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Cultura e Costumes do Povo Brasileiro

 

O homem é a fonte de criação popular para a vida em sociedade e o folclore estuda essas soluções. Não apenas contos e cantos, mas a maquinaria faz nascer hábitos, costumes, gestos, superstições, alimentação, indumentária, sátiras, lirismos, assimiladas nos grupos sociais participantes.

Em família, somos em grande parte, o que aprendemos com nossos ancestrais. A educação, o respeito ao próximo e o caráter herdamos dos nossos antepassados. Um país é uma grande família. Tem seus costumes próprios, sua formação popular que sobrepuja qualquer reação isolada. Ignorar o folclore do próprio país equivale a desconhecer a própria herança familiar.

O povo brasileiro é produto, em princípio de três raças: branca, negra e indígena. Os costumes desses povos eram diversos e de sua mescla, de sua fusão resultou nossa cultura. E, a cultura popular brasileira é uma das mais belas do mundo. Pena que, como país subdesenvolvido que éramos, estávamos sujeitos a influências dos países mais desenvolvidos. Aceitar nosso folclore passou a ser até mesmo motivo de mau gosto.

O Brasil descobre a si próprio e, a cada dia, nos empenhamos mais em ocupar o merecido lugar entre as principais nações do mundo.

Aos jovens cabe descobrir o folclore. A eles cabe sentir orgulho em cantar nossas músicas, dançar nossas danças, em soerguer nosso artesanato.

O folclore brasileiro é a base de nossas tradições. Devemos ter orgulho de que somos resultado de povos sensíveis e criativos.

O Brasil é um país rico em diversidade cultural.Pode-se dizer que um fator determinante para este fato é a forma com que foi colonizado onde predominou a mistura de raças e etnias.Dessa mistura nasceu ritmos únicos que são apreciados em todo o planeta.É importante para o individuo conhecer as raízes da história de seu país e conseqüentemente as suas.Falaremos um pouco dos ritmos presentes nas regiões nordeste e sudeste já que estas servirão de inspiração para a realização deste trabalho.No nordeste temos o frevo, maracatu,coco,bumba-meu-boi, entre outros.

FREVO

A palavra Frevo, derivada de frever (ferver) designa a dança carnavalesca de rua e de salão, essencialmente rítmica, em compasso binário e andamento mais rápido que o da marchinha carioca, e na qual os dançarinos (passistas) executam coreografia individual, improvisada e frenética.É uma dança brasileira, originária do Nordeste do país.

MARACATÚ

O maracatu é uma dança com raízes religiosas e históricas muito popular em Pernambuco, e que apresenta variações de tipos e nomes: maracatu de baque virado, maracatu nação, maracatu rural, maracatu de orquestra, entre outros.

Os personagens são nobres soberanos - como reis negros e brancos, rainhas e embaixadores - vestidos luxuosamente e acompanhados de toda a corte. Em alguns maracatus, há ainda a presença de baianas, meninos, índios, escravos e também de bonecos.

O grupo desfila pelas ruas e em certos momentos há imitações de duelos. Os músicos participam do bloco tocando principalmente instrumentos de percussão. Imagine que espetáculo maravilhoso!

COCO

Dança popular de roda do norte e nordeste do Brasil, originária de Alagoas, acompanhada de canto e percussão. Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí o seu nome. O ritmo sofreu várias alterações com o aparecimento do baião nas caatingas e agreste. Como compositor que popularizou o ritmo podemos citar Jackson do Pandeiro.

BUMBA-MEU-BOI

No Brasil de norte a sul encontramos a brincadeira de boi (boi fingido), conforme a região estes possuem características e nomes distintos.

É um bailado popular brasileiro, cômico-dramático, organizado em cortejo, com personagens humanos (Pai Francisco, Mateus, Bastião, Arlequim, Catirina, Capitão Boca-Mole, etc.), animais (o Boi, a Ema, a Cobra, o Cavalo-Marinho, etc.) e fantásticos (a Caipora, o Diabo, o Morto-Carregando-o-Vivo, o Babau, o Jaraguá, etc.), cujas peripécias giram em torno da morte e ressurreição do boi.

São palavras sinônimas: boi, boi-bumbá, boi-calemba, boi-calumba, boi-de-mamão, boi-de-melão, boi-melão, boi-de-reis, boi-pintadinho, boi-surubi(m), boizinho, bumba, bumba-boi, cavalo-marinho, rei-de-boi, reis-de-boi, reisado cearense. (Dic. Aurélio).

Exemplos de Bois:

Boi-de-mamão é uma das manifestações mais significativas da cultura popular catarinense. Está presente nos municípios do litoral e principalmente em Florianópolis, Capital de Santa Catarina, onde concentra o maior número de grupos.

Boi-de-orquestra

Bumba-meu-boi mais recente e de música faceira, cabriolante; boi-de-matraca. Pertencente ao folclore do Maranhão – Brasil.

Boi-de-zabumba

Bumba-meu-boi de ritmo mais lento, apoiando-se em grandes tambores enfiados em varas que dois homens carregam, e o músico caminha ao lado, batendo-lhe com um macete. Folclore do Maranhão – Brasil.

Na Região Sudeste temos o samba,jongo da serrinha, entre outras.

SAMBA

O samba é uma dança popular originada de ritmos, danças sociais e religiosas dos negros africanos que se fundiu às danças e cantos sagrados dos indígenas brasileiros e que foi levado para a Bahia pelos escravos enviados para trabalhar nas plantações de açúcar. Esses batuques eram executados na zona rural.

Aos poucos a batida sutil e as diferenças de interpretação levaram o samba a ser dançando nos cafés e eventualmente até nos salões, dessa forma e o samba urbano nasceu e se desenvolveu no Rio de Janeiro, no início do século XX incorporando outros gêneros da época como Polca, Maxixe, Lundu e o Xote etc.

Samba de Gafieira

Em meados da década de 1940 e na década de 1950, o samba começa a receber influências rítmicas latina e americana, passa a ser instrumental e começa a ser dançado aos pares nos salões públicos, gafieiras e cabarés do Rio de Janeiro.

Samba de Rock

A batida peculiar desse samba foi inventada por Jorge Ben Jor e, a princípio, foi chamada de sacundin sacunden, depois, na época da jovem guarda, virou jovem samba, e, mais tarde, sambalanço. A partir dos anos 70, passou a ser conhecido como suíngue ou samba-rock..

Samba de Partido Alto

Segundo velhos sambistas, a expressão "partido alto" provém da alta dignidade desse samba. Gênero de samba muito próximo do batuque africano, e cultivado na cidade do Rio de Janeiro desde o fim do séc. XIX por grupos de negros já urbanizados. É dança de umbigada, com ritmo marcado por palmas, prato de cozinha raspado com faca, chocalho e outros instrumentos de percussão, e, às vezes, acompanhada pelo violão e pelo cavaquinho.

Samba de Roda

É uma dança que os negros do Congo e de Angola trouxeram para o Brasil e consiste em geral de se fazer uma grande roda em cujo centro um só dançarino ou par, faz evoluções e depois de muitos requebros da uma umbigada em outro dançarino de sexo diferente, que vai por sua vez para o centro, e assim sucessivamente.

JONGO DA SERRINHA

O Jongo é uma dança comunitária de origem rural que data da época da escravidão.A cultura do jongo e oriunda das relações de sociabilidade que os escravos estabelecerão,principalmente,nas fazendas de café e cana-de-açúcar.É possível afirmar que o samba do Rio de Janeiro é resultado da transformação do jongo que foi praticado no meio urbano.O jongo,também é chamado de caxambu devido ao tambor de mesmo nome,é referencia cultural de várias regiões no Rio de Janeiro e nos estados do Espírito Santo,São Paulo e Minas Gerais.No Centro de uma roda solista improvisa canções baseadas em situações do cotidiano ou canta “pontos” tradicionais que são respondidos em coro pelos participantes, numa empolgante combinação de batuque,canto,dança,religiosidade e brincadeira.

Desde as épocas mais remotas o ser humano dança, toca e canta para manifestar seus sentimentos.A facilidade de se expressar através do corpo faz parte da natureza humana. Através de movimentos qualquer emoção pode ser transmitida e dançar e cantar nada mais é que executar esses movimentos. Algo natural de se colocar em prática. Viva a música e a dança e livre-se com prazer de suas preocupações diárias. Liberte-se de preconceitos e inibições e invente passos. A criatividade do ser humano é surpreendente. Busque a dança e a música nos momentos de lazer e a encare como um complemento, pois ela torna a vida mais saudável e, certamente, melhora a qualidade de vida.Acreditamos que disseminando a cultura estaremos oferecendo a oportunidade à crianças e adolescentes de conhecerem o universo além da comunidade onde vivem.A Música bem como a Dança permitem ampliar o universo de sonhos e fantasias necessários a construção da autonomia que leva o individuo a fazer escolhas mais seguras e sólidas para seu futuro.

Fonte: www.ciamarinhobraz.com.br

Cultura e Costumes do Povo Brasileiro

1– Diversidade Humana

A humanidade sempre teve reações variadas pelas diferenças que percebiam entre si e os vários povos com os quais tinham contato. Guerreiros; viajantes; comerciantes; e lendas relatavam a seus pares, desde a mais remota antiguidade, as exoticidades dos demais.

As reações eram e são variadas: desde o medo e a repulsa, até a curiosidade e o apreço (Mair, 1965; Laraia, 1986; Maggie, 1996).

Aspectos culturais e físicos imediatamente perceptíveis da singularidade dos “outros”, como vestimentas; ornamentos corporais; estatura; cor da pele, cabelos e olhos; e língua, ressaltavam a singularidade mais aparente.

Os “costumes” mais estranhos, porém, sobressaiam aos que tinham a oportunidade de passar um certo tempo maior entre os “estrangeiros” e outras diferenças mais profundas entre os povos só poderiam ser apreendidas por um olhar mais detalhado: historiadores como Heródoto são tidos, por alguns, como os primeiros “antropólogos”, por se preocuparem com a organização das sociedades que descrevia, e não somente com os acontecimentos históricos, buscando assim uma razão, uma causalidade para os eventos (Mair, op. cit.).

As explicações sobre a diversidade humana sempre ressaltaram com mais ênfase os aspectos negativos dos “outros”, tendo como parâmetro as características positivas, físicas e culturais, dos povos sob cujo ponto de vista se pensava a diferença. Chega-se até a negar a qualidade de “humano” aos demais povos.

Alguns exemplos: entre os povos indígenas brasileiros, a autodesignação, a rigor, enfatiza as qualidades de “seres humanos”; “gente”; “povo de Deus” de cada povo. E para os demais restam termos, no mínimo, desagradáveis, como “os agressivos selvagens”; “os comedores de carne de mamíferos ou de cobra” ou outra característica repulsiva. Já nos primeiros séculos da colonização luso-espanhola, o estatuto de “seres com alma” chegou a ser negado aos habitantes tradicionais das Américas, sendo objeto de discussões acirradas no âmbito da Igreja Católica.

A esta atitude a antropologia chama de “etnocentrismo”, uma atitude generalizada entre as sociedades humanas de valorizarem ao máximo como as melhores, as mais corretas, suas formas de viver; agir; sentir e pensar coletivamente.

