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Tradições Chinesas

Provérbios na Tradição Chinesa

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Estamos tão impregnados pela própria língua, que nem reparamos em quão sugestiva e maravilhosa é uma língua; o quanto ela nos traz em matéria de experiências históricas e humanas. A própria “entonação” característica de cada uma delas é já um certo modo de estar no mundo, uma têmpera, uma postura original diante da realidade.

Não é indiferente que se fale o português ou o inglês. E, dentro do português, não é o mesmo falar o português de Portugal ou o do Brasil, nem tampouco se equivalem o de Recife e o de São Paulo. Parece que cada sotaque e, mais ainda, cada idioma, tem a capacidade de iluminar diferentes regiões da realidade, incluindo aí as diferentes regiões sentimentais e as diversas experiências de vida.

No caso do chinês, há uma afinidade língua/provérbios, que possibilita uma concisão difícil de se transpor, com naturalidade, para qualquer língua ocidental. Esses provérbios são compostos, geralmente, por apenas quatro ideogramas. Trata-se de um máximo de informação em um mínimo de espaço. Alguns se compreendem de imediato, seu sentido é literal; outros só mostram o seu sentido se buscarmos a sua origem.

Há provérbios que têm sua origem na linguagem popular; outros – talvez a maior parte – na literatura, o que inclui anotações antigas da história, das crônicas etc.

A pequena amostra, que ora apresentamos, tem origem literária e ilustramos seu sentido com as pequenas histórias de que procedem.

A vida humana deposita-se em forma de experiência, experiência da vida. Nos últimos séculos, o Ocidente tem valorizado principalmente a experiência das coisas, deixando de lado a experiência da vida. Hoje, num momento em que a vida volta a ser objeto principal de indagação, os provérbios – que, sem a menor dúvida, guardam parte desse tesouro, revelando estruturas universais da vida -, tornam-se também objeto de nosso interesse.

Iniciaremos este nosso diálogo com o Oriente, apresentando alguns provérbios associados a pequenas narrativas:

CHI REN SHUO MENG Idiota Pessoa Falar Sonho
CHI REN SHUO MENG
Idiota Pessoa Falar Sonho

Usa-se quando alguém está dizendo absurdos.

A história associada é a seguinte: Havia uma família rica que tinha um filho idiota. Certa manhã, ao se levantar, ainda mal acordado, o filho perguntou a uma empregada da casa se não o havia visto em seu sonho. Ela, naturalmente, respondeu que não. O rapaz, então, ficou furioso e foi correndo chamar sua mãe para pedir que punisse a empregada, pois, com toda a certeza, ele a vira em seu sonho e ela agora, sem dúvida, o enganava ao dizer que não o vira.

Conversas ocasionais em tinta residual Sun Yun, Dinastia Qing (1644 – 1911).

GUI YOU XIN SHENG Fantasma Origem Alma Nascer
GUI YOU XIN SHENG
Fantasma Origem Alma Nascer

Usa-se quando alguém se preocupa com coisas não reais: Um homem tolo e medroso caminhava em uma noite enluarada quando, por acaso, baixou sua cabeça e viu sua sombra. Pensou que se tratasse de um fantasma. Levantou a cabeça e ao ver um cacho de cabelo, acreditou estar vendo outro fantasma. Muito assustado, saiu correndo até ficar exausto, morrendo ao chegar em casa.

Livro de Xun Zi, Xun Kuang (313-238 A.C.).

YU SU BU DA Desejo Velocidade Não Sucesso
YU SU BU DA
Desejo Velocidade Não Sucesso

Lembra o nosso “A pressa é inimiga da perfeição”.

Confúcio, conhecendo o caráter impetuoso de um discípulo que seria nomeado para um cargo oficial na província de Lu, disse-lhe: “O que quer que você faça, faça-o passo a passo e não procure a velocidade. Não dirija a sua atenção apenas para os interesses imediatos. Quanto maior a velocidade, menor o sucesso.

Analectos de Confúcio.

XI ZHAI WANG QI Mudar Casa Esquecer Esposa
XI ZHAI WANG QI
Mudar Casa Esquecer Esposa

Usado para se referir a um homem tolo e esquecido.

