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Salomão e a Consolidação do Estado

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Salomão não era o herdeiro natural de Davi e sua posse foi recheada de intrigas e inimizades. Assim, logo que se viu garantido no poder, Salomão eliminou drasticamente seus inimigos. Mandou matar seu irmão Adonias, também o general Joab e desterrou o sacerdote chefe Abiatar.

Criou, segundo o texto bíblico, uma corte imensa e dispendiosa. 1Rs 4,22-23 conta de seus gastos: um absurdo em cereais e carne:

“Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha [1 coro = 450 litros] e sessenta de farinha comum, dez bois cevados, vinte bois de pasto, cem carneiros, além de veados, gazelas, antílopes, cucos cevados”.

“Conforme Ne 5,17s, 150 homens eram alimentados por Neemias diariamente com 1 boi e 6 ovelhas, mais algumas aves. Com base nesta notícia, poder-se-ia imaginar que a corte de Salomão se tenha composto de 3.000 a 4.500 pessoas, uma vez que consumia 20 a 30 vezes mais carne que o grupo de Neemias. Se acrescentarmos ao consumo ainda a farinha, o número será bem maior”, diz C. A. DREHER[1].

Quanto à administração, Salomão introduziu novidades enormes, como, por exemplo, a divisão do norte em 12 províncias, desrespeitando a divisão tribal e nomeando prefeitos estranhos às populações locais. E tem mais: cada província cuidava da manutenção da corte durante um mês (1Rs 4,1-19).

Embora não fosse um guerreiro, Salomão sabia fazer se respeitar no armamento e na organização militar. Seu exército era poderoso na época e seus carros de combate temíveis. Estes carros foram uma inovação de Salomão. Davi só usava a infantaria. A população pagava por este exército, fornecendo “a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração, no lugar onde fosse preciso, e cada qual segundo o seu turno”, diz 1Rs 4,28.

Apesar de algumas revoltas nos reinos vassalos e de um possível enfraquecimento de poder, Salomão, conseguiu, em geral, manter o país nos limites estabelecidos por seu pai Davi.

Mas sua habilidade revelou-se totalmente foi no comércio e na indústria, sempre segundo o texto bíblico. Construiu uma frota mercante que comerciava até com Ofir (atual Somália) e com todos os portos do Mar Vermelho, enquanto outra parte fazia a rota do Mediterrâneo até a Espanha. Seus navios eram construídos e tripulados pelos fenícios, mestres na arte da navegação.

Salomão dominou igualmente o comércio da Arábia, com o controle das caravanas: o comércio de cavalos da Cilícia e do Egito, através de suas agências de compra e venda. Exportava cobre e outros metais…

Toda esta atividade comercial gerou uma expansão interna muito grande no país: cidades que se fortaleciam, construções de grandes obras públicas por toda a parte, a população que aumentava consideravelmente em número.

Porém, se olharmos menos ingenuamente este florescimento todo, veremos sobre quais bases foi construído. Sobre a exploração de uma boa parte da população. Vejamos.

A burocracia estatal requeria um número respeitável de funcionários, altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais.

As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização. O exército, recrutado entre o povo, não mais respeitando as tribos, precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência e assim por diante.

Resultado: Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita, forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananéia à corvéia (trabalho grátis para o Estado) e usou o trabalho escravo em grande escala nas suas minas e fundições no sul do país (1Rs 9,20-22). Usou também, embora haja notícias controvertidas na obra deuteronomista, a mão-de-obra grátis em Israel (segundo 1Rs 9,22 os israelitas não foram submetidos à corvéia, mas segundo 1Rs 5,27;11,28 também os israelitas foram submetidos ao trabalho forçado para o Estado).

O Estado classista estava em pleno funcionamento. Com o correr do tempo, as diferenças de classe e as contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território.

A construção do Templo em Jerusalém, servindo ao mesmo tempo como santuário nacional e como capela real, transferia para o Estado todo o poder religioso. Muito interessante é a observação de C. A. DREHER, sobre os motivos porque Salomão construiu o Templo: “Que fazer, num tempo de paz, para continuar a garantir o direito ao tributo? Pode-se recorrer às armas e impor um governo através da força policial. Mas isso tem lá seus riscos na época de uma monarquia incipiente (…) Um motivo religioso lhe será bem mais útil. A construção do templo, a casa de Javé, cuja arca já se encontra em Jerusalém, lhe dará cobertura ideológica para garantir seu Estado e seu direito ao tributo”[2].

Salomão governou a região de 971 a 931 a.C., durante 40 anos.

Fonte: www.airtonjo.com

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