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Chopin

Frédéric Chopin

Frédéric Frédéric Chopin (1810-1849)

(Zelazowa-Wola, 1810 - Paris, 1849)

Pianista e compositor polaco. Filho de pai polaco e de mãe francesa, desde jovem chama a atenção pelo seu temperamento melancólico e sonhador, assim como pela sua viva inteligência. Aos vinte anos dá concertos de piano em Viena, Praga, Dresden e, finalmente, em Paris, onde se instala. Insatisfeito com o êxito parcial que obtém no seu primeiro concerto parisiense importante, reserva-se nos tempos seguintes para a intimidade e dedica-se à composição e ao ensino. Bem acolhido pela classe alta polaca imigrada em Paris, tem numerosos alunos que expandem a sua fama. Em poucos anos escreve, além dos seus grandes concertos, sonatas e séries de estudos, diversas mazurcas, nocturnos, baladas, polonesas, prelúdios, sherzos, valsas e uma infinidade de peças de géneros semelhantes.

A música de Frédéric Chopin é de carácter essencialmente pessoal, com um acento romântico cheio de melancolia, em ocasiões de uma pungente tristeza. Afasta-se decididamente da normativa clássica, tanto nos ritmos como nas harmonias. Se bem que seja de lhe reprovar certo sentimento doentio, também é verdade que a sua música está cheia de encanto, de sabor e de uma poesia delicada e penetrante. Provavelmente, a sua tuberculose não é alheia a esta morbidez.

Entre as suas composições mais originais há que citar a grande Valsa em mi menor, as valsas em lá menor e em ré bemol maior; a admirável polonesa n.º 8, a Fantasia de Improviso, o delicioso Scherzo em si bemol, o Concerto em mi menor, os Nocturnos, os Prelúdios, a Marcha Fúnebre… Quanto ao seu génio como pianista, segundo testemunhos da época, é de uma graça elegíaca, de uma elegância fora do comum e de uma poesia e um vigor pessoal sem igual.

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

Frédéric Chopin

1810-1849

Frédéric Frédéric Chopin, forma afrancesada do nome Fryderyk Franciszek Frédéric Chopin, em polonês, nasceu em Zelazowa Wola, Polônia, 1 de Março de 1810 — Paris, 17 de outubro de 1849) foi um dos maiores compositores para piano e o mais conhecido compositor polaco.

Filho do professor francês Nicolas Frédéric Chopin, que dava aulas de língua e literatura francesa, e da polaca Justyna Krzyzanowska, que tocava o piano.

Iniciou aulas de piano aos seus sete anos com o professor Wojciech Zywny e nesta altura compôs suas primeiras Polonaises. O primeiro concerto público deu-se no ano de 1818, tendo apenas 8 anos de idade na época.

Estudou musica no Conservatório de Varsóvia e durante este período, tornou-se ativo participante da vida musical de Varsóvia. Assistiu aos concertos de Paganini bem como a óperas no Teatro Nacional de Varsóvia (Don Giovanni, Barbeiro de Sevilla), e compôs as Variações em Si bemol Maior sobre um motivo da ópera Don Giovanni e uma série de Rondós baseados em motivos lúdicos.

Deixou a Polônia no dia 2 de Novembro de 1830 e seguiu para Paris com vinte e um anos de idade e nunca regressou.

Frédéric Chopin dedicou toda sua obra ao piano, com exceção de uma ou duas peças para violoncelo, um trio de câmara, os dois concertos para piano e algumas canções. Assim, seu nome ficou internacionalmente ligado ao do instrumento, de forma que é impossível fazer uma história da música para piano sem Fryderyk Frédéric Chopin (chopén).

A música de Frédéric Chopin tem na maioridade suas origens no folclore polonês. Este facto não era compatível com o ambiente político na Polônia, que estava na altura e durante cerca de 100 anos sobre ocupação do Czar da Russia. Várias obras têm os nomes das danças populares do seu país de origem, como é o caso das mazurcas (Mazurki) e polonaises (Polonezy). Em outras obras, como os estudos, nocturnos, valsas e sonatas com facilidade encontramos temas das cantigas populares do povo da Polônia, bem influências do bel canto italiano.

No período em que viveu em Paris, teve contato com outros compositores que marcaram época: Franz Liszt, com quem estabeleceu uma duradoura relação de amizade, e que, por sua vez, sofreu influências da música de Frédéric Chopin; Robert Schumann e Hector Berlioz são alguns de seus contemporâneos.

Viveu durante nove anos com a escritora e feminista francesa George Sand, com quem teve uma relação conflituosa. Vítima da tuberculose que o acometera desde a infância, faleceu em 1849, dois anos após o rompimento com Sand. Há teorias de que o rompimento foi provocado por uma briga de Sand e sua filha, Solange. Frédéric Chopin teria apoiado a jovem, irritando a escritora.

Sepultado no cemitério do Père Lachaise em Paris. Seu coração ficou sepultado dentro de um dos pilares da igreja de Santa Cruz em Varsóvia.

Sua obra é reverenciada como parte fundamental do repertório pianístico - é um dos maiores desafios, tanto para jovens pianistas como para virtuoses - e dá nome a alguns dos mais importantes concursos de piano do mundo, como o concurso Frédéric Chopin de Varsóvia (Polônia), que é o mais antigo, organizado desde 1927.

Fonte: www.lastfm.pt

Frédéric Chopin

1810-1849

O compositor Frédéric Frédéric Chopin nasceu no dia primeiro de março de 1810, na Polônia, numa família de classe média. Toda sua obra foi dedicada ao piano, com exceção de uma ou duas peças para violoncelo.

Desde criança ele já demonstrava talento e interesse pela música. Com apenas sete anos de idade, ingressou em uma escola de música e compôs sua primeira peça. Em 1818, portanto com apenas oito anos, Frédéric Chopin deu início à primeira de muitas apresentações que faria ao longo de sua carreira, participando de um concerto.

Em 1831, aos 21 anos, o compositor seguiu para Paris, e até a sua morte não regressou mais à Polônia. Na capital francesa, encontrou rapidamente a fama e o sucesso e, devido à sua elegância e às suas boas maneiras, foi aceito rapidamente na alta sociedade francesa.

Nos anos 1830, Frédéric Chopin contraiu tuberculose, que naquela época era conhecida como “o mal do século”, pois era muito comum e na maior parte dos casos levava à morte. Na busca do tratamento pela doença, Frédéric Chopin gastou todo o dinheiro que ganhou durante sua vida, e com isso passou o resto dos seus dias dependendo de amigos para sobreviver. Até que, em 17 de outubro de 1849, a tuberculose o matou.

