou de volta a Mato Grosso em outubro de 1926.

Àquela altura, o estado-maior revolucionário decidiu enviar Lourenço Moreira Lima e Djalma Dutra à Argentina, para consultar o general Isidoro Dias Lopes quanto ao futuro da coluna: continuar a luta ou rumar para o exílio.

Entre fevereiro e março de 1927, afinal, após uma penosa travessia do Pantanal, parte da coluna, comandada por Siqueira Campos, chegou ao Paraguai, enquanto o restante ingressou na Bolívia, onde encontrou Lourenço Moreira Lima, que retornava da Argentina. Tendo em vista as condições precárias da coluna e as instruções de Isidoro, os revolucionários decidiram exilar-se. Durante sua marcha de quase dois anos, haviam percorrido cerca de 25.000 quilômetros.

Miguel Costa seguiu para Libres, na Argentina, enquanto Prestes e mais duzentos homens rumaram para Gaiba, na Bolívia, onde trabalharam por algum tempo para uma companhia inglesa, a Bolívia Concessions Limited. Em 5 de julho de 1927, os exilados inauguraram em Gaiba um monumento em homenagem aos mortos da campanha da coluna. Instadas pelos protestos do governo brasileiro, autoridades bolivianas tentaram destruir o monumento, mas foram impedidas de fazê-lo ante a atitude enérgica de Luís Carlos Prestes.

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

Coluna Prestes

O aprimoramento profissional da oficialidade do Exército, decorrente do surto de modernização que empolgou a Força Terrestre pós-Império, gerou, como subproduto, a politização das classes armadas, em especial a dos jovens oficiais.

Coluna Prestes
"Os Dezoito do Forte": episódio que eterniza o idealismo do movimento tenentista.

Começou a se corporificar no seio dos tenentes e capitães consciência revolucionária resistente à utilização do Exército como massa de manobra dos velhos políticos da “República do Café com Leite”.

A vitória contumaz do candidato situacionista, fruto da "eleição a bico de pena" e dos "currais eleitorais" - o voto não era secreto - envolvia os pleitos em aura de suspeição, abalando, em muito, a credibilidade e a representatividade dos eleitos.

A oposição ao Presidente Epitácio Pessoa recrudescera em virtude da punição aplicada ao Marechal Hermes da Fonseca: ex-presidente da República, ex-Ministro da Guerra e presidente do Clube Militar.

Coluna Prestes
Muitos dos tenentes revolucionários que foram presos durante o movimento tenentista ocupariam, mais tarde,
cargos de relevo na República brasileira.

O fechamento deste pelo Governo, aliado ao célebre episódio das “Cartas Falsas” - que teriam sido escritas pelo canditado à presidência Arthur Bernardes e endereça-das ao político mineiro e Ministro da Marinha, Dr. Raul Soares - publicadas na imprensa, desgastou a classe política perante o Exército e fez transbordar o copo da paciência tenentista.

Em 5 de julho de 1922, irrompe a Revolução. Não obstante a intensa articulação, o levante restringe-se às guarnições do Rio de Janeiro e de Mato Grosso.

No então Distrito Federal, os alunos da Escola Militar do Realengo seriam fácil e rapidamente derrotados pelas tropas aquarteladas na Vila Militar.

Mas foi no Forte de Copacabana que a Revolução expôs sua natureza mística. Intadoss à rendição, militares e um civil, cada um com um pedaço da Bandeira Nacional junto ao coração, marcharam de peito aberto para enfrentar as forças legalistas. Esse gesto representou o supremo sacrifício de um punhado de jovens pelo mais puro ideal de regeneração da Pátria. Entre os “Dezoito do Forte” estavam os Tenentes Antônio de Siqueira Campos e Eduardo Gomes que sobreviveram à imolação de seus companheiros.

Coluna Prestes
Os chefes da Revolução de 30: Getúlio Vargas (à direita), Miguel Costa (à esquerda) e o
Tenente Coronel Góes Monteiro, futuro Ministro da Guerra, em pé.

Do ideário tenentista constavam, além da instituição do voto secreto, a obrigatoriedade do ensino primário e profissional, justiça gratuita e principalmente o saneamento político do País, considerando a “decadência moral, a desordem administrativa e as perturbações econômicas que ameaçavam devorar o futuro, depois de haverem arruinado o presente” (trecho do manifesto revolucionário).

Seguiu-se violenta repressão: os alunos da Escola Militar foram expulsos e os tenentes revolucionários, presos e processados. Dois anos depois, a intransigência do governo Bernardes fez eclodir novos movimentos, em julho, em São Paulo, e, em outubro, no Rio Grande do Sul. A capital bandeirante chegou a ser tomada pelos revoltosos, de que resultou seu covarde bombardeamento aéreo e por artilharia, causador de muitas vítimas entre a população civil.

Da Revolução de 1924 resultaria a formação de duas colunas rebeldes: uma, procedente do Rio Grande do Sul, sob comando do Capitão Luis Carlos Prestes; outra, de São Paulo, integrada por vários chefes revolucionários, um deles, o Major Miguel Costa, da Força Pública de São Paulo.

No Paraná, as colunas fundiram-se para constituir a que ficou conhecida, impropriamente, como “Coluna Prestes”. Essa tropa, comandada por Miguel Costa, estava organizada em Estado-Maior e quatro destacamentos, comandados pelos Tenentes Cordeiro de Farias, João Alberto, Siqueira Campos e Djalma Dutra. Intensamente perseguida por forças legalistas, compostas por elementos do Exército, das polícias estaduais e de capangas e cangaceiros, a Coluna logrou percorrer treze estados da Federação e trecho do território paraguaio, totalizando cerca de 25 mil quilômetros, até se exilar, na Bolívia e no Paraguai, em 1927.

Coluna Prestes
O General Bertoldo Klinger, antigo perseguidor da "Coluna Prestes", bateu-se em 1932, ao lado dos revolucionários paulistas.

Por ocasião da revolução de 1930, os tenentes juntaram-se aos políticos da Aliança Liberal, liderada por Getúlio Vargas, para afastar o Presidente Washington Luis, deposto por uma junta militar, dias antes dos revolucionários chegarem à capital da República.

Durante o Governo Provisório, vários tenentes foram nomeados interventores nos estados da Federação.

A nomeação do pernambucano João Alberto para a interventoria em São Paulo, com a preterição de vários próceres do Partido Democrático, deflagrou a insatisfação que iria desaguar na Revolução Constitucionalista de 1932, duramente reprimida pelo Governo Federal. A principal reivindicação dos paulistas - a normalização democrática do regime instituído em 1930 - iria se consumar com a promulgação da Constituição de 1934, arrancada graças ao derramamento do nobre sangue bandeirante.

Coluna Prestes
Alguns dos integrantes da chamada "Coluna Prestes".

