Em quase uma centena de livros, o pai da ficção científica antecipou as conquistas tecnológicas do século XX em histórias de suspense e aventura.
O ano é 1873. Correspondentes dos principais jornais europeus e dos Estados Unidos em Paris relatam a aventura do explorador Phileas Fogg na sua viagem ao redor do mundo. Cada etapa é avidamente acompanhada por centenas de milhares de leitores. Só que Phileas Fogg não existia era apenas mais um dos personagens cria dos pela mente exuberante do escritor francês Júlio Verde, então no auge da fama. O livro A volta ao mundo em 80 dias foi inicialmente publicado como folhetim no jornal parisiense Le Temps.
No final, a aparente decepção: o herói, depois de uma infinidade de peripécias, tinha levado 81 dias para completar o percurso, perdendo assim as 20 mil libras que apostara com os companheiros do Reform Club, em Londres. Mas surpresa os jornais do dia em que Fogg volta à Inglaterra estavam datados do que ele imaginava ser o dia anterior. Viajando em direção ao leste, acabou ganhando um dia, pois tinha visto o Sol nascer 81 vezes, uma a mais do que as pessoas que tinham ficado em casa. O fenômeno já era conhecido desde 1522, quando os marinheiros da expedição de Fernão de MagaIhães perderam um dia no calendário, viajando para o oeste.
Mas é o uso que Júlio Verne dá a esse conhecimento, entre outros tantos, que faz dele o pai da ficção científica. Verne escreveu histórias que não apenas prendem o leitor pelo suspense e o ritmo da aventura como também antecipam invenções que só apareceriam no século XX, como o helicóptero, o submarino, o aqualung, a televisão e a conquista do espaço. São histórias verossímeis e emocionantes. Tudo o que Verne escrevia parecia viável, embora a explosão científica de seu tempo ainda não fosse suficiente para produzir as maravilhas tecnológicas de que ele falava.
Muitos contemporâneos chegaram a pensar que ele próprio fosse uma ficção e que seus livros eram produzidos por uma equipe de redatores. Em 1895, dez anos antes de morrer, uma celebridade de temperamento discreto e hábitos reclusos, Verne chegou a ser visitado, na cidade de Amiens, onde vivia, à beira do rio Somme, pelo escritor italiano Edmondo De Amicis (1846 1908), interessado, em saber se o colega francês realmente existia. Fisicamente, era um homem típico de sua época e de sua classe social. Membro da burguesia média, vestia-se com ternos em estilo redingote, colarinhos engomados, gravata de laço e uma infalível bengala.
A cabeleira espessa lhe dava ares de compositor; barba e o bigode compactos, a expressão respeitável dos homens de bem. O trabalho era para ele um prazer comparável apenas ao de navegar nos seus iates, Saint-Michel II e III, a bordo dos quais revivia o gosto pela aventura que vinha da infância.
Na cidade de Nantes, na região francesa da Bretanha, onde nasceu a 8 de fevereiro de 1828, havia também um rio, o Loire, em cujas margens ele e seu irmão Paul (um ano mais jovem) gostavam de brincar e conversar com velhos marinheiros, ouvindo histórias de países distantes. Tanto essas histórias o fascinavam que, aos 11 anos de idade, Júlio Verne fugiu de casa para ser marujo e conhecer o mundo. Não foi longe. Seu pai, Pierre Verne, um advogado de muito prestígio, conseguiu impedir que a ousadia se consumasse, apanhando o rapazinho na primeira escala do navio, no porto de Paimboeuf. Monsieur Verne, muito conservador, sonhava ver seus dois filhos seguindo a carreira de advogado jamais a de marujo. Ao resgatar Júlio, aplicou-lhe uma memorável surra de chicote.
De volta aos bancos escolares, o garoto transferiu a paixão pelo desconhecido para o estudo de Geografia. A imaginação transportava o aluno para os países que os professores iam descrevendo, e seus cadernos estavam repletos de esboços e mapas. Mas nada estimularia tanto a sua imaginação como a visita que fez com o pai às fundições e estaleiros de Indre, perto de Nantes, onde os novos barcos a vapor estavam sendo construídos.
O adolescente ficou deslumbrado. Não era para menos: as máquinas a vapor eram a grande sensação da época. Símbolos da Revolução Industrial, que começara na Inglaterra no século anterior, elas impulsionariam uma série de portentosas transformações na sociedade européia, naqueles meados do século XIX. De um momento para o outro, tudo seria possível. A ciência parecia ter respostas para tudoe essas respostas se materializavam em máquinas, engrenagens, aparelhos que tornavam a vida diária um paraíso de conforto, em comparação com tudo aquilo que os europeus se haviam habituado a conhecer.