Frédéric Chopin deixou uma obra que, estruturalmente, engloba as pequenas formas livres do início do século XIX, entre elas mais de 50 mazurcas e 15 polanaises – gêneros típicos da Polônia, baseados em ritmos e danças do país; 21 noturnos – entre os quais o Opus 9, no. 2, é talvez o mais conhecido; 18 valsas – destinadas à dança, como por exemplo a Opus 64, no. 1, conhecida como a Valsa do Minuto; quatro baladas; três sonatas; 24 prelúdios - em um único volume, Opus 28, e que representam um grande tributo a Bach; 24 estudos - distribuídos em dois volumes, Opus 10 e Opus 25; além de concertos para piano e orquestra e peças para piano solo.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Frédéric Chopin

1810-1849

Frédéric Chopin
Frédéric Chopin

Frederic Frédéric Chopin

Em 1831, o jovem Frederic Frédéric Chopin, chegava em Paris.

Nascido em 22 de fevereiro de 1810, trazia na bagagem meia dúzia de suas melhores obras e um amor inabalável pela Polônia, sua terra natal.

Pianista talentoso desde criança, estava em excursão pela Europa, especificamente em Viena, onde já estivera quando menino, mostrando seu virtuosismo aos habitantes da capital austríaca.

Começou a estudar música com apenas 4 anos, alcançando rapidamente o sucesso não apenas em sua cidade, mas por toda a Polônia e mesmo na Rússia. Na primeira vez que esteve em Viena, em 1829, o público e a crítica o aclamaram. Mas, desta vez, a cidade não se mostrou tão receptiva. Haviam dezenas de virtuoses como ele.

Para completar sua má sorte, surpreende-o a notícia de que houve uma insurreição em Varsóvia. A revolta é sufocada brutalmente pelos soldados russos. Milhares de pessoas são exiladas, outras são proibidas de voltar à pátria. As cartas que enviava à sua família não eram respondidas. Resolve partir para Paris, passando antes pela Alemanha, onde encontra Schumann.

Contam que na primeira vez que visitou a casa do compositor ele não estava em casa. Sua esposa, Clara, o recebeu. Ela não falava francês, Frédéric Chopin não falava alemão. Diz a história que ele se sentou ao piano e tocou algumas composições suas. Clara fez o mesmo com as músicas do marido.

Se isso é verdade ou não não se sabe. O que há de concreto é um artigo e Schumann na Nova Gazeta Musical, que dizia, a respeito de Frédéric Chopin: "Tirem os chapéus, senhores, um gênio".

Em Paris, encontra rapidamente a fama e o sucesso. Fino, elegante, gentil, ele possui todos os predicados para ser aceito na sociedade francesa. Além disso, os poloneses contam com a simpatia do povo francês, o que lhe facilita ainda mais a estadia em seu novo país.

Tímido e reservado, de maneiras aristocráticas, Frédéric Chopin destacou-se primeriamente como concertista de piano e professor, no que era muito requisitado pelas famílias ricas. Seu virtuosismo ao piano, somado ao seu aspecto doentio, contribuíam para a difusão da imagem do gênio. Em Paris torna-se amigo de Franz Liszt, Berlioz, Vitor Hugo e toda a plêiade de artistas que estão na capital francesa nessa época.

Frédéric Chopin teve um grande caso de amor na juventude, com uma jovem chamada Maria Wodzinska. A história terminou por imposição da mãe da moça, que não permitiu mais o relacionamento. Se a incipiente tuberculose de Frédéric Chopin foi ou não a causa, é discutível. Só não há dúvida do efeito que a decisão teve no espírito do compositor, que reuniu todas as cartas enviadas por Maria em um pacote intitulado Moja Bieda, "minha desgraça". Antes dela, Frédéric Chopin havia se apaixonado por Constantia Gladskowa, uma famosa soprano, muito cortejada. O tímido Frédéric Chopin jamais se declarou a ela, mas dedicou-lhe o adágio de seu Concerto em Concerto em Fá Menor, op.21.

Jovem, solteiro, rico e bem posicionado na capital francesa, a popularidade de Frédéric Chopin era enorme. Todavia, continuava a morar sozinho. Em 1837, porém, essa situação mudou. Conheceu Aurore Dudevant, uma estranha mulher que assinava seus escritos com o nome de Georges Sand, e tinha o estranho hábito de se vestir de homem. Pois foi justamente com ela que Frédéric Chopin passou a viver. Os parisienses se escandalizaram com a relação, mas Frédéric Chopin continuou a ser cortejado

Sua saúde piorava dia a dia. Uma de suas irmãs já havia morrido de tuberculose. O "mal do século" também o atingira, e, em busca de tratamento, esteve com Georges Sand na ilha espanhola de Majorca.

Excursionou também pela Inglaterra, onde seus concertos não lhe trouxeram vantagens pecuniárias.

Estava pobre. Todo o dinheiro que havia ganho ele gastou, e dependia agora de amigos para viver. Esse era seu maior problema, viver. Seus amigos não tiveram de esperar muito. Em 17 de outubro de 1849, a tuberculose o matou.

Em seu enterro, um punhado de terra polonesa foi lançada sobre seu caixão: era sua última vontade e sua última declaração de amor à Polônia.

Obras

Falar em Frédéric Chopin é falar em piano. A maioria esmagadora de suas obras são para esse instrumento, e mesmo suas obras orquestrais o incluem.

Suas músicas mais famosas pertencem ao período parisiense do compositor. Um detalhe no que se refere às músicas de Frédéric Chopin: suas obras mais populares são realmente brilhantes. Portanto, não precisamos ter escrúpulos de ouvir pela milésima vez o Noturno op. 9 n 2, a Valsa op. 81 n1 - Grande Valsa Brilhante, o Impromptu Op. 66 - Fantasie-Improptu, o Estudo op 10 n 12, - Revolucionário, escrito no calor da revolução polonesa, o Tristesse op. 10 n 1, o Prelúdio op. 28 n 15, da Gota d'Água, a Poloneise op. 93 e Mazurka op. op.7 n 1.

São essas obras breves que garantem a imortalidade de Frédéric Chopin, não apenas por sua profusão de belas melodias, mas também por suas harmonias inovadoras e utilização de todos os recursos do piano, explorado como o mais lírico dos instrumentos.