Outros exemplos demonstram atitudes mais positivas em relação à alteridade, como na Primeira Carta ao Rei de Portugal, em que Caminha descreveu os “índios” como alegres e inocentes como crianças, sem notarem que estavam expondo suas “vergonhas”. Rousseau, um crítico da sociedade européia, cunhou a idéia do “bom selvagem” e as cortes européias deleitavam-se com a exoticidade animal e humana do “Novo Mundo”.

Segundo Maggie (op. cit. : 226), foi a partir do século XVI, com a expansão colonial européia, que caracteres como a cor da pele e outros traços físicos dos povos encontrados por exploradores passou a ser um aspecto privilegiado no imaginário europeu, como marcador das diferenças entre os povos.

A autora cita Camões, em Os Lusíadas, que, ao descrever um encontro com um habitante da África, disse acerca daquela parte do mundo:

“Onde jazem os povos a quem nega
O filho de Clymenes a cor do dia”.

e ainda, mais adiante:

“ hum estranho...de pelle preta”

A partir desta época, igualmente, o pensamento europeu começou a desenvolver uma forma específica de classificar e pensar “as coisas do mundo”. A ânsia pelo saber, separando-se da Religião e da Filosofia, tornara-se Ciência, buscando dar conta de um novo mundo de proporções multi-continentais. Os critérios da observação sistemática e da classificação em hierarquias racionais foram aplicados às novas formas de vida (vegetal; animal e humanas) que passaram a conhecer.

A escravização dos povos indígenas sul-americanos e africanos, trouxe contradições políticas e morais no pensamento colonial e os critérios de classificação das diversidades vegetais e animais foram tomados como critérios principais de demarcação das diferenças humanas. Segundo Maggie (op.cit. : 225-226), “as diferenças são a própria matéria do pensamento, desde a passagem da natureza à cultura, mas foi nesse encontro entre povos distantes que se levou a troca simbólica a níveis tão intensos.”

A noção de Raça, e sua associação de características biológicas; comportamentais e sociais foi, neste longo período que se estendeu até o século XX, a expressão científica do racismo colonial luso-espanhol.. Na cultura luso-hispânica, este movimento teve desdobramentos importantes que incluíram, como no Brasil, a política de incentivo a aos movimentos migratórios – desde a importação esclavagista da África até as tentativas de “branqueamento” do povo brasileiro (Seyferth, 1996), no século XIX – e influenciaram os estudos raciais acadêmicos até meados do século XX.

Darwin e sua obra “A origem das espécies” foi um importante marco da revolução metodológica que expressava uma “síntese revolucionária” na ciência classificatória naturalista das espécies. Sua teoria da evolução biológica das espécies introduziu uma visão dinâmica que desvinculou das ciências classificatórias naturais das explicações da origem “inata” das diferenças entre as espécies. Não obstante, desde meados do século XIX até meados do século XX, nos debates científicos sobre Raça, este pensamento dinâmico não se havia consolidado. Segundo Ventura dos Santos (1996:125-127), a obra de Darwin e de outros, com modelos evolucionistas, levaram um longo tempo para se consolidarem nas Ciências Antropológicas que se baseavam na construção de categorias como “tipos raciais” e “raças”.

Somente pouco antes da metade do século XX, quando autores como Franz Boas (1940) e Stocking (1968) levantaram as influências das condições ambientais na constituição das diversidades humanas, o que Santos chama de “segunda revolução darwinista” na Antropologia “Física” (biológica) se consolidou. O conceito de raça, nas ciências antropológicas, foi substituído então pela categoria “população” (cf. Ventura dos Santos, op.cit. :125-129), construída a partir de critérios estatísticos e genéticos, cuja ênfase estava mais em seus aspectos dinâmicos, e na separação, por inspiração da biologia experimental, estes critérios dos extrabiológicos (sócio-culturais).

O clima do pós-guerra europeu, em fins da década de 40 e na dos 50, trouxe reações radicalmente contrárias aos fundamentos da eugenia levada ao extremo pela política nazista. Esta transição foi significativamente marcada na Assembléia da UNESCO (United Nations Educational and Scientific Organization) de 1949 (cf. Ventura dos Santos, op. cet.:129-132). Nesta Assembléia, Boas e alguns antropólogos, como Lévi-Strauss (Raça e História) foram convidados a participar e exerceram influência no relatório final, contrária à ênfase na diversidade racial como explicativa de fenômenos sócio-culturais e ambientais. A negação da diversidade biológica e sua influência em certas características individuais dos grupos humanos, levou a uma reação de geneticistas; biólogos e antropólogos físicos, que tiveram a oportunidade de participar de outra reunião, cuja conclusão não foi, segundo Ventura dos Santos, muito diferente da anterior, embora resguardasse um espaço para se pensar a diversidade biológica humana.

2 – Diversidade Biológica

Às classificações da diversidade humana, baseadas na morfologia física e no conceito de raça, sobrepunham-se igualmente aspectos do comportamento e formas de pensar e sentir (aspectos sócio-culturais). O evolucionismo darwinista inspirara, inicialmente, uma hierarquização da diversidade humana e das “raças” em que a raça “branca” estaria no ápice da escala de evolução, devido à sua “superioridade” tecnológica e, acreditava-se, moral (etnocentrismo evolucionista que, na antropologia social ou cultural, teve também grande influência).

Não obstante, com a influência do evolucionismo darwinista e da biologia experimental do início do século XX, as classificações da antropologia física passaram, das características morfológicas à inclusão de parâmetros mais profundos da biologia humana, como os grupos sanguíneos; as características da hereditariedade genética; da estatística, com as seqüências médias de caracteres genéticos e da teoria da probabilidade.

A associação entre a antropologia biológica e a genética faz parte deste movimento que aprofundou o olhar científico da morfologia para as moléculas e que, segundo Ventura dos Santos (op. cit. : 126-129), consistiu em um movimento metodológico significativo, designado como a “segunda revolução darwinista”. A associação entre antropologia e genética faz parte deste movimento metodológico.

Os antropólogos físicos, atualmente, buscam mais medir a distribuição de certas substâncias no sangue; a pressão sanguínea e de seqüências genéticas específicas em determinados grupos humanos.

Os estudos da antropologia física estariam assim, mais próximos dos estudos arqueológicos; médicos e genéticos, voltados, no contexto do processo saúde-doença, para as interações adaptativas entre a biologia humana e o meio-ambiente natural e sócio-cultural. Para uma revisão crítica e síntese dos rumos da Antropologia Física atual, ver Gould (1991).

A genética, aprofundando mais o enfoque metodológico, ganhou um estatuto que passou de disciplina puramente científica para a de técnica, com a engenharia genética. É particularmente decisivo para as questões atuais sobre a diversidade humana, na bioética e na antropologia social, o emprego da engenharia genética, o decifrar da cadeia de DNA humano, e a ênfase no “genoma”.

A “Nova Genética”, fruto das revisões críticas pós-modernas, define-se enquanto técnica terapêutico-preventiva de doenças herdadas e como uma engenharia.

Este assunto será reelaborado no próximo item, sobre a Diversidade Cultural. Para uma crítica atual das questões ligadas às implicações sócio-culturais e políticas da Nova Genética, cf. Petersen e Bunton, 2002.

3 – Diversidade Cultural

No campo das antropologias não-biológicas (etnologia; antropologia social e cultural), há uma diversidade de abordagens. A noção de cultura é básica para se compreender os movimentos pelos quais passou esta disciplina, inicialmente parte da Antropologia (geral, sem distinções) do início do século XIX, e que pretendia abordar todos os aspectos das questões acerca da diversidade humana.

O mesmo debate que, na Antropologia Física (biológica) substitui o conceito de Raça pelo de População, desde meados do século XIX até meados do Século XX, ocorreram no âmbito da Antropologia de cunho mais social, em que a diversidade humana transitou pelos conceitos de Raça; Etnia e Cultura. E se confunde com a própria história da disciplina.

Para uma visão mais abrangente, resumirei antes de entrar no assunto específico do conceito de cultura e o debate entre este conceito e o de raça, enfocarei outra questão importante, que diz respeito à história da antropologia.

Por influência do darwinismo, no início da antropologia social, o projeto de dar conta da diversidade cultural levou naturalistas e historiadores a debruçarem-se sobre os relatos de viajantes; exploradores e administradores coloniais que falavam sobre “as exoticidades” das sociedades “inferiores”; incivilizadas; simples, em relação a uma visão industrial da técnica; e, finalmente, primitivas, por serem mais remanescentes de formas antigas, primeiras, da evolução das sociedades humanas. O relativo isolamento geográfico destas sociedades e povos contribuiu para esta visão. Assim, a Antropologia Social , partindo de questões evolucionistas importantes para os estudiosos do século XIX, ficou vista como “ciência das sociedades primitivas”. Mas com a persistência destas sociedades em resistirem até a atualidade de forma bastante diferente da tradição européia, colocou um problema crucial para esta visão evolucionista e etnocêntrica da diversidade humana. Este fato motivou variações ao longo da história da disciplina e de seus conceitos.

Os antropólogos voltaram-se, a partir dos próprios resultados das pesquisas nestes povos com “culturas diferenciadas”, para sub-grupos ou sub-culturas no interior das sociedades “complexas”: os estudos de “comunidades camponesas” de Redford; os estudos voltados para grupos marginalizados nas regiões urbanas até, finalmente, estudos voltados para grupos pertencentes às classes populares e altas da sociedade moderna, culminaram por desembocar em uma análise crítica da visão de mundo ocidental moderna e da globalização, inclusive a da própria cultura científica nas áreas médicas e da saúde pública (cf. Verani, 1990 e 1994; Duarte, et al., 1998; Lupton, 1999; Petersen e Bunton, 2002).

Voltando ao conceito de cultura, algumas das principais correntes teóricas que influenciaram variações do mesmo são: o evolucionismo e suas influências no difusionismo e na sociologia francesa de Durkheim e Mauss; o marxismo e a sociologia de Marx Weber; e o estruturalismo de Lévi-Strauss. O funcionalismo inglês e as vertentes culturalistas americanas também se inserem neste campo.

Tylor e Boas foram os que mais enfatizaram o adjetivo cultural ligado à antropologia, em um movimento iniciado na Inglaterra, em início do século XIX, e nos Estados Unidos. Mas na França, com a Sociologia de Comte bem solidificada enquanto disciplina independente das demais Ciências Humanas, Durkheim; Mauss e Lévi-Strauss são autores importantes que vinculam a Antropologia Social à Sociologia, como uma sub-disciplina desta última.

A noção de cultura é o cerne de uma antropologia que separava o determinismo biológico “racial” das manifestações de comportamento aprendidas pelos indivíduos de uma sociedade após o nascimento. Estes aspectos eram considerados então como de ordem “ambiental” no debate das relações entre Raça e Cultura. Para uma revisão dos diversos conceitos de cultura e de antropologia, até à metade do século XX, com suas teorias subjacentes, conferir a coletânea de Shapiro, 1956; Mair, 1965; Copans, 1971; Laraia, 1986.

Mas para efeitos didáticos, cito aqui a definição de cultura de Tylor (1871, apud Mair, op.cit.:15-16): Cultura é (...) “conhecimentos; crenças; artes; moral; leis; costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade.”

Como comenta Mair, esta é mais uma lista de itens do que uma definição ou uma teoria que descreva e explique a diversidade humana.Boas, na América, interessou-se pelas “artes e técnicas”. Na prática, o estudo da cultura refere-se a costumes; maneiras e técnicas tradicionais específicas de uma sociedade. Esta vertente culturalista da Antropologia considerava-se mais próxima da Antropologia Física; da Lingüística; e da Arqueologia. Sua ênfase maior era em descrever e entender a diversidade humana.