Mas, apesar da paixão pelo rio, que poderia sugerir uma carreira semelhante à do irmão, que se tornou ele simmarinheiro, ou do interesse pelas máquinas, que o encaminhava para a engenharia, Júlio Verne, aos 16 anos, foi mesmo se preparar para a Escola de Direito. Em 1848, aos 20 anos, ele chega a Paris apenas para cumprir um desejo do pai. Seis décadas após a Revolução Francesa e 27 anos após a morte de Napoleão, o país vivia turbulentos conflitos políticos e sociais.
A Revolução de fevereiro de 1848 derruba o rei Luís Felipe, que tinha subido ao poder em 1830, e proclama a Segunda República, com Luís Napoleão sendo eleito presidente meses mais tarde. Quatro anos depois, um golpe restaura a monarquia e o presidente se transforma em Napoleão III. Mas não foi a política que seduziu o jovem provinciano de Nantes, e sim o espírito boêmio e cultural de Paris, onde reinavam figuras como os escritores Alexandre Dumas e Victor Hugo. Na interpretação do neto do escritor, Jean Jules Verne, "ele era um idealista e um verdadeiro anarquista". De qualquer forma, jamais teve militância partidárianem mesmo em 1888, quando foi eleito vereador em Amiens: ninguém conseguiu explicar por que seu nome foi apresentado pela extrema esquerda.
Ainda jovem estudante de Direito, é convidado ao castelo de Alexandre Dumas, em Saint-Germain. Fica impressionado pelo uso que o autor de Os três mosqueteiros faz dos temas históricos para criar uma novela ou peça teatral. A partir de então, começa a fazer planos literários. Sem muito sucesso, uma peça de Verne, Les pailles rompues ("Contratos anulados"), é encenada em 1850 Não seria esse o caminho pelo qual se tornaria famoso. Embora já formado em Direito, emprega-se de 1852 a 1854 como secretário do Teatro Lírico. Nessa época conhece uma viúva com duas filhas, Honorine-Anne de Vianne, com quem se casaria em 1857. Honorine não tinha nenhum interesse pela literatura. Gostava, isso sim, da vida social de Paris, preocupada em morar bem, vestir-se bem e freqüentar as grandes recepções. Foi uma presença secundária na vida do marido. Júlio e Honorine tiveram um fiIho, Michel, em 1861.
Logo após o casamento Júlio arranja um emprego dequem diria corretor na Bolsa de Paris, onde trabalharia nove anos. Mas não tirava da cabeça a idéia de fazer com a Geografia o que Dumas fizera com a História: escrever romances e novelas que popularizassem o conhecimento do mundo e da tecnologia. Assim publica em 1851 um pequeno conto cujo tema são as viagens marítimas Conhece então o jornalista, fotógrafo e aventureiro Félix Nadar, um entusiasta dos balões. Paris vivia na época uma verdadeira mania pelo balonismo. No Campo de Marte, de onde Santos Dumont decolaria com seu 14-bis, eram comuns as ascensões diárias de uma enorme variedade de balões.
Santos Dumont, como ele mesmo contou certa vez, inspirou-se na obra de Verne para construir seus apareIhos. As façanhas cada vez mais arriscadas do fotógrafo Nadar culminaran com o acidente com o Géant, o gigantesco balão que levou Nadar, a mulher e mais nove passageiros para um tumultuado passeio de dezesseis horas. No pouso, Nadar quebra pernas. Tudo isso aumenta em Verne a paixão pela idéia do que se poderia chamar o romance da ciência. Devora revistas de atualidades e publicações científicas, querendo saber tudo sobre máquinas e invenções. Tinha 35 anos quando conhece o editor Jules Hetzel. O encontro, acertado por Nadar, seria decisivo em sua vida.
Tímido Verne estava bastante nervoso quando Ihe entregou os primeiros originaisuma aventura a bordo de balões em homenagem ao amigo fotógrafo. O editor, depois de ler atentamente o calhamaço, comentou: "Como narração histórica está bom. Mas quem quer História? Volte para casa e escreva de novo. Escreva aventuras emocionantes. O povo divertimento, não aulas". Verne ficou atordoado, mas obedeceu. Duas semanas depois, entregava o texto reescrito a Hetzel. O editor sorriu satisfeito, era aquilo que desejava: sonho, aventura, e fim, uma leitura que dava prazer.