Apesar de não serem suas melhores obras, seus dois concertos para a piano, em Fá Menor op. 21 e em Mi menor op.11, escritos em 1830, servem como curiosidade, apenas para quem já está mais familiarizado com sua obra. Ao contrário, suas sonatas para piano são bons exemplos de como Frédéric Chopin soube cultivar as grandes formas sem perder o brilho. A famosa Marcha Fúnebre é o segundo movimento da Sonata n 2, que precisa ser ouvida inteira para obter seu total efeito.

Fonte: www.malhanga.com

Frédéric Chopin

1810-1849

Frédéric François Frédéric Chopin (Compositor polonês )

Compositor polonês essencialmente pianístico nascido em Zelazowa Wola, perto de Varsóvia, autor de prelúdios, noturnos, estudos e polonaises admirados no mundo inteiro.

Filho de um imigrante francês da Lorena e de uma polonesa de origem aristocrática.

Incentivado pela mãe, que era pianista, revelou-se um menino prodígio e, aos oito anos já era executante perfeito e ensaiava as primeiras composições quando ainda aluno do Conservatório de Varsóvia.

Destacou-se como concertista para piano e orquestra em Viena (1829) e deixou a Polônia (1830) para uma viagem de estudos.

Com problemas políticos em Varsóvia, fixou-se em Paris (1831), onde manteve um conturbado romance (1836-1848) com a escritora George Sand.

Durante a revolução (1848) esteve em Londres, mas debilitado pela tuberculose pulmonar regressou a Paris no mesmo ano, onde morreu no ano seguinte.

Influenciado pela música de Bach, seu músico preferido, e pela melodia de Bellini, foi um artista de índole aristocrática, que executava suas composições em auditórios seletos, com raras aparições diante do grande público, criou uma obra exígua, de matizes delicados, mas conquistou enorme audiência popular.

Compôs uma obra valiosa com prelúdios, noturnos, valsas, mazurcas, as patrióticas polonaises, baladas, sonatas, marchas fúnebres etc. e em seu último ano de vida demonstrou insatisfação com sua obra, chegando a destruir muitas páginas, e morreu em Paris, França.

Fonte: www.netsaber.com.br

Frédéric Chopin

1810-184

Frédéric Chopin
Frédéric Chopin

Os historiadores poloneses, inconformados, tentaram de todas as formas encontrar raízes eslavas para a sua grande glória nacional. No entanto, o maior músico da Polônia era mesmo filho de um imigrante francês, passou a maior parte de sua vida em Paris e, hoje, é universalmente conhecido como Frédéric François Frédéric Chopin , e não com o nome de Fryderik Franciszek que lhe foi dado quando o batizaram na igrejinha de Brochów, próximo ao solar de Zelazowa Wola, a seis léguas de Varsóvia, onde nasceu.

Não se sabe bem por que Nicolas Frédéric Chopin, filho de um carpinteiro de Marainville, perto de Nantes, nascido em 1771, deixou a Lorena aos 17 anos e foi para Varsóvia. Em 1802, Nicolas tornou-se preceptor dos seis filhos da condessa Vitória Skarbek. Em sua propriedade de Zelazowa Wola, conheceu a pianista Justina Krzyzanowska, dama de honra e parente distante da dona da casa. Casaram-se em 2 de junho de 1806, e a condessa os instalou em um anexo de sua mansão. Ali nasceu, a primeira filha, Luisa, a quem o pai chamava de Louise. A 22 de fevereiro de 1810, nascia o menino Fryderik, que teve a condessa como madrinha.

Logo após o nascimento desse segundo filho, a família mudou-se para Varsóvia, onde Nicolas acabara de ser nomeado professor de francês do Liceu. Deram-lhe um espaçoso alojamento no antigo Palácio Saxão, onde a escola funcionava e, para aumentar seus rendimentos, ele passou a alugar cômodos a filhos das famílias aristocráticas que vinham estudar na cidade. Nos anos seguintes nasceram Isabel e Emília e Nicolas teve que trabalhar mais, passando também a lecionar na Escola de Artilharia e Engenharia.

A vocação de Fréderic para a música revelou-se cedo. Contam que, bebê ainda, engatinhava para debaixo do cravo, cada vez que a mãe estava tocando. Certo dia, ao escutar marchas militares, emitiu uns gritos desesperados - mais tarde, ao lembrar o episódio, Frédéric Chopin declarou que desde pequeno detestava a música barulhenta e vazia. Aos seis anos de idade, encontraram-no uma noite, empoleirando no banquinho do harmônio, tentando tirar uma melodia. Estava claro que o menino era inusitadamente dotado. Diante disso, contrataram o melhor professor disponível na época: Adalberto Zywny, tcheco de nascimento, que viera para a Polônia na comitiva do príncipe Sapieha e tornara-se pianista da corte de Stanislau Augusto Poniatowski.

Dizem que só o seu piano conseguia acalmar as bruscas crises de mau-humor e melancolia do duque Constantino Pavlovich, irmão do czar, vice-rei da Polônia. Em 1817, ele começou a exercer uma espécie de mecenato sobre Frédéric Chopin. Com freqüência o ordenança do duque vinha buscá-lo em sua casa, e o levava ao Palácio do Belvedere, onde o vice-rei o ouvia durante horas.

Até mesmo que o menino soubesse escrever, Zywny já anotava as suas tentativas de compor pequenas melodias. Em janeiro de 1818, pouco antes de fazer oito anos, apresentou-se em público pela primeira vez, tocando um concerto para piano e orquestra de Adalberto Gyrowetz, compositor tcheco muito apreciado na época - escreveu também, nessa ocasião, uma peça teatral, em colaboração com a sua irmã -; e o professor conseguiu que fosse publicada sua primeira composição, uma polonesa dedicada à condessa Skarbek.

Comentando esse recital, o Jornal de Varsóvia afirmou: 'O filho de Nicolas Frédéric Chopin, professor de francês e literatura no Liceu de Varsóvia, é um verdadeiro gênio musical. Executa ao piano, com facilidade e gosto notáveis, os trechos mais difíceis, e já compôs danças e variações que enchem de espanto os críticos e conhecedores. Se tivesse nascido na Alemanha ou na França, sem dúvida, já seria célebre no mundo inteiro'. E o autor do artigo concluiu com uma nota indisfarçada de ufanismo: 'Desejamos lembrar ao leitor que nosso país também pode produzir gênios!'. Foi o que bastou para que fosse comparado a Mozart.

Surgiram convites para que ele tocasse em salões da nobreza. A banda do exército fez um arranjo de uma marcha que ele tinha composto. Ao visitar o Liceu, a czarina-mãe pediu para ouvi-lo e, além de tocar para ela duas polonesas de sua autoria, o menino declamou também um poema em francês, provavelmente escrito por seu pai.

