Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Castro Alves Biografia, Vida - Página 5  Voltar

CASTRO ALVES

Castro Alves
Castro Alves

Aos quatorze dias do mês de março, no ano de 1847, nasceu Antônio de Castro Alves, na fazenda Cabaceiras, a sete léguas da vila de Curralinho, hoje cidade de Castro Alves. Era filho do Dr. Antônio José Alves e D. Clélia Brasília da Silva Castro. Passou a infância no sertão natal, e em 54 iniciou os estudos na capital baiana. Aos dezesseis anos foi mandado para o Recife. Ia completar os preparatórios para se habilitar à matrícula na Academia de Direito. A liberdade aos 16 anos é coisa perigosa. O poeta achou a cidade insípida. Como ocupava os seus dias? Disse-o em carta a um amigo da Bahia: "Minha vida passo-a aqui numa rede olhando o telhado, lendo pouco fumando muito. O meu ‘cinismo’ passa a misantropia. Acho-me bastante afetado do peito, tenho sofrido muito. Esta apatia mata-me. De vez em quando vou à Soledade." Que era a Soledade? Um bairro do Recife, onde o poeta tinha uma namorada. O resultado dessa vadiagem foi a reprovação no exame de geometria. Mas em 64 consegue o adolescente matricular-se no Curso Jurídico. Se era tido por mau estudante, já começava a ser notado como poeta. Em 62 escrevera o poema "A Destruição de Jerusalém", em 63 "Pesadelo", "Meu Segredo", já inspirado pela atriz Eugênia Câmara, "Cansaço", "Noite de Amor", "A Canção do Africano" e outros. Tudo isso era, verdade seja, poesia muito ruim ainda. O menino atirava alto. "A poesia", dizia, "é um sacerdócio — seu Deus, o belo — seu tributário, o Poeta." O Poeta derramando sempre uma lágrima sobre as dores do mundo. "É que", acrescentava, "para chorar as dores pequenas, Deus criou a afeição, para chorar a humanidade — a poesia." Mas, no dia 9 de novembro de 1864, ao toque da meia-noite, na sotéia em que morava, o poeta, que sem dúvida se balançava na rede, fumando muito, sentiu doer-lhe o peito, e um pressentimento sinistro passou-lhe na alma. Pela primeira vez ia beber inspiração nas fontes da grande poesia: essa a importância do poema "Mocidade e Morte" na obra de Castro Alves. Uma dor individual, dessas para as quais "Deus criou a afeição", despertou no poeta os acentos supremos, que ele depois saberá estender às dores da humanidade, aos sofrimentos dos negros escravos (O Navio Negreiro), ao martírio de todo um continente (Vozes d'África). Não era mais o menino que brincava de poesia, era já o poeta-condor, que iniciava os seus vôos nos céus da verdadeira poesia. Naquela mesma noite escreve o poema, tema pessoal, logo alargado na antítese mocidade-morte, a mocidade borbulhante de gênio, sedenta de justiça, de amor e de glória, dolorosamente frustrada pela morte sete anos depois.

Biografia A versão primitiva do Poema foi conservada em autógrafo, documento precioso porque revela duas coisas: o poeta não se contentava com a forma em que lhe saíam os versos no primeiro momento da inspiração; na tarefa de os corrigir e completar procedia com segura intuição e fino gosto. Cotejada a primeira versão com a que foi publicada pelo poeta em São Paulo, por volta de 68-69, verifica-se que todas as emendas foram para melhor. Baste um exemplo: o sexto verso da segunda oitava era na primeira versão "Adornada" com os prantos do arrebol, substituído na definitiva por "Que" banharam de prantos as alvoradas, verso que forma com o anterior um dístico de raro sortilégio verbal.

"vem! formosa mulher — camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas".

Quase a meio do curso, em 67, o poeta, apaixonado pela portuguesa Eugênia Câmara, parte com ela para a Bahia, onde faz representar um mau drama em prosa — "Gonzaga" ou a "Revolução de Minas". Era sua intenção concluir o bacharelato em São Paulo, aonde chegou no ano seguinte. A sua passagem pelo Rio assinalou-se pelos mesmos triunfos já alcançados em Pernambuco. Em São Paulo, nos fins de 68, feriu-se num pé com um tiro acidental por ocasião de uma caçada, do que resultou longa enfermidade, em que teve o poeta que se submeter a várias intervenções cirúrgicas e finalmente à amputação do pé. O depauperamento das forças conduziu-o à tuberculose pulmonar, a que sucumbiu em 71 no sertão de sua província natal. Antes de regressar a ela, publicara, em 70, o livro "Espumas Flutuantes", cantos por ele definidos como rebentando por vezes, ao estalar fatídico do látego da desgraça", refletindo por vezes "o prisma fantástico da ventura ou do entusiasmo".

