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Família Composta

(Domingos Pellegrini)

A livros da mesma forma que a Constituição Federal nos garante o direito à educação. Por isso, em 2003, o governo criou o Programa Brasil Alfabetizado, para garantir, aos jovens e adultos que nunca tiveram esse direito, a oportunidade de aprender a ler, escrever e fazer as operações matemáticas básicas.

Acima de tudo, o Ministério foi motivado por acreditar que o acesso ao livro e a criação do hábito de leitura são essenciais para fortalecer a nossa cidadania e também como alicerce para outras aprendizagens. A leitura nos permite entender melhor o mundo a nossa volta e conhecer melhor também quem somos nós. Por meio da leitura, ganhamos acesso a outras informações e novos conhecimentos.

A Coleção Literatura para Todos visa, assim, oferecer um conjunto de livros, produzido com muito carinho e zelo, que proporcionará a vocês leitores um grande prazer – o prazer de ler, de viajar, de criar e de fazer parte de uma nova comunidade: a de leitores. Pelo menos, é assim que esperamos. Brasil, país de todos – Brasil, comunidade de leitores! Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade Ministério da Educação

Prefácio

Família composta é um livro que fala um pouco da nossa vida e a das pessoas que nós conhecemos. Um texto que trata de afetividade, problemas de relacionamento, família, amor, valores sociais, poesia, meios de comunicação, enfim, coisas do dia-a-dia dos brasileiros.

Existem diferentes maneiras de escrever um texto. Este livro, Família composta, pertence ao que nós chamamos de dramaturgia, ou seja, um texto que pode ser lido e ao mesmo tempo encenado no teatro ou transformado em filme. O leitor vai observar desde o início que ninguém conta nada sobre as personagens, não há um narrador. Das cinco personagens, quatro – pai, filha, poeta e mãe – dialogam entre si e mostram o que são, sentem e querem diretamente ao leitor. Já a fala do homem da tevê está mais próxima do monólogo, uma maneira crítica que o autor encontrou para refletir sobre a vida moderna e suas transformações.

Nesse tipo de texto há um recurso que é fundamental: o uso das rubricas, as indicações que aparecem entre parênteses e definem o comportamento das personagens, estados de espírito e dicas de cenário.

Outra característica de Família composta é a utilização de elementos da comédia de costumes lado a lado com os da dramaturgia de vanguarda, misturando o diálogo do cotidiano familiar com a linguagem empregada pelos meios de comunicação, em particular a televisão.

A trama deste livro é muito bem costurada.

O autor constrói, a partir de duas situações dramáticas, a maternidade da filha e a separação do pai, uma história cotidiana e familiar com muita sensibilidade, crítica e humor.

Destaque para a entrada em cena do poeta e da mãe, personagens que mudam o rumo dos fatos. Em relação ao homem da tevê, bem, fica para os comentários de vocês, leitores. Aproveitem! Boa leitura porque o livro vale a pena.

Personagens

Pai Filha Poeta Homem da tevê Mãe Ratinho Sombra

PAI ESTÁ NA SALA, EMBALANDO NENÊ (BONECO ENROLADO EM PANOS QUE NÃO PRECISA APARECER PARA O PÚBLICO) NOS BRAÇOS, E FALA ALTO PARA FILHA QUE SE ARRUMA E SE MAQUIA EM OUTRO APOSENTO.

PAI: Eu já te falei que se este nenê urinar em mim mais uma vez, eu deixo ali no sofá e não quero nem saber! E você nem me apareça arrumadinha e pintadinha, prontinha pra sair, que só se for levando o filho que você pariu; quem pariu que embale! (BAIXO, EMBALANDO O NENÊ E SORRINDO): Mas nem precisa embalar, que você dorme tão fácil, né, meninão lindo, minha mãe dizia que eu também era um nenê tão dorminhoco que um dia ela me levou na roça, pra ajudar meu pai a colher café, e eu fiquei tão quietinho no cesto que esqueceram de mim, voltaram pra casa e me deixaram lá! (GRITANDO PARA A FILHA): E o jogo vai começar, o jogo vai começar, faça-me o favor!!