Já a outra vertente citada, incluindo o funcionalismo institucional de Malinowiski e o funcionalismo-estrutural de Radcliffe-Brown, considerando-se mais próximo das Ciências Sociais, detiveram-se mais, através do método comparativo, no desenvolvimento teórico de generalizações sobre todos os tipos de sociedades humanas.

Malinowiski, também considerado o “pai do trabalho de campo”, o método privilegiado de estudos etnológicos, enfatizava que os estudiosos deveriam descrever todos os aspectos vinculados numa dada sociedade ao complexo, por exemplo, da função alimentar: técnicas agrícolas; formas de distribuição dos alimentos entre grupos e indivíduos; instituições de trocas (comércio ou circulação de bens); etc. Malinowiski via a sociedade através de uma metáfora anatômica em que na morfologia das sociedades, as instituições cumpriam as mesmas funções que os órgãos e sistemas do corpo humano. A metáfora mecânica de estrutura e funcionamento também influenciou as teorias sobre as sociedades humanas, como no funcionalismo, em que, porém, a metáfora fisiológica predominava. A noção de sistema dinâmico é parte desta influência.

É necessário, não obstante, as diferenças atribuídas ao conceito de “estrutura”. Apesar de utilizado por Malinowiski; Radcliffe-Brown; Evans-Pritchard; e outros, foi com Lévi-Strauss que este conceito, influenciado pelas teorias da lingüística, tornaram-se mais abstratos e ligados a questões mais sociais que a metáforas tomadas de disciplinas como a biologia e a mecânica.

Lévi-Strauss, critica e sintetiza a definição de cultura mais utilizada: “hábitos; atitudes; comportamentos; maneiras próprias de agir sentir e pensar de um povo” e enfatiza a “estrutura sub-consciente de pensamento”. Para o estruturalismo de Lévi-Strauss, a diversidade humana não é importante, e sim a similaridade humana de pensamento. Nesta teoria, o conceito de cultura ganha um sentido residual. “Residual, porém irredutível”, como coloca Carneiro da Cunha (1986), em que a identidade de grupo é fundamental na construção da Pessoa Humana.

Para o a antropologia atual, cultura é um sistema simbólico (Geertz, 1973), característica fundamental e comum da humanidade de atribuir, de forma sistemática; racional e estruturada, significados e sentidos “às coisas do mundo”. Observar; separar; pensar e classificar; atribuindo uma ordem totalizadora ao mundo, é fundamental para se compreender o conceito de cultura atualmente definido como “sistema simbólico”, e sua diversidade nas sociedades humanas, mesmo neste período atual de modernidade tardia.

4 – Questões mais atuais

No que concerne aos rumos intelectuais dos objetos de interesse para o estudo e construções teóricas atuais da Antropologia Social, o individualismo; a fragmentação; a alta especialização técnica e a dificuldade de se articular níveis distintos de relações qualitativas e quantitativas entre os fenômenos, no modo globalizado hegemônico de pensar, são os problemas mais enfatizados (cf. Dumont, 1985; Duarte, 1998). Conceitos como “disembeddeness”; “embodiment” e “reflexivity” são importantes para o que, na Epidemiologia, se considera característico da “sociedade de risco”, como podemos chamar o capitalismo global da modernidade tardia. Deborah Lupton (1999) faz uma interessante síntese dos conceitos e análises sócio-políticas e culturais na pós-modernidade e atualmente, aplicados à noção de Saúde Pública de “sociedade de risco” e subjetividade “reflexiva”, onde as escolhas individuais são predominantemente privilegiadas para a prevenção e controle do risco de adoecimento e morte.

Para o que nos interessa neste site, a questão do genoma e da genética passa por questões tanto de ordem biológica quanto culturais e éticas. A “Nova Genética”, conforme reflexão de Petersen e Bunton (2002), na modernidade tardia de nossa sociedade capitalista global, poderia estar, enquanto técnica (engenharia) aplicada dos conhecimentos científicos da biologia e genética, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida humana, prevenindo doenças e evitando riscos, ou criando, em uma reedição individualista (i.e., não imposta pelos estados-nações, já bastante enfraquecidos com o neoliberalismo; a abertura dos mercados internacionais e a enorme amplitude via Internet da circulação de informações), uma nova diferença e eugenia?

Assim como, na antropologia física, ainda subsistem noções mais ligadas ao conceito de “tipo racial” (Ventura dos Santos, op. cit.: 132-137), e na antropologia social (ou cultural) até recentemente, ainda se encontravam bastantes influências de idéias evolucionistas; positivistas e de cunho comportamentalista, a Nova Genética pode estar, sob o argumento de uma aposta no futuro “positivo” para a prevenção e controle de doenças herdadas, construindo novas identidades de sociedade, grupos e indivíduos “inferiores”; de “risco” , baseadas inclusive em diferenças biológicas. Desta vez, não da cor da pele, mas da herança genética.

Outras questões, como as patentes de organismos geneticamente modificados (OGM), sejam sementes agrícolas; sejam híbridos animais ou embriões humanos clonados, iriam tornar-los, com o uso médico terapêutico, mais uma forma de criar consumo e lucro. Neste campo, as lutas sócio-econômicas e bioéticas ganham novo papel no contexto global. Os debates são atuais e estão abertos aos rumos da história.

Cibele Verani

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Fonte: www.dbbm.fiocruz.br

Cultura e Costumes do Povo Brasileiro

A Cultura

O conceito antropológico de cultura

Por influência do darwinismo, no início da antropologia social, o projeto de dar conta da diversidade cultural levou naturalistas e historiadores a debruçarem-se sobre os relatos de viajantes. Exploradores e administradores coloniais falavam sobre “comportamentos exóticos” das sociedades “inferiores”, mais “simples” e “incivilizadas”. Nesse período, o pesquisador julgava as sociedades pesquisadas como inferiores porque o seu parâmetro de comparação era pautado numa visão industrial da técnica, ou seja, a sociedade era desenvolvida e civilizada se desenvolvesse tecnologia no patamar colocado pelas sociedades capitalistas.

O relativo isolamento geográfico destas sociedades e povos também contribuiu para esta visão. Assim, a Antropologia Social ficou vista como “ciência das sociedades primitivas”. Mas com a persistência destas sociedades em resistirem até a atualidade de forma bastante diferente da tradição européia, colocou um problema crucial para esta visão evolucionista da diversidade humana. Afinal, porque, mesmo em contato com os povos ocidentais, tais culturas não “evoluíram”. O próprio conceito de evolução cultural foi colocado em questão.

A partir dos próprios resultados das pesquisas sobre povos com “culturas diferenciadas”, muitos pesquisadores concentraram suas investigações para sub-grupos ou subculturas no interior das sociedades “complexas” e “civilizadas”: comunidades camponesas, grupos marginalizados nas regiões urbanas e grupos pertencentes às classes populares e altas da sociedade moderna. Tais estudos culminaram por desembocar em crítica da visão de mundo ocidental etnocentrista, pois via que o comportamento dito estranho e exótico existia também dentro da cultura dita superior.

A noção de cultura é o que separava o determinismo biológico “racial” das manifestações de comportamento aprendidas pelos indivíduos. Para o determinismo biológico “racial”, a raça determina o comportamento dos indivíduos de um determinado grupo social. O conceito de “raça” era usado para justificar o domínio sobre escravos, por exemplo, uma vez que se um povo era racialmente inferior, poderia ser escravizado sem problemas. Estes aspectos eram considerados então como de ordem “biológica” ou “genética” no debate das relações entre raça e cultura.

O antropólogo Edward Tylor (1832-1917) foi um dos primeiros a definir o conceito de cultura fora da visão biologista e geneticista da época, sem considerar o conceito de “raça”: Cultura, dizia ele, é o todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade.

Apesar de ser mais uma lista de itens do que uma definição ou uma teoria que descreva e explique a diversidade humana, na prática, essa definição abriu o campo para o estudo da cultura e da diversidade humana mais interessada em aspectos culturais do que em aspectos biológicos.

Para o a antropologia atual, cultura é um sistema simbólico.

Ela estuda o que considera uma característica fundamental e comum a toda sociedade: atribuir, de forma sistemática e estruturada, significados e sentidos “às coisas do mundo”.

Assim, uma cultura seria diferente de outra porque atribui sentido diferente às coisas e situações sociais. Cada cultura observa, separa, pensa e classifica, atribuindo uma ordem ao mundo, de uma maneira específica. Cabe à antropologia compreender o “sistema simbólico” de cada sociedade e sua diversidade nas sociedades humanas.

Um bom exemplo desse conceito pode ser percebido no filme “Os deuses devem estar loucos” (1980). Em pleno deserto de Kalahari, no Botswana, junto à África do Sul, um avião sobrevoa tranquilamente os céus africanos. Um dos seus tripulantes lança, inadvertidamente, uma garrafa de Coca Cola - daquelas de vidro, bojudas no meio e estreitas no gargalo e com as letras da marca bem impressas - símbolo da moderna civilização de consumo deste final de século. Por perto, brinca um grupo de crianças. Com a curiosidade que lhes é característica, deslocam-se, rapidamente, ao local, a fim de observarem e apanharem o estranho objeto.

De início, a garrafa faz as delícias das crianças e dos adultos: apreciam-na, viram-na, reviram-na, inventam-lhe múltiplas e variadas utilidades para o seu uso, e divertem-se com a sua presença. No entanto, passado algum tempo, esta simples e inofensiva garrafa de Coca-Cola começa a ser disputada e a tornar-se alvo de sérias querelas no seio do grupo, despertando sentimentos de posse e invejas.

Conclusão: as culturas são diferentes porque um mesmo objeto, crença ou valor, para uma cultura, têm um significado completamente diferente do que para outra.

Componentes estruturais da cultura

A cultura não é um emaranhado de costumes e normas soltas na sociedade. para entendermos sua organização, vamos analisar alguns dos seus segmentos: traço cultural, complexo cultural, subcultura e contracultura.

a) Traço cultural: é a menor unidade da cultura de um povo. Pode ser material, como a rede para dormir, ou não material, como, por exemplo, as formas de as pessoas se cumprimentarem.

b) Complexo cultural: é um conjunto de traços culturais relacionados entre si. A festa junina é um bom exemplo de complexo cultural, pois envolve várias traços culturais, materiais e não materiais, reunidos num mesmo evento (que é a festa em si). As comidas, vestimentas, decorações e objetos típicos representam os traços culturais materiais; já a quadrilha, com seus diversos passos, a música, os costumes etc. representam os traços culturais não materiais da festa.

c) Subcultura: é o grupo que convive dentro de uma cultura maior, apresentando semelhanças e diferenças em relação à cultura dominante. A subcultura não desafia as normas da cultura dominante, apenas apresenta diferenças que a caracterizam como um segmento dentro da cultura maior. As colônias de imigrantes no Brasil são um tipo de subculturas, pois seus componentes se organizam, trocam experiências e relembram momentos do país de origem. Os jovens, com sua linguagem, modo de vestir, preferência musical, aparência extravagante também formam uma subcultura com relação à cultura dominante dos adultos.

d) Padrão cultural: é o conjunto de normas que rege o comportamento dos indivíduos de determinada cultura ou sociedade. em outras palavras: quando os membros de uma sociedade agem de uma forma semelhante, estão expressando os padrões culturais do grupo. Por exemplo, o casamento monogâmico e a língua portuguesa são padrões culturais da sociedade brasileira.