O livro chamava-se Cinco semanas num balão e descrevia uma aventura na África. Foi um sucesso. Verne assinou então um contrato, pelo qual comprometia a escrever dois Iivros por ano pelos próximos vinte anos (mais tarde, o contrato foi ampliado, para toda a produção futura), ganhando 10 mil francos por livro uma fortuna, na época, que Ihe permitiu libertar-se da Bolsa parisiense. Verne cumpriria o contrato rigorosamente durante quarenta anos.
Hetzel teria um papel fundamental na obra do escritor: no texto das Viagens extraordinárias, uma coleção de aventuras publicadas em forma de folhetim, o editor acompanhava cada frase como um produtor de televisão acompanha o trabalho do autor de uma novela. Ele próprio era um viajante de marca. Além de cruzeiros pelo mar do Norte e pelo Mediterrâneo, atravessou o Atlântico rumo Nova York, em 1867. Era também um entusiasta do meio de transporte mais revolucionário de sua época: o trem. Em 1880, atravessou a Inglaterra e a Escócia. Durante as viagens, preocupava-se em fazer copiosas anotações que depois serviriam de referência para seus livros. Para o público francês, ler Verne era então a única oportunidade de aventurar-se por uma ficção decididamente incomum.
Verne era minucioso na descrição de cenários. Transportava os leitores dos pólos gelados aos desertos africanos, das aldeias da Rússia e da Ásia a nada menos que o centro da Terra. Além disso, nas suas narrativas havia referências às últimas invenções da épocaas lâmpadas de arco e fluorescentescomo também às máquinas a vapor, ao telégrafo e ao cabo submarino. Mas são as projeções futuríticas que surpreendem até hoje. Quando projetou o submarino Nautilus, comandado pelo Capitão Nemo, Verne estava a par do que se publicava sobre as mais recentes tentativas de se construir um barco submersível.
Mas não são apenas máquinas que habitam seus livros. A descrição do fundo do mar, em Vinte mil léguas submarinas (1870), é tão fascinante que o oceanógrafo Jacques Cousteau considera Verne uma das leituras fundamentais de sua infância, indicando-lhe o caminho de explorador dos mares.
Instalado numa magnífica mansão em Amiens, ao norte de Paris, procura a tranqüilidade para escrever que a capital não Ihe proporcionava, de tanto que era assediado. Além do refúgio de um quarto na torre da mansão, passava boa parte do tempo a bordo de seu barco, com o qual ia a Paris, subindo o Sena. O menino que amava navegar, explorando as ilhas do Loire, se realizava como capitão do iate Saint-Michel, onde guardava magníficos mapas, livros e revistas. Escrevia dois ou três livros ao mesmo tempoprimeiro a lápis, num caderno onde só usava a página da direita; a esquerda, em branco, serviria para as correções. Os originais mostram que sua redação era fluente e que ele raramente modificava a versão inicial. Levava, em média, seis meses para completar um livro.
Do ponto de vista literário, foi sempre considerado um escritor para o público juvenil, sem maiores pretensões. O poeta francês Guillaume Apollinaire (1880-1918) costumava dizer que a grande virtude do estilo de Verne era a ausência de adjetivo. É bom lembrar que seus livros foram todos escritos sob contrato e obedeciam a exigências específicas. Considerados como o melhor presente de Natal para os adolescentes do século passado, não podiam ferir, por exemplo, a sensibilidade católica dos leitoresou a de seus pais. A febre que acompanhava a publicação dos capítulos seriados da Volta ao mundo... induziu as companhias de navegação a Ihe oferecer verdadeiras fortunas para que os personagens fizessem a última etapa num dos seus navios uma autêntica jogada de merchandising.
No inicio da noite de 8 de março de 1886, Verne voltava para casa, quando dois tiros o atingiram no pé direito. O escritor ainda chegou a ver a silhueta de um homem, com a pistola na mão. Mais tarde, na cama, enquanto os médicos tentavam inutilmente tirar as balas do pé, saberia que o atacante era Gaston. o sobrinho preferido, filho do irmão Paul. A família jamais esclareceu adequadamente o obscuro episódio. Ficou a versão de que Gaston havia enlouquecido.