FILHA: Ai, pai, pára de fazer drama, de tudo você faz drama!

PAI: Ah, é? Que nem quando você saía pra festinha e eu te avisava, “olha, cuidado com essa rapaziada, que homem é tudo semvergonha, cuidado”, e você dizia que eu fazia drama e que a vida é mais comédia que drama, mas agora, olha só se eu não estava certo, eu aqui com o resultado da comédia e não é nada engraçado, não, e até fede, de vez em quando enche a fralda e eu tenho de trocar que a mãe tá batendo perna atrás de emprego! (BAIXINHO AO NENÊ): Né, seu cagão, enche a fralda, né, mas o vô limpa legal, né?

FILHA: Ah, pai, você devia agradecer por ter um neto lindo, isso sim, agradecer em vez de reclamar! Você não dizia que eu era uma avoada, que só pensava em festa e diversão, mas hoje, veja só, eu amadureci com esse nenê, procuro emprego e ainda vou cuidar de você na velhice! Vou comprar guardanapo de pacote pra limpar sua baba, pai, pode confiar! E, se um dia você ficar que não puder nem limpar depois de fazer cocô, eu vou limpar você, te prometo, pode confiar, você vai ter de troco tudo que está fazendo por meu filho, ou melhor, seu neto, né...

PAI: Muito engraçadinha... Mas vê se anda logo que eu quero ver o jogo, já falei, eu deixo esse guri no chão e vou ver meu jogo! (AO NENÊ): Mentirinha, viu, meninão?! (À FILHA): E não precisa se preocupar com minha velhice que eu não fumo nem bebo, viu, que nem o pai do teu filho que te deixou na mão com a barriga cheia, eu não bebo nem fumo, não vou ter derrame pra ficar babando, viu?! Muito menos vou ficar sem poder me limpar depois de fazer cocô!

FILHA: Não sei, foi você mesmo que me ensinou a nunca dizer “desta água não beberei”, ou melhor, “desta sujeira não me sujarei”, né...

PAI: Para de brincadeirinha que eu não estou brincando, vem logo que vai começar o jogo, e eu não consigo ver jogo com este nenê no colo!

FILHA (PASSANDO PARA A SALA): Você não consegue é tomar cerveja com o nenê no colo, né pai, porque precisa ir pra geladeira a cada cinco minutos! E depois diz que não bebe...

PAI: Duas latinhas no primeiro tempo, mais duas no segundo tempo, isso não é beber, é hidratar!... E peraí, onde é que você pensa que vai toda produzida assim?! Parece uma árvore de natal de tanto brilho! Eu já falei que...

FILHA: Acalme-se, não vou sair não, pai, vamos receber uma visita.

PAI: Na hora do jogo?! Ah, não, você me avisasse antes! Esse jogo é decisivo e... Antes de tudo, toma teu filho! (PASSA O NENÊ PARA ELA, QUE O DEIXA NO BERÇO) Quando é pra me dar o nenê, você diz que ele detesta ficar no berço. Quando te dou, você bota no berço! FILHA: Ele tá dormindo, você já podia ter deixado no berço. Eu acho é que você gosta de embalar ele, pai... Embala, embala, aí ele dorme, depois fica acordando de noite pra me infernizar.

PAI: Ah, claro, eu sou o culpado de tudo.

FILHA (DANDO-LHE UM BEIJO NA BOCHECHA): Não, você é o melhor pai do mundo e o melhor avô do mundo também, pelo menos para mim e para o meu filho.

PAI: Não me venha com conversa doce, não, que alguma coisa você tá armando, te conheço! Quem é essa tal visita?!

PAI LIGA A TEVÊ (O HOMEM DA TEVÊ APARECE EM VÍDEO GRAVADO, QUE CONGELARÁ E VOLTARÁ SEMPRE QUE O PAI ACIONAR O CONTROLE REMOTO).

HOMEM DA TEVÊ: Na Alemanha, um agricultor processou o governo porque o caminhão do correio passa em frente a seu estábulo, buzinando para alertar os moradores da aldeia de que a correspondência está chegando à agência postal. O agricultor alega que a buzina afeta a produtividade de leite das vacas! E não perca no próximo bloco: continua aumentando o número de mães adolescentes, um novo fenômeno social que desafia pais e educadores! Os últimos dados revelam que...

PAI (AO HOMEM DA TEVÊ): É, eu sei, eu sei! (DESLIGA A TEVÊ) Ainda não acabou o noticiário, mas já já começa o jogo, então você leva essa tua visita lá pra cozinha e...

TOCA A CAMPAINHA. PAI OLHA PELA JANELA.

PAI: Mas... mas é o filho duma égua daquele poetinha de meia tigela que te engravidou! Cadê o pau do pilão?

FILHA: Pai, escuta, pai! PAI (PEGA PAU DO PILÃO): Esse pilão é tudo que tua avó me deixou, e nunca usei, mas agora ao menos o pau do pilão eu vou usar! Vamos ver se sai muita poesia ou o que sai daquela cabeça! (INDO PARA A PORTA, É DETIDO PELA FILHA).

FILHA: Pai, ele vai me pedir em casamento! PAI: O que?! FILHA: Ele vai me pedir em casamento pai, e reconhecer nosso filho! PAI: E vai morar aqui?! E eu vou sustentar mais um?! Porque aquele traste não tem um gato pra puxar pelo rabo e mora num quartinho da casa da mãe com mais sete irmãos! Se você acha que eu vou sustentar mais um, pra viver aqui encostado que nem cipó em peroba, ah, não vou não! Eu jogo no meio da rua e soco que nem minha mãe socava paçoca no pilão! FILHA: Pai, pelo amor de Deus, se quer a minha felicidade, escuta ele, pai! PAI: Escutar ele? Eu escutei bem quando fui falar pra ele que você estava grávida dele e perguntar o que ele ia fazer, e ele me falou “pois é, eu acho que o que tinha de ser feito já tá feito, né”... Eu esgano o desgraçado se abrir a boca pra dizer que quer casar com você pra virar morar aqui! FILHA: Pai, alguma vez eu te menti?! PAI: Não, só me escondeu a verdade! TOCA A CAMPAINHA.

PAI (GRITANDO PARA FORA): Já vai, filho duma égua, tá com pressa por quê? Muita poesia urgente pra fazer?! FILHA: Pai, nunca te menti e garanto que ele não vem te pedir pra morar aqui! Então te peço que atenda, pai, com o mesmo respeito com que você atende mendigo e catador de lata. Será que o pai do teu neto não merece ao menos um mínimo de respeito? PAI: Ah, sim, eu tenho de respeitar quem encheu o bucho da minha filha, me botou um neto no colo e não quis nem saber de fazer nada porque tudo “já estava feito”, que beleza, pra rei dos trouxas só me falta a coroa, né? Será que ele tá me trazendo a coroa? Será que é de prata, de lata ou de cocô de barata?!

PAI: Pai, pelo amor de Deus, pela memória da mamãe...! TOCA A CAMPAINHA. PAI RESPIRA FUNDO, LARGA O PAU DO PILÃO E VAI PARA A PORTA.

PAI: Filho duma égua sarnenta... (RESPIRA FUNDO, ABRE A PORTA SORRINDO FORÇADO) Boa noite...

POETA: Boa noite, querido sogro! A vida imita a arte quando nos dá um malogro, mas também, por outra parte, é como uma viagem com a graça inesperada de poética paisagem depois da curva da estrada! PAI: Poética paisagem... Cadê o pau do pilão?! FILHA: Pai! (AO POETA): Entra, entra, veja quem está ali no berço! POETA (ENTRA, OLHA O NENÊ NO BERÇO, DECLAMA ENQUANTO O PAI SE EXPRESSA POR CARETAS E CONTORSÕES):

Eis o sangue do meu sangue poema do meu desejo e fruto dos nossos beijos! Caro sogro, não se zangue se eu disser que se parece com meu pai, cantor famoso de cabarés e quermesses Ah, como fico orgulhoso...

