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Cana-de-Açúcar

ORIGEM DA ATIVIDADE

Mais do que elemento essencial da formação do Brasil, a Cana-de-Açúcar transformou-se em parte integrante do imaginário do povo brasileiro.

Na cozinha, desdobra-se em utilidades; na indústria, colabora para a produção de alimentos mais saudáveis, de fácil conservação. Dela vem o álcool combustível, a energia elétrica. Também pode produzir papel, plásticos, produtos químicos.

Cana de Açúcar

A Cana-de-Açúcar é versátil, palavra que, aliás, justificaria mais um hífen: cana-de-açucar-versátil. Se preferirmos, grama-de-açúcar-versátil, pois a cana é uma gramínea, cujo potencial, variado e complexo, ainda pode ser muito explorado.

No Brasil, em menos de 1% das terras agricultáveis plantam-se 4,5 milhões de hectares de cana (duas vezes a área do Estado do Piauí), matéria-prima que permite a fabricação de energia natural, limpa e renovável.

A cana é, em si mesma, usina de enorme eficiência: cada tonelada tem um potencial energético equivalente ao de 1,2 barril de petróleo. O Brasil é o maior produtor do mundo, seguido por Índia e Austrália.

Na média, 55% da cana brasileira vira álcool e 45%, açúcar. Planta-se cana, no Brasil, no Centro-Sul e no Norte-Nordeste, o que permite dois períodos de safra. Plantada, a cana demora de ano a ano e meio para ser colhida e processada pela primeira vez. A mesma cana pode ser colhida até cinco vezes, mas a cada ciclo devem ser feitos investimentos significativos para manter a produtividade.

Cana de Açúcar

A cana é a força por trás das 307 ‘centrais energéticas' existentes no Brasil, 128 das quais estão em São Paulo, utilizando cana que cobre 2,35 milhões de hectares de terra.

São usinas e destilarias que processam a biomassa proveniente da Cana-de-Açúcar e que alimentam um círculo virtuoso: produzem açúcar como alimento, energia elétrica vinda da queima do bagaço nas caldeiras, álcool hidratado para movimentar veículos e álcool anidro para melhorar o desempenho energético e ambiental da gasolina.

CORTE

Cana de Açúcar

A agroindústria canavieira emprega 1 milhão de brasileiros. Mais de 80% da cana colhida é cortada à mão; o corte é precedido da queima da palha da planta, o que torna o trabalho mais seguro e rentável para o trabalhador. Mas a mecanização avança. No Estado de São Paulo, 25% da área plantada está sendo colhida por máquinas.

A legislação paulista estipula prazos para que o fogo deixe de ser usado no manejo da cana. A evolução tecnológica é portanto gradativa, exigindo o desenvolvimento de políticas realistas de reciclagem e reaproveitamento de mão-de-obra e o monitoramento de impactos ambientais, relacionados com a erosão e a difusão de pragas que acompanham a mecanização.

PRODUTOS E SUBPRODUTOS

Cana de Açúcar

PRODUTOS

O combustível de cerca de 3 milhões de veículos que rodam no Brasil é o álcool hidratado; o anidro é misturado na proporção de 24% em toda a frota brasileira, de 17 milhões de veículos. O álcool é também usado de forma intensiva na indústria de bebidas, nos setores químico, farmacêutico e de limpeza.

O Brasil é o maior produtor de açúcar de cana do mundo, com os menores custos de produção, e também o maior exportador do produto.

Metade da produção brasileira é destinada ao mercado interno. A metade exportada gerou, em 2001, 2,2 bilhões de dólares para a balança comercial. O Brasil exporta açúcar branco (refinado), cristal e demerara, e há pelo menos cinco anos a Rússia se mantém como a maior importadora do açúcar brasileiro. O Estado de São Paulo é responsável por 60% de todo o açúcar produzido no País e por 70% das exportações nacionais.

O mercado interno divide-se em doméstico e industrial. No primeiro prevalecem os açúcares cristal e refinado; no industrial, os açúcares demerara e líquido. O consumo brasileiro é de 52 kg per capita, e a média mundial está em torno de 22 kg per capita.