Nas sociedades contemporâneas encontramos grupos e pessoas que contestam certos valores culturais dominantes e vigentes, opondo-se radicalmente a eles, num movimento chamado de contracultura. O movimento hippie, que achava ser o trabalho assalariado contra a liberdade pessoal, é um exemplo marcante de contracultura. A cultura dominante os taxou de vagabundos e preguiçosos, que deveriam ser combatidos para não propagarem o mau exemplo.

As relações entre as culturas

Etnocentrismo

Etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc.

No etnocentrismo se misturam:

a) elementos intelectuais e racionais e

b) elementos emocionais e afetivos.

Estes dois planos do espírito humano (sentimento e pensamento) vão compondo um fenômeno não apenas fortemente presente na história das sociedades, como também facilmente encontrável no nosso dia-a-dia.

O estudo do etnocentrismo, na antropologia, pode ser expresso como a procura de sabermos os mecanismos, as formas, os caminhos e razões, pelos quais existem tantas e tão profundas distorções nas emoções, pensamentos, imagens que fazemos da vida daqueles que são diferentes de nós.

Este problema não é exclusivo de uma determinada época nem de uma única sociedade. Talvez o etnocentrismo seja, dentre os fatos humanos, um daqueles de mais unanimidade.

Um bom exemplo que ilustra a questão do etnocentrismo é a experiência de um choque cultural. De um lado, conhecemos um grupo do “eu”, o “nosso” grupo, que come igual, veste igual, gosta de coisas parecidas, conhece problemas do mesmo tipo, acredita nos mesmos deuses da mesma forma, empresta à vida significados em comum e procede, por muitas maneiras, semelhantemente. Aí, então, de repente, nos deparamos com um “outro”, o grupo do “diferente” que, às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas, a tal ponto que não reconhecemos como possíveis. E, mais grave ainda, este “outro” também sobrevive à sua maneira, gosta dela, também está no mundo e, ainda que diferente, também existe como nós.

Este choque gerador do etnocentrismo nasce, talvez, na constatação das diferenças. É uma espécie de mal-entendido sociológico. A diferença é ameaçadora porque fere nossa própria identidade cultural.

É como se pensássemos:

Como aquele mundo de doidos pode funcionar (espanto)? Como é que eles fazem (curiosidade perplexa)? Eles só podem estar errados ou tudo o que eu sei está errado (dúvida ameaçadora)! Não, a vida deles não presta, é selvagem, bárbara, primitiva (hostilidade)!

Relativismo cultural

Ao contrário da postura etnocêntrica, a postura do relativismo cultural defende que:

(a) cada cultura tem especificidades próprias, resultantes de fatores sócio-históricos que definem a identidade dos seus membros; por isso

(b) não é admissível a existência de culturas superiores e inferiores; e

(c) uma cultura não pode ser compreendida de fora, ou seja, não podemos impor nossos conceitos e parâmetros culturais para julgar uma cultura diferente da nossa.

Na história da antropologia, o relativismo surgiu como reação ao etnocentrismo e ao evolucionismo social (teoria evolucionista). O etnocentrismo evolucionista privilegiava a objetividade na investigação de outras culturas, ignorando atitudes de respeito pela identidade e pela diferença culturais.

O relativismo cultural constitui uma contribuição importante para a antropologia e para o processo de aprendizagem multicultural, já que desenvolveu técnicas de investigação das complexidades e da diversidade cultural.

O relativismo cultural defende a validade e a riqueza de qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética dos mesmo. Não podemos, dessa formar, comparar culturas, no sentido de conferir maior valor a uma ou outra. São todas equivalentes. Em suas manifestações mais extremas, o relativismo chega a comparar o vudu com a ciência ocidental e a legitimar a poligamia, sacrifícios.

A posição relativista já foi criticada por defensores dos direitos humanos, que consideram certos hábitos de determinados povos como um atentado aos direitos básicos do ser humano, tal como a extração do clitóris feminino em determinadas tribos africanas.

Transculturação e sincretismo

Chama-se transculturação o processo pelo qual as diversas culturas trocam entre si elementos culturais.

Um exemplo: os imigrantes libaneses que vieram para o Brasil introduziram na nossa cultura o hábito de comer quibe, comida típica de sua cultura. Em contrapartida, muitos deles aprenderam a apreciar o feijão e o arroz, pratos essenciais da cultura brasileira.

O sincretismo consiste na fusão de traços culturais provenientes de culturas diferentes, que tem como resultado um novo complexo cultural. A umbanda, uma religião afro-brasileira, por exemplo, reúne aspectos do cristianismo e de crenças africanas trazidas pelos escravos para o Brasil. É uma das manifestações de sincretismo religioso em nossa cultura.

Tipos de cultura: erudita, popular e de massa

Não vivemos em uma sociedade homogênea, toda produção cultural está sujeita a avaliação que dependem da posição social do grupo a que ela pertence.

Para exemplificar vamos estabelecer algumas distinções, considerando as seguintes divisões:

A Cultura Erudita é a produção acadêmica centrada no sistema educacional, sobretudo na universidade, produzida por uma minoria de intelectuais. Além de ser produzida formalmente, seus traços são complexos e refinados, exigindo uma elevada formação e sensibilidade estética de quem os aprecia. Alguns exemplos dos traços desta cultura podem ser a música clássica, o ballet, as artes plásticas, os conhecimentos científicos etc.

A Cultura Popular é identificada com folclore, conjunto das lendas, contos e concepções transmitidas oralmente pela tradição. É produzida pelo homem do campo, das cidades do interior ou pela população suburbana das grandes cidades. Sua produção está empenhada em resgatar tradições e valores culturais, não seguindo, por isso, tendências de moda. O povo simples é o autor da produção cultural. Alguns exemplos de manifestações dessa cultura podem ser vistos nas festas populares, nas danças regionais, nas lendas, nos ensinamentos e práticas que são passados de geração em geração de modo informal.

A Cultura de Massa é aquela resultante dos meios de comunicação de massa, tais como a indústria fonográfica (música), a cinematográfica (cinema), Tv´s, Rádios, etc. Produzida “de cima para baixo”, já que o consumidor não participa de sua produção, esse tipo de cultura, veiculada pela indústria cultural (como veremos no próximo tópico), impõe padrões e homogeneíza o gosto, através das modas culturais.

Indústria Cultural e a cultura como mercadoria

Para Adorno e Horkheimer, representantes da Escola de Frankfurt, a indústria cultural é a indústria da diversão. Ela não provoca construção de juízo crítico. O consumidor da indústria cultural é distraído e, por isso, não está preocupado com a análise das obras. Não há uma preocupação profunda com a forma e o produto cultural tem como finalidade principal o entretenimento. Não há o desejo de que a massa questione, e sim que ela simplesmente alimente o sistema, consumindo essa espécie de "pacote" que lhe é "imposto".

Uma outra característica da indústria cultural, destacada pelos pensadores da Escola de Frankfurt, é a banalização das obras de arte, sobretudo as obras eruditas. Banalizar as obras de arte significa subtrair da obra a sua aura, ou seja, aquele algo que a torna única e rara (e por isso, de grande valor artístico). Foi o que ocorreu com a famosa obra de arte, a "Monalisa", que foi reproduzida em camisetas, chaveiros e réplicas pelo mundo inteiro. Ela perdeu a aura que a tornava única, aparecendo nos mais inusitados locais. Explorada de várias maneiras pela indústria do entretenimento, hoje ela até virou motivo de piada na Internet.

A cultura vira um mero produto para consumo imediato. Depois de consumido, tal como qualquer mercadoria, é descartado. A sociedade moderna possibilita a reprodução técnica e muda a relação espectador - obra de arte. A indústria cultural não cria um sujeito crítico e sim um sujeito condicionado, alienado, passivo e facilmente manipulado.

Além das características acima mencionadas, podemos destacar outras:

Homogeneização: os produtos da indústria cultural são produzidos de forma massificada, ou seja, são dirigidos a todos, sem considerar as diferenças estéticas, de classe, étnicas, regionais, culturais etc. As pessoas são tratadas como um todo homogêneo

A produção cultural não é feita ou promovida pelas massas populares. O povo é apenas o alvo e não a origem dessa produção

Pasteurização dos traços das culturas erudita ou popular: a indústria cultural faz adaptações sobre determinadas obras de arte eruditas ou populares, retirando a sua originalidade, oferecendo uma visão pálida de arte. Um exemplo disto, é a criação da música sertaneja (cultura de massa), com ritmos, temas e valores próprios, a partir da música caipira (cultura popular)

Além do entretenimento, o interesse econômico ou lucro é principal fator motivador da produção da indústria cultural

O público-alvo da indústria cultural não se reconhece por meio de sua produção, por isso não possui uma ligação vivencial com ela

Alienação: a indústria cultural desloca os indivíduos da realidade em que vivem, colocando-os num plano fictício, movido pelas ilusões e desejos de consumo.

Fonte: www.visaoportal.com.br

Cultura e Costumes do Povo Brasileiro

Cultura e folclore: construindo relações no espaço escolar

Resumo

Para tratar das relações entre cultura e folclore, creio que seja necessário considerar, a existência de pelo menos dois modelos culturais: o popular e tradicional e o oficial, moderno e escolarizado. Ambos correspondem a maneiras entrelaçadas, por vezes bastante divergentes, de enxergar a vida e o mundo.

O primeiro seria enraizado, por exemplo, na valorização de sistemas hierárquicos assim como na cultura oral e suas implicações. O segundo, na valorização do individualismo assim como na cultura escrita e suas implicações. Cada um destes modelos culturais tem gerado discursos construídos a partir de diferentes padrões sociais, éticos e estéticos. O artigo aponta algumas dessas diferenças e suas relações no espaço escolar.

Introdução

Os diferentes tipos de cultura permeiam as relações humanas, relações estas que aparecem em diferentes comunidades pelo mundo, em diferentes períodos, desde a origem do homem.

A antropologia nos mostra que todo e qualquer ser humano tem cultura. Mas, por outro lado, observamos que no, nosso dia-a-dia, algumas pessoas fazem referência à cultura como algo restrito a grupos que têm acesso a cinema, teatro, literatura, ao conhecimento científico, entre outros.

Esses grupos culturais possuem indicadores sociais que têm como função definir, indicar e construir a cultura do grupo humano.

Os indicadores sociais se agrupam em diferentes formas: as organizativas, os sistemas de decisão, a visão do mundo e a relação com o meio ambiente.

As formas organizativas estão relacionadas ao espaço social, destacando o lazer, o trabalho, a família, a escola e a religião.

Em relação à família, podemos mencionar: os laços de parentesco e os compadrios. Os grupos formados na escola também fazem parte das formas organizativas, desenvolvendo as tarefas solicitadas em sala de aula, participando das olimpíadas escolares, representando peças de teatro e dança.

Nos sistemas de decisão podemos relacionar com a política educacional vigente. Esse sistema pode ser observado nas muitas mudanças que a educação sofreu em nosso país.