Diferente do pai de Mozart (Leopoldo), Nicolas Frédéric Chopin não pensava em tirar proveito financeiro do talento precoce de seu filho. Ao contrário: prezando muito os diplomas universitários, insistiu para que ele cursasse o Liceu, entre 1823 e 1826. Literatura e teatro, principalmente, o atraíam muito, além da música, a ponto de ter fundado, com as irmãs e os colegas de pensão - mais numerosos desde que a família passara a ocupar os cômodos bem amplos do Palácio Casimir - uma Sociedade de Recreação Literária, destinada a fazer encenações domésticas de comédias que eles mesmos escreviam.

O Frédéric criança pouco tinha a ver com a imagem do adulto introspectivo, doentio e melancólico que nos vêm a mente quando pensamos em Frédéric Chopin. Estudava seriamente música, mas tinha um caráter alegre e impulsivo, e os interesses de um menino normal, como demostram as cartas escritas para casa durante as férias de verão passadas em Szafarnia, a sudoeste de Varsóvia, em casa dos pais de Domenico, um dos pensionistas da família Frédéric Chopin. Sua vida, entretanto era cansativa: a todo momento era chamado para tocar em público. Nos dois grandes concertos que deu em 1825 - ano marcante, pois em junho foi publicado, por Brzezina, o maior editor de música da Polônia, o seu Rondo em dó menor Op. 1 -, a crítica o acolheu como 'o maior pianista de Varsóvia'. Os estudos no Liceu, que estavam em sua fase final, também exigiam muito dele; e eram dias muito tensos, pois o assassinato do czar Alexandre III e a revolta dos decembristas tinham provocado, na Rússia, violenta repressão cujas ondas chegavam até a Polônia, onde houve várias prisões e alguns patriotas chegaram a ser mortos. Tudo isso afetou muito o jovem Frédéric Chopin que, e junho, após obter o diploma, teve de ser levado pela mãe para um tratamento na estação de águas Reinerz, na Silésia.

De volta a Varsóvia, Frédéric Chopin foi matriculado no Conservatório, para receber noções mais avançadas de harmonia e contraponto, onde conheceu um dos homens que maior influência teriam sobre ele: o diretor da escola, José Elsner. Nascido da Silésia, Elsner era culto, afável, muito amado pelos alunos, de quem estava sempre rodeado. Começara a carreira como primeiro violino da orquestra de Brno, na atual Rep. Tcheca; depois tornara-se regente em Lwów e diretor da Ópera de Varsóvia, antes de chegar ao cargo que ocupava quando o seu caminho cruzou com o de Frédéric Chopin.

Autor de 23 óperas, missas, sinfonias, Elsner empenhou-se muito, sobretudo, na criação de uma escola nacional polonesa de música. Nesse sentido, escreveu a Dissertação sobre a métrica e ritmo da língua polonesa, na qual procurava demonstrar - contradizendo a opinião dos conservadores - ser perfeitamente possível desenvolver um repertório de canções na língua pátria, tão eufônica e adequada à escrita musical quanto o italiano, o francês ou o alemão. Essa preocupação nacionalista de Elsner marcou profundamente o seu discípulo: as polonesas, as mazurcas, o entranhado sabor polonês que há em cada uma de suas melodias.

Foram anos despreocupados, de alegres temporadas passadas no castelo de Antonio Radziwill, músico amador que tocava violoncelo e compunha (uma de suas filhas, Eliza, era artista plástica e desenhou várias vezes retratos de Frédéric Chopin ao piano). Mas foi também a época da primeira advertência quanto à grande sombra que planaria sobre ele a vida inteira: em março de 1827, a tuberculose levou sua irmã Emília (Justina envergou, pela filha, um luto que nunca mais tiraria). Os problemas de saúde que, de vez em quando, o obrigavam a ir descansar em Reinerz, em breve demonstrariam ser muito mais graves.

Nessa época, Frédéric Chopin fazia enorme sucesso como virtuose e compunha ativamente: valsas, polonesas, mazurcas, o belo Noturno em mi menor que só seria publicado após a sua morte. E principalmente as Variações sobre o tema do La ci darem la mano, de Don Giovanni de Mozart - que, ao serem publicadas, em 1831, provocariam de Schumann uma reação famosíssima. Ele iniciaria um artigo no Jornal Geral da Música, de Leipzig, exclamando: 'Tirem os chapéus, senhores, um gênio!'. Esta é a fase também em que Frédéric Chopin tentou trabalhar com as grandes formas tradicionais: a Sonata em dó menor Op. 4, o Trio em sol menor que dedicou a seu hospedeiro Radziwill, a Grande fantasia sobre árias polonesas Op. 13, para piano e orquestra, as canções sobre poemas em polonês.

Permanecer isolado na Polônia começava-lhe pesar. Frédéric Chopin sentia serem necessários vôos mais ousados. 'Não seria melhor se eu fosse para Paris?', perguntou ao médico que lhe aconselhara nova estação de águas em Reinerz. Sentia a vontade de cortar as amarras que só aumentou depois que, em setembro de 1828, foi a Berlim acompanhado de Felix Jarocki, colega de seu pai na universidade, que ia participar, na capital da Prússia, de um congresso de naturalistas organizado pelo famoso Alexandre de Humboldt. Lá, ficou fascinado ao escutar a Ode para o dia de Santa Cecília, de Haendel. O contato com a cidade - que fazia Varsóvia parecer uma aldeia - e a possibilidade de ouvir obras de Spontini, Cimarosa, Weber e Mendelssohn deram-lhe a certeza de que o seu destino estava fora da Polônia.

Tendo o governo polonês recusado uma bolsa de 5 mil florins a seu filho - 'recursos dessa ordem não podem ser desperdiçados com artistas', dizia a resposta do ministério -, Nicolas resolveu custear uma viagem de Frédéric Chopin a Viena, onde ele chegou, com um grupo de amigos, em 31 de julho de 1829. Descobriu partituras novas de Méhul, Boïeldieu, Meyerbeer e Rossini, obteve do editor de Haslinger a promessa de publicar as Variações sobre o tema do La ci darem la mano, e foi convidado pelo conde Gallenberg, intendente dos teatros imperiais, a dar um concerto no Teatro Kärntnerthor, em 11 de agosto.