Vulgarmente melodramático na desgraça, simples e gracioso na ventura, o que constituía o genuíno clima poético de Castro Alves era o entusiasmo da mocidade apaixonada pelas grandes causas da liberdade e da justiça — as lutas da Independência na Bahia, a insurreição dos negros de Palmares, o papel civilizador da imprensa, e acima de todas a campanha contra a escravidão. Mas este último tema não figurava nas "Espumas Flutuantes". As composições em que o tratava deveriam formar o poema "Os Escravos", o qual teria como remate "A Cachoeira de Paulo Afonso", publicada postumamente. Deixava ainda o poeta outras poesias avulsas, que era seu propósito reunir em outro livro intitulado "Hinos do Equador".

Ao livro "Os Escravos" pertenceriam "Vozes d'África" e "O Navio Negreiro", os dois poemas em que o poeta atingiu a maior altura de seu estro. O primeiro é uma soberba apóstrofe do continente escravizado, a implorar justiça de Deus. O que indignava o poeta era ver que o Novo Mundo, "talhado para as grandezas, pra crescer, criar, subir", a América, que conquistara a liberdade com formidável heroísmo, se manchava no mesmo crime da Europa.

No "O Navio Negreiro" evocava o poeta os sofrimentos dos negros na travessia da África para o Brasil. Sabe-se que os infelizes vinham amontoados no porão e só subiam ao convés uma vez ao dia para o exercício higiênico, a dança forçada sob o chicote dos capatazes.

Em Castro Alves cumpre distinguir o lírico amoroso, que se exprimia quase sempre sem ênfase e às vezes com exemplar simplicidade, como no formoso quadro do poema "Adormecida", o poeta descritivo, pintando com admirável verdade e poesia a nossa paisagem, tal em "O Crepúsculo Sertanejo", cumpre distingui-lo do épico social desmedindo-se em violentas antíteses, em retumbantes onomatopéias. A este último aspecto há que levar em conta a intenção pragmática dos seus cantos, escritos para serem declamados na praça pública, em teatros ou grandes salas —, verdadeiros discursos de poeta-tribuno. E há que reconhecer nele, mau grado os excessos e o mau-gosto ocasional, a maior força verbal e a inspiração mais generosa de toda a poesia brasileira.

Manuel Bandeira

Fonte: www.secrel.com.br

Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves
Antônio Frederico de Castro Alves

Poeta baiano (14/3/1847-6/7/1871). Antônio Frederico de Castro Alves nasce em Muritiba e passa boa parte da infância no sertão baiano. Muda-se para Salvador em 1852 e, depois, para Pernambuco. Em 1864 ingressa na Faculdade de Direito do Recife, onde se destaca como orador e poeta. Dedica-se a temas sociais, em especial à abolição da escravatura.

Escreve uma única peça de teatro, Gonzaga ou a Revolução de Minas, encenada em 1867 em Salvador. No mesmo ano transfere-se para a Faculdade de Direito de São Paulo, mas não conclui o curso. Nessa época, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, trava amizade com José de Alencar e Machado de Assis. Em 1870 fere o pé em um acidente de caça e, já doente, retorna à Bahia e publica Espumas Flutuantes, o único livro que vê editado.

Morre tuberculoso no ano seguinte, em Salvador, aos 24 anos. Seus poemas mais conhecidos são O Navio Negreiro e Vozes d''África. As obras A Cachoeira de Paulo Afonso, Os Escravos e Hinos do Equador são publicadas somente após sua morte. Por seu estilo hiperbólico e grandiloqüente é considerado representante do condoreirismo, corrente poética que se origina na poesia épica do escritor francês Victor Hugo.

