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A Arte da Capoeira

Camille Adorno

QUEIXADA Aqui o capoeira se posiciona defronte ao adversário, dá um passo lateral e em seguida, numa torção do tronco, arremessa a perna da frente, desferindo um movimento semicircular à altura da cabeça do adversário.

O golpe prossegue até a descida da perna até o solo.

ARMADA

O capoeira executa um giro de todo o corpo, aparentemente dando as costas ao adversário, posicionando-se sobre a perna que se encontra à frente, arremessando a outra perna, em um movimento que completa o giro do corpo, tendo como objetivo a cabeça do oponente.

MEIA-LUA DE COMPASSO Neste movimento o capoeira se abaixa até o solo, apoiando as duas mãos ao solo e desferindo um giro com a perna de trás, arremessando-a à altura do tronco do adversário. O giro é executado sobre a perna base, como se fosse um compasso. Durante todo o movimento a cabeça se encontra entre os braços, os olhos atentos ao adversário.

No treinamento básico, é útil a execução em seguida à resistência, exigindo um maior controle da meia-lua e mantendo o corpo bem próximo ao solo durante toda a movimentação.

Ao treinar contra-ataques à meia-lua, um movimento pouco convencional, porém de certa utilidade, é o de puxar a perna de apoio de quem arremessa o golpe, com a mão, provocando a interrupção e queda do capoeira.

CHAPA LATERAL Este movimento é executado de forma semelhante à Bênção. A perna é puxada pelo capoeira (joelho flexionado) e distendida em um gesto súbito, procurando atingir o oponente com a parte inferior do pé.

CHAPA DE COSTAS

Neste movimento o capoeira se abaixa até o solo, numa posição próxima à da meia lua de compasso, quando então desfere um golpe idêntico à chapa lateral, agora contando com o apoio das duas mãos ao solo e se aproveitando do fato de estar de costas para o adversário.

CHAPA-PÉ RODADO Ao executar este chute o capoeira faz um giro de todo o corpo sobre uma perna base que se encontra à frente, dando as costas ao adversário. Neste momento, aproveitando o impulso do movimento de rotação do corpo, desfere vigoroso chute na posição da chapa lateral, em direção ao tronco do adversário.

TESOURA DE COSTAS Na tesoura o capoeira parte de um aú ou de posição idêntica àquela inicial da meia-lua de compasso. Em um rápido salto, deve buscar prender entre suas pernas as do adversário, mantendo a frente do corpo para o solo, apoiando-se sobre as mãos.

Em seguida, encaixado o movimento, um dos braços é levantado do solo para fazer um gesto no sentido de rotação do tronco, servindo o outro como base para o corpo ser girado de lado, tesourando a base de apoio do adversário e arremessando-o ao solo.

PONTE

Movimento usado como fuga de um ataque, onde o capoeira - saindo de uma posição igual à da resistência - executa uma curvatura do tronco e coluna, apoiando as mãos ao solo, para levantar-se com o apoio dos braços.

COICE Como se percebe pelo nome, o coice é um movimento onde o capoeira se apoia sobre os braços e desfere um potente chute duplo.

As pernas são encolhidas e depois arremessadas contra o adversário.

RABO DE ARRAIA No rabo de arraia o capoeira se aproxima do adversário e se atira ao solo, apoiado às mãos, lançando um dos pés em direção ao rosto do oponente, enquanto a outra perna dá equilíbrio ao movimento.

VÔO DO MORCEGO

Na execução deste movimento o capoeira pula em direção ao adversário, com as pernas e braços encolhidos. No ar, as pernas são distendidas e os pés empurrados com força contra o oponente. Ao cair no solo, o capoeira amortece a queda com as mãos.

PARAFUSO O capoeira executa um giro em tudo semelhante ao da armada. Quando a perna começa a efetuar o semicírculo, o capoeira dá um salto e desfere um pontapé lateral com a outra perna, girando no ar, graças ao impulso obtido durante toda a movimentação.

