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Esquizofrenia

 

O que é esquizofrenia?

A esquizofrenia é uma desordem cerebral que afeta a capacidade da pessoa de perceber o mundo e de processar informações. Ela ocorre em 1% da população e geralmente aparece na adolescência ou na idade adulta jovem. A esquizofrenia é diagnosticada por um exame clínico que inclui a avaliação dos sintomas atuais e históricos e status funcional.

A percepção comum de esquizofrenia é que é uma doença devastadora. Embora a esquizofrenia pode ser uma doença muito grave e crônica, que varia muito entre os indivíduos. Muitas pessoas com esquizofrenia são capazes de viver de forma independente, trabalhar e levar uma vida normal. Outros podem precisar de apoio contínuo, mas ainda pode atingir recuperação significativa.

Sintomas

Os sintomas da esquizofrenia tendem a cair em três categorias:

Os sintomas positivos

Alucinação - Alucinações pode tomar uma série de diferentes formas - podem ser:

  1. Visual (ver coisas que não existem ou que outras pessoas não podem ver),
  2. Auditiva (ouvir vozes que outras pessoas não podem ouvir)
  3. Tátil (sentir coisas que outras pessoas não se sentem ou algo tocando sua pele que não está lá),
  4. Olfatório (coisas de cheiro que outras pessoas não podem cheirar ou não cheirar a mesma coisa que as outras pessoas fazem cheiro),
  5. Experiências gustativas (degustação coisas que não existem)

Delírios - falsas crenças fortemente arraigadas, apesar de invalidar provas, especialmente como um sintoma de doença mental:por exemplo,

  1. Delírios paranóicos, ou delírios de perseguição, por exemplo, acreditar que as pessoas são "para obter" você, ou o pensamento de que as pessoas estão fazendo coisas quando não há evidência externa de que essas coisas estão ocorrendo.
  2. Delírios de referência - quando as coisas no ambiente parecem estar diretamente relacionada a você, mesmo que eles não são. Por exemplo, pode parecer como se as pessoas estão falando sobre você ou mensagens pessoais especiais estão sendo comunicadas a você através da TV, rádio ou outros meios de comunicação.
  3. Somáticas Delírios são crenças falsas sobre o seu corpo - por exemplo, que uma doença física terrível existe ou que algo estranho está dentro ou passando por seu corpo.
  4. Delírios de grandeza - por exemplo, quando você acreditar que você é muito especial e tem poderes ou habilidades especiais. Um exemplo de uma ilusão grandiouse está pensando que você é um famoso astro do rock.

Os sintomas negativos

A falta de emoção - a incapacidade de desfrutar de atividades regulares (visitar com amigos, etc), tanto quanto antes

Baixo consumo de energia - a pessoa tende a ficar sentado e dormir muito mais do que o normal

A falta de interesse na vida, baixa motivação

Uma expressão vazia, embotada facial ou movimentos faciais menos animado, a voz plana (falta de entonações normais e variância) ou física movimentos - achatamento afetivo

Alogia (dificuldade ou incapacidade de falar)

Habilidades sociais inadequadas ou falta de interesse ou capacidade de socializar com outras pessoas

Incapacidade de fazer amigos ou manter os amigos, ou não se importar de ter amigos

Isolamento social - a pessoa passa a maior parte do dia sozinho ou apenas com familiares próximos

Os sintomas cognitivos

Pensamento desorganizado

Pensamento lento

Dificuldade em compreender

Falta de concentração

Memória fraca

Problemas com atenção

O que sabemos sobre a base biológica da esquizofrenia?

Nos últimos vinte anos, tem havido uma explosão de conhecimento sobre como o cérebro funciona. É claro que as funções do cérebro de uma forma altamente integrado, e que não são circuitos neurais essencial para a função normal do cérebro. Estes circuitos não são diferentes de um sistema viário muito complicada, onde a informação pode viajar por uma estrada principal, mas também pode chegar ao destino apropriado por rotas alternativas. Como as "rotas alternativas" que se pode usar em um engarrafamento, as "rotas alternativas" pode não ser tão eficiente como a rota principal. Ao longo da vida, mas especialmente durante a infância e adolescência, grande poda de redundantes "rotas" ocorre. Esta poda neural prepara o indivíduo para as tarefas da vida adulta, mas no curso das mudanças, uma "via alternativa" pode ser cortado em uma pessoa com esquizofrenia desmascarar a problemática "rota principal" e, portanto, os sintomas da esquizofrenia.

A informação é transmitida através destes circuitos neurais, ou "rotas", através de um relé de substâncias químicas chamadas neurotransmissores.

Existem provavelmente centenas de neurotransmissores no cérebro.

Substancial de investigação é dirigida a uma melhor compreensão de como funcionam os sistemas de neurotransmissores no cérebro saudáveis e em cérebros com esquizofrenia, mas pouco se sabe com certeza. Uma hipótese é que o foco de uma grande parte da investigação é que o sistema neurotransmissor dopamina numa parte do cérebro envolvida na emoção e processamento de informação, o sistema mesolímbico, está envolvido na alucinações e ilusões. Uma hipótese é que relacionado com o sistema da dopamina numa outra zona do cérebro - o córtex pré-frontal - está envolvida na diminuição da experiência de emoções e outros sintomas negativos da esquizofrenia. No entanto, existem muitas hipóteses de que os sistemas de neurotransmissores podem estar envolvidos na esquizofrenia, incluindo norepinefrina, acetilcolina e serotonina, para citar apenas alguns.

O que causa a esquizofrenia?

Tal como a pneumonia, a qual pode ser causada por várias bactérias, vírus, ou produtos químicos, a esquizofrenia, provavelmente, tem causas múltiplas, os quais afetam o cérebro em formas relacionadas. A pesquisa sugere que os dois genes e fatores ambientais estão envolvidos no desenvolvimento de esquizofrenia.

Enquanto uma em cada 100 pessoas tem esquizofrenia, ter um parente biológico com esquizofrenia aumenta o risco de desenvolver esta doença de uma pessoa.

Uma pessoa que tem um irmão gêmeo geneticamente idênticos com esquizofrenia tem 50% de chance de ter esquizofrenia e 50% de chance de não ter esquizofrenia. Uma pessoa com um irmão ou um pai com esquizofrenia tem 10% de ter esquizofrenia e 90% de chance de não ter esquizofrenia.

Assim, a pesquisa visa encontrar tanto o fator genético que pode colocar uma pessoa em risco aumentado de esquizofrenia, e os fatores ambientais que podem estar envolvidos. Não há pesquisa ativa e emocionante para encontrar os genes que aumentam o risco para a esquizofrenia. Três áreas em diversas cromossomas têm sido associados a esquizofrenia em mais de um estudo, no entanto, o gene que aumenta o risco real para a esquizofrenia ainda não foi encontrado.