Fonte: www.algosobre.com.br

Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves (Muritiba BA 1847 - Salvador BA 1871). Poeta e dramaturgo. Nascido na Fazenda Cabaceiras, faz seus primeiros estudos no município vizinho, Cachoeira. Instala-se em Salvador, em 1854, onde freqüenta o Colégio Sebrão e o Ginásio Baiano, este fundado e dirigido pelo educador Abílio César Borges (1824 - 1891), mais tarde caricaturado como Aristarco Argolo de Ramos no romance

O Ateneu (1888), de Raul Pompéia (1863 - 1895). Castro Alves, parte com o irmão José Antônio para estudar na Faculdade de Direito do Recife, em 1862, mas, reprovado, mergulha na vida cultural da cidade, conquistando fama de poeta inspirado. Nesse período, conhece a atriz portuguesa Eugênia Câmara (1837 - 1879), com qum se relaciona. Finalmente, em 1864, matricular-se no curso de direito, mas, abalado pelo suicídio do irmão José Antônio, volta para a Bahia. Retorna para Recife em março de 1865, em companhia do poeta Fagundes Varela (1841 - 1975). Funda, em 1866, com o publicista Rui Barbosa (1849 - 1923) e outros colegas, uma sociedade abolicionista. Passa a viver com Eugênia Câmara e inicia uma fase de intensa produção literária. Envolve-se com a abolição da escravatura e com a causa da república, época em que finaliza o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, representado no Teatro São João, em Salvador, com enorme sucesso.

Em 1868, parte com Eugênia para o Rio de Janeiro, onde, recomendado pelo romancista José de Alencar (1829 - 1877), é recebido pelo escritor Machado de Assis (1839 - 1908). No ano seguinte, muda-se para São Paulo, matricula-se no 3º ano de direito na Faculdade do Largo de São Francisco e realiza a primeira apresentação pública de Tragédia no Mar, que mais tarde ganha o nome de O Navio Negreiro. Nesse ano, desfaz sua ligação com Eugênia e fere o pé com um tiro durante uma caçada na fazenda do pai em Caetité, Bahia. Viaja então para o Rio de Janeiro para se tratar e em junho de 1869 tem o pé amputado. Decide retornar a Salvador e passa a viver na fazenda Curralinho para cuidar da tuberculose. Morre em 1871, no solar da família em Salvador.

Castro Alves pode ser filiado ao romantismo tardio, com influência de poetas franceses como Victor Hugo (1802 - 1885), Alfred de Musset (1810 - 1857), Alphonse de Lamartine (1790 - 1869) e do inglês Lord Byron (1788 - 1824). Parte de sua poética, vinculada ao momento de grande efervescência política em que vivia, tem caráter retórico e declamatório. Contudo, é notória também sua poesia dedicada ao amor e à morte, bem como sua representação da sensual da mulher, distante da figura feminina idealizada evocada por seus contemporâneos.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em Muritiba (BA), no dia 14 de março de 1847. Em 1862, publica no "Jornal do Recife", onde morava em companhia do irmão mais velho, "Destruição de Jerusalém". Em 1868 viaja para o Rio de Janeiro, onde é recebido por José de Alencar e Machado de Assis. No dia 7 de setembro, em São Paulo, declama "O Navio Negreiro", alcançando grande sucesso. O maior romântico brasileiro e, com Tobias Barreto, um dos fundadores da escola condoreira, inspirada em Vítor Hugo. Nativista, revelador da paisagem brasileira, republicano e abolicionista — o cantor do Navio negreiro é o nosso grande poeta social e nacional.

O poeta faleceu no dia 06 de julho de 1871, em Salvador (BA). É o patrono da Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras.

Fonte: www.releituras.com

Castro Alves

Castro Alves
Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na fazenda Cabaceiras, antiga freguesia de Muritiba, perto da vila de Curralinho, hoje cidade Castro Alves, no Estado da Bahia, a 14 de março de 1847 e morreu na cidade de Salvador, no dia 6 de julho de 1871.

O mais brilhante dos poetas românticos brasileiros. Chamado cantor dos escravos pelos seus poemas de combate à escravidão negra no Brasil. Viveu os primeiros anos da juventude no interior do sertão.

Era filho do médico Antônio José Alves, mais tarde professor na Faculdade de Medicina de Salvador, e de Clélia Brasília da Silva Castro, falecida quando o poeta tinha 12 anos. Por volta de 1853, ao mudar-se com a família para a capital, estudou no colégio de Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas, onde foi colega de Rui Barbosa, demonstrando vocação apaixonada e precoce para poesia. Aos dezesseis anos foi para o Recife, estudar Direito.

