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Era Nuclear Brasileira

 

Era Nuclear Brasileira
Praia de Itaorna - Angra dos Reis - Rio de Janeiro

A Era Nuclear Brasileira

A pesquisa científica nuclear no Brasil data de 1934, na Universidade de São Paulo com a entrada de cientistas estrangeiros que formaram os primeiros físicos voltados para a constituição básica da matéria. No decorrer dos anos surgiram pesquisas em São Paulo e no Distrito Federal (Guanabara) e vários estudantes brasileiros foram se especializar no exterior e por sua vez criaram centros de pesquisas nacionais.

No início da década de 40, antes da primeira bomba atômica ser detonada, os EUA, que já faziam pesquisas na área nuclear visando objetivos militares, firmaram o primeiro programa para prospecção de recursos minerais brasileiros. Este programa resultou em diversos acordos (Em 21.05.1942 o decreto-lei 4.323 aprovou o acordo de fornecimento de materiais de defesa entre o Brasil e os EUA.), firmados na mesma década e na seguinte, chegando o Brasil a trocar, em 1954, 10.000 t de minerais radioativos brutos (monazita e terras raras) por 100.000 t de trigo.

No final dos anos 40 o Brasil era representado na Comissão de Energia Atômica da ONU pelo almirante Álvaro Alberto, muito mais identificado com a ciência do que com a Marinha, professor da Escola Naval.

O Brasil com enormes reservas de tório em seu território via-se como candidato a esta ciência e procuraria dominar a tecnologia de água pesada e urânio natural e evitar a ameaça de perder a posse efetiva de matérias-primas.

Convencido disto, o presidente Dutra nomeou uma Comissão de Professores para elaborar um projeto que criasse um órgão de aparelhamento tecnológico e científico. Este esforço deu origem ao Conselho Nacional de Pesquisas-CNPq através da Lei 1.310 de 15.01.1951, chamada de "Lei Áurea da pesquisa brasileira". Este Conselho fomentava a pesquisa e concedia bolsas de estudo e teve o almirante Álvaro Alberto como seu primeiro presidente.

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Em 31.08.1956, o Conselho de Segurança Nacional recomendou a criação de uma Comissão Nacional de Energia Nuclear para estudar uma política de energia mais adequada ao interesse e segurança nacionais que abrangesse todas as fases e aspectos.

A instalação de uma usina foi incluída no Plano de Metas do presidente Juscelino Kubitschek para atender às diretrizes propostas. Entre 1955 e 1958 o Clube de Engenharia-RJ realizou conferências sobre o assunto, e como de costume, não havia unanimidade sobre o assunto.

O assunto foi estudado pela empresa American & Foreign Power em 1956, representada no País pela CBEE-Companhia Brasileira de Energia Elétrica, que tinha um projeto de uma unidade de 10 MW a ser localizada na região Norte do Rio de Janeiro (Cabo Frio), que desistiu ao constatar que o kilowatt teria um custo de US$ 2.000, a preços da época.

Pensava-se em ter uma usina nuclear próxima à área industrial de Porto Alegre com 60 MW e também uma unidade de 50MW para o Nordeste. No Polígono das Secas, próximo a Fortaleza, uma unidade para produzir 150 MW de energia elétrica e dessalinizar 300.000 m3 de água do mar. A introdução no sistema Sul-Sudeste se daria até 1980 e alcançaria a marca de 81 GW nucleares, 50 % da capacidade prevista em 2000.

CNEN

Em 10.10.1956, data de sua criação, a CNEN-Comissão Nacional de Energia Nuclear foi encarregada de "propor as medidas julgadas necessárias à orientação da política geral da energia atômica", vinculada à Presidência da República e 4 anos depois passou para o âmbito do Ministério de Minas e Energia, quando este foi criado, tornando-se um órgão mais executivo. Em 27.08.1962, a Lei n° 4.118 definiu que "Política Nacional e Energia Nuclear" era assunto de Estado.

Enquanto isto, os Institutos de Energia da USP e UFRJ desenvolviam seus estudos com reatores de pesquisa e o Instituto Militar de Engenharia já contava com um curso de engenharia nuclear, mais tarde servindo como pós-graduação (1969).

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Em dezembro de 1959, a CNEN estudava a viabilidade da construção de uma usina na faixa litorânea entre as cidades de Angra dos Reis e Paraty, criando a Superintendência do Projeto Mambucaba. Seria uma usina-piloto de 150 a 200 MW para treinamento de técnicos. Em 1963 estes planos foram esquecidos por falta de força política da CNEN, e acabaram engavetados pela decisão momentânea dos militares de não usar a energia nuclear como fonte de energia elétrica e retomados 2 anos depois quando a CNEN criou o Grupo de Trabalho de Reatores de Potência e começou a trabalhar numa proposta de uma Central Nuclear Centro-Sul de 538 MWe, um reator moderado a água leve e a urânio enriquecido.

Somou-se a isto um consórcio de consultores do Brasil, Estados Unidos e Canadá que reexaminaram o assunto através do Consórcio CANAMBRA (CANAMBRA Engineering Consultant Limited) sobre alternativas de energia para o País. Mas, só em 1967 é que foi elaborado um plano de nuclearização para o país.

Em 12.04.1967, o presidente Costa e Silva, em Punta del Este-Uruguay anunciou o propósito de construir a primeira usina nuclear e neste sentido baixou o Decreto n° 60.890.