A busca por possíveis fatores ambientais está em estágios muito iniciais. Uma teoria proeminente é que a esquizofrenia resulta de desenvolvimento cerebral alterado durante a vida fetal, que ocorre a partir de In Utero estressores ambientais. Por exemplo, vários, mas não todos, os estudos têm mostrado que os indivíduos que eram fetos durante as epidemias de gripe estão em maior risco de esquizofrenia. Alguns estudos têm mostrado que indiivuduals que eram fetos e suas mães sofreram de fome severa durante preganancy que estão em maior risco para a esquizofrenia. Outro estudo mostrou que a incompatibilidade de Rh entre mãe e feto, aumenta o risco de esquizofrenia. Durante a vida fetal do cérebro está desenvolvendo ativamente. A teoria é de que estes fatores de stress de alguma forma interferir com o desenvolvimento do cérebro durante uma fase crítica. Em estudos post-mortem dos cérebros dos indivíduos com esquizofrenia foram examinados. Aqui, diversos investigadores verificaram que a organização das células do cérebro era mais aleatória do que nos cérebros de indivíduos mentalmente saudáveis. Além disso, eles têm encontrado "ninhos" de células cerebrais em pacientes com esquizofrenia nas áreas mesolímbica do cérebro, sugerindo que estas células estavam de algum modo parado na sua migração programada para o seu local de repouso final. Esses e outros estudos são promissores para a nossa eventual entendimento de como os genes eo ambiente podem interagir para causar esquizofrenia. Independentemente disso, a evidência é esmagadora de que a esquizofrenia é uma doença de base biológica e que a visão anterior de que os pais ou famílias causa esquizofrenia é totalmente sem mérito.

Como você tratar a esquizofrenia?

Uma coisa muito importante a lembrar é que a esquizofrenia, assim como muitas outras doenças crônicas, é tratável. As medicações antipsicóticas são a pedra angular do tratamento dos distúrbios pscychotic. As medicações antipsicóticas eliminar ou diminuir os sintomas da esquizofrenia, na maioria dos pacientes.

Sem medicação, os sintomas ocorrem quase sempre. A cada reincidência, os sintomas geralmente levam mais tempo para ficar melhor, e pode não responder bem. Quando os indivíduos com esquizofrenia têm repetido exacerbações de sintomas, ou "recaídas", eles podem freqüentemente desenvolvem os sintomas crônicos que não respondem bem à medicação. O objetivo do tratamento medicamentoso é tomar medicamentos quando os primeiros sintomas ocorrem, e para ficar em medicamentos, mesmo que os sintomas desaparecem por completo, para ajudar a prevenir futuras recaídas. Pesquisa sugere agora que alucinações e delírios em curso são sintomas de um processo que é tóxico para o cérebro. O controlo dos sintomas pode também significar que este processo prejudicial cérebro também é interrompida. Independentemente disso, vários estudos têm mostrado que quanto mais cedo uma pessoa com esquizofrenia recebe tratamento, mais suave da doença.

As medicações antipsicóticas pode ter efeitos colaterais incômodos. É importante encontrar um médico que irá trabalhar com você para resolver os problemas com efeitos colaterais. Além do tratamento com medicamentos, existem muitos tratamentos psicossociais que foram mostrados para serem eficazes no tratamento da esquizofrenia. Estes tratamentos importantes funcionam melhor em combinação com medicação. Eles incluem psicoterapia de apoio, terapia cognitivo-comportamental, a psicoeducação familiar, treinamento de habilidades, e uma variedade de serviços de reabilitação psiquiátrica.

Às vezes, as pessoas com esquizofrenia podem ter dificuldade com as questões da vida prática, como o acesso a benefícios por incapacidade ou encontrar moradia adequada. Serviços de gestão de processos pode ajudar imensamente para fornecer avaliação e apoio contínuo ao ligar as pessoas aos tipos de recursos e suporte que eles precisam.

  1. INTRODUÇÃO

Antes mesmo de explicar o que são psicopatologias e discorrer sobre a esquizofrenia, tema deste trabalho, é preciso atentar para uma questão de grande relevância - o conceito de saúde e doença.

Segundo a Organização Mundial de Saúde: “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença ou enfermidade”, 1946. Definição questionável por visar a uma perfeição inatingível, atentando-se as próprias características da personalidade. O limiar que separa o estado de saúde ou doença é tão estreito que não se pode afirmar que um indivíduo hoje “dito normal”, amanhã não possa desenvolver algum tipo de patologia, desencadeada, seja por questões externas/objetivas ou internas/subjetivas.

Passeando um pouco pela história da humanidade, pode-se perceber que a discussão da anormalidade sempre permeou e permeia a existência da própria sociedade. Esta sempre explicou e tratou o comportamento anormal de diferentes maneiras em diferentes momentos. A forma como uma sociedade reage à anormalidade depende de seu sistema de crenças e valores sobre a vida e o comportamento humano.

As sociedades antigas, os antigos egípcios, árabes e hebreus acreditavam que o comportamento anormal era advindo de forças demoníacas e sobrenaturais, como deuses enfurecidos, maus espíritos e demônios que se apossavam dos humanos e os possuíam. Para expulsar esses demônios eram feitas preces, porções ou punição física como meio de forçar a saída dos mesmos.

Hipócrates, numa tentativa de explicar o comportamento anormal em termos de causas naturais, ao contrário das antigas civilizações, afirmou que o cérebro era o órgão responsável pelas doenças mentais, e o tratamento baseava-se na tentativa de equilibrar os humores.

Durante a Idade Média a idéia de Hipócrates foi sobremaneira relegada, devido a grande influência da religião que baseava sua crença na luta entre o bem e o mal, via a anormalidade como uma possessão; assim como os antigos egípcios, árabes e hebreus. Esses indivíduos ditos anormais eram considerados como ameaçadores a ordem social, sendo tratados a base do exorcismo para expulsar os demônios e muitas vezes condenados à morte.

A partir do século XVI, foi reconhecido que as pessoas anormais precisavam de atendimento e não de exorcismo ou condenação à morte. No início os pacientes eram presos e os hospitais pareciam mais um local de condenação do que um espaço terapêutico. A partir do século XIX, as doenças mentais passam a ter explicações psicológicas, com Mesmer e Charcot (explicações fisiológicas); Freud (explicações psicodinâmicas do inconsciente); Pavlov, Thorndike e Skinner (explicações psicológicas baseadas na aprendizagem), visão promulgada por Watson (comportamentalismo); esta visão comportamentalista foi combatida pela explicação cognitiva de que os pensamentos influenciam o comportamento. E na década de 50 as descobertas de drogas como forma de tratar o comportamento anormal, reavivam o interesse nas explicações fisiológicas.

Pode-se chegar a uma definição do comportamento anormal a partir do ponto de vista individual – sofrimento e incapacidade do indivíduo; e cultural – desvios da norma, desvios das normas culturais. Segundo Holmes (1994), “Comportamento anormal é o comportamento que é pessoalmente angustiante ou pessoalmente incapacitante ou é culturalmente tão afastado da norma que outros indivíduos o julgam como inapropriado ou mal-adaptativo”. Inserido nesta questão do comportamento anormal, fica claro que as psicopatologias são uma realidade e esta, é percebida e analisada de forma peculiar (ciência, religião, preconceito, etc.) de acordo com cada período e crenças que cercam a história da própria humanidade.

É nesse contexto que se verifica a importância do estudo da psicopatologia a fim de compreender o universo das doenças mentais. A psicopatologia é o estudo sistemático do comportamento, cognição e da experiência dessas atitudes anormais - é o estudo dos produtos de uma mente com um transtorno mental. E a esquizofrenia, é uma doença da mente complexa e será abordada neste trabalho. Um em cada 100 habitantes sofre de esquizofrenia, o que torna a doença bastante comum em todo o mundo. A esquizofrenia corresponde a uma situação clínica em que ocorre uma crise com a realidade, condicionando, por isso, os pensamentos, o comportamento e a relação do indivíduo com os outros. Embora conhecida desde há muitos anos, é ainda considerada uma das mais graves patologias mentais. Esta situação provocava uma exclusão social e familiar, que hoje em dia se pretende evitar, quer através de uma terapêutica farmacológica quer ainda através de programas de reabilitação psicossocial.