Começou desde logo a patentear uma notável vocação poética e a demonstrar dotes oratórios pouco comuns, que mais tarde fizeram dele um dos arautos do movimento abolicionista e da causa republicana. Escreveu poesia lírica, e também poesia de caráter social, em favor da abolição da escravatura. Participou ativamente da vida estudantil e literária. Tendo grande animação pelo teatro, em 1867, conheceu a atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha do que ele, por quem se apaixonou, com ela seguindo para Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, e em sua homenagem escreveu o drama em prosa Gonzaga ou A Revolução de Minas, que ela representou. De passagem pelo Rio de Janeiro, conheceu Machado de Assis, que o introduziu nos meios literários. Em São Paulo cursa o 3º ano da Faculdade de Direito.

Começam então os primeiros desentendimentos amorosos do casal.

Os amores pela atriz continuaram, mas não foram por ela correspondidos. Abraçando a caça nos bosques da Lapa, o poeta procurava esquecer os aborrecimentos, que lhe adivinham das desavenças com atriz.

Em 1968, numa dessas caças feriu-se com um tiro de espingarda no pé direito. Foi conduzido para o Rio de Janeiro, teve o pé amputado. Daí passou a caminhar apoiado numa bengala, utilizando um pé de borracha. Como já a tuberculose o afligia, teve seus males agravados pelo acidente.

Em 1870 dirigiu-se para a Bahia, onde publica Espumas Flutuantes. Falece em Salvador. Predominante poeta romântico, foi influenciado por Byron e Vitor Hugo. Pertenceu à Escola Condoreira. O inolvidável poeta, que foi um dos mais acerbos defensores da emancipação da escravatura no Brasil, é o patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras. Obras de Antônio Castro Alves (1847 - 1871): Espumas Flutuantes, Os Escravos, A Cachoeira de Paulo Afonso e o drama Gonzaga ou A Revolução de Minas, Vozes da África e Navio Negreiro são a sua expressão máxima e poesia.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

CASTRO ALVES

DADOS BIOGRÁFICOS

Antônio Frederico Castro Alves nasceu numa fazenda em Curralinhos, no estado da Bahia, em 1847 e morreu em Salvador em 1871. Bastante cedo foi para o Recife cursar Direto onde, aliado a outros jovens escritores como Rui Barbosa e Tobias Barreto, participou de movimentos abolicionistas e liberais. Enamorado da atriz portuguesa Eugênia Câmara, foi para São Paulo com a intenção de terminar o curso. Abandonado pela amante, viveu uma vida boêmia e intensa na capital. Numa viagem ao Rio de Janeiro, conheceu José de Alencar e Machado de Assis, que muito lhe elogiaram. Numa caçada no final do ano de 1868, feriu o pé com um tiro e foi obrigado a amputá-lo, o que serviu para agravar seus problemas com a tuberculose, que já o molestava há um certo tempo. De volta a Salvador, morreu aos vinte e quatro anos, totalmente tomado pela doença.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

A obra de Castro Alves, tendo como relevância a sua poesia, difere muito da obra indianista de Gonçalves Dias ou do ultra-romantismo de Álvares de Azevedo. A temática do amor, por exemplo, deixa de ser idealizada para se tornar mais real, carnal e concreta. A mulher perde a já tão gasta imagem de musa desejada, impossível e distante para se tornar mais acessível, fruto de lembranças amorosas, ou mais acessível às paixões e desejos do poeta. A morte não é mais uma fuga e sim um temível e amargo obstáculo às realizações e sonhos. A depressão e melancolia estão presentes, mas perdem espaço para a exaltação da natureza, sempre grandiosa e em harmonia com os estados de espírito do poeta. A referência às grandes aves, principalmente à águia e ao condor (símbolo da terceira geração romântica: a condoreira), é constante, expressando a liberdade, as alturas que a sua poesia pode atingir.

Mas o forte da poesia de Castro Alves está na crítica social, inspirada principalmente pelo poeta francês Victor Hugo. Sua poesia perde a maior parte do caráter evasivo e distante da realidade tipicamente românticos para ganhar uma voz mais participante dentro da sociedade. O caráter crítico de sua obra, principalmente ligado às causas da abolição, rendeu-lhe o título de "Poeta dos escravos." Isso é notório no longo poema "O navio negreiro" [ver Antologia], onde há a denúncia das péssimas condições com que os negros escravos eram transportados. Embora tenha sido um escritor do Romantismo, suas poesias, na verdade, já continham os primeiros indícios da transição do Romantismo exacerbado e depressivo para o Realismo crítico, que já contava com sua força máxima na Europa.