Julio Verne jamais se recuperaria. Desde então, passou a mancar e teve que desistir dos seus passeios de barco, pois perdia o equilíbrio no convés. Na virada do século, estava possuído por uma tristeza sem remédio perdera o mar, o amigo e editor Hetzel e o irmão Paul, por quem tinha verdadeira paixão. Com o filho único, Michel, era severo e pouco afetuosotalvez por causa do comportamento contestador do jovem.
Intransigente, Verne o mandou para um reformatório e, mais tarde, chegou a denunciá-lo à policia, para imperdir que se casasse com uma cantora de cabaré. Anos depois, gastaria um bom dinheiro para pagar as dívidas do filho pródigo.
Em compensação, dedicou muito afeto ao jovem Aristide Briand (1862-1932), a quem conheceu no ginásio onde Michel estudava. Briand (Prêmio Nobel da Paz em 1926) foi incorporado à obra literária de Verne como Briant, personagem principal do livro Dois anos de férias (1888). Apesar das atribulações da velhice, não desiste de escreverqueria chegar à centésima obra, como declarou em 1902. Então, as viagens extraordinárias, somadas às peças e outros livros, faziam o total ficar bem próximo da meta.
Aos 74 anos, continua escrevendo pela manhã e lendo à tarde. Como não podia mais ir à biblioteca, os livros vinham a ele. Do alto de sua torre, sonhava com um futuro ainda mais fantástico que o descrito nos livros anteriores. No Senhor do mundo de 1902, cria um veículo, mistura de automóvel, barco, submarino e avião. Por que não sonhar? No começo de 1905 publica uma história em que o mar Mediterrâneo e o deserto do Saara são ligados por um canal, para transformar o deserto num grande lago. Júlio Verne jamais saberia da repercussão do livro.
Na noite de 24 de março de 1905, aos 77 anos, deitado em sua estreita cama, pediu o volume das Vinte mil léguas submarinas. Não chegou a abri-lo. O livro caiu-lhe das mãos. Perguntou então pela mulher e os filhos e fechou os olhos.
Em nenhum de seus livros, Júlio Verne é mais desconcertantemente profético do que em Da Terra à Lua, escrito em 1865. Depois que os americanos chegaram à Lua, em julho de 1969, os cientistas ficaram espantados, porque parecia que Verne havia descrito, 104 anos antes, o vôo dos astronautas Armstrong, Aldrin e Collins na Apolo 11. Tanto a Apolo como a cápsula de Verne levavam três tripulantes. As dimensões das duas cápsulas eram aproximadas a concha de alumínio, em forma de bala, de Verne media 4,8 m de altura e 2,7 m de diâmetro; a Apolo media 3,7 m de altura e 3,9 m de diâmetro.
Os locais de lançamento foram quase idênticosVerne escolheu um lugar na Flórida a aproximadamente 27 graus de latitude; cabo Kennedy, de onde subiu a Apolo, também fica na Flórida, na latitude de 28 graus. A viagem da ficção durou 97 horas, 13 minutos e 20 segundos. Os astronautas americanos levaram 103 horas e 30 minutos para chegar à Lua. Antes do pouso, as duas cápsulas circularam a Lua diversas vezes, tirando fotografias e observando a superfície do satélite. Os homens de Verne chegaram a traçar um mapa do mar da Tranqüilidade, onde Armstrong e Aldrin fariam seu passeio. E, finalmente, ambas as cápsulas, de volta à Terra, desceram no oceano Pacífico.
Previu Júlio Verne que o caminho para a aviação seria um aparelho mais pesado que o ar como a nave Albatroz, da história Robur, o conquistador, de 1886. Com a fuselagem de papel laminado, mantinha-se no ar por meio de 74 pás giratórias, que lembram os helicópteros de hoje. Essas hélices eram movidas por motores elétricos, alimentados por uma série de acumuladores. Por sua vez, o Nautilus, do livro Vinte mil léguas submarinas, de 1870, supera tudo o que se imagina em matéria de engenharia navaltinha um corpo perfeitamente hidrodinâmico, com 70 metros de comprimento e 8 m de diâmetro, deslocando 8 toneladas. A quilha era de dupla camada, podendo ser enchida ou esvaziada por poderosas bombas. A tripulação respirava ar comprimido, armazenado em cilindros de metal. Uma câmara estanque possibilitava aos mergulhadores entrar e sair do barco, mesmo submerso. E janelas de observação permitiam fotografar a vida debaixo da água. Tudo igual a um moderno submarino.