Ser portador de esquizofrênica não significa ter dupla personalidade. O termo se adequa para descrever um quadro de sintomas típicos, incluindo enganos, alucinações, desordem de pensamentos e ausência de respostas emotivas, aliadas aos fatores genéticos e tensões ambientais. È uma cisão de personalidade onde as figuras cindidas posuem nomes e características banais, grotescas, caricaturais, e, em muitos aspectos, contestáveis. Não colaboram com a consciência do paciente. Trata-se visivelmente de um caos de visões, vozes e tipos desconexos, todos de natureza violenta, estranha e incompreensível. O efeito desta doença é devastador do aspecto humano no que concerne ao pensamento, emoção e expressão. Não existe vislumbre de cura, porém, com o tratamento adequado, pode reduzir significativamente os sintomas e as reincidências de surtos em mais de 50%. Nos outros pacientes a doença segue seu curso numa flutuação entre altos surtos psicóticos, seguidos de remissão. Uma das características da doença é a perda da capacidade crítica do doente face à sua situação. Desta forma, o esquizofrênico não tem a noção da doença, ao contrário do que sucede com a maioria das enfermidades físicas, em que o indivíduo pede ajuda. Pelo contrário, o doente esquizofrênico não pede auxílio e isola-se, com receio de não ser compreendido pelos outros.

Este trabalho tem o objetivo de discorrer sobre as questões relacionadas a esta doença complexa, que será analisada a partir de uma perspectiva psicodinâmica, cognitiva, filosófica; e é claro, sobre o prisma da psicologia junguiana. Neste trabalho constarão também explicações sobre a psicogênese da esquizofrenia, sintomas, fases e tipos da doença; além de uma análise e crítica de cunho pessoal.

  1. HISTÓRICO DA ESQUIZOFRENIA

Na busca pela conceituação e explicação da esquizofrenia, palavra que significa “cisão da mente” (esquizo = cisão, frenia = mente), Emil Kraepelin na Alemanha e Eugen Bleuler na Suíça enfocaram sua atenção sobre o problema.

Emil Kraeplin denominou o transtorno de dementia praecox e sugeriu que ele tinha um início precoce e caracterizava-se por uma deterioração intelectual progressiva e irreversível.

Foi a partir dessas duas características que ele derivou o nome do transtorno:

Praecox referia-se ao início precoce do transtorno.

Dementia referia-se a deterioração progressiva que ocorre

Com relação à natureza do transtorno sugeriu que os sintomas refletiam uma deterioração intelectual como a observada na selinidade e acreditava que o transtorno tinha uma base fisiológica.

O primeiro a utilizar o termo esquizofrenia foi o psiquiatra suíço, Eugen Bleuler em 1911, sobre os pacientes que tinham as características de desligados de seus processos de pensamentos e respostas emotivas.

Bleuler não acreditava não acreditava que o transtorno tinha um início precoce ou que ele inevitavelmente conduzisse à deterioração intelectual, ele usou uma definição mais ampla, incluiu muito mais indivíduos (mais velhos e mais novos, recuperados e crônicos) na classe diagnóstica e ofereceu um prognóstico mais otimista para os indivíduos diagnosticados como portadores de esquizofrenia. Com relação à natureza do transtorno Bleuler sugeriu que o mesmo envolvia um colapso de fios associativos que conectavam palavras, pensamentos e sentimentos.  Tal colapso foi usado para explicar os sintomas observados na esquizofrenia. E a denominação desse termo “Esquizofrenia” deve-se a esse colapso de associações.

Bleuler também acreditava que a causa do transtorno tinha uma base fisiológica e que os sintomas poderiam ser influenciados por uma base psicológica, como ele mesmo diz:

“Devemos concluir disto tudo que experiências físicas – usualmente de natureza desagradável – podem sem dúvida, afetar os sintomas esquizofrênicos. No entanto, é altamente improvável que a doença em si seja realmente produzida por tais fatores. Experiências e eventos psíquicos podem liberar os sintomas, mas não a doença”. (Bleuler, 1950, p. 345 in Holmes, 2001).

Na atualidade se aceita a idéia de Kraepelin de que o transtorno é progressivo e irreversível e consiste numa variedade de sintomas em diferentes combinações; e também com Bleuler de que o transtorno pode ter um início tardio e que ele deve ser denominado deesquizofrenia.

  1. SINTOMAS DA ESQUIZOFRENIA

Referir-se ao termo esquizofrenia é falar sobre um conjunto de transtornos que abrange os mais complexos e assustadores sintomas que possamos verificar.

Os indivíduos portadores de esquizofrenia podem sentir bichos andando pelos seus corpos, ouvir vozes, manias de perseguição, imaginar e falar em coisas aparentemente sem nexo, sugerir conspirações, acreditar que são personalidades marcantes e históricas da sociedade como Jesus e outros. Como se pode verificar é um transtorno sério em termos tantos de sintomas que os acometem, como do número de indivíduos que sofrem dessa doença.

Os sintomas ultrapassam o domínio da experiência da maioria das pessoas. Entender quando se fala de ansiedade e depressão é até bastante fácil, a maior parte de nós em algum momento podemos tê-las sentido; as alucinações e delírios são bastante difíceis de compreender, já que a maioria de nós nunca as experimentamos ou vivenciamos. Por vezes, pode ser atemorizante e leva a reação de medo e terror. Medo esse justificado pelo fato da doença ser considerada incurável e que as pessoas as quais sofriam deste transtorno ser condenadas a viver nos hospitais psiquiátricos. Concepção esta ultrapassada e sem fundamento para os dias atuais. Alguns podem ter uma vida “normal”, desde que tenha acompanhamento adequado de um psiquiatra e psicoterapeuta. Outros têm o transtorno e não sabem que o tem.

Segundo Holmes (1998), os sintomas podem ser:

  1. Cognitivos: que são os mais óbvios e importantes.
  2. Sintomas de humor
  3. Sintomas somáticos
  4. Sintomas motores

 

  1. Os sintomas cognitivos incluem:

As alucinações

Os delírios

Os processos de pensamentos perturbados

As inundações cognitivas

 

As Alucinações

São experiências nas quais as pessoas podem ouvir, sentir, cheirar ou vê coisas sem nenhum fundamento baseado na percepção da realidade. As alucinações mais comuns são as auditivas. Geralmente os portadores de esquizofrenia imaginam ouvir vozes que os perseguem, criticando seu comportamento e muitas vezes até dão ordens e eles agem como se realmente essas vozes fossem reais.

Ex.: "Eu ouço vozes quando estou sozinho no meu quarto, às vezes chamam-me nomes e insultam-me".

As alucinações táteis e somáticas também são bastante comuns, nas quais as pessoas podem sentir algo percorrendo o seu corpo, sensações de formigamento ou queimadura e até mesmo sensações internas no corpo. Já as alucinações visuais olfativas são também observadas, onde os portadores de esquizofrenia imaginam ver ou sentir cheiros que não estão presentes, porém são menos comuns. Para os portadores de esquizofrenia esses sintomas têm um sentido muito próprio de realidade e geralmente eles são incapazes de distinguir tais alucinações de percepções reais, o sentido de realidade fica totalmente comprometido quando se refere a tais alucinações.

Os Delírios

Os delírios se caracterizam por ser crenças bizarras que são mantidos a despeito de fortes evidências que comprovam o contrário. Os delírios são considerados bizarros se são claramente implausíveis e incompreensíveis Quanto mais bizarro o delírio, mais provável que o indivíduo esteja sofrendo de esquizofrenia.