O governador do Estado de Lu perguntou a Confúcio: “Ouvi dizer que um homem se mudou de casa e esqueceu-se de levar a mulher. Será isso possível?”.

“Por que não? – disse Confúcio -, há casos piores”. Confúcio, então, narra o caso de tiranos que se entregaram a uma vida dissoluta, acabando por morrer, deixando seus impérios arruinados; em suma, esquecendo-se do povo e de si mesmos.

Relatos de Confúcio, conforme edição compilada no período dos Três Reis (220- 280).

HUA ER BU SHI Flor Mas Não Fruto
HUA ER BU SHI
Flor Mas Não Fruto

Refere-se a alguém que tenha apenas um verniz de inteligência ou a al-go que reluz mas não tem valor. A história conta que um oficial parou em uma taberna ao retornar de sua missão para o Estado. O dono do estabelecimento, que vinha, há tempos, procurando por alguém de confiança, disse para sua mulher que acreditava ter encontrado o homem certo e que iria segui-lo em sua viagem.

Com a devida permissão do oficial, o dono do estabelecimento o seguiu e foram os dois conversando pelo caminho sobre vários assuntos. Não muito depois, o taberneiro mudou de idéia e resolveu voltar para casa. Ao chegar, sua mulher lhe perguntou por que voltara tão rapidamente.

Ele respondeu: “Ao ver sua aparência, pensei que se tratava de um bom homem, mas depois de ouvi-lo falar, fiquei irritado com suas opiniões. Receei ter maiores prejuízos do que benefícios, se ficasse com ele”.

Relatos dos Estados, livro de história que narra os eventos da Dinastia Zhou do Oeste até o período da Primavera e Outono, e que se atribui a Zuo Quiming.

KAI JUAN YOU YI Abrir Livro Ter Benefício
KAI JUAN YOU YI
Abrir Livro Ter Benefício

Durante a dinastia Song, o imperador Taizong escolheu um grupo de intelectuais para organizar uma grande enciclopédia. Tratava-se de uma coleção de mil volumes, classificados em cinqüenta e cinco assuntos. O próprio imperador reservou-se a tarefa de ler dois ou três volumes por dia. Algumas pessoas comentaram que, tendo o imperador tantos afazeres, ser-lhe-iam muito cansativas as leituras.

Ao que ele respondeu: “Estou interessado na leitura e vejo que a leitura sempre me traz benefícios. Não me sinto cansado, absolutamente”.

Por Wang Pizhi, da Dinastia Song (960-1279).

SHU NENG SHENG QIAO Intimidade Habilidade Nascer Talento
SHU NENG SHENG QIAO
Intimidade Habilidade Nascer Talento

A habilidade surge da prática. Chen, arqueiro excelente, tendo acertado um difícil alvo, recebeu aplausos de todos, menos de um velho vende-dor de óleo. Ficou irritado com o menosprezo do velho, que sequer sabia manejar o arco. O velho vendedor, porém, fez uma demonstração para Chen. Despejou óleo de uma vasilha para outra, através do orifício de uma moeda, sem que o óleo a tocasse.

E sorrindo, disse: “Viu? Nada de especial: a habilidade vem da prática”. Chen nunca mais mostrou-se orgulhoso.

Apontamentos após o Retorno à Fazenda, de Ouyang Xiu (1007-1072) da Dinastia Song do Norte.

FU SHUI NAN SHOU Derramar Água Difícil Coletar
FU SHUI NAN SHOU
Derramar Água Difícil Coletar

Lembra o nosso “não adianta chorar sobre leite derramado”. O senhor Jiang era muito pobre e, por isso, foi abandonado por sua mulher.

Subitamente, porém, sua sorte mudou: tornou-se oficial do Estado. A mulher, ao saber da nomeação, arrependeu-se e quis voltar para o marido. Jiang pegou uma tigela cheia d’água, derramou o conteúdo na terra e disse à mulher para recolhê-la novamente. Ela tentou por longo tempo, mas tudo o que conseguiu foi recolher um pouco de lama. Jiang disse, então, a sentença que se tornou proverbial.

Coleção de Histórias perdidas – trata-se de uma coleção de histórias de deuses e fantasmas feita por Wang Jia, da Dinastia Jin do Leste (317-420).