Em 12.04.1967, o presidente Costa e Silva, em Punta del Este-Uruguay anunciou o propósito de construir a primeira usina nuclear e neste sentido baixou o Decreto n° 60.890.

Em 26.04.1968 um convênio entre a ELETROBRÁS, holding do setor de energia, e a CNEN, abriu caminho para a exploração nuclelétrica no Brasil e no início de 1969 foi tomada a decisão de construir tal unidade nuclear, que deveria ficar pronta em 1975. Em 31.01.1969 foi assinado contrato com a NUS Corporation para assessoramento na implantação de uma usina nuclear. Em 25.06.1969 a CNEN estabeleceu normas para escolha do local. A Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado da Guanabara reivindicou a instalação para si alegando que era o único estado sem fonte própria de energia hidrelétrica.

FURNAS Centrais Elétricas S.A.

John Cotrim, primeiro presidente de FURNAS, posicionou-se contra uma usina nuclear, em 1966. FURNAS, mais tarde, em 1970, seria a primeira subsidiária a ter em seu sistema de geração uma central nuclear de 500 MW, tornando-se responsável pela construção e operação da nova usina.

Em abril de 1970 decidiu-se para a construção dessa instalação a Praia de Itaorna no distrito de Cunhambebe, município fluminense de Angra dos Reis, próximo dos grandes centros consumidores do país -Minas Gerais (350 km), São Paulo (220 km) e Rio de Janeiro (130 km).

A Praia de Itaorna, um dia habitada por índios guaranis com conhecimento sísmico (o nome da praia significa "pedra podre") era uma vila de pescadores e plantadores de banana. Também foram consideradas as áreas de Ponta Negra (Maricá), Muriqui (Mangaratiba), Prainha, Grumari (Rio de Janeiro) e Mambucaba (Angra dos Reis).

Os convites foram feitos em junho de 1970. Em 26.01.1971 foram abertas as propostas de 5 fabricantes

Fabricante País Tipo de Reator
ASEA-ATOM Suécia Água leve fervente
THE NUCLEAR POWER GROUP Reino Unido Água leve fervente e moderado a água pesada
COMBUSTION ENGINEERING EUA Água leve pressurizada
WESTINGHOUSE EUA Água leve pressurizada
GENERAL ELECTRIC EUA Água leve fervente
KRAFTWERK UNION (SIEMENS) Alemanha Água leve pressurizada
KRAFTWERK UNION (AEG) Alemanha Água leve fervente

A ASEA-ATOM e a COMBUSTION ENGINEERING declinaram do convite devido à limitações técnicas.

Angra I

Em janeiro de 1971, FURNAS recebeu as propostas dos pré-qualificados e em 18.05.1971 o relatório apontando o vencedor (Westinghouse) foi levado ao ministro Antônio Dias Leite-MME por uma comissão de FURNAS, CNEN e ELETROBRÁS. A compra seria financiada pelo EXIMBANK, contrato que foi assinado em 27.01.1972. O contrato "turnkey" híbrido, porque em parte da obra houve participação de componentes fornecidos pela indústria nacional, foi assinado em Brasília em 07.04.1972 -um contrato para construção e outro para fornecimento de elementos combustíveis, e as obras começaram em 01.10.1972.

Este acordo encerrou a fase diplomática - em que foram criados os principais institutos de pesquisa e órgãos estatais para assuntos nucleares e iniciou a fase do desenvolvimento dependente.

Os EUA forneceram urânio enriquecido (numa quantidade que não ultrapassasse 2.300 kg em 30 anos) em troca de urânio natural brasileiro. O urânio era da África do Sul, hexafluoretado na Inglaterra e enriquecido nos EUA. Ficava a cargo da Comissão de Energia Atômica dos EUA o controle das instalações brasileiras para que estas não fizessem uso militar. Neste acordo também ficou acertado que o reator de potência a ser vendido para o Brasil seria um PWR (Reator de Água Pressurizada). Também o financiamento do projeto gerou muitas suspeitas, pois foi feito por um banco que logo em seguida foi comprado pelo então ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen.

"Em 1972, Angra era uma cidade ainda sem muitos recursos. FURNAS necessitou implantar uma estrutura enorme, algo semelhante ao que aconteceu em Volta Redonda, desde os anos 40, quando lá se construiu a Companhia Siderúrgica Nacional. Foram construídas vilas, hospedagens, hospital, supermercado, escolas etc. A cidade cresceu e a próprias vilas do Frade e a de Mambucaba começaram a oferecer algumas facilidades." Em 24.05.1974 chegaram o vaso do reator e os geradores de vapor.

Em 1974 a CNEN concedeu a Licença de Construção para algo que já estava em andamento. As incongruências de etapas se explica no fato de que a legislação brasileira estava enfrentando um assunto totalmente novo e os passos além foram dados numa época em que a sociedade não tinha meios eficientes para questionar os tecnocratas e militares. Os EUA também passaram por problema similar. Com o passar dos anos foram fortalecidas estruturas que implicam hoje em atender vários itens, como a realização de um Estudo de Impacto Ambiental, autorização do IBAMA, ANEEL, FEEMA (no Estado do Rio de Janeiro), e por fim a CNEN.

