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O Patinho Aleijado

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Ora, uma vez, estava uma velha pata chocando alguns ovos que pusera, deitada num ninho de folhas.

E andava muito intrigada, meio desapontada, por causa de um ovo, um só ovo, enorme, colossal, estranho, que, sem ela saber como, viera parar no meio dos outros. Supunha ser de alguma das aves que por ali passavam, e que, inconscientemente, o pusesse em seu ninho, assim que ela começara a postura.

Estava a velha pata no choco, havia já quase quatro semanas, e só faltavam quatro dias para os patinhos saírem dos ovos, o que ela esperava com paciência, quando um belo dia, apareceu picado o primeiro ovo.

Foi uma alegria em todo o bando, e as comadres vieram dar-lhe os parabéns.

Ela, satisfeita, agradecia as visitas, dizendo que, dentro de dois dias, tencionava levar os patinhos à lagoa , para aprenderem a nadar.

Dias depois, saiu finalmente o último patinho. Só faltava o ovo grande que, no entanto, nem sinal dava de estar picado.

As outras aconselharam à velha pata que abandonasse o intruso. Aquele ovo, evidentemente muito diverso dos outros, enorme, não era dela; e, assim, cometia uma tolice vivendo em cima dele, a chocá-lo. Patas houve que asseveraram poder até ser de um bicho, um ovo tão grande; e que esse bicho, crescendo, poderia comer todos os patos do bando.

Mas a pata não ouvia tais conselhos. Disse que queria ver que ave sairia dali; que aquilo era ovo de ave, se estava vendo; e que, enquanto não saísse, ela não abandonaria o ninho.

Sete dias depois de sair o último patinho, a velha pata viu o ovo grande picado, e apareceu um bicho, parecido com pato, é verdade, mas todo torto, escuro e aleijado.

Depressa a pata se arrependeu de ter chocado um bicho tão feio. Mas, como era boa, e não querendo dar o brço a torcer, mostrando-se aborrecida de ter na sua ninhada um pato desgracioso, repugnante, nada falou às comadres.

Na manhã seguinte, bem cedo, disse para os filhos:

— “Vamos, meus patinhos, hoje é dia de sairmos do ninho; quero levá-los à lagoa e apresentá-los às suas tias e a seu pai, o pato velho.

Quando a pata apareceu, foi uma festa geral, e houve enorme alegria no bando. Todos a felicitaram elogiando os patinhos.

Uma pata, porém, mais indiscreta, reparou no patinho aleijado, e disse para as companheiras: “Onde ela teria arranjado aquilo?”

—”Olhe que bicho a nossa comadre chocou!”

Desde então, não cessaram caçoadas, remoques, debiques, vaias dadas por todo o plumitivo bando, na mãe e no filho. E a coisa chegou a tal ponto que a pata, aborrecida, desgostosa, começou a odiar o aleijado.

No entanto, o infeliz palpímede vivia modestamente, sem fazer mal a ninguém, sabendo nadar melhor que todos, mas sempre repelido.

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