Passamos por uma fase tecnicista, na qual o objetivo era formar pessoas aptas a suprir a necessidade do mercado. E, num outro extremo, destacamos a valorização da construção da cidadania, que ainda faz parte do momento atual. Como vimos, a política circula pela educação, mas também por todos os demais setores.

A visão de mundo como um indicador social é influenciada pelo advento das novas tecnologias, surgindo, assim, aulas informatizadas, o ensino à distância - rompendo fronteiras - aproximando o aluno do conhecimento, delineando o seu perfil cultural.

No meio ambiente, podemos mencionar a preocupação com a preservação do planeta. Os projetos político-pedagógicos, em muitos casos, destacam esse assunto, que é importante discutir com nossos alunos.

Esses componentes são extremamente dinâmicos, interdependentes e formam uma rede de relações condicionantes e condicionadas pelo corpo de valores, revelando o perfil do grupo social.

Consideramos cultura exatamente essa rede de relações, processos e interações que formam o desenho definidor da comunidade ou grupo social. Sendo assim, características como a heterogeneidade e a diversidade constituem a marca da nossa cultura, o caráter de nosso país e sua verdade histórica.

Podemos considerar cultura, em sentido estrito, a produção intelectual de um povo, expressa nas produções filosóficas, científicas, artísticas, literárias e religiosas.

Nesse sentido, pessoas ou grupos se ocupam com diferentes formas de expressão cultural. Tais como artistas, o escritores, o filósofos, e cientistas.

No sentido estrito, destaca-se a ênfase à representação simbólica que o homem faz da realidade, construída por meio do conhecimento e da valoração; é justamente pela educação que bens simbólicos podem ser transmitidos, avaliados e transformados.

Esses bens deveriam estar disponíveis para todos, tanto na fase de reprodução e inovação quanto na de consumo e fruição. No entanto, tal não acontece nas sociedades divididas em classes, em que é nítida a separação entre trabalhadores intelectuais e manuais. Esse último geralmente não tem acesso aos bens culturais e, quando deles se aproximam, prevalece o consumo da cultura dominante. Já vimos que daí deriva a classificação que separa os cultos dos incultos.

Geralmente, é considerado inculto aquele que não participa do saber da elite. Porém, se o homem se define na medida em que é capaz de produzir cultura, não existe homem inculto. Acontece que, nas sociedades em que predominam relações de dominação, as pessoas do povo são impedidas de elaborar criticamente sua própria produção cultural.

Essas distorções levam a outra, também muito comum: a idéia de que se tem cultura, ou seja, o conhecimento é um benefício que pode ser dado, e o homem culto seria aquele que tem posse de conhecimentos, não se levando em conta o dinamismo da cultura e a sua dupla dimensão de construção e ruptura. Na verdade, a cultura tem duas perspectivas, a do ter e a do ser.

Há um processo contínuo na esfera cultural, tornando o ter e o ser uma unidade com duas faces: a segunda é a que leva à invenção do discurso a ser sujeito da própria vida, e a primeira permite a alimentação contínua desse processo através da posse possível de todos os registros do discurso dos homens de todos os tempos. (MILANESI, 1991, p.139)

Vimos, até aqui, que a cultura é uma criação humana, que, ao tentar resolver seus problemas, o homem produz os meios para a satisfação de suas necessidades e, com isso, transforma o mundo natural e a si mesmo. Por meio do trabalho instaura relações sociais, cria modelos de comportamento, instituições e saberes.

O aperfeiçoamento dessas atividades, no entanto, só é possível pela transmissão dos conhecimentos adquiridos de uma geração para outra, permitindo a assimilação dos modelos de comportamento valorizados. É a educação que mantém viva a memória de um povo e dá condições para a sobrevivência material e espiritual.

A educação é, portanto, fundamental para a socialização do homem e sua humanização. Trata-se de um processo que dura a vida toda e não se restringe à mera continuidade da tradição, pois supõe a possibilidade de rupturas, pelas quais a cultura se renova e o homem faz a história.

Devido à existência de muitas definições sobre cultura popular, adotamos o seguinte conceito: o conjunto de criações e manifestações espontâneas, originais e autênticas, nascidas e consumidas pelos próprios sujeitos que as geraram, podendo até ser influenciado por outros tipos de expressões culturais, a erudita e a de massa, o que não descaracterizaria seu caráter popular. Essas expressões se materializam no cotidiano e se fazem presentes nos planos simbólicos, nas vivências de grupos sociais, desde o âmbito familiar até o convívio comunitário que pode ser em pequena ou grande escala, reunindo poucas pessoas ou mesmo uma multidão.

Como não vivemos em uma sociedade homogênea, qualquer produção cultural está sujeita às avaliações que dependem da posição social do grupo no qual ela surge.

Por isso, quando contrapomos, por exemplo, “cultura de elite” e “cultura popular”, já estamos emitindo juízo de valor, ou seja, a cultura de elite seria superior porque é refinada, elaborada, ao passo que a cultura popular seria inferior por se tratar de expressão ingênua e não intelectualizada.

Outra confusão está em se identificar cultura de elite, que na verdade é a cultura erudita, com produção da classe dominante; de maneira geral deve-se ao pressuposto de que a verdadeira cultura é a produzida pela elite.

Quando se fala de conhecimento, despreza-se o saber popular para se valorizar apenas a ciência; ao se tratar da técnica, exalta-se a mais refinada tecnologia; ao se referir à arte contemporânea, pensa-se nas pinturas de Picasso; quando se volta à atenção para a arte popular, é para considerá-la de forma depreciativa, como arte menor ou produção exótica e objeto de curiosidade.

Cultura no sentido antropológico tem muito a ver com comunicação, cultura é um mundo de significados, é um código simbólico construído socialmente, e compartilhado por todos os seus integrantes. Cultura é construção!!!!

Cultura é algo que se adquire na convivência em grupo. Um bebê, quando vem ao mundo, nada sabe além de sugar o dedo. Ele está biologicamente equipado para, aos poucos, desenvolver a fala. Mas o idioma que vai falar dependerá do grupo social ao qual pertence. Uma criança indígena, primeiro vai aprender com os pais, irmãos e outros parentes a falar o seu idioma. Só depois ela aprenderá o português. Outro exemplo no contexto escolar é o jogo como fenômeno cultural, que se desenvolve e estrutura de forma diferenciada, de acordo com a cultura e costumes em que está inserido.

Exatamente por ser construída é que a cultura pode ser tão variada. Cada grupo pode desenvolver e transformar sua própria cultura, por meio de contato e convivência com outros grupos.

Cultura é algo que pode ser trocado: temos nossa cultura mais podemos compreender as alheias.

O povo brasileiro é um povo plural, cuja trajetória, desde a formação até os dias de hoje, tem possibilitado o encontro e a combinação de tradições culturais diversas, recriadas em combinações novas, brasileiras. A história desses encontros é marcada por conflitos e contradições. Aprendemos na escola e ouvimos, a toda hora, os meios de comunicação repetir que nosso povo é o resultado da junção de representantes de três raças; o branco, o negro e o índio. Mas, pense bem, será que o conceito de raça é adequado para explicar nossa formação social e cultural?

Historiadores dedicados ao estudo do período colonial comentam a dificuldade de comunicação enfrentada pelos primeiros africanos escravizados que para cá foram trazidos. É que eles pertenciam a diferentes sociedades tribais, que viviam em diferentes locais da África – Costa Ocidental, Costa Austral e Costa Oriental – e falavam línguas distintas. O colonizador os igualava, denominando-os todos „negros?, vendo-os como mão-de-obra e não como indivíduos dotados de uma história e de valores próprios dos diferentes povos dos quais se originavam. Um negro norte-africano não era igual ao negro do centro do continente ou ao negro sul-africano. O que chamamos de cultura afro-brasileira é o resultado das vivências de africanos de diferentes sociedades, que aqui se encontraram, combinaram e recriaram distintas tradições, hoje revividas e atualizadas por seus descendentes.

O mesmo podemos dizer a respeito dos brancos colonizadores que aqui chegaram há mais de 500 anos. Portugueses, espanhóis, franceses, holandeses, no início.

Mais tarde, outros brancos que para cá migraram em busca de melhores oportunidades.

Na época do Descobrimento do Brasil, existiam mais de 200 sociedades indígenas, cada qual com sua língua, seu modo de agir e pensar, sua política, suas regras sociais, sua ética, sua maneira de adornar o corpo e educar os filhos, seus rituais. O colonizador os igualava no nome – índios –, mas soube, desde o início, tirar proveito das diferenças entre eles, explorando, por exemplo, as inimizades entre tribos do litoral. Os portugueses aliaram-se aos Tupiniquins, enquanto os franceses ficaram amigos dos Tupinambás. Esses povos indígenas se enfrentaram na disputa dos territórios que os europeus haviam invadido. Ainda hoje as sociedades indígenas brasileiras lutam pelo reconhecimento de suas identidades e necessidades específicas, como a demarcação de territórios onde possam viver cada uma a seu modo.

O povo brasileiro, além de multiétnico, é pluricultural, Não havia, como não há atualmente, uma única cultura branca, outra negra e outra indígena. Brancos, negros e índios diferiam uns dos outros, e cada um desses grupos tinha suas diferenças internas.

Quando falamos sobre cultura popular estamos nos referindo não apenas às manifestações festivas e às tradições orais e religiosas do povo brasileiro, mas ao conjunto de suas criações, às maneiras como se organiza e se expressa, aos significados e valores que atribui ao que faz, aos diferentes modos de trabalhar, aos jeitos de falar, aos tipos de música que cria, às misturas que faz na religião, na culinária e na brincadeira.

Em vez de tentar definir o que é certo ou errado em matéria de folclore, o que queremos é compreender os muitos caminhos pelos quais permanece vivo e se transforma. Que encontros e combinações de tão distintas tradições são praticados pelos brasileiros? Que criações resultam das tantas misturas culturais que esse povo é capaz de fazer? Como o popular e o erudito se combinam?

Não podemos de forma alguma ignorar as mudanças provocadas no mapa cultural brasileiro pelas migrações internas e pelo avanço da comunicação de massa.

Já não há mais correspondência literal entre, por exemplo, o modo de ser do homem que mora na região norte e os costumes indígenas, primeiros habitantes da região. Muitos costumes se perderam e outros foram recriados.

Trabalhar a cultura amazonense nas escolas requer um resgate de influências como: o conhecimento do clima, da geografia, da culinária, das danças, das brincadeiras e dos costumes me parece uma forma interessante de estudar o folclore.

Compreendo a educação não apenas como a transmissão de informações, mas como o desenvolvimento da capacidade de relacionar os conteúdos e criar interpretações pessoais, e por esse motivo, não tenho dúvidas: a atuação do educador é sempre decisiva. É o professor, quem vai auxiliar seus alunos a estabelecer as relações possíveis entre o que já sabem e as descobertas que a escola propicia.

De acordo com MOREIRA & CANDAU (2008, p.16), “no momento atual, as questões culturais não podem ser ignoradas pelos educadores, sob o risco de que a escola cada vez se distancie mais dos universos simbólicos, das mentalidades e inquietudes das crianças e jovens de hoje”.

Aventurar-se neste universo, exige capacidade para poder interpretar as diversas culturas, nos seus diferentes papéis e educar de forma completa, com um olhar compreensivo.

Nesta aspiração para encontrar formas adequadas de olhar, ouvir, sentir estas crianças, e principalmente em interpretá-las, retorna-se a questão da diversidade, compreendendo-a como o eixo central da discussão das culturas.