Os delírios mais comuns são:

Delírios de perseguição: são os delírios nos qual o indivíduo portador de esquizofrenia imagina estar sendo perseguido, vigiado, que os outros o estão espiando ou planejando algo para prejudicá-lo. EX: "Hoje deu uma notícia na radio em que falava sobre a minha ligação ao escândalo da bolsa e a polícia anda atrás de mim”.

Delírios de referência: são os delírios nos quais objetos, eventos ou outras pessoas são vistos como apresentando algum sentido particular de resposta para eles.

Delírios de identidade: são os delírios nos quais os indivíduos portadores de esquizofrenia acreditam ser outra pessoa. Por exemplo: pensam ser Jesus, Napoleão, os Césares ou outros tantos famosos.

A maior parte dos indivíduos portadores da esquizofrenia desenvolve sistemas delirantes bastante elaborados envolvendo diversos delírios interrelacionados e as alucinações que eles experimentam são frequentemente relacionados aos seus delírios.

Os processos de pensamentos perturbados

Os processos de pensamentos perturbados dizem respeito à forma como os indivíduos com esquizofrenia pensam. Esses processos se caracterizam por um afrouxamento das ligações associativas entre os pensamentos, de maneira que esses indivíduos geralmente desviam-se para pensamentos irrelevantes, eles incluem essas idéias em suas conversações aparentemente sem nenhum nexo. Ex. "Hoje fui ao cinema ver um..., pois é a minha mãe é professora e eu vou passar de ano".

Apesar de a conversação estar gramaticalmente correta, o sentido fica totalmente comprometido pela aparente natureza aleatória dos seus pensamentos, como denomina Holmes (1998): “são fugas de idéias ou saladas de palavras”p. 238. Quando há esses casos de perturbações de pensamentos, os indivíduos portadores de esquizofrenia têm prejudicado seu funcionamento intelectual, chamado de déficit esquizofrênico.

As Inundações cognitivas

A inundação cognitiva ou sobrecarga de estímulos se refere a uma ampliação excessiva da atenção; isto é, as pessoas portadoras de esquizofrenia têm uma sobrecarga de percepções, pensamentos e sentimentos. E esta inundação estar relacionada à atividade cerebral. Esse item não se encontra no DSM-IV.

  1. Sintomas do humor:

Os indivíduos que sofrem de esquizofrenia são descritos como “embotados”, “não-modulados” ou “inapropriados”, pois os mesmos não são emocionalmente responsivos quanto deveriam ser as situações ambientais e interpessoais apresentadas. De modo geral, pode-se dizer que as emoções dessas pessoas são situacionalmente inapropriadas, elas dão à resposta errada a uma situação; ou melhor, elas dão a resposta certa a uma situação erroneamente percebida. A pessoa com esquizofrenia pode estar respondendo corretamente a sua interpretação idiossincrásica da situação (delírio), a alguma resposta interna (alucinação) ou algum pensamento concorrente (sobrecarga de estímulos).

  1. Sintomas somáticos:

O sintoma somático mais evidente é o relacionado a estimulação fisiológica geral como: freqüência cardíaca, pressão sanguínea, sudorese. A evidência é tão inconsistente e contraditória que este item não se encontra listados no DSM-IV. Segundo Holmes (1998), em alguns estudos foi verificado que indivíduos com esquizofrenia  são mais fisiologicamente estimulados que os indivíduos normais; enquanto em outros estudos eles são menos estimulados. Esse conflito pode se referir a possibilidade de que diferentes níveis de estimulação estejam associados a distintos tipos de esquizofrenia ou a fases diferentes do transtorno. É possível também que o nível de estimulação seja uma função dos tipos de delírios experimentados. É preciso tomar cuidado para não confundir sintomas cognitivos com sintomas somáticos agudos. É preciso lembras que as drogas utilizadas para os quadros de esquizofrenia também causam sintomas somáticos, não se deve confundir efeitos do tratamento com os sintomas do transtorno.

  1. Sintomas motores:

É grande a extensão dos sintomas motores na esquizofrenia. É característico de algumas pessoas com esquizofrenia permanecerem imóveis durante longos períodos de tempo, enquanto outras são mais agitadas e exigem nível elevado de atividade. Dentro dos sintomas motores, podem ocorrer contrações nas faces e movimentos repetidos de dedos e mãos. Esses movimentos podem ser aleatórios ou propositais, mas também podem estar relacionados aos delírios do paciente.

Faz-se preciso distinguir, assim como nos sintomas somáticos, os sintomas motores dos efeitos das medicações ingeridas pelo paciente. Muitas das drogas administradas ao paciente com esquizofrenia afetam as partes do cérebro responsáveis pelo comportamento motor e assim causam alguns tremores, contorções musculares e andar rígido, decorrentes do tratamento e não do transtorno em si.

O quadro clínico da esquizofrenia abrange uma gama ampla e variada de sintomas. È imprescindível reconhecer que diferentes indivíduos diagnosticados com esquizofrenia podem apresentar conjuntos de sintomas muito diferentes.

  1. FASES E TIPOS DE ESQUIZOFRENIA

Os indivíduos que sofrem de esquizofrenia geralmente passam por três fases:

1ª Fase Prodômica

Uma fase na qual o funcionamento intelectual e interpessoal começam a deteriorar. Nessa fase, aparecem alguns comportamentos muito particulares, as emoções tornam-se inapropriadas e experiências perceptuais incomuns começam a ocorrer.

2ª Fase Ativa

É a fase onde o quadro de sintomas se torna nítida ou proeminente. Alucinações, delírios, distúrbios de pensamento e linguagem tornam-se identificáveis e o comportamento pode tornar-se mais desorganizado.

3ª Fase Residual

Nessa fase o quadro de sintomas torna-se menos claro, menos ativo e menos importantes para o indivíduo. Associado ao obscurecimento dos sintomas, tem um embotamento geral ou uma não-modulação do humor e um declínio geral do desempenho intelectual. Alguns autores ainda caracterizam uma terceira fase, chamada de crônica, fase mais extrema da residual geralmente mais característica dos pacientes que foram internados durante anos em hospitais psiquiátricos. Os indivíduos crônicos não apresentam mais os sintomas característicos das primeiras fases, mas uma deterioração séria de habilidades sociais.

A esquizofrenia envolve um grupo de transtornos, e para melhor entendê-los no DSM-IV foram feitas distinções entre cinco tipos de esquizofrenias. Cada tipo é diferenciado do outro pela ausência ou predominância de certos sintomas ou conjunto de sintomas.

A esquizofrenia tipo paranóide

Este tipo de esquizofrenia é o mais comum e também o que responde melhor ao tratamento. Diz-se, por causa disso, que tem prognóstico melhor. O paciente que sofre esta condição pode pensar que o mundo inteiro o persegue que as pessoas falam mal dele, têm inveja, ridicularizam-no, pensam mal dele, elas têm intenções de fazer-lhe mal, de prejudicá-lo, de matá-lo, etc. Trata-se dos delírios de perseguição.

Não é raro que este tipo de paciente tenha também delírios de grandeza, idéias além de suas possibilidades: “Eu sou o melhor cantor do mundo. Nada me supera. Nem Frank Sinatra é melhor”. Esses pensamentos podem vir acompanhados de alucinações, aparição de pessoas mortas, diabos, deuses, alienígenas e outros elementos sobrenaturais. Algumas vezes esses pacientes chegam a ter idéias religiosas e/o políticas, proclamando-se salvadores da terra ou da raça humana. Tais pacientes não apresentam desorganização de pensamentos ou comportamento, tendem a serem ansiosos argumentativos e às vezes violentos quando confrontados.