Co-geração de energia elétrica. Vapor e calor são muito importantes no processo de obtenção de açúcar e de álcool. O vapor, obtido pela queima do bagaço da cana, movimenta turbinas, gerando energia elétrica que torna auto-suficientes unidades industriais e excedentes, vendidos às concessionárias.

No Estado de São Paulo, o setor gera para consumo próprio entre 1.200 e 1.500 Megawatts, 40 usinas produzem excedentes de 158 Mw e a luz que vem da cana já ajuda a iluminar diversas cidades. O potencial de geração de energia da agroindústria canavieira está em torno de 12 mil Mw – a potência total instalada no Brasil é de 70 mil Mw. Em 2002, em função de novos projetos, mais 300 Mw devem ser adicionados e em curto prazo o setor poderá contribuir com 4 mil Mw adicionais.

SUBPRODUTOS

Diversidade, flexibilidade e adequação às necessidades do meio ambiente

A Cana-de-Açúcar é matéria-prima de grande flexibilidade. Com ela é possível produzir açúcar e álcool de vários tipos; fabricar bebidas como cachaça, rum e vodka e gerar eletricidade a partir do bagaço via alcoolquímica. Da cana se aproveita absolutamente tudo: bagaço, méis, torta e resíduos de colheita.

Com 3 kg de açúcar e 17,1 kg de bagaço pode-se obter, por exemplo, 1 kg de plástico biodegradável derivado da cana, utilizando-se como solventes outros subprodutos da usina.

Do bagaço, obtêm-se bagaço hidrolisado para alimentação animal, diversos tipos de papéis, fármacos e produtos como o furfurol, de alta reatividade, para a síntese de compostos orgânicos, com grande número de aplicações na indústria química e farmacêutica.

Do melaço, além do álcool usado como combustível, bebida, e na indústria química, farmacêutica e de cosméticos, extraem-se levedura, mel, ácido cítrico, ácido lático, glutamato monossódico e desenvolve-se a chamada alcoolquímica – as várias alternativas de transformação oferecidas pelo álcool etílico ou etanol. Do etanol podem ser fabricados polietileno, estireno, cetona, acetaldeído, poliestireno, ácido acético, éter, acetona e toda a gama de produtos que se extraem do petróleo. Seu variado uso inclui a fabricação de fibras sintéticas, pinturas, vernizes, vasilhames, tubos, solventes, plastificantes, etc.

Dos resíduos, utilizam-se a vinhaça e o vinhoto como fertilizantes. Existem ainda outros derivados: dextrana, xantan, sorbitol, glicerol, cera refinada de torta, antifúngicos, etc.

A Cana-de-Açúcar gera, portanto, assim como o pe-tróleo, incontável número de produtos, de fermento a herbicidas e inseticidas, com importante diferencial: são biodegradáveis e não ofensivos ao meio ambiente.

AVANÇO TECNOLÓGICO

Qualquer que seja a matéria-prima (Cana-de-Açúcar, beterraba, milho, etc.) da qual se extraia açúcar e álcool, o setor sucroalcooleiro do Brasil é dos mais competitivos do mundo.

Graças ao elevado teor de fibra, que lhe confere independência em relação à energia externa, a Cana-de-Açúcar apresenta, em termos energéticos, claras vantagens competitivas na comparação com outras matérias-primas.

A produtividade agro-industrial teve nos últimos anos significativa evolução: na região Centro-Sul, que responde por 85% da produção brasileira, a média oscila entre 78 e 80 toneladas por hectare, em ciclo de cinco cortes. Em São Paulo, responsável por 60% da produção nacional, a média está ao redor de 80 a 85 toneladas por hectare, em ciclo de cinco a seis cortes.

Cana de Açúcar

A qualidade da matéria-prima, em São Paulo e no Centro-Sul, medida pela sacarose que contém, está entre 14 e 15,5% de pol, o que equivale ao rendimento médio de 140 a 145 kg de açúcares totais por tonelada de cana. Para o álcool, isso significa rendimento entre 80 e 85 litros por tonelada.