MEIA-LUA SOLTA

Na execução do giro, o calcanhar da perna que descreve a meia-lua procura passar à altura da cabeça do oponente.

Neste movimento o capoeira faz um giro de tronco, preparando-se para executar a meia-lua solta. Em seguida arremessa o corpo num giro sobre uma perna flexionada, no ar, como se fizesse uma meia-lua de compasso acima do chão.

VARIAÇÕES DO AÚ Em geral os movimentos da Capoeira são executados pelo jogador de forma pessoal, cada um acrescentando características que os tornem mais adequados a um momento particular do jogo. O aú é um dos movimentos que já tem consagrado o uso da maior quantidade de variantes. Temos assim o aú aberto, o aú fechado, o aú com martelo, em que o capoeira na posição do aú desfere um pontapé no adversário, o aú com rolê, quando o capoeira conclui o movimento na posição de negativa, aú compasso, executado sobre uma das mãos, procurando cair com uma perna esticada atingindo o oponente com o calcanhar, aú com queda de rins e aú camaleão.

A CAPOEIRA NO SÉCULO XX

Não é karatê e não é kung-fu maculelê, maracatu...’

A Capoeira permaneceu na ilegalidade até os anos 30 e 40 deste século, quando foram abertas em Salvador, Bahia, as primeiras “academias” com licença oficial para o ensino da capoeira como uma prática esportiva.

Neste empreendimento destacaram-se dois mestres baianos negros e originários das camadas pobres da cidade, Bimba e Pastinha, considerados pelos capoeiras atuais como os “heróis culturais” desta luta.

Para viabilizar seu projeto regional e étnico, estabeleceram duas estratégias diferentes.

O criador da capoeira Regional Baiana, mestre Bimba, não viu nenhum inconveniente em “mestiçar” essa luta, incorporando à mesma movimentos de lutas ocidentais e orientais (tais como box, catch, savate, jiu-jitsu e luta greco-romana).

Por outro lado, o mestre Pastinha, outro nome famoso da capoeira baiana, contemporâneo de Bimba e igualmente empenhado na legitimação da prática do jogo, reagindo àquela “mestiçagem” da capoeira, afirmou a “pureza africana” da lute, difundindo o estilo da capoeira Angola e procurando distingui-lo da Regional.

Diferentemente do século XIX, quando a prática da Capoeira, tolerada como contravenção ou criminalizada, empurrava os negros pare fora da sociedade brasileira, com a capoeira esporte os negros foram absorvidos: estão do lado de dentro, “no jogo”.

Bimba e Pastinha serviram-se de táticas distintas, defendendo maneiras diferentes de inserção social. Suas escolas propuseram por intermédio da Capoeira, estratégias simbólicas e políticas diferenciadas que visavam, em última instancia, ampliar o espaço político dos negros na sociedade brasileira, indicando dois caminhos possíveis. De um lado foi organizado o estilo Regional, que embora incorpore elementos de lutas ocidentais, guarda elementos que reafirmam a identidade étnica negra nas músicas, nos toques do berimbau e nos próprios movimentos que, conforme depoimento de mestre Bimba, são provenientes também do batuque e do maculelê.

A Capoeira Regional coloca em contato sistemas de valores distintos e, portanto, construções corporais distintas (movimentos corporais de brancos e negros), operando uma mediação, criando um campo simbólico ambíguo e ambivalente.

Sob esse aspecto a Capoeira Regional oferece uma afirmação de identidade mais ampla que a da Capoeira Angola afirmando a presença do negro enquanto parte da sociedade brasileira e, finalmente, enquanto símbolo da nação como um todo. A Regional admite por exemplo, a incorporação de elementos de outras formas de luta e novos conceitos quanto à maximização dos efeitos dos golpes; e permite a construção de uma nova presença negra no cenário nacional. Um preço foi pago por isso, no plano político: renunciar à afirmação de uma diferença na identidade negra.

A Capoeira que se quer pura, representada pelo estilo Angola é uma forma inequívoca de afirmação da identidade étnica: em sua própria designação os praticantes reafirmam sua origem e ao conservar a pureza da construção corporal negra, demarcam uma forma culturalmente distinta de jogar capoeira. Os defensores da Capoeira Angola consideram que existindo como resistência no momento de inclusão do negro na sociedade brasileira, ela só é revalorizada como reafirmação dessa mesma resistência em função da recuperação de uma identidade negra específica, no bojo da construção política de uma consciência negra. A construção dessa identidade é possível a partir de uma postura conservadora, que reinventa a tradição e só se mantém com a recuperação simultânea dos outros elementos que, no plano simbólico, organizam essa visão de mundo negra. Exemplo disso é a afirmação da origem africana da capoeira a partir do ritual de iniciação denominado dança da zebra ou N’Golo.

A oposição Capoeira Angola versus Capoeira Regional é matizada: o estilo Regional preserva as características ambíguas e mantém elementos que assinalam as fronteiras culturais e étnicas dos negros, mesmo com a incorporação de movimentos corporais de lutas brancas.

A prática da Capoeira Angola não é tão somente voltar ao passado, mas buscar na Capoeira uma visão do mundo que questionou, desde o princípio, diversos conceitos e padrões da cultura ocidental. Afinal, quando surgiu a Regional, já existia uma tradição consolidada na Capoeira, principalmente nas rodas de rua do Rio de Janeiro e da Bahia Depoimentos obtidos junto aos velhos mestres de Capoeira da Bahia lembram personagens importantíssimos na história da luta no século XX, tais como Traíra, Cobrinha Verde, Onça Preta, Pivô, Nagé, Samuel Preto, Geraldo Chapeleiro, Daniel Noronha, Totonho de Maré, Juvenal, Canário Pardo, Aberrê, Livino, Bilusca, Cabelo Bom e outros. Inúmeras cantigas lembram os nomes e as proezas destes capoeiras, mantendo-os vivos na memória coletiva da Capoeira.

Destacou-se entre os que defendiam a escola tradicional o mestre Waldemar, do bairro da Liberdade, em Salvador, falecido em 1990. Desde 1940 conduzindo a roda de Capoeira que viria a ser o mais importante ponto de encontro dos capoeiras da capital bahiana, infelizmente mestre Waldemar não teve na velhice o reconhecimento que merecia. Não foram muitos os capoeiras mais jovens que tiveram a honra de conhecê-lo e ouvi-lo contar suas histórias. Lamentavelmente, morreu na pobreza, como os mestres Pastinha, Bimba e muitos outros.

Alguns mestres-capoeiras, antigos freqüentadores das famosas rodas de Capoeira tradicional de Salvador, apesar da idade avançada ainda dão sua contribuição ao desenvolvimento do jogo, ministrando cursos, palestras e mesmo ensinando regularmente em instituições no Brasil e em outros países.

Com a boa aceitação obtida pela escola de mestre Bimba, dividiu-se o universo da Capoeira em tendências divergentes: alguns se voltaram para a preservação das tradições e outros procuraram desenvolver um estilo mais direcionado para o combate, à feição das lutas marciais. Conforme ensinam os velhos mestres da Capoeira baiana, a expressão 'Capoeira Angola' ou 'Capoeira de Angola' somente surgiu após a criação da 'Regional', com o objetivo de estabelecer-se uma designação diferente entre esta e a Capoeira tradicional, já amplamente difundida. Até então não se fazia necessária a diferenciação e o jogo se chamava simplesmente Capoeira.

Se o trabalho desenvolvido por mestre Bimba mudou os rumos da Capoeira, muitos capoeiras se preocuparam em mostrar que a Angola não precisaria sofrer modificações, pois já continha elementos para uma eficaz defesa pessoal. A cisão ficou mais intensa, levando a uma autêntica polarização, a partir da fundação, em 1941, do Centro Esportivo de Capoeira Angola, em Salvador, sob a liderança do mestre Pastinha, reconhecido como o mais importante representante dessa escola.

A ampla expansão da Regional, principalmente como uma modalidade de luta, contribuiu para difundir a falsa idéia de que a Angola não dispunha de recursos para o enfrentamento, afirmando-se ainda que as antigas rodas de Capoeira, anteriores a mestre Bimba, não apresentavam situações reais de com ate. Entretanto, os velhos mestres fazem questão de dizer que estes ocorriam de uma forma diferente da atual, em que os jogadores se valiam mais da agilidade e da malícia, da mandinga, do que da força propriamente dita.

No seu livro Capoeira Angola, mestre Pastinha afirma que "sem dúvida, a Capoeira Angola se assemelha a uma graciosa dança onde a ginga maliciosa mostra a extraordinária flexibilidade dos capoeiras. Mas, Capoeira Angola é, antes de tudo, luta e luta violenta".

Prática comum no cotidiano das primeiras décadas do século XX, a Capoeira não exigia de seus praticantes nenhuma indumentária especial. O capoeira entrava no jogo calçado com a roupa do dia-a-dia. Nas rodas mais tradicionais, aos domingos, alguns dos capoeiras mais destacados faziam questão de se apresentar trajando refinados ternos de linho branco, como era comum até meados desse século.

O ensino da antiga Capoeira Angola ocorria de forma espontânea. Os mais novos aprendiam com os mais experimentados, diretamente, com a participação na roda. O aprendizado informal nas ruas e praças das cidades brasileiras predominou até 1960.

Expressivo número de capoeiras se refere atualmente à Angola como uma das formas de jogo, não propriamente como um estilo metodizado de Capoeira.

Lembramos, como já foi dito neste livro, que a velocidade e outras características do jogo da Capoeira estão diretamente relacionados com o tipo de 'toque' executado pelo berimbau. Entre outros, existe aquele denominado toque de Angola, que tem a característica de ser lento e compassado. Jogar Angola consiste, na maioria dos casos, em jogar Capoeira ao som do toque de Angola.

A compreensão do autêntico significado da Capoeira Angola vem mudando com o enorme trabalho das escolas tradicionais, que realizam um sério e valioso trabalho de divulgação e difusão dos fundamentos dessa modalidade.

No meio da Capoeira, durante décadas os discípulos de mestre Bimba e de mestre Pastinha alimentaram divergências. A Angola, desvalorizada durante as décadas de 60 e 70, momento do auge da Regional - que procurava conquistar o mercado então aberto às chamadas artes marciais - seria, ao longo da década de 80 e desde o início dos anos 90, revalorizada como depositária da tradição, no bojo da valorização da negritude e do crescimento da consciência negra.

A grande parte das academias, escolas e associações de Capoeira dedicam algum tempo ao jogo de Angola quando realizam suas rodas, que nem sempre corresponde àquilo que os antigos capoeiristas denominavam Capoeira Angola. E o jogo acaba resumindo-se à constante utilização das mãos como apoio no chão e execução de movimentos de pouca eficiência combativa, golpes mais baixos e lentos, realizados visando maior efeito estético com a exploração do equilíbrio e da flexibilidade do capoeira.

Evidentemente, seria tarefa dificílima reproduzir detalhadamente antigas movimentações e rituais da Capoeira. Afinal, como qualquer manifestação dinâmica, o jogo tem sofrido modificações ao longo de sua história. O esforço dos capoeiras dedicados ao ensino da arte que viveram uma intensa preocupação de recuperar o saber ancestral da Capoeira, mediante o contato com os velhos mestres, demonstra uma saudável preocupação com a preservação das suas raízes históricas, recuperando informações junto aos antigos capoeiras, que vivenciaram inúmeras situações interessantes, acumulando experiência valiosa ao longo de muitos anos de prática e ensino.

Graças a essa proveitoso intercâmbio podem ser encontradas na maioria dos capoeiras algumas das mais relevantes características da Angola, como a continuidade do jogo, quando os jogadores procuram explorar ao máximo a movimentação evitando interrupções na dinâmica do jogo; as esquivas, fundamentais na Angola, em que o capoeira evita ao máximo o bloqueio dos movimentos do adversário, procurando trabalhar dentro dos golpes, aproveitando-se dos desequilíbrios e falhas na guarda do outro; a improvisação, típica dos jogadores de capoeira ambientados nas "rodas de rua" e que pela experiência diante de situações de enfrentamento real sabem que os golpes e outras técnicas treinadas no dia-a-dia são um ponto de partida para a luta, mas precisam ser moldadas rápida e criativamente à situação de momento.

A maioria das escolas não adotam a denominação de Angola ou Regional para a Capoeira que ensinam. E entre as que se identificam como Regional, poucas demonstram relação direta com o trabalho de mestre Bimba: na imensa maioria, os mestres afirmam jogar e ensinar uma forma mista, conciliando elementos tradicionais com as inovações introduzidas por mestre Bimba.

Os fundamentos da luta tradicional ensinados às novas gerações pelos velhos mestres da Bahia, como Waldemar, Caiçara, Canjiquinha, João Grande, João Pequeno, Paulo dos Anjos, Ferreirinha e Curió, entre outros, contribuíram decisivamente para o avanço na organização dos grupos e na retomada das antigas tradições.

Nas últimas décadas do século XX a tendência constatada na grande maioria das escolas foi de que a Capoeira incorpore as características das duas escolas. Importante, portanto, que os capoeiras conheçam a sua história, praticando sua luta de forma consciente. Angola e Regional possuem valioso conteúdo histórico e não se excluem: completam-se

Indiscutivelmente, o jogo da Capoeira é uma das mais significativas contribuições dos africanos e seus descendentes para a formação da nossa identidade cultural, inserindo-se na nossa história e preservando a lembrança das lutas sociais que forjaram a cidadania brasileira. Promover o resgate das tradições da Capoeira significa recuperar a consciência da identidade brasileira. Divulgando essa belíssima linguagem corporal estamos expressando a voz de uma nacionalidade construída na luta de resistência à dominação cultural. Lutar pela recuperação da memória brasileira é lembrando dos heróis saídos do seio do povo. Não nos esqueçamos do exemplo recente de Pastinha, Bimba, Querido de Deus, Besouro e tantos dos nossos irmãos que corporificam a cultura brasileira.

A ação desses mestres permitiu a preservação da Capoeira enquanto luta e arte, jogo e dança, aspectos essenciais numa manifestação cultural cujo valor depende dessa complexa dubiedade. Vale ressaltar a importância do trabalho desenvolvido pelos mestres e capoeiras espalhados por todo o mundo, que têm desenvolvido esforços proveitosos pela continuidade dessa luta, única e original.

A sobrevivência da Capoeira estará assegurada pela ação dos inúmeros praticantes que compreendam a importância dessa forma exclusiva e magnífica de expressão corporal, cultivando a graça e leveza dos movimentos, as possibilidades técnicas e plásticas de traduzir fisicamente elasticidade, flexibilidade e controle. Tudo isso temperado com muita malícia. E o que é mais importante, sem esquecer a finalidade da luta: a liberdade - que resume o objetivo a ser alcançado e o caminho a percorrer.

Fortalecido pelas tradições ricas em caracteres e componentes, os negros construíram a unidade da sua resistência em torno dos seus valores, determinando assim as ações da sua resistência social e cultural. Mesmo assumindo uma língua que não era a deles, adotando uma forma de comunicação totalmente estranha aos seus costumes - a escrita -, o negro preservou no corpo a memória da sua identidade. Essa memória corporal constitui-se na fonte de saber, no banco de dados que dá suporte à memória dos usos, costumes e tradições. tem na Capoeira o mais importante discurso de liberdade e autonomia memorizado no corpo. E é a partir dessa significativa interferência não-verbal que os negros participaram da definição da nossa cultura: sentindo na pele a emergência dos problemas políticos e sociais, resgataram da sua memória corporal a luta de resistência da Capoeira.

O jogo da capoeira é um dos caminhos para a grande aventura da redescoberta: a construção da cidadania brasileira Por que não tentar?

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Fonte: vbookstore.uol.com.br

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