A esquizofrenia tipo hebefrênica ou desorganizada

Neste grupo se incluem os pacientes que têm problemas de concentração, pouca coerência de pensamento, pobreza do raciocínio, discurso infantil. Às vezes, fazem comentários fora do contexto e se desviam totalmente do tema da conversação. Expressam uma falta de emoção ou emoções pouco apropriadas, rindo-se a gargalhadas em ocasiões solenes, rompendo a chorar por nenhuma razão em particular, etc. Neste grupo também é freqüente a aparição de delírios (crenças falsas), por exemplo, que o vento move na direção que eles querem, que se comunicam com outras pessoas por telepatia, etc. Tais pacientes, não apresentam um conjunto sistematizado de delírios e, assim, não há nenhuma estrutura compreensível para o seu padrão de sintomas.

A esquizofrenia tipo catatônica

É o tipo menos freqüente de esquizofrenia. Apresenta como característica transtornos psicomotores, tornando difícil ou impossível ao paciente mover-se. Na forma clássica, o paciente catatônico é estuporado e apresenta o que é denominado cataplexia (flexibilidade cérea). Talvez passe horas sentado na mesma posição. A falta de fala também é freqüente neste grupo, assim como alguma atividade física sem propósito. Em contraste, alguns pacientes apresentam elevado nível de atividade motora envolvendo comportamentos frenéticos e excitados e ainda outros podem vacilar entre o estupor e a excitação.

A esquizofrenia tipo residual

Esse termo é usado pare se referir a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas seqüelas. O prejuízo que existe na personalidade desses pacientes já não depende mais dos surtos agudos. Na esquizofrenia assim cronificada podem predominar sintomas como o isolamentos social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos. Ademais, sintomas como alucinações e delírios são freqüentes ou vagos.

A esquizofrenia tipo não diferenciado

Enquadram-se aqui aqueles pacientes que não se podem classificar em nenhum dos grupos mencionados. A estes pacientes se pode dar o diagnóstico de esquizofrenia indiferenciada.

Embora a esquizofrenia seja tecnicamente dividida em tipos, os sintomas observados em pessoas portadoras dessa doença podem mudar ao longo do tempo.

Até bem pouco tempo se pensava que a esquizofrenia era sempre incurável e que se convertia, obrigatoriamente, numa doença crônica e por vida. Hoje em dia, entretanto, sabemos que este não é necessariamente o caso e uma porcentagem de pessoas que sofrem deste transtorno pode recuperar-se por completo e levar uma vida normal como qualquer outra pessoa. Outras pessoas, com quadros mais graves, apesar de precisarem da medicação, chegam a melhorar até o ponto de poderem desempenhar o trabalho, casar-se e ter família. Embora não se possa falar em “cura total”, a reabilitação psicossocial da expressiva maioria desses pacientes tem sido bastante evidente.

  1. TRANSTORNOS E QUESTÕES RELACIONADAS À ESQUIZOFRENIA

Já tendo descrito sobre o quadro clínico os cinco tipos de esquizofrenias, é importante fazer uma diferenciação entre a esquizofrenia em si os transtornos que envolvem os mesmos sintomas desta doença.

A esquizofrenia é uma perturbação que dura pelo menos seis meses e inclui pelo menos um mês de sintomas da fase ativa; isto é, dois ou mais dos seguintes: delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento amplamente desorganizado ou catatônico, sintomas negativos; já os transtornos não.

Os transtornos incluídos neste capítulo caracterizam-se por terem como aspecto definidor a presença de sintomas psicóticos. O termo psicótico tem recebido, historicamente, diversas definições diferentes, nenhuma conquistando aceitação universal. A definição mais estreita de psicótico está restrita a delírios ou alucinações proeminentes, com as alucinações ocorrendo na ausência de insight para sua natureza patológica. Uma definição levemente menos restritiva inclui também alucinações proeminentes que o indivíduo percebe como sendo experiências alucinatórias. Ainda mais ampla é a definição que também inclui outros sintomas positivos da Esquizofrenia; isto é, discurso desorganizado, comportamento amplamente desorganizado ou catatônico.

Diferentemente dessas definições baseadas em sintomas, a definição usada em classificações anteriores provavelmente era demasiado abrangente e focalizada na gravidade do prejuízo funcional, de modo que um transtorno mental era chamado de "psicótico" se resultava em "prejuízo que interfere amplamente na capacidade de atender às exigências da vida". Finalmente, o termo foi conceitualmente definido como uma perda dos limites do ego ou um amplo prejuízo no teste de realidade. Os diferentes transtornos nesta seção salientam diferentes aspectos das várias definições de psicótico.

Na Esquizofrenia, no transtorno esquizofreniforme e no transtorno psicótico breve, o termo psicótico refere-se a delírios, quaisquer alucinações proeminentes, discurso desorganizado ou comportamento desorganizado ou catatônico.

No transtorno psicótico devido a uma condição médica geral e no transtorno psicótico induzido por substância, psicótico refere-se a delírios ou apenas àquelas alucinações que não são acompanhadas de insight.

Finalmente, no transtorno delirante e no transtorno psicótico compartilhado, psicótico equivale a delirante.

Transtorno Psicótico Breve

É uma perturbação psicótica com duração maior que um dia e remissão em um mês, e na maioria dos casos é considerada como originária de um estresse avassalador. Este padrão de sintomas contrasta com a esquizofrenia por estar continuar por um período longo da vida do indivíduo e o início da qual não está usualmente associado a quaisquer eventos ou estresse associados.

Ex: esse transtorno pode aparecer após guerras, terremotos, etc.

Transtorno esquizofreniforme

Caracteriza-se por um quadro sintomático equivalente à Esquizofrenia, exceto por sua duração; isto é, a perturbação dura de um a seis meses, e pela ausência da exigência de um declínio no funcionamento. Assim como na esquizofrenia ele não parece ser disparado por um estresse particular, ele assume a forma de esquizofrenia, mas devido a sua duração mais curta, ele não é considerado esquizofrenia.

Transtorno Esquizoafetivo

É uma perturbação na qual um episódio de humor e sintomas da fase ativa da esquizofrenia ocorrem juntos e foram precedidos ou seguidos por pelo menos duas semanas de delírios ou alucinações sem sintomas proeminentes de humor. Envolve uma combinação de esquizofrenia e um transtorno de humor (depressão ou mania).

Transtorno Psicótico induzido por substâncias

Os sintomas psicóticos são considerados uma conseqüência fisiológica direta de uma droga de abuso, um medicamento ou exposição à toxina.

Transtorno psicótico compartilhado

É uma perturbação que se desenvolve em um indivíduo influenciado por outra pessoa com um delírio estabelecido de conteúdo similar.

Transtorno delirante (paranóide)

Caracteriza-se por pelo menos um mês de delírios não-bizarros sem outros sintomas da fase ativa da esquizofrenia. Esses delírios envolvem situações que poderiam ocorrer na vida real, tais como ser seguido, envenenado, infectado, amado a distância ou enganado por outros. Alucinações auditivas e visuais podem ocorrer, mas são limitadas a alguns breves momentos e não ao longo do dia como é o caso da esquizofrenia. Os indivíduos com transtorno delirante não apresentam as alucinações persistentes, distúrbios de pensamento e declínio geral no desempenho intelectual observados na esquizofrenia.

Transtorno psicótico devido a uma condição médica geral

Os sintomas psicóticos são considerados uma conseqüência fisiológica direta de uma condição médica geral.

O transtorno psicótico sem outra especificação é incluído para a classificação de quadros psicóticos que não satisfazem os critérios para qualquer dos transtornos psicóticos específicos definidos nesta seção ou de uma sintomatologia psicótica acerca da qual existem informações inadequadas ou contraditórias.