HUAI AN SANG ZHI Morar Conforto Morrer Vontade
HUAI AN SANG ZHI
Morar Conforto Morrer Vontade

O príncipe Chong Er, do Estado de Jin, foi obrigado a fugir de sua terra para escapar da perseguição de seus inimigos. A princípio, enquanto estava fora, alimentava a esperança de voltar para seu Estado e reconstruí-lo. Mas passou a viver uma vida feliz e tranqüila no Estado de Qi, onde encontrou refúgio e pôde se casar. Assim, sete anos passaram-se rapidamente. O tio de Chong Er e outros que o acompanhavam, ficaram preocupados por ele ter abandonado sua meta e queriam que ele partisse do Estado de Qi.

Sua mulher, sabendo disso, advertiu-o: “Vá. A vontade de um homem é facilmente desvirtuada, quando ele passa a viver uma vida agradável e fica acomodado com sua situação”. Chong Er não lhe deu ouvidos. Um tempo depois, porém, após uma discussão com o tio, sua mulher deu-lhe uma grande quantidade de vinho, até que ficasse bêbado. Assim, foi possível colocá-lo na carruagem e levá-lo de volta a seu Estado. Mais tarde, Chong Er tornou-se novamente o imperador do Estado de Jin.

Crônicas de Zuo Quiming.

DUI NIU TAN QIN Conforme Vaca Tocar Alaúde
DUI NIU TAN QIN
Conforme Vaca Tocar Alaúde

Lembra o nosso “não jogue pérolas aos porcos”. Certa vez, o músico Gongming Yi tocava alaúde, quando viu que uma vaca pastava a seu redor. Ocorreu-lhe, então, tocar alguma coisa para a vaca e escolheu uma bela e erudita melodia, mas o animal continuou a pastar e nem notou a música. Gongming começou, então, a tocar outra melodia que imitava o som de mosquitos e o choro de um bezerro. Nesse momento, a vaca balançou o rabo, levantou as orelhas e passou a ouvir a música com atenção.

Sylvio Roque de Guimarães Horta

Fonte: www.hottopos.com

Tradições Chinesas

Existem duas tradições na literatura da china: a literária e a popular ou coloquial.

A última remonta a mais de mil anos antes da era cristã e permanece até nossos dias. No princípio consistia em poesia mais tarde em teatro e romance, e depois foi incorporando obras históricas, relatos populares e contos. Os intelectuais da classe oficial que ditavam os gostos literários, não a creditavam digna de estudos por a considerarem inferior, sendo que, até o século XX, este tipo de literatura não obteve o reconhecimento da classe intelectual. Seu estilo brilhante e refinado marca os princípios da tradição literária ortodoxa, que começou há 2.000 anos.

Época Clássica

A época clássica é correspondente a da literatura grega e romana. As etapas de formação tiveram lugar do século VI ao IV a.C. nos períodos da dinastia Chou (c. 1027-256 a.C.). Desta época são as obras de Confúcio, Mencio, Laozi (Lao-tsé), Zhuangzi e outros grandes filósofos chineses. Culminou com a recopilação dos chamados cinco clássicos, ou clássicos confucianos, além de outros tratados filosóficos.

A obra poética mais importante do período clássico foi o Shijing (Livro das odes ou Clássico da poesia), antologia de poemas compostos em sua maioria entre séculos X e VII a.C. A lenda diz que foi o próprio Confúcio quem seleccionou e editou os 305 poemas que formam a obra. Trata-se de poemas simples e realistas da vida camponesa e cortesã.

O estilo aristocrático ou cortesão alcança sua máxima expressão com os poemas de Chu, estado feudal ao sul da China central que foi a terra de Qu Yuan, primeiro grande poeta chinês.

Durante a dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) as tendências realista e romântica: deram lugar à escolas poéticas. Os versos de Chu foram o começo de um novo gênero literário, o fu, o poema em prosa. Mais tarde, a poesia se enriqueceu com canções populares reunidas por Yüeh-fu, no século II a.C.

Os primeiros trabalhos em prosa formam, junto com o Shijing, os cinco clássicos. São o I Ching (Anais do Chin), livro de adivinhacões; o Shujing (Livro dos documentos), um conjunto de antigos documentos de Estado; o Liji (Memória sobre os ritos), coleção de códigos governamentais e rituais, e o Chunqiu (Anis da primavera), a história do estado de Lu desde 722 até 481 a.C.

Do século VI até o III a.C. foram escritas as primeiras grandes obras da filosofia chinesa, como os Analectas de Confucio, aforismos recompilados por seus discípulos; os eloqüentes debates de Mencio, discípulo de Confúcio; o Doodejing (Clássico da forma e sua virtude), atribuído a Lao Tse, fundador do taoísmo, e os ensaios de Zhuangzi, o outro grande filósofo taoísta.

Também são importantes os ensaios de Mozi, Xunzi e Han Fei Zi. Sima Qian escreveu o Shiji (Memórias históricas), história da China até a dinastia Han. Os discípulos de Confúcio criaram, as bases da tradição literária da prosa chinesa, adotando uma linguagem literária própria, diferente da linguagem falada.

Época Medieval

Do século III ao século VII d.C., a China estava dividida em estados rivais, porém com a difusão do budismo vindo da Índia e a invenção de um tipo de imprensa viveu um dos períodos mais brilhantes da história de sua literatura.

Durante os períodos de agitação política, poetas encontraram refúgio e consolo no campo. Alguns eram ermitãos e criaram uma escola de poesia a que chamaram Campo e jardim. Outros escreveram os melhores poemas populares chineses, como os de amor atribuídos a poetisa Tzu-yeh. O melhor poeta destes séculos turbulentos foi Tao Qian, também conhecido por Tao Yuanming, que cantava as alegrias da natureza e da vida solitária.

A melhor poesia chinesa foi escrita durante a dinastia Tang (617-907), da qual se conservam mais de 49.000 poemas escritos por 2.200 poetas. Os três poetas mais famosos foram Wang Wei, filósofo e pintor; Li Po, líder taoísta da escola romântica, e seu amigo e rival Tu Fu, meticuloso em seus esforços para conseguir um realismo preciosista, cuja obra influenciou o poeta Po Chu-i, que utilizava a poesia como um meio para a crítica e a sátira.

Durante a dinastia Song (960-1279), Su Tung-po foi o melhor poeta chinês de tsu (estilo poético que fixa o número de versos e seu comprimento segundo o tom e o ritmo). A poetisa chinesa Li Qingzhao alcançou grande popularidade por seus versos tsu sobre sua viudedad. Han Yu, mestre da prosa Tang, exigia a volta da escrita direta e simples do estilo clássico.

A tradição literária prlongou-se na dinastia Song com Ouyang Xiu, mais conhecido por suas maravilhosas descrições de paisagem. Os engenhosos ensaios de Su Xun são os melhores do estilo clássico.

O teatro propriamente dito não se desenvolveu até o final do período medieval. Na época Tang, os atores já ocupavam um lugar importante entre os artistas populares e se agrupavam em companhias profissionais, que atuavam em teatros construídos para receber milhares de pessoas.

Época Moderna

A época moderna começa no século XIII e chega até nossos dias.

No século XIV, a narrativa popular chinesa foi cada vez mais importante. Dois dos primeiros romances desta época, Sanguozhi Yanyi (Histórias romanceadas dos reinos) e Shuihuzhuan (À beira d’água), podem ser considerados a épica em prosa do povo chinês. Cao Xueqin escreveu o romance realista Hongloumeng (Sonho do quarto vermelha).

No século XVII, apareceram numerosas coleções de breves histórias. A mais popular é Jinguqiguan (Contos maravilhosos do passado e do presente), composto de 40 histórias.

No século XX, influenciados pela literatura ocidental, os escritores chineses, guiados por Hu Shi, começaram uma revolução literária conhecida como o renascimento chinês. Intencionavam utilizar a linguagem coloquial com fins literários. Com ensaios e histórias mordazes atacavam a sociedade tradicional, e escritores como Lu Xun (pseudônimo de Zhou Shuren) ajudaram ao avanço da revolução socialista.

Durante os anos da Revolução Cultural (1966-1978) os artistas e escritores se adaptaram as necessidades do povo e a influência burguesa ocidental foi atacada duramente. Desde então tem se permitido uma maior liberdade de expressão, tolerando-se o renovado interesse pelas idéias e as formas ocidentais.

Fonte: www.historiadomundo.com.br

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