Se estivermos de acordo com as premissas anteriores, verificaremos que toda e qualquer forma de conhecimento é uma leitura e interpretação parcial e relativa da cultura.

Como qualquer outra ciência, o Folclore é mais uma maneira de ler e interpretar a rede de relações e os desenhos culturais de uma sociedade.

Para isso, essa ciência utiliza-se de instrumentos metodológicos de pesquisa: a observação e a análise de tudo aquilo que seja tradicional, funcional e de aceitação coletiva dentro do grupo social estudado.

No quadro das ciências humanas, consideramos o folclore, no enfoque apresentado neste livro, como a mais nova dessas ciências, a qual tem relações estreitas com a Antropologia Cultural (Social ou Etnologia), Sociologia e Etnografia. [...] A Antropologia Cultural Cultural ou Etnografia, como preferem designá-la no Brasil, é a ciência com a qual o folclore possui maiores afinidades. Mas não consideramos o folclore uma de suas divisões, como querem alguns especialistas. (LIMA, 2003, p.17)

Seja o conhecimento científico sistematizado, resultante da aplicação de métodos específicos para cada ciência, seja o conhecimento não-formal, empírico, não-sistematizado, resultante da vivência e do senso comum, ambos, serão sempre relativos e parciais. Nenhum melhor ou superior ao outro.

Antagônicos muitas vezes, complementares outras, não opostos necessariamente. Ambos importantes porque possibilitam uma leitura mais densa e compreensão mais profunda do ser e da cultura humana.

Esta é a finalidade do conhecimento: possibilitar uma leitura mais densa, mais profunda, mais rica, mais abrangente da "travessia" humana.

E o Folclore, como ciência humana e social, irmã da Antropologia e parte desse conhecimento é, em síntese, a possibilidade de leitura dos saberes, dos fazeres e dos quereres humanos, estudada sob a luneta da tradicionalidade, aceitação coletiva e funcionalidade.

Como há muito citou Luís da Câmara Cascudo, o folclore representa as maneiras diversas do pensar, sentir e agir do povo. Referem-se à produção humana, algumas vezes contestada pelo saber dominante mais igualmente valiosa e formadora da identidade cultural.

Há influências de várias culturas como européias, indígenas e africanas. Alguns exemplos dessas influências como os amuletos, geralmente, vêm da cultura ocidental européia. As ervas estão relacionadas com os indígenas, que ainda se utilizam de folhas como remédio alternativo e para benzimentos, já as magias e os feitiços vieram da cultura africana. Nos exemplos, registros de ignorâncias, crendices, coincidências? Ou a comprovação da presença do folclore no nosso dia-a-dia?

Folclore é, portanto, a ciência humana e social que estuda os fatos e as relações, os processos e as realizações de um grupo social - materiais, sociais e espirituais, objetivas e subjetivas, orais e escritas - tradicionais, funcionais e de aceitação coletiva, integradas à vivência popular e à dinâmica do cotidiano, resultantes da difusão no tempo e no espaço.

Essas manifestações, também chamadas de cultura popular, coexistem com as formas de cultura erudita (ou acadêmica) e de massa (consumo), conservando suas funções histórico- sociais. O artesanato e a medicina caseira, as crenças e superstições, as gírias e provérbios, as danças e festas populares tradicionais são alguns entre os incontáveis exemplos, objetos da ciência folclórica.

“A ciência folclórica considerou como objeto de seu estudo o fenômeno ou fato folclórico, cujas características foram fixadas, no decorrer de sua história, por numerosos folcloristas. A realidade da pesquisa de campo, porém nos fez constatar que fenômeno ou fato são vocábulos muito simplistas para englobar linguagem, literatura, superstições e crendices, rodas e jogos etc., e em conseqüência, fomos buscar na antropologia cultural a denominação “complexo cultural”, adicionando-lhe o “espontâneo”, e passamos a utilizar a fórmula “complexo cultural espontâneo” em nossa linguagem científica.” (LIMA, 2003, p.22)

Para se avaliar se é fato folclórico, devemos analisar alguns aspectos que constituem suas características primordiais:

Se o fato é tradicional, funcional e de aceitação coletiva, condições essenciais ("sine qua non") à existência do fato folclórico:

1) o grupo social que o recolhe e o vivencia

2) como se manifesta e interage este fato dentro do grupo

3) a atualidade e a funcionalidade do fato na vida das pessoas e da comunidade.

O fato folclórico tem uma série de características próprias: a primeira é o Anonimato, isto é, não tem autor conhecido. Naturalmente tudo tem um autor, foi feito por alguém, mas o nome desse alguém se perdeu através dos tempos, despersonalizando-se, assim, a autoria.

A segunda é a Aceitação Coletiva, é a aceitação pelo povo e é essa aceitação que despersonaliza o autor. O povo, aceitando o fato, toma-o para si, considerando-o como seu, modifica-o e transforma-o, dando origem a inúmeras variantes.

Assim, uma história é contada de várias maneiras, uma cantiga tem trechos diferentes na melodia, os acontecimentos são alterados e o próprio povo diz: “Quem conta um conto aumenta um ponto”.

A terceira é a transmissão Oral, isto é de boca em boca, pois os antigos não dispunham de outros meios de comunicação. Não havia imprensa, não havia livros nem jornais, todos os conhecimentos eram transmitidos oralmente.

A quarta é a tradicionalidade, não no sentido de um tradicional acabado, coisa passada, sem vida, mas uma força de coesão interna que define o modelo de conglomerado, da região, do povo e lhe dá unidade. Sem se poder valer de outros expedientes, como professores, escolas, imprensa, as pessoas do povo se valem da tradição veiculada pela transmissão oral a fim de resolver suas situações, buscando na lição vinda do passado o que precisam saber no presente, já que suas possibilidades as endereçam mais à sabedoria constituída do que à inventiva.

A quinta é a Funcionalidade, tudo quanto o povo faz tem uma razão, um destino, uma função. O povo nada realiza sem motivo, sem determinante estritamente ligada a um comportamento, a uma norma psico-religiosa-social, cujas origens talvez se perderam no tempo. Observem... Por que o povo canta?! Canta pra rezar, canta para adormecer a criança, canta para trabalhar, canta para festejar as colheitas e os acontecimentos, canta para ajudar a morrer e para enterrar seus mortos. Mas não dão concertos, recitais, audições como os eruditos; as suas festas têm épocas marcadas, com seus cantos e danças próprias.

Considerações Finais

A função de um fato folclórico não pode nem deve ser congelada no processo de evolução de um povo através dos tempos nem ser aprisionada em determinada área geográfica. Isso seria o mesmo que coisificar os fazeres e os saberes folclóricos, transformando-os de elementos culturais vivos em fósseis, vistos e apreciados apenas como simples e bonita coleção de antiguidades. A ciência folclórica trabalha com fatos e manifestações universais.

A sua grande riqueza é a sua diversidade na unidade: um mesmo fato pode ter inúmeros acréscimos e variações em sua estrutura e função, frutos do tempo e do espaço onde ele se manifesta.

O Folclore, como fruto da atividade humana, está sujeito a alterações tanto na forma quanto no conteúdo, resultantes do processo de difusão e apropriação cultural. Uma dança que antigamente foi de caráter guerreiro ou religioso ou parte de um ritual pode constituir-se, hoje, em um folguedo lúdico e mera diversão.

Segundo Varagnac (1948), todo fato folclórico pode responder, no curso dos séculos, a necessidades diferentes e mentalidades diferentes; para essa compreensão é fundamental não só o estudo e a pesquisa sistemática, mas também o respeito pelas coisas do povo.

A escola deve estar comprometida com nossa cultura, resgatando nossos valores, tradições e costumes; incentivando o valor de sermos brasileiros repassando nossa cultura, através de atividades que levarão os alunos a refletirem sobre como o nosso Folclore pode e deve ser utilizado na aprendizagem, em todos os meses letivos e não unicamente em 22 de agosto.

Interdisciplinarmente transmitir a riqueza do nosso povo com músicas, danças, versos, adivinhas, trava-línguas, costumes, superstições, artesanatos, lendas, enfim, tudo que enriquece o Folclore e representa o nosso Brasil, assim valorizando e enriquecendo as diversas disciplinas.

Se algum educador ousar esse mergulho numa ciência que se constrói com o cérebro e a alma, pode transformar-nos em seres mais humanos e melhores.

Patrícia dos Santos Trindade

Referências

ALMEIDA, R. Manual de Coleta Folclórica - Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro, 1968.
_______________. A Inteligência do Folclore. Rio de Janeiro: Cia. Editora Americana - MEC, 2ª.edição, 1974.
_______________. Vivência e Projeção do Folclore. Rio de Janeiro: Agir Editora - INL, 1971.
ARAÚJO, A. M. Folclore Nacional, 3º vol. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1967.
BRANDÃO, C. R. O que é Folclore. São Paulo: editora brasiliense, 1986.
CASCUDO, L. da C. Dicionário do Folclore Brasileiro. 2º vol., Brasília: Instituto Nacional INL-MEC do Livro, 1972.
FLORESTAN, F. O Folclore em Questão. São Paulo: Hucitec, 1978.
GUIMARÃES, J. G. M. Repensando o Folclore. 2002
LEAL, M. F. Cultura, ignorância, erudição, afinal qual é o problema? artigo da revista facinter.com. você – edição nº. 5 , abril de 2004.
LIMA, R. T de. A ciência do folclore. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
MILANESI, L. A casa da invenção. São Paulo: Siciliano, 1991.p. 139.
MOREIRA, A. F & CANDAU, V. M. Multiculturalismo: diferenças culturais e práticas pedagógicas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. p. 16.
SANTOS, J. L. dos. O que é Cultura. São Paulo: Brasiliense, 2003.
VARAGNAC, A. Civilization traditionnele et genres de vie. Paris, 1948.

Fonte: www.relem.info

Cultura e Costumes do Povo Brasileiro

Cultura e tradições

O Brasil fascina por sua miscigenação.  As raízes indígenas, europeias, asiáticas e africanas entre tantas outras se refletem não só na cultura como nos costumes do brasileiro.

A culinária, a música, o artesanato, a arquitetura e festas populares trazem consigo impressa essa identidade multicultural. Não à toa, o país conta com 17 bens culturais e naturais tombados pelo Patrimônio Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e uma das maravilhas do mundo contemporâneo, o Cristo Redentor.

A imigração no Brasil foi de extrema importância para a formação da cultura nacional. Características de todos os lugares do mundo foram incorporadas ao longo dos séculos, desde a chegada dos portugueses, em 1500. Além das contribuições de índios, negros e portugueses, a expressiva vinda de imigrantes de todas as partes da Europa, do Oriente Médio e da Ásia influenciou a formação do povo brasileiro.

Vale lembrar que, apesar de sua extensão territorial, fala-se o mesmo idioma em todas as regiões brasileiras. O português é a quinta língua mais falada, e a terceira entre as ocidentais, após o inglês e o espanhol. A Constituição Brasileira assegura o pleno exercício dos direitos culturais e define que o estado deve apoiar, incentivar e valorizar suas manifestações, além de proteger as culturas indígenas, afro-brasileiras e de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

Gastronomia

Essa combinação de povos resultou em hábitos alimentares completamente distintos. Um fato interessante sobre a gastronomia brasileira é que um nome de comida por ser utilizado para identificar pratos diferentes. É o caso do cuscuz que de São Paulo ao Rio Grande do Sul é uma receita a base de ovos, ervilhas, sardinha e farinha de fubá, que quando pronto tem cor laranja. Mas do Rio de Janeiro a região Nordeste indica um doce de cor branca.