Os transtornos de personalidade esquizotípico ou esquizóide são transtornos de personalidade e não de psicoses. Um indivíduo com o transtorno da Os personalidade esquizóide apresenta o humor não-modulado e isolamento social, mas não os sintomas cognitivos como alucinações, delírios ou processos de pensamento perturbados.

Características específicas à cultura, à idade e ao gênero

Os médicos que avaliam os sintomas de esquizofrenia em situações sócio-econômicas ou culturais diferentes das suas próprias devem levar em conta as diferenças culturais. Idéias que parecem delirantes em uma cultura podem ser bem aceitas noutra. Não há grupo cultural imune, embora o curso da doença pareça ser mais severo em países em desenvolvimento. O início da esquizofrenia tipicamente ocorre entre o final da adolescência e meados da década dos 30, sendo raro o início antes da adolescência, embora haja relatos de casos com início aos 5 ou 6 anos. Os casos de aparecimento tardio tendem a ser similares à esquizofrenia de início mais precoce, exceto por uma proporção maior de mulheres, uma melhor história ocupacional e maior freqüência de casamentos. A apresentação clínica tende mais a incluir delírios e alucinações paranóides, sendo menos propensa a incluir sintomas desorganizados e negativos. Existem diferenças de gênero na apresentação e curso da esquizofrenia. As mulheres estão mais propensas a ter um aparecimento tardio da condição, mais sintomas proeminentes de humor e um melhor prognóstico. Embora há muito se afirme que homens e mulheres são afetados em proporções basicamente iguais, estas estimativas relativas à distribuição entre os sexos são confundidas por questões de determinação e definição. Estudos baseados em hospitais sugerem uma incidência superior de esquizofrenia em homens, ao passo que estudos baseados na comunidade têm sugerido, em sua maior parte, uma distribuição igual entre os sexos.

Esquizofrenia e classe social

Pessoas da classe mais baixa tendem mais a ser diagnosticadas como sofrendo de esquizofrenia do que as de classe alta. Segundo relata Holmes, 1998, a taxa de esquizofrenia nas classes baixas é de oito vezes a classe alta. A taxa de esquizofrenia é mais alta nos centro das grandes cidades do que nos campos. O modelo sociogênico da esquizofrenia indica que os estresses ambientais associados a viver na classe mais baixa causam ou contribuem para o desenvolvimento da esquizofrenia.

Padrão Familiar

Até o momento têm sido inclusivos os estudos que afirmam, indubitavelmente, se a esquizofrenia é genética (gene que conduza em direção a doença) ou hereditária (doença genética que se transmitirá, com certeza, de uma geração para outra), embora já se tenha certeza absoluta de que a probabilidade de filhos esquizofrênicos é maior se um dos pais for esquizofrênico e, muito maior, se ambos forem. Na população geral a esquizofrenia aparece numa de cada cem pessoas (fator de risco 1%). Se tiver avô com esquizofrenia o fator de risco sobe para 3%, se um dos pais ou irmão sofre da doença o risco é de 10-20% e se ambos os pais sofrem de esquizofrenia o risco é de 40-50%.

Complicações de parto

Os estudos indicam que indivíduos com esquizofrenia têm uma incidência maior com os problemas que cercam o nascimento, parecendo que as complicações de trabalho de parto aumentam o seu risco, ex: um período curto de gestação e peso baixo no recém-nascido, mães deprimidas ou que passaram por um episódio de depressão durante sua gravidez., grávidas que sofreram fome ou deficiência de nutrição; além de  uma incidência de risco aumentado para aqueles bebês não alimentados pelo peito materno.

  1. ABORDAGEN PSICODINÂMICA DA ESQUIZOFRENIA

Segundo Freud, os indivíduos usam uma tática para lidar com o conflito e estresses esmagadores – a regressão.  Retornar a um estado anterior do desenvolvimento psicossexual no qual o indivíduo sentiu-se mais seguro. Alguns indivíduos não estão preparados para a batalha e tendem a regredir em face do conflito e do estresse. Numa linguagem junguiana, o indivíduo tende voltar para a “mãe”, para o aconchego do afago, do alimento, do calor, da participação mística com a mãe – essa é a influência do arquétipo materno, neste contexto precisaria buscar o herói e lutar para desbravar este mundo “perigoso e amedrontador”. A dinâmica da energia psíquica encontra-se também em regressão, na medida em que se volta para uma tentativa de adaptação ao mundo interno, e ao inconsciente.

No caso da esquizofrenia considera-se que o indivíduo regrediu todo caminho de volta a um estágio de bebê ou ao estágio oral do desenvolvimento psicossexual.

O comportamento de um indivíduo com esquizofrenia é considerado semelhante ao de um bebê ou de uma criança. Um indivíduo s no estágio oral, que deseja algo, precisa apenas fantasiar para que isto exista Muitas crianças tem amigos imaginários que se tornam quase reais para elas. Para a pessoa que regrediu e desenvolveu esquizofrenia, esses amigos imaginários são reais. A diferença entre os adultos bem ajustados, é que estes têm egos bem desenvolvidos que estabelecem limitem sobre a atividade da fantasia, constantemente checando-a com a realidade. No entanto, mesmo os indivíduos bem ajustados têm lapsos ocasionais no controle do ego, que permitem vislumbres de pensamentos semelhantes ao psicótico. Isto tende mais a ocorrer durante os sonhos ou enquanto estamos muito relaxados e o ego encontra-se menos vigilante.

Essa relação mãe-filho é crucial no desenvolvimento da esquizofrenia. Geralmente as mães dos filhos que nasceram com esquizofrenia são superprotetoras e controladoras, mas, ao mesmo tempo, rejeitadoras e distantes. A superproteção da mãe supostamente sufoca o desenvolvimento emocional da criança enquanto sua distância emocional priva a criança de segurança pessoal. O desenvolvimento emocional limitado em combinação com falta de segurança deixa o indivíduo vulnerável e quando se defronta com estresse o indivíduo entra em colapso.

Na esquizofrenia a sensação de invasão do self parece ser fundamental para a natureza da condição, como esta é experienciada; os sintomas de primeira ordem têm em comum a permeabilidade da barreira entre o indivíduo e seu ambiente, a perda dos limites do ego. Existe uma fusão entre o self e o não-self (“eu” e “não-eu”). O paciente não está consciente de que a perturbação diz respeito aos limites do ego. O observador externo encontra uma turvação ou perda dos limites do self, que não é aparente ao próprio paciente. Todas as experiências de passividade atribuem falsamente função a influências não-self vindas do exterior, que na verdade estão vindo de dentro do self. Sensações, emoções, impulsos e ações que na realidade objetiva vêm de dentro do self são atribuídos ao não-self. È uma falta de definição dos limites do self.

  1. ABORGAGEM JUNGUIANA DA ESQUIZOFRENIA

No início da segunda metade do século XX Jung fez considerações e expôs sua opinião como psiquiatra a respeito da esquizofrenia fazendo comparações a respeito do comportamento neurótico e psicótico. Segundo ele, a dissociação psicótica se caracteriza por uma dissociação fisiológica da personalidade e assistemática dos elementos psíquicos, das idéias. Acredita-se que a etiologia da esquizofrenia seja fundamentalmente orgânica, apesar de não se ter podido comprovar a existência de lesões específicas das células cerebrais. Os esquizofrênicos possuem uma causalidade e finalidade psíquica. Enquanto o eu numa pessoa normal é o sujeito da experiência, no esquizofrênico, o eu é somente um dos sujeitos da experiência; isto é, o sujeito normal se fragmenta numa pluralidade de sujeitos e complexos autônomos, como diz a palavra esquizofrenia em seu sentido próprio. Existem inúmeros sujeitos e não apenas um eu central capaz de viver e reagir afetivamente. A ligação entre o eu e os demais complexos encontra-se rompida. A cisão é absoluta. A unidade da personalidade parte-se em pedaços. A dissociação pode chegar ao ponto de criar uma ou mais personalidades secundárias, onde cada uma delas parece possuir uma consciência própria.

