Obras Literárias

abril, 2017

  • 10 abril

    A Gonçalves Dias

    Machado de Assis Ninguém virá, com titubeantes passos, E os olhos lacrimosos, procurando O meu jazigo… GONÇALVES DIAS. Últimos Cantos. Tu vive e goza a luz serena e pura.* J. BASÍLIO DA GAMA. Uruguai, c. V. Assim vagou por alongados climas, E do naufrágio os úmidos vestidos Ao calor enxugou …

  • 10 abril

    A flor do embiruçu

    Machado de Assis Noite, melhor que o dia, quem não te ama? FILINTO ELYSIO. Quando a noturna sombra envolve a terra E à paz convida o lavrador cansado, À fresca brisa o seio delicado A branca flor do embiruçu descerra. E das límpidas lágrimas que chora A noite amiga, ela …

  • 10 abril

    A Elvira

    Machado de Assis Quando, contigo a sós, as mãos unidas, Tu, pensativa e muda; e eu, namorado, Às volúpias do amor a alma entregando, Deixo correr as horas fugidias; Ou quando `as solidões de umbrosa selva Comigo te arrebato; ou quando escuto –Tão só eu, — teus terníssimos suspiros; E …

  • 10 abril

    A cristã-nova

    Machado de assis …essa mesma foi levada cativa para uma terra estranha. NAHUM, cap. III, v. 10 PARTE I I Olhos fitos no céu, sentado à porta, O velho pai estava. Um luar frouxo Vinha beijar-lhe a veneranda barba Alva e longa, que o peito lhe cobria, Como a névoa …

  • 10 abril

    O Cajueiro Ensinado

    Thiago de Mello Por medo de perder pouco, acabaste te perdendo. Não quiseste te dar todo e terminaste sem nada. Não sentiste o ferrão feio cavando devagarinho o fundo verde do peito. ( Por que era verdade. Tu sabes. ) Nem sequer te perguntaste porque as janelas se foram fechando …

  • 10 abril

    O Animal da Floresta

    Thiago de Mello De madeira lilás (ninguém me crê) se fez meu coração. Espécie escassa de cedro, pela cor e porque abriga em seu âmago a morte que o ameaça. Madeira dói?, pergunta quem me vê os braços verdes, os olhos cheios de asas. Por mim responde a luz do …

  • 10 abril

    Notícia da Manhã

    Thiago de Mello Eu sei que todos viram e jamais esquecerão. Mas é possível que alguém, denso de noite, estivesse profundamente dormido. E aos dormidos – e também aos que estavam muito longe e não puderam chegar, aos que estavam perto e perto permaneceram sem vê-la; aos moribundos nos catres …

  • 10 abril

    Ninguém me Habita

    Thiago de Mello Ninguém me habita. A não ser o milagre da matéria que me faz capaz de amor, e o mistério da memória que urde o tempo em meus neurônios, para que eu, vivendo agora, possa me rever no outrora. Ninguém me habita. Sozinho resvalo pelos declives onde me …

  • 10 abril

    Narciso Cego

    Thiago de Mello Tudo o que de mim se perde acrescenta-se ao que sou. Contudo, me desconheço. Pelas minhas cercanias passeio – não me freqüento. Por sobre fonte erma e esquiva flutua-me íntegra, a face. Mas nunca me vejo: e sigo com face mal disfarçada. Oh que amargo é o …

  • 10 abril

    Memória da Esperança

    Thiago de Mello Na fogueira do que faço por amor me queimo inteiro. Mas simultâneo renasço para ser barro do sonho e artesão do que serei. Do tempo que me devora me nasce a fome de ser. Minha força vem da frágil flor ferida que se entreabre resgatada pelo orvalho …