Soneto XLVI

Pablo Neruda Das estrelas que admirei, molhadas por rios e rocios diferentes, eu não escolhi senão a que eu amava e desde então durmo com a noite. Da onda, uma onda e outra onda, verde mar, verde frio, ramo verde, eu não escolhi senão uma só onda: a onda indivisível …

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Ode ao Gato

Pablo Neruda Os animais foram imperfeitos, compridos de rabo, tristes de cabeça. Pouco a pouco se foram compondo, fazendo-se paisagem, adquirindo pintas, graça vôo. O gato, só o gato apareceu completo e orgulhoso: nasceu completamente terminado, anda sozinho e sabe o que quer. O homem quer ser peixe e pássaro, …

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Carta no Caminho

Pablo Neruda Adeus, porém comigo serás, sempre irás dentro de uma gota de sangue que circule em minhas veias ou fora, beijo que me abrasa o rosto ou cinturão de fogo na cintura. Doce minha, recebe o grande amor que me saiu da vida e que em ti não achava …

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Se eu Morrer…

Pablo Neruda Se eu morrer, sobrevive a mim com tamanha força que acordarás as fúrias do pálido e do frio, de sul a sul, ergue teus olhos indeléveis, de sol a sol sonha através de tua boca cantante. Não quero que tua risada ou teus passos hesitem. Não quero que …

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A Infinita

Pablo Neruda Vês estas mãos? Mediram a terra, separaram os minerais e os cereais, fizeram a paz e a guerra, derrubaram as distâncias de todos os mares e rios, e, no entanto, quando te percorrem a ti, pequena, grão de trigo, andorinha, não chegam para abarcar-te, esforçadas alcançam as palomas …

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Plena mulher

Pablo Neruda Plena mulher, maçã carnal, lua quente, espesso aroma de algas, lodo e luz pisados, que obscura claridade se abre entre tuas colunas? que antiga noite o homem toca com seus sentidos? Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas, com ar opresso e bruscas tempestades de …

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Já és Minha

Pablo Neruda Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho. Amor, dor, trabalho, devem dormir agora. Gira a noite sobre suas invisíveis rodas e junto a mim és pura como âmbar dormido… Nenhuma mais, amor, dormira com meus sonhos… Irás, iremos juntos pelas águas do tempo. Nenhuma viajará …

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De Noite…

Pablo Neruda De noite, amada, amarra teu coração ao meu e que eles no sonho derrotem as trevas como um duplo tambor combatendo no bosque contra o espesso muro das folhas molhadas. Noturna travessia, brasa negra do sonho. Interceptando o fio das uvas terrestres com pontualidade de um trem descabelado …

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Amor, Quantos Caminhos

Pablo Neruda “ Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo, que solidão errante até tua companhia! Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva. Em taltal não amanhece ainda a primavera. Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos, juntos desde a roupa às raízes, juntos de outono, de …

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