Os sintomas da esquizofrenia são mais equivalentes aos fenômenos observados no sonho e nas intoxicações, considerando o sonho como fenômeno normal do sono; pois o sonho tem uma analogia com a desintegração da esquizofrenia no que se refere à falta de um absenteísmo (P. Janet) do nível mental. Esse absenteísmo tem início numa diminuição da concentração e atenção e leva não apenas a perda de valor das associações, mas uma perda de sentido das próprias palavras, e perturbação do contexto temático por intervenções curiosas e sem lógica.

Na esquizofrenia a consciência não está diminuída como no sonho, a memória e a orientação funcionam normalmente, a não ser quando existe algum processo delirante. Os fenômenos da esquizofrenia não são causados por uma diminuição geral da atenção ou da consciência, eles dependem de algum fator perturbador que está relacionado a alguns fatores psíquicos particulares. Não se pode dizer quais idéias serão perturbadas mesmo conhecendo a probabilidade de ser pertencente ao campo emocional de um complexo reconhecível, cuja existência em si não represente uma característica específica esquizofrênica.

Como diz Jung (1971), p. 239: “Um complexo emocional pode perturbar a atenção geral e a atenção mas jamais destrói seus próprios elementos psíquicos ou o seu conteúdo, como acontece num complexo esquizofrênico”. O complexo esquizofrênico se caracteriza por uma deterioração particular e por uma fragmentação das idéias onde o campo da atenção se vê bem pouco perturbado, é como se o complexo se auto-aniquilasse ao distorcer sua possibilidade de expressão através de um pensamento ou fala ordenados. O complexo esquizofrênico utiliza sua própria energia para extrair seus conteúdos através do absenteísmo do nível mental.

Enfim, a intensidade emocional do complexo conduz a um absenteísmo dos seus próprios fundamentos ou ao distúrbio da síntese normal das idéias.

A autodestruição do complexo se exprime pelo distúrbio da capacidade de expressão e comunicação; e, além disso, existe o fato relativo a uma afetividade inadequada. Segundo Jung, na esquizofrenia esta é sempre sistemática e apenas identificável por um olho clínico experiente. Na esquizofrenia a sensibilidade está sendo sempre perturbada, a falta ou outro tipo de inadequação da sensibilidade não aparece apenas na região do complexo, e sim, em todos os comportamentos.

Este comportamento curioso do complexo esquizofrênico é possível ser admitido por uma possibilidade da existência de uma causa tóxica, relacionada a uma desintegração orgânica local ou uma alteração fisiológica produzida por uma pressão emocional que excede a capacidade das células cerebrais. Compreender o conteúdo da esquizofrenia e sua significação é fundamental para o profissional que estuda e lida com essa doença.

É importante saber que a mesma abarca dois aspectos importantes: o bioquímico e o psicológico. Nesse aspecto fica claro que se faz necessário o trabalho psicoterapeutico; já que, existem conteúdos pessoais e outros que fogem as circunstâncias individuais da vida. Os conteúdos psicóticos principalmente nos casos paranóides, mostram uma analogia maior com os grandes sonhos, os sonhos com caráter numinoso, onde as imagens carregam motivos míticos, materiais presente no inconsciente coletivo – chamado de arquétipos, matriz de todas as expressões mitológicas que não surgem apenas sob condições altamente emocionais, mas constituem sua própria causa.

“No meu entender, a investigação da esquizofrenia constitui uma das tarefas mais importantes da psiquiatria futura. O problema encerra dois aspectos, um fisiológico e outro psicológico, pois, como se pode perceber, essa doença não se satisfaz com uma única explicação. Sua sintomatologia indica, por um lado, um processo basicamente destrutivo, talvez de natureza tóxica, e, por outro, um fator psíquico de igual importância, já que não se pode abandonar uma etiologia psicogênica e a possibilidade de um tratamento psicológico ao menos em alguns casos. Os dois caminhos abrem visões ricas e abrangentes tanto no campo teórico como no terapêutico”. (Jung, Vol. III, p. 242.)

Na esquizofrenia encontram-se, com muita freqüência, conteúdos estranhos que inundam a consciência de maneira mais ou menos repentina e fragmentam a coesão interna da personalidade de forma característica. A esquizofrenia apresenta um quadro de acidentalidade assistemática que, muitas vezes, mutila a continuidade de sentido, a ponto de se tornar irreconhecível. Os distúrbios esquizofrênicos podem ser tratados e curados por meios psicológicos, pois o paciente esquizofrênico se comporta em relação ao tratamento da mesma maneira que o neurótico possui os mesmos complexos, os mesmos insights e necessidades, diferindo na solidez de estrutura.

O esquizofrênico latente deve sempre contar com a possibilidade de sua estrutura vir a ceder em algum ponto, que ocorra uma fragmentação no campo das idéias e conceitos, e perder a coerência com outras esferas de associações e o mundo externo. Sente-se ameaçado por um caos incontrolável de acontecimentos causais, encontra-se num solo movediço e às vezes sabe disso. Os perigos de sua situação aparecem nos sonhos drásticos de grandes catástrofes, ou então o solo onde se encontra começa a tremer, as paredes se desmoronam, a terra se liquefaz, os parentes morrem; enfim são imagens que descrevem representações de um distúrbio fundamental em relação ao doente e o mundo que o cerca e o isolamento que o ameaça. A causa do distúrbio é um afeto violento. O tratamento ou a irrupção desses processos nem sempre exige medidas drásticas, pode-se levar a mente do paciente a uma distância segura do seu inconsciente induzindo-o a representar esse estado caótico num desenho ou pintura. Esse estado caótico, então, poderá ser visualizado, objetivado e interpretado pela consciência.

  1. TRATAMENTO DA ESQUIZOFRENIA

Apesar das infinitas investigações, a origem da esquizofrenia ainda não está clara. O que está claro, entretanto, é que não é causada por um trauma infantil, nem por um mau comportamento por parte dos pais. Nos anos 60 e 70 muitas investigações se realizaram no campo da terapia familiar, sobre o comportamento de as famílias e transtornos mentais. Encontraram vários patrões de conduta comuns a famílias com problemas de saúde mental, o qual conduz a alguns profissionais a concluir, erroneamente, que a família poderia ser culpada pelos transtornos mentais de seus filhos. Nada mais falso.

Os sintomas da esquizofrenia resultam de desequilíbrios de substâncias neuroquímicas no cérebro, tias como a dopamina, serotonina, e noradrenalina. As últimas investigações indicam que estes desequilíbrios podem estar presentes no cérebro, inclusive antes do nascimento da pessoa. Entretanto, o comportamento da família influi fortemente na reabilitação do individuo com esquizofrenia. Os estudos demonstram que a intervenção da família é de grande importância na prevenção das recaídas.

