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Gênero Literário

Gêneros Literários

A LITERATURA É A ARTE QUE SE MANIFESTA PELA PALAVRA, SEJA ELA FALADA OU ESCRITA.

Quanto à forma, o texto pode apresentar-se em prosa ou verso.

Quanto ao conteúdo, estrutura, e segundo os clássicos, conforme a "maneira de imitação", podemos enquadrar as obras literárias em três gêneros:

Lírico: quando um "eu" nos passa uma emoção, um estado; centra-se no mundo interior do Poeta apresentando forte carga subjetiva. A subjetividade surge, assim, como característica marcante do lírico. O Poeta posiciona-se em face dos "mistérios da vida". A lírica já foi definida como a expressão da "primeira pessoa do singular do tempo presente".

Dramático: quando os "atores, num espaço especial, apresentam, por meio de palavras e gestos, um acontecimento". Retrata, fundamentalmente, os conflitos humanos.

Épico: quando temos uma narrativa de fundo histórico; são os feitos heróicos e os grandes ideais de um povo o tema das epopéias. O narrador mantém um distanciamento em relação aos acontecimentos (esse distanciamento é reforçado, naturalmente, pelo aspecto temporal: (os fatos narrados situam-se no passado).

Temos um Poeta-observador voltado, portanto, para o mundo exterior, tornando a narrativa objetiva. A objetividade é característica marcante do gênero épico.

A épica já foi definida como a poesia da "terceira pessoa do tempo passado".

Esta divisão tradicional em três gêneros literários originou-se na Grécia clássica, com Aristóteles, quando a poesia era a forma predominante de literatura. Por nos parecer mais didática, adotamos uma divisão em quatro gêneros literários, desmembrando do épico o gênero narrativo (ou, como querem alguns, a ficção), para enquadrar as narrativas em prosa.

Poderíamos reconhecer ainda o gênero didático, despido de ficção e não identificado com a arte literária; segundo Wolfang Kayser, "o didático costuma ser delimitado como gênero especial, que fica fora da verdadeira literatura".

Gênero Lírico

Seu nome vem de lira, instrumento musical que acompanhava os cantos dos gregos. Por muito tempo, até o final da Idade Média, as poesias eram cantadas; separando-se o texto do acompanhamento musical, a poesia passou a apresentar uma estrutura mais rica. A partir daí, a métrica (a medida de um verso, definida pelo número de sílabas poéticas), o ritmo das palavras, a divisão em estrofes, a rima, a combinação das palavras foram elementos cultivados com mais intensidade pelos poetas.

Mas, cuidado! O que foi dito acima não significa que poesia, para ser poesia, precise, necessariamente, apresentar rima, métrica, estrofe.

A poesia do Modernismo, por exemplo, desprezou esses conceitos; é uma poesia que se caracteriza pelo verso livre (abandono da métrica), por estrofes irregulares e pelo verso branco, ou seja, o verso sem rima. O que, também, não impede que "subitamente na esquina do poema, duas rimas se encontrem, como duas irmãs desconhecidas..."

Gênero Dramático

Drama, em grego, significa "ação". Ao gênero dramático pertencem os textos, em poesia ou prosa, feitos para serem representados. Isso significa que entre autor e público desempenha papel fundamental o elenco (incluindo diretor, cenógrafo e atores) que representará o texto.

O gênero dramático compreende as seguintes modalidades:

Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror".

Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil, em geral criticando os costumes. Sua origem grega está ligada às festas populares, celebrando a fecundidade da natureza.

Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário.

Farsa: pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que crítica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino Ridendo castigat mores (Rindo, castigam-se os costumes).

Gênero Épico

A palavra "epopéia" vem do grego épos, ‘verso’+ poieô, ‘faço’ e se refere à narrativa em forma de versos, de um fato grandioso e maravilhoso que interessa a um povo. É uma poesia objetiva, impessoal, cuja característica maior é a presença de um narrador falando do passado (os verbos aparecem no pretérito). O tema é, normalmente, um episódio grandioso e heróico da história de um povo.

Dentre as principais epopéias (ou poemas épicos), destacamos:

Ilíada e Odisséia (Homero, Grécia; narrativas sobre a guerra entre Grécia e Tróia).

Eneida (Virgílio, Roma; narrativa dos feitos romanos)

Paraíso Perdido (Milton, Inglaterra)

Orlando Furioso (Ludovico Ariosto, Itália)

Os Lusíadas (Camões, Portugal)

Na literatura brasileira, as principais epopéias foram escritas no século XVIII:

Caramuru (Santa Rita Durão)

O Uraguai (Basílio da Gama)

Gênero Narrativo

O Gênero narrativo é visto como uma variante do gênero épico, enquadrando, neste caso, as narrativas em prosa. Dependendo da estrutura, da forma e da extensão, as principais manifestações narrativas são o romance, a novela e o conto.

Em qualquer das três modalidades acima, temos representações da vida comum, de um mundo mais individualizado e particularizado, ao contrário da universalidade das grandiosas narrativas épicas, marcadas pela representação de um mundo maravilhoso, povoado de heróis e deuses.

As narrativas em prosa, que conheceram um notável desenvolvimento desde o final do século XVIII, são também comumente chamadas de narrativas de ficção.