Nem tudo, porém, saiu como Frédéric Chopin esperava. A timidez fez com que se sentisse inibido diante do público vienense e do 'maravilhoso piano Graff, melhor de todos os que eu já tinha tocado'; os ensaios rápidos demais não tinham dado tempo à orquestra de aprender o acompanhamento do Rondo à Cracóvia, e foi necessário substituí-lo, na última hora, por improvisações sobre um tema de A dama branca, de Boïeldieu. 'Mas as variações provocaram tamanho entusiasmo que fui chamado de volta várias vezes, sob uma tempestade de aplausos', escreveu para os pais.

Dezenove anos, admirado, festejado - o dramaturgo Stanislau Niemcewitz chegou a fazer dele a personagem de uma comédia satírica em que se vê a alta sociedade de Varsóvia fascinada por um jovem pianista - e, agora, também, apaixonado. Foi numa carta a seu amigo Tito Woyciechowski que ele teve a coragem de confessar os sentimentos que nutria por Constança Gladkowska, filha do administrador do palácio real: 'Há seis meses sonho com ela todas as noites e ainda não lhe dirigi a palavra. Foi pensando nela que compus o adagio de meu concerto (o em fá menor) e também a valsa escrita essa manhã (a n.º 3 Op. 70). Quantas vezes confio ao piano o que gostaria de poder desabafar com outro coração!'.

Constança estudava canto no conservatório, onde ele poderia ter-se declarado a ela. Muitas vezes, Carlos Soliva, professor da moça, pedia-lhe que a acompanhasse ao piano. E quando Frédéric Chopin a elogiou pelo desempenho no papel-título da Agnese, de Ferdinando Paër, a garota o presenteou com uma fita que ele guardou a vida inteira, junto com as cartas que recebera do amigo Tito. Entretanto, a timidez parecia impedi-lo de falar-lhe de seus sentimentos; ou, talvez, sentindo que estava próximo o momento da partida, não quisesse criar um vínculo que o prenderia à Polônia.

Seus biógrafos se perguntam, inclusive, se esses sentimentos, intensos mas deliberadamente mantidos num nível platônico, não passariam do pretexto para efusões líricas, da fonte de inspiração para páginas como o adagio do Concerto. E talvez tenham razão, pois foi uma outra amiga, Delfina Potocka, que acabou sendo dedicada essa peça, estreada pelo próprio Frédéric Chopin num concerto, em Varsóvia, em 17 de março de 1830.

Publicado tardiamente, o Concerto para piano n.º 2 em fá menor Op. 21 foi, na realidade, composto antes do n.º 1 em mi menor Op. 11, e tem um tom bastante mais dramático. O segundo movimento, um larghetto em lá bemol maior, que ele dizia ter sido inspirado pelos sentimentos que Constança despertava nele, é certamente o mais interessante dos três: uma longa cantilena de gosto italianado, com todo o intimismo da confidência amorosa, feita de delicadíssimos arabescos sonoros. Liszt admirava tanto esse larghetto que o decalcou, deliberadamente, no movimento lento e seu Concerto para piano em mi bemol maior.

Dessa época também, e concebido sob o mesmo influxo sentimental, é o encantador Noturno em dó sustenido menor, sua primeira experiência com essa forma, que só seria publicado em 1875, após sua morte, como Op. Póstumo. Frédéric Chopin não foi o criador do noturno, gênero pianístico de caráter meditativo e melancólico: seu iniciador foi o irlandês João Field, cujas peças desse gênero, compostas entre 1812-1835, tornaram-se muito populares. Contudo, foi o polonês que conferiu a essa forma livre, típica do Romantismo, uma tal riqueza de invenção melódica e harmônica que, hoje, é o seu nome que nos vem espontaneamente à lembrança, à simples menção da palavra 'noturno'.

Ao concerto do dia 17 seguiu-se outro, em 11 de outubro, no qual executou o Concerto para piano n.º 1 em mi menor - música desigual, que traz todas as marcas da inexperiência, mas também todas as promessas do gênio. Curiosamente, Constança participou desse concerto e escolheu cantar O quante lacrime per te versai..., a cavatina de A dona do lago, de Rossini, que soou quase que uma confissão amorosa indireta.

No banquete de despedida, os amigos lhe deram de presente um copo de prata cheio de terra da Polônia - que ele pediria, anos mais tarde, para ser colocada dentro do seu caixão. E na saída de Varsóvia, Elsner ali estava com um coral, interpretando uma cantata composta em sua homenagem. A 2 de novembro de 1830, Frédéric Chopin foi embora de Varsóvia para sempre. Não foi fácil para Frédéric Chopin deixar seu país: 'Tenho a impressão de que estou partindo para morrer', escreveria em carta para seus pais.

Nicolas Frédéric Chopin, era o primeiro a lhe pedir que não voltasse. Segundo vários historiadores, ele e Elsner pertenciam à franco-maçonaria, que organizara a insurreição polonesa contra o ocupante russo. Em lugar do grão-duque Constantino, que conseguira fugir do Palácio do Belvedere, os revoltosos tinham matado um general russo, e as tropas do czar, em represália, sufocavam o desejo polonês de independência no habitual banho de sangue. Quanto Tito, que estava com ele em Viena, voltou a Varsóvia para lutar ao lado dos insurretos; Frédéric Chopin pensou em acompanhá-lo, mas os dois se desencontraram e ele não pode mais cruzar a fronteira, já fechada.

As notícias tristes vindas da pátria somavam-se às dificuldades com que esbarrava na Áustria. Alguns velhos amigos tinham morrido, outros já não estavam mais na cidade, o conde Gallenberg, totalmente falido, fora demitido da intendência dos teatros imperiais, e o editor Haslinger, que prometera publicar sua música, roía a corda: 'Hoje em dia só se vendem as valsas de Johann Strauss e os ländler de Joseph Lanner'. Não havia mais sentido em ficar em Viena onde, além disso, os poloneses eram hostilizados por terem insurgido contra os russos, aliados do Império Austríaco.

O próprio Frédéric Chopin dizia que os surpreendentes e sombrios acordes com que se inicia o Scherzo em si menor Op. 20 lhe foram inspirados, numa noite, na catedral de Santo Estevão, pelos sentimentos melancólicos que o invadiam: 'Minha cabeça estava cheia de harmonias fúnebres e mais do que nunca eu sentia a minha solidão'. Dilacerado pelo remorso em ter deixado Varsóvia, o sentimento de culpa por não estar participando da luta ao lado de seus amigos e a sensação de estar perdendo tempo em Viena, veio-lhe de repente a certeza de que era Paris que deveria tentar a sorte. O dia 20 de julho de 1831, em que saiu da Áustria, foi entristecido pela notícia de que, tendo falhado a intervenção prometida pelo rei Luís Felipe, da França, a rebelião polonesa estava uma vez mais à beira de fracassar.