Cana de Açúcar

No Brasil, e entre os associados da Unica, a melhoria tecnológica para os próximos cinco anos deverá concentrar-se nos seguintes aspectos:

Desenvolvimento de novas variedades, cada vez mais adaptadas ao clima, tipo de solo e sistema de corte (manual ou mecanizado) e cada vez mais resistentes a pragas e com maior concentração de sacarose

Uso de insumos modernos, melhoria do sistema de transporte e mecanização da lavoura

Melhores processos de planejamento e controle

Melhoria na extração do caldo e diminuição de perdas no processo

Menor uso de produtos químicos no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool

Inovações no processo de produção de açúcar e álcool

Gerenciamento da produção

Co-geração de energia elétrica

A palavra que originou o nome açúcar é, provavelmente, “grão”, “sarkar”, em sânscrito.

No leste da Índia, o açúcar era chamado “shekar”, enquanto os povos árabes o conheciam como “al zucar”, que se transformou no espanhol “azucar”, e daí, “açúcar”, em português.

Na França, o açúcar é chamado de “sucre” e, na Alemanha, de “zucker”, daí o inglês “sugar”.

Assunto muito controvertido é o que define a idade da Cana-de-Açúcar no mundo – entre 12.000 anos e 6.000 anos atrás. O lugar onde a planta germinou pela primeira vez também é uma incógnita, devido à quantidade de gramíneas híbridas existentes e à falta de documentação que certifique sua origem.

Uma linha de pesquisadores admite que a Cana-de-Açúcar tenha surgido primeiramente na Polinésia; alguns arriscam a Papua Nova Guiné como berço da gramínea. Os estudiosos que admitem o surgimento da cana há 6 mil anos indicam a Indonésia, Filipinas e norte da África como expansão natural nos dois mil anos após o primeiro registro da planta.

A maioria dos historiadores, porém, aceita a tese de surgimento da cana entre 10 e 12 mil anos, e data em 3.000 a.C. o caminho percorrido pela cana da Península Malaia e Indochina à Baía de Bengala.

Mas há um fato com o qual todos os historiadores concordam: a origem asiática da cana.

Ela foi introduzida na China por volta de 800 a.C. e o açúcar cru já era produzido em 400 a.C. Porém, só a partir de 700 d.C. começou a ser comercializado. Há relatos de sua expansão ocidental, atingindo Índia e Pérsia, que datam de 510 a.C., da expedição militar persa do imperador Dario à Índia. A cana e o seu doce caldo, porém, foram mantidos em segredo, já que o produto da planta era raro e luxuoso, principalmente para os povos distantes do comércio entre os asiáticos.

Em 327 a.C., Alexandre “O Grande” comprovou o consumo da cana na Índia. Seu almirante Nearchos disse que havia encontrado “uma cana que fazia o mel sem abelhas”, e os escribas observaram os hindus enquanto mastigavam a gramínea. Theopharstus, em 287 a.C., descreveu a maravilha como “o mel que está em um bastão”.

COLÔNIA E IMPÉRIO

Cana de Açúcar

A Cana-de-Açúcar no Brasil: objetivos, implantação, apogeu e queda

Plantio em grande escala da cana transformou o Brasil em principal fornecedor de açúcar para a Europa – até chegar a concorrência

Um dos propósitos para a descoberta de novas terras, na época das Grandes Navegações, era a falta de áreas cultiváveis na Europa em que pudessem prosperar espécies de plantas como a Cana-de-Açúcar, cujo produto, o açúcar, era escasso e caro no Velho Continente. Portugal plantava cana nas ilhas de Cabo Verde, Açores e Madeira. Ainda assim, eram poucas as terras apropriadas para a cultura.

Com a Descoberta do Brasil, a Cana-de-Açúcar foi trazida para a América – as primeiras mudas chegaram em 1532, na expedição de Martim Afonso de Souza –, e aqui a planta espalhou-se no solo fértil de massapê, com a ajuda do clima tropical quente e úmido e da mão-de-obra escrava trazida da África. A descoberta dessa nova colônia enriqueceu Portugal e espalhou o açúcar brasileiro – assim como aquele produzido na América Central, por franceses, espanhóis e ingleses – por toda a Europa.

Principalmente por causa das invasões de estrangeiros no Brasil, tornou-se necessário habitar a nova colônia. Para isso, o rei D. João III dividiu as terras pertencentes a Portugal, conforme o Tratado de Tordesilhas, em capitanias hereditárias, a exemplo do que havia sido feito em Madeira e Açores. As capitanias eram doadas pelo rei aos donatários – fidalgos portugueses que, em troca, deveriam povoar, cultivar, desenvolver e defender, principalmente de invasores, as terras concedidas.

A capitania mais importante na época do ciclo da cana era a Capitania de Pernambuco, que pertencia a Duarte Coelho, onde foi implantado o primeiro centro açucareiro do Brasil. Logo se seguiu o despertar da Capitania da Bahia de Todos os Santos – de Francisco Pereira Coutinho – e, com o desmatamento da Mata Atlântica nativa, os canaviais expandiram-se pela costa brasileira.

No entanto, diferentemente do que acontecia nas terras do norte da colônia, no sul, as capitanias de São Vicente (São Paulo) e São Tomé (Rio de Janeiro) sofriam por estarem distantes da metrópole e dos portos europeus. Isso encarecia o transporte do açúcar, mas não impediu que a cultura também se estabelecesse nessas áreas.

A Espanha, grande concorrente de Portugal, além de plantar cana desde 1506, em Cuba, em Porto Rico e no Haiti – suas colônias –, trazia pedras e metais preciosos das terras do Novo Mundo. Porém, com a adoção de medidas portuguesas que asseguravam a liderança lusitana no mercado açucareiro e a descoberta dos tesouros astecas e das minas mexicanas pelos espanhóis, o interesse da Espanha pelos canaviais se amainou.

A maior conseqüência da penetração de metais preciosos das colônias espanholas na Europa foi o aumento dos preços de produtos considerados de luxo. Essa coincidência favoreceu o domínio português sobre a produção de açúcar no século XVII.

Em 1580, com a morte do rei D. Sebastião, a Coroa Espanhola incorporou Portugal aos seus domínios. A união das coroas não fez bem às relações de Portugal com a Holanda, já que os holandeses eram inimigos dos espanhóis. Nessa época, o açúcar brasileiro seguia em embarcações para ser refinado na Holanda, e quem realmente o comercializava eram os holandeses.

Com a interrupção de relações portuárias entre Portugal e Holanda, a idéia de tomar o Nordeste brasileiro tomou corpo na corte holandesa. Apoiados pela Companhia das Índias Ocidentais, empresa fundada em 1621, e pelos Estados Gerais das Províncias unidas (governo da Holanda na época), holandeses desembarcaram no Brasil em 1630.

Passaram 24 anos entre nós, adquirindo tecnologia e experiência nos engenhos e canaviais. Os holandeses foram expulsos em 1654 mas levaram o conhecimento e as técnicas do cultivo da cana para as Antilhas e para a América Central. Essas terras, que ficavam mais próximas da Europa, substituíram o açúcar brasileiro no mercado e a agricultura brasileira recebeu um grande golpe.

O Nordeste já não podia competir no cenário internacional. A vida social, econômica e cultural brasileira passou por uma grande transformação, e a situação só melhorou quando as colônias européias produtoras de açúcar foram sacudidas por revoltas sociais que desencadearam a independência das colônias. Aproveitando-se disso, produtores brasileiros voltaram a ser os maiores fabricantes de açúcar do mundo.

A abertura dos portos, em 1808, e a Independência, em 1822, também beneficiaram a produção. Mas isso não foi suficiente para retomar a posição de dois séculos atrás.

A agricultura da Cana-de-Açúcar vinha sendo prejudicada pela expansão do cultivo da beterraba – da qual também é extraído o açúcar – na Europa; pela distância entre o Brasil e os portos consumidores; e pelo baixo nível técnico da produção.

O século XIX não foi bom para o Brasil, que caiu para quinto lugar na lista de produtores de cana, com apenas 8% da produção mundial. A economia açucareira teve nova queda e o declínio da produção acentuou-se no fim do século, obrigando o Brasil a voltar-se para o mercado interno, que era pequeno e estava fragilizado pela crise do açúcar.

Fonte: www.unica.com.br

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