PAI: Deixa eu ficar aqui perto do pilão... Cidadão, depois do que o senhor fez com minha filha, espero que se explique logo e...

POETA: Antes de tudo, deixemos bem claro que nada fiz: entre nós dois houve apenas o que sua filha quis! Primeiro fui seduzido por ela – Não é, mainha? – e depois fui convencido a transar sem camisinha! FILHA: É verdade, pai! PAI: Você... É verdade? Você é que quis ter um filho com ele?!

FILHA: É verdade, pai. Eu vi ele declamando numa festa, eu me apresentei, eu procurei ele depois, várias vezes, eu trouxe ele aqui em casa quando você estava trabalhando...

PAI: Você trouxe ele aqui em casa?! Vocês fizeram esse filho aqui? Só falta dizer que foi no meu colchão! POETA: Eu falei: meu bem, não vamos usar a cama do sogro pois vai que ele volta logo...

e, além disso, quem ama ama em qualquer lugar então que tal namorar ali no velho sofá? FILHA: Não, pai, eu queria um filho! Desde que a mãe morreu eu sinto que você sente a casa vazia, a vida vazia, eu via você morrendo dia a dia, pai, de tristeza, de desconsolo, e ouvindo o meu amor falar poesia eu vi a luz, eu vi que um neto ia iluminar a sua vida! PAI: Você está brincando? Só falta me dizer que eu estou em dívida com vocês, que eu preciso pagar a vocês por terem me dado um neto!

POETA: Fique tranqüilo, a mim o senhor nada deve, mas reconheça o quanto traz de alegria um neto assim! PAI: Você não pensou que podia ter um filho com alguém que não fosse um saco de rimas?! Você nem parou pra pensar que ele não tem um gato pra puxar pelo rabo e... Não, eu não quero saber, vocês façam o que quiserem, eu vou ver meu jogo que deve estar começando! Eu não entendo mais nada, eu sou do tempo do namoro, quando a gente começava pegando na mão, demorava um mês pra beijar, casava virgem e tinha filhos só depois de nove meses no mínimo! Hoje, não, ninguém namora mais, todo mundo só fica, né. Fica um dia com um, um dia com outro, então vocês fiquem como quiserem, que eu vou ver meu jogo, com licença! (LIGA A TEVÊ).

HOMEM DA TEVÊ: O IBGE divulga pesquisa revelando que a família composta tornouse maioria no país, ou seja, aquela família formada por pais já descasados e casados novamente, o casal morando com filhos de casamentos anteriores...

FILHA (DESLIGA A TEVÊ): Tá vendo, pai? Tudo mudou! PAI: E você também pode mudar na hora que quiser! É só pegar seu filho...

FILHA: Seu neto, pai! Seu sangue! POETA (AGACHADO AO LADO DO BERÇO): Sangue seu, sim, de fato dá para ver nas canelas tão finas, e pés tão chatos como os das suas chinelas! PAI (FALANDO PARA O PILÃO): Minha mãe, que tanta paçoca fez nesse pilão, me ilumina, me diga por que é que não pego esse pau e...

FILHA: Escuta, pai, a nossa proposta! PAI: Ah, eles têm uma proposta! E proposta rima com que?!... Eles têm uma proposta!...

FILHA: Escuta, pai, por favor, como a mãe dizia: escutar não custa nada, muito mais custa falar demais! PAI: Tô escutando, tô escutando, pode falar, senhor poeta, só não me peça pra aplaudir depois, né, como aplaudem o senhor aí nos botecos da vila e lhe pagam cerveja, não me peça aplauso não, viu, e se quiser tomar cerveja...

FILHA (AJOELHANDO): Escuta, pai, quer que eu implore? Eu imploro, escuta nossa proposta! PAI (LARGA O PAU DE PILÃO, SENTA): Vossa proposta...

Tô escutando.

POETA (PIGARREIA, OLHA O PAPEL QUE DEVOLVE AO BOLSO): Meu sogro, esta sociedade à poesia só dá valor se o poeta for ator e tiver notoriedade! Meus livros só venderei se for parado na rua por gente que diga “a tua cara já vi na tevê”! FILHA: Fala logo, amor, a proposta! PAI: E proposta rima com isso que o nenê faz toda hora...

POETA: É a era do espetáculo! E a telinha é o oráculo das massas, o rei é o Jô a Hebe é sacerdotisa o Sílvio é o santo maior e a poesia só dá camisa a quem na tela se expor! FILHA: Eu falo, pronto! Pai, a gente quer que você vá ao Programa do Ratinho junto com a gente! PAI: Eu?! No Programa do Ra-ti-nho?! Pra que?! FILHA: Pro teste de DNA, pai! PAI: Mas o filho não é meu, é dele!! O pé chato pode ser meu, mas o filho é dele, não é?! POETA: Não é só questão genética: é o teatro da ética da donzela e do vilão que pode virar mocinho se assumir o nenezinho ganhando a galera então! PAI: Pois boa sorte, podem ir! E já vai de mala e cuia, viu, filha? Leva o nenê, vão já, peçam lá pro Ratinho ser padrinho, que o menino decerto vai ganhar o nome do pai, né, então vão registrar de novo, né, podem fazer uma festa, com padrinhos e tudo, que nem você queria que eu fizesse, então agora façam, façam o que quiserem, que eu vou é ver meu jogo! (LIGA A TEVÊ) HOMEM DA TEVÊ: A ONU divulga relatório sobre o trabalho infantil, que vem diminuindo, mas ainda flagela centenas de milhões de crianças em todo o mundo, além de outras formas de exploração infantil! PAI (DESLIGANDO A TEVÊ E LEVANTANDO BRAVO): Taí, ó, exploração infantil! E querem saber duma coisa? Meu avô dizia que se o coador não côa, a dentadura tem que coar! Se os pais não cuidam, avô tem que cuidar! Última forma! Não vão levar o nenê coisa nenhuma, expor o meu neto ao vexame público, ainda mais no Programa do Ratinho, o coitadinho é até capaz de apanhar! FILHA: Pai, pára de prejulgar! Como dizia a mãe, você só prejulga e vive vendo tudo errado! PAI: E você pare de me jogar contra sua mãe que ela não está aqui pra te desmentir! Quem apela pros mortos tá sem rumo na vida! Eu não prejulgo nada, eu vejo com os olhos o que tá batendo na vista! FILHA: Então saiba, pai, que ninguém pensou em levar o nenê, queremos levar é o senhor! PAI: Eu?! E-u?! No Programa do Ratinho? No quadro do DNA do Programa do Ratinho, eee-uuu?!!!? POETA (QUE ANDOU FAZENDO CARETAS E CONTAS MÉTRICAS NOS DEDOS A VERSEJAR): Sogro, creia no poeta: a peça só é completa com todos os personagens! A donzela com seu filho o poeta com seu brilho o avô chato e ranheta e a avó cheia de coragem! PAI: Me belisca, pilão, que deve ser um pesadelo! Minha filha, você está pensando em levar sua mãe no Programa do Ratinho?! FILHA: Pai, você diz que ela morreu, mas você sabe que ela está muito viva! O Dalvo acha que assim vai funcionar melhor, pai, porque todo mundo vai lá e briga e xinga, aquela pancadaria toda, e nós podemos fazer diferente, a mãe dando a maior força e convencendo você de que...

PAI: Peraí, “a avó cheia de coragem” convencendo “o avô chato e ranheta” de que a família combosta, ou composta, é melhor, certo? E a sua mãe vai posar de bondosa e corajosa depois de ter me chifrado e me abandonado vergonhosamente enquanto eu viajava a trabalho!? POETA (CONSULTANDO ANOTAÇÕES): Meu sogro, esses adornos que a vida às vezes nos dá e que chamamos de cornos na verdade são medalhas que só vem valorizar quem assim tanto trabalha pois é trabalho chorar e sofrer por quem se ama! O público saberá reconhecer vossa alma compreensiva, e dará aquele aplauso que acalma a mais profunda amargura e terás enfim a cura que o teu coração reclama!

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