País da Europa Ocidental. Situado no noroeste da Europa, abrange uma área de 30 528 km2. A Bélgica encontra-se limitada pela Holanda, a norte e a nordeste, pela Alemanha e pelo Luxemburgo, a leste, pela França, a sul e a oeste, e pelo mar do Norte, a noroeste. As cidades mais importantes são Bruxelas, a capital, com 983 900 habitantes (2004), Antuérpia (451 200 hab.) (2004), Gand (227 500 hab.) (2004), Charleroi (201 700 hab.) (2004) e Liège (186 200 hab.) (2004).
O clima é temperado marítimo, caracterizado pela predominância de ventos húmidos que sopram de oeste. No interior do país, o clima apresenta maiores amplitudes térmicas anuais e, por efeito do relevo, a precipitação é mais elevada.
A Bélgica tem uma economia desenvolvida, que se baseia nos serviços, na indústria e no comércio, possuindo um dos rendimentos per capita mais elevados da União Europeia (UE). O sector industrial encontra-se bem implantado e é dominado pela produção de aço, de produtos químicos, de materiais de construção, de produtos alimentares, de bebidas, de tabaco, de papel e de têxteis. Quanto a recursos naturais, o país possui minas de ferro, chumbo, zinco e cobre, bem como gás natural na plataforma do mar do Norte. A agricultura representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e as culturas dominantes são a beterraba, a batata, o trigo, a cevada, a aveia, o tomate, o milho e a cenoura. O país depende fortemente do comércio internacional, especialmente com a Alemanha, a Holanda, a França e o Reino Unido. Em valor, as suas principais importações são a maquinaria, os produtos químicos, os bens alimentares e os diamantes em bruto.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas,1999), é de 10,2.
A Bélgica possui uma população de 10 379 067 habitantes (est. 2006 ), o que corresponde a uma densidade de 339,71 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são respectivamente de 10,38%o e 10,27%o. A esperança média de vida atinge 78,77 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,937 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,931 (2001). Os flamengos representam cerca de 58% da população e os valões 31%; a comunidade de Italianos corresponde a 2,4% e a de Marroquinos, a 1,4%. A religião maioritária é a católica. As línguas oficiais são o francês e o neerlandês (flamengo), embora também seja falado o alemão.
Entre os séculos X e XIV, existiram no território belga alguns principados seculares e eclesiásticos. No século XV, as casas da Borgonha e de Habsburgo uniram-se pelo casamento. Seguiu-se o domínio espanhol nos Países Baixos, depois de várias uniões dinásticas. Em 1579, as províncias espanholas do Sul formaram a União de Arras e adoptaram a religião católica romana. As províncias protestantes do Norte formaram a União dos Países Baixos e permaneceram sob o domínio espanhol até ao início do século XVIII, quando Filipe V, neto de Luís XIV da França, ascendeu ao trono espanhol. Na Guerra da Sucessão de Espanha, entre 1701 e 1714, os territórios espanhóis nos Países Baixos, incluindo a Bélgica, foram cedidos aos Habsburgos austríacos.
Depois das guerras napoleónicas e de uma breve anexação por parte da França, a Bélgica foi reunida aos Países Baixos, formando um único país dominado pela Casa de Orange. Em 1830, os belgas revoltaram-se contra o domínio holandês e, um ano depois, a Bélgica conquistou a independência. O príncipe Leopoldo subiu ao trono e tornou-se como o rei Leopoldo I. Durante o reinado de Leopoldo II, entre 1865 e 1909, o país foi atingido pela rivalidade entre a França e a Alemanha, mas manteve-se neutro durante a Guerra Franco-Alemã, entre 1870 e 1871. O reinado de Alberto I, entre 1909 e 1934, ficou caracterizado pela agitação social que resultou numa greve geral em 1913.
Quando a Primeira Guerra Mundial começou, as tropas alemãs ocuparam Liège, Namur e Bruxelas. O Tratado de Versalhes aboliu o estatuto de neutralidade da Bélgica e, em 1920, o país assinou um tratado de defesa com a França. Dez anos mais tarde, o Parlamento belga transformou o país em duas regiões linguísticas com administrações diferentes. Em 1934, Leopoldo III tornou-se rei e tentou reafirmar a neutralidade da Bélgica, mas não foi bem sucedido. Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas alemãs ocuparam o país. Surgiu imediatamente um movimento de resistência que actuou durante os quatro anos da ocupação nazi. Depois da guerra, em 1950, Leopoldo abdicou do trono a favor do filho Balduíno I. A partir da década de 1960, os antagonismos entre as duas regiões linguísticas aumentaram e terminaram, em 1970, com o estabelecimento da autonomia cultural de ambas as regiões. Em 1993 a Bélgica tornou-se num estado federal, composto por três regiões autónomas, Flandres, Wallonia e Bruxelas. Nesse ano, o rei Balduíno morreu e sucedeu-lhe o irmão Alberto II.