PRINCIPAIS OBRAS

Poesia

Espumas Flutuantes (1870); A cachoeira de Paulo Afonso (1876); Os escravos (1883).

Teatro

Gonzaga ou a Revolução de Minas (1875).

Fonte: www.nilc.icmc.usp.br

CASTRO ALVES

1847, março, 14 - Na fazenda Cabaceiras, na então freguesia de Muritiba, comarca de Cachoeira, a poucas léguas de Curralinho, na Bahia, nasce Antônio de Castro Alves, filho do dr. Antônio José Alves e de d. Clélia Brasília da Silva Castro. julho, 9 - Batizado com o nome de Antônio Frederico de Castro Alves.

1852/53 - Transferência da família para Muritiba e depois para S. Félix, às margens do rio Paraguaçu. Aprende as primeiras letras com o professor primário José Peixoto da Silva. Passa a freqüentar a escola de Antônio Frederico Loup, em Cachoeira, no outro lado do Paraguaçu.

1854 - No início do ano, instala-se a família do poeta em Salvador, à rua do Rosário, nº 1, num sobrado em que, seis anos antes, fora assassinada, pelo noivo, a formosa Júlia Feital, segundo a lenda, com uma bala de ouro.

1855 - Abre o dr. Antônio José Alves consultório médico à rua do Paço, para onde havia transferido residência.

1856/57 - Castro Alves freqüenta os cursos do Colégio Sebrão.

1858 - Transfere-se para o Ginásio Baiano, do dr. Abílio César Borges, mais tarde barão de Macaúbas. Mudança da família para a chácara da Boa Vista, no arrabalde de Brotas.

1859 - Falece Dª. Clélia de Castro Alves.

1860, setembro, 9 - Recita Castro Alves as suas primeiras poesias no "outeiro" do Ginásio Baiano.

1861, julho, 3 - Ainda no ginásio declama sua primeira poesia dedicada à data baiana, 2 de Julho.

1862, janeiro, 24 - Casamento do dr. Antônio José Alves com a viúva Maria Ramos Guimarães. Janeiro, 25 - Os irmãos Antônio e José Antônio viajam no mesmo navio para o Recife. Junho, 23 - Publicação da poesia "Destruição de Jerusalém", no Jornal do Recife.

1863, março - Castro Alves submete-se à prova para matrícula na Faculdade de Direito do Recife, sem êxito. Estréia da Cia. Dramática Coimbra, com Furtado Coelho e Eugênia Câmara, no Teatro Santa Isabel. Maio, 17 - A Primavera publica os primeiros versos abolicionistas de Castro Alves, "A Canção do Africano". Junho - Com a poesia "Meu Segredo" (à senhora D...), trai discretamente o início de sua paixão por Eugênia Câmara. Sofre uma hemoptise, segundo testemunho de Luiz Cornélio dos Santos. Outubro - Com manifestações de desequilíbrio mental, José Antônio é mandado, pelo pai, para o Rio de Janeiro.

1864, fevereiro - José Antônio suicida-se em Curralinho. Castro Alves matricula-se no 1º ano jurídico. Junho - Redige, com outros colegas, o jornalzinho O Futuro. Outubro, 7 - Escreve a poesia "O Tísico", que passa depois a chamar-se de "Mocidade e Morte". Outubro, 27 - Viaja precipitadamente para a Bahia, interrompendo o curso.

1865, março, 18 - Retorno ao Recife, em companhia de Fagundes Varela. Agosto, 11 - Em sessao comemorativa da data de abertura dos cursos jurídicos, declama o poema "O Século". Agosto - Passa a morar com Idalina, à rua do Lima, no bairro de Sto. Amaro. Começa a preparar os poemas de Os Escravos. Agosto, 19 - Alista-se com outros colegas, no Batalhao Acadêmico de Voluntários para a Guerra do Paraguai. Dezembro, 16 - Desembarca na Bahia, ainda acompanhado por Fagundes Varela.