No ano seguinte, aproveitando o ar de liberdade que o País respirava, desencadeou-se a Intentona Comunista de 1935, de triste lembrança. Episódio que mancharia de vermelho nossa história, a Intentona foi urdida por uma organização de fachada, a Aliança Nacional Libertadora, testa de ferro do Movimento Comunista Internacional (MCI). Seu líder era o ex-Capitão Luis Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, que, em função da notoriedade adquirida no movimento tenentista, havia sido cooptado pelo MCI, traindo seus companheiros, seus ideais revolucionários, seu Exército e sua Pátria.

Era novembro de 1935. Eclodem em Natal, Recife e no Rio de Janeiro rebeliões, caracterizadas pela vileza e covardia de seus mentores. A pronta reação do Exército sufocou a Intentona.

A imagem dos comunistas vencidos, deixando, com sorriso nos lábios, as ruínas do 3º RI, na Praia Vermelha, após assassinarem covardemente companheiros de caserna, serve de triste epílogo a uma das páginas mais torpes da nossa História Militar.

Em 1937, sob pretexto de iminência de novo golpe comunista, com base em hipótese subversiva, o Plano Cohen - é a segunda crise que eclode motivada por documento falso - o Presidente Vargas instaurou, com o apoio das Forças Armadas, a ditadura do Estado Novo. Para assinalar o caráter unitarista do regime, as bandeiras estaduais seriam queimadas em concorrida solenidade oficial, no Rio de Janeiro.

Coluna Prestes
Os mártires da Intentona Comunista de 1935 - heróis que deram a vida pela liberdade: (a partir da esquerda) Major Misael Mendonça,
Capitães Armando de sousa e Mello e João Ribeiro Pinheiro, Tenentes Danilo Paladini, Benedicto Lopes Bragança e Geraldo de Oliveira.

Militares da Ação Integralista Brasileira, o outro lado da medalha, também tentaram um golpe de mão contra o Palácio do Catete, em 1938, mas foram derrotados por tropas do Exército comandadas pelo Coronel Cordeiro de Farias. O regime do Estado Novo cairia por obra e graça da Força Expedicionária Brasileira (FEB), em outubro de 1945. Como seria possível combater e vencer o nazi-fascismo, na guerra, e conviver sob o tacão de um regime ditatorial?

A Constituição de 1946 tentou incrementar nova era na política brasileira. Sob o manto constitucional, Luis Carlos Prestes foi anistiado dos crimes de 1935. Eleito senador da República pelo Partido Comunista, atreveu-se a declarar que se o Brasil entrasse em guerra com a União Soviética lutaria contra sua Pátria. Essa espontânea declaração prenunciava que os comunistas de plantão consideravam que, em 1935, haviam perdido uma batalha, mas tinham esperanças de tomar o poder pela luta armada.

Coluna Prestes
Em 4 de dezembro de 1937, o já ditador Getúlio Vargas promoveu a queima das bandeiras estaduais
como forma de deixar clero o caráter unitário do regime.

Vários dos integrantes da chamada "Coluna Prestes" seriam figuras de proa da vida nacional, como os então Capitão Juarez Távora e Tenente Cordeiro de Farias, futuros ministros do governo Castelo Branco.

Fonte: www.exercito.gov.br

Coluna Prestes

A Coluna Prestes foi uma espécie de passeata de longa duração, realizada por políticos e militares brasileiros entre os anos de 1924 e 1927.

Em suas marchas pelo país, os integrantes da coluna combatiam o governo do então presidente Arthur Bernardes e de seu sucessor, Washington Luís. Além disso, defendiam o voto secreto e a obrigatoriedade do ensino primário para toda a população, entre outros objetivos. Esses eram os ideais, digamos, positivos do movimento. Mas ele também tinha um caráter golpista e elitista, ao contrário do que muitos imaginam. Para compreender as motivações dos revoltosos, é preciso lembrar um pouco da política da época.

O presidente Arthur Bernardes (1922-1926) governou o país em constante estado de sítio, apoiado por lideranças rurais, em um sistema que isolava politicamente os grupos urbanos. Diante desse quadro, a classe média em ascensão - militares, funcionários públicos, pequenos proprietários e trabalhadores em geral - começou a reivindicar sua fatia no bolo. O clima de tensão culminou no tenentismo, movimento que promoveu vários levantes contra o governo, como o ocorrido em São Paulo em julho de 1924. O golpe liderado pelo tenente-coronel Isidoro Dias Lopes, da Força Pública Estadual - a polícia militar da época - foi escorraçado por tropas federais.

"Os rebeldes juntaram-se aos tenentes do Rio Grande do Sul, que em 29 de outubro, sob o comando do capitão Luiz Carlos Prestes, amotinaram várias unidades militares naquele estado. Paulistas e gaúchos deram início, então, à marcha que ficou conhecida como a Coluna Prestes", diz a historiadora Marly de Almeida Gomes Vianna, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Em seu percurso, os rebeldes realizaram uma campanha de propaganda política, mas não conseguiram derrubar o governo.

MARCHA RADICAL

Do sul ao nordeste, a coluna atravessou o país. Mas seus líderes acabaram no exílio

Batalhão numeroso

O número de participantes na Coluna Prestes oscilou muito. Alguns grupos aderiam à coluna devido a algum interesse específico, mas se desligavam em seguida.

O efetivo também incluía mulheres, ainda que em número reduzido. Em seu auge, durante a passagem pelo atual Mato Grosso do Sul, a marcha tinha cerca de 1.500 pessoas

Maior inimigo

Como a tática da coluna era basicamente evitar confrontos com as tropas inimigas, as mortes ocorriam mais por doenças do que por ferimentos no campo de batalha — não existem dados precisos sobre o número de baixas. Diante das dificuldades encontradas no trajeto, as deserções também eram muito comuns

Até tu, lampião?

Fugindo das tropas federais, a coluna atravessou o país até o Maranhão, percorreu o Nordeste e retornou por Minas Gerais, promovendo comícios e divulgando manifestos contra o governo. Existem boatos de que até Lampião, o mais famoso cangaceiro do Brasil, teria entrado em confronto com os revoltosos, mas não há registros históricos que comprovem isso

O lado negro

Os historiadores não chegam a um consenso sobre esse assunto, mas o fato é que a coluna também cometeu muitos delitos por onde passou. Há relatos de saques e estupros em algumas comunidades, mas os crimes eram punidos com rigor pelos líderes do movimento, às vezes até mesmo com a execução dos culpados

Quando um não quer...

Como os revoltosos não tinham a menor chance contra as tropas do governo, eles optaram por táticas de despistamento. Às vezes eram espalhados boatos sobre a intenção da coluna de passar por determinado lugar, quando, na verdade, ela estava bem distante dali

Primeiros passos

Diante do avanço de tropas federais para reprimir o levante tenentista ocorrido em 1924 em São Paulo, parte dos revoltosos decidiu deixar a capital do estado em 28 de julho daquele ano, sob comando do major Miguel Costa, da Força Pública de São Paulo. Esse foi o começo da famosa coluna. Na fuga, eles enfrentaram um bombardeio de artilharia que destruiu parte da cidade

A união faz a força

Os revoltosos em retirada entraram no Paraná e, no início de 1925, reuniram-se com a tropa do capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul. A coluna estabeleceu seu quartel-general em Foz do Iguaçu, mas teve de fugir devido à perseguição liderada pelo general Cândido Rondon

Última volta

Entre fevereiro e março de 1927, após atravessar o Pantanal, uma parte do grupo chegou ao Paraguai, enquanto o restante foi para a Bolívia. Com o movimento desmantelado, os revolucionários optaram pelo exílio. No ano seguinte, Prestes seguiu para a Argentina, onde aderiu ao comunismo

HERÓIS DA RESISTÊNCIA

As condições de transporte eram precárias, mas a marcha percorreu milhares de quilômetros
Extensão da marcha = cerca de 25 mil quilômetros
Duração = julho de 1924 a março de 1927
Meios de transporte = a maioria andava a pé; os líderes, a cavalo ou em lombo de burro

Fonte: mundoestranho.abril.com.br

Coluna Prestes

Coluna Prestes foi um movimento político-militar de origem tenentista, que entre 1925 e 1927 se deslocou pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Arthur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís.

O Tenentismo

O movimento tenentista não é facilmente definível. Possui um programa extremamente difuso, mas algumas linhas gerais podem ser delineadas. Sua insatisfação com a República Velha leva-os a requerem voto secreto e um maior centralismo político. Ademais, exigem ensino público para facilitar o acesso às informações por parte da população carente. São idealistas, porém elitistas. Golpistas, mas reformistas. Prova inconteste da falta de clareza dos ideais tenentistas é que a inúmeras tendências aderiram os líderes do movimento. Alguns tornaram-se comunistas, outros nazi-fascistas, outros ainda conservadores. Cumpre realçar que a maior parte do movimento era composto por capitães e tenentes da classe média, donde originou-se o ideal de "Soldado Cidadão".

Após a derrota do movimento paulista, em 1924, um grupo de combatentes recuou para o interior sob o comando de Miguel Costa. No início de 1925 reúne-se no oeste do Paraná com a coluna do capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul. Sempre com as forças federais no seu encalço, a coluna de 1 500 homens entra pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste, em seguida retorna a partir de Minas Gerais. Refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia, em fevereiro de 1927. Sem jamais ser vencida (venceu todas as batalhas), a coluna Prestes enfrenta as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais dos Estados e tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia. Acredita-se que até o cangaceiro Lampião foi convocado para derrotar a Coluna Prestes.

A coluna poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas. Ataques de cangaceiros à Coluna também reforçam o caráter lendário da marcha, mas não há registros desses embates. Nas cidades e nos vilarejos do sertão, os rebeldes promovem comícios e divulgam manifestos contra o regime oligárquico da República Velha e contra o autoritarismo do governo de Washington Luís, o qual mantém o país sob estado de sítio desde sua posse, em novembro de 1926.

Os homens liderados por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa não conseguem derrubar o governo de Washington Luís. Entretanto, com a reputação de invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de 25 mil quilômetros, aumentam o prestígio político do tenentismo e reforçam suas críticas às oligarquias. Com o sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais os alicerces da República Velha e preparar a Revolução de 30. Projeta também a liderança de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro. Após liderar a Intentona Comunista de 1935, torna-se uma das figuras centrais do cenário político do país nas décadas seguintes.

Coluna Prestes, movimento político-militar de origem tenentista, que, entre 1925 e 1927, empreendeu uma marcha pelo interior do Brasil defendendo reformas políticas e sociais e combatendo o governo do presidente Artur Bernardes (1922-1926). No ambiente de contestação às oligarquias e sob a influência do tenentismo, remanescentes da Revolução de 1924 uniram-se a dissidentes do Rio Grande do Sul e seguiram para o interior. Sempre conseguindo vitórias, a Coluna combateu forças regulares e milícias privadas de fazendeiros. A Coluna, que poucas vezes enfrentou grande efetivo do governo, empregava táticas de guerrilha, para confundir as tropas legalistas. Cerca de 1.200 homens, chefiados por Juarez Távora, Miguel Costa e Luís Carlos Prestes percorreram, durante 29 meses, 25 mil km nos estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia. Ao final de 1926, com mais da metade dos combatentes atacados pela cólera e sem poder continuar a luta, a Coluna procurou asilo na Bolívia. Não conseguiram derrubar o governo do presidente Washington Luís (1926-1930), mas a invencibilidade da Coluna contribuiu para o prestígio político do tenentismo e reforçou as críticas às oligarquias. Sua atuação ajudou a abalar os alicerces da República Velha, a preparar a Revolução de 1930, e afirmar a liderança nacional de Luís Carlos Prestes.

Coluna Prestes

Reunindo revoltosos de São Paulo e do Rio Grande do Sul, formou-se uma coluna revolucionária que percorreria 25 000 quilômetros nos sertões brasileiros, durante dois anos e meio de aventuras e sofrimentos, na esperança de contribuir para a deposição do regime que condenara.

Ficaria conhecida pelo nome de Coluna Prestes.

Seu comandante, Luís Carlos Prestes, iniciara sua marcha em Alegrete, no Rio Grande do Sul, tendo alcançado o Piauí e o Maranhão. Somente nos primeiros meses do governo de Washington Luís seria dissolvida a coluna, internando-se na Bolívia seus remanescentes. Com muita razão diria o historiador José Maria Bello que Arthur Bernardes governou o Brasil como se estivesse dentro de uma fortaleza, sob a constante pressão do sítio, realizando, no entanto, frequentes ataques vitoriosos.

Foi o mais importante movimento militar de contestação às estruturas da República Velha, comandada pelas oligarquias tradicionais.

A Grande Marcha de 1925 a 27 foi o ponto culminante de um movimento militar, denominado de Tenentismo. Esse movimento armado visava derrubar as oligarquias que dominavam o país e, posterirormente, desenvolver um conjunto de reformas institucionais, com o intuito de eliminar os vícios da República Velha.

A organização politica republicana baseava-se na estrutura agrária existente, onde a sociedade rural estava enquadrada política e eleitoralmente pelos mecanismos de mandonismo local, dentro de um sistema marcado pelos currais eleitorais. Dessa maneira, os grupos urbanos estavam marginalizados efetivamente da vida política do país.

Apesar de formado por uma minoria da sociedade, as camadas urbanas conheciam um processo constante de crescimento, que havia se acentuado principalmente com a 1° Guerra Mundial. Militares, funcionários públicos, operários, pequenos proprietários e trabalhadores em geral, formavam uma camada média crescente, com direitos políticos garantidos, mas na prática excluída do poder.

O descontentamento com tal situação processou-se de diversas maneiras, destacando-se o movimento operário e o tenentismo.

O movimento tenentista reflete ao mesmo tempo a crise da República Velha e seus tradicionais métodos de manipulação do poder, como também as peculiaridades da instituição militar, melhor definida politicamente desde o governo Floriano Peixoto.

Desde o final do século XIX pode-se perceber um movimento no interior do exército promovido pelos militares “florianistas”, que consideravam o exército como o verdadeiro responsável pela implantação da República no país. Essa tendência reforçou o sentimento de corpo dos militares que, a partir do governo de Prudente de Morais, passaram a ocupar um lugar secundário na política nacional. Sem poder político efetivo, porém organizados dentro de uma instituição centralizada, parte dos militares enxergava a república se corromper pelos políticos civis, que haviam se apropriado do poder.

Apesar desse sentimento de corpo e a uma certa oposição a política desenvolvida pelos coronéis, não foi o exército como um todo que participou das rebeliões que ocorreram na década de 20. O movimento armado foi organizado principalmente pelos tenentes e contou com a simpatia e a aprticipação de elementos da baixa oficialidade (sargentos, cabos e soldados) enquanto que a cúpula militar se manteve fiel a “ordem”.

De uma forma geral considera-se o movimento tenentista como elitizado, na medida em que considera que apenas o exército é capaz de eliminar os vícios da República e dotar o país de uma estrutura política e administrativa moderna. Apesar de terem um padrão de vida igual ao da classe média e em parte refletir o mesmo descontentamento frente ao poder, os tenentes não podem ser considerados como representantes desta camada, primeiro por não pretender organiza-la, segundo por que possuíam um “espírito de corpo”, com características bem peculiares, reforçando os intereses intrínsecos desse grupo social

No inicio de abril de 1925, as forças gaúchas comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes se uniam com as tropas que fugiam de São Paulo.

Os dois grupos haviam participado das rebeliões do ano anterior, mantiveram focos de resistência e procuravam manter e fortalecer sua organização, para retomar a luta pelo grande ideal: Salvar a Pátria.

Depois de convencer os líderes paulistas da possibilidade da vitória contra o governo e as tropas fiéis a ele, Prestes iniciou a longa marcha afastando-se do país. A coluna atravessou o Paraguai no final de abril e voltou ao país através do Mato Grosso

Do Mato Grosso, passando por Goiás, a coluna dirigiu-se para o Nordeste, atingindo o Estado do Maranhão no mês de novembro de 1925, chegando logo depois a ameaçar diretamente a cidade de Teresina. Na região nordeste os rebeldes percorreram praticamente todos os estados, chegando a ameaçar efetivamente a cidade de Teresina. Em todos os momentos a maior resistência virá das forças arregimentadas pelos coronéis.

As tropas que combateram a Coluna eram bastante diversificadas, mostrando a disposição do governo e dos latifundiários em eliminar esse foco de rebelião. O exército, as policias estaduais, jagunçoa dos coronéis e eventualmente cangaceiros participaram do combate à Coluna Prestes.

"Nos Estados economicamente poderosos (as oligarquias) constituíam forças policiais organizadas como pequenos exércitos; nos Estados economicamente fracos, armaram os próprios exércitos privados dos latifundiários. Sobre esses dois suportes é que assentou o combate aos revolucionários tenentistas, desde que estes empreenderam a arrancada pelo interior, com a Coluna Prestes ."

A grande marcha realizada pela Coluna por vários estados do Brasil não conseguia efetivamente atrair a simpatia da opinião pública; apenas em algumas ocasiões cidades ou grupos de homens apoiaram o movimento e até mesmo passaram a integra-lo. A idéia de que o movimento cresceria em número e em força ao longo da marcha foi se desfazendo durante o trajeto na região nordeste. Num meio físico hostil, ilhada pelo latifúndio, não achou nas massas do interior o apoio necessário e alentador.

Apesar dessa significação profunda que adquiriu a Coluna, de ser ela, na expressão dos revolucionários, a chama que mantinha a Revolução, nunca conseguiu mais que uma sensibilização superficial nas grandes massas para as quais dizia voltar-se. Estas não acorreram ao chamado paternal dos "tenentes", não se colocaram sob sua proteção para, juntos, pôr nos eixos uma República que "nascera bem", mas que se "desvirtuara" em meio ao caminho.

Foi um movimento político-militar de origem tenentista, que entre 1925 e 1927 se deslocou pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Arthur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís.

O Tenentismo

O movimento tenentista não é facilmente definível. Possui um programa extremamente difuso, mas algumas linhas gerais podem ser delineadas. Sua insatisfação com a República Velha leva-os a requerem voto secreto e um maior centralismo político. Ademais, exigem ensino público para facilitar o acesso às informações por parte da população carente. São idealistas, porém elitistas. Golpistas, mas reformistas. Prova inconteste da falta de clareza dos ideais tenentistas é que a inúmeras tendências aderiram os líderes do movimento. Alguns tornaram-se comunistas, outros nazi-fascistas, outros ainda conservadores. Cumpre realçar que a maior parte do movimento era composto por capitães e tenentes da classe média, donde originou-se o ideal de "Soldado Cidadão".

Após a derrota do movimento paulista, em 1924, um grupo de combatentes recuou para o interior sob o comando de Miguel Costa. No início de 1925 reúne-se no oeste do Paraná com a coluna do capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul. Sempre com as forças federais no seu encalço, a coluna de 1 500 homens entra pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste, em seguida retorna a partir de Minas Gerais. Refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia, em fevereiro de 1927. Sem jamais ser vencida (venceu todas as batalhas), a coluna Prestes enfrenta as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais dos Estados e tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia.

Acredita-se que até o cangaceiro Lampião foi convocado para derrotar a Coluna Prestes.

A coluna poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas. Ataques de cangaceiros à Coluna também reforçam o caráter lendário da marcha, mas não há registros desses embates. Nas cidades e nos vilarejos do sertão, os rebeldes promovem comícios e divulgam manifestos contra o regime oligárquico da República Velha e contra o autoritarismo do governo de Washington Luís, o qual mantém o país sob estado de sítio desde sua posse, em novembro de 1926.

Os homens liderados por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa não conseguem derrubar o governo de Washington Luís. Entretanto, com a reputação de invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de 25 mil quilômetros, aumentam o prestígio político do tenentismo e reforçam suas críticas às oligarquias. Com o sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais os alicerces da República Velha e preparar a Revolução de 30. Projeta também a liderança de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro. Após liderar a Intentona Comunista de 1935, torna-se uma das figuras centrais do cenário político do país nas décadas seguintes.

Fonte: www.vestibular1.com.br

Coluna Prestes

Coluna Prestes
Luís Carlos Prestes (1898 - 1990)

A Coluna Miguel Costa-Prestes, mais conhecida por Coluna Prestes foi um movimento político-militar brasileiro existente entre 1925 e 1927 e ligado ao Tenentismo, corrente que possuía um programa bastante difuso, mas algumas linhas gerais podem ser delineadas: insatisfação com a República Velha, exigência do voto secreto, defesa do ensino público.

O movimento contou com lideranças das mais diversas correntes políticas, mas a maior parte do movimento era composta por capitães e tenentes da classe média, donde originou-se o ideal de "Soldado Cidadão".

O movimento deslocou-se pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Arthur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís.

A Coluna Prestes enfrentou as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais de vários Estados, além de tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia.

Dentre estas, a mais aguerrida e que forçou a retirada de Prestes para a Bolívia foi a organizada pelo Coronel do sertão baiano, Horácio de Matos: o seu Batalhão Patriótico Chapada Diamantina iniciou a perseguição aos revoltosos, até a saída destes do território brasileiro, retornando como vitoriosos à cidade de Lençóis.

A Coluna Prestes poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas.

Com o sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais o prestígio da República Velha e a preparar a Revolução de 1930. Projeta também a liderança de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista do Brasil (PCB).

Fonte: www.geocities.com

Coluna Prestes

A Coluna Prestes foi o mais importante movimento militar de contestação às estruturas da República Velha, comandada pelas oligarquias tradicionais.

Foi um movimento político-militar de origem Tenentista, que entre 1925 e 1927 se deslocou pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Arthur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís. Após a derrota do movimento paulista, em 1924, um grupo de 6.000 combatentes recuou para o interior sob o comando de Miguel Costa.

No início de 1925, reúnem-se em Foz do Iguaçu no Oeste do Paraná, com a Coluna do Capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul, formando uma só coluna – a “Coluna Prestes”(conhecida no Paraná por “Coluna Miguel Costa-Prestes”), a partir de 11 de abril de 1925 a coluna começou sua marcha pelo interior do país; sempre com as forças federais no seu encalço, a coluna de 1 500 homens vai para o RS e MG, eclodindo a revolução às 5h, e 30 min do dia 3 de outubro de 1925 ( horário escolhido por Jorge Aranha em função do fim de espediente nos quartéis, o que facilitava a ação militar e a prisão dos oficiais em suas casas). Depois para GO, volta para MG onde ocorre um atrito, perdem. Vão para TO, PI, PE BA e MG; ocorre o segundo atrito, nova batalha e nova; voltam dea BA para PE, PI, TO, GO; e vão para o MS, ocorrre a 3ª batalha e a coluna foge para o MT e, finalmente para a Bolívia onde 620 soldados deram a batalha por encerrado em fevereiro de 1927.

A Coluna Prestes enfrentou as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais dos Estados e tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia. Acredita-se que até o Cangaceiro Lampião foi convocado para derrotar a Coluna Prestes. A coluna poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo.

Ocorreram ainda duas práticas durante a marcha:

A operação “Pente Grosso”, quando os tenentes saqueavam os armazéns e fazendas dos lugares onde não eram acolhidos, eles porém, não abusavam da população.
A operação “Pente Fino”, era o exécito quando passavam pelas cidades deixando um enorme estrago em cada lugar; abusavam e violentavam as mulheres, roubavam as casas e fazendas e agrediam as pessoas que se revoltaram com tal ação.

Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas. Ataques de cangaceiros à Coluna também reforçam o caráter lendário da marcha, mas não há registros desses embates. Nas cidades e nos vilarejos do sertão, os rebeldes promovem comícios e divulgam manifestos contra o regime oligárquico da República Velha e contra o autoritarismo do governo de Washington Luís, o qual mantém o país sob estado de sítio desde sua posse, em novembro de 1926.

Os homens liderados por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa não conseguem derrubar o governo de Washington Luís, mas desmoralizou o Exército Brasileiro.

Entretanto, com a reputação de invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de 25 mil quilômetros, aumentam o prestígio político do tenentismo e reforçam suas críticas às oligarquias. Com o sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais os alicerces da República Velha e preparar a Revolução de 30.

Projeta também a liderança de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro. Após liderar a Intentona Comunista de 1935, torna-se uma das figuras centrais do cenário político do país nas décadas seguintes.

Silvana Langbein

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, João Carlos Vicente – O Paraná e seus Municípios: Cuiabá – MT:1999- 20ª ed. Editora: MB - Memória do Brasil
PETTA, Nicolina Luíza de ¬¬– História: Uma abordagem Integrada – São Paulo: 1999 - 1ª ed. – Editora: Moderna

Fonte: www.diaadiaeducacao.pr.gov

Coluna Prestes

A COLUNA PRESTES: UMA ABORDAGEM NECESSÁRIA

Introdução

Dentre os muitos temas, de considerável importância, que compõem um vasto quadro de opções para dissertar-se, mesmo que brevemente, em forma de artigo, sobre o recorte proposto: sociedade e política na Republica Velha; salta-nos de imediato, o processo histórico em que se insere a Coluna Prestes. Expressão final e mais importante do denominado “Tenentismo”, movimento que desempenhou relevante papel nas primeiras décadas do séc. XX, mais precisamente a partir dos anos 20 do referido século. A Coluna Prestes apresenta uma síntese da transição que o período denominado como Republica Velha enfrentou.

Este texto tem a pretensão de problematizar e refletir de modo geral, a Coluna Prestes, buscando contribuir com construção do conhecimento histórico acerca do tema, e inerente a tal, inevitavelmente, em relação ao processo histórico do Brasil das primeiras décadas do século XX. Refletir sobre o período em que se formatou e se levou a cabo a marcha de alguns milhares de brasileiros, que se constituíam em sua maioria de militares da baixa oficialidade, mas que também tinham em suas fileiras, civis voluntários que se forjaram na luta e desempenharam papel decisivo no desenrolar dos acontecimentos, bem como na própria “documentação” da mesma, uma vez que através do secretário da Coluna o cronista da epopeia, Lourenço Moreira Lima, pode-se ter, de forma muito particular, o “calor” dos combates e os momentos de extrema dificuldade e perseverança pelo qual passaram os combatentes.

Além disso, cabe ressaltar que tal tema merece uma melhor atenção, pelo referido vulto que o mesmo representa, uma vez que o assunto aparece como uma simples referência da radicalização da baixa oficialidade, como representação de uma emergente pequena-burguesia, ou se preferirem, das chamadas classes médias urbanas. Esta abordagem realmente caracteriza, grosso modo, uma explicação.

Entretanto é preciso avançar e buscar um entendimento mais amplo: como considerar uma marcha de 25.000 a 30.000 km (para não entrar nas polêmicas em relação à exatidão dos números, alguns registros apontam 33.000) que percorre regiões inóspitas de nosso país durante mais de dois anos? Quais os impactos de tal marcha nas populações com a qual a Coluna se deparou? E, em contrapartida, quais impactos causaram aos revolucionários, a “descoberta” dos vários “brasis” que encontraram? Ainda mais, de que forma a Coluna Prestes influenciou ou contribuiu para as mudanças processadas no regime político de então, bem como, nos futuros desdobramentos da história nacional?

Trata-se, pois, ainda, de apontarmos para a necessária caracterização e problematização da “construção” de um dos mais importantes quadros da esquerda brasileira. Luiz Carlos Prestes desempenhou papel ativo de “verdadeiro” sujeito histórico, imprescindível para podermos entender a formação da esquerda brasileira, bem como a interpretar o jogo político nacional, além da necessária referência a sua incansável militância contra a ascensão do nazi-fascismo no Brasil através da ANL nos anos 30.

Conjuntura histórica na República Velha

A República no Brasil das primeiras décadas do séc. XX consistia em uma farsa. Uma farsa no que se refere ao ideário de republicanos convictos do período, e ao conceito que a própria palavra República se assenta. Tal constatação era apontada com tamanha indignação, pelos contemporâneos do período que possuíam certa capacidade de interpretação da realidade, dado o grau de atuação corrupta das oligarquias e as fraudes eleitorais do período. Seria ingênuo, tratar aqui do debate ideológico travado pelas oligarquias e as emergentes classes urbanas do período, tendo em vista que segundo os próprios protagonistas, representantes das classes urbanas, os mesmos não possuíam a clareza e a necessária compreensão, de que o problema se apresentava bem mais amplo e complexo, do que a “simples” característica política de coalizão oligárquica entre São Paulo e Minas Gerais, graciosamente denominada de política café-com-leite.

A estabilidade da República Velha por alguns períodos se alicerçava na base econômica, de uma grande produção e exploração de monoculturas, notadamente o café, mas também o cacau e a borracha, esta última ligada ao fornecimento de matéria prima industrial. No plano político, a necessidade de contemplar de alguma forma as forças regionais, se arranjou com a chamada “política dos governadores” e conseguindo, assim, certa tranquilidade. Isto tudo, embora seja evidente a fragilidade, e a constante tensão que tal formatação imprecisa de nosso organismo político apresentava.

No entanto, no plano internacional, com o advento da Primeira Grande Guerra (1914- 1918), a pressão sobre o regime republicano oligárquico se acentuou de maneira importante. Cabe explicar o quadro. Extremamente dependente da conjuntura econômica internacional, a nossa economia estava sujeita as oscilações que a mesma apresentasse.

Ora, a crise deflagrada pela belicosidade dos países capitalistas europeus do período, irá de imediato, alterar o comercio exterior, com a reorientação dos parques industriais destes países para indústria de guerra. Recorremos a Caio Prado Junior, (no prefácio do livro A Coluna Prestes: marchas e combates, de Lourenço Moreira Lima).

Caracterizando o período em questão:

A crise da Grande Guerra desferirá naquela estrutura artificial um duro golpe. Ela não resistirá á desorganização do comércio exterior que sobreveio em consequência do conflito: ao desequilíbrio das finanças públicas pela redução dos ingressos alfandegários. Reiniciam-se para não cessarem mais tão cedo, as emissões vultosas de papel moeda inconversível, com todos os seus efeitos nefastos: a desvalorização monetária, o encarecimento da vida. Ao mesmo tempo, complica-se novamente o problema da produção cafeeira, o grande setor da nossa economia, que mal saíra da crise de poucos anos atrás (sic). E ao lado disto, o Brasil assistia impotente ao aniquilamento de um outro elemento essencial da sua economia: a produção de borracha. (JUNIOR, 1979 apud LIMA, 1979 p. 12 – 13).

Todavia, este processo também concorreu para mudanças, por assim dizer, “positivas” para a economia brasileira. Tendo um cenário comercial internacional que não podia atender, - por conta da guerra, as importações brasileiras. Logo, ocorreu um significativo fomento do mercado interno, no que se refere, sobretudo, aos produtos manufaturados. De fato, o Brasil desenvolveu de forma significativa, novas fontes produtivas. Claro está que tal impulso trouxe a cena novos atores sociais, que passaram a se postular enquanto cidadãos que pretendiam participar da sociedade como um todo

Os trabalhadores urbanos passaram a esboçar a formatação de uma consciência de classe, que tinha no imigrante o grande articulador. Contudo, ainda não apresenta as condições de um pensamento maduro, a fim de avançar e agir sobre as estruturas vigentes de forma considerável, a ponto de recriá-las pela própria ação. Em realidade, tratou-se de um início de movimento operário, altamente influenciado pelo anarquismo. Neste sentido, ocorreram momentos importantes, como as greves de 1917 e 1919, mas que, como elemento político mais radical de contestação da ordem não conseguiu avançar.

Como não poderia deixar de ser, deste mesmo processo, surgiram outras camadas importantes deste período: as classes médias urbanas, identificadas com um pensamento republicano mais progressista.

Foram os militares, notadamente os da baixa oficialidade que colocaram na ordem do dia os protestos mais veementes contra o regime representado pela República Velha. Vale lembrar, porém, que embora tais protestos assumissem em sua maioria, um caráter radical, este em realidade, se concretizava apenas na expressão do enfrentamento armado. Isto é, suas demandas em quase nada, propunham reformas estruturais. Em geral se resumiam em uma ingênua tentativa de “qualificar” e moralizar o sistema vigente, com medidas que visavam atenuar as descaradas fraudes eleitorais tendo no voto secreto uma das suas principais bandeiras. O movimento Tenentista foi, sem dúvida, o principal e mais eficiente contestador da ordem imposta pelos oligarcas da República Velha.

O historiador e militar Nelson Werneck Sodré ressalta o caráter geral do Tenentismo:

...O que se pode afirmar do Tenentismo, em suas etapas iniciais – até 1926, vamos dizer -, é que se mantém, predominantemente, no âmbito de um reformismo pequeno-burguês, que divaga em formulações ou que se repete, mas não se renova. (SODRÉ, 1978, p. 28).

Sodré ressalta o caráter pequeno-burguês do movimento, embora na obra aqui citada, o mesmo apresente uma explicação bem mais complexa do movimento, que se adéqua a uma caracterização mais próxima daquilo que tal representou. Por conseguinte, deve-se com toda clareza, como bem colocou o referido historiador, não disfarçar o caráter pequeno- burguês do movimento, mesmo que talvez os próprios não percebessem tal expressão. E não se acredita que seja contraditório, numa conjuntura como da República Velha, atribuir a tal movimento um fator político revolucionário, dado a especificidade de nossa História, que não apresentara neste momento, outros atores históricos, - como o ocorrido em outros países -, que levassem a cabo um enfrentamento com o regime de então.

Caio Prado Junior, no prefácio da já citada obra de Lourenço Moreira Lima, se referindo à classe operária daquele período, e sintetizando o rol das possibilidades “viáveis” de enfrentamento com República Velha, parece encaminhar a melhor solução para compreensão de tal conjuntura:

Não será este, contudo, o principal fator político revolucionário do momento. Classe muito jovem ainda, imatura, e sem organização e perspectivas políticas suficientes, o proletariado brasileiro constituirá apenas, por enquanto, o fundo do quadro da Revolução. O impulso mais sério, e que abalará toda a estrutura do país, partirá de outros setores. Destaca-se neles o papel de militares de patente inferior: tenente, capitão, raramente outras. Serão de sua iniciativa os inúmeros pronunciamentos e levantes que se sucedem desde 1922, e em que se destacam, como vigas mestres do grande movimento revolucionário brasileiro destes anos, a revolta do Forte de Copacabana (1922), a revolução paulista 1924, a marcha da Coluna Prestes, e finalmente, a Revolução de 1930. (JUNIOR, 1979 apud LIMA, 1979, p. 13 – 14).

Breve reflexão historiográfica a cerca do tema: a Coluna Prestes

Exposto de maneira geral, o contexto em que se insere a Coluna Prestes, mais precisamente, o processo histórico representado pelas políticas oligárquicas, em especial, das elites paulistas e mineiras, muito embora, ao final deste período, já se percebesse certa cisão entre as mesmas. Passemos agora, a uma pequena exposição crítica, de algumas das principais obras que tratam do assunto que aqui nos interessa.

Selecionou-se, evidentemente, dentre as principais obras que tratam do tema, quatro entre aquelas que apresentam maior significado para o enfoque que pretendemos, além de se tratarem de obras com abordagem distintas, e no caso de uma delas, totalmente discordante em relação às demais. Tratam-se, então, da obra do cronista da epopeia, Lourenço Moreira Lima, a do militar e historiador marxista Nelson Werneck Sodré, a do professor José Augusto Drummond, e por último, da obra de Anita Leocádia Prestes, historiadora e filha do maior líder da coluna.

Em seu livro, A Coluna Prestes (Marchas e Combates), Lourenço Moreira Lima, narra à epopeia que ele mesmo participara, a qual se dedicou como secretário e cronista, muito embora, pelo que parece, nutria uma maior paixão pelos combates, dos quais participava com visível aptidão à luta.

Lourenço Moreira Lima escreve com estilo característico, na expressão de Caio Prado Junior: “numa linguagem singela de diário, um dos episódios máximos da história brasileira.” (JUNIOR, 1979 apud LIMA, 1979, p. 11). Mais do que isso, trata-se de uma obra literária de valor inestimável, tem um lirismo aberto e radical, além de apresentar um relato detalhado do evento. Claro, é um livro saudosista, publicado no calor da hora, anos após a saída de cena da Coluna. Desnecessário se faz aqui evocar os ditames da ciência histórica para sabermos os limites e cuidados que se deve ter com a obra em uma análise de processo; porém não se deve, de modo algum, desqualificá-la. Somam-se ainda, à edição que tivemos acesso, os prefácios de dois grandes intelectuais brasileiros: Jorge Amado e Caio Prado Junior, além de fotos e documentos.

Militar e historiador marxista, Nelson Werneck Sodré, apresenta o bem escrito texto, A Coluna Prestes: análise e depoimentos, este livro é a grande referência deste trabalho, no que se refere à análise do processo como um todo, e que nos encorajou a escrever o presente artigo. Sodré apresenta uma análise da situação mundial e nacional, avançando na análise da república oligárquica, a emergência do capitalismo até o inrrompimento do tenentismo. Traz uma contribuição para além de uma boa análise marxista, aponta os relativos avanços que a referência da luta da Coluna incute na sociedade em geral, pois ao manter a “chama revolucionária” foi possível avançar para outras mudanças importantes. Por tratar-se de um militar não se pode minimizar sua propriedade e tomada de partido sobre o assunto.

Para a ótima serie tudo é história, da editora brasiliense, José Augusto Drummond, escreve uma síntese sobre o assunto. Faz do mote do trabalho a ênfase dada ao caráter “militarista” da Coluna, apontando seu fracasso político. Além de apresentar um quadro de total aversão das comunidades em relação à Coluna, o que parece, certo exagero. Coloca em um patamar “patético” o livro de Lourenço Moreira Lima, pelos seus autoelogios sem comum.

Entende-se, neste caso, que o professor Drummond tenha sido simplista em sua avaliação do processo, uma vez que é óbvio que a Coluna não logrou vitória política como é mecanicamente compreendida em seu texto. Ela apontou para o amadurecimento dos processos posteriores, além de ter forjado lideranças importantes na marcha, e que acabaram por expor um Brasil que as classes médias urbanas não conheciam. Além disso, classificar uma obra literária de tamanha grandeza como a escrita por Lourenço Moreira Lima, como “patética” é um desrespeito para com a construção de uma análise sóbria sobre o livro, que o identifique dentro da categoria que o mesmo representa, mas que não o desqualifique enquanto produto literário de tamanha riqueza tal qual significa.

Por último, o trabalho de Anita Leocádia Prestes apresenta uma importante contribuição referente ao tema. Trata-se de sua tese de doutorado, contando com a privilegiada presença em sua defesa, de seu pai e o maior vulto dessa empreitada, Luiz Carlos Prestes. Um trabalho extenso, pesquisa séria e exploração do método de história oral, tendo como principal colaborador o próprio líder que empresta o nome a Coluna. Trata- se, também, de um trabalho relativamente recente (29 de novembro de 1989) sobre o tema, que deverá demorar algum tempo para ser ultrapassado por outra pesquisa, tendo em vista o grau de representatividade que apresenta no que se refere a uma caracterização “completa” do processo.

Estas foram às obras que selecionamos e utilizamos, dentre as principais que se referem ao tema, bem como as que emprestam a este pequeno artigo seu vigor teórico e metodológico, além de também permitir uma abordagem mais segura, uma vez que apresentamos aqui uma discussão historiográfica que apresenta caminhos diversos para aqueles que se interessam pelo tema, para assim, buscarem as suas respostas e proporem as muitas interrogações que certamente se impõem a construção do conhecimento histórico acerca do tema.

A Coluna Prestes e sua marcha

A Coluna Prestes se constituiu como uma parte importante, com certeza a maior expressão, do descontentamento e aversão em relação ao organismo político vigente da Republica Velha. Neste sentido, sua formação se liga ao movimento tenentista e suas séries de levantes organizados após 1922, e que têm no episódio dos dezoito do Forte de Copacabana, o seu estopim, mas não a sua raiz. A raiz de todo este descontentamento, para além de um documento apócrifo que entra em cena, se insere na conjuntura de assenso das camadas médias urbanas, que passam a se expressar através da atuação da baixa oficialidade que coloca em questão o enfrentamento com o regime oligárquico.

É por esta definição, que concluímos como equivocada, a analise do já citado autor José Augusto Drummond. Para tal autor tratava-se de apenas rebeldes errantes, que não conduziram nenhuma mudança no cenário nacional. Além disso, insiste no caráter essencialmente militar da Coluna, não conseguindo ultrapassar tal barreira (DRUMMOND, 1991).

Novamente recorremos a Caio Prado, no tocante a uma síntese mais apurada do movimento tenentista, e, por conseguinte da Coluna Prestes:

Apesar do conteúdo militar aparentemente de todos ou quase todos estes movimentos, nada existe neles contudo que os caracterize como “militaristas”, no sentido próprio do termo. Embora sejam militares seus princípios autores e participantes, eles não agem e não pensam como militares. Exprimem antes a inquietação das classes médias a que pertencem pela sua origem; de uma burguesia progressista cujos anseios de renovação encarnam, e que as forças conservadoras da Republica Velha comprimem num arcabouço anacrônico e rígido, que já resvalará francamente para a mais completa degradação política do Brasil, é que suas armas lhes davam a possibilidade de agir; e não estava ainda em condições de substituí-los a ação das massas populares, desorganizadas e politicamente inativas. Os “tenentes” assumirão por isso a liderança da revolução brasileira. (JUNIOR, 1979 Apud LIMA, 1979, p. 14).

Desde o levante em São Paulo em 5 de Julho de 1924, que segurara por alguns dias o controle daquela região, os quartéis conspiravam. Em 28 de outubro de 1924 na região missioneira do Rio Grande do Sul se levantou, com objetivo de abrir outro foco de luta, em consideração aos revoltosos paulistas mais um levante. Este liderado por Prestes, até então não reconhecido como grande comandante. Com o desenrolar da luta e a necessária “guerra de movimento”, Prestes liderou os revolucionários até o oeste paranaense, objetivando encontrar os remanescentes das lutas do sudeste. Foi em Foz do Iguaçu que as forças rebeldes gaúchas e paulistas se encontram e que se passou a dar voz ao maior ícone desta empreitada.

Como parte integrante do Estado-Maior dos rebeldes, Prestes argumentou a necessidade de continuidade da luta. A maioria, no entanto defendeu a emigração para a Argentina. Felizmente Prestes ganhou o debate e conseguiu com quase um pé fora do país, motivar os rebeldes a marchar para o interior inóspito do território brasileiro, levando com sigo toda a inconformidade e crença na derrubada de Artur Bernardes, o grande objetivo inicial da Coluna.

Relacionamento da Coluna Prestes com as populações rurais e urbanas

O desencadear do movimento não preconizava, em seu início uma marcha pelo interior do Brasil. Tal só ocorreu, devido a circunstâncias históricas especificas, e em consequência das ações dos levantes. Assim, nenhum dos membros da Coluna poderia prever a interiorização da marcha para o campo e para a mata.

Todavia, tendo de enfrentar tal fato, os revolucionários passaram a se organizar para, a partir dos contatos com as populações rurais passarem a estabelecer simpatia e adesões de novos combatentes. O próprio fato de estarem visualizando o extremo abandono em que viviam estas populações os fazia sensibilizar com as mesmas.

Não foram poucos os relatos em que chegando à cidade, os revolucionários iam aos cartórios e queimavam os processos que os coronéis moviam contra os pequenos agricultores. Soltavam presos, encaminhavam alguns medicamentos aos mais necessitados. (LIMA, 1979). Porém, é preciso indicar que a própria propaganda governista passava a afastar os povoados. Fazia-se um “filme dos horrores” da Coluna. É bem verdade que havia certos “erros” de comportamento, mas os mesmos eram repreendidos com firmeza. O fato é que não se tratava de grupo armado saqueador, dos quais eram contemporâneos inclusive. Aliás, o governo de Bernardes chegou a contratar o grupo de Lampião para fazer frente à Coluna naquela região (SODRÉ, 1978).

No que tange ao plano urbano, a Coluna estabeleceu contatos, sobretudo, com os “tenentes” que conspiravam e se levantavam em diversas regiões. É significativo o caso de Pernambuco, quando a Coluna ainda se encontrava no Piauí, no início de 1926. Foi combinado que a Coluna marcharia o mais próximo possível a fim de atacar os legalistas em conjunto. Porém, como se sabe, pouco antes da data acertada, a Coluna se deparou com a notícia de que o levante havia sido sufocado (SODRÉ, 1978).

É preciso reconhecer, que não havia na Coluna um projeto de agitação para que o povo aderisse. Estavam todos ainda imaturos em termos de organização de uma política pragmática. No entanto, no momento em que agora escrevo, com honestidade, falta uma leitura mais atenta do livro de Anita Leocádia Prestes em que dedica uma boa intervenção sobre o assunto.

Considerações Finais

A escolha deste tema e a construção deste pequeno texto sobre assunto tão amplo e complexo, tem sua maior intencionalidade em colocar na “ordem do dia”, um assunto que em minha opinião, tem sido sonegado na academia. Como foi exposto logo no início, acredito que um tema que tem por característica ter sido o de maior importância do movimento tenentista, que, por conseguinte, foi de suma importância para a formatação de uma nova ordem oligárquica no Brasil e para o avanço do espaço político-social que alcançaram a classes médias urbanas, tal tema deveria ao menos, ter um espaço maior, seja na formatação de um seminário específico, seja no encaminhamento de outro tipo de atividade.

O personagem maior de todo este processo desencadeado pela Coluna é, inegavelmente o de Luiz Carlos Prestes, sua atuação irretocável do ponto de vista militar, sua capacidade de liderança e motivação frente às adversidades com as quais inúmeras vezes os combatentes se depararam, e a sua auto-reflexão de tudo que viu pelos muitos “brasis” que se deparou, ajudaram a preparar um sujeito histórico que estaria pronto para intervir, de forma mais orgânica politicamente, nos destinos do nosso país. Depois da internação na Bolívia e durante o exílio na Argentina, Prestes passou a ter contato com a literatura marxista, se dando conta de que a luta que travara anos antes, tinha inestimável valor, mas era preciso avançar e sair da ingenuidade pequeno-burguesa a qual se encontrava preso. Formava-se, assim, um dos maiores lideres de nossa esquerda, que com “erros” e “acertos”, passou dignamente por nossos tempos.

Em suma, a Coluna Prestes teve um papel de grande importância para a conjuntura da Republica Velha, atendendo a interesses precisos dos que dela se valeram posteriormente, e que reivindicando e angariando a partir da luta daqueles estimados homens, o apoio e a obtenção de prestigio, como bem se pôde perceber durante a Aliança Liberal e a dita Revolução de 1930.

Mas o que vale hoje para nós esta epopeia? Afirmo que vale muito, pois podemos dela tirar a “poesia” da necessária luta cotidiana e da construção das muitas transformações que insistem em vacilar nas mãos de alguns que hoje estão no poder. Uma elite política progressista é verdade, mas que não perde a arrogância de relembrar as justas lutas que travaram em período recente, para justificar a sua hoje inércia diante da exploração cada vez maior do povo. Mas, infelizmente, encontram seus justificadores em todas as instâncias, inclusive nas universidades, estes não conseguem se desfazer de um certo saudosismo do passado de importantes lutas, e por vezes, acabam por se equivocar demasiadamente em caracterizar nossa política atual.

Rafael Policeno de Souza

Referências

DRUMMOND, José Augusto. A Coluna Prestes: rebeldes errantes. São Paulo: Brasiliense, 1991.
LIMA, Lourenço Moreira. A Coluna Prestes: Marchas e Combates. São Paulo: Alfa-Omega, 1979.
PRESTES. Anita L. A Coluna Prestes. São Paulo: Brasiliense, 1991.
SODRÉ, Nelson Werneck. A Coluna Prestes: Análise e Depoimento. São Paulo: Círculo do Livro, 1978

Fonte: www.historialivre.com

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