Fonte: super.abril.com.br
Escritor francês nascido em Nantes, um dos mais lidos e imaginativos da literatura universal, precursor da moderna ficção científica e conhecido como o pai da ficção científica. Estudou direito em Paris, mas abandonou a carreira e passou a escrever peças teatrais, porém não conseguiu firmar-se como dramaturgo. Sua peça teatral mais lembrada foi Les Pailles rompues (1850).
Seu sucesso como romancista veio quando publicou no Magasin d'Éducation et de Récréation, a primeira de suas Voyages extraordinaires, o romance de aventuras Cinq semaines en ballon (1863), relato de uma viagem aérea sobre regiões então desconhecidas da África central. Fixou-se definitivamente em Amiens (1872), onde morreu, e nunca saiu da França. Com inabalável prestígio graças à prolífica produção de romances de viagens e aventuras, seus romances tiveram inúmeras adaptações cinematográficas. Foi agraciado com o prestigioso título de cavaleiro da Legião de Honra (1892).
Escreveu imortais romances como Le Voyage au centre de la Terre (1864), De la Terre à la Lune (1865), Vingt mille lieues sous les mers (1870), L'Île mystérieuse (1874), Le Tour du monde en quatre-vingt jours (1883), Le Sphinx des glaces (1897), e a publicação póstuma L'Étonnante aventure de la mission Barsac (1920).
Fonte: www.dec.ufcg.edu.br
Nasceu em Nantes em 8 de fevereiro de 1828. Fugiu de casa com 11 anos para ser grumete e depois marinheiro. Localizado e recuperado, retornou ao lar paterno. Em um furioso ataque de vergonha por sua breve e efêmera aventura, jurou solenemente para a sorte de seus milhões de leitores) não voltar a viajar senão em sua imaginação e através de sua fantasia.
Promessa que anteve em mais de oitenta livros.
Sua adolescência transcorreu entre contínuos choques com o pai, para quem as veleidades exploratórias e literárias de Júlio pareciam totalmente ridículas. Finalmente conseguiu mudar-se para Paris onde entrou em contato com os mais prestigiados literatos da época. Em 1850 concluiu seus estudos jurídicos e, apesar insistência do pai para que voltasse a Nantes, resistiu, firme na decisão de tornar-se um profissional das letras.
Foi por esta época que Verne, influenciado pelas conquistas científicas e técnicas da época, decide criar uma literatura adaptada à idade científica, vertendo todos estes conhecimentos em relatos épicos, enaltecendo o gênio e a fortaleza do homem em sua luta por dominar e transformar a natureza.
Em 1856 conheceu Honorine de Vyane, com quem casou em 1857.
Por essa época, era um insatisfeito corretor na Bolsa, e resolveu seguir o conselho de um amigo, o editor P. J. Hetzel, que será seu editor in eternum, e converteu um relato descritivo da África no Cinco Semanas em Balão (1863). Obteve êxito imediato. Firmou um contrato de vinte anos com Hetzel, no qual, por 20.000 francos anuais, teria de escrever duas novelas de novo estilo por ano. O contrato foi renovado por Hetzel e, mais tarde, por seu filho. E assim, por mais de quarenta anos, as Voyages Extraordinaires apareceram em capítulos mensais na revista Magasin D’éducation et de Récréation.
Em A Volta ao Mundo em 80 Dias, encontramos, ao mesmo tempo, muito da breve experiência de Verne como marinheiro e como corretor de Bolsa.
Nada mais justo, também, que o novo estilo literário inaugurado por Júlio Verne, fosse utilizado por uma nova arte que surgia: o cinema. Da Terra à Lua (Georges Mélies, 1902), La Voyage a travers l’impossible (Georges Mélies, 1904), 20.000 lieus sous les mers (Georges Mélies, 1907), Michael Strogoff (J. Searle Dawley, 1910), La Conquête du pôle (Georges Mélies, 1912) foram alguns dos primeiros filmes baseados em suas obras. Foram inúmeros.
A Volta ao Mundo em 80 dias foi filmado em 1956, com enredo milionário, dirigido por Michael Anderson, música de Victor Young, direção de fotografia de Lionel Lindon. David Niven fez Phileas Fogg, Cantinflas, Passepartout, Shirley MacLaine, Aouda. Em 1989, foi aproveitado para uma série de TV, com a participação da BBC, dirigida por Roger Mills. No mesmo ano, outra série de TV, agora nos EE.UU., dirigida por Buzz Kulik, com Pierce Brosnan (Phileas Fogg), Eric Idle (Passepartout), Julia Nickson-Soul (Aouda), Peter Ustinov (Fix).