Tristeza que se intensificou quando chegou a Sttutgart: junto com o dinheiro que Nicolas lhe mandava para seguir viagem, vinha a confirmação de que, em 18 de setembro, Varsóvia capitulara. São desses dias as páginas negras que ficaram conhecidas como o 'diário de Stuttgart', nas quais, com a intensidade típica do espírito romântico, Frédéric Chopin destila a sua desesperança: 'Esta cama, na qual vou me deitar, talvez tenha servido a muitos de leito de morte e, no entanto, não a acho repelente'. A seus ouvidos, os sinos de Stuttgart soavam como dobres de finados, sinal certo de que seus amigos mais queridos estavam mortos ao pé da muralha, de que Constança talvez tivesse sido entregue à soldadesca. Num tom próximo ao do delírio, dirige-se a seu amigo mais querido: 'Ah, Tito, a cidade ardendo, e eu sem poder sequer matar um moscovita!'.

A revolta, o sentimento patriótico, a mistura de patético e violência explodem em uma de suas obras mais célebres, inspirada pela notícia da queda de Varsóvia: o Estudo n.º 12 em dó maior - Revolucionário. Junto com as polonesas e as mazurcas, esta página enérgica, de escrita extremamente brilhante, é uma das que melhor ilustram os sentimentos que ligavam Frédéric Chopin à sua pátria, da qual nunca se desligou espiritualmente, mesmo tendo vivido grande parte da sua vida longe dela.

'É o mais belo dos mundos', exclamou Frédéric Chopin, extasiado com a cidade que descortinava da janela do apartamento que alugara. Depois dos dias negros em Stuttgart, 'Paris corresponde a todos os meus desejos', escreveu Frédéric Chopin a seu amigo Tito. 'É uma cidade aonde todo mundo pode se divertir, se entediar, rir, chorar, fazer o que quiser. Ninguém olha para você, pois há milhares de pessoas fazendo a mesma coisa, cada um à sua maneira'.

Paris respirava um ar novo: a França acabava de sair da Revolução de 1830, com que derrubara a tirania de Carlos X, colocando em seu lugar o monarca constitucional Luís Felipe (que, por sua vez, também seria derrubado por outro levante, daí a 18 anos). Para quem fugia de uma rebelião reprimida a ferro e fogo, era surpreendente o clima de liberdade de um lugar onde todas as tendências e ideologias tinham conquistado o direito de conviver relativamente bem.

Refúgio de todos os asilados, Paris era o lugar ideal para um polonês desenraizado sentir-se em casa, pois em toda parte Frédéric Chopin encontrava compatriotas exilados. E até mesmo o espetáculo de maior sucesso, no Circo Olímpico dos irmãos Franconi, famoso por seus cavalos amestrados, tratava dos acontecimentos na Polônia, e da heróica resistência de seus compatriotas contra os russos, fantasiosamente reconstituídos por Viellerglé (pseudônimo de Augusto Lepoitevin d'Egreville Saint-Alme).

Ao contrário do repressivo Leste Europeu, Paris surgia a seus olhos como a pátria da liberdade artística, dos experimentalismos, da batalha recente em torno de Hernani, o drama de Victor Hugo que anunciava toda uma revolução na estrutura do teatro romântico. 'Encontrei nesta cidade os melhores músicos e a melhor ópera do mundo', contou a Elsner. 'Somente aqui pode-se saber o que é canto. Jamais ouvi uma execução tão bela do Barbeiro de Sevilha (de Rossini), quanto a do Teatro Italiano, com Lablache, Rubini e Malibran Garcia'. O bel-canto italiano será, de resto, uma inspiração constante para Frédéric Chopin - e em nenhuma obra mais do que nos noturnos se sentem isso. O Noturno n.º 1 Op. 48, um dos mais pessoais, já foi descrito como um 'diário íntimo' de Frédéric Chopin.

Em Viena, Frédéric Chopin tinha conhecido o Dr. Malfatti, médico do imperador, amigo de Beethoven, e este lhe dera uma carta de recomendação para Paër, ex-diretor de música da corte, então com 69 anos. Paër simpatizou com o jovem polonês e apresentou-o a Rossini, diretor do Teatro Italiano, a Luigi Cherubini, diretor do Conservatório e, principalmente, ao pianista Frederico Kalkbrenner: para Frédéric Chopin, foi uma grande emoção conhecer pessoalmente um dos seus ídolos do teclado, 'de toque calmo e mágico', que considerava superior a Hummel ou Czerny.

Kalkbrenner propôs dar-lhe aulas: 'Disse-me que há de me transformar em algo de muito especial'. De Varsóvia, vinham advertências: 'Cuidado para não se transformar num papel carbono de seu mestre'. Nem Nicolas nem Elsner gostavam das revisões que o alemão fizera na orquestração - de fato precária - do Concerto para piano n.º 1, e temiam que Frédéric Chopin perdesse a originalidade de expressão, o ritmo característico de sua terra natal. Elsner, principalmente, lhe dizia, em cada carta, que não deveria se transformar num mero autor de peças para piano, pois era na ópera que estava o futuro para todo compositor: 'O seu lugar é ao lado de Rossini e Mozart'. Frédéric Chopin, no entanto, já sabia muito bem, a essa altura, não ser talhado para o palco ou para as obras sinfônicas de grande porte e, sim, para as composições de caráter intimista, de melhor rendimento quando executadas em casa ou nas pequenas salas de recital.

Os novos amigos que tinha feito, Liszt, o pianista Ferdinando Hiller, o violoncelista Augusto Franchomme também achavam que ele estava perdendo tempo estudando com Kalkbrenner. O próprio Mendelssohn, quando esteve em Paris, não hesitou em lhe dizer: 'O senhor não está aprendendo nada, pois toca melhor do que ele'. As aulas, com isso, duraram apenas um mês. Mas, em sinal de gratidão, Frédéric Chopin dedicou o Concerto para piano n.º 1 ao pianista que se tornara seu amigo e o apresentara a Camilo Pleyel, o fabricante de pianos e dono de uma das mais prestigiosas salas de concerto da capital francesa.

