Breaking News
Home / Obras Literárias / Arte de Amar

Arte de Amar

Thiago de Mello

PUBLICIDADE

Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.

Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder

 

Conteúdo Relacionado

 

Veja também

Velhas Árvores

Olavo Bilac PUBLICIDADE Olha estas velhas árvores, — mais belas, Do que as árvores mais …

Plutão – Olavo Bilac

Olavo Bilac PUBLICIDADE Negro, com os olhos em brasa, Bom, fiel e brincalhão, Era a …

O Trabalho – Olavo Bilac

Olavo Bilac PUBLICIDADE Tal como a chuva caída Fecunda a terra, no estio, Para fecundar …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.