Apesar de tudo, a vida de Verne não foi fácil. Por um lado sua dedicação ao trabalho minou a tal ponto sua saúde que durante toda a vida sofreu ataques de paralisia. Como se fosse pouco, era diabético e acabou por perder vista e ouvido. Seu filho Michael lhe deu os mesmos problemas que dera ao pai e, desgraça das desgraças, um de seus sobrinhos lhe disparou um tiro à queima-roupa deixando-o coxo. Sua vida efetiva também não foi das mais tranqüilas e todos os seus biógrafos admitem ter tido uma amante, um relacionamento que só terminou com a morte da misteriosa dama.
Verne também se interessou pela política, tendo sido eleito para o Conselho de Amiens em 1888 na chapa radical, reeleito em 1892, 1896 e 1900.
Morreu em 24 de Março de 1905
Fonte: livrosparatodos.net
Considerado o pai da ficção científica moderna, Júlio Verne demonstrou interesse pela Literatura ainda muito jovem. Estudou Direito para agradar ao pai, mas jamais exerceu a profissão.
Em 1850, sua peça Les Pailles Rompues foi encenada com sucesso pelo Teatro Histórico de Alexandre Dumas. Trabalhou como secretário do Teatro Lírico entre 1852 e 1854 e, depois, tornou-se corretor de bens públicos.
Mas durante todo esse período continuou a escrever comédias, libretos e pequenas histórias. Em 1863, publicou a primeira história da série Viagens Extraordinárias: Cinco Semanas em um Balão. O imenso sucesso o encorajou a produzir outras histórias na mesma linha – romances de aventura, com descrições detalhadas de paisagens que, apesar de fantásticas, eram cuidadosa e cientificamente concebidas.
As Viagens continuaram com Viagem ao Centro da Terra (1864), Viagem ao Redor da Lua (1865), Vinte Mil Léguas Submarinas (1870) e A Ilha Misteriosa (1874), nos quais previa um grande número de descobertas científicas, incluindo o submarino, o aqualung, a televisão e as viagens espaciais. As obras de Júlio Verne tornaram-se populares em várias partes do mundo. Volta ao Mundo em 80 Dias, por exemplo, causou furor ao ser lançada em episódios no periódico Les Temps, em 1873.
Em 1872, o escritor se mudou para a cidade de Amiens e, em 1892, foi condecorado com a Legião de Honra. As obras de Júlio Verne ainda deram origem a vários filmes de sucesso, entre eles Vinte Mil Léguas Submarinos (1916, refilmado em 1954), A Ilha Misteriosa (1929 e 1961), Viagem ao Redor da Lua (1958), Viagem ao Centro da Terra (1959) e Volta ao Mundo em 80 Dias (1956).
Fonte: www.netsaber.com.br
Julio Verne nasceu em Nantes em 8 de fevereiro de 1828. Fugiu de casa com 11 anos para ser grumete e depois marinheiro. Localizado e recuperado, retornou ao lar paterno. Em um furioso ataque de vergonha por sua breve e efêmera aventura, jurou solenemente (para a sorte de seus milhões de leitores) não voltar a viajar senão em sua imaginação e através de sua fantasia.
Promessa que manteve em mais de oitenta livros.
Sua adolescência transcorreu entre contínuos choques com o pai, para quem as veleidades exploratórias e literárias de Júlio pareciam totalmente ridículas. Finalmente conseguiu mudar-se para Paris onde entrou em contato com os mais prestiados literatos da época. Em 1850 concluiu seus estudos jurídicos e, apesar insistência do pai para que voltasse a Nantes, resistiu, firme na decisão de tornar-se um profissional das letras.
Foi por esta época que Verne, influenciado pelas conquistas científicas e técnicas da época, decide criar uma literatura adaptada à idade científica, vertendo todos estes conhecimentos em relatos épicos, enaltecendo o gênio e a fortaleza do homem em sua luta por dominar e transformar a natureza.
Em 1856 conheceu Honorine de Vyane, com quem casou em 1857.