Fonte: www.infopedia.pt
Como é a Bélgica que me espera? Essa pergunta me fiz antes de embarcar para esse pequeno país no último fim-de-semana. De fato, descobri que eu conhecia muito pouco sobre a Bélgica, até visitá-lo.
Primeiro, não existe um idioma belga. As pessoas falam dois idiomas: na metade norte do país, o holandês (mais puro que o da Holanda, sem misturas com o inglês); e na metade sul, o francês. A explicação está em que o país abriga duas comunidades de origens diferentes, a flamenga (ao norte) e a vala (ao sul).
Segundo, a Bélgica é reconhecida como sendo o verdadeiro país das batatinhas fritas (e não a Holanda, nem a França). Também é o país da cerveja (dizem haver um tipo diferente para cada dia do ano), como também do chocolate (mais forte e amargo do que o suíço).
A Bélgica é um país que parece ser formado por uma mistura de outros países e culturas, principalmente da Holanda, França e Alemanha. Em área, é um pouco menor do que a Holanda; é também menos populoso, tendo em torno de 10 milhões de habitantes, enquanto que a Holanda tem 16. A arquitetura belga recebeu muita influência da Holanda, mas é mais diversificada. Os prédios antigos são estreitos e retangulares, com grandes janelas, como na Holanda. Tem, também, muitas igrejas e prédios, muitos deles públicos, em estilo romano e gótico. Encontram-se, ainda, alguns prédios em estilo clássico, com grande colunas, como a Bolsa de Valores de Bruxelas.
No período entre os séculos XVI e XVIII, a Bélgica pertenceu ao Império Espanhol. Em 1815, o país foi anexado à Holanda; 16 anos depois, em 1831, tornou-se independente. Atualmente, Bélgica, Holanda e Luxemburgo formam o Benelux, que constitui uma região sem barreiras alfandegárias.
Uma estranha peculiaridade do povo belga é a diferença entre a cultura do norte e do sul do país. A proximidade com outros países, assim como o clima e a trajetória histórica, influenciaram de forma diferente cada região (como também acontece e pode ser percebido no Brasil, com suas diferentes regiões e sub-regiões). Na metade norte da Bélgica, mais próxima da Holanda, a maioria das pessoas fala inglês, além de holandês e francês. Já na metade sul, mais próxima da França, eles gostam mesmo é do francês e não se interessam muito por outros idiomas, inclusive o holandês e inglês.
Nas escolas belgas, é obrigatório o ensino dos dois idiomas mais falados, francês e holandês, além de um terceiro, que pode ser inglês ou alemão. Percebe-se, assim, que os belgas constituem um povo bastante aberto ao mundo, e culto.
Mas nem todos são bilíngües. Há cerca de um ano atrás, aconteceu um acidente de trens porque os motoristas não conseguiram se comunicar pelos fones. Um deles falava somente holandês, e o outro, francês; não se entenderam e o resultado foi que os trens acabaram se chocando de frente, e sete pessoas foram mortas, além de muitos outros prejuízos.
Visitei três cidades na Bélgica: Bruxelas, Bruges e Gent.
Bruxelas é a capital da Bélgica; é também a cidade mais populosa do país; tem ares de cosmopolita, com muitos empreendimentos e prédios modernos. Há alguns anos, refletindo a predisposição do povo belga para a mudança, arrojo e abertura para a Europa e o mundo, Bruxelas assumiu o papel de Centro da União Européia.
Mesmo sendo uma cidade grande, Bruxelas carrega muito da história do país e da Europa nos seus prédios antigos, ainda que alguns estejam mal conservados. O melhor da sua arquitetura está no centro da cidade.