Todos os medicamentos produzem efeitos secundários e a medicação prescrita em casos de esquizofrenia não é uma exceção. A medicação que se prescreve aos pacientes com esquizofrenia se chama antipsicótico, antes chamados neuroléptico. Os efeitos secundários nem sempre são evidentes e são de menor gravidade que os próprios sintomas da esquizofrenia. Muitos pacientes cometem o erro de deixar de tomar a medicação quando aparecem estes efeitos ou quando algum conhecido “alerta” para os perigos de tais medicamentos. Na realidade o que tem que ser feito é informar-se com o psiquiatra ou psicoterapeuta sobre as dúvidas e sobre o que está sentindo. É muito importante saber diferenciar entre os efeitos secundários da medicação e os próprios sintomas da esquizofrenia.

Os efeitos colaterais mais comuns são:

Sonolência

A sonolência é um aumento no sono do paciente. Talvez seja difícil levantar-se da cama de manhã, dorme mais que o normal, tem vontade de dormir durante o dia, etc. Por outro lado não são raros os comentários como "Estou dopado", "Sinto-me como um zumbi", ou outros similares.

Efeitos extrapiramidais ou parkinsonismo

Esses sintomas são assim chamados pela semelhança com os sintomas da Doença de Parkinson.

Os efeitos parkinsonianos se manifestam na forma de movimentos ou posturas involuntárias: o tremor das mãos, flexões ou fixações dos músculos. Assim sendo, não é raro que o paciente usando antipsicóticos tenha a boca ou os músculos da face numa postura entranha, talvez a boca permaneça aberta ou semi-aberta.

Também é possível que a língua se força para um lado, dificultando a fala ou fazendo com que a saliva escorra da boca.

Efeitos anticolinérgicos

Esses efeitos secundários se referem a visão borrada, secura da boca, retenção urinária, hipotensão arterial.

Dificuldades sexuais

Poucas vezes se encontram citadas como efeitos secundários dessa medicação. Também pode ser provável que os sintomas sexuais se devam a sintomas da depressão que às vezes acompanha a esquizofrenia.

Acatisia Consiste numa inquietação constante. O paciente é incapaz de sentar-se no mesmo lugar durante muito tempo. Ele se levanta e muda de assento várias vezes em poucos minutos ou se ajusta muitas vezes no sofá. Este é um efeito secundário bastante desconfortável porque os que estão próximos podem pensar erroneamente que o paciente está nervoso. A acatisia é um efeito secundário que pode chegar a ser muito molesto para o paciente e tem solução fácil; com pequenas modificações do tratamento.

Benefícios do tratamento medicamentoso:

Elimina vozes, visões e o falar consigo mesmo.
Elimina as crenças entranhas e falsas (delírios).
Diminui a tensão e agitação.
Ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor.
Reduz os medos, a confusão e a insônia.
Ajuda a falar de forma coerente.
Ajuda a sentir-se mais feliz, mais expansivo e mais sadio.
Ajuda a se comportar de forma mais apropriada.
Os pensamentos hostis, estanhos ou agressivos desaparecem.
Diminuem muito as recidivas e a necessidade de internação hospitalar

O tratamento farmacológico, medicamentoso é fundamental na esquizofrenia. Se houver uma única possibilidade, esta deve ser o tratamento medicamentoso de escolha.

O reconhecimento precoce da doença ou das recaídas e a instituição rápida do tratamento com antipsicóticos aumentam as possibilidades de se evitar a cronificação da esquizofrenia. É muito importante que o portador de esquizofrenia seja conscientizado da doença e das etapas de tratamento o sucesso deste. O portador deve ser orientado sobre sua doença, suas características e seu diagnóstico. A questão fundamental é saber escolher o momento adequado para essa comunicação; pois, durante o surto agudo, evidentemente, será o pior momento. A esquizofrenia é uma doença, em geral, de curso crônico. Toda doença crônica necessita de acompanhamento por tempo indeterminado. Esse acompanhamento visa identificar o curso da doença, seus aspectos evolutivos e a prevenção de recaídas. Em determinados momentos do surto agudo ou da crise, a internação pode ser útil ou até indispensável. Apesar de a doença ser crônica e grave, ela é perfeitamente controlável na imensa maioria dos casos. O tratamento psicossocial visa à reabilitação do indivíduo, a recuperação das habilidades perdidas e sua capacitação para as atividades cotidianas. A doença existe e é real, mas com um tratamento adequado e bem orientado o portador de esquizofrenia pode ter uma vida normal ou muito próxima da normalidade.

  1. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Comparo a esquizofrenia com uma corrente composta por vários elos interligados. Esta seria a metáfora para o pensamento lógico. Num esquizofrênico, os elos da corrente soltam-se e as idéias surgem sem uma seqüência causal, condicionando o comportamento e os sentimentos. Aquilo que é realidade hoje poderá deixar de ser amanhã.

Objetos, palavras, números, cores... ganham significados totalmente inesperados: "Os barcos que atracam no Tejo estão a espiar-me"; "o gravador tinha escutas"; "a comida tem veneno"... Mudanças súbitas de humor, desconfiança extrema, provocação, confusão, isolamento, incompreensão... A intercalar, alguns momentos de lucidez, arrependimento, choro, desamparo total... procura desesperada de um carinho... Ainda assim, os medicamentos existentes permitem criar uma ligação artificial entre estes elos da corrente, razão pela qual um doente que aceda a fazer um tratamento efetivo e continuado poderá alterar estas características e voltar a aproximar-se do 'mundo real', tal qual conhecemos.

Os portadores de esquizofrenia sofrem na ausência de cuidados especiais. Têm dificuldades para trabalhos e seus relacionamentos são prejudicados e difíceis, mesmo com a melhora dos sintomas. Apesar do comportamento do esquizofrênico demonstrar ser assustador, as pessoas com esquizofrenia não são mais violentas do que as pessoas normais; pelo contrário, são mais capazes de abster-se das violências. Calcula-se, porém que cerca de 15% dos portadores dos sintomas de esquizofrenia podem cometer suicídio; o risco pode aumentar em pacientes mais jovens e desiludidos. E por esse motivo faz-se imprescindível o respeito e a compreensão não apenas da família que cerca tal doente, mas um senso de solidariedade por parte da sociedade ainda permeada de “ignorância e preconceitos sobre a doença”.

È possível tratar esses portadores de esquizofrenia sim, tratamento este fundamentado em uma manutenção das medicações antipsicótica e acompanhamento contínuo de um psicoterapeuta capaz de fazer o paciente compreender sua doença, seus sintomas e nos casos crônicos, através de terapias ocupacionais levando o paciente entrar em contato com as representações do seu mundo interno, do seu inconsciente, através de pinturas ou desenhos que possibilitará trazer um pouco de organização ao caos configurado. Apesar de tão complexa a doença e a dor do indivíduo portador da esquizofrenia, não se pode esquecer que é muitas vezes do limo, do pântano que nascem as vitórias-régias – que a doença também está a serviço da individuação, e muitas vezes é a própria doença que nos faz curar e desenvolver.

TATIANA DE JESUS SIMÕES

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  2. HOLMES, David S. Psicologia dos Transtornos Mentais. 2ª ed. Porto Alegre: ARTMED S.A., 2001.
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    3. JUNG, Carl G. Psicogênese das Doenças Mentais – Vol. III. (1971). Petrópolis: Vozes, 1964, 1986.
    4. JUNG, Carl G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo – Vol. IX/1 (1875-1961). Petrópolis: Vozes, 2000.
    5. WHITMONT, Edward C. A Busca do Símbolo. São Paulo: Cultix, 1969.
    6. NEUMANN, Erich. A Grande Mãe. São Paulo: Cultrix, 1974.
    7. SIMS, Andrew. Sintomas da Mente. 2ª ed. Porto Alegre: ARTMED S.A., 2001.

Fonte: www.med.unc.edu/www.clinicapsique.com

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