O Poeta e a Lua

Vinícius de Moraes Em meio a um cristal de ecos O poeta vai pela rua Seus olhos verdes de éter Abrem cavernas na lua. A lua volta de flanco Eriçada de luxúria O poeta, aloucado e branco Palpa as nádegas da lua. Entre as esferas nitentes Tremeluzem pelos fulvos O …

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Olhos Mortos

Vinícius de Moraes Algum dia esses olhos que beijavas tanto Numa carícia sem mistérios Olharão para o céu e pararão. Nesse dia nem o teu beijo angelizante Poderá novamente despertá-los. A luz que lhes boiava nas pupilas Tu a verás talvez na face magra Do Cristo prisioneiro entre as mãos …

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Olhar para Trás

Vinícius de Moraes Nem surgisse um olhar de piedade ou de amor Nem houvesse uma branca mão que apaziguasse minha fronte palpitante… Eu estaria sempre como um círio queimando para o céu a minha fatalidade Sobre o cadáver ainda morno desse passado adolescente. Talvez no espaço perfeito aparecesse a visão …

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O Incriado

Vinícius de Moraes Distantes estão os caminhos que vão para o tempo – outro luar eu vi passar na altura Nas plagas verdes as mesmas lamentações escuto como vindas da eterna espera O vento ríspido agita sombras de araucárias em corpos nus unidos se amando E no meu ser todas …

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O Desespero da Piedade

Vinícius de Moraes Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos… Mas tende piedade também dos que andam de automóvel Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção. Tende piedade das pequenas famílias suburbanas E em particular dos adolescentes que …

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Notícia do século

Vinícius de Moraes Nas terras do Geraz Que compreendem três populosas freguesias O povo ainda se mostra sucumbido Com o bárbaro crime do lavrador Manuel da Névoa E é curioso notar que ao toque das rezas Os habitantes correm aos campos, matas e veigas Gritando pelo assassino, para que apareça …

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Nascimento do Homem

Vinícius de Moraes I E uma vez, quando ajoelhados assistíamos à dança nua das auroras Surgiu do céu parado como uma visão de alta serenidade Uma branca mulher de cujo sexo a luz jorrava em ondas E de cujos seios corria um doce leite ignorado. Oh, como ela era bela! …

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