Foi na Sala Pleyel, da 9 Rue Cadet, que Frédéric Chopin deu seu primeiro concerto parisiense, em 26 de fevereiro de 1823. O público não era muito numeroso - na maioria poloneses exilados -, mas os aplausos foram muito grandes, em especial para as Variações sobre o tema do La ci darem la mano. Num artigo publicado no número de março da Revista Musical, o crítico Francisco José Fétis saudou a profusão de idéias originais que havia em sua música e profetizou: 'Existe, na inspiração do senhor Frédéric Chopin, uma renovação da forma que está destinada a exercer profunda influência sobre o futuro das obras escritas para seu instrumento'. Mal sabia ele o quanto estava certo.

A receita do concerto mal deu para pagar as despesas; mas atraiu a atenção de nomes importantes da vida musical parisiense - o compositor Berlioz, o tenor Adolfo Nourrit, que estava no auge da fama e se tornou um amigo querido de Frédéric Chopin - e, finalmente, convenceu Haslinger, o editor vienense, a publicar as Variações.

A vida, em Paris, nesses primeiros momentos, porém, não era mais fácil do que em Viena. E entristecia-o a notícia, vinda de casa, de que Constança renunciaria à promissora carreira de cantora, para casar-se com um rico proprietário de terras (ela ficaria cega, aos trinta e cinco anos, após o parto do quinto filho, e morreria em 1889, depois de ter destruído todas as lembranças que tinha de Frédéric Chopin). Fréderic ainda conseguiu ser contratado para tocar em casa da princesa De la Moscova, viúva do marechal Ney; mas foi um concerto de sucesso apenas relativo, devido à precariedade do piano de que dispunha. Além disso, a epidemia de cólera que grassava em Paris afugentara para suas casas de campo, todas as famílias ricas, o que deixara em situação difícil os artistas, ainda dependentes da nobreza para ganhar seu sustento.

Frédéric Chopin já tinha decidido a emigrar de novo, desta vez para a América, onde lhe diziam haver toda uma série de oportunidades novas para um músico empreendedor, quando um caso o fez finalmente fixar em Paris, como um artista de sucesso. Encontrou-se, na rua, com um velho amigo de Varsóvia, Valentino Radziwill, que o convidou a acompanhá-lo a uma recepção no palácio do rico banqueiro, o barão de Rothschild. 'Eis me lançado', escreveu ele para casa logo depois desse dia. 'Faço parte, agora, da mais alta sociedade, tenho o meu lugar entre embaixadores, princesas, ministros. E nem mesmo sei como cheguei lá'.

Ali chegara pelas mãos da baronesa Nathaniel de Rothschild que, encantada com aquele jovem polonês de aspecto frágil, pedira-lhe que se tornasse seu professor de piano. O exemplo da riquíssima Sra. Rothschild não poderia deixar de ser seguido pelas demais damas da sociedade, sempre prontas a entregarem-se ao último modismo. De uma hora para outra, Frédéric Chopin viu-se transformado no mais requisitado professor de piano de Paris. Com quatro horas de trabalho por dia, em média, ganhava 20 francos-ouro (a título de comparação, Kalkbrenner, no auge da carreira, tinha renda mensal de 25 francos-ouro). 'Se eu fosse mais tolo do que sou, acreditaria ter chagado ao topo de minha carreira', escreveu ao pai. Em poucas semanas, tornou-se um dos homens mais requisitados da capital francesa, convidado para todos os saraus. As mulheres de Paris suspiravam diante daquele jovem de 1,70 m com olhos azuis-cinzentos.

Entre 1833-1837, Frédéric Chopin viveu sua lua-de-mel com a nobreza. Mudou-se para um amplo apartamento no n.º 5 da Chaussée d'Antin - demolido quando a reurbanização de Paris levou-o à abertura do Boulevard Hausmann -, todo decorado com móveis do século XVIII, a que seus amigos deram o apelido de 'Olimpo'. Comprou um cabriolé, contratou um cocheiro e criados. Vaidoso, consciente de sua beleza e elegância, vestia-se no alfaiate da moda, Dautremont, na Rue Vivianne - que lhe fazia belas sobrecasacas cinza pálido -; só comprava sapatos na loja de Rapp e chapéus na Feydeau, os mais afamados da época. Usava roupas brancas de linho importado, um lenço de seda de três voltas à guisa da gravata, botas de reluzente verniz e uma capa preta forrada de cetim cinza.

Eram privilégios caros: 'Hoje tenho de dar cinco aulas', escreveu a Domenico, seu amigo de Szafarnia. 'Não vá imaginar que eu esteja ficando rico. Carro particular e luvas brancas, se m os quais não existe homem elegante nesta cidade, são gastos acima de minhas posses'. Havia ainda flores, as caixas de bombons, os enfeites que mandava a suas anfitriãs, para agradecer por ter sido convidado; os presentes caríssimos que mandava à mãe e às irmãs; e as despesas que fazia nos locais elegantes, o Café de Paris, o Riche, o Angalis, onde estava sempre cercado de aproveitadores.

Nicolas estava encantado com o sucesso do filho, é claro; mas seu bom-senso camponês o levava a pedir-lhe que fosse cauteloso: 'Guarde sempre algum dinheiro, meu filho. (...) Deus o livre de alguma doença que o force a parar de dar aulas; em terras estrangeiras, você estaria condenado à miséria. Esse pensamento me atormenta com freqüência, pois sinto que você está vivendo apenas o presente'. E não poupava conselhos práticos: 'Aplique seu dinheiro em bens de que possa dispor rapidamente quando precisar. Fale com os banqueiros Luiz e Adolfo d'Eichtal, 14 Rue Le Peletier. Faça depósitos no estabelecimento deles'.

O trabalho que Frédéric Chopin encontrara, porém, era o ideal para um homem tímido e inseguro que temia a carreira de virtuose - tanto que, nos 18 anos que viveu em Paris, ele deu apenas 19 concertos; e só em quatro deles foi o único solista. 'Você não acreditaria por que martírios passo nos três dias que precedem um concerto', escreveu, em 1830, ao amigo Tito. Para o amigo Liszt, escreveria em certa ocasião, comentado a sua própria insegurança e timidez: 'Não sou talhado para dar concertos. O público me intimida, sinto-me asfixiado por seu hálito, paralisado pelos olhares curiosos que me lança, mudo diante desses rostos estranhos. Você não tem condições de entender isso, pois nasceu para o palco, domina a platéia, sempre tem como esmagá-la'.

A essa introspecção, a esse modo de abrir-se deve-se, provavelmente, um estilo de execução muitas vezes censurado por críticos que achava fraca a sonoridade que ele extraía do piano. Entretanto, músicos clarividentes como Berlioz sabiam reconhecer o que havia de iluminador nessa maneira de tocar: 'Existem detalhes incríveis em suas mazurcas e, além disso, Frédéric Chopin torna-se ainda mais interessante executando-as com extrema doçura, com pianíssimos delicados, os martelos tocando de leve as cordas, de tal maneira que somos tentados a nos aproximar do instrumento para prestar atenção, como faríamos ao ouvir um concerto de silfos ou de duendes', escreveu Berlioz em suas Memórias. Era todo um estilo novo de execução que estava nascendo, sem nada em comum com a retórica extrovertida a que o público estava acostumado.

O contato constante com a alta sociedade, porém, não o impedia de trabalhar, e os editores, agora, disputavam o direito de publicá-lo: Schlesinger na França, Wessel na Inglaterra, Breitkopf & Hartel na Alemanha. Um após o outro, saíram o Trio em sol menor Op. 8, os Noturnos Op. 9 e Op. 15, os Estudos Op. 10, que ele dedicou a Liszt, o Concerto para piano n.º 1, as Variações sobre Je vends des scapulaires Op. 12, ária de sucesso de uma ópera de Hérold, a Grande fantasia sobre árias polonesas Op. 13, o Rondo Op. 14 - À Cracóvia para piano e orquestra, o Rondo em mi bemol maior Op. 16, as Mazurcas Op. 17, a Grande valsa em si bemol maior Op. 18, o Bolero em dó maior Op. 19, o Scherzo n.º 1 Op. 20. Algumas dessas peças eram anteriores à sua chegada a Paris, mas, para publicá-las, Frédéric Chopin as revisara cuidadosamente dando-lhes, não raro, feição inteiramente nova.

Entre elas, faziam muito sucesso as valsas, 'música para a alma mais do que para o corpo', como dizia Schumann, pois se trata de efusões líricas e não de peças para serem danças, como as valsas vienenses dos Strauss pai e filho. A vida inteira, dos primeiros anos em Varsóvia aos que precederam a sua morte, Frédéric Chopin cultivou essa forma, deixando dela exemplos fantásticos.

A Grande valsa em lá bemol maior Op. 42 é de 1840 e, com seus temas turbilhonantes, deveria 'ser executada à maneira de uma caixinha de música', como o próprio autor disse a seu aluno Guilherme de Lenz. E do Op. 64 há duas valsas: a breve e ligeira n.º 1 em ré bemol maior, dedicada à sua amiga Delfina Potocka, chamada a 'valsa do cachorrinho' (pois dizem que Frédéric Chopin se inspirou vendo um cão correr atrás da própria cauda); e a n.º 2 em dó sustenido menor, dedicada à sua protetora, a baronesa de Rothschild. Esta última é um modelo do estilo rubato Frédéric Chopiniano, com suas sucessivas modificações de andamento, que lhe dão extraordinária mobilidade. Música assim punha a seus pés o público parisiense. O aplauso, porém, não era unânime. João Field, descontente por vê-lo incursionar de forma tão feliz no terreno dos noturnos que ele criara, dizia que Frédéric Chopin tinha um talento de quarto de doente. Mendelssohn admirava-o como pianista, mas dizia que suas mazurcas eram afetadas a ponto de serem insuportáveis. E o pianista Ignaz Moscheles, outro que se sentia ameaçado pelo talento novo, de sentimentalismo excessivo, indigno de um músico culto.

Todas essas invectivas, no fundo, não passavam de uma pontinha de despeito pela notoriedade do 'primeiro pianista de Paris', que podia dar-se ao luxo de cobrar 20 francos por aula, e para quem 'todas as mulheres olham, e que deixa os homens enciumados' - como dizia um amigo polonês, o médico Jas Matuszinski que, em 1834, tinha sido convidado a dividir com ele o apartamento da Chaussée d'Antin. 'Ele está na moda', escrevia o amigo. 'Não vai demorar para que estejamos todos usando luvas à Frédéric Chopin. Somente a saudade da Polônia o consome'.

Saudade que o decidiu, em agosto de 1835, a correr para Carlsbad, em vez de Enghien, a estação de águas que freqüentava, ao saber que seus pais estariam fazendo um tratamento de saúde naquela cidade. Foi a última vez que os viu. 'Alegria indescritível', escreveu a Luisa sobre as três semanas que passaram juntos. 'Bebemos, comemos, brincamos, brigamos. Estou no auge da felicidade.' Uma felicidade que transparece em obras luminosas como a Fantasia-improviso em dó sustenido menor Op. 66, que só foi publicada após a sua morte e estreada em 1855, por uma de suas alunas favoritas, Marcelina Czartoryska. Uma peça ternária, allegro agitato - largo - moderato cantabile - de grande delicadeza, destinada a se tornar uma das peças prediletas dos intérpretes e do público.

Na volta, Frédéric Chopin passou por Dresden, onde se encontrou com a família da condessa Wodzinski, cuja filha, Maria, tinha sido sua colega no Conservatório - e que protagonizou o episódio mais frustrante na vida sentimental de Frédéric Chopin. Maria tinha 16 anos, uma bonita voz de contralto, pintava e era muito culta. Juntos, Frédéric Chopin e ela passearam pela cidade, visitando o museu, o Palácio Brühl e contemplando o crepúsculo sentados em um banco às margens do Elba. Um tio ranzinza da moça foi o primeiro a alertar a condessa para a inconveniência de relações demasiado íntimas entre a herdeira de 50 mil acres na Polônia e um 'pianistazinho que nem é mais totalmente polonês'.

Não se sabe o que a condessa teria dito a Frédéric Chopin, a quem chamava de 'meu quarto filho'. Ao deixar Dresden, ele ofereceu a Maria a Valsa n.º 1 Op. 69, conhecida como a Valsa do adeus e duas folhas, uma com o início do Noturno n.º 2 em mi bemol maior Op. 9, um de seus mais famosos, e outra onde escrevera a frase: 'Seja feliz'. De Maria, sobraram apenas as cartas que trocaram e uma rosa ressecada que ela lhe deu, e que Frédéric Chopin guardou dentro de um envelope encontrado entre seus papéis após a sua morte. Do lado de fora, ele escreveu, em polonês: 'Moja Bieda' (Meu sofrimento). Sofrimento que se intensificou quando soube, ao chegar em Paris, no dia 15 de outubro, da morte prematura do compositor italiano Vicenzo Bellini, que conhecera no inverno do ano anterior e a quem se afeiçoara muito - decerto porque o 'cisne da Catânia' e ele tinham uma sensibilidade artística muito próxima.

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