Em 29.04.1975 chegaram as turbinas de alta e baixa pressão, o pressurizador do sistema primário, o gerador elétrico e o condensador. Em 27.10.1975 o presidente Geisel visitou as obras e em 20.12.1976 começou a montagem dos equipamentos pesados de Angra I. Em 23.11.1978 chegou o primeiro carregamento de combustível nuclear fornecido pela Westinghouse.

Foi fixada a data de 31.03.1977 para o término das obras, devendo começar a operar em fins de 1978. Angra I é do tempo que características de segurança não estavam no horizonte dos projetistas. Durante o longo tempo para conclusão das etapas que por fim a colocaram em operação muitos detalhes tiveram que ser revistos. Problemas financeiros também comprometeram o andamento das obras e algumas surpresas técnicas, como a necessidade de melhorar o estaqueamento dos prédios, além de uma falha de projeto nos geradores de vapor, os geradores de vapor são trocadores de calor verticais em usinas nucleares que transferem calor do circuito primário para o circuito secundário, sendo que os adquiridos para Angra I, fabricados com tubos de Liga 600, vêm apresentando corrosão sob tensão. Dessa forma, a Usina poderia ter, a longo prazo, uma gradativa redução de sua capacidade de geração, sem comprometimento da segurança. Das 128 usinas no mundo que possuem ou possuíam geradores de vapor fabricados com tubos do mesmo material (Liga 600), 69 já substituíram esses trocadores de calor e outras 20 estarão realizando essa substituição até 2007.

A Licença de Operação foi emitida em 20.09.1981 pela CNEN, quando também foi feito o primeiro carregamento do núcleo. O defeito dos geradores de vapor foi constatado no reator de Angra I, o que levou FURNAS a processar a Westinghouse. O assunto acabou numa Corte do Estado de Nova York a favor da ré. A Empresa recorreu ao Tribunal Internacional e teve o mérito reconhecido. A troca dos geradores está prevista para setembro de 2007.

Usina Nuclear de Angra I

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A Usina Nuclear de Angra I, ao custo de US$ 308 milhões (no contrato), mas fala-se em US$ 9 bilhões, só deu sinal de vida em 1980, com o seu comissionamento. Os cientistas brasileiros jamais concordaram. O grau de nacionalização dessa unidade foi inferior a 10%. Queriam algo mais próximo de nossa realidade como um reator do tipo CANDU, um reator a base de urânio natural e água pesada, esta tecnologia é mais simples e o método é aberto. Com um combustível sem enriquecimento, o Brasil não ficaria refém dos EUA no seu fornecimento e teria transferência de tecnologia facilitada devido a ter características mais simples, que poderiam ser executadas pela indústria nacional. As obras terminaram somente em 1983. O Relatório Anual de Operação de Angra I (1982) informa que a unidade Westinghouse PWR de dois loops com potência térmica de 1.876 MW e 626 MW brutos de capacidade elétrica, entrou em sincronismo pela primeira vez com o sistema elétrico no dia 01.04.1982 às 15:26 e está em operação comercial desde 01.01.1985.

Naquele ano gerou 3.169.379,2 MW e o fator de capacidade alcançou a média de 57,8%. De 1982 até o fim de 1998, Angra I gerou 26.916 GWh de eletricidade. Se essa quantidade de eletricidade fosse substituída pela eletricidade gerada por usinas térmicas convencionais, um acréscimo de 13,1% ou 26,2 milhões de t de CO2 seria emitido para a atmosfera. Mas parece que este tipo de informação é atípica. Angra I teve uma coleção de deméritos. Veja a sala de controle, o salão do turbogerador e o centro de informações (imagens pertencentes a ELETRONUCLEAR S.A.). Em 04.01.1986 teve início a Parada 2, para o primeiro recarregamento de um terço do núcleo do reator, teste nos geradores de vapor, revisão do turbogerador e retubagem do condensador com tubos especiais de titânio (a usina que a Westinghouse vendeu era para ser resfriada com água doce e não com água do mar). Angra I poderá funcionar até 2023 ou ter sua vida útil estendida até 2040.

Parece que a usina conseguiu superar o seu instinto nato: em 2002 garantiu mais 16 MW. O programa de melhoria de performance prosseguirá e calcula-se mais 14 MW de ganho. Leite de pedra!

ELETRONUCLEAR S.A. e Angra II

Já em 1986, durante o Governo José Sarney foi estabelecida uma Comissão de Alto Nível para a Avaliação do Programa Nuclear (Comissão Vargas), sendo uma de suas recomendações " -9. Quanto aos aspectos institucionais... j. Criar uma subsidiária da ELETROBRÁS para tratar da construção e operação de centrais nucleares." Isto tiraria de FURNAS a administração e operação da Central Nuclear Almte. Álvaro Alberto nalgum dia. Devido a intenção do Governo federal em privatizar suas empresas elétricas e energia nuclear ser uma área de monopólio da União (artigo 21 da Constituição Federal), foram necessários vários trâmites burocráticos e jurídicos para se conseguir a separação, abrindo o caminho para a venda de FURNAS e manutenção do monopólio da energia nuclear pela União.

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Em 23.05.1997 o Governo já tinha preparado a minuta do decreto.

Através de uma cisão empresarial ocorrida em 01.08.1997 surgiu a ELETRONUCLEAR (ELETROBRÁS Termonuclear S.A.), que vem a ser a consolidação da área nuclear de FURNAS (Diretoria de Produção Termonuclear) com a NUCLEN. A CNEN já estava com a Portaria pronta para transferir a Autorização para Operação Permanente.