Romance: narração de um fato imaginário, mas verossímil, que representa quaisquer aspectos da vida familiar e social do homem. Comparado à novela, o romance apresenta um corte mais amplo da vida, com personagens e situações mais densas e complexas, com passagem mais lenta do tempo. Dependendo da importância dada ao personagem ou à ação ou, ainda, ao espaço, podemos ter romance de costumes, romance psicológico, romance policial, romance regionalista, romance de cavalaria, romance histórico, etc.

Novela: na literatura em língua portuguesa, a principal distinção entre novela e romance é quantitativa: vale a extensão ou o número de páginas. Entretanto, podemos perceber características qualitativas: na novela, temos a valorização de um evento, um corte mais limitado da vida, a passagem do tempo é mais rápida, e o que é mais importante, na novela o narrador assume uma maior importância como contador de um fato passado.

Conto: é a mais breve e simples narrativa centrada em um episódio da vida. O crítico Alfredo Bosi, em seu livro O conto brasileiro contemporâneo, afirma que o caráter múltiplo do conto "já desnorteou mais de um teórico da literatura ansioso por encaixar a forma conto no interior de um quadro fixo de gêneros. Na verdade, se comparada à novela e ao romance, a narrativa curta condensa e potencia no seu espaço todas as possibilidades da ficção".

Fábula: narrativa inverossímil, com fundo didático, que tem como objetivo transmitir uma lição moral. Normalmente a fábula trabalha com animais como personagens. Quando os personagens são seres inanimados, objetos, a fábula recebe a denominação de apólogo.

A fábula é das mais antigas narrativas, coincidindo seu aparecimento, segundo alguns estudiosos, com o da própria linguagem. No mundo ocidental, o primeiro grande nome da fábula foi Esopo, um escravo grego que teria vivido no século VI a.C. Modernamente, muitas das fábulas de Esopo foram retomadas por La Fontaine, poeta francês que viveu de 1621 a 1695. O grande mérito de La Fontaine reside no apurado trabalho realizado com a linguagem, ao recriar os temas tradicionais da fábula. No Brasil, Monteiro Lobato realizou tarefa semelhante, acrescentando, às fábulas tradicionais, curiosos e certeiros comentários dos personagens que viviam no Sítio do Picapau Amarelo.

Gêneros Literários do Poema

Os estudos dos Gêneros Literários aparecem pela primeira vez na obra “A República”, de Platão como um tipo de classificação da obra literária tendo em vista principalmente o seu conteúdo, sua temática.

O discípulo mais famoso de Platão, Aristóteles, retoma o estudo dos gêneros e suas modalidades em sua obra-prima “A Poética”, sob o ponto de vista dos tópicos mais importantes da obra: a MÍMESE e a VEROSSIMILHANÇA.

Devemos lembrar que, para os Antigos, Poesia é texto em versos, com rima, métrica e ritmo definidos, ou seja, é o Poema belo e perfeito; em suma: é o poema que obedece às normas da Versificação.

Para Aristóteles, a POESIA é Mímese, ou seja, é uma das várias formas de IMITAÇÃO (= DE REPRESENTAÇÃO) da realidade criadas pelo homem.

Já no início da sua obra, Aristóteles discrimina como imitações poéticas:

1) as imitações dramáticas: tragédia e comédia;

2) a epopéia: imitação narrativa;

3) o ditirambo (poemas em homenagem a Baco), a citarística (poemas acompanhados por instrumentos de corda) e a aulética (poemas acompanhados pela flauta), exemplos de imitações poéticas que hoje correspondem ao gênero lírico.

Assim, a obra de Aristóteles já apresenta os três tipos de Gênero a que um poema (texto em versos) pode pertencer: o Lírico, e Épico e o Dramático.

1. Gênero Lírico

Pertence ao Gênero Lírico o poema que consiste numa forma de expressão dos sentimentos, das emoções, dos desejos, dos conhecimentos, enfim, da visão de mundo de alguém: do EU que fala no poema. Emissor e personagem única desse tipo de mensagem, o “EU-LÍRICO” é o tema nela tratado (mensagem centrada no emissor): normalmente, portanto, o poema lírico é elaborado com uma linguagem emotiva - SUBJETIVA - em que predominam as palavras e pontuações de 1a. pessoa.

Os tipos de poemas líricos mais comuns são:

1.1 Ode ou Hino: é o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à Pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O Hino é uma Ode com acompanhamento musical;

1.2 Elegia: é o poema lírico em que o emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É todo poema melancólico;

1.3 Idílio ou Écloga: é o poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à Natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada (=pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos (muito rara);

1.4 Epitalâmio: é o poema lírico feito em homenagem às núpcias de alguém;

1.5 Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico (“elogio às avessas”).