1866, janeiro, 23 - Falece o dr. Antônio José Alves. Volta ao Recife, matriculando-se no 2º ano jurídico. Funda uma sociedade abolicionista, com Rui Barbosa, Regueira da Costa, Plínio de Lima e outros colegas da academia. Lança o jornal de idéias A Luz, que dá origem a uma polêmica pela imprensa com Tobias Barreto. Junho - Passa a morar numa cela do convento de S. Francisco. Setembro, 7 - Recita no Teatro Santa Isabel o poema "Pedro Ivo", com grande sucesso. Torna-se amante de Eugênia Câmara, entusiasmando-se pela vida teatral. Dezembro, 18 - O Tribuno divulga, sem assinatura, os seus versos "0 Povo no Poder", contra a dissolução de um comício republicano. É aprovado nos exames escolares.

1867, fevereiro - No povoado do Barro, onde passou a viver com Eugênia Câmara, conclui o drama Gonzaga. Abril - Da sacada de uma janela da rua do Imperador, faz um improviso contra o espancamento do estudante Torres Portugal. Leitura do drama Gonzaga para um círculo de intelectuais, artistas e admiradores, no Santa Isabel. Maio, 29 - Viaja com Eugênia Câmara e uma filha da atriz, para a Bahia, deixando de vez o Recife. Junho - A peça é aprovada pelo Conservatório Dramático da Bahia, com discrepância apenas de um voto.

Setembro, 7 - Estréia de Gonzaga e consagração do poeta em cena aberta. Outubro - Castro Alves retira-se para a chácara da Boa Vista com o projeto de concluir Os Escravos e lá escreve Sub Tegmine Fagi e outras poesias.

1868, fevereiro, 8 - Acompanhado ainda de Eugênia Câmara, viaja para o Rio de Janeiro. Fevereiro, 17 - Com carta de apresentação do dr. Fernandes Cunha, é recebido por José de Alencar, a quem lê Gonzaga e algumas poesias.

Fevereiro - Machado de Assis ouve, em separado, a peça e algumas poesias, atendendo a recomendação de José de Alencar.

Março, 11 - Partida com Eugênia Câmara para S. Paulo.

Março, 12 - Chegada a Santos e partida para S. Paulo.

Março, 13 Castro Alves requer matrícula no 3.º ano jurídico.

Julho, 2 - Declama a "Ode ao Dous de Julho" no Teatro São José, triunfalmente, conforme testemunho de Nabuco.

Setembro, 7 - Novo triunfo com o recitativo de "O Navio Negreiro", em sessão magna.

Outubro, 25 - Representação de Gonzaga no Teatro São José, com absoluto sucesso. Outubro - Aprovação nos atos escolares.

Novembro, 11 - Acidente numa caçada. A espingarda dispara atingindo-lhe o calcanhar esquerdo.

1869, março - Matricula-se no 4.º ano jurídico.

Abril, I - Com o enfraquecimento pulmonar, agravam-se os males, causando seu estado apreensão entre 30 de março a 1.º de abril.

Maio, 21 - Chega ao Rio, bastante combalido, hospedando-se na casa de seu amigo Luíz Cornélio dos Santos. Junho - Com ameaça de gangrena, o pé esquerdo é amputado.

Outubro, 31 - Vai ao Teatro Fênix Dramática rever o desempenho de Eugênia Câmara, um ano após a ruptura de suas ligações com a atriz.

Novembro, 25 - Embarca para a Bahia.

1870, fevereiro - A conselho médico, segue para Curralinho, no sertão baiano, e depois para a fazenda Sta Isabel do Orobó, hoje ltaberaba. Setembro - Retorna à capital baiana.

Outubro - Lançamento de Espumas Flutuantes.

1871, janeiro - Apaixona-se pela cantora Agnese Trinci Murri, a quem dirige versos.

Fevereiro, 10 - última declamação em público ("No meeting do Comité du Pain"), em benefício das crianças francesas vítimas da guerra franco-prussiana. Junho - Agrava-se seu estado de saúde a partir da noite de São João.

Julho, 6 - Expira às três e meia da tarde, junto a uma janela banhada de sol, para onde fora levado de acordo com seu último desejo.

1909, julho, 25 - O nome Curralinho é alterado para Castro Alves, inclusive sede municipal, por efeito da lei estadual n.º 360. 1970/71 - A casa das Cabaceiras, onde nasceu Castro Alves, é reconstruída e inaugurada no governo Luís Viana Filho. A obra obedece rigorosamente às linhas arquitetõnicas originais com o aproveitamento do material da antiga fazenda. Serve de museu e escola pública.