Em junho de 1999, a Justiça Federal no Rio de Janeiro deu 45 dias, após a publicação da sentença (ocorrida no final de agosto de 1999), para a ELETRONUCLEAR retornar para FURNAS, reconhecendo que a cisão deveria ser resolvida no Congresso Nacional.

O Presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, suspendeu os efeitos desta sentença em 26 de outubro, permanecendo as empresas como definido na cisão das atividades e evitando maior estrago.

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Angra II

Em 1999, terminada a montagem, com indice de 30% de nacionalização, começaram os testes de comissionamento da unidade II e o trabalho de convencimento da opinião pública. Quando um sistema era concluído, era avaliado e testado por técnicos estrangeiros e brasileiros, enquanto seus operadores estavam sendo avaliados pela CNEN.

Normalmente o pessoal de operação de Angra I é levado para serem avaliados nos EUA (Ginna) ou Espanha (Tecnatom) em um simulador idêntico às características de controle da usina. Os operadores de Angra II contam desde 1985 com um simulador da unidade II na praia de Mambucaba, que tem gerado recursos próprios com a venda de serviços para operadores de usinas idênticas à Angra II da Alemanha, Suiça, Espanha e também Argentina.

Nos piores anos de Angra I, dizia-se que o simulador para aquela unidade estava situado na própria sala de controle de Angra I. Não se precisava ir lá fora para fazer testes de emergência e segurança, segundo a piada que se contava. Em setembro de 2001, a ELETRONUCLEAR resolveu contratar serviços para montar também um simulador para a unidade I.

Partida

Em 30.03.2000, a CNEN concedeu a Autorização de Operação Inicial, com isto a ELETRONUCLEAR iniciou o carregamento do núcleo com o combustível nuclear, passando para o status de instalação nuclear. Às 09:34 do dia 02.04.2000, após 3 dias, o reator de Angra II foi finalmente carregado com os 193 elementos combustíveis.

"Angra II atingirá a fase de criticalidade (momento em que o reator entra numa reação em cadeia) já em abril. A operação a plena carga está prevista para fim de maio ou início de junho." A expectativa passou para o dia 15 de junho, com 30% de carga. Devido a defeito nos mancais de 3 bombas do Sistema de Resfriamento, Angra II teve mais um atraso e prejuízo na venda de energia contratada. Em 13.07.2000 às 23:50 a Comissão Nacional de Energia Nuclear liberou o início do processo de fissão nuclear, que se refere apenas à operação para atingir 30% da capacidade de geração da usina, ou seja, 390 MW. A usina entrou em criticalidade - processo em que se atinge uma reação nuclear em cadeia auto-sustentada - em 14.07.2000. As etapas seguintes, com o aumento da geração da usina, teriam que receber novos licenciamentos da CNEN.

Às 22:16 do dia 21.07. 2000, Angra II foi sincronizada, pela primeira vez, na rede elétrica. Começou com potência de 150 MW, atingindo 270 MW. O reator havia entrado em criticalidade às 23:50 do dia 14.07.2000. Angra II encontrava-se em testes e durante essa fase dependia de mais duas autorizações da CNEN, até atingir 100% de sua capacidade. Desde 18 de agosto de 2000 Angra II tinha autorização da CNEN para realizar os testes até a potência de 80%. Em 28.08.2000 atingiu 80% de carga.

Em 26.09.2000 a CNEN autorizou a subida de carga para 100%. Às 14:30 de 28 de setembro com 98% da capacidade, seu gerador produzia 1.350 MW, potência acima da esperada (1.309 MW). O teste de aumento de potência, que aconteceu em setembro de 2002 demonstrou que Angra II pode atingir uma potência de 1.436 MWe. A central é uma das tábuas de salvação com que o país conta para enfrentar a demanda de energia elétrica no momento em que o governo diz temer o "blackout". Em 17.10.2001 atingiu 1.374 MW.

Até fins de dezembro de 2000 a unidade esteve em pré-operação (try-operation) e já apresentou algumas falhas operacionais, implicando na sua retirada do sistema. Mas com Angra II aumentaram as preocupações quanto ao Plano de Emergência e a destinação dos rejeitos radioativos.

Angra II foi sincronizada no sistema elétrico às 9h 06 min do dia 21 de janeiro de 2001, adiantando-se ao cronograma previsto para o dia 23, para a instalação de um novo transformador, danificado em outubro de 2000. Num horizonte de escassez energética, a contribuição de Angra II foi significativa e deu força à construção da unidade III. Angra II poderá funcionar até 2040, podendo ser estendida até 2060. Construída com tecnologia alemã, Angra II custou cerca de R$ 12 bilhões. Pelos cálculos de especialistas do setor vale R$ 2,5 bilhões. Concorreu como a unidade termonuclear com a mais alta performance mundial no ano de 2001.

Angra III

Angra III ainda é um buraco escavado na rocha a 200 m de Angra II, mas 43% de seus equipamentos já foram comprados e estão guardados em 24 galpões na Central Nuclear e em Itaguaí, na NUCLEP. São cerca de 10 mil t de equipamentos comprados da Alemanha, que chegaram ao Brasil a partir de 1986.

O atraso do projeto impôs uma série de desafios aos construtores de Angra II. Depois de 23 anos de paredes pichadas por trabalhadores, uma Comissão Parlamentar de Inquérito e um interminável confronto entre os a favor e os contra, ficamos conhecidos na comunidade nuclear internacional como exímios armazenadores de US$ 750 milhões (equipamentos e início das obras civis). Tanto que Cuba solicitou ajuda para cuidar do que sobrou de sua Central Nuclear de Juragua em Cienfuegos, interrompida pelo esfacelamento do parceiro, a União Soviética.

A solução encontrada foi criar uma embalagem especial, que evitasse a entrada de ar e protegesse os equipamentos da corrosão. Cada equipamento foi embalado em uma capa de alumínio hermeticamente fechada por costura eletrônica. Dentro da embalagem, foram colocados absorventes de umidade.

Cerca de 50 operários a cada dois anos, os pacotes são abertos e os equipamentos examinados e de novo, embalados. A manutenção das peças já levou mais cerca de R$ 900 milhões em 18 anos, ou R$ 50 milhões por ano. Os equipamentos armazenados na NUCLEP ganharam um galpão exclusivo para os rotores das turbinas de baixa e de alta pressão, o estator do gerador elétrico, o pressurizador, o vaso do reator e diversos outros equipamentos de menor porte. Os geradores de vapor já dispunham de um espaço próprio, desde 1987.Somente para mover o vaso do reator - equipamento com mais de 400 t - foi necessário acoplar duas carretas com mais de 12 eixos, cada uma, além de empregar uma potência de mais de 800 cavalos/vapor.

Infelizmente, o estator (carcaça do gerador onde ficam as bobinas) de Angra II ficou comprometido durante o passar dos anos e utilizou-se na montagem o estator reservado à Angra III. Para Angra III, só há o rotor do gerador.

Também foi necessário proteger o material empregado na concretagem da usina. Foi preciso preservar toda a ferragem que não iria ser concretada a curto prazo, para evitar que se enferrujasse.

Entraves Diplomáticos e Financeiros

Contratou-se os serviços de consultoria da empresa espanhola Iberdrola em julho de 1998, com objetivo de realizar uma auditoria sobre as obras da usina nuclear de Angra III, que já consumiram US$ 1,4 bilhão. O Governo reavaliará aqueles cálculos feitos antes da desvalorização cambial de 1999 e segundo o resultado obtido na visita do presidente da República à Alemanha em outubro de 2000 se decidirá pelo futuro da nova unidade. Com o fechamento das usinas alemãs num prazo de 20 anos, a Bundesregierung alemã não incentiva novos projetos e com isto, a curto prazo, o suporte financeiro está comprometido e o Governo brasileiro com um abacaxi na mão.

Apesar da resistência do Partido Verde alemão, o Acordo Nuclear Brasil - Alemanha foi renovado (2000) pelos dois países. Ele é confirmado a cada 5 anos e seu texto diz ser necessário que uma das partes o rompa com pelo menos 12 meses de antecedência, o que não foi feito. Segundo o documento assinado pelos governantes brasileiro e alemão, o acordo "prorrogar-se-á tacitamente" se não for denunciado por uma das partes no prazo estipulado.

Com a quebra do contrato, caberá uma compensação indenizatória pelos equipamentos comprados há mais de 20 anos; algo que será levado avante se os alemães oficializarem a posição do seu Partido Verde.

Por sua vez, a empresa Siemens começou a alinhavar sua fusão com a francesa FRAMATOME e do outro lado da fronteira, não haveria problema ético em ajudar o Brasil. A empresa comprou em 2000 a KWU, em nota oficial, informou estar pronta a retomar o projeto de Angra III, agora que se tornou responsável pelo cumprimento dos acordos de cooperação nuclear entre o Brasil e a Alemanha, com vigência até 2005.

Pela análise realizada pela EdF, pelo Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (CEPEL) e pela Iberdrola, a usina de Angra III teria uma vida útil de 40 anos e o empreendimento seria pago em 10 anos. Se o governo autorizar, Angra III poderá ser construída em cinco anos e meio.

Em julho de 1999 foi publicado na imprensa que a unidade III é viável ao custo de mais US$ 1,7 bilhão, e poderá ficar pronta em 2006, se o presidente da República der autorização com base nos estudos. (Entrevista com diretor da ELETRONUCLEAR, entrevista com o ministro de Minas e Energia)

A construção de Angra III foi muito mais avaliada pela iniciativa privada do que pelo Governo federal. O Crédit Agricole francês, associado à EdF, empresa controladora da Light fluminense esteve interessado em estabelecer uma cadeia de geração, futuramente transmissão, e distribuição bastante vantajosa para a Light, o que asseguraria a conclusão da usina em tempo hábil.

A EdF, Siemens, Westinghouse e GE estariam interessadas na instalação também de uma unidade no Estado de Minas Gerais, motivados pela escassez de encomendas no setor e compensação dadas por lei no Brasil à opção nuclear. A operação de usinas nucleares é prerrogativa do Estado, mas a lei é omissa quanto à participação societária de empresas privadas.

Caso se opte por não construir e montar Angra III, a venda de seus equipamentos no mercado atingiria somente US$ 60 milhões.

Num seminário na FIRJAN em janeiro de 2001, o presidente da ELETROBRÁS/ELETRONUCLEAR (Firmino Sampaio) informou que o estudo de avaliação será passado para a área econômica do governo e submetido ao Congresso Nacional para debate. Cada consumidor de eletricidade das regiões Sul e Sudeste do País tem contribuído com 0,3% do valor de suas contas mensais de luz desde julho de 2003 para cobrir o déficit da ELETRONUCLEAR, só para manter as usinas, são torrados cerca de R$ 1 milhão por dia dos cofres públicos.

Construção sob Pressão

Sua construção ganhou novo impulso com a perspectiva de racionalização, racionamento, falta de energia e crise, embora este problema venha sendo anunciado desde 1996, somente em 2001 é que se consideram seriamente medidas concretas para evitar o pior. Neste cenário, o caminho poderá ser encurtado e receber uma canetada do Palácio do Planalto determinando a retomada da obra. Mas, o passo em direção à construção será percebido pelo sistema elétrico em pelo menos 6 anos.

As áreas econômica e ambiental do Governo parecem não ter simpatia pelo projeto, o que será uma grande tarefa para o Ministério de Minas e Energia. A PETROBRAS que tem interesse que o consumo de gás natural aumente faz o lobby da não-construção. A decisão pode ser encaminhada a favor após uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética.

Para isto há o apoio formal do Governo do Rio de Janeiro e de políticos do Congresso Nacional, para não falar dos interessados-beneficiados (construtoras, fornecedoras, a ELETRONUCLEAR, CNEN, ABEN, ABDAN, etc.) Para isto seria criada uma Sociedade de Propósito Específico com a ELETROBRÁS detendo 51% e acionistas privados, onde se incluem os interessados-beneficiados -privados e internacionais.

A usina de Angra III irá agregar uma potência firme de 1.300 MW ao sistema interligado da região Sul/Sudeste/Centro-Oeste, atendendo a demanda crescente desta região. Mesmo que todas as hidrelétricas planejadas sejam feitas, o país terá um déficit de energia de 2.500 MW em 2010, e seria necessário construir várias termelétricas. A usina de Angra III também representará importante contribuição para diminuir a dependência de energia elétrica do Estado do Rio de Janeiro, que importava 70% de sua demanda até o final de 2001.

A usina de Angra III, também viabilizará a auto-sustentabilidade econômica do ciclo do combustível nuclear pela garantia de escala de demanda do mesmo, tornando viável a ampliação da FEC–Fábrica de Elementos Combustíveis, localizada na cidade de Resende, com a entrada em operação da fase de enriquecimento do urânio.

O ministro de Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, disse, em discurso em Viena (Áustria), durante a 48ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que a matriz energética brasileira precisa ser diversificada:

A energia de fonte nuclear tem papel assegurado, sendo concretas as possibilidades de ampliação de sua participação na matriz energética do país.

Marinha e Angra III

A Marinha irradiou pressão para todos os lados dentro do governo, na tentativa de evitar a entrada de capital privado no negócio. Do outro, os bancos alemães Dresdner Kleinwort Benson e o KFW, virtuais conselheiros financeiros do projeto, favoráveis à abertura da construção de Angra III para grupos internacionais. Aliás, não só favoráveis, como intermediários. Os dois bancos gostariam muito de ver a URENCO, grupo de capital alemão, holandês e inglês, fornecendo urânio para a nova usina.

E há ainda outros candidatos. A Iberdrola, as americanas Westinghouse e Duke Energy e a sueca Asea Brown Boveri já teriam remetido à ELETRONUCLEAR seu interesse no negócio.

Estas empresas participariam da construção de Angra III e, em troca, receberiam a energia gerada. O mais provável é que a ELETRONUCLEAR aceite o modelo proposto pelos bancos alemães e abra espaço para empresas internacionais na usina.

A venda de combustível para as centrais argentinas também são consideradas para o fechamento de contas para a construção. Devido a crise financeira do país vizinho, o Governo proporá venda de combustível também à Coréia, como forma de se proteger de um possível "forfait" portenho.

A Marinha gostaria de ver a presença do capital privado em Angra III afundar, porque vem desenvolvendo pesquisas para utilizar a tecnologia da ultracentrifugação em escala industrial e tem interesse em processar urânio para a nova usina. Porém, dificilmente vencerá esta batalha. Primeiro, porque não tem poder de decisão sobre a questão, de responsabilidade do Ministério de Minas e Energia. Segundo, não dispõe de tecnologia em grande escala para competir com grupos internacionais.

E, como se não bastassem estes dois motivos, há mais um, praticamente decisivo: a Marinha não ajudaria no financiamento do projeto. Como a ELETRONUCLEAR não pretende tirar um tostão do bolso, deve acabar apelando para a iniciativa privada.

Tanto é que a montagem financeira da operação, que estaria recebendo os primeiros esboços por parte do Dresdner Kleinwort Benson e do KFW, já contemplaria a presença de grupos internacionais no consórcio que construiria Angra III, possivelmente liderado pela Andrade Gutierrez.

Não é só a operação de Angra III que está em jogo neste momento. Quem conseguir colocar os pés na usina conquistará uma posição privilegiada para o momento em que o governo privatizar o sistema de geração nuclear.

O processo ocorreria tão logo fossem vendidas todas as geradoras e transmissoras da ELETROBRÁS (FURNAS, CHESF, ELETRONORTE). O consórcio que construir Angra III e controlar parte da venda da energia teria vantagens comparativas na disputa pelo controle desta e das outras duas usinas por já conhecer todos os dados operacionais e financeiros do negócio.

Resumo da Ópera

O Conselho Nacional de Política Energética não aprovou a retomada do projeto na reunião de 31.07.2001. Houve resistências por parte de membros do Conselho (presidente da Agência Nacional de Petróleo e o ministro de Meio-Ambiente), além de que o orçamento não tem verba prevista para a obra no ano de 2001 (aparece apenas uma rubrica de R$ 10 milhões), diplomaticamente pediram mais um estudo (o que levará 6 a 12 meses) e empurraram o assunto com a barriga.

Em 26.09.2001 a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados realizou audiência pública para implantação da unidade III num péssimo momento quando a revista Época denunciou que houve em 28.05.2001 um acidente envolvendo o vazamento de 22.000 l de água do circuito primário e que não foi informado à sociedade, à ELETROBRÁS, Ministério de Minas e Energia, Ministério do Meio Ambiente e prefeituras de Angra dos Reis e Paraty. O debate em torno da falta de transparência e promiscuidade dos tratos entre a ELETRONUCLEAR e a CNEN comprometem mais uma vez a aceitação de uma terceira unidade. O novo diretor-presidente, Flávio Decat, fez profissão de dar transparência e não deixar que um fato coloque desconfiança sobre o setor.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou em 05.12.2001 a realização de estudos para a continuação das obras de Angra III. Não haverá prazo para a conclusão desse levantamento. A proposta que foi apresentada pelo Ministério de Minas e Energia previa o prazo de um ano para a conclusão dos estudos, o que não foi aceito pelo CNPE.

Outra decisão do CNPE foi desaconselhar a implantação de novas usinas nucleares no País. De acordo com a resolução, a implantação de novas usinas nucleares para integrar o sistema elétrico nacional após a construção de Angra III deve ser "postergada e condicionada à realização de uma ampla avaliação quanto ao uso futuro da tecnologia nuclear para a geração de eletricidade no País".

Este estudo seria feito por um grupo de representantes de universidades e institutos de pesquisa, entidades empresariais e representantes dos ministérios de Minas e Energia, Meio Ambiente e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, sob a coordenação do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Segundo o ministro de Minas e Energia, José Jorge, as obras de Angra III só serão retomadas caso os estudos concluam que ela é técnica e economicamente viável em termos de prazos, custos e atendimento aos requisitos ambientais. A resolução do CNPE determinou que seja feito estudo de revisão orçamentária, através de avaliações que serão acompanhados por uma equipe de especialistas da FUSP - Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo; elaboração do EIA/RIMA e obtenção da Licença de Instalação junto ao IBAMA; preparação do Relatório Preliminar de Análise de Segurança (PSAR) e obtenção da Licença de Construção junto à CNEN; equacionamento do modelo financeiro; renegociação dos contratos; manutenção das fundações. Este estudo deverá ser aprovado pelos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Minas e Energia.

O estudo de impacto ambiental deverá passar pela aprovação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), ligado ao Ministério do Meio Ambiente. A decisão tomada pelo CNPE também determina que seja encontrada uma solução para a armazenagem de longo prazo dos rejeitos radioativos de média e baixa atividades. Por fim, o projeto será decidido por outro governo, permanecendo uma incógnita mesmo após a realização de cinco estudos de viabilidade.

Com a visita do chanceler alemão Gerhard Schroeder (13-14.02.2002) a Siemens, que participou desta comitiva, tem interesse em fazer lobby na continuidade do projeto de Angra III, paralisado por divergências na coalizão que governa a Alemanha (com participação do Partido Verde).

Em 2003 ascendeu o PT ao Governo federal e subiram também os críticos do passado, como o prof. Pinguelli Rosa, responsável pelo conteúdo programático e levado à presidência da ELETROBRÁS. Com tantos contratos assinados envolvendo empresas e governos o mais simples a decidir é pagar a conta da megalomania e encerrar o caso com mais 1.300 MW. Se a Central Nuclear de Angra for concluída com as 3 unidades terão sido gastos 14 bilhões de dólares, o mesmo que Itaipu, apenas com 1/3 daquela energia.

O físico Luiz Pinguelli diz que um grave problema é a receita da ELETRONUCLEAR. A empresa espera reajuste em suas tarifas. Enquanto isso, deve ter prejuízo de R$ 400 milhões em 2004.

— Como construir Angra III, se a ELETRONUCLEAR não tem recursos para pagar as outras duas? — pergunta Pinguelli, ressaltando que a participação de recursos privados é fundamental para a obra.

A obra geraria cerca de 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos. Edson Kuramoto, diretor da Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN) — que faz parte do Fórum Pró-Angra III, um grupo que reúne da Federação das Indústrias do Estado do Rio (FIRJAN) ao governo do estado e o Clube de Engenharia — acrescenta que já há no local subestação e linhas de transmissão.

O deputado estadual Carlos Minc (PT-RJ), que é contra a construção de Angra III, diz que 70% dos equipamentos armazenados podem ser aproveitados em termelétricas movidas a gás, dado contestado por outros especialistas.

Minc alerta que não há um plano de escoamento na região. O deputado lembra que em 18 anos houve 34 pequenos e médios acidentes e incidentes em Angra I, como vazamento de água e defeito no gerador de vapor.

Em setembro de 2004 o jornal O Globo publicou que está praticamente acertada pelo governo a retomada da construção da usina nuclear Angra III. A avaliação é de um integrante do grupo interministerial que analisa a viabilidade da usina, orçada em R$ 7,5 bilhões. O grupo deve concluir os estudos até dezembro de 2004.

O financiamento terá que ser majoritariamente externo e já há instituições financeiras da França interessadas. O BNDES também deve participar, como avalista da ELETROBRÁS, responsável pelas obras. A decisão deve ser tomada no máximo no início de 2005. A usina ficaria pronta de cinco anos e meio a seis anos depois.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, disse que a decisão será do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e o problema é o custo da energia a ser produzida, devido ao valor salgado da obra.

Em 21.10.2004 foi publicado que o Brasil prepara a reforma de seu programa nuclear com a adição de mais quatro usinas, além de Angra III, duas para 2010 e outras em 2016. Seriam unidades de 300 MW com custo de US$ 2,8 bilhões a serem construídas em Manaus e na região Nordeste com tecnologia nacional, com o fim de abastecimento de energia e filtragem de água salobra. Também está previsto a construção de unidades de 40 MW a 60 MW. Aumento da produção de rádio-fármacos e irradiação de alimentos para exportação. É fissão ou ficção nuclear? A TV Globo apresentou em seu telejornal de fim de noite a série de reportagens "Desafio Nuclear".

O orçamento da União para 2005 contempla Angra III que sai da lista de obras irregulares para que a usina nuclear possa receber recursos federais. O veto do artigo relativo a Angra III, pegou de surpresa os consultores da Comissão de Orçamento, que haviam orientado os parlamentares a incluir a obra na lista de irregulares por não ter licença ambiental. A proposta orçamentária aprovada no fim do ano passado autoriza a União a destinar R$ 134 milhões para preservação do canteiro de obras da usina, saneamento da área e manutenção das instalações e equipamentos.

Se não houvesse veto ao artigo do orçamento o Executivo estaria impedido de repassar recursos federais para manutenção do canteiro da usina. Isto é um sinal de que o governo quer dar continuidade às obras de Angra III. A construção da usina já consumiu mais de US$ 2 bilhões de recursos públicos.

Fonte: www.energiatomica.hpg.ig.com.br

Era Nuclear Brasileira

A procura da tecnologia nuclear no Brasil começou na década de 50, com o pioneiro nesta área, Almirante Álvaro Alberto, que entre outros feitos criou o Conselho Nacional de Pesquisa, em 1951, e que importou duas ultra-centrifugadoras da Alemanha para o enriquecimento do urânio, em 1953.

Era de se imaginar que o desenvolvimento transcorreria numa velocidade maior, porém ainda são obscuras as reais causas que impediram este deslanche, e o país não passou da instalação de alguns centros de pesquisas na área nuclear.

A decisão da implementação de uma usina termonuclear no Brasil aconteceu de fato em 1969, quando foi delegado a Furnas Centrais Elétricas SA a incumbência de construir nossa primeira usina nuclear. É muito fácil concluir que em nenhum momento se pensou numa fonte para substituir a energia hidráulica, da mesma maneira que também após alguns anos, ficou bem claro que os objetivos não eram simplesmente o domínio de uma nova tecnologia. Estávamos vivendo dentro de um regime de governo militar e o acesso ao conhecimento tecnológico no campo nuclear permitiria desenvolver não só submarinos nucleares mas armas atômicas. O Programa Nuclear Paralelo, somente divulgado alguns anos mais tarde, deixou bem claro as intenções do país em dominar o ciclo do combustível nuclear, tecnologia esta somente do conhecimento de poucos países no mundo.

Era Nuclear Brasileira

Em junho de 1974, as obras civis da Usina Nuclear de Angra 1 estavam em pleno andamento quando o Governo Federal decidiu ampliar o projeto, autorizando Furnas a construir a segunda usina.

Mais tarde, no dia 27 de junho de 1975, com a justificativa de que o Brasil já apontava escassez de energia elétrica para meados dos anos 90 e início do século 21, uma vez que o potencial hidroelétrico já se apresentava quase que totalmente instalado, foi assinado na cidade alemã de Bonn o Acordo de Cooperação Nuclear, pelo qual o Brasil compraria oito usinas nucleares e obteria toda a tecnologia necessária ao seu desenvolvimento nesse setor.

Desta maneira o Brasil dava um passo definitivo para o ingresso no clube de potências atômicas e estava assim decidido o futuro energético do Brasil, dando início à "Era Nuclear Brasileira".

Angra 1 encontra-se em operação desde 1982 e fornece ao sistema elétrico brasileiro uma potência de 657 MW. Angra 2, após longos períodos de paralização nas obras, inicia sua geração entregando ao sistema elétrico mais 1300 MW, o dobro de Angra 1.

TIPOS DE ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA

Era Nuclear Brasileira

A Central Nuclear de Angra, agora com duas unidades, está pronta para receber sua terceira unidade. Em função do acordo firmado com a Alemanha, boa parte dos equipamentos desta usina já estão comprados e estocados no canteiro da Central, com as unidades 1 e 2 existentes, praticamente toda a infraestrutura necessária para montar Angra 3 já existe, tais como pessoal treinado e qualificado para as áreas de engenharia, construção e operação, bem como toda a infraestrutura de canteiro e sistemas auxiliares externos.

Desta maneira, a construção de Angra 3 é somente uma questão de tempo.

Fonte: www.nuctec.com.br

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