A Grandplace, ponto famoso da cidade, é uma espécie de praça circundada por prédios antigos, em estilo barroco. No século XII, era o centro político e econômico da cidade. Em 1695, a praça foi destruída e levou 4 anos para ser reconstruída, ficando novamente pronta em 1700. Hoje, alguns prédios servem de sedes do governo, de museus, hotéis e lojas. Realmente, a praça é surpreendente; e os prédios, maravilhosos. De noite, a praça ganha um clima muito especial com a iluminação dos prédios e o show de luzes. Também é comum ocorrerem apresentações culturais e shows de música, como pode ser visto por imagens seguintes. Durante a noite, o centro de Bruxelas é muito movimentado, com muitos turistas circulando. Existem variados bares, restaurantes, pubs e discotecas, para todos os gostos .
Uma curiosidade em Bruxelas é o Manneken Pis Fountain, que é uma pequena estátua de bronze com um menininho urinando, que data de 1619. Existem várias lendas a respeito da estátua, que até já virou ponto turístico importante. De qualquer forma, me lembrei de um boneco que existia no Brasil quando eu era criança, chamado Manequinho. Agora descobri o porquê do nome.
Outra beleza de Bruxelas é a Cathedrale Saint-Michel; foi iniciada em 1220, em estilo gótico. Os vitrais, do século XVI, são lindos. Para quem gosta de museus, no Parque do Cinqüentenário existe um museu sobre a história militar do país, outro museu sobre a história da arte belga, e mais outro de automóveis.
Esta cidade é famosa na Europa, em função de possuir um ar medieval. Todas as casas são em estilo europeu, assim como as “places”, comuns em toda Bélgica. As "places" são espécies de praças, mas sem jardins ou bancos, com prédios importantes em toda volta. São belíssimos os prédios da prefeitura, que data de 1420; e da St,Saviour’s Cathedral, do século XII. Bruges é circundada por um canal que servia de proteção à cidade (na época, também chamada de "burgo") durante a Idade Média. No canal, na entrada para a cidade, ainda existem pórticos e moinhos bem antigos.
Bruges é uma cidade muito antiga, que data do século IX. Ela se tornou um dos centros comerciais da Europa a partir do século XI, graças ao seu acesso direto para o mar. Era famosa pela sua produção de tecidos, que eram exportados para toda Europa. Também foi abrigo do primeiro prédio para intercambiar mercadorias e dinheiro no mundo, na casa da família Van der Beurse, que constituía um clã na área mercantil. O nome Beurse deu origem a palavra "beurs", que em holandês significa comércio internacional e que foi incorporada por diferentes idiomas do mundo.
No século XV, as artes e atividades bancárias floresceram enormemente em Bruges, a partir da vinda dos Duques de Borgonha. A cidade virou morada para pintores famosos e nessa época foram construídas algumas de suas atrações, como o prédio da prefeitura, a Igreja Old Lady, o mausoléu de Maria de Borgonha, além de igrejas e prédios comerciais.
Com o passar do tempo e com os “vai-e-vens” da política, Bruges foi perdendo seu poder comercial. Enquanto isso, Antwerp (Antuérpia), cidade belga mais ao norte, que hoje é o segundo maior porto da Europa, vindo depois do de Rotterdam, foi ganhando ascendência como entreposto comercial. A perda foi tanta que, durante o século XIX, Bruges se tornou uma cidade pobre e atrasada; começou, então, a assumir outro papel, pela valorização da sua história, monumentos e cultura. Hoje, Bruges é conhecida em todo o mundo como um dos pólos turísticos da Europa. No corrente ano, a cidade constitui a capital da cultura européia e sede de muitas atrações.
Nesta cidade, situa-se uma da principais universidades da Bélgica. É menos turística, mas também possui excepcionais pontos turísticos de valor; pessoalmente, acho que não perde em nada para Bruges. Igrejas, "places", canais, antigas casas da época medieval e até um castelo, chamado Het Gravensteen (The Castle of Counts!), que foi construído por Philip, da Alsácia, em 1180. Situa-se no centro da cidade, e é possível visitar seu interior (estudantes têm desconto), conhecer seus cômodos, celeiros e fortes. É muito legal. Dentro do castelo, existe uma exposição de armas medievais, com armaduras, espadas (gigantes!) e espingardas. É incrível como eles eram caprichosos, as armas eram repletas de detalhes. Também existe uma exposição da tortura, onde se pode conhecer os objetos que eles usavam para torturar os criminosos e prisioneiros. A catedral Sint Baafskathedraal vale a pena ser visitada. Além de muito bonita por fora, contendo uma mistura de estilo gótico com romanesco, o seu interior é repleto de pinturas e peças antigas. O orgão de música data de 1653; e o púlpito, de 1741.
Fonte: www.cronicas-da-lilian.com.br