Alguns autores consideram modalidades líricas:

ACALANTO: ou canção de ninar;

ACRÓSTICO: (akros = extremidade; stikos = linha), composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou frase;

BALADA: uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão vocal que se destinam à dança;

BARCAROLA: é o canto dos gondoleiros italianos; consiste num lamento com o mar, acusando sempre referência a caminhos por água (= cantigas de amigo = elegia);

CANÇÃO: poema oral com acompanhamento musical (= CANTIGA);

CANTATA: pequena ópera, gira sempre em torno de uma ação solene ou galante (sensual);

CANTO REAL: tipo de balada de forma fixa, composta por 5 estrofes com 11 versos e uma estrofe com cinco versos. Comum no Parnasianismo;

DITIRAMBO: canto em louvor a Baco que deu origem à tragédia;

GAZAL ou GAZEL: poesia amorosa dos persas e árabes; odes do Oriente Médio;

GLOZA: ver VILANCETE;

HAICAI: expressão japonesa que significa “versos cômicos” (=sátira). É o poema japonês formado de três versos que somam 17 sílabas assim distribuídas: 1o. verso=5 sílabas; 2O. verso = 7 sílabas; 3O. verso 5 sílabas;

LIRA= idílio;

MADRIGAL: idílio amoroso que consiste num galanteio que o eu-lírico faz a uma pastora(sua amante);

NOTURNO: elegia, poema melancólico em que o símbolo da tristeza é a noite;

PARLENDA: composição ritmada destinada a certos jogos infantis (cadê o gato? Foi atrás do rato/ Cadê o rato ? Foi atrás da aranha...)

RONDÓ: é o poema lírico que tem o mesmo estribilho se repetindo por todo o texto;

TROVA: é o mesmo que cantiga ou canção;

VILANCETE: são as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas, portanto.

Como se pode observar, essas outras modalidades líricas nada mais são do que variações dos cinco tipos principais.

2. Gênero Épico ou Narrativo

Pertence ao gênero épico, o poema que conta uma história, um episódio: por isso, ele é também chamado de NARRATIVO.

Há três tipos de poemas narrativos:

2.1 Epopéia: é o poema épico que narra um grande feito histórico de um povo, de um país, destacando os seus heróis. Além dos textos históricos, encaixam-se nessa classificação os textos bíblicos.

A epopéia clássica, das quais são exemplos a “Ilíada” e a “Odisséia”, ambas de Homero; “Os Lusíadas”, de Camões; “A Divina Comédia”, de Dante, etc, tem as seguintes partes:

1a. Proposição: apresentação do tema e do herói;

2a. Invocação”: evocação das musas inspiradoras para que o episódio proposto seja contado com engenho e arte;

3a. Dedicatória: a epopéia é dedicada a alguém importante;

4a. Narração: o tema proposto é contado;

5a. Epílogo: é a conclusão da narrativa e as considerações finais.

A epopéia moderna não tem uma divisão pré-estipulada.

São exemplos de epopéias brasileiras: “ Caramuru” , de Santa Rita Durão; “ Uraguai” , de Basílio da Gama; “ Vila Rica” , de Cláudio Manuel da Costa , dentre outras.

2.2 Romance ou Xácara: é o poema narrativo que conta as façanhas de um herói, mas principalmente uma história de amor vivida por ele e uma mulher “proibida”. Apesar dos obstáculos que o separa, o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa e, por isso é punido no final. É o tipo de narrativa mais comum na Idade Média.

Exemplo: “Tristão e Isolda”.

2.3 Fábula: é o poema narrativo em que as personagens são seres não humanos personificados. Com o objetivo de criticar os homens, esse poema sempre encerra uma lição de moral.

Há, ainda:

Lai: poema narrativo curto formado por 12 estrofes com versos octossílabos, referentes às lendas medievais, mais precisamente àquelas do ciclo arturiano;

Canção de Gesta: narrativa acompanhada de música, conta a vida de um herói ou de um santo; elas deram origem às novelas de cavalaria medievais;

Poema Herói-Cômico: poema narrativo em estilo solene que encerra um assunto banal e ridículo. Ex: “A Estante do Coro”, onde os 6 cantos do poema giram em torno da dúvida de dois homens a respeito de onde deveria ser colocada uma estante de um coro;

Poema Burlesco: é um poema narrativo que, ao contrário do poema herói-cômico, trata de um assunto sério usando um estilo jocoso. Ex: “Orlando Furioso”

3. Gênero Dramático

Pertence ao gênero dramático toda e qualquer peça teatral em versos. O texto dramático é o único elaborado com o fito de ser representado num palco e, por isso, é o único que contém INSTRUÇÕES PARA O MOMENTO DA REPRESENTAÇÃO. Quem melhor caracteriza esse gênero é Aristóteles, que em sua “Poética” estuda a tragédia em dezessete capítulos (cap. VI ao XXII) como sendo o protótipo do drama e a arte mimética por excelência.

Na Antigüidade, dois eram os tipos de poemas dramáticos existentes: a tragédia e a comédia, artes miméticas, pois a primeira é a imitação ( a representação) de homens melhores e a segunda, de homens piores do que os que existem na realidade (objetos da imitação). No modo dramático de imitação, as próprias pessoas imitadas (personagens) são autoras da representação e desconhecem seu destino; é por isso que o conjunto das ações feitas por essas personagens no decorrer da peça teatral recebe o nome de DRAMA. Para Aristóteles, o fato da tragédia imitar homens superiores (melhores do que os que existem na realidade) e provocar no espectador reações de dor e violência (para que o espectador também fique “mais nobre”, “melhor”) que o levam a ter medo e piedade ( a docilidade, a passividade, a conformidade) necessários à vida disciplinada em sociedade, é que faz da tragédia a mais perfeita espécie poética de imitação.