Fonte: www.miniweb.com.br

CASTRO ALVES

CASTRO ALVES

Antônio Frederico de Castro Alves (Muritiba, Bahia, 14 de Março de 1847 - Salvador, Bahia, 6 de Julho de 1871). Poeta brasileiro, nasceu numa fazenda a sete léguas da vila de Curralinho, hoje Castro Alves.

Nasceu Antônio Frederico de Castro Alves do Dr. Antônio José Alves, cirurgião e professor da Faculdade de Medicina da Bahia, e de sua mulher D. Clélia Brasilia da Silva Castro. Os primeiros anos da vida passou no sertão da terra natal, do qual havia de guardar indelével impressão. Em 54, porém, já estava com a família na capital e cursava com o irmão mais velho, José Antônio, as aulas do Ginásio Baiano, dirigido pela afamado educador Abílio César Borges, depois Barão de Macaúbas.

No colégio o jovem Castro Alves, estimulado em seu lar por seu pai, iria encontrar uma atmosfera literária, produzida pelos oiteiros, ou sauraus, então em moda, festas de arte, música, poesia, declamação de versos. Aos treze anos faz os primeiros versos. Em 1862, foi fazer o curso anexo da Faculdade do Recife. Lá ele foi tribuno e poeta sempre requisitado nas sessões públicas da Faculdade, nas sociedades estudantis, na platéia dos teatros, incitado desde logo pelos aplausos e ovações, que começara a receber, e ia num crescendo de apoteose.

Era, então, um belo rapaz, de porte esbelto, tez pálida, grandes olhos vivos, negra e basta cabeleira, voz possante, dons e maneiras que impressionavam à multidão, impondo-se à admiração dos homens e arrebatando paixões às mulheres. Ocorrem então os primeiros romances, os quais ele nos fez sentir em seus versos, os mais belos poemas líricos do Brasil.

Influência decisiva em sua vida exerceu a atriz portuguesa Eugênia Camara, que veio ao Brasil com Furtado Coelho. Esta foi uma fase de intensa produção literária e a do seu apostolado por duas grandes causas: uma, social e moral, a da abolição da escravatura; outra, a república, aspiração política dos liberais mais exaltados. Data deste tempo o seu drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, representado primeiramente na Bahia e depois em S. Paulo, no qual conseguiu consagrar as duas grandes causas de sua vocação.

No início de 68, passou pelo Rio, recebendo a consagração pública de José de Alencar e de Machado de Assis.

Continuou em S. Paulo seus estudos, e continuou principalmente a produção intensa dos seus poemas líricos e heróicos, publicados nos jornais ou recitados nas festas literárias, e que produziam a maior e mais ruidosa impressão; tinha então 21 anos, e possuía uma nomeada incomparável na sua geração, que deu entretanto os mais formosos talentos e capacidades literárias e políticas do Brasil; basta lembrar alguns nomes: Fagundes Varela, Ruy Barbosa, Joaquim Nabuco, Afonso Pena, Rodrigues Alves, Bias Fortes, Martim Cabral, Salvador de Mendonça...e tantos outros, que lhe assistiram aos triunfos e não lhe disputaram a primazia. É que ele, na linguagem divina que é a poesia, lhes dizia "a magnificência de versos que até então ninguém dissera, numa voz que nunca se ouvira", disse Constâncio Alves. Possuía uma voz dessas que "fazem pensar no glorioso arauto de Agamenon, imortalizado por Homero, Taltibios, semelhante aos deuses pela voz...", como disse Rui Barbosa. Pregava o advento de uma "era nova", segundo Euclides da Cunha.

Em fins de 68, num acidente, feriu o pé com um tiro. Disso resultou longa enfermidade, cirurgias, chegando ao Rio no começo de 69, para salvar a vida, mas com o martírio de uma amputação. Mutilado, obrigado a procurar o consolo da família na terra natal, e os bons ares do sertão, em 70, na fazenda Santa Isabel, situada em Itaberaba, procurando melhora na saúde. Infelizmente pouco durou, vindo a falecer na Cidade do Salvador, Bahia, a 6 de Julho de 1871.

Publicou Espumas Flutuantes ainda em vida (1870), mas seus escritos póstumos incluem apenas um volume de versos: A Cachoeira de Paulo Afonso (1876), Os Escravos (1883) e, mais tarde, Hinos do Equador (1921). É um dos patronos da Academia Brasileira de Letras (cadeira número 7).

Fonte: pt.wikipedia.org

voltar 1234567avançar

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal