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Ciclo do Café

 

O café entrou no Brasil pelas mãos de um português, o comerciante Melo Palheta, que plantou algumas mudas num fundo do quintal em Belém do Pará em 1727.

Dali o café percorreu todo o litoral brasileiro, sempre em pequenas plantações para uso da casa ou em vendas e quitandas.

Mas, um século depois, já havia grandes plantações no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, de onde abraçou para São Paulo.

Escolhido pelos fazendeiros como produto de exportação nas terras do Sul, o cafeeiro mostrou que podia produzir muito mais e os mercados europeus pagavam muito bem pela bebida que se tornava moda.

Em Campinas, os cafeeiros encontraram as primeiras terras roxas e o resultado foi melhor ainda.

Em 1850, o café era o nosso primeiro produto de exportação. Os fazendeiros enriqueciam e abriam novas fazendas, compravam cada vez mais escravos para o trabalho na terra. Estimulava-se a vinda de todas as raças para o Brasil.

O café normalmente, levava 4 anos para a primeira colheita. No Norte do Paraná as primeiras colheitas confirmaram o "O Ouro Verde" que se tinha.

Mal começavam a plantar café no Norte velho do Paraná e os trilhos da estrada de ferro Sorocabana chegavam até Ourinhos fronteira com S. Paulo. Em 1924, Lord Lovat conhece as primeiras terras e fazendas do norte do Paraná e conclui que não haveria lugar melhor para o plantio do algodoais e cafezais.

Por isso a base econômica forte da época em Arapongas e região foi basicamente o Café.

Ciclo do Café
Café

No final do século 18, o café era considerado um produto para o consumo. Nos anos de 1840/50 esta matéria-prima avança e conquista o mundo, tornando-se o principal produto de comercialização no Brasil.3

A expansão da lavoura cafeeira começou nas regiões montanhosas do vale do Paraíba do Sul, próximas do Rio de Janeiro, mas durante o desenvolvimento do cultivo, São Paulo se transforma na capital oficial do café, tendo como pólos principais as cidades de Campinas e Ribeirão Preto.

De início, a lavoura cafeeira desenvolveu-se com base na grande propriedade de monocultura e na utilização do trabalho escravo, mas com a proibição desta atividade em 1850, os fazendeiros foram obrigados a substituir os escravos pelos trabalhadores livres assalariados - imigrantes europeus que tinham o incentivo do governo para trabalhar nos campos de cultivo.

Anteriormente, entre os anos de 1850/70, a imigração foi espontânea. Os próprios proprietários incentivavam a vinda dos camponeses portugueses, italianos, espanhóis e alemães, assinando os contratos ainda na Europa. Esses países passavam por lutas internas e pelo crescimento das indústrias, que provocavam o êxodo rural (saída em massa do campo para as cidades).

Em 1870, o Estado cuidou de formalizar, junto aos governos europeus, as condições de imigração para o trabalho nas lavouras brasileiras, melhorando as condições de trabalho dos milhares de imigrantes. Além disso, a proibição do tráfico de escravos liberou um volume de capital, até então envolvido apenas com o comércio negreiro. Parte deste dinheiro foi para o investimento na expansão do café, a outra parte se destinou aos empreendimentos comerciais e industriais.

Por volta de 1880, graças a esses capitais, foram criadas sociedades, companhias e empresas comerciais e industriais. São fábricas, ferrovias, bancos, iluminação urbana, telégrafo, enfim os grandes centros estavam se transformando no que são hoje.

Nasce uma nova classe além dos barões do café, os empreendedores e industriais. O nome de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá era o de maior destaque. Ele foi um dos primeiros a perceber que a união dos capitais deslocados com a proibição do tráfico, poderia e deveria alimentar as forças produtivas do país. Mauá dominou sua época, ele foi industrial, banqueiro, político e diplomata.

A era Mauá, como ficou conhecida a expansão cafeeira no Brasil, trouxe a modernização para os grandes centros do País, como a inauguração, no Rio de Janeiro, da iluminação a gás e o abastecimento de água.

Essa expansão se estende até os anos de 1900.

O CICLO DO CAFÉ (1800 A 1870)

No início do século XIX o café atingiu alto valor no mercado europeu. Aproveitando essa oportunidade, em 1830 já era o produto mais exportado pelo Brasil, desbancando o ouro e o açúcar.

A principal região produtora de café era o Vale do Paraíba e, Paraty era o porto mais próximo para embarcar o café com destino a Europa. Começava na vila um movimento nunca antes visto.

Mais de 20.000 animais passavam por ano carregados com sacas de café e outros produtos agrícolas para serem vendidos no Rio de Janeiro.

Renasceu o comércio, apareceram armazéns que compravam e/ou estocavam o café e que era inclusive plantado no município.

Nessa mesma época a economia paratiense foi beneficiada com a vinda da família real em 1808 para o Rio de Janeiro. Acompanhada de toda a nobreza de Portugal e acostumada com elevados índices de consumo, os produtos paratienses eram rapidamente vendidos na capital. Para atender essa demanda, havia uma navegação regular entre Paraty e o Rio de Janeiro feita por dez barcos a vela e um a vapor.

Com o fruto dessa atividade comercial, foi possível construir mais uma igreja - a de Nossa Senhora das Dores. Paralelo e pouco distante do Caminho do Ouro, abriu-se um novo caminho, todo calçado de pedra para que os tropeiros passassem com mais segurança. Em 1808 a população foi calculada em 6.128 habitantes.

Foi nesse período de crescimento que o calçamento das ruas da vila foi terminado. Em 1830 contava-se na vila mais de 400 casas, sendo 40 sobrados, e aproximadamente 10.000 habitantes, dos quais 3.500 eram escravos. Tão intenso estava o desenvolvimento da vila que em 1844 foi elevada com o título de cidade. Nas casas do centro predominavam a arquitetura de armazéns e lojas, com portas no lugar de janelas e, quando sobrado, o comércio era no térreo e a residência no andar superior.

Em 1850 contava-se mais de 150 alambiques em Paraty e 16.000 habitantes. Entretanto a riqueza ficava na mão de poucos. O relevo montanhoso e recortado por vários rios dividia naturalmente as propriedades rurais entre vários pequenos agricultores e/ou produtores de aguardente (no censo de 1920 Angra dos Reis possuía 15 propriedades rurais enquanto em Paraty havia 133). Os intermediários, com seus armazéns e barcos para vender a mercadoria no Rio de Janeiro, conseguiam impor os preços ao produtor garantindo assim boa margem de lucro.

Havia em Paraty, assim como em todo Brasil colonial, três classes de casa de negócios: comerciantes, negociantes e vendeiros.

A primeira delas era formada pelos proprietários de grandes capitais de giro, que compravam toda a produção das fazendas ou importavam diretamente os produtos da Europa, ficando com toda a carga dos navios que chegavam. Esses vendiam as negociantes que revendiam ao público final e aos vendeiros (proprietários de pequenas vendas nas áreas rurais).

Fonte: www.cmarapongas.pr.gov.br/www.valedocafe.com.br/www.paraty.tur.br

Ciclo do Café

As primeiras mudas e sementes de café chegam ao Brasil no século XVIII, por volta de 1730, vindas da América Central e das Guianas.

Mas é só a partir do começo do século XIX que a cafeicultura ganha o interesse dos grandes proprietários. Torna-se rapidamente a principal atividade agrícola do país, responsável por mais da metade da renda obtida com exportação.

A crescente importância econômica faz dos produtores de café de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais o centro da elite dirigente do Império e da República, até quase meados do século XX.

Expansão cafeeira

Das pequenas plantações nas vizinhanças da corte, entre 1810 e 1820, os cafeeiros espalham-se por todo o vale do rio Paraíba, primeiro na porção fluminense, depois na paulista e no sul de Minas. Em meados do século XIX ocupam parte das terras das antigas lavouras de cana-de-açúcar e algodão e invadem o chamado Oeste Paulista, inicialmente a região de Campinas e Sorocaba e, em seguida, Ribeirão Preto e Araraquara. No início do século XX, os cafezais cobrem extensa faixa paralela ao litoral das regiões Sul e Sudeste, que vai do Paraná ao Espírito Santo. A cafeicultura ganha a primazia entre as monoculturas exportadoras, desbancando a tradicional agricultura canavieira.

O sucesso e a vigorosa expansão cafeeira no Sudeste brasileiro durante o século XIX devem-se a uma combinação de fatores. De um lado, uma conjuntura externa favorável, com o crescimento do consumo na Europa e nos Estados Unidos, e uma crise em importantes regiões produtoras, como Haiti, Ceilão (atual Sri Lanka) e Java, na Indonésia. Com isso, os preços mantêm-se em alta nos mercados consumidores. Por outro lado, no Brasil há terras e escravos subutilizados nas lavouras tradicionais de açúcar e algodão e solos novos e férteis, como as terras roxas no interior paulista.

A rápida ampliação das plantações de café cria também o primeiro problema: a escassez de mão-de-obra provocada pela interrupção definitiva do tráfico de escravos africanos em 1850. A solução encontrada é a atração de imigrantes, com o apoio oficial. Nas últimas décadas do século XIX, as fazendas de café recebem milhares de imigrantes europeus – italianos, portugueses, espanhóis, alemães, suíços e eslavos – e asiáticos, que vêm trabalhar em regime de parceria, recebendo por produção ou como assalariado. Com a substituição do trabalho escravo pelo livre, a cafeicultura não apenas se desenvolve como também apressa o fim da escravidão.

Política do café

Nas primeiras décadas do século XX, a continuidade do crescimento é reforçada por uma política governamental bastante favorável aos interesses do setor, que garante crédito, formação de estoques e intervenções no câmbio para compensar eventuais baixas dos preços internacionais. Isso tem efeito positivo: mantém o desenvolvimento da cafeicultura, possibilitando aos fazendeiros investir parte de sua renda em atividades comerciais e industriais, dinamizando a economia urbana.

Mas tem igualmente um efeito nocivo: no final da década de 20, a produção interna (28 milhões de sacas anuais) aumenta muito mais que a demanda externa (15 milhões).

Depois da Revolução de 1930 e dos abalos provocados pela crise econômica mundial iniciada nos Estados Unidos em 1929, o governo Vargas mantém o apoio ao setor cafeeiro por meio do Conselho Nacional do Café e, ao mesmo tempo, decide impulsionar a industrialização. Para reduzir a oferta e melhorar os preços, manda queimar todo o seu estoque e erradicar cafezais, pagando pequena indenização aos produtores.

A longo prazo, a produção e a exportação estabilizam-se, sob a supervisão do Instituto Brasileiro do Café, criado em 1952.

Na década de 50, as exportações de café ainda representam a maior parte do total comercializado, e o Brasil permanece como o maior produtor mundial. Mas seu reinado absoluto na economia brasileira chega ao fim quando o setor industrial, a partir da segunda metade do século XX, se torna o carro-chefe do desenvolvimento econômico nacional.

Fonte: br.geocities.com

Ciclo do Café

No período colonial, desenvolvem-se no Brasil múltiplas atividades econômicas de subsistência e de exportação. As que mais interessam à metrópole e a sua política mercantilista são aquelas dirigidas para o mercado externo, submetidas direta ou indiretamente ao monopólio e à tributação real.

A primeira atividade econômica da colônia é a exploração do pau-brasil, mas ela perde a importância quando as árvores começam a escassear na região da mata Atlântica. Destacam-se então as monoculturas exportadoras de cana-de-açúcar, algodão e tabaco e a mineração de ouro e diamante, ramos em geral baseados na grande propriedade e na escravidão. Paralelamente, a criação de gado, vista como um meio de subsistência contribui para a colonização do interior do país.

A economia colonial organiza-se de forma complementar a metrópole. Produz principalmente o que a ela convém e compra dela muito do que necessita.

A economia do Brasil Império baseou-se no cultivo do café. No século XIX, as plantações de café espalharam-se pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro.

Os mercados nacionais e internacionais, principalmente Estados Unidos e Europa, aumentaram o consumo, favorecendo a exportação do produto brasileiro.

Com a queda nas exportações de algodão, açúcar e cacau, os fazendeiros sentiram a grande oportunidade de obterem altos lucros com o “ouro negro”.

Passaram a investir mais e ampliaram os cafezais. Na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o principal produto de exportação brasileiro, sendo também muito consumido no mercado interno.

Os fazendeiros, principalmente paulistas, fizeram fortuna com o comércio do produto. Boa parte dos lucros do café foi investida na indústria, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro, favorecendo o desenvolvimento deste setor e a industrialização do Brasil. Muitos imigrantes europeus, principalmente italianos, chegaram para aumentar a mão-de-obra nos cafezais de São Paulo.

Fonte: ucbweb2.castelobranco.br

Ciclo do Café

O Café, bebida saborosa e aromática, com propriedades tonificantes, sempre provocou paixões e controvérsias.

O Café é uma planta nativa da Etiópia, país do leste da África - antiga Absínia. Estima-se que seja conhecido há mil anos no Oriente Médio, especialmente na região de Kafa, daí, certamente, o nome "CAFÉ".

Contudo, o primeiro registro comprovado que se tem, data do século XV. Por essa época, foi "descoberto" casualmente por pastores de cabras que perceberam que quando os animais comiam daquela cereja (o fruto do café) tornavam-se mais espertos e resistentes. É claro que Kaldi, o nome atribuído a um destes pastores, passou a colher as cerejas do café e preparar, para consumo próprio, uma tonificante pasta feita com as cerejas esmagadas e manteiga.

Os vizinhos árabes, no Oriente Médio, foram os primeiros a cultivar o café (daí Coffea arábica - nome científico de uma das mais importantes espécies de café).

Os árabes foram também os primeiros a beber café - em vez de comer ou mascar, como os pioneiros. Chegou à Europa levado por navegantes e aventureiros holandeses, alemães e italianos.

No oriente motivou guerras. No ocidente, perseguições e censura. Houve época de ser considerada bebida demoníaca e seu consumo proibido pela Igreja, mas o Papa Aurélio, apreciador de um bom café, o absolveu de qualquer culpa liberando o consumo para os fiéis católicos.

A partir do século XVII, o café tornou-se uma das bebidas mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos hábitos dos europeus, apreciado por todos e, consagrado por gente importante como: J.Sebastian Bach, Voltaire, Rousseau, reis e nobres e muitas outras celebridades.

Do velho mudo novo foi um pulo. Primeiro os holandeses, depois os franceses o trouxeram para as colônias que possuíam nas Américas, para aproveitar o c lima apropriado ao cultivo.

O Café começou desta maneira a florescer em nosso continente. Mas seguindo um velho costume desde a época dos turcos, não se vendia café em grão para que não fosse plantado. Por isso, o café demorou mais um pouco a chegar no Brasil. Entretanto o governador do Pará, em 1727, incumbiu Francisco de Mello Palheta, um oficial aventureiro luso brasileiro, de - a pretexto de resolver, oficialmente, questões de fronteiras com os franceses da vizinha Guiana - trazer, extra-oficialmente, algumas sementes do precioso arbusto. Palheta cumpriu a risca sua missão: tornou - se amigo intimo da esposa do governados da Guiana Francesa, Mme. Dorvelies e, com cumplicidade da primeira dama, contrabandeou nossas primeiras sementes.

Em pouco tempo o café tornou-se o mais importante produto brasileiro, vindo a ser cultivado no sudeste e sul do país, estimulado pelo Vice-Rei Marques do Lavradio que convenceu muitos fazendeiros a investir no produto.

Iniciou-se, assim, um dos principais ciclos econômicos da nossa história: o Ciclo do Café.

Os fazendeiros não se arrependeram, ao contrário, enriqueceram e muitos deles se tornaram os chamados "barões do café". O café trouxe, também, muitas divisas para o pais e tornou o Brasil conhecido internacionalmente. Atualmente é cultivado em várias regiões do país.

Em todas as suas etapas (produção, industrialização e comércio interno e externo) gera grandes receitas e milhões de empregos, direta e indiretamente. Continua a ser um dos nossos produtos mais importantes e, sem dúvida, o mais brasileiro de todos.

Fonte: www.corol.com.br

Ciclo do Café

Ciclo do Café
Café

O café chegou ao ocidente cercado de exotismo e mistério.

No Brasil, as primeiras plantas foram trazidas ao Pará no início do século XVIII e cultivada com interesse quase decorativo em pequenos terrenos próximos a moradias e até mesmo em jardins.

Anos depois, os cafezais já tomavam conta das montanhas na cidade do Rio de Janeiro e das primeiras posições na lista de exportações nacionais. Quando surgiram as grandes lavouras, as fazendas se espalharam por terras paulistas e fluminenses, formando unidades de produção auto-suficientes com grande quantidade de mão de obra.

Além de uma alternativa à mineração e aos engenhos de açúcar, a cafeicultura impulsionou o início da imigração européia, a instalação da malha ferroviária e da industrialização do sudeste brasileiro.

Os produtores de café receberam distinções sociais e estiveram relacionados aos principais movimentos políticos e econômicos que precederam a proclamação da república. Neste século, as lavouras paranaense desafiaram as condições climáticas e deram grande contribuição à produção nacional.

A trajetória da cafeicultura e a cultura gerada nas fazendas e plantações chegaram aos núcleos urbanos semeando marcas imortalizadas pelos artistas plásticos brasileiros. Cada gole da bebida, transformada em símbolo nacional, aquece a cadeia produtiva de um dos principais itens da economia brasileira tendo sido por muito tempo o regulador do comércio internacional do país.

Fonte: www.grupoescolar.com

Ciclo do Café

A LENDA DO CAFÉ

Não há evidência real sobre a descoberta do café, mas há muitas lendas que relatam sua possível origem.

Uma das mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

O pastor notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

Ciclo do Café
Pastor Kaldi e suas cabras

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério. Ele começou a utilizar os frutos na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário.

Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

OS PRIMEIROS CULTIVOS DE CAFÉ

A planta de café é originária da Etiópia, centro da África, onde ainda hoje faz parte da vegetação natural. Foi a Arábia a responsável pela propagação da cultura do café.

O nome café não é originário da Kaffa, local de origem da planta, e sim da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Por esse motivo, o café era conhecido como "vinho da Arábia" quando chegou à Europa no século XIV.

Os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Yêmen, onde, consumido como fruto in natura, passa a ser cultivado. Somente no século XVI, na Pérsia, os primeiros grãos de café foram torrados para se transformar na bebida que hoje conhecemos.

O café tornou-se de grande importância para os Árabes, que tinham completo controle sobre o cultivo e preparação da bebida. Na época, o café era um produto guardado a sete chaves pelos árabes. Era proibido que estrangeiros se aproximassem das plantações, e os árabes protegiam as mudas com a própria vida. A semente de café fora do pergaminho não brota, portanto, somente nessas condições as sementes podiam deixar o país.

A partir de 1615 o café começou a ser saboreado no Continente Europeu, trazido por viajantes em suas frequentes viagens ao oriente. Até o século XVII, somente os árabes produziam café.

Alemães, franceses e italianos procuravam desesperadamente uma maneira de desenvolver o plantio em suas colônias.

Mas foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram nas estufas do jardim botânico de Amsterdã, fato que tornou a bebida uma das mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos hábitos dos europeus.

A partir destas plantas, os holandeses iniciaram em 1699, plantios experimentais em Java. Essa experiência de sucesso trouxe lucro, encorajando outros países a tentar o mesmo. A Europa maravilhava-se com o cafeeiro como planta decorativa, enquanto os holandeses ampliavam o cultivo para Sumatra, e os franceses, presenteados com um pé de café pelo burgomestre de Amsterdã, iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e Bourbon.

Com as experiências holandesa e francesa, o cultivo de café foi levado para outras colônias européias. O crescente mercado consumidor europeu propiciou a expansão do plantio de café em países africanos e a sua chegada ao Novo Mundo. Pelas mãos dos colonizadores europeus, o café chegou ao Suriname, São Domingos, Cuba, Porto Rico e Guianas. Foi por meio das Guianas que chegou ao norte do Brasil. Desta maneira, o segredo dos árabes se espalhou por todos os cantos do mundo.

A CULTURA DA BEBIDA CAFÉ

Segure uma xícara exalando o aroma de um bom café e você estará com a história em suas mãos.

Apenas um pequena gole dessa saborosa bebida fará com que você possa fazer parte de uma enorme cadeia de produção, romantismo e lances de muito arrojo, iniciada há mais de mil anos na Etiópia.

O hábito de tomar café foi desenvolvido na cultura árabe. No início, o café era conhecido apenas por suas propriedades estimulantes e a fruta era consumida fresca, sendo utilizada para alimentar e estimular os rebanhos durante viagens. Com o tempo, o café começou a ser macerado e misturado com gordura animal para facilitar seu consumo durante as viagens.

Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Somente no século XIV, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje. A difusão da bebida no mundo árabe foi bastante rápida.

O café passou a fazer parte do dia-a-dia dos árabes sendo que, em 1475, até foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida. A admiração pelo café chegou mais tarde à Europa durante a expansão do Império Otomano.

AS CAFETERIAS

Foi em Meca que surgiram as primeiras cafeterias, conhecidas como Kaveh Kanes. Cidades como Meca, eram centros religiosos para reza e meditação e a religião muçulmana proibia o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica. Desta forma, os Kaveh Kanes se transformaram em casas onde era possível se passar à tarde conversando, ouvindo música e bebendo café.

A bebida conquistou Constantinopla, Síria e demais regiões próximas. As cafeterias tornaram-se famosas no Oriente pelo seu luxo e suntuosidade e pelos encontros entre comerciantes, para a discussão de negócios ou reuniões de lazer.

O café conquistou definitivamente a Europa a partir de 1615, trazido dos países árabes por comerciantes italianos. O hábito de tomar o café, principalmente em Veneza, estava associado aos encontros sociais e à música que ocorriam nas alegres Botteghe Del Caffè. Em 1687 os turcos abandonaram várias sacas de café às portas de Viena, após uma tentativa frustrada de conquista, e estas foram usadas como prêmio pela vitória. Assim é aberta a primeira coffee house de Viena e difundido o hábito de coar a bebida e bebê-la adoçada com leite - o famoso café vienense.

As cafeterias desenvolveram-se na Europa durante o século XVII, enquanto florescia o Iluminismo e se planejava a Revolução Francesa. Durante tardes inteiras, jovens reuniam-se em torno de várias xícaras de café, discutindo o destino das nações, declamando poemas, lendo livros ou simplesmente passando o tempo.

Atualmente, algumas casas famosas como o Café Procope, em Paris, e o Café Florian, em Veneza, ainda preservam o glamour dessa época.

Até hoje os cafés são locais onde pessoas se reúnem para discutir assunto importantes ou simplesmente passar o tempo, sendo o ritual do cafezinho uma tradição que sobreviveu a todas as transformações.

Nos últimos anos, houve uma onda provocada pelas modernas máquinas de café expresso, que revolucionaram o hábito do cafezinho, permitindo um crescimento vertiginoso das cadeias de lojas de café.

A técnica de gerenciamento por meio do sistema de licença da marca também permitiu um rápido desenvolvimento dessas lojas especiais, voltadas para um mercado mais exigente, o de café Gourmet.

O CAFÉ NO BRASIL

O café chegou ao norte do Brasil, mais precisamente em Belém, em 1727, trazido da Guiana Francesa para o Brasil pelo Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta a pedido do governador do Maranhão e Grão Pará, que o enviara s Guianas com essa missão. Já naquela época o café possuía grande valor comercial.

Palheta aproximou-se da esposa do governador de Caiena, capital da Guiana Francesa, conseguindo conquistar sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente e trazida escondida na bagagem desse brasileiro.

Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente, com produção voltada para o mercado doméstico. Em sua trajetória pelo Brasil o café passou pelo Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Num espaço de tempo relativamente curto, o café passou de uma posição relativamente secundária para a de produto-base da economia brasileira. Desenvolveu-se com total independência, ou seja, apenas com recursos nacionais, sendo, afinal, a primeira realização exclusivamente brasileira que visou a produção de riquezas.

Em condições favoráveis a cultura se estabeleceu inicialmente no Vale do Rio Paraíba, iniciando em 1825 um novo ciclo econômico no país. No final do século XVIII, a produção cafeeira do Haiti -- até então o principal exportador mundial do produto -- entrou em crise devido à longa guerra de independência que o país manteve contra a França. Aproveitando-se desse quadro, o Brasil aumentou significativamente a sua produção e, embora ainda em pequena escala, passou a exportar o produto com maior regularidade. Os embarques foram realizados pela primeira vez em1779, com a insignificante quantia de 79 arrobas. Somente em 1806 as exportações atingiram um volume mais significativo, de 80 mil arrobas.

Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do Brasil e o inseriram nas relações internacionais de comércio. A cultura do café ocupou vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades e dinamização de importantes centros urbanos por todo o interior do Estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal e impulsionando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias. O café trouxe grandes contingentes de imigrantes, consolidou a expansão da classe média, a diversificação de investimentos e até mesmo intensificou movimentos culturais. A partir de então o café e o povo brasileiro passam a ser indissociáveis.

A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciada nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura européia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista. Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de meio mundo, interiorizando nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial, dominando partidos políticos, derrubando a monarquia e abolindo a escravidão.

Além de ter sido fonte de muitas das nossas riquezas, o café permitiu alguns feitos extraordinários. Durante muito tempo, o café brasileiro mais conhecido em todo o mundo era o tipo Santos.

A maioria das pessoas acredita ser a cidade de Santos, porto exportador de café, a origem do nome. Na realidade, a marca Santos deriva de Alberto Santos Dumont, que além de ter sido um pioneiro da aviação, foi também "o rei do café".

Implantado com o mínimo de conhecimento da cultura, em regiões que mais tarde se tornaram inadequadas para seu cultivo, a cafeicultura no centro-sul do Brasil começou a ter problemas em 1870, quando uma grande geada atingiu as plantações do oeste paulista provocando prejuízos incalculáveis.

Depois de uma longa crise, a cafeicultura nacional se reorganizou e os produtores, industriais e exportadores voltaram a alimentar esperanças de um futuro melhor. A busca pela região ideal para a cultura do café se estendeu por todo o país, se firmando hoje em regiões do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia. O café continua hoje, a ser um dos produtos mais importantes para o Brasil e é, sem dúvida, o mais brasileiro de todos. Hoje o país é o primeiro produtor e o segundo consumidor mundial do produto.

O TRAJETO DO CULTIVO DO CAFÉ NO BRASIL

O primeiro plantio ocorreu em 1727, no Pará. Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente.

O ponto de partida das grandes plantações foi o Rio de Janeiro, com as matas da Tijuca tornando-se grandes cafezais. O café estende-se para Angra dos Reis, Parati e chegou a São Paulo por Ubatuba. Em pouco tempo, o vale do rio Paraíba se tornou a grande região produtora da lavoura cafeeira no Brasil. Esta região com altitude e clima excelentes para o cultivo, possibilitou o surgimento de uma área centralizadora de culturas e população. Subindo pelo rio, o café invadiu a parte oriental da província de São Paulo e a região da fronteira de Minas Gerais. Na época o Rio de Janeiro era o porto de escoamento do produto e centro financeiro.

Entretanto, a cultura do café em áreas com declive acentuado e o total descuido quanto à preservação do solo gerou uma erosão intensa. Por este motivo, as terras se esgotaram rapidamente e a cultura cafeeira migrou para um outro local, o oeste da província de São Paulo, centralizando-se em Campinas e estendendo-se até Ribeirão Preto.

Campinas passou a ser então o grande pólo produtor do país. As culturas estendiam-se em largas superfícies uniformes, cobrindo a paisagem a perder de vista, formando os famosos "mares de café". Na região, os cafezais sofriam menos com esgotamento dos solos pela superfície plana da região, que facilitava ainda a comunicação e o transporte e proporcionava uma concentração da riqueza. Enquanto no Vale do Paraíba foi estabelecido um sistema complexo de estradas férreas, nessa nova região foi implantada uma boa rede de estradas rodoviárias e ferroviárias. Com este novo pólo produtor, o café mudou seu centro de escoamento, sendo toda a produção do oeste paulista a enviada a São Paulo e depois exportada a partir do porto de Santos.

A cafeicultura no centro-sul do Brasil enfrentou problemas em 1870, quando uma grande geada atingiu as plantações do oeste paulista provocando grandes prejuízos, e, mais tarde, durante a crise de 1929. No entanto, após se recuperar das crises, a região se manteve como importante centro produtor. Nela se destacam quatro estados produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Como a busca pela região ideal para a cultura do café cobriu todo o país, a Bahia se firmou como pólo produtor no Nordeste e a Rondônia na região Norte.

AS GRANDES FAZENDAS DE CAFÉ

As plantações de café foram fundadas em grandes propriedades monoculturais trabalhadas por escravos, substituídos mais tarde por trabalhadores assalariados: as grandes fazendas de café.

Estas fazendas ficaram famosas por sua arquitetura típica e seus equipamentos. Tanques em que o grão é lavado logo depois da colheita, terreiros para secagem, máquinas de seleção e beneficiamento fazem parte desse ambiente. A senzala dos escravos ou colônias de trabalhadores livres finalizam a caracterização das fazendas cafeeiras. A fazenda de café, desde a semente até a xícara, era um pequeno mundo, quase isolado.

O desenvolvimento da produção cafeeira esteve intimamente relacionado com a quantidade de mão-de-obra disponível. Para incentivar a produção de café, a administração do Estado de São Paulo fez da questão imigratória o projeto central de suas atividades, estabelecendo um sistema que oferecia auxílio formal à imigração européia, principalmente à italiana. Por meio de um programa que cuidava da propaganda em seu país de origem, os imigrantes eram trazidos desde seu domicílio na Europa até a fazenda de café.

A imigração ajudou na conquista de áreas ainda não exploradas, permitindo rápido desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Com a mão-de-obra imigrante a cultura ganhou impulso e durante três quartos de século, quase toda riqueza do país se concentrou na agricultura cafeeira. O Brasil dominava 70% da produção mundial e ditava as regras do mercado. Nessa época os fazendeiros de café se tornaram a elite social e política, formando umas das últimas aristocracias brasileiras. A opulência dos plantadores de café permitiu a construção dos grandes e bonitos casarões das fazendas e de mansões na cidade de São Paulo e financiou a industrialização no sudeste do país.

A CRISE DE 29

A quebra na bolsa de Nova York em outubro de 29 foi um golpe para a estabilidade da economia cafeeira.

O café não resistiu ao abalo sofrido no mundo financeiro e o seu preço caiu bruscamente. As lavouras de café enfrentaram a verdadeira dimensão do mercado.

Nesse processo, milhões de sacas de café estocadas foram queimadas e milhões de pés de café foram erradicados, na tentativa de estancar a queda contínua de preços provocada pelos excedentes de produção.

Quando a economia mundial conseguiu se recuperar do golpe de 1929, o Sudeste do país voltou a crescer, desta vez com perspectivas lastreadas na cafeicultura e na indústria, que assumia parcelas maiores da economia. O café retomou sua importante posição nas exportações brasileiras e, mesmo perdendo mercado para outros países produtores, o país ainda se mantém como maior produtor de café do mundo.

Das suas épocas áureas, ainda nos restam as belas sedes das fazendas coloniais, um extenso material técnico-científico, plantações centenárias e o hábito nacional do cafezinho.

O CAFÉ BRASILEIRO NA ATUALIDADE

Atualmente o Brasil é o maior produtor mundial de café, sendo responsável por 30% do mercado internacional de café, volume equivalente soma da produção dos outros seis maiores países produtores. É também o segundo mercado consumidor, atrás somente dos Estados Unidos.

As áreas cafeeiras estão concentradas no centro-sul do país, onde se destacam quatro estados produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. A região Nordeste também tem plantações na Bahia, e da região Norte pode-se destacar Rondônia.

A produção de café arábica se concentra em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e parte do Espírito Santo, enquanto o café robusta é plantado principalmente no Espírito Santo e Rondônia.

As principais regiões produtoras no Estado de São Paulo são a Mogiana, Alta Paulista Região de Pirajú. Uma das mais tradicionais regiões produtoras de café, a Mogiana está localizada ao norte do estado, com cafezais a uma altitude que varia entre 900 e 1.000 metros. A região produz somente café da espécie arábica, sendo que as variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo. Localizada na região oeste do estado, a Alta Paulista tem uma altitude média de 600 metros.

A região é produtora de café arábica, sendo que a variedade mais cultivada é a Mundo Novo. A região de Piraju, a uma altitude média de 700 metros, produz café arábica, com cerca de 75% sendo da variedade Catuaí, 15% da variedade Mundo Novo e 10% de novas variedades, como Obatã, Icatu, entre outras.

Em Minas Gerais, as principais regiões produtoras são: Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Matas de Minas e Jequitinhonha. A altitude média do Cerrado Mineiro é de 800 metros e dentre o café arábica cultivado, a predominância é de plantas das variedades Mundo Novo e Catuaí. O Sul de Minas também produz apenas café arábica e a altitude média é de aproximadamente 950 metros. As variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo, mas também há lavouras das variedades Icatu, Obatã e Catuaí Rubi. A região das Matas de Minas e Jequitinhonha está a uma altitude média de 650 metros e possui lavouras de arábica das variedades Catuaí (80%), Mundo Novo, entre outras.

O Paraná chegou a ter 1,8 milhão de hectares dedicados ao cultivo de café. Hoje esse número é de apenas 156 mil hectares, mas o café ainda está presente em aproximadamente 210 municípios do estado e é responsável por 3,2% da renda agrícola paranaense. O café é cultivado nas regiões do Norte Pioneiro, Norte, Noroeste e Oeste do Estado. As áreas de cultivo são muito extensas, o que justifica a grande variação de altitudes. A altitude média é de aproximadamente 650 metros, sendo que na região do Arenito, próximo ao rio Paraná, a altitude é de 350 metros e na região de Apucarana chega a 900 metros. No Estado é cultivada a espécie arábica e as variedades predominantes são Mundo Novo e Catuaí.

A cafeicultura na Bahia surgiu a partir da década de 1970 e teve uma grande influência no desenvolvimento econômico de alguns municípios. Há atualmente três regiões produtoras consolidadas: a do Planalto, mais tradicional produtora de café arábica; a Região Oeste, também produtora de café arábica, sendo uma região de cerrado com irrigação e a Litorânea, com plantios predominantes do café robusta (variedade Conillon).

Na Região Oeste, um número expressivo de empresas utilizando alta tecnologia para café irrigado vem se instalando, contribuindo, assim, para a expansão da produção em áreas não tradicionais de cultivo e consolidando a posição do Estado como o quinto maior produtor com, aproximadamente, 5% da produção nacional.

No parque cafeeiro estadual predomina a produção de café Arábica com 76% da produção (com 95% sendo da variedade Catuaí) contra 24% de Café Robusta.

No Espírito Santo, os principais municípios produtores são Linhares, São Mateus, Nova Venecia, São Gabriel da Palha, Vila Valério e Águia Branca. O café foi o produto responsável pelo desenvolvimento de um grande número de cidades no Estado. São cultivadas no estado as espécies arábica e robusta (Conillon), tendo sido marcante a produção desta última, que se expandiu principalmente nas regiões baixas, de temperaturas elevadas.

Atualmente as lavouras de robusta ocupam mais de 73% do parque cafeeiro estadual e respondem por 64,8% da produção brasileira da variedade. O Estado coloca o Brasil como segundo maior produtor mundial de Conillon.

No Estado de Rondônia a produção de café está concentrada nas cidades de Vilhena, Cafelândia, Cacoal, Rolim de Moura e Ji-Paraná. No cenário nacional, Rondônia representa o sexto maior estado produtor e o segundo maior estado produtor de café Robusta, com uma área de 165 mil hectares e uma produção de 2,1 milhões de sacas, constituídas exclusivamente pelo café robusta (variedade Conillon).

LINHA DO TEMPO DO CAFÉ

Lenda de Kaldi, um pastor de cabras que descobre o valor estimulante do café.
O café, utilizado como alimento cru, começa a ser cultivado em grande quantidade no Yêmen.
Tribos da Etiópia consomem a fruta macerada, misturada com banha, como alimento.
Descobre-se a infusão de café. A fruta é mergulhada em água fervida, e esta infusão é usada com fins medicinais.
O hábito de beber café torna-se popular em Constantinopla, levado pelo Império Otomano.
Primeiro café do mundo é aberto em Constantinopla, o Kiva Han. As leis turcas permitiam que a esposa pedisse o divórcio caso o marido não fosse capaz de prover um cota de café.
A bebida é preparada da mesma forma que conhecemos nos dias de hoje. O café se torna popular na Arábia, e como o Alcorão proíbe as bebidas alcoólicas, passa a ser bastante utilizado em cerimônias religiosas.
Khair Beg, governador de Meca, tenta proibir o consumo de café. O sultão, sabendo do ocorrido, decreta uma lei torna o café uma bebida sagrada e condena o governador à morte.
O café é levado para Mokha, onde se inicia um grande cultivo.
Prospero Alpino descreve o cafeeiro no livro De Plantis Aegypti, publicado em Veneza.
A primeira importação de café para Europa é feita pelos Venezianos.
A prática da torrefação e moagem de café espalha-se pela Europa. Um dos responsáveis por esta divulgação foi a "Botteghe del Caffè". No Cairo, inicia-se o uso de açúcar para adoçar o café.
Abre-se o primeiro café de Londres, Pasquar Rose, que causou conflito religioso, já que o café era considerado uma bebida impura por alguns religiosos da Inglaterra.
Os holandeses conseguem algumas mudas de café de Mokha.
O café invade a América do Norte, levado pelos holandeses.
Em Nova Amsterdã (Nova York) e Filadélfia, são abertas as primeiras coffee shops.
Nova York inicia um grande mercado de grãos de café em Wall Street, a Exchange Coffee House.
O exército otomano cerca Viena. Franz Georg Kolschitzky, um vienense, escapa do cerco turco e sai em busca de reforço. Os turcos recuam, deixando para trás várias sacas de café que Franz declara suas como "recompensa" pela vitória. Assim é aberta a primeira coffee house de Viena e difundido o hábito de coar a bebida e bebê-la adoçada com leite.
É aberto o primeiro café de Paris, o Procope, que atualmente é um restaurante em que se pode sentir a tradição das primeiras cafeterias européias.
Da estufa do jardim botânico de Amsterdã, saem alguns pés de café e, em 1699, inicia-se plantio experimental em Java e posteriormente em Sumatra.
O rei francês Louis XIV é presenteado com plantas de café pelo burgomestre de Amsterdã. Estas são colocadas na estufa dos jardins de Versailles. Destas mudas, os franceses levam o café para as Ilhas de Sandwich e Bourbon.
Holandeses levam o café para o Suriname, região nordeste da América do Sul, que se transforma em um grande centro produtor.
Floriano Francesconi inaugura o café Florian na Piazza San Marco, em Veneza, até hoje uma tradição.
Gabriel Mathieu de Clieu, capitão da marinha francesa, viaja para a Martinica levando mudas de café. A viagem é longa e algumas mudas morrem. O capitão resolve dividir com elas a sua ração de água para que chegassem ao continente. As plantas sobrevivem à viagem e se adaptam muito bem ao clima local. Infelizmente o capitão, que já tinha 80 anos na época da viagem, não ficou vivo o suficiente para ver o resultado de seus esforços, que deram origem a grandes plantações, que seriam as ancestrais da América.
Primeira plantação de café em terras brasileiras. O café começa a ser cultivado no Pará, a partir de uma muda trazida do Suriname, por Francisco de Melo Palheta.
Ingleses iniciam plantações na Jamaica, dando origem ao famoso café Blue Mountain.
Johann Sebastian Bach compõe a Contata do Café. As cafeterias já haviam se tornado um local para apreciação da música.
Mudas de Goa são trazidas para o Rio de Janeiro. O café é plantado na Gávea e na Tijuca por João Alberto Castello Branco.
O cientista alemão Ferdinand Runge descobre a cafeína a partir do café.
Depois de avançar pelo Vale do Paraíba, o café torna-se uma commodity importante para os brasileiros e chega a Campinas consagrando-a como a capital da cafeicultura paulista.
Brasil torna-se uma grande potência exportadora de café com 26 milhões de pés plantados.
Inaugurada a Estrada de Ferro Santos Jundiaí, que unia o principal porto de exportação à região produtora de café.
Ludwig Roselius coloca no mercado o primeiro café sem cafeína.
Santos Dumont realiza seu primeiro vôo com o 14 Bis e reforça sua imagem de maior cafeicultor do mundo, conhecido como o "rei do café", divulgando a sua marca "Santos" por toda Europa.
Com a crise de 29, decorrente da quebra na bolsa, há uma desestabilização do mercado. O financiamento junto aos bancos estrangeiros é interrompido, e os preços despencam, levando o setor para uma enorme crise.
Fim do domínio brasileiro no mercado de café.
Começa nos EUA a popularização do café expresso, com a difusão de redes de cafeterias.
As máquinas de café expresso automáticas ganham presença no mundo todo.
Consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões de sacas.
Brasil atingiu recorde de quase 3 milhões de dólares na exportação de café, tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.
Comitê do Conselho da Bolsa de Nova York coloca na pauta o café despolpado brasileiro. A quantidade de lojas especiais para café na América do Norte supera a casa das 10 mil.

BIBLIOGRAFIA

NEVES, C. - A estória do café. Rio de janeiro, Instituto Brasileiro do Café, 1974. 52 p.
TAUNAY, A. de E. - História do café no Brasil: no Brasil Imperial 1822-1872. Rio de Janeiro, Departamento Nacional do Café, 1939.
DPASCHOAL, L. N. - Aroma de Café - DPaschoal, 2006

Fonte: www.abic.com.br

Ciclo do Café

Economia agroexportadora – Ciclo do café

Desde sua colonização até o ano de 1930, o Brasil apresentou uma economia agroexportadora. Ou seja, o bom desempenho da economia dependia da exportação das poucas commodities agrícolas, que com o tempo variou os produtos a serem exportados para o mercado internacional em: ouro, açúcar, café, borracha e outros, formando os ciclos da economia brasileira. Entre esses ciclos o que apresentou maior desenvolvimento foi o ciclo do café.

A economia agroexportadora apresentava uma elevada vulnerabilidade visto que a demanda dependia das oscilações do crescimento mundial. Crises internacionais afetavam diretamente as exportações, criando dificuldades para toda economia brasileira já que todas as atividades dependiam direta ou indiretamente do desempenho do setor exportador cafeeiro.

Como o setor exportador cafeeiro era o setor mais produtivo e de maior dinamismo, existia uma elevada concentração dos recursos naturais e de capital. Essa concentração causava uma elevada desigualdade na distribuição de renda. Desigualdade essa, característica do modelo agroexportador.

O maior problema no sistema agroexportador adotado pelo Brasil era o descompasso entre a base produtiva e a estrutura de consumo, ou seja, a exportação é uma das únicas bases que determinava a renda nacional. Não havia investimentos em bens de consumo ou tecnologia por exemplo; tudo era importado. Deste modo, qualquer problema no balanço de pagamentos (diminuição de exportações ou guerras) poderia ocasionar uma diminuição das importações, afetando diretamente as condições de consumo da população.

Um dos problemas da economia agroexportadora são as oscilações de preço do produto exportado. Quando o preço subia aumentava a lucratividade e parte desse lucro era reinvestido no próprio setor. Porém, esse reinvestimento não aumentou a remuneração dos trabalhadores empregados no setor cafeeiro, mas sim a quantidade de funcionários, já que nessa época (final do séc. XIX) o contingente de trabalhadores aumentou significativamente ocasionado pelo aumento do fluxo imigratório e pelo fim da escravidão. Por outro lado, quando o preço caia, também não havia queda nos salários, mas sim no volume de trabalhadores.

Quando isso acontecia o governo utilizava dois mecanismos muito eficientes a curto prazo, porém, não positivos a longo prazo. Eram eles: A desvalorização cambial e a política de valorização do café.

Desvalorização cambial

O governo desvalorizava o câmbio fazendo com que, mesmo com a queda do preço no mercado internacional, os cafeicultores mantivessem renda (na moeda nacional). Essa medida escondia os sinais que a queda do preço sinalizava, um excesso de oferta, indicando a necessidade de reverter os investimentos. Isso fazia com que houvesse cada vez mais investimentos ao setor causando uma tendência de superprodução de café.

Essa desvalorização cambial era feita por meio da inflação, causando um encarecimento nos produtos importados, prejudicando toda sociedade que, por conta da economia agroexportadora, dependiam das importações.

Política de valorização do café

O governo comprava café para estocar, diminuindo a oferta e estabilizando o preço. Então o estoque era feito no período de safra e liberado no período de entressafra. Assim, durante a safra os preços cairiam menos e durante a entressafra os preços subiriam menos.

Essa política também escondia os sinais de mercado causando tendência à superprodução. Além disso, os preços do café eram sustentados por esta política, incentivando outros países a plantar café, aumentando assim a e concorrência internacional.

Nos últimos anos da República Velha o café era o produto que sustentava a economia brasileira e se encontrava em constante expansão.

Em 1930 a economia mundial entrou em uma das maiores crises da história. Essa crise causou uma enorme baixa no preço do café. O governo novamente interveio fortemente, comprando e estocando café e desvalorizando o câmbio para proteger o setor cafeeiro, principal setor na economia do Brasil! (na época). O setor não conseguiu repor os estoques no mercado sendo obrigado a queimar toneladas de café durante as décadas de 30 e 40.

A crise de 1930 também atingiu em cheio o Brasil. O “fracasso” do modelo agroexportador trouxe à tona a necessidade da industrialização. A industrialização, que já havia iniciado no fim do século XIX, se tornou meta prioritária de investimentos.

Haviam 2 teorias explicando a origem da industrialização nesse período.

A teoria dos choques adversos acreditava que as dificuldades de se importar produtos em determinados períodos (I guerra mundial, recessão de 30) impulsionaram o desenvolvimento da industrialização.

A industrialização induzida por exportações acreditava que nos momentos de expansão da economia cafeeira, consequentemente na expansão da renda, aumentava a demanda por produtos industrializados.

Fonte: portal-adm.com

Ciclo do Café

As origens do café

Corre uma lenda sobre as origens do café contando que, num dado momento do século III d. C., um pastor de cabras, chamado Kaldi, certa noite ficou ansioso quando suas cabras não retornaram ao rebanho. Quando saiu para procurá-las, encontrou-as saltitando próximo a um arbusto cujos frutos estavam mastigando e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia que Kaldi nunca vira antes.

Dizem que ele mesmo experimentou os frutos e descobriu que eles o enchiam de energia, como aconteceu com o seu rebanho. Kaldi evidentemente i levou essa maravilhosa "dádiva divina" ao mosteiro local, mas as reações não foram favoráveis e ele ateou fogo nos frutos, dizendo serem "obra do demônio".

O aroma exalado pelos frutos torrados nas chamas atraiu todos os monges para descobrir o que estava causando aquele maravilhoso perfume e os grãos de café foram rastelados das cinzas e recolhidos.

O abade mudou de idéia, sugeriu que os grãos fossem esmagados na água para ver que tipo de infusão eles davam, e os monges logo descobriram que o preparado os mantinha acordados durante as rezas e períodos de meditação. Notícias dos maravilhosos poderes da bebida espalharam-se de um monastério a outro e, assim, aos poucos espalharam-se por todo mundo.

As evidências botânicas sugerem que a planta do café origina-se na Etiópia Central (onde ainda crescem vários milhares de pés acima do nível do mar).

Ninguém parece saber exatamente quando o primeiro café foi tomado lá (ou em qualquer parte), mas os registros dizem que foi tomado em sua terra nativa em meados do século XV Também sabemos que foi cultivado no Iêmen (antes conhecido como Arábia), com a aprovação do governo, aproximadamente na mesma época, e pensa-se que talvez os persas levaram-no para a Etiópia no século VI d.C., período em que invadiram a região.

À medida que o café tornou-se cada vez mais popular, salas especiais nas casas dos mais abastados foram reservadas para se tomar café, e casas de café começaram a aparecer nas cidades.

A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais em que se faziam negócios.

A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais em que se faziam negócios.

Sua popularidade espalhou-se por Cairo, Constantinopla e para todas as partes do Oriente Médio, mas os muçulmanos devotos desaprovavam todas as bebidas tóxicas, incluindo o café, e consideravam as casas de café como uma ameaça à observância religiosa.

Às vezes, esses centros populares de diversão eram atacados e destruídos por fanáticos religiosos, e alguns governantes apoiavam a proibição do café e impunham punições aterrorizadoras: aqueles que desobedecessem poderiam ser açoitados, presos dentro de um saco de couro e atirados no Bósforo.

Enquanto isso, comerciantes europeus da Holanda, Alemanha e Itália certamente estavam exportando grãos e, também, tentando introduzir a lavoura em suas colônias.

Os holandeses foram os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658, e então em Java, em 1699, e por volta de 1706 eles estavam exportando o primeiro café de Java e estendendo a produção para outras partes da Indonésia.

Em 1714, os holandeses bem-sucedidos presentearam Luís XIV da França com um pé de café que cresceu numa estufa em Versailles e quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram levadas para o cultivo na ilha de Réunion, na época chamada de Ilha de Bourbon.

A variedade de arbustos de café que se desenvolveu daquela árvore em Paris tornou-se conhecida como o café Bourbon e foi a fonte original de grãos hoje conhecidos no Brasil como Santos e no México como Oaxaca.

Como o café chegou ao Brasil

Em 1727 os portugueses compreenderam que a terra do Brasil tinha todas as possibilidades que convinham à cafeicultura. Mas infelizmente eles não possuíam nem plantas nem grãos. O governo do Pará, encontrou um pretexto para enviar Palheta, um jovem oficial a Guiana Francesa, com uma missão simples: pedir ao governador M. d’Orvilliers algumas mudas. M. d’Orvilliers seguindo ordens expressas do rei de França, não atende o pedido de Palheta. Quanto Mme. d’Orvilliers, esposa do governador da Guiana Francesa, não resiste por muito tempo aos atrativos do jovem tenente.

Quando Palheta já regressava ao Brasil, Mme. d’Orvilliers envia-lhe um ramo de flores onde, dissimuladas pela folhagem, se encontravam escondidas as sementes a partir das quais haveria de crescer o poderoso império brasileiro do café - um episódio bem apropriado para a história deste grão tão sedutor.

Do Pará, a cultura passou para o Maranhão e, por volta de 1760, foi trazida para o Rio de Janeiro por João Alberto Castelo Branco, onde se espalhou pela Baixada Fluminense e posteriormente pelo Vale do Paraíba.

O surto e incremento da produção do café foram favorecidos por uma série de fatores existentes á época da Independência. As culturas do açúcar e do algodão estavam em crise, batidas no mercado internacional pela produção das Antilhas e dos EUA; por isso, os fazendeiros precisavam encontrar outro produto de fácil colocação no mercado internacional.

Além disso, a decadência da mineração libertou mão-de-obra e recursos financeiros na região Centro-Sul (Minas Gerais e Rio de Janeiro, principalmente) que podiam ser aplicados em atividades mais lucrativas. Em nível internacional, a produção brasileira foi favorecida pelo colapso dos cafezais de Java (devido a uma praga) e do Haiti (devido aos levantes de escravos e á revolução que tornou o pais independente). Outros fatores decisivos foram a estabilização do comércio internacional depois das guerras napoleónicas (Tratado de Versalhes, 1815) e a expansão da demanda europeia e americana por uma bebida barata.

A importância econômica do café refletiu-se na sua expansão geográfica. No início, difundiu-se pelo Vale do Paraíba (Rio de Janeiro e São Paulo), Sul de Minas e Espírito Santo. Depois, atingiu Campinas, no "Oeste Velho" de São Paulo; dali, expandiu-se para o chamado "Oeste Novo" (Ribeirão Preto e Araraquara) e passou, mais tarde, para as regiões de terra roxa do Norte do Paraná e Mato Grosso.

Hoje, as áreas de cultivo localizam-se nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e Bahia. Após a grande geada de 1975, houve um deslocamento das principais zonas produtoras do Norte do Paraná para áreas de clima mais favorável, como o sul de Minas Gerais e o interior capixaba.

A exportação brasileira do café começou a crescer a partir de 1816. Na década de 1830-1840, o produto assumiu a liderança das exportações do pais, com mais de 40% do total; o Brasil tornou-se, em 1840, o maior produtor mundial de café. Na década 1870-1880, o café passou a representar até 56% do valor das exportações.

Começou então o período áureo do chamado ciclo do café que durou até 1930; no final do séc. XIX, o café representava 65% do valor das exportações do pais, chegando a 70% na década de 1920.

Fazenda brasileira de café - século XIX

Contudo, o crack da Bolsa de Nova York (1929) forçou a queda brusca no preço internacional do café (que caiu,em 1930, para pouco mais que a metade de seu valor em 1928), que continuou em queda até menos de 40% em 1931, ficando nesses níveis baixos durante muitos anos: só em 1947 é que os preços voltaram aos níveis de 1928. Essa situação agravou a crise de superprodução do café, cujos primeiros sinais apareceram no início do séc. XX.

Para enfrentar essa crise, os governadores dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se (fevereiro de 1906) no chamado Convênio de Taubaté, que definiu uma política para a valorização do produto: os governos estaduais comprometeram-se a comprar toda a produção e usar os estoques como instrumentos para impedir quedas e oscilações no preço do produto, além de proibir novos plantios.

O Convênio de Taubaté representou a primeira intervenção oficial em defesa do café. Nos anos seguintes, o governo federal também tomou iniciativas nesse sentido. Mais tarde, após a crise de superprodução mundial de 1957, os países produtores e os grandes consumidores criaram o Acordo Internacional do Café (1962), que estabeleceu quotas de exportação para os países-membros.

O chamado "ciclo do café" teve repercussões econômicas e sociais importantes no Brasil. A expansão da lavoura levou à ampliação das vias férreas, principalmente em São Paulo; os portos do Rio de Janeiro e de Santos foram modernizados para sua exportação; a necessidade de mão-de-obra trouxe imigrantes europeus, principalmente depois da Abolição dos escravos; o café foi o primeiro produto de exportação controlado principalmente por brasileiros, possibilitando o acúmulo de capitais no pais.

Em consequência, criou-se um mercado interno importante, principalmente no Centro-Sul, que foi o suporte para um desenvolvimento sem precedentes das atividades industriais, comerciais e financeiras. O café, sobretudo, consolidou a hegemonia política e econômica do Centro-Sul, transformando-o na região brasileira onde o desenvolvimento capitalista foi pioneiro e mais acentuado.

Desde os anos 50, a importância do café para a economia brasileira tem decrescido sensivelmente. Uma das conseqüências da crise mundial de 1957 foi o início da produção de café solúvel.

A participação do café nas exportações do pais diminuiu; em meados dos anos 70, o valor da exportação de manufaturados ultrapassou o do café, que, desde o início dos anos 80, responde por cerca de 10% do valor total das exportações brasileiras.

Apesar disso, o café é ainda um dos principais produtos isolados exportados pelo país. São Paulo, que foi o maior produtor nacional desde o último terço do século passado, perdeu a primazia para o Paraná no final dos anos 50, mas sua produção ainda era significativa: em 1966-1967, por exemplo, metade de todos os cafeeiros do pais estava plantada nesses dois Estados.

Vinte anos depois, em 1986-1987, era Minas Gerais que tinha o maior número de cafeeiros (mais de um terço do total nacional), seguindo-se São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Bahia (que tinham juntos 92% dos 3,5 bilhões de pés de café então existentes no país.)

Em 1996 o consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões de sacas. Em 1997 o Brasil atinge quase 3 bilhões de dólares na exportação de café, tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.

Fonte: www.planetaorganico.com.br

Ciclo do Café

O Ciclo do Café Vale-paraibano

Considerações iniciais

A história do café no Vale do rio Paraíba do Sul, no século XIX — das fazendas cafeeiras, das famílias que eram suas proprietárias, dos escravos que constituíam a mão-de-obra empregada na produção, tratamento e beneficiamento dos grãos e de tudo o mais que se observava nos complexos agrícolas de então — seguiu um modelo bem definido, criando um cenário uniforme, que caracterizou o “Ciclo” nas suas mais diversas formas de manifestação.

Assim, o cultivo do café, que teve como área geográfica todo o Vale do rio Paraíba do Sul, ao longo dos seus quase cem anos de vida —- do nascimento à derrocada com a “gota d’água” da Abolição — cristalizou uma cultura própria que, por sua vez, se sustentava em antigas variáveis culturais e sociológicas, dentre as quais se destacavam: o patriarcado; o uso do escravo negro que, por transferência ou similaridade com as funções anteriores que exercia, era visto como a mão-de-obra perfeita para o plantio do café; o poder da religião católica, a sua atuação como parceira do Estado, protetora do capital e legitimadora do modelo escravocrata de trabalho; o apoio às comunidades e a benemerência, através da qual se buscava o reconhecimento e, também, a obtenção de títulos, status e poder; e o conservadorismo, abrangente e enraizado, que presidiu os mais variados aspectos do cotidiano urbano e rural da civilização cafeeira.

Tudo isso foi favorecido por um ambiente econômico e cultural criado a partir da consolidação do crescente e avassalador hábito de consumir café no “novo mundo” industrializado. Este texto busca abordar alguns dos principais aspectos que marcaram de uma maneira geral a história do café no Vale do Paraíba e o seu reflexo na construção de significsignificativo patrimônio histórico, arquitetônico e paisagístico, símbolos da identidade cultural de sua gente.

A origem do café e sua chegada ao Rio de Janeiro

O café, fruto exótico, a partir de seu habitat natural na África, difundiu-se por vários lugares do mundo e, dentre eles, chegou à Guiana Francesa. Daí, por obra e graça, dizem, da simpatia que o militar português Francisco de Melo Palheta despertou na mulher do governador local, aquele trouxe para o Brasil algumas sementes que foram plantadas no Pará em 1730.

O café no Vale: caminhos de acesso Do Rio de Janeiro, no final do século XVIII, o café fez sua entrada triunfal no Vale, através da província fluminense, por dois caminhos. O primeiro, o da “Serra Acima”, a chamada “Diretriz de Resende”, local das primeiras plantações e de onde, subindo e descendo o curso do rio Paraíba do Sul e de seus afluentes, alcançou, por um lado, as serras do então norte paulista e, por outro, as da velha província e parte da mata mineira. O segundo, a “Diretriz de São Gonçalo”, cobrindo a região litorânea até Campos dos Goitacazes onde, também subindo a serra, atingiu as regiões montanhosas de Cantagalo e Madalena.

No Vale do Paraíba, onde inúmeros e importantes afluentes formam imensa bacia hidrográfica, com 57.000 km² de área — sendo 39,6 % em terras fluminenses, 36,7% em terras mineiras e 23,7% em terras paulistas6 — o café, encontrando condições favoráveis de solo, clima e topografia e abundância de terras disponíveis para plantação em larga escala, criou um extraordinário sistema social e financeiro, conhecido historicamente como o “Ciclo Econômico do Café” e que, em sentido amplo, ocorreu ao longo de todo o século XIX.

A ocupação do Vale-paraibano: correntes migratórias

Embora a ocupação no Vale paulista do Paraíba tenha ocorrido já nos séculos XVII e XVIII e, no Vale fluminense, a abertura de alguns antigos caminhos e a busca de metais preciosos tenham levado, no século XVIII, à instalação de pequenos núcleos urbanos como, por exemplo, os de Paraíba do Sul, São João Marcos e Resende, a ocupação das vertentes fluminense e mineira do Vale ocorreu com muito mais intensidade e rapidez, por conta do café, ao final do século XVIII e ao longo do XIX.

Nesse sentido, duas correntes migratórias se destacaram. A primeira e mais numerosa ficou conhecida como a “1ª Invasão Mineira”, quando famílias inteiras vieram das “Gerais” plantar café no Vale do Paraíba, onde empregaram todo o arrojo, coragem e determinação, ao lado dos capitais amealhados com a mineração do ouro e contando com a mão-de-obra dos seus escravos que, com elas, participaram ativamente do ciclo que havia se exaurido. A segunda ocorreu em sentido inverso, isto é, do litoral para a serra. Eram portugueses, comerciantes da corte, aristocratas, burocratas do Reino e do Império, entre outros, que, estimulados pelo governo através do fornecimento de sementes da rubiácea e de terras, vieram para a região plantar café.

O comércio do café

A ocupação do solo com as plantações de café se deu de forma rápida e intensa, daí a expressão “avalanche cafeeira”. Isto se tornou particularmente possível com o crescente volume de café consumido no mundo, quando a característica de produto elegante, refinado e de luxo cedeu espaço ao hábito de tomar café como estimulante. O hábito difundiu-se e a expansão do consumo foi viabilizada pelo persistente desenvolvimento dos mercados da Europa e, sobretudo, dos Estados Unidos, baseados em uma crescente classe operária — fruto da geração e da movimentação da riqueza proveniente da Revolução Industrial — que criou milhares de novos consumidores urbanos de café.

Nesse contexto, o governo vislumbrava no novo produto a obtenção das divisas imprescindíveis à importação dos produtos manufaturados e também o acesso aos “luxos” e “modernidades”, dos quais o país, em especial a corte, tanto necessitava. Isto, em substituição ao algodão e, principalmente, ao açúcar, que davam sinais de enfraquecimento comercial, entre outros motivos pela concorrência mais organizada e eficiente dos produtores americanos e das colônias européias do Caribe, em especial, Cuba.

O Brasil soube aproveitar, também, a desorganização da produção ocorrida em São Domingos, até então o maior produtor mundial de café, em função de revoltas de escravos contra os fazendeiros, havidas a partir da última década dos setecentos. Ocupando o espaço comercial aberto, expandiu suas exportações, assumindo a liderança que ostentou por praticamente todo o século XIX, para ficar restrito ao horizonte temporal do “Ciclo” no Vale.

Pretendia também o Império criar uma elite agrária no Vale-paraibano para apoiá-lo e se contrapor ao peso e à influência da elite nordestina dos senhores de engenho e dos estancieiros do Rio Grande do Sul, que não simpatizavam, em um primeiro momento, com o poder central e se insurgiam contra os impostos cobrados, cujo retorno não se fazia sentir nos locais de origem e muito mais privilegiava as despesas da Corte.

Principais períodos do ciclo cafeeiro e a introdução da pecuária leiteira

Ao longo dos cem anos de café no Vale, embora não haja unanimidade entre os historiadores, seria razoável dividir o ciclo em três períodos distintos. O primeiro — nascimento / crescimento — que iria de 1800 a 1840. O segundo, o apogeu, de 1840 a 1875 e, o terceiro, a partir daí até 1900, o de declínio / derrocada. Naturalmente, essas datas e períodos não são estanques e, mesmo nos anos do declínio, por conta de um grande esforço de expansão da área plantada, o Vale ainda continuou produzindo crescente quantidade de café, o que, paradoxalmente, pela falta de capital, apressou a derrocada final, como será visto adiante.

Os períodos citados correspondem aos que alguns pesquisadores conceituam como: a geração dos “pais ricos”, os pioneiros, cuja preocupação era acumular riqueza, que empregavam em mais escravos, terras e cafezais; a dos “filhos nobres”, que usufruíram dessa riqueza consolidada e foram nobilitados e/ou condecorados, estudaram na Europa ou em escolas conceituadas como a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, talvez a mais expressiva geradora de homens públicos do país à época; e, finalmente, a dos “netos pobres”, que viram a riqueza escoar por entre os dedos e conviveram com a derrocada do ciclo.

Depois do café, as fazendas decadentes e/ou abandonadas do Vale e a paisagem característica dos “mares de morros”, agora desnudados de sua exuberante cobertura original de Mata Atlântica, viveram a “2a Invasão Mineira”, na qual eles desceram com suas boiadas e ocuparam as terras baratas, quase doadas, para produzir leite, derivados e alguma carne. Este “subciclo”, que ainda persiste em vários municípios do Vale do Paraíba, perdurou até meados do século XX, sendo depois substituído pela industrialização ou por outras atividades.

Um exemplo deste processo sucessivo de transformação econômica ocorreu no município fluminense de Barra Mansa, que, após ter sido grande produtor de café, abrigou a maior bacia leiteira do Brasil e, hoje, ao lado do seu ex-distrito Volta Redonda, forma uma região industrializada, prestadora de serviços de alta tecnologia e de comércio forte.

Personagens do café

Dois personagens foram, realmente, as maiores e mais representativas figuras deste período e fizeram o Ciclo do Café no Vale acontecer. Os fazendeiros de café, genericamente chamados de “barões do café”, tenham ou não sido nobilitados como tal pelo Império, responsáveis pelo capital, pela abertura, consolidação, crescimento e administração das “Empresas Agrícolas do Café”, muitas delas verdadeiros feudos autônomos e fechados em si mesmos, e que só não produziam, latu senso, o ferro, o sal e o vinho; e o negro, mão-de-obra feita escrava na sua África natal que, verdadeiramente, produziu a riqueza verde (ouro verde) e tantos benefícios trouxe à cultura e à vida do país, a ele se incorporando definitivamente na sua formação racial e histórico cultural.

Poderiam ser citados outros importantes personagens como o tropeiro, responsável pelo escoamento / transporte do café até os portos de embarque; o comissário de café, que respondia pelos interesses do fazendeiro na negociação / venda do café, mediante comissão nas vendas, além de outros serviços que a ele prestava; os exportadores e outros.

No entanto, aqueles que, de fato, deram sustentabilidade a tamanha empreitada, foram os representantes diretos do capital e do trabalho: o fazendeiro e o escravo negro.

Ciclo do Café
Barão de São José del Rei, esposa, filha, genro e netos.

Produção de café nas províncias

O Vale foi o principal produtor de café do Brasil Império e a província fluminense foi o seu maior destaque ao longo de todo o “Ciclo”. Em 1852, ocasião em que produziu 7 milhões e 193 mil arrobas (15 kg cada), respondia por 77% das exportações brasileiras, São Paulo, 13,8% e Minas Gerais, 7,6%.

Em 1860, o Rio exportou 81,6% do total brasileiro que, em 1881, representou 61,5% do total mundial. O Rio começou a perder a hegemonia para São Paulo ao final do ciclo, já próximo da Abolição e, definitivamente, nos primeiros anos da República. São Paulo já contava, então, com o grande volume de café produzido no “Oeste” da província (para onde o café emigrou), posto que também no Vale paulista do Paraíba, inclusive na sua região mais representativa, a de Bananal, a decadência já havia também se instalado.

Não se deve esquecer que uma região do Estado do Rio de Janeiro ainda teve expressivo volume de produção cafeeira após a derrocada do Vale e os primeiros tempos do século XX.

Trata-se do norte fluminense, capitaneado pela cidade de Itaperuna — na realidade, também Vale do Paraíba, pois fica às margens do importante rio Muriaé que, vindo das Gerais, é afluente do Paraíba pela sua margem esquerda, próximo à cidade de Campos dos Goytacazes.

Em 1927, a despeito da vanguarda indiscutível de São Paulo em termos de produção, ainda era, isoladamente, o maior município produtor de café no Brasil, por conta de um início tardio em relação às demais regiões produtoras do “antigo” Vale.

Na época, o Estado do Rio contribuía com cerca de 10% da produção brasileira e Itaperuna produzia, sozinha, 1 milhão e 220 mil arrobas, chegando, alguns anos depois, a 1 milhão e 800 mil arrobas (São Paulo produzia 60 milhões e o Rio 6,5 milhões). Vassouras, no auge do ciclo no Vale, em 1856/7, produziu cerca de 1 milhão e 500 mil arrobas e a província fluminense, com algo em torno de 8 milhões de arrobas, respondia por, aproximadamente, 80% da produção brasileira.

Esses números mostram a “gangorra” produtiva entre cidades da mesma região e, principalmente, o extraordinário crescimento do café nas terras roxas do “Oeste” paulista. Até hoje o Brasil ainda produz muito café e mantém presença forte no mercado mundial do produto.

Cidades expoentes do Vale-paraibano

Ao longo do século XIX, foram criadas na região inúmeras capelas, curatos e freguesias, nomenclaturas religiosas que substituíam/conviviam — tal a íntima ligação entre a Igreja e o Estado na época — com as de origem civil como povoado, vilas, cidades e comarcas.

Durante o período cafeeiro, algumas prosperaram e outras perderam importância ou desapareceram, sobretudo aquelas existentes nos caminhos de passagem das tropas de mulas, substituídas pela instalação das primeiras ferrovias, e aquelas que abrigavam os portos que recebiam as mencionadas tropas. Alguns destes, marítimos ou fluviais, eram de grande movimento, tanto no litoral paulista como no fluminense, como, por exemplo: São Sebastião, Ubatuba, Mambucaba, Itanema, Ariró, Jurumirim, Angra dos Reis, Mangaratiba, Iguaçu Velho, Pilar, Estrela, Porto das Caixas e Barra de São João, entre outros.

Para citar as maiores e mais expressivas vilas e cidades do café, não se pode esquecer de mencionar, no Rio de Janeiro, a pioneira Resende, a Valença “dos marqueses” e, principalmente, Vassouras, a mais importante cidade de todo o Vale-paraibano, além de Cantagalo, no norte da província. Em São Paulo, indiscutivelmente, sobressaiu-se Bananal, no fundo do Vale (rival de Vassouras em importância), além de Taubaté, Pindamonhangaba e Lorena. Em Minas Gerais, Juiz de Fora, que, após a metade do século XIX foi o principal pólo, coadjuvada por Leopoldina, Mar de Espanha, Rio Novo e Ubá.

“Grande distrito cafeeiro do período imperial, São João Marcos surgiu quando João Machado Pereira, vindo de Resende, ali instalou uma fazenda, em 1733. Logo em seguida abriu-se uma estrada pela qual pudessem transitar, com segurança, os quintos de ouro com destino ao Rio de Janeiro. Elevada à categoria de Vila em 1811, São João Marcos tornou-se, como Resende, Valença, Vassouras e Paraíba do Sul, um dos principais centros cafeeiros do Brasil, sendo o maior produtor o Comendador Breves, que possuía várias fazendas e escravos e uma enorme quantidade de arrobas de café, armazenados em trapiches em Mangaratiba. Hoje, no vale formado pela confluência dos antigos rios Araras e Panelas, encontram-se as ruínas remanescentes do núcleo histórico, cujo casario foi mandado demolir, na década de 1940, para represamento das águas de Ribeirão das Lages para fornecimento de energia”. (Patrimônio Cultural - Guia dos Bens Tombados pelo Estado do Rio de Janeiro, 1965 - 2005, INEPAC).

As edificações da fazenda cafeeira

Além da casa-sede, moradia da família do proprietário, as principais edificações que compunham, sob o aspecto operacional, uma “empresa” agrícola do café eram:

O lavador de café;
O(s) terreiro(s) para a sua secagem, de terra ou calçado;
O engenho para beneficiamento dos grãos (engenho de café);
As tulhas para armazenagem do café seco a ser beneficiado;
E, ainda, a senzala, que abrigava a escravaria, a mão-de-obra envolvida em todo o processo produtivo e que fazia funcionar, realmente, a empresa agrícola do café e, por isso, também considerada no conjunto das cinco edificações, diretamente ligada à “atividade fim” da fazenda.

Variando de acordo com o porte da fazenda —- em terras, produção e recursos financeiros e da sua capacidade e/ou interesse em ser, parcial ou totalmente, auto-suficiente — podiam existir ou não, em porte menor ou maior, outras edificações e áreas de trabalho vinculadas s “atividades meio” do empreendimento.

Seriam elas:

O engenho de açúcar e aguardente, o de “serra” e os que beneficiavam outros cereais, como os moinhos de fubá, de farinha de mandioca e de arroz;
Os depósitos de ferramentas e utensílios;
As oficinas, principalmente, de carpintaria e forjaria;
A enfermaria para os escravos, que em algumas fazendas eram verdadeiros “hospitais”, com, farmácia e consultório para o “médico de partido” ;
As demais moradias, casas para o pessoal da “administração”, entre outros, os temidos e geralmente mal vistos feitores; e para o capelão e o boticário, quando permanentes;
Os paióis para os cereais, ventilados e alteados do chão para fugir ao ataque dos roedores;
A olaria para a confecção de telhas e adobes; Os ranchos para os animais da tropa, mais presentes até o advento da ferrovia, e para os carros da fazenda, de passeio da família ou de trabalho, como os puxados por bois;
As baias para os animais de montaria; as pocilgas; os galinheiros; os currais;
Além de áreas de trabalho não cobertas, como os pomares e as hortas.

Algumas fazendas mantinham “vendas” que atendiam, em especial, aos próprios escravos e onde, além das compras, eles podiam se encontrar, conversar e beber, aos domingos, sob o olhar vigilante do fazendeiro.

Na decisão quanto à escolha do local para implantação das edificações que integravam o complexo, era fundamental a aguada para garantir o provimento da força motriz que fazia girar todas as engrenagens da propriedade. Tirada em nível, normalmente de açudes ou diretamente de barragens em cursos d’água, corriam por canaletas a céu aberto, as indefectíveis banquetas, movendo as rodas-d’água, uma ou mais, dos principais engenhos, para a lavagem do café e para os mais diversos usos agrícolas e domésticos da fazenda.

O conjunto de edificações, notadamente a casa-sede, a senzala, o engenho de café e a tulha, formavam usualmente um “quadrado funcional”, denominação dada à forma de implantação das mesmas no sítio natural, tendo o terreiro de café, ao centro, como referência. Esta disposição por vezes era modificada ou se ajustava ao porte da propriedade quando, por exemplo, existiam mais de um terreiro ou a topografia do sítio apresentava desníveis.

A senzala era uma construção simples desprovida de janelas, cobertura em telha-vã e, comumente, possuía uma varanda fronteira, em toda a sua extensão, para evitar que o escravo tomasse chuva e se “constipasse” e, geralmente, com piso de terra batida. Subdividia-se em cubículos ou celas, denominadas lances, cuja quantidade e dimensões variavam em função do número de escravos.

A sua disposição mais comum no terreno era em fila ou em quadra, acompanhando a forma de implantação das demais edificações. O desenho tradicional, onde as portas da senzala eram voltadas para o interior do pátio, atendia aos quesitos de segurança e controle da mão-de-obra escrava e facilitava a administração visual das principais atividades, em especial as desenvolvidas no terreiro de café.

Os programas arquitetônicos que caracterizavam as plantas das casas-sede, prevalecendo como forma de expressão e dando seqüência a um padrão histórico — independente de a construção adotar um “estilo” arquitetônico mais conservador, trazido pelos paulistas ou pelos mineiros, ou mais requintado, influenciado pela linguagem do neoclássico, que impregnou o nosso século XIX — eram marcados pela preocupação de separar as dependências em blocos distintos, refletindo, na organização de seus ambientes, as regras e normas sociais vigentes.

Em um bloco eram contemplados os espaços necessários à convivência social da família, especialmente visando “proteger” a intimidade das mulheres da casa, onde se localizavam os quartos de dormir, as salas de refeição, jantar e almoço, e as dependências de serviços, como a cozinha. No outro bloco ficavam as dependências de recepção dos hóspedes e dos visitantes que vinham tratar de negócios, com suas salas e alcovas separadas da área familiar por ambientes cujas portas eram mantidas sempre fechadas.

Com o passar do tempo e as mudanças na dinâmica social ocorrida nas últimas décadas do XIX, o isolamento dos membros da família — em especial das mulheres — foi-se atenuando e as soluções internas foram eliminando as dependências que possuíam a função básica de “separar” os blocos, dando mais leveza e funcionalidade às plantas das casas rurais.

Plantio, colheita, tratamento e beneficiamento do café

As terras da fazenda cafeeira, desmatadas e preparadas para o plantio, recebiam as mudas de café que, depois de um período de cerca de três a quatro anos, já produziam algum fruto, atingindo boa produção no 6º ano. Entretanto, o período de produção máxima da planta acontecia a partir do 7o ao 8o até o 15º ao 20º ano, declinando daí em diante em termos de produção relativa e podendo chegar a produzir, em condições muito especiais, e no caso do Vale em raros e isolados casos, até aos 40 ou 50 anos de idade.

As colheitas ocorriam após a estação chuvosa, nos meses de maio até setembro, com o ponto alto em julho, através do método chamado de “derriça” que, praticamente, limpava cada galho da planta, removendo frutos maduros, ou “cerejas”, verdes, secos, galhos e gravetos. Era realizada de forma exaustiva, pois se repetia o processo em todo o cafezal, recolhendo-se, também, os grãos secos caídos aos pés das plantas.

O café era transportado para as instalações da fazenda, iniciando-se a fase de “tratamento”, na qual a primeira operação era a lavagem dos grãos em tanques apropriados, objetivando retirar as impurezas mais grosseiras que vinham junto com ele da lavoura. Em seguida, era espalhado pelo terreiro onde secava por um período que poderia levar até 30 dias, variando com as condições do tempo e com a mistura dos grãos colhidos.

No terreiro, o café era periodicamente revirado para se obter uma secagem uniforme e amontoado e coberto ao cair da tarde — com palha e posteriormente com lonas — para protegê-lo do sereno da noite ou quando ameaçava chuva. No dia seguinte, com o sol já bem alto e o terreiro já aquecido, repetia-se a operação.

Após seca a polpa e as outras películas internas que envolviam os dois grãos, o “café em coco” — também conhecido como “café em pergaminho” devido ao nome da película que envolve os dois grãos ou, ainda, “café casquinha” — era imediatamente beneficiado ou armazenado em tulhas, aguardando o início do beneficiamento. Terminava aí a fase de tratamento do café, através do processo denominado “por via seca” — gerando o também chamado “café terreiro” — que era o processo predominante no Vale.

Uma alternativa a este processo era o “tratamento por via úmida”, desenvolvido para reduzir o prazo de secagem do café no terreiro e permitir a obtenção de um grão de melhor qualidade.

Utilizava máquinas chamadas “despolpadores” — cuja marca mais famosa foi a americana “Lidgerwood” — que recebiam o café lavado, como antes mencionado, e por pressão mecânica retiravam a polpa e deixavam os dois grãos envoltos na película pergaminho. Por só despolpar café cereja, esta técnica encarecia o produto final e, em relação ao processo “por via seca”, foi utilizada em escala reduzida no Vale-paraibano.

O “café em coco”, seja por que processo tenha sido tratado, estava pronto para ser “beneficiado”, o que acontecia no “engenho de café”.

Deixando de lado as máquinas mais simples para produção em escalas menores, como os pilões manuais, os monjolos e os carretões de ripe, entre outras, a “máquina” mais usada para “descascar” o café — a etapa básica do processo de beneficiamento — foi o popular e muito utilizado “engenho de pilões”, semelhante ao que foi empregado na mineração de ouro.

Constituía-se em um conjunto de várias hastes seqüenciais que, subindo e descendo alternadamente, iam descascando o café que ficava em recipientes colocados sob cada uma delas.

O café assim descascado era limpo, escolhido, ensacado (em sacos de 60 kg) e embarcado, através de tropa de mulas e depois por ferrovia, para os portos intermediários, alguns fluviais, que existiam ao longo da costa paulista e fluminense, e daí aos portos exportadores, fundamentalmente o Rio de Janeiro e, mais para frente, Santos, já com o café abandonando o Vale do Paraíba.

Com o advento de equipamentos mais modernos e instalados em seqüência, o beneficiamento tinha início com as “máquinas limpadoras”, ventiladores ou outros modelos, que retiravam as impurezas que ainda estavam misturadas com o café em coco nas tulhas, preparando-o para a etapa do descascamento — em algumas propriedades com os engenhos de pilões ou, nas mais “avançadas”, com os “descascadores mecânicos”. Em seguida, os grãos descascados eram novamente “ventilados” para a limpeza final, escolhidos manualmente nas mesas pelos escravos, conforme seus tamanhos e formas, ou em máquinas que selecionavam os grãos utilizando “peneiras” — chapas perfuradas com furos de várias dimensões —- e ensacados, em alguns engenhos também “automaticamente”, seguindo para os portos de destino.

Todas as máquinas apresentadas, já em uma configuração mais moderna, eram alimentadas na seqüência antes descrita através de um sistema de transporte de grãos que usava “elevador de caçamba” — condutos de madeira de secção quadrada, verticais, pelo interior dos quais se movimentavam pequenas “canequinhas” fixadas em correias — que transportavam, em um moto contínuo, os grãos de uma máquina para a outra, conjugados com “bicas inclinadas”, através das quais os grãos passavam de uma máquina para a seguinte, simplesmente descendo por gravidade dentro de condutos, nestes casos ocos.

O sistema de máquinas e “elevadores/ bicas” era movimentado através de um eixo principal — eixo geral de transmissão de força — ao qual estavam acopladas polias de vários diâmetros que movimentavam outras polias ligadas às diversas máquinas através de correias.

Era um sistema integrado e complexo que precisava ser muito bem planejado e dimensionado para fazer funcionar todas as máquinas na seqüência, na velocidade particular de cada uma e no ritmo adequado ao nível de produção de cada propriedade.

Até a implantação de formas mais modernas de geração de energia, como o vapor e depois a eletricidade, todos os mecanismos descritos eram acionados por força hidráulica, daí a importância da água para a fazenda de café, força essa que era gerada pelo movimento circular da roda-d’água que, para grandes engenhos, eram construídas de ferro e tinham diâmetros que podiam chegar a 7 metros.

Assim, em linhas gerais, era tratado e beneficiado o café Vale-paraibano, depois o café do “Oeste” de São Paulo, já com sistemas maiores e mais complexos, mas que, em essência, funcionavam como o descrito, exceto pelo engenho de pilões, que foi, com o tempo, substituído totalmente pelas máquinas modernas.

Existiam outras máquinas como, por exemplo, os secadores de café “mecânicos”, que substituíam ou complementavam o processo de secagem os grãos nos terreiros, e os brunidores de grãos que, entretanto, principalmente os primeiros, não foram empregados em grande escala no Vale.

A decadência do ciclo cafeeiro Vale-paraibano e o café no “Oeste” paulista

As principais causas da decadência do café no Vale foram: a utilização de técnicas inadequadas de plantio e cultivo e o mau uso da terra. Dentre as técnicas inadequadas, destacou-se o plantio do café em linha reta, de cima para baixo, e não em curvas de nível. Com isso, o cafeeiro tinha suas raízes capilares lavadas e expostas ao ar e ao sol pelas águas das chuvas, o que diminuía consideravelmente a sua produtividade e o seu tempo de vida útil. Além disso, a enxurrada removia a camada fértil do solo que era depositada nas várzeas ou levada pelas águas dos rios da região.

A inevitável erosão tornava as encostas imprestáveis e o desmatamento intensivo e as queimadas traziam alterações climáticas, influenciando na regularidade do regime de chuvas, que toda a serra anteriormente ostentava e de que o café tanto necessitava.

Nenhuma técnica de adubação era empregada, até porque a existência de terras virgens não estimulava esse esforço. A simples manutenção da cobertura vegetal no alto dos morros, por exemplo, teria ajudado a diminuir esses impactos. A despeito de já se conhecerem técnicas mais evoluídas de cultivo e de algumas poucas vozes alertarem, com vigor, sobre esse conjunto de problemas e as conseqüências que dele adviriam, a terra era e continuava sendo explorada sem arte ou ciência.

Alguns fazendeiros chegavam a dizer, como cita Stanley Stein: “... fiz as coisas dessa maneira, deixe que a próxima geração faça como lhe agradar”. O conservadorismo, que presidia posições como essa, era um valor cultural muito mais presente no dia-a-dia dos cafeicultores do Vale do que se possa imaginar.

Assim, antes de prosseguir no tema e tendo em vista a contribuição que este aspecto cultural teve na derrocada do ciclo, é interessante pinçar alguns outros trechos de Stanley Stein, pois através deles, pode-se perceber com nitidez a “filosofia” que presidia o pensamento dos cafeicultores fluminenses, vis-à-vis do Vale.

Os relatos a seguir, transcritos do Congresso Agrícola de 1878, realizado na Corte sob os auspícios do Ministro da Agricultura, correspondem à época em que os estudiosos do tema identificam como o início do declínio da economia cafeeira no Vale, sendo possível observar em suas falas que os problemas com o plantio e o cultivo do café já se faziam sentir há muito.

“Alguns culpavam (pelos tempos difíceis que estavam vivendo) a escassez de mão-de obra escrava; outros, a incapacidade de utilização de modernos equipamentos de processamento de café; e outros, ainda, a falta de crédito agrícola a juros baixos. Em meio às lágrimas, que variavam da autocrítica ao desespero, apenas algumas vozes chamaram a atenção dos fazendeiros de Vassouras, assim como dos municípios vizinhos, sobre o estado decadente das terras e dos cafezais”.

Uma dessas vozes, a de um fazendeiro das proximidades de Paraíba do Sul, advertia enfaticamente:

“É um erro imensamente grave supor que nossa baixa produção se origine somente da falta de trabalho escravo e de crédito”, e, adiante, “Apenas aqueles que não pensam nem estudam, apenas aqueles que não seguem nem examinam atenta e intimamente nosso sistema de explorar a terra sem arte ou ciência, o curso de nossa agricultura, ciclos meteorológicos e mudanças climáticas por que passou o Brasil nos últimos 25 anos, apenas esses podem grosseiramente adotar tal posição”.

Pondo de lado os mil e um comentários proferidos para justificar o esgotamento do solo, cafeeiros envelhecidos e a produção em declínio ou estacionária, enquanto se consumiam mais e mais reservas de florestas virgens, Manoel Ribeiro do Val, a voz mencionada, terminou o seu discurso para alguns fazendeiros no Congresso Agrícola dizendo:

“Apenas aqueles que estudam, plantam, mas que apesar disso não conseguiram obter um bom resultado nesses últimos 25 anos, podem imaginar os efeitos negativos do nosso sistema de plantio”.

Para prosseguir produzindo dentro desse contexto, era despendido tempo, esforço e dinheiro na compra de novas e caras terras, com matas virgens para prepará-las lavoura — iniciando novo ciclo de impropriedades — cujo retorno só iria ocorrer, no mínimo, seis anos depois do início do plantio. Tais fatores, negativos, foram acrescidos de outros: o alto preço do escravo, após a proibição do tráfego em 1850; pragas que volta e meia atacavam os cafezais; gastos excessivos com luxos, títulos de nobreza e demonstrações de status que permearam a vida dos “barões do café”; concorrência dos cafezais do “Oeste” paulista, que, com maior produtividade e custos mais baixos, aos poucos conquistavam o mercado.

Estabelecia-se um ciclo vicioso que levava os fazendeiros, descapitalizados e sem alternativas, à busca de novos financiamentos. Aumentavam-se, assim, as dívidas com capitalistas e bancos, que cobravam juros altos e a quem as propriedades eram hipotecadas como garantia dos empréstimos, quase sempre de difícil liquidação.

A Abolição, reduzindo fortemente de um dia para o outro o patrimônio do fazendeiro — no geral, a escravaria representava cerca de 40 a 50% dele — tornou a derrocada inevitável. Além disso, a Abolição ocorreu exatamente no início da colheita, gerando perda de grande parte da produção, que apodreceu nos cafezais.

É bom lembrar que, independente de algumas poucas e, na maioria delas, fracassadas tentativas de introdução de imigrantes nos cafezais do Vale, o fazendeiro da região, em geral, era refratário a isso e tinha cristalizado a convicção, também altamente conservadora, de que café se plantava com escravos. Ao contrário, no “Oeste” paulista, em um primeiro momento concomitantemente a utilização de escravos, foi sendo introduzida na lavoura a mão-de-obra livre de imigrantes, em especial italianos.

Os recursos remanescentes do Vale foram migrando para o “Oeste” paulista.

Muitos cafeicultores deixaram suas fazendas em busca do novo Eldorado como, por exemplo, o coronel José Pereira Barreto que, junto com seu irmão, Luiz Pereira Barreto, outros irmãos e sobrinhos, formaram a célebre “Caravana Pereira Barreto”, que, partindo de Resende em 1876, de trem até Cachoeira Paulista — ponto final da Estrada de Ferro D. Pedro II na época — e depois a cavalo, em carroças e a pé, com pertences, mais de 60 escravos, animais e ferramentas, foram plantar café em terras adquiridas em Ribeirão Preto.

O fortalecimento da mão-de-obra de imigrantes, conjugado com o solo fértil do “Oeste” (terra roxa, do italiano “rossa”) e somado s técnicas de cultivo e tratamento mais corretas, teriam sido os fatores responsáveis pela diferença da quantidade produzida e pela produtividade entre as regiões mencionadas, embora alguns estudiosos do tema creditem a diferença, unicamente, ao uso da mão-de-obra de imigrantes. Outros julgam que ela foi importante, mas conjugada com o crédito rural que era abundante naquela época e região.

Posteriormente, a marcha do café buscou as terras igualmente férteis do norte do Paraná, na região de Londrina, Maringá, Cascavel etc. e hoje encontra seu ponto principal de produção no sul de Minas Gerais.

Roberto Guião de Souza Lima

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TELLES, Augusto Carlos da Silva. O Vale do Paraíba e a arquitetura do café. Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2006.
WERNECK, Francisco Peixoto de Lacerda (2º barão de Paty do Alferes). Memória sobre a fundação de uma fazenda na Província do Rio de Janeiro (edições de 1847 e 1878). Rio de Janeiro: Senado Federal, Fundação Casa de Rui Barbosa – MEC, 1975.

Fonte: www.institutocidadeviva.org.br

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