A comédia, ao contrário, é tida como a pior das espécies já que provoca no espectador o riso, e, com ele, o destemor, a aventura, a rebeldia: afinal, nelas são representados seres humanos piores do que aqueles que existem na realidade. A comédia surgiu na Sicília (Itália) com as obras de Epicarmo e Fórmis.

Embora tenha surgido na Grécia através da obra de Ésquilo, Aristóteles atribui o mérito de ser precursor da tragédia ao poeta Homero, autor das epopéias “Ilíada” e “Odisséia”, já que em sua obra narrativa a personagem protagonista é sempre um herói, ou seja, é sempre um homem superior, quando o normal na epopéia seria imitar homens comuns, homens iguais aos que existem na realidade. Homero também é elogiado por Aristóteles como um POETA MAIOR, pela forma perfeita e pela linguagem esmerada (ornada, musical) que imprimiu às suas epopéias (8.816 versos decassílabos), fontes de inspiração às epopéias de Virgílio, Camões, etc.

Aristóteles salienta, ainda, que tragédia e epopéia se diferenciam pelo modo (na tragédia as personagens agem por si, não há ninguém narrando, o espectador entende a estória a partir do drama; na epopéia alguém conta a história, sabe tudo o que vai acontecer com as personagens: o narrador; em suma: modo dramático e modo narrativo), pela extensão (epopéia=poema longo/tragédia=poema curto) e pelo objeto (tragédia=homens melhores/epopéia=homens iguais aos que existem na realidade) da imitação. Atualmente, comédia e tragédia são modalidades dramáticas elaboradas em prosa.

Surgida na Idade Média e criada por Gil Vicente, outra modalidade dramática em versos heptassílabos (ou redondilhas maiores) é o AUTO, cujo conteúdo consiste numa crítica aos poderosos, principalmente aos clérigos(do padre ao Papa). A versão cômica do Auto é a FARSA. Essa modalidade ainda existe; em nossa Literatura atual, temos “Morte e Vida Severina” ou “Auto de Natal Pernambucano” , de João Cabral de Melo Neto, e as peças de Ariano Suassuna, dentre elas o “Auto da Compadecida”.

A comparação entre drama antigo e moderno

Resumo

O primeiro a tomar consciência dos gêneros literários foi Platão, mas cabe a Aristóteles o lançamento de suas bases fundamentais na Poética, que se inicia com a intenção de abordar a produção poética e os seus diversos gêneros, classificando as obras segundo elementos formais e conteduísticos.A palavra Drama oferece certa ambigüidade. Além de se referir ao ramo genérico, é empregada muitas vezes como sinônimo de peça teatral, outras vezes, como resultante do hibridismo composicional da tragédia e da comédia e também epopéia, cada uma dessas partes com características específicas, que são objeto de estudo até os dias atuais.

1. Introdução

A problemática dos gêneros, a mais antiga da teoria literária, também das mais complexas e controvertida, empenha ainda hoje o interesse de estudiosos, que perseveram na busca de uma conceituação.Entre oscilações, o assunto atravessa toda a história da literatura e da critica, ora assumindo acomodações de fidelidade a preceitos estáticos, ora desencadeando inovações, com investidas aguerridas e alvoroçadas. O fato é que a questão permanece aberta, a aguçar nossa curiosidade num desafio milenar.O primeiro a tomar consciência dos gêneros literários foi Platão, mas cabe a Aristóteles o lançamento de suas bases fundamentais na Poética, que se inicia com a intenção de abordar a produção poética e os seus diversos gêneros, classificando as obras segundo elementos formais e conteduísticos. Assim, o gênero literário pressupõe uma classificação de obras consignadas por características afim.

Embora a Poética de Aristóteles continue sendo o texto básico para enfoque dos gêneros, durante séculos vem suscitando interpretações que variam ao sabor do aparecimento de novos modelos literários e segundo a evolução do conceito de literatura.Na Idade Média não houve sistematização rigorosa sobre os problemas literários, a não ser tratados de poética trovadoresca, todavia sem vinculações com a doutrina dos antigos. No renascimento, graças à sedução exercida pela arte greco-latina, a poética de Aristóteles e a Epístola aos Pisões de Horácio promoveram inúmeras discussões do maior interesse para o novo espírito crítico que despontava. A questão dos gêneros narrativos, então, tornou-se o ponto central da interpretação do fenômeno literário.

Aristóteles considera dois modos básicos de produção poética: o narrativo e o dramático, não considerando a poesia lírica como um gênero literário. Os críticos literários renascentistas e clássicos, entretanto, com base nos postulados horacianos, incluíram o lírico entre os gêneros e deram início à carreira da divisão tripartida da produção literária (lírica, épica e dramática) que apesar das dissensões, prevalece para grande parte dos teorizadores, até nossos dias.

A essência dramática se apresenta por meio de fenômenos estilísticos determinados que situam a obra no ramo do drama se esses traços preponderam sobre os demais.

A palavra Drama oferece certa ambigüidade. Além de se referir ao ramo genérico, é empregada muitas vezes como sinônimo de peça teatral, outras vezes, como resultante do hibridismo composicional da tragédia e da comédia. A fim de estabelecer a distinção, o ramo genérico pode também se denominar dramática.

No gênero épico o narrador apresenta a ação progressivamente, através de descrições e análises, com maior ou menor detalhe, estendendo-se longamente. Tal procedimento não é adequado à obra dramática, pressionada a uma economia de meios, devido ao fator tempo, já que a peça se limita a algumas poucas horas.

A ação épica ou romanesca se expande no espaço e no tempo, deslocando-se à vontade de um lugar para o outro, do passado para o futuro. A dramática acontece no palco, no momento da apresentação, coagida a uma seleção de lances num ritmo cênico acelerado. Para Aristóteles, o objeto da mímesis recai sempre sobre as ações das personagens, mas quanto à maneira de sua realização, destacam-se duasfundamentais, a narrativa e a dramática. A ação se desenrola através de acontecimentos que revelam as personagens, situadas num determinado lugar e numa certa época. Lembrando que drama em grego significa ação, compreendemos que este é o elemento nuclear da uma peça teatral.

1.1 Espécies de Gêneros Dramáticos

1.1.1 A tragédia

Para Aristóteles, a tragédia é a mímesis de uma ação importante e completa, num estilo agradável, executada por personagens que representam os homens melhores do que são a fim de suscitar piedade e terror e obter a catarse dessas emoções. A personagem trágica, quando não se suicida, termina louca prostrada sob os escombros de seu mundo. O sentimento trágico se estriba num fracasso que derruba o ideal de um ser, quando se destrói a razão de uma existência humana, quando uma causa final e única deixa de existir, nasce o trágico.

1.1.2 Comédia

Assim como o trágico não se encontra só na tragédia, mas em qualquer outra obra que mostre o naufrágio de um homem, o cômico também está presente em toda a literatura, desde a epopéia de Homero aos romances de Cervantes, Balzac ou Machado de Assis. O trágico e o cômico correspondem a necessidades vitais do ser humano, os dois pólos onde o homem oscila, quando se eleva acima de si mesmo ou quando rasteja nas próprias limitações. Apesar do cômico invadir muitas áreas literárias, se apresenta em sua maior pureza na comédia, concebida especificamente para realçar seus traços. Aristóteles conclui que a tragédia mostra os homens melhores do que são e a comédia os representa piores, inferiores, fixando o ridículo que se encontra num defeito. Compreende-se que ainda no século XVII, época em que a aristocracia goza de prestígios, as personagens principais da tragédia pertenciam às classes mais altas e as comédias venham da burguesia e do povo. As virtudes heróicas, que na tragédia provoca admiração, se transformam na comédia em imperfeições, cacoetes, alvos de zombaria.

2. A percepção de Vitor Hugo e Roman Jacobson sobre gêneros literários

Segundo Vitor Hugo, a sociedade humana começa a cantar o que sonha (lírico), depois canta o que faz (épico) e por fim pinta o que pensa ( dramático). Devemos em tudo na vida passar por essas três fases, sem exclusividade de nenhuma delas.

Numa outra perspectiva, mas dentro da concepção unificadora, Jacobson determina correspondência entre estruturas lingüísticas e os gêneros literários:

Lírica - - - - - - - - - - Primeira pessoa (função emotiva): o eu fala.

Épica - - - - - - - - - - Terceira pessoa (função referencial): fala-se de algo.

Dramática- - - - - - - -segunda pessoa (função conativa): fala-se a alguém.

3. O Drama para Hegel

Para Hegel, a ação concentra-se num conflito de interesses dos personagens. O drama apresenta uma ação que tem como base uma pessoa moral. Os acontecimentos parecem nascer da vontade interior de cada personagem. Portanto, a vontade humana que interessa, no caso, é a que tem consciência dos seus objetivos. A ação dramática é a ação de quem, no drama, vai em busca dos seus objetivos consciente do quer. A teoria hegeliana tenta nos chamar atenção para a síntese entre lírica e épica e da profusão nasce o gênero dramático.

Hegel diz que: "O modo de concepção poética deste novo gênero comporta, como acabou de dizer, uma união mediatizada do princípio épico e o princípio lírico". Em outra citação. Assim dizendo, parece-me, queria Hegel significar que o Drama deve reunir em si a ação, o externar-se, o objetivar-se, o mostrar os fatos, da epopéia; mas por outro lado, carregar um peso de subjetividade, de razões morai, de sentimentos, de psicológico, de paixões, de hesitações, de alma, em suma.

4.Organograma comparativo do gênero dramático

Tragédia antiga

Tragédia moderna

Comédia antiga

Comédia moderna

Ex: Orestia de Ésquilo. Ex: Senhora dos afogados. Nelson Rodrigues. Ex. A Aululária de Plauto Ex. O Avarento de Moliére
Origem: Grega. Origem: Nasce com o romantismo. Origem: latina Origem : francesa
Linguagem ornamentada. Linguagem simples. Linguagem: ornamentada Linguagem: ornamentada
Herói. Há laços semelhantes entre eles, é perfeito. Surge o anti-herói

Imperfeito.

Personagens manipulados segundo a vontade dos deuses em que reside o ridículo. Personagens controladores de seus destinos, mas com a interferência dos deuses
Deus, semi-deuses mitos. Um único Deus. deuses Um único deus.
Destino: não há livre arbítrio. Livre arbítrio. Destino: segundo a vontade dos deuses Livre arbítrio
Tempo: um dia Tempo: dois ou três

dias

Tempo: curto Tempo: curto
Espaço: um único lugar. Espaço: vários lugares ao mesmo tempo. Espaço: um único cenário Um único espaço
Ação: é representada pelos

personagens.

Ação é representada pelos personagens. Ação: é representada pelos personagens Representada pelos Personagens.

5. Epopéia versus tragédia

É fácil confundirmos tragédia e epopéia, mas convém lembrar que, (embora não seja nosso objeto de estudo até aqui) a palavra epopéia deriva de Epos que, em grego significa recitação. A situação épica primitiva era de alguém que narrava um fato a um grupo de ouvintes, distanciando-se, portanto, o narrador em relação ao acontecimento passado, numa posição de confronto. Já a ação dramática da tragédia rigorosa é como um mecanismo que se move sozinho; deve caminhar para frente, não pode voltar no tempo ( o flashback é épico). A epopéia e a tragédia concordam somente em serem ambas imitações de homens superiores, em verso; mas diferem epopéia e tragédia, pelo seu metro único e a forma de narrativa. E também na extensão, pois a tragédia procura limitar a ação em um limite de tempo, já a epopéia não tem limite de tempo.

6. Conclusão

Tanto o trágico como o cômico modifica-ram-se ao longo da história humana. O cômico manteve-se equilibrado sobre o ridículo, fazendo dele a condição básica de sua existência, utilizando-se muitas vezes uso de situações de extrema violência e depreciação irônica do caráter humano para produzir o riso. A tragédia, de certo modo manteve também seu intento primitivo de produzir a catarse, através do sofrimento e morte violenta de seus personagens. Os deuses desapareceram e também o destino controlador da vida do herói trágico. 

Contemporaneamente, o que promove as desgraças de sua existência são os condicionantes hereditariedade e meio. O herói trágico moderno está sujeito à violência cotidiana e aos distúrbios psicológicos favorecidos pela sociedade.

Fonte: www.geocities.com

Gênero Literário

Gênero literário (mais amplamente conhecido como gêneros literários) é geralmente dividido, desde a Antigüidade, em três grupos: narrativo ou épico, lírico e dramático. Essa divisão partiu dos filósofos da Grécia antiga, Platão e Aristóteles, quando iniciaram estudos para o questionamento daquilo que representaria o literário e como essa representação seria produzida.

Essas três classificações básicas fixadas pela tradição englobam inúmeras categorias menores, comumente denominadas subgêneros. O gênero lírico se faz, na maioria das vezes, em versos e explora a musicalidade das palavras. Entretanto, os outros dois gêneros o narrativo e o dramático ² também podem ser escritos nessa forma, embora modernamente prefira-se a prosa.

Todas as modalidades literárias são influenciadas pelas personagens, pelo espaço e pelo tempo. Todos os gêneros podem ser nãoficcionais ou ficcionais. Os não-ficcionais baseiam-se na realidade, e os ficcionais inventam um mundo, onde os acontecimentos ocorrem coerentemente com o que se passa no enredo da história.

Gênero Épico

O seu papel é relatar um enredo, sendo ele imaginário ou não, situado em tempo e lugar determinados, envolvendo uma ou mais personagens, e assim o faz de diversas formas.

As narrativas utilizam-se de diferentes linguagens: a verbal (oral ou escrita), a visual (por meio da imagem), a gestual (por meio de gestos), além de outras.

Quanto à estrutura, ao conteúdo e à extensão, pode-se classificar as obras narrativas em romances, contos, novelas, poemas épicos, crônicas, fábulas e ensaios.

Todo texto que traz foco narrativo, enredo, personagens, tempo e espaço, conflito, clímax e desfecho é classificado como narrativo.

Textos narrativo

Seguem, abaixo, modalidades textuais pertencentes ao gênero narrativo.

Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos de carácter verossímil.
Fábula: é um texto de carácter fantástico que busca ser inverossímil (não tem nenhuma semelhança com a realidade). As personagens principais são animais ou objetos, e a finalidade é transmitir alguma lição de moral.
Epopéia ou Épico: é uma narrativa feita em versos, num longo poema que ressalta os feitos de um herói ou as aventuras de um povo. Três belos exemplos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, Ilíada e Odisséia, de Homero.
Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevidade do conto. O personagem se caracteriza existencialmente em poucas situações. Como exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e A Metamorfose, de Kafka.
Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores (conto popular). Caracteriza-se por personagens previamente retratados. Inicialmente, fazia parte da literatura oral e Boccaccio foi o primeiro a reproduzi-lo de forma escrita com a publicação de Decamerão.
Crônica: é uma narrativa informal, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial, breve, com um toque de humor e crítica.
Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, literário, etc.), sem que se paute em formalidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico.

Gênero lírico

Na maioria das vezes expresso pela poesia. Entretanto é de grande importância realçar que nem toda poesia pertence ao gênero lírico. Esse gênero preocupa-se principalmente com o mundo interior de quem escreve o poema, o eu-lírico, que pode ser também chamado de sujeito lírico, voz lírica ou voz poética. Os acontecimentos exteriores funcionam como estímulo para o poeta escrever. O que é fundamental em um poema é o trabalho com as palavras, que dá margem à compreensão da emoção, dos pensamentos, sentimentos do eu-lírico e, muitas vezes, levam à reflexão, portanto, sendo geralmente escrito na primeira pessoa do singular.