Dentre os pratos típicos brasileiros destacam-se a feijoada, acarajé, vatapá, churrasco, tutu de feijão, pão de queijo, carne de sol, camarão na moranga, arroz e feijão, peixe na folha de bananeira, cuzcuz, polenta, pirão, farofas, empada, pato no tucupi, casquinha de siri, moqueca, baião de dois, rabada, sarapatel, sarapatel, caruru, leitoa a pururuca, feijão tropeiro, virado à paulista, cural, picadinho, barreado, arroz carreteiro, porco no rolete, pinhão, paçoca, brigadeiro, bolo de milho, cocada, pamonha, tapioca, açaí, arroz doce e pé-de-moleque.

Artes

Nas artes o país também não deixa de ser plural.

As artes cênicas envolvem algumas das expressões artísticas mais populares do país: o teatro, o circo e a dança. Os primeiros contatos do Brasil com o teatro aconteceram no século XVI, com o padre José de Anchieta, que utilizou a arte para catequizar os índios.

Nos séculos seguintes, se diversificou com a introdução de peças trazidas da Espanha e Portugal e a construção de grandes teatros, até os dias atuais com grandes superproduções internacionais que desembarcam aqui a todo o momento.

A dança brasileira tem origens diversas e recebe influências de outros países, principalmente africanas, mouriscas, européias e indígenas.

São diferentes em cada região do país e entre as mais conhecidas estão: o samba, o maxixe, o xaxado, o baião, o frevo e a gafieira. Existem ainda as danças folclóricas e tradicionais como forró, axé entre outras.

São consideradas artes visuais pintura, desenho, gravura, fotografia e cinema, além da escultura, instalação, arquitetura, moda, decoração e paisagismo. Muitas delas estão impressas no artesanato brasileiro que, em cada região possui uma característica típica. Nas regiões Sul e Sudeste, sobretudos nos Estados de Santa Catarina e Minas Gerais, produtos feitos com folha de bananeira, assim como panelas, potes, moringas e jarras em cerâmicas são destaque. Minas Gerais também se destaca pelos tapetes e colchas feitos em tear manual, peças produzidas em estanho e pedras decorativas talhadas dos mais diversos tipos de minério.

Na região Centro-Oeste, o foco também está no bordado e nas atividades relacionadas à madeira, barro, tapeçaria e trabalhos com frutas e sementes. Animais de porcelana e moringas de barro são muito comuns em Goiás e no Mato Grosso. Além do artesanato relacionado ao barro e à madeira, o Nordeste se destaca pela famosa renda de bilro, no Ceará. Todas as técnicas de produção em fibras de algodão são herança da colonização portuguesa e são conservadas até hoje. Cabe mencionar a participação relevante dos trançados de palha, cestarias feitas com trançados de carnaúba, bambu e cipó.

Assim como nas outras regiões, o bordado também é muito popular na região Norte. Mas a influência indígena faz da cerâmica uma das produções mais presentes na região.

Existem duas vertentes de inspiração para os artesãos: a marajoara e a tapajônica, que são estilos genuinamente indígenas, com técnicas e formas milenares. Jóias feitas de sementes e metais preciosos também são típicas do Amazonas. As atividades relacionadas à madeira e metal também são comuns.

Nas artes plásticas destaca-se a Semana de 22, realizada por artistas modernistas como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Após esse período pode-se citar Di Cavalcante e Portinari, e, mais recentemente, Romero Britto, entre os artistas de expressividade internacional.

Literatura

A literatura brasileira foi marcada por estilos e tendências, que refletiam a realidade do país em diferentes épocas. Desde Machado de Assis a Paulo Coelho, passando por Clarice Lispector e Jorge Amado, o Brasil sempre teve espetaculares escritores dos mais diversos estilos. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas e Paulo Coelho, por exemplo, está hoje entre os mais populares do mundo, com mais de 100 milhões de livros vendidos em todo o planeta.

A literatura se dividiu em períodos importantes como: Quinhentismo (século XVI), Barroco, Arcadismo, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo, Pré-modernismo, e Modernismo, até os dias atuais, em que não há movimentos claramente identificados ou autodenominados. É como se cada autor estivesse trilhando o seu caminho.

Música

No Brasil, a música é uma das mais importantes manifestações da arte e da cultura nacional, respeitada também internacionalmente. Merece destaque, pois vai além do mundialmente famoso Carnaval. Com a distribuição dos imigrantes por todo o território cada região do País desenvolveu um ritmo próprio. O Rio de Janeiro é conhecido pela bossa-nova de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e sambas de Noel Rosa. Pernambuco destaca-se pelo frevo e maracatu. A Bahia pelo ritmo chamado de Axé Music.  O Sul do País, especificamente o Rio Grande do Sul é reconhecido pelas canções gaúchas, tocadas com violão e sanfona, instrumento também utilizado na Região Nordeste, pelos interpretes do forró, maxixe e baião, popularizados Luis Gonzaga.

Carlos Gomes, Heitor Villa Lobos, Chiquinha Gonzaga, Joaquim Calado, Carmem Miranda, Noel Rosa e Ary Barroso são apenas alguns dos incontáveis nomes e estilos que fazem parte da história da música brasileira. Os ritmos se renovam, surgem novas tendências, mas sempre com a criatividade musical característica do país.

Conheça alguns estilos musicais:

Samba

De origem afro-baiana, o ritmo descende do lundu era usado nas festas dos terreiros entre umbigadas e pernadas de capoeira. No início do século XX, foi adotado por compositores como Ernesto Nazareth, Noel Rosa, Cartola e Donga, que o retiraram da obscuridade e o legitimaram na cultura oficial.

Bossa Nova

Movimento urbano, originado no fim dos anos 50. De início era apenas uma forma diferente de cantar o samba, mas logo incorporou elementos do Jazz com um contorno baseado na voz e no piano ou violão. Entre os maiores nomes estão Nara Leão, Carlos Lyra, João Gilberto, Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

Choro

Gênero criado a partir da mistura de elementos das danças de salão européias e da música popular portuguesa, com influências africanas. Chiquinha Gonzaga foi a primeira pianista do gênero e, em 1897, escreveu Corta-Jaca, uma das maiores contribuições ao repertório do choro. Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Waldir Azevedo foram outros grandes nomes do choro no Brasil.

Tropicalismo

O tropicalismo une elementos da cultura pop e da cultura de elite, além de fazer uso muitas vezes de um discurso politicamente engajado e de protesto contra a ditadura militar. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Os Mutantes são alguns de seus representantes musicais.

Jovem Guarda

Movimento que se ligava basicamente ao rock americano e inglês, mas de uma forma mais romântica. Seus maiores representantes são Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.

Fonte: Governo Federal do Brasil.

Cultura e Costumes do Povo Brasileiro

Cultura

A cultura inclui o conhecimento de crenças, arte, leis, costumes, hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade, correspondendo às formas que se organizam um determinado povo sendo transmitidos de geração para geração apresentando como a identidade de um povo.

Cultura oficial

Os produtores da chamada cultura oficial fazem parte de uma elite social, econômica, política e cultural e seu conhecimento é proveniente do pensamento cientifico, dos livros, das pesquisas universitárias ou dos estudos em geral, portanto não é viável a uma maioria, e sim a uma classe social que por sua vez possui condições gerais para investir nesses aspectos e em fim obter conhecimento, assim a cultura oficial está subordinada ao capital pelo fato de este fator viabilizar esta cultura.

Cultura Popular

Cultura popular é a cultura do povo. É resultado de uma interação contínua entre pessoas de determinadas regiões.

Essa cultura nasceu a partir da adaptação do homem ao ambiente onde vive e abrange inúmeras áreas de conhecimento: crenças, artes, moral, linguagem, idéias, hábitos, tradições, usos, costumes, etc...

Sendo assim, popular se faz com tudo àquilo que lhe é atribuído para se desenvolver favorável à massa populacional, sendo uma forma de democratização ou até mesmo como uma resposta a coerção exercida pelos governantes e suas respectivas elites.

Identidade

A identidade é o que o ser usa para se auto-distinguir; esta identidade é obtida com a ajuda do grupo étnico cultura do indivíduo.

Através da socialização e cultura o individuo começará a se identificar com outros indivíduos, seja através de ideologias vendo assim no outro algo que lhe é semelhante ou diferente este processo de identidade se desenvolve de uma forma conflituosa.

O indivíduo depois de obter sua identidade passa a se sociabilizar mais com grupos semelhantes a ele.

Portanto a identidade nada mais é que o auto - reconhecimento fundamentado em distintas crenças e culturas.

Alteridade

Alteridade é a capacidade de conviver com o diferente, de se proporcionar um olhar interior a partir das diferenças. Significa que eu reconheço “o outro” também como sujeito de iguais direitos. É exatamente essa constatação das diferenças que gera a alteridade. E a falta da alteridade, gera conflitos que ocorrem como, por exemplo, a xenofobia e o racismo, as guerras étnicas, o preconceito e os estigmas, a segregação e a discriminação baseadas na raça, na etnia, no gênero, na idade ou na classe social são todos os fenômenos amplamente disseminados no mundo, e que implicam em altos graus de violência. Todos eles são manifestações de não reconhecimento do outro como ser humano.

“Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem”. A nossa tendência é colonizar o outro, ou partir do princípio de que eu sei e ensino para ele. Ele não sabe. Eu sei melhor e sei mais do que ele. Toda a estrutura do ensino no Brasil, criticada pelo professor Paulo Freire, é fundada nessa concepção. O professor ensina e o aluno aprende. “É evidente que nós sabemos algumas coisas e, aqueles que não foram à escola, sabem outras tantas, e graças a essa complementação vivemos em sociedade”. (Frei Betto)

Choque Cultural

Para compreender o processo de choque cultural reverso e outros problemas relacionados com a reentrada, se faz necessário entender plenamente o processo do próprio choque cultural.

O choque cultural reverso é quase exatamente o mesmo que choque cultural, e deve ser previsto. O choque cultural reverso geralmente se torna um problema por que as pessoas não o prevêem, não o compreendem e tentam desviar-se dele.

A melhor preparação para o choque cultural reverso é entendê-lo, para que as pessoas o antecipem e passem a enxergá-lo como um sinal positivo de que a sua experiência de intercâmbio foi bem sucedida.

Pessoas que possuem extensas experiências de vivência inter-cultural passam por um processo contínuo de choque cultural reverso.

Este choque cultural não é um evento isolado e único, mas um processo de imersão gradativa em uma cultura.

A mais típica das progressões envolve um ciclo repetitivo que passa por quatro fases:

Entusiasmo e euforia

Desilusão e Negativismo (algumas vezes mascarado por negação dos problemas)

Adaptação gradual

Competência Bi-cultural

Tanto o choque cultural quanto o choque cultural reverso podem ser entendidos como parte do processo maior de transição entre o etnocentrismo para o etno-relativismo.

Nós podemos e devemos nos preparar para o choque cultural. A maioria das pessoas esperam pelo menos algum nível de choque cultural quando se preparam para vivenciar uma experiência inter-cultural, e , portanto, não se sentem surpresas ao acontecer.

