Obras Literárias

março, 2017

  • 24 março

    Talvez – Pablo Neruda

    Pablo Neruda Talvez não ser, é ser sem que tu sejas, sem que vás cortando o meio dia com uma flor azul, sem que caminhes mais tarde pela névoa e pelos tijolos, sem essa luz que levas na mão que, talvez, outros não verão dourada, que talvez ninguém soube que …

  • 24 março

    Teu Riso – Pablo Neruda

    Pablo Neruda Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce. A minha luta é dura e …

  • 23 março

    Dois – Pablo Neruda

    Pablo Neruda Dois… Apenas dois. Dois seres… Dois objetos patéticos. Cursos paralelos Frente a frente… …Sempre… …A se olharem… Pensar talvez: “ Paralelos que se encontram no infinito…”. No entanto sós por enquanto. Eternamente dois apenas. Dois – Errante

  • 23 março

    A Noite na Ilha

    Pablo Neruda Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha. Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono, entre o fogo e a água. Talvez bem tarde nossos sonos se uniram na altura e no fundo, em cima como ramos que um mesmo vento move, embaixo …

  • 23 março

    A Canção Desesperada

    Pablo Neruda Aparece tua recordação da noite em que estou. O rio reúne-se ao mar seu lamento obstinado. Abandonado como o impulso das auroras. É a hora de partir, oh abandonado! Sobre meu coração chovem frias corolas. Oh sentina de escombros, feroz cova de náufragos! Em ti se ajuntaram as …

  • 23 março

    Áspero Amor…

    Pablo Neruda Áspero amor, violeta coroada de espinhos… Arbusto entre tantas paixões erguidas, Lança das dores, coroa da ira, Por quais caminhos e como te dirigiu a minha alma? Por que precipitaste teu fogo doloroso, Repentinamente, entre as folhas frias do meu caminho? Quem te ensinou os passos que te …

  • 23 março

    Soneto XXV – Pablo Neruda

    Pablo Neruda Antes de amar-te, amor, nada era meu: vacilei pelas ruas e as coisas: nada contava nem tinha nome: o mundo era do ar que esperava. E conheci salões cinzentos, túneis habitados pela lua, hangares cruéis que se despediam, perguntas que insistiam na areia. Tudo estava vazio, morto e …

  • 23 março

    Amazonas – Pablo Neruda

    Pablo Neruda Amazonas, capital das sílabas da água, pai patriarca, és a eternidade secreta das fecundações, te caem os rios como aves, te cobrem os pistilos cor de incêndio, os grandes troncos mortos te povoam de perfume, a lua não pode vigiar-te ou medir-te. És carregado de esperma verde como …

  • 23 março

    Posso Escrever…

    Pablo Neruda Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada, e tiritam, azuis, os astros, ao longe”. O vento da noite gira no céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu a quis, e às vezes ela também me …

  • 23 março

    O Vento na Ilha

    Pablo Neruda O vento é um cavalo Ouça como ele corre Pelo mar, pelo céu. Quer me levar: escuta como recorre ao mundo para me levar para longe. Me esconde em teus braços por somente esta noite, enquanto a chuva rompe contra o mar e a terra sua boca inumerável. …