Na poesia moderna encontram-se muitas manifestações poéticas que criticam a realidade social em que ela está inserida e onde está circulando. Um dos papéis mais importantes do poema é manter viva a experiência histórica da humanidade e registrar os preceitos das épocas que vão se transformando.

No entanto, mesmo quando na poesia o escritor fala da sua experiência e/ou do seu tempo, ele o faz de uma forma diferenciada daquela que geralmente se encontra nos registros dos outros gêneros textuais; nesse caso, o poeta faz uso da memória da linguagem de um passado presente, que se alimenta, entre outras coisas, do inconsciente. A importância da palavra no poema é tão relevante que é possível aproveitar toda a riqueza fonética, morfológica e sintática da língua e, através dela, constroem-se várias maneiras de provocar sensações no íntimo do leitor. Devido a essa intensidade de expressão, as obras líricas tendem a ser breves e a acentuar o ritmo e a musicalidade da linguagem.

Textos líricos Seguem, abaixo, modalidades textuais pertencentes ao gênero lírico:

Ode: é um texto de cunho entusiástico e melódico, em geral, uma música.

Hino: é um texto de cunho glorificador ou até santificador. Os hinos de países e as músicas religiosas são exemplos de hinos.

Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quartetos e dois tercetos, com rima geralmente em A-BA-B A-B-B-A C-D-C D-C-D.

Haicai ou haiku: é uma forma de poesia japonesa, sem rima, constituídos normalmente por três versos na ordem de 5-75 sílabas.

Gênero Dramático

É composto de textos que foram escritos para serem encenados em forma de peça de teatro. Para o texto dramático se tornar uma peça, ele deve primeiro ser transformado em um roteiro, para depois poder ser transformado então do gênero espeta. É muito difícil ter definição de texto dramático que o diferencie dos demais gêneros textuais, já que existe uma tendência atual muito grande em teatralizar qualquer tipo de texto. No entanto, a principal característica do texto dramático é a presença do chamado texto principal, composto pela parte do texto que deve ser dito pelos atores na peça e que, muitas vezes, é induzido pelas indicações cênicas, rubricas ou didascálias, texto também chamado de secundário, que informa os atores e o leitor sobre a dinâmica do texto principal.

Por exemplo, antes da fala de um personagem é colocada a expressão: «com voz baixa», indicando como o texto deve ser falado. Já que não existe narrador nesse tipo de texto, o drama é dividido entre as duas personagens locutoras, que entram em cena pela citação de seus nomes. "Classifica-se de drama toda peça teatral caracterizada por seriedade, ou solenidade, em oposição à comédia propriamente dita".

Apresenta qualquer tema, estrutura-se em dois tipos de textos: rubrica e o discurso direto. Há ausência de narrador e é formado por atos, quadros e cenas.

O Gênero Narrativo e a Linguagem Cotidiana

Na atualidade passou-se a chamar gênero narrativo ao conjunto de obras em que há narrador, personagens e uma seqüência de fatos. É uma variante do gênero épico.

Abrange várias modalidades de texto em que aparecem os seguintes elementos:

Foco narrativo: presença de um elemento que relata a história como participante (1º pessoa)ou como observador (3º pessoa ). E, também há o narrador onisciente.

Enredo: é a seqüência de fatos, podendo seguir a ordem cronológica em que eles ocorrem (sucessão temporal dos fatos), ou a ordem psicológica (sucessão dos fatos, seguindo as lembranças ou evocações das personagens, apresentando, muitas vezes flashbacks ou voltas ao passado.

Personagem: seres criados pelo autor com características físicas e psicológicas determinadas.

Campo e espaço: o momento e o local em que os fatores são narrados e onde se desenrolam.

Conflito: situação de tensão entre os elementos da narrativa.

Clímax: a situação criada pelo narrador vai progressivamente aumentando sua dramaticidade até que chega ao clímax, ao ponto máximo.

Desfecho: momento que recebe o clímax, no qual se finaliza a história e cada personagem se encaminha para seu "destino".

Desde a antigüidade, os gêneros literários são conhecidos e geralmente são divididos, segundo Aristóteles, em narrativo, lírico e dramático.

Todos as modalidades literárias são influenciadas pelas personagens, pelo espaço e pelo tempo. Todos os gêneros podem ser não-ficcionais ou ficcionais. Os não-ficcionais representam fielmente a realidade, e os ficcionais inventam um mundo onde os acontecimentos ocorrem coerentemente com o que se passa no enredo da história.

Gênero narrativo

O gênero narrativo (também conhecido como género épico ) nada mais faz, a não ser narrar uma história, e assim o faz de diversas formas.

As narrativas utilizam-se de diferentes linguagens: a verbal (oral ou escrita), a visual (por meio da imagem), a gestual (por meio de gestos) etc.

É classificado, assim, todo texto em que traz foco narrativo, enredo, personagens, tempo e espaço, conflito, clímax e desfecho.

Romance + é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos de carácter verossímil.

Fábula + é um texto de carácter fantástico que busca ser inverossímil (não tem nenhuma semelhançacom a realidade). Os personagens principais são animais, e a finalidade é transmitir alguma lição de moral.

Epopéia ou Épico + é uma narrativa feito em versos, num longo poema que ressalta os feitos de um herói ou as aventuras de um povo. Um bom exemplo é Os Lusíadas, de Luís de Camões, Ilíada e Odisséia, de Homero. Novela + é um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevialidade do conto. O personagem se caracteriza existencialmente em poucas situações. Exemplos denovela são O alienista, de Machado de Assis, e A metamorfose, de Kafka. Conto + é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores (conto popular).Caracteriza-se por personagens breviamente retratados. Inicialmente fazia parte da literatura oral, Boccaccio foi o primeiro a transformá-lo em escrita publicando Decamerão. Crônica + é uma narrativa informal, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial, breve e com toque de humor e crítica. Ensaio + é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo idéias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, literário, etc.), sem que se paute em formalidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico.

Isso tudo é uma característica dos tipos de gêneros narrativos.

Gênero lírico

É na maioria das vezes expressa pela poesia. Entretanto é de grande importância realçar que nem toda poesia pertence ao género lírico.

Esse gênero se preocupa principalmente com o mundo interior dequem escreve o poema, o eu-lírico. Os acontecimentos exteriores funcionam como estímulo para o poeta escrever. O que é fundamental em um poema é o trabalho com as palavras, que dá margem à compreensão da emoção, dos pensamentos, sentimentos do eu-lírico e, muitas vezes, levam à reflexão, portanto, sendo geralmente escrito na primeira pessoa do singular.

Na poesia moderna encontram-se muitas manifestações poéticas que criticam a realidade social em que ela está inserida e onde está circulando. Um dos papéis mais importantes do poema é manter viva a experiência histórica da humanidade e registrar os preceitos das épocas que vão se transformando.

No entanto, mesmo quando na poesia o escritor fala da sua experiência e/ou do seu tempo, ele o faz de uma forma diferenciada daquela que geralmente se encontra nos registros dos outros gêneros textuais; nesse caso, o poeta faz uso da memória da linguagem de um passado presente, que se alimenta, entre outras coisas, do inconsciente. A importância da palavra no poema é tão relevante que é possível aproveitar toda a riqueza fonética, morfológica e sintática da língua e, através dela, constroem-se várias maneiras de provocar sensações no íntimo do leitor.

Ode + é um texto de cunho entusiástico e melódico, em geral uma música. Hino + é um texto de cunho glorificador ou até santificador. Os hinos de países e as músicas religiosas são exemplos de hino.

Soneto + é um texto em poesia com 14 versos, caracterizado em dois quartetos e dois tercetos, com rima geralmente em A-B-A-B A-B-B-A C-D-C D-C-D.

Haicai ou Haiku + é uma forma de poesia japonesa, sem rima constituidos normalmente por três versos na ordem de 5-7-5 sílabas.

Gênero dramático

É composto de textos que foram escritos para serem encenados em forma de peça de teatro. Para o texto dramático se tornar uma peça, ele deve primeiro ser transformado em um roteiro, para depois poder ser transformado em um texto do gênero espetacular.

É muito difícil ter definição de texto dramático que o diferencie dos demais gêneros textuais, já que existe uma tendência atual muito grande em teatralizar qualquer tipo de texto. No entanto, a principal característica do texto dramático é a presença do chamado texto principal, composto pela parte do texto que deve ser dito pelos autores na peça e que, muitas vezes, é induzido pelas indicações cênicas, ou didascálias, texto também chamado de secundário, que informa os atores e o leitor sobre a dinâmica do texto principal.

Por exemplo, antes da fala de um personagem é colocada a expressão: «com voz baixa», indicando como o texto deve ser falado.

Já que não existe narrador nesse tipo de texto, o drama é dividido entre as duas personagens locutoras, que entram em cena pela citação de seus nomes.

Drama atualmente "classifica-se de drama toda peça teatral caracterizada por seriedade, ou solenidade, em oposição à comédia propriamente dita".

Subclassificações dos gêneros

Elegia + é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do texto.Um bom exemplo é a grande peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare.

Epitalâmia + é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.

Sátira + é um texto de caráter ridicularizador, podendo ser também uma crítica indireta a algum fato ou a alguém. Uma piada é um bom exemplo de sátira.

Farsa + é um texto onde os personagens principais podem ser duas ou mais pessoas diferentes e não serem reconhecidos pelos feitos dessa pessoa.

Gênero Épico

Feito em versos, num longo poema que ressalta as qualidades de um herói, o qual é antagonista de fatos irreais ou trágicos. Através deles, são contados os feitos heróicos de um povo.

Exemplo: "Os Lusíadas", herói: Vasco da Gama, povo ressaltado: Portugueses, feito heróico: Grandes Navegações -> contornar a África.

Gênero Lírico

É a conhecida poesia.

Esse gênero se preocupa principalmente com o mundo interior de quem escreve o poema: o eu-lírico. Os acontecimentos exteriores funcionam como estímulo para o poeta escrever. O que é fundamental em um poema é o trabalho com as palavras, que dá margem à compreensão da emoção, dos pensamentos, sentimentos do eu-lírico e, muitas vezes, levam à reflexão.

O gênero dramático compreende as seguintes modalidades:

Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror".

Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil, em geral criticando os costumes. Sua origem grega está ligada às festas populares, celebrando a fecundidade da natureza.

Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário.

Farsa: pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que crítica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino Ridendo castigat mores (Rindo, castigam-se os costumes).

Fonte: ucbweb2.castelobranco.br

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