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Para a Feira do Livro

João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE A Ángel Crespo Folheada, a folha de um livro retoma o lânguido vegetal de folha folha, e um livro se folheia ou se desfolha como sob o vento a árvore que o doa; folheada, a folha de um livro repete fricativas e labiais de …

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Ovo de Galinha

João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE Ele já estava na nossa mira há tempos e sabíamos que era imprescindível sua presença no Releituras. Mas, sabe como são essas coisas: você pega o livro para selecionar o material, se encanta com o que lê e, ao invés de fazer o que …

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Os Três Mal Amados

João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE Joaquim: O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O amor comeu …

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O Sertanejo Falando

João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE 1. A fala a nível do sertanejo engana: as palavras dele vêm, como rebuçadas (palavras confeito, pílula), na glace de uma entonação lisa, de adocicada. Enquanto que sob ela, dura e endurece o caroço de pedra, a amêndoa pétrea, dessa árvore pedrenta (o sertanejo) …

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O Relógio

PUBLICIDADE João Cabral de Melo Neto 1. Ao redor da vida do homem há certas caixas de vidro, dentro das quais, como em jaula, se ouve palpitar um bicho. Se são jaulas não é certo; mais perto estão das gaiolas ao menos, pelo tamanho e quadradiço de forma. Uma vêzes, …

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O Mar e o Canavial

João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE O que o mar sim aprende do canavial: a elocução horizontal de seu verso; a geórgica de cordel, ininterrupta, narrada em voz e silêncio paralelos. O que o mar não aprende do canavial: a veemência passional da preamar; a mão-de-pilão das ondas na areia, …

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O Cão Sem Plumas

João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE A cidade é passada pelo rio como uma rua é passada por um cachorro; uma fruta por uma espada. O rio ora lembrava a língua mansa de um cão ora o ventre triste de um cão, ora o outro rio de aquoso pano sujo …

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Num Monumento à Aspirina

João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE Claramente: o mais prático dos sóis, o sol de um comprimido de aspirina: de emprego fácil, portátil e barato, compacto de sol na lápide sucinta. Principalmente porque, sol artificial, que nada limita a funcionar de dia, que a noite não expulsa, cada noite, sol …

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Fábula de um Arquiteto

João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e tecto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia …

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