Choque cultural reverso é geralmente uma experiência mais difícil porque as pessoas não esperam por ele. (tanto as pessoas que o vivenciam quanto as pessoas em seu redor). As pessoas não se dão conta de quanto elas estão mudadas.

As pessoas tendem a imaginar se existe algo de errado com elas por experimentar um choque cultural dentro de sua própria cultura. Mesmo quando as pessoas se preparam para o choque cultural reverso, existe uma tendência a subestimar seus impactos. O processo de lidar com o choque cultural reverso pode até ser mais demorado do que com o choque cultural.

Relativismo Cultural

O relativismo cultural defende a própria interpretação de um determinado povo definir de acordo com sua própria cultura o que pra eles devem ser considerado como bem ou mal tendo principio uma crença e/ou mesmo uma atividade humana individual. Os princípios éticos morais podem ser moldados de acordo com cada sociedade de acordo com seus costumes, religião enfim da sua própria cultura.

Diversidade Cultural

No campo das antropologias não-biológicas (etnologia; antropologia social e cultural), há uma diversidade de abordagens. A noção de cultura é básica para se compreender os movimentos pelos quais passou esta disciplina, inicialmente parte da Antropologia (geral, sem distinções) do início do século XIX, e que pretendia abordar todos os aspectos das questões acerca da diversidade humana.

O mesmo debate que, na Antropologia Física (biológica) substitui o conceito de Raça pelo de População, desde meados do século XIX até meados do Século XX, ocorreram no âmbito da Antropologia de cunho mais social, em que a diversidade humana transitou pelos conceitos de Raça; Etnia e Cultura.

E se confunde com a própria história da disciplina. Para uma visão mais abrangente, resumirei antes de entrar no assunto específico do conceito de cultura e o debate entre este conceito e o de raça, enfocarei outra questão importante, que diz respeito à história da antropologia.

Por influência do darwinismo, no início da antropologia social, o projeto de dar conta da diversidade cultural levou naturalistas e historiadores a debruçarem-se sobre os relatos de viajantes; exploradores e administradores coloniais que falavam sobre “as exoticidades” das sociedades “inferiores”; incivilizadas; simples, em relação a uma visão industrial da técnica; e, finalmente, primitivas, por serem mais remanescentes de formas antigas, primeiras, da evolução das sociedades humanas. O relativo isolamento geográfico destas sociedades e povos contribuiu para esta visão.

Assim, a Antropologia Social, partindo de questões evolucionistas importantes para os estudiosos do século XIX, ficou vista como “ciência das sociedades primitivas”. Mas com a persistência destas sociedades em resistirem até a atualidade de forma bastante diferente da tradição européia, colocou um problema crucial para esta visão evolucionista e etnocêntrica da diversidade humana. Este fato motivou variações ao longo da história da disciplina e de seus conceitos.

Os antropólogos voltaram-se, a partir dos próprios resultados das pesquisas nestes povos com “culturas diferenciadas”, para sub-grupos ou sub-culturas no interior das sociedades “complexas”: os estudos de “comunidades camponesas” de Redford; os estudos voltados para grupos marginalizados nas regiões urbanas até, finalmente, estudos voltados para grupos pertencentes às classes populares e altas da sociedade moderna, culminaram por desembocar em uma análise crítica da visão de mundo ocidental moderna e da globalização, inclusive a da própria cultura científica nas áreas médicas e da saúde pública (cf. Verani, 1990 e 1994; Duarte, et al., 1998; Lupton, 1999; Petersen e Bunton, 2002).

Pós-modernidade

É a condição sócio-cultural e estética do capitalismo contemporâneo, também chamado de pós-industrial ou financeiro, um termo bastante disputado por teóricos e acadêmicos com diferentes concepções sobre o mesmo.

Alguns citam as infra-estruturas como fator determinante pós-modernidade em que diz respeito às relações de produção industrial baseado em serviços e trocas de bens simbólicos como a circulação de “dinheiro” na especulação financeira; Outros citam a superestrutura no que define as alterações pós-modernidade, com uma onda de revisionismo e romantismo onde cresceu a concepção de que nem o capitalismo seria demoníaco e nem o socialismo seria libertador, ou vice-versa, onde passaria ser uma configuração real da cultura. Onde apareceu em alguns paises com relação pós-industrial que se verificou um conjunto de fenômenos sócio-culturais que permitiu identificar tais novos valores.

Com a globalização foi criado um verdadeiro sistema-mundo cultural, que acompanhou o sistema-mundo político-econômico resultante da globalização, ou seja, a pós-modernidade é o aspecto cultural da sociedade pós-industrial que se inscreve neste contexto como conjunto de valores que norteiam a produção cultural subseqüente. Entre eles a multiplicidade, a fragmentação, a desreferencializaçao que, com a aceitação de todos os estilos e estéticas, pretende a inclusão de todas as culturas como mercados consumidores. No modelo pós-industrial de produção, que privilegia serviços e informação sobre produção material, a comunicação e a industrial cultural ganham papeis fundamentais na difusão de valores e idéias do novo sistema.

Interdisciplinaridade

Do ponto de vista epistemológico, consiste no método de pesquisa e de ensino voltado para a interação em uma disciplina, de duas ou mais disciplinas, num processo que pode ir da simples comunicação de idéias até a interação recíproca de finalidades, objetivos, conceitos, conteúdos, terminologias, metodologia, procedimentos, dados e formas de organizá-los e sistematiza-los no processo de elaboração do conhecimento.

A concepção de interdisciplinaridade se difere de pluri e multidisciplinaridade, pois estes apenas justapõem conteúdos. Não se trata de propor eliminação de disciplinas, mas sim da criação de movimentos que propiciem o estabelecimento de relações entre as mesmas, tendo como ponto de convergência a ação que se desenvolve num trabalho cooperativo e reflexivo.

A atitude interdisciplinar permite o desenvolvimento do sujeito como um todo, de acordo com suas condições, possibilidades e entendimento.

A interdisciplinaridade favorecerá que as ações se traduzam na interação educativa de ampliar a capacidade do aluno de:

Expressar-se através de múltiplas linguagens e novas tecnologias

Posicionar-se diante da informação

Interagir, de forma critica e ativa, com o meio e social.

Assim a prática interdisciplinar nos envolve no processo de aprender a aprender.

Transdisciplinaridade

A transdiciplinidade trata-se de uma postura de respeito pelas diferenças culturais de solidariedade e integração à natureza.

O termo transdisciplinaridade surge em 1970 em um congresso sobre interdisciplinidade, e a partir deste surgi uma etapa transdisciplinar que tem como proposta de rompimento e separação em dois ramos entre o sujeito e o objeto.

A transdisciplinaridade como paradigma nos propõe o transcender do universo fechado da ciência e trazer a tona a multiplicidade dos modos de conhecimento que atreves deste tem o reconhecimento da multiplicidade de conhecimento. Surge então, a necessidade de reafirmar o valor de cada sujeito como portador e produtor legitimam de conhecimento, e a partir de então ela destaca a potencialização de tendências heterogenias no campo da subjetividade ou na produção de conhecimento, abrindo áreas de tensão com as tendências homogeneizastes.

Mas o que afinal se pretende significar por Transdisciplinaridade? A resposta não é fácil e não há ainda um consenso sobre ela. Mais fácil é dizer-se o que ela não é. Para Nicolescu, “é uma justaposição de conhecimentos, é o estudo do ponto de vista de múltiplas disciplinas.”.

A Transdisciplinidade como indica o prefixo “Trans”, é aquilo que se envolve entre as disciplinas. Que tem como finalidade a compreensão do mundo atual. Por vezes, sente-se a conveniência e proficuidade de importar-se um método de uma disciplina para outra, surgindo uma interdisciplina. Mas, é necessário outras ocasiões, cruzar as fronteiras de sua própria disciplina e estabelecer uma ponte que permita estudar fenômenos que se situam fora e além do âmbito das disciplinas existentes. Este é o campo da Transdisciplinaridade.

Uma educação transdisciplinar?

Como seria possível manter-se na atitude transdisciplinar? Considera-se que “só uma inteligência que dê conta da dimensão planetária dos conflitos atuais poderá fazer face à complexidade do nosso mundo e ao desafio contemporâneo de autodestruição material e espiritual da nossa espécie”.

E como se adquirir tal inteligência planetária? Talvez uma «educação transdisciplinar» que considerasse o Homem como um Ser Integral: “Uma educação autêntica não pode privilegiar a abstração no conhecimento”. Ela deve ensinar a contextualizar, concretizar e globalizar. Portanto pode-se observar que a transdisciplinaridade como, respectivamente, “Uma troca dinâmica entre as ciências humanas, a arte e a tradição”, a teor do colóquio de 1986.

Observa-se então que a transdisciplinidade seria, portanto, um estágio posterior à interdisciplinaridade.

Fonte: www.unifran.br

Cultura e Costumes do Povo Brasileiro

VALORES CULTURAIS

O que é a CULTURA?

É comum dizermos que uma pessoa não possui cultura quando ela não tem contacto com a leitura, artes, história, música, etc. Se compararmos um professor universitário com um indivíduo que não sabe ler nem escrever, a maior parte das pessoas chegaria à conclusão de que o professor é “cheio de cultura” e o outro, desprovido dela. Mas, afinal, o que é cultura?

O conceito de cultura é bastante complexo. Numa visão antropológica, podemos definir cultura como a rede de significados que dão sentido ao mundo que cerca um indivíduo, ou seja, a sociedade. Essa rede engloba um conjunto de diversos aspectos, como crenças, valores, costumes, leis, moral, línguas, etc.

Assim concluímos que é impossível que um indivíduo não tenha cultura,! Afinal, ninguém nasce e permanece fora de um contexto social, seja ele qual for. Também podemos dizer que considerar uma determinada cultura (a cultura ocidental, por exemplo) como um modelo a ser seguido por todos é uma visão extremamente etnocêntrica.

Definição de CULTURA

Cultura é o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização.

Portanto, fazem parte da cultura de um povo as seguintes atividades e manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc.

Uma das capacidades que diferenciam o ser humano dos animais irracionais é a capacidade de produção de cultura.

Valores orientados pelo indivíduo:

Ativo/passivo: valoriza-se mais uma posição ativa no que respeita ao físico ou não?

Material/imaterial: que importância se deve dar à aquisição de bens materiais?

Trabalho árduo/ócio: causa maior admiração uma pessoa que trabalha mais do que o economicamente necessários do aquela que não o faz?

Gratificação a longo prazo/gratificação imediata: valoriza-se aqueles que “poupam para uma emergência” ou “quem vive o presente”?

Humor/seriedade: deve considerar-se a vida como um assunto estritamente sério ou deve ser encarada de forma mais ligeira?

A CULTURA: OS VALORES CULTURAIS

Valores orientados por outros:

Individual/coletivo: quais destas são mais valorizadas?

Orientação romântica: acredita que na cultura do ”amor conquista tudo?”

Adulto/criança: A vida familiar está organizada de forma a satisfazer as necessidades das crianças ou dos adultos?

Masculino/feminino: até que ponto o poder social se orienta automaticamente para o homem?

Competência/cooperação: consegue-se o êxito superando os outros ou u cooperando com eles?

Juventude/velhice: confere-se mais sabedoria aos elementos mais jovens ou aos mais velhos de uma cultura?

Fonte: www.forma-te.com

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