Por essa época, era um insatisfeito corretor na Bolsa, e resolveu seguir o conselho de um amigo, o editor P. J. Hetzel, que será seu editor in eternum, e converteu um relato descritivo da África no Cinco Semanas em Balão (1863). Obteve êxito imediato. Firmou um contrato de vinte anos com Hetzel, no qual, por 20.000 francos anuais, teria de escrever duas novelas de novo estilo por ano. O contrato foi renovado por Hetzel e, mais tarde, por seu filho. E assim, por mais de quarenta anos, as Voyages Extraordinaires apareceram em capítulos mensais na revista Magasin D'éducation et de Récréation.
Em A Volta ao Mundo em 80 Dias, encontramos, ao mesmo tempo, muito da breve experiência de Verne como marinheiro e como corretor de Bolsa.
Nada mais justo, também, que o novo estilo literário inaugurado por Júlio Verne, fosse utilizado por uma nova arte que surgia: o cinema. Da Terra à Lua (Georges Mélies, 1902), La Voyage a travers l'impossible (Georges Mélies, 1904), 20.000 lieus sous les mers (Georges Mélies, 1907), Michael Strogoff (J. Searle Dawley, 1910), La Conquête du pôle (Georges Mélies, 1912) foram alguns dos primeiros filmes baseados em suas obras. Foram inúmeros.
A Volta ao Mundo em 80 dias foi filmado em 1956, com enredo milionário, dirigido por Michael Anderson, música de Victor Young, direção de fotografia de Lionel Lindon. David Niven fez Phileas Fogg, Cantinflas, Passepartout, Shirley MacLaine, Aouda. Em 1989, foi aproveitado para uma série de TV, com a participação da BBC, dirigida por Roger Mills. No mesmo ano, outra série de TV, agora nos EE.UU., dirigida por Buzz Kulik, com Pierce Brosnan (Phileas Fogg), Eric Idle (Passepartout), Julia Nickson-Soul (Aouda), Peter Ustinov (Fix).
Apesar de tudo, a vida de Verne não foi fácil. Por um lado sua dedicação ao trabalho minou a tal ponto sua saúde que durante toda a vida sofreu ataques de paralisia. Como se fosse pouco, era diabético e acabou por perder vista e ouvido. Seu filho Michael lhe deu os mesmos problemas que dera ao pai e, desgraça das desgraças, um de seus sobrinhos lhe disparou um tiro à queima-roupa deixando-o coxo. Sua vida efetiva também não foi das mais tranqüilas e todos os seus biógrafos admitem ter tido uma amante, um relacionamento que só terminou com a morte da misteriosa dama.
Verne também se interesou pela política, tendo sido eleito para o Conselho de Amiens em 1888 na chapa radical, reeleito em 1892, 1896 e 1900.
Morreu em 24 de Março de 1905
Fonte: www.ebooksbrasil.org

Júlio Verne
Escritor francês (8/2/1828-24/3/1905), criador da moderna ficção científica. Seus livros antecipam desenvolvimentos tecnológicos e influenciam a visão de seus contemporâneos. Nasce em Nantes e desde pequeno se interessa por literatura.
Estuda direito em Paris a partir de 1848, para seguir a tradição familiar, mas ao mesmo tempo escreve poesias e uma coluna de narrações científicas na revista Museu das Famílias. Obtém êxito apenas em 1863, com a série Viagens Extraordinárias, inaugurada com Cinco Semanas em um Balão.
Empolgado com os avanços científicos da época, como a máquina a vapor e a eletricidade, produz ficção no estilo romance/aventura, como Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865), Vinte Mil Léguas Submarinas (1870) e A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1873).
Em sua obra mais popular, A Ilha Misteriosa (1875), prevê avanços científicos como o submarino, o tubo de ar comprimido, a televisão e as viagens espaciais. Entre seus livros que se transformaram em filmes de sucesso estãoVinte Mil Léguas Submarinas, de Walt Disney (1954), A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1956) e Da Terra à Lua (1958).
Fonte: www.algosobre.com.br
Júlio Verne (em francês Jules Verne) (Nantes, 8 de Fevereiro de 1828 — Amiens, 24 de Março de 1905) foi um escritor francês.

Júlio Verne
Filho mais velho dos cinco filhos de Pierre Verne, advogado (avoué), e Sophie Allote de la Fuÿe, esta de um família burguesa de Nantes. É considerado o precursor do gênero de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua.
Júlio Verne passou a infância com os pais e irmãos, na cidade francesa de Nantes e na casa de verão da família. A proximidade do porto e das docas constituíram provavelmente grande estímulo para o desenvolvimento da imaginação do autor sobre a vida marítima e viagens a terras distantes. Com nove anos foi mandado para o colégio com seu irmão Paul. Mais tarde, seu pai, com a esperança de que o filho seguisse sua carreira de advogado, enviou o jovem Júlio para Paris, a fim de estudar Direito. Ali começou a se interessar mais pelo teatro do que pelas leis, tendo escrito alguns livretos de operetas e pequenas histórias de viagens. Seu pai, ao saber disso, cortou-lhe o apoio financeiro, o que o levou a trabalhar como corretor de ações, o que teve como propósito lhe garantir alguma estabilidade financeira. Foi quando conheceu uma viúva com duas filhas chamada Honorine de Viane Morel, com quem se casou em 1857 e teve em 1861 um filho chamado Michel Jean Pierre Verne. Durante esse período conheceu os escritores Alexandre Dumas e Victor Hugo.
A carreira literária de Júlio Verne comecou a se destacar quando se associou a Pierre Jules Hetzel, editor experiente que trabalhava com grandes nomes da época, como Alfred de Brehat, Victor Hugo, George Sand e Erckmann-Chatrian.
Hetzel publicou a primeira grande novela de sucesso de Júlio Verne em 1862, o relato de viagem à África em balão, intitulado Cinco semanas em um balão. Essa história continha detalhes tão minunciosos de coordenadas geográficas, culturas, animais, etc., que os leitores se perguntavam se era ficção ou um relato verídico. Na verdade, Júlio Verne nunca havia estado em um balão ou viajado à África. Toda a informação sobre a história veio de sua imaginação e capacidade de pesquisa.
Hetzel apresentou Verne a Félix Nadar, cientista interessado em navegação aérea e balonismo, de quem se tornou grande amigo e que introduziu Verne ao seu círculo de amigos cientistas, de cujas conversações o autor provavelmente tirou algumas de suas idéias.
O sucesso de Cinco semanas em um balão lhe rendeu fama e dinheiro. Sua produção literária seguia em ritmo acelerado. Quase todos os anos Hetzel publicava novo livro de Verne, quase todos grandes sucessos. Dentre eles se encontram: Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao centro da terra, A volta ao mundo em oitenta dias, Da terra à lua, Robur - o conquistador.
Seu último livro publicado foi Paris no século 20. Escrito em 1863, somente publicado em 1989, quando o manuscrito foi encontrado por bisneto de Verne. Livro de conteúdo depressivo, foi rejeitado por Hetzel, que recomendou Verne a não publicá-lo na época, por fugir à fórmula de sucesso dos livros já escritos, que falavam de aventuras extraordinárias. Verne seguiu seu conselho e guardou o manuscrito em um cofre, só sendo encontrado mais de um século depois.
Até hoje Júlio Verne é o escritor cuja obra foi mais traduzida em toda a história, com traduções em 148 línguas, segundo estatísticas da UNESCO, tendo escrito mais de 70 livros.
Seu único filho Michel era considerado um garoto rebelde, e não seguiu as orientações do pai. Júlio Verne mandou seu filho, aos 16 anos, em uma viagem de instrução em um navio, por 18 meses, com esperança que a disciplina a bordo e a vida no mar corrigissem o seu caráter, mas de nada adiantou. Michel acabou casando-se com uma atriz, contra a vontade do pai, tendo com ela dois filhos.
Em 9 de Março de 1886, seu sobrinho Gaston deu dois tiros contra o autor, quando este chegava em casa na cidade de Amiens. Um dos tiros o atingiu no ombro e demorou a cicatrizar, deixando-o com perigo de morte. Não se sabe bem por que seu sobrinho tenha atentado contra a sua vida, mas o mesmo foi considerado louco e internado em um manicômio até o final da vida. Este episódio serviu para aproximar pai e filho, pois Michel vendo-se em vias de perder o pai passou a encarar a vida com mais seriedade. Neste mesmo ano, morria o editor Pierre Hetzel, grande amigo de Júlio Verne, fato que o deixou muito abalado.
Nos últimos anos, Verne escreveu muitos livros sobre o uso errôneo da tecnologia e os seus impactos ambientais, sua principal preocupação naquela época. Continuou sua obra até a sua morte em 24 de Março de 1905. Seu filho Michel editou seus trabalhos incompletos e escreveu ele mesmo alguns capítulos que estavam faltando, quando da morte do pai.
Fonte: pt.wikipedia.org