PUBLICIDADE João Cabral de Melo Neto Difícil ser funcionário Nesta segunda-feira. Eu te telefono, Carlos Pedindo conselho. Não é lá fora o dia Que me deixa assim, Cinemas, avenidas, E outros não-fazeres. É a dor das coisas, O luto desta mesa; É o regimento proibindo Assovios, versos, flores. Eu nunca …
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Como a Morte se Infiltra
PUBLICIDADE João Cabral de Melo Neto Certo dia, não se levanta porque quer demorar na cama. No outro dia ele diz por que: é porque lhe dói algum pé. No outro dia o que dói é a perna, E nem pode apoiar-se nela. Dia a dia lhe cresce um não, …
Leia maisCatar Feijão
João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE 1. Catar feijão se limita com escrever: joga-se os grãos na água do alguidar e as palavras na folha de papel; e depois, joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiará no papel, água congelada, por chumbo seu verbo: pois para catar esse …
Leia maisCartão de Natal
João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE Pois que reinaugurando essa criança pensam os homens reinaugurar a sua vida e começar novo caderno, fresco como o pão do dia; pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo, e parece que vão enfim poder explodir suas sementes: que desta …
Leia maisAntiode (Contra a Poesia Dita Profunda)
João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE A Poesia te escrevia: flor! conhecendo que és fezes. Fezes como qualquer. gerando cogumelos (raros, fragéis, cogu- melos) no úmido calor de nossa boca. Delicado, escrevia: flor! (Cogumelos serão flor? Espécie estranha, espécie extinta de flor, flor ão de todo flor, mas flor, bolha …
Leia maisAlguns Toureiros
João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE A Antônio Houaiss Eu vi Manolo Gonzáles e Pepe Luís, de Sevilha: precisão doce de flor, graciosa, porém precisa. Vi também Julio Aparício, de Madrid, como Parrita: ciência fácil de flor, espontânea, porém estrita. Vi Miguel Báez, Litri, dos confins da Andaluzia, que cultiva …
Leia maisA Palavra Seda
João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE A atmosfera que te envolve atinge tais atmosferas que transforma muitas coisas que te concernem, ou cercam. E como as coisas, palavras impossíveis de poema: exemplo, a palavra ouro, e até este poema, seda. É certo que tua pessoa não faz dormir, mas desperta; …
Leia maisA Morte dos Outros
João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE A morte alheia tem anedota que prende o morto ao dia-a-dia, que ainda o obriga a estar conosco já morto, ainda aniversaria. Só que não vamos pelo morto: Queremos ver a companheira, a mulher com que agora vive; comprá-la, de alguma maneira. Dizer-lhe: do …
Leia maisA Lição de Poesia
PUBLICIDADE João Cabral de Melo Neto 1. Toda a manhã consumida como um sol imóvel diante da folha em branco: princípio do mundo, lua nova. Já não podias desenhar sequer uma linha; um nome, sequer uma flor desabrochava no verão da mesa: nem no meio-dia iluminado, cada dia comprado, do …
Leia maisA Joaquim Cardoso
João Cabral de Melo Neto PUBLICIDADE Com teus sapatos de borracha seguramente é que os seres pisam no fundo das águas. Encontraste algum dia sobre a terra o fundo do mar, o tempo marinho e calmo? Tuas refeições de peixe; teus nomes femininos: Mariana; teu